{"id":3551,"date":"2007-01-29T14:03:45","date_gmt":"2007-01-29T16:03:45","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=3551"},"modified":"2023-03-27T18:43:31","modified_gmt":"2023-03-27T21:43:31","slug":"uma-flor-para-a-borboleta-ficar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/conhecendo-a-crianca\/uma-flor-para-a-borboleta-ficar\/","title":{"rendered":"Uma flor para a borboleta ficar"},"content":{"rendered":"<h5>Como as crian\u00e7as pequenas constroem significado sobre os seres vivos a partir de conhecimentos mediados por adultos? Em busca desta compreens\u00e3o, duas pesquisadoras da USP acompanharam e analisaram conversas e desenhos produzidos por uma turma em atividade<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3552\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo2.jpg\" alt=\"avisala_29_borbo2\" width=\"207\" height=\"349\" \/><br \/>\nEste artigo nasce de uma investiga\u00e7\u00e3o que buscou compreender como as crian\u00e7as pequenas constroem significados sobre os seres vivos, quando elas est\u00e3o em intera\u00e7\u00e3o social, acessando diferentes conhecimentos mediados por adultos. Para realizar esta pesquisa, estivemos durante quatro meses na Creche Oeste, localizada no campus da Universidade de S\u00e3o Paulo, na capital paulista. Acompanhamos um grupo de crian\u00e7as com quatro anos de idade durante as atividades do projeto \u201cPequenos Animais\u201d, cuja finalidade era possibilitar que as crian\u00e7as conhecessem um pouco mais sobre os animais de jardim e, em especial, sobre as borboletas.<\/p>\n<p>As atividades propostas pela educadora Cristiane Domingos de Souza foram bastante diversificadas. Ela escolheu materiais informativos ricos em imagens, de modo que as crian\u00e7as \u2013 ainda n\u00e3o leitoras \u2013 pudessem fazer suas aprecia\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es. As imagens eram apresentadas pela educadora (que lia as legendas e textos complementares) e depois discutidas pelas crian\u00e7as nas rodas de conversa. As informa\u00e7\u00f5es eram extra\u00eddas de revistas, livros paradid\u00e1ticos, literatura infantil, poesias e pinturas, al\u00e9m de observa\u00e7\u00f5es de um viveiro com lagartas mantido na sala de aula, de passeios ao jardim da creche e a um bosque localizado nas imedia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A educadora criou situa\u00e7\u00f5es <!--more-->em que as crian\u00e7as pudessem elaborar os novos conhecimentos por meio de diferentes linguagens expressivas. Ora as crian\u00e7as desenhavam, ora faziam pinturas ou colagens, ora modelavam com argila ou massinha, ora imitavam. E a todo momento falavam sobre os pequenos animais. Embora nosso maior interesse fosse a coleta dos desenhos e das falas das crian\u00e7as, procuramos recolher a maior quantidade poss\u00edvel de registros para que pud\u00e9ssemos descrever adequadamente o contexto em que esses desenhos iam sendo elaborados e as id\u00e9ias que estavam sendo negociadas pelas crian\u00e7as. Assim, os registros foram realizados por meio de grava\u00e7\u00e3o em \u00e1udio e v\u00eddeo de rodas de conversa e, em alguns momentos, anota\u00e7\u00f5es em caderno de campo e coleta de desenhos produzidos pelas crian\u00e7as. Posteriormente, foram selecionados alguns epis\u00f3dios e transcritos trechos considerados significativos.<\/p>\n<p><strong>Bin\u00f4mio: desenho e fala <\/strong><br \/>\nPara fazer a an\u00e1lise dos dados coletados, partimos do pressuposto de que os desenhos s\u00e3o, para as crian\u00e7as, atividades l\u00fadicas por meio das quais elas gostam de se expressar para compreender o mundo \u00e0 sua volta. Em outras palavras, os desenhos s\u00e3o uma linguagem que as crian\u00e7as utilizam para organizar suas id\u00e9ias, constituindo, portanto, material bastante prof\u00edcuo para o estudo do processo de significa\u00e7\u00e3o sobre os seres vivos, uma vez que revelam o pensamento das crian\u00e7as a respeito do assunto. Vale destacar que os desenhos, nesta pesquisa, algumas vezes complementam as falas, outras s\u00e3o complementados por elas. Em outras situa\u00e7\u00f5es, ainda servem como est\u00edmulo para as conversas, uma vez que, na faixa et\u00e1ria que estamos estudando, as crian\u00e7as freq\u00fcentemente falam enquanto desenham.