{"id":3521,"date":"2007-01-28T19:22:06","date_gmt":"2007-01-28T21:22:06","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=3521"},"modified":"2023-03-27T18:43:54","modified_gmt":"2023-03-27T21:43:54","slug":"esta-no-almanaque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/esta-no-almanaque\/","title":{"rendered":"Est\u00e1 no almanaque?"},"content":{"rendered":"<h5>Crian\u00e7as de Osasco-SP avan\u00e7am na leitura e na escrita ao participar do Projeto Almanaque. T\u00e3o rica e colorida quanto o produto final foi a aventura de produzi-lo: juntas, as crian\u00e7as puderam pesquisar, ditar, escrever, revisar, ilustrar e editar a publica\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3522\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo3.jpg\" alt=\"avisala_29_tempo3\" width=\"395\" height=\"283\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo3.jpg 395w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo3-300x214.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 395px) 100vw, 395px\" \/><br \/>\nEste \u00e9 o registro do Projeto Almanaque<sup>1<\/sup>, um projeto sobre leitura e escrita de textos de g