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-3553\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo4.jpg\" alt=\"avisala_29_borbo4\" width=\"113\" height=\"303\" \/><br \/>\nAinda segundo Vygotsky<sup>1<\/sup>, nos primeiros anos de vida, a fala desempenha um papel importante na resolu\u00e7\u00e3o de problemas, uma vez que \u00e9 s\u00f3 quando falam que as crian\u00e7as conseguem solucion\u00e1-los. \u00c9 interessante notar que, nesses casos, as palavras n\u00e3o s\u00e3o emitidas com o intuito de atingir um destinat\u00e1rio externo, mas sim, de organizar o pensamento e as a\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a, ou seja, ela fala para si mesma. \u00c9 o que Vygotsky chama de \u201cfala egoc\u00eantrica\u201d. Nesta pesquisa, o problema pr\u00e1tico que as crian\u00e7as precisavam resolver era produzir desenhos sobre pequenos animais. Esta tarefa gerou muitas manifesta\u00e7\u00f5es verbais por parte das crian\u00e7as. Pareceu-nos, portanto, que as falas constitu\u00edam parte integrante dos desenhos. Analisamos, assim, os desenhos e as falas das crian\u00e7as procurando identificar de que modo elas recombinavam os elementos da realidade conhecida sobre os pequenos animais. Uma realidade que foi sendo conhecida por meio das diversas formas de media\u00e7\u00e3o realizadas pela educadora, pelos materiais informativos e pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as (ler mais abaixo).<\/p>\n<p><strong>Desenhando uma flor<\/strong><br \/>\nEntre os trechos selecionados, transcritos e analisados, destacamos a seguir situa\u00e7\u00f5es em que um grupo de quatro crian\u00e7as conversou durante o tempo todo da produ\u00e7\u00e3o de um desenho. Anna, Al\u00ea, Alex e Jorge realizaram seus desenhos concomitantemente e sempre conversando:<\/p>\n<p>Anna: Eu t\u00f4 fazendo primeiro uma flor pra colocar a borboleta.<br \/>\nCeli: Ah, legal.<br \/>\nJorge: Ih, se voc\u00ea faz, eu fa\u00e7o. Se voc\u00ea faz uma flor, eu vou fazer uma flor. Al\u00ea: Eu n\u00e3o vou fazer flor.<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nJorge: Agora eu vou fazer o da (&#8230;)<br \/>\nAnna: Eu nem fiz.<br \/>\nJorge: Deixa. Eu vou fazer flor pra borboleta ficar.<br \/>\nAnna: Mas essa eu vou fazer de dia.<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nAnna: Fazer uma floooor.<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nJorge: Olha! A flor que d\u00e1 pra borboletinha ficar, \u00f3. (&#8230;)<\/p>\n<p>Ao declarar que vai desenhar uma flor, Anna fala para si mesma como um planejamento de sua a\u00e7\u00e3o. Entretanto, quando ouve a declara\u00e7\u00e3o da amiga, Jorge inicia um di\u00e1logo em que negocia com a menina sobre como cada um deles vai utilizar o significante \u201cflor\u201d em seus desenhos. Em outras palavras, a fun\u00e7\u00e3o da fala primeiro \u00e9 egoc\u00eantrica, passando a ser comunicativa a partir do momento em que Jorge escuta e interage com a menina. Quando o garoto declara para Anna que tamb\u00e9m ir\u00e1 desenhar uma flor, ela retruca que a sua ser\u00e1 feita \u201cde dia\u201d, fazendo, pois, uma diferencia\u00e7\u00e3o entre sua flor e a de Jorge.<\/p>\n<p>Apesar dessa diferencia\u00e7\u00e3o, nos dois casos a flor significa \u201cum local para a borboleta ficar\u201d, ou seja, n\u00e3o \u00e9 uma flor qualquer, ela desempenha uma fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para o contexto em que o desenho \u00e9 produzido: representar algo sobre o projeto.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que as crian\u00e7as observaram borboletas pousadas em flores no parque e no bosque, viram obras de arte que representavam flores e borboletas, bem como diversas ilustra\u00e7\u00f5es em que as borboletas apareciam interagindo com flores.<\/p>\n<div id=\"attachment_3555\" style=\"width: 313px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3555\" class=\"size-full wp-image-3555\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo3.jpg\" alt=\"avisala_29_borbo3.jpg\" width=\"303\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo3.jpg 303w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo3-300x250.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 303px) 100vw, 303px\" \/><p id=\"caption-attachment-3555\" class=\"wp-caption-text\">Desenho 1 (autor: Alex)<br \/>1 &#8211; le\u00e3o<br \/>2 &#8211; juba<br \/>3 &#8211; gato<br \/>4 &#8211; taturana<br \/>5 &#8211; borboleta<br \/>6 &#8211; casulo<br \/>7 &#8211; flor<br \/>8 &#8211; \u00e1rvore<br \/>9 &#8211; mato<br \/>10 &#8211; joaninha<\/p><\/div>\n<p><strong>Larvas e lagartas<\/strong><br \/>\nAlex: Fazer um gato agora.<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nAnna: Num casuuulo.<br \/>\nJorge: Eu fazer um ca&#8230; vermelho do<br \/>\ncasulo.C\u00ea t\u00e1 certo, casulo que eu ia fazer.<br \/>\nAnna: Eu vou fazer um casul\u00e3o. Olha o casul\u00e3o!<br \/>\nJorge: Nem que existe.<br \/>\nAnna: Mas eu vou fazer uma borboleta grannnnde.<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nAlex: Eu vou fazer um casulo pequenininho.<br \/>\nAlex: Aqui, casulo pequenininho. Vou fazer outro casulo.<br \/>\nJorge: Quer fazer aquele casulo.<br \/>\nAnna: Olha o casul\u00e3o, que eu fiz, qu\u00e9 v\u00ea? \u00c9 um casulo.<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nAnna: A\u00ed vai vim um tro\u00e7o&#8230; um negocinho bem pequititico. Vai t\u00e1 arrastando.<br \/>\nCeli: O que isso \u00e9?<br \/>\nAlex: Eu vou fazer uma borboleta passando.<br \/>\nAnna: A\u00ed&#8230;como \u00e9 que era&#8230; aquilo l\u00e1 que \u00e9&#8230;<br \/>\nJorge: Um casulo que estou fazendo.<br \/>\nAnna: Que que isso mesmo. Ahn. Ahhh, aquelaaa&#8230;[risos]<br \/>\nJorge: Derruba o casulo Anna. Voc\u00ea fica empurrando a mesa toda hora.<br \/>\nAnna: Fica uma \u00e9&#8230; ahn&#8230;uma (setinha)&#8230;eu n\u00e3o sei.<br \/>\nJorge: Uma larvinha, Ana.<br \/>\nAlex: Aqui, esse daqui \u00e9 o le\u00e3o, esse \u00e9 o gato.<br \/>\nCeli: Ah, \u00e9 uma larvinha?<br \/>\nAnna: \u00c9 uma larvinha. Isso daqui \u00e9 uma larvinha, a\u00ed ela&#8230;<br \/>\nAlex: Aaaaiiii\u00ed. Eu vou fazer a larvinha.<br \/>\nAnna: Ummm neg\u00f3cio. Ai, como chama?<br \/>\nJorge: Eu n\u00e3o lembro. Aqui a larvinha. Casulo!<br \/>\nAnna: Naaa\u00e3o! Olha o casulo aqui! Larvinha, u\u00e9.<br \/>\nAnna: N\u00e3o, larvinha era essa. Larvinha pequititica.<br \/>\nAnna: \u00c9, \u00e9 a&#8230; a\u00ed&#8230; \u00e9 a&#8230; qual \u00e9 a&#8230; como que chama?<br \/>\nJorge: Eu n\u00e3o (sei).<br \/>\nAnna: Ah&#8230; ah&#8230;<br \/>\nAlex: A minhoca.<br \/>\nAnna: \u00c9, a minhoca.<br \/>\nCeli: Como \u00e9 que chama a minhoca da borboleta? La&#8230;?<br \/>\nAlex: Eu vou fazer&#8230;<br \/>\nCeli: La&#8230; la&#8230;<br \/>\nAnna: Eu vou fazer, la<br \/>\nCeli: Lagarta, n\u00e3o \u00e9?<br \/>\nAnna: Eu vou fazer uma largata. A largata, ela \u00e9 larga. Depois ela vai com\u00ea um mont\u00e3o&#8230; Gorducha&#8230;.folha que tava aqui, mont\u00e3o de folha, mont\u00e3o, mont\u00e3o, mont\u00e3o.<br \/>\n(&#8230; achei)<br \/>\nAnna: E ela comeu um mont\u00e3o, comeu,<br \/>\ncomeu. E a\u00ed ela ficou dentro do casulo.<br \/>\n[Crian\u00e7a fazendo alguns sons]<br \/>\nAnna: Ficou dentro do casulo, e virou uma borboleta.<br \/>\nJorge: Ah, fiz o casulo depois de voc\u00ea. Haha.<br \/>\nAnna: Deixa.<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nAnna: Eu t\u00f4 fazendo borboleta.<\/p>\n<p>Alex inicia a intera\u00e7\u00e3o, desinteressado dos pequenos animais. Utiliza a fala com fun\u00e7\u00e3o egoc\u00eantrica, declarando que vai fazer um le\u00e3o e depois um gato, n\u00e3o provocando nenhuma rea\u00e7\u00e3o dos colegas. Provavelmente, isto ocorre porque o \u201cle\u00e3o\u201d e o \u201cgato\u201d n\u00e3o despertam nenhum interesse nas outras crian\u00e7as, uma vez que sua aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 voltada para as borboletas. Quando Anna usa o mesmo recurso, recorrendo \u00e0 fala egoc\u00eantrica para desenhar o casulo, Jorge mais uma vez interage, discutindo sobre a coer\u00eancia da representa\u00e7\u00e3o de um casulo grande (que n\u00e3o existe, mas pode ser desenhado se a borboleta tamb\u00e9m for grande) e Alex, ao escutar a palavra \u201ccasulo\u201d, volta sua aten\u00e7\u00e3o para os pequenos animais, passando a desenhar figuras relacionadas a borboletas.<\/p>\n<p>Mais uma vez, fica evidente a altern\u00e2ncia de fun\u00e7\u00f5es desempenhadas pela fala na intera\u00e7\u00e3o e de como a fala de uma crian\u00e7a interfere no pensamento das outras. \u00c9 interessante notar que Alex n\u00e3o s\u00f3 decide falar sobre casulo como ele j\u00e1 inicia sua participa\u00e7\u00e3o dentro do contexto que est\u00e1 sendo negociado: O tamanho do casulo. Parece-nos que a palavra \u201ccasulo\u201d altera o campo perceptivo de Alex, uma vez que o menino deixa de \u201cvisualizar\u201d os felinos e passa a fazer imagens mentais relacionadas \u00e0s borboletas, permanecendo nesse tema at\u00e9 o final de sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Anna est\u00e1 representando o ciclo de vida das borboletas e n\u00e3o consegue se lembrar da palavra \u201clarvinha\u201d. Suspende o l\u00e1pis distanciando-o do papel at\u00e9 o momento em que Jorge pronuncia a palavra que a menina estava procurando. A situa\u00e7\u00e3o se repete com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lagarta at\u00e9 quando Alex, na tentativa de ajudar a amiga, diz a palavra \u201cminhoca\u201d, a qual \u00e9 imediatamente aceita, possibilitando a continua\u00e7\u00e3o do desenho.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o evidencia a import\u00e2ncia da nomea\u00e7\u00e3o para esta menina e como a fala realmente serve para regular sua a\u00e7\u00e3o, uma vez que Anna s\u00f3 consegue prosseguir com seus tra\u00e7ados no momento em que encontra a palavra que considerava adequada. Assim, fica evidente que \u201cminhoca\u201d, para as crian\u00e7as, \u00e9 sin\u00f4nimo de lagarta ou taturana, o que n\u00e3o \u00e9 de se estranhar, uma vez que as minhocas s\u00e3o animais que se arrastam (tal como na descri\u00e7\u00e3o feita pela menina), t\u00eam o corpo alongado e vivem nos jardins, tal como as taturanas e lagartas.<\/p>\n<p>Ao dizer \u201cum negocinho bem pequititico que vai t\u00e1 arrastando\u201d para descrever a larvinha, a menina deixa evidente que o tamanho do animal e seu modo de locomo\u00e7\u00e3o s\u00e3o aspectos significativos para ela. Quando \u00e9 pronunciada a palavra \u201clagarta\u201d como alternativa para \u201cminhoca\u201d, Anna apropriase do termo dando-lhe mais sentido por meio da invers\u00e3o de letras: \u201cEu vou fazer uma largata. A largata, ela \u00e9 larga. Depois ela vai comer um mont\u00e3o&#8230; Gorducha&#8230; folha que tava aqui, mont\u00e3o de folha, mont\u00e3o, mont\u00e3o, mont\u00e3o\u201d. Em epis\u00f3dios anteriores, Anna torna evidente que considera a alimenta\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel para a sobreviv\u00eancia, e aqui a alimenta\u00e7\u00e3o parece estar tamb\u00e9m associada \u00e0 id\u00e9ia de crescimento e desenvolvimento, uma vez que h\u00e1 uma distin\u00e7\u00e3o entre a larvinha (pequititica) e a lagarta (gorducha), a qual come vorazmente. Depois de \u201ccomer um mont\u00e3o\u201d, a lagarta ficou dentro do casulo e virou borboleta, ou seja, a alimenta\u00e7\u00e3o parece ser considerada por essa crian\u00e7a como condi\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento. \u00c9 interessante tamb\u00e9m observar que, embora \u201ccasulo\u201d corresponda a uma fase do ciclo de vida das borboletas, \u00e9 mencionado pelas crian\u00e7as no sentido de um abrigo. \u00c9 mais um \u201clugar para a borboleta ficar\u201d. S\u00f3 que este local tem a fun\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o, acolhimento, repouso.<\/p>\n<div id=\"attachment_3554\" style=\"width: 236px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3554\" class=\"size-full wp-image-3554\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo5.jpg\" alt=\"avisala_29_borbo5.jpg\" width=\"226\" height=\"313\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo5.jpg 226w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo5-216x300.jpg 216w\" sizes=\"auto, (max-width: 226px) 100vw, 226px\" \/><p id=\"caption-attachment-3554\" class=\"wp-caption-text\">Desenho 2 (autora: Anna Carolina)<br \/>1 &#8211; casulo<br \/>2 &#8211; larvinha<br \/>3 &#8211; lagarta<br \/>4 &#8211; um \u201cmonte\u201d de folhinhas<br \/>5 &#8211; borboletas<br \/>6 &#8211; flor para as borboletas ficarem<br \/>7 &#8211; joaninha filha<br \/>8 &#8211; joaninha m\u00e3e<br \/>9 &#8211; caminho para as joaninhas se encontrarem<br \/>10 &#8211; comidinha para a lagarta comer dentro do casulo<\/p><\/div>\n<p>Alimentando o casulo<br \/>\nAlex: Aqui, olha. Agora eu vou.<br \/>\nAnna: Agora eu vo&#8230;. Vai (ter) borboleta?<br \/>\nEu tenho um mont\u00e3o&#8230;, eu tenho, um, dois, tr\u00eas, quatro, cinco.<br \/>\nJorge: Voc\u00ea tem mais do que eu, Ana.<br \/>\nAnna: Eu tenho&#8230; Seis. Eu tenho duas.<br \/>\nJorge: Anna, voc\u00ea tem mais do que eu.<br \/>\nAnna: \u00c9.<br \/>\nJorge: (Meu) tenho mais do que eu.<br \/>\nAnna: Eu sei.<br \/>\nAlex: Que que isso?<br \/>\nAnna: Que que \u00e9 isso da\u00ed, Al\u00ea?<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nAnna: Ela t\u00e1 sobrevivendo aqui, a borboleta.<br \/>\n(Disse indicando o casulo que havia desenhado \u2013 desenho 2, item 1)<br \/>\nCeli: T\u00e1 sobrevivendo?<br \/>\nAnna: T\u00e1. Por causa que eu t\u00f4 fazendo uma bolinha pr\u00e1 elas comer.<br \/>\nCeli: T\u00e1. Ah, e ela come quando t\u00e1 dentro do casulo.<br \/>\nAnna: \u00c9.<br \/>\nCeli: \u00c9. Hum&#8230;<br \/>\nAnna: A minha come.<br \/>\nCeli: A sua come.<br \/>\nAlex: Deixa eu ver&#8230;<br \/>\nAnna: Mas de verdade n\u00e3o come&#8230;Voc\u00ea pintou a mesa!<br \/>\nAnna associa a id\u00e9ia de sobreviv\u00eancia \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda que ela saiba que a borboleta \u201cde verdade\u201d n\u00e3o come quando est\u00e1 \u201cdentro\u201d do casulo, afirmou que \u201ca minha come, mas a de verdade n\u00e3o come\u201d. Em outras palavras, para a menina, n\u00e3o parece fazer sentido que exista um ser vivo que possa sobreviver sem comida. Assim, incluir a comida dentro do casulo que desenhou \u00e9 um modo de dar um sentido \u00e0s informa\u00e7\u00f5es que talvez lhe parecessem incoerentes. Assim, ela utiliza sua capacidade imaginativa para reorganizar os elementos da realidade.<\/p>\n<p>Em uma roda de conversa ocorrida semanas antes deste epis\u00f3dio, a menina revelou uma hip\u00f3tese sobre o casulo que estava sendo cultivado em um terr\u00e1rio na sala de aula: a lagarta que estava dentro do casulo sa\u00eda para comer folhinhas \u00e0 noite e por isto ningu\u00e9m a via comer, pois todos iam para casa e n\u00e3o ficavam na creche nesse hor\u00e1rio. Ainda que a menina imite a realidade representando as diversas fases do ciclo de vida, o apetite voraz da lagarta, a diferen\u00e7a anat\u00f4mica entre as etapas da borboleta e as flores para a borboleta ficar, ela apropria-se destas informa\u00e7\u00f5es atribuindo sentidos coerentes com sua realidade interna: \u00e9 preciso comer para se manter vivo. Mais uma vez, refor\u00e7a-se a id\u00e9ia de casulo como compartimento ou habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u201cBolinhas\u201d<\/strong><br \/>\nAlex: \u00d3, \u00f3, olha aqui \u00e9 a bolinha. \u00c9 a bolinha.<br \/>\nCeli: E pra que que servem essas bolinhas,<br \/>\nAl\u00ea, Alex.<br \/>\nAlex: \u00c9 pra crescer a taturana. \u00c9 pra crescer a taturana? \u00c9.<br \/>\nAnna: Vamos l\u00e1 brincar?<br \/>\nAl\u00ea: Vamos.<br \/>\nCeli: Que que a tarana, taturana&#8230; que que essas bolinhas fazem?<br \/>\nAlex: A tatulana entra aqui nas bolinhas e depois elas vira borboleta.<br \/>\nCeli: Ah, dentro das bolinhas.<br \/>\nJorge: \u00c9 o casulo, n\u00e3o \u00e9 Alex?<br \/>\nAlex balan\u00e7ou a cabe\u00e7a afirmativamente.<br \/>\nCeli: S\u00e3o os casulos, ent\u00e3o essas bolinhas? \u00d4, Alex, que bacana.<\/p>\n<p>Anna e Alex utilizam a palavra \u201cbolinha\u201d atribuindo significados diferentes. Para a menina, as bolinhas representam alimento enquanto que para o garoto elas representam o casulo. Apesar desta diferen\u00e7a, parece-nos que o fato de Anna ter pronunciado a palavra bolinha fez o menino lembrar do significado que ele atribui \u00e0 palavra e decide desenhar \u201cas bolinhas onde a taturana vira borboleta\u201d. Jorge, ao ouvir a explica\u00e7\u00e3o de Alex, contribui nomeando as bolinhas conforme as informa\u00e7\u00f5es que foram sendo adquiridas no decorrer do desenvolvimento do projeto: as bolinhas se chamam \u201ccasulo\u201d.<\/p>\n<p>Isto evidencia que para esta crian\u00e7a o termo casulo \u00e9 realmente muito significativo. Foi justamente esta palavra que o fez iniciar a seq\u00fc\u00eancia de representa\u00e7\u00f5es de borboletas em v\u00e1rias etapas do ciclo de vida e agora, mesmo sem utilizar esta palavra, foi a lembran\u00e7a de seu significado que o fez iniciar a seq\u00fc\u00eancia de \u201cbolinhas\u201d. H\u00e1 uma representa\u00e7\u00e3o de casulo que consiste em um tra\u00e7o em torno da borboleta adulta (ver desenho 1, item 6). Este tipo de desenho aparece diversas vezes nas produ\u00e7\u00f5es de outras crian\u00e7as. Talvez isto indique que as crian\u00e7as reconhecem o fato de que, mesmo mudando de aspecto, todas as fases da vida correspondem ao mesmo animal.<\/p>\n<div id=\"attachment_3556\" style=\"width: 509px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3556\" class=\"size-full wp-image-3556\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo6.jpg\" alt=\"avisala_29_borbo6.jpg\" width=\"499\" height=\"425\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo6.jpg 499w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo6-300x255.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 499px) 100vw, 499px\" \/><p id=\"caption-attachment-3556\" class=\"wp-caption-text\">Desenho 3 (autora: Al\u00ea)<br \/>1- borboletas<br \/>2- casulo<br \/>3- \u00e1rvore<\/p><\/div>\n<p><strong>Algumas conclus\u00f5es<\/strong><br \/>\nPercebemos que as crian\u00e7as utilizam-se intensamente da linguagem verbal ao realizar seus desenhos em grupo. Esta linguagem desempenha ora a fun\u00e7\u00e3o egoc\u00eantrica, regulando as a\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as, ora a fun\u00e7\u00e3o comunicativa, proporcionando-lhes oportunidades de fazer negocia\u00e7\u00f5es sobre os sentidos das palavras e criar novas associa\u00e7\u00f5es. Fica muito claro que \u00e0 medida que v\u00e3o proferindo novas palavras, as crian\u00e7as interferem umas nos desenhos das outras, uma vez que cada palavra abre uma nova rede de id\u00e9ias e poss\u00edveis imagens mentais, alterando significativamente o campo de aten\u00e7\u00e3o e de percep\u00e7\u00e3o. Assim, n\u00e3o \u00e9 por acaso que v\u00e1rios elementos se repetem em v\u00e1rios desenhos, como por exemplo o casulo, a flor, a lagarta e a borboleta. Certamente, se as mesmas crian\u00e7as tivessem sido convidadas para desenhar individualmente, produziriam desenhos muito diferentes.<\/p>\n<p>No epis\u00f3dio analisado, as palavras se revelaram muito potentes para desencadear lembran\u00e7as significativas. Temos como exemplo as palavras \u201cflor\u201d, \u201ccasulo\u201d, \u201cminhoca\u201d e \u201clagarta\u201d. Ao observarmos as explica\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as sobre seus desenhos, parece-nos que as borboletas (como seres vivos) assumem as seguintes caracter\u00edsticas:<\/p>\n<ul>\n<li>Precisam ser alimentadas.<\/li>\n<li>Necessitam de um lugar para ficar.<\/li>\n<li>O lugar em que ficam tem elementos naturais.<\/li>\n<li>Apresentam diversas fases de vida.<\/li>\n<li>Possuem asas.<\/li>\n<li>Apresentam segmenta\u00e7\u00e3o do corpo.<\/li>\n<li>Os casulos s\u00e3o considerados como moradias ou<\/li>\n<li>compartimentos em que as lagartas ficam at\u00e9 virarem borboletas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Nossa an\u00e1lise nos leva a acreditar que \u00e9 fundamental que as crian\u00e7as possam fazer suas primeiras aproxima\u00e7\u00f5es aos conhecimentos sobre os seres vivos por meio de acesso a fontes diversificadas de informa\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m \u00e9 essencial garantir que tenham o direito de se expressar em diferentes linguagens, em intera\u00e7\u00e3o com outras crian\u00e7as. Deste modo, elas t\u00eam as oportunidades necess\u00e1rias para fazer negocia\u00e7\u00f5es, apropriar-se dos significados das palavras, compreender os contextos em que s\u00e3o utilizadas e construir conhecimentos sobre os seres vivos.<\/p>\n<p>(Celi Rodrigues Chaves Dominguez, bi\u00f3loga e doutora em Educa\u00e7\u00e3o e atualmente trabalha com Forma\u00e7\u00e3o de Educadores e Silvia Frateschi Trivelato, professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o \u2013 USP\/ Departamento de Metodologia do Ensino\/ \u00c1rea de concentra\u00e7\u00e3o: Ensino de Ci\u00eancias e Matem\u00e1tica)<\/p>\n<p>Artigo originalmente intitulado: O processo de atribui\u00e7\u00e3o de significados aos seres vivos na Educa\u00e7\u00e3o Infantil a partir dos desenhos e falas produzidos para representar pequenos animais durante o desenvolvimento de um projeto na Creche Oeste &#8211; dispon\u00edvel no endere\u00e7o eletr\u00f4nico: http:\/\/www.fc.unesp.br\/abrapec\/venpec atas\/conteudo\/artigos\/3\/doc\/p741.doc<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Psic\u00f3logo e pesquisador russo (1896-1934).<\/p>\n<div id=\"attachment_3557\" style=\"width: 517px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3557\" class=\"size-full wp-image-3557\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo7.jpg\" alt=\"avisala_29_borbo7.jpg\" width=\"507\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo7.jpg 507w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo7-300x234.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 507px) 100vw, 507px\" \/><p id=\"caption-attachment-3557\" class=\"wp-caption-text\">Desenho 4 (autor: Jorge<br \/>1- flor pr\u00e1 borboleta ficar<br \/>2- borboletas<br \/>3- casulo<br \/>4- joaninha<\/p><\/div>\n<h4>Conquista da linguagem<\/h4>\n<p>Por meio do dom\u00ednio da linguagem, segundo Vygotsky, cada pessoa torna-se capaz de extrapolar suas capacidades sensoriais ampliando sua percep\u00e7\u00e3o do mundo. Isto porque apenas \u00e9 poss\u00edvel acessar imagens, cheiros, sons e sensa\u00e7\u00f5es distantes no tempo e no espa\u00e7o com a utiliza\u00e7\u00e3o da linguagem e dos recursos de mem\u00f3ria. Assim, mesmo de olhos fechados, somos capazes de \u201cver\u201d uma paisagem que nos \u00e9 descrita por um narrador ou uma situa\u00e7\u00e3o que vivenciamos tempos atr\u00e1s. Esta altera\u00e7\u00e3o no campo perceptivo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque conhecemos os significados e sentidos das palavras em cada contexto, o que nos permite \u201cvisualizar\u201d uma \u00e1rvore quando vemos esta palavra escrita em algum lugar. Na pesquisa descrita neste artigo, quando as crian\u00e7as foram desafiadas a desenhar \u201calgo sobre o projeto\u201d na verdade o que foi proposto para elas era que \u201cvisualizassem\u201d as informa\u00e7\u00f5es e imagens sobre os pequenos animais que haviam registrado na mem\u00f3ria e nos revelassem, por meio de seus desenhos e falas, aquilo que para elas era mais significativo e de que modo interferiam nos campos perceptivos e de significa\u00e7\u00e3o umas das outras, j\u00e1 que falavam entre si durante todo o tempo em que desenhavam. Portanto, os desenhos s\u00e3o tamb\u00e9m o resultado dessas intera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Vygotsky afirma que \u201csignos e palavras constituem para as crian\u00e7as, primeiro e acima de tudo, um meio de contato social com outras pessoas. As fun\u00e7\u00f5es cognitivas e comunicativas da linguagem tornam-se, ent\u00e3o, a base de uma forma nova e superior de atividade nas crian\u00e7as\u201d<sup>2<\/sup>. Dizendo de outro modo, al\u00e9m de desempenhar a fun\u00e7\u00e3o de regular a a\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as enquanto executam tarefas pr\u00e1ticas, a fala tamb\u00e9m desempenha a fun\u00e7\u00e3o comunicativa, uma vez que \u00e9 por meio do uso da linguagem nas media\u00e7\u00f5es e no contato social que os significados e sentidos s\u00e3o negociados e internalizados e as crian\u00e7as t\u00eam oportunidades de re-significar os conhecimentos aos quais t\u00eam acesso. Vygotsky ressalta ainda que toda produ\u00e7\u00e3o criativa se d\u00e1 por meio da combina\u00e7\u00e3o, ou, melhor dizendo, da recombina\u00e7\u00e3o de elementos da realidade por a\u00e7\u00e3o da imagina\u00e7\u00e3o. Afirma que quanto maior a quantidade de experi\u00eancias vividas, maior a possibilidade de se fazer produ\u00e7\u00f5es criativas, pois quanto maior a quantidade de elementos conhecidos, maior a possibilidade de fazer combina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>A Forma\u00e7\u00e3o Social da Mente. VYGOTSKY, L. S. Trad.Grupo de Desenvolvimento e Ritmos Biol\u00f3gicos. Livraria Martins Fontes. 1984.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-3558\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_borbo1.jpg\" alt=\"avisala_29_borbo1\" width=\"131\" height=\"284\" \/><\/p>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o &#8211; Departamento de Metodologia do Ensino e Educa\u00e7\u00e3o Comparada &#8211; Avenida da Universidade, 308 &#8211; Cidade Universit\u00e1ria \u2013 Butant\u00e3 &#8211; S\u00e3o Paulo \u2013 SP. CEP: 05508-900 &#8211; Site: www.fe.usp.br<\/p>\n<p>Celi Rodriguez Chavez Dominguez &#8211; E-mail: celidom@terra.com.br<\/p>\n<p>Silvia Frateschi Trivelato &#8211; E-mail: slftrive@usp.br<\/p>\n<p>COSEAS \u2013 USP Divis\u00e3o de Creches &#8211; Creche Oeste &#8211; Av. Almeida Prado, 1280 &#8211; Cidade Universit\u00e1ria, S\u00e3o Paulo \u2013 SP. CEP: 05508-901 &#8211; Tel.: (11) 3091-4807 \/ 3091-4999 &#8211; Site: www.usp.br\/coseas<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>Livros<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>A Entrevista com a Crian\u00e7a \u2013 A Abordagem da Crian\u00e7a Atrav\u00e9s do Di\u00e1logo, do Brinquedo e do Desenho, J. C. Arfouilloux. Ed. Zahar. Tel.: (21) 2108-0808.<\/li>\n<li>A Forma\u00e7\u00e3o Social da Mente, L. S. Vygotsky. Ed. Martins Fontes. Tel.: (11) 3241-3677.<\/li>\n<li>Formas de Pensar o Desenho: Desenvolvimento do Grafismo Infantil, E. Derdik. Ed. Scipione.Tel.: 0800161700.<\/li>\n<li>O Espa\u00e7o do Desenho: a Educa\u00e7\u00e3o do Educador, A. A. A. Moreira. Ed. Loyola. Tel.: (11) 6914-1922<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como as crian\u00e7as pequenas constroem significado sobre os seres vivos a partir de conhecimentos mediados por adultos? Em busca desta compreens\u00e3o, duas pesquisadoras da USP acompanharam e analisaram conversas e desenhos produzidos por uma turma em atividade. Por Celi Rodrigues Chaves Dominguez e Silvia Frateschi Trivelato<\/p>\n","protected":false},"author":118,"featured_media":3513,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,390],"tags":[1108,300,704,625,229,246,309,720,230,719,718],"class_list":{"0":"post-3551","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-conhecendo-a-crianca","8":"category-revista-avisala-29","9":"tag-revista-avisa-la-2007","10":"tag-artes","11":"tag-biologia","12":"tag-celi-rodrigues-chaves-dominguez","13":"tag-ciencia","14":"tag-conhecimento","15":"tag-desenhos","16":"tag-ilustracoes","17":"tag-natureza","18":"tag-seres-vivos","19":"tag-silvia-frateschi-trivelato","21":"post-with-thumbnail","22":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3551","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/118"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3551"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3551\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3513"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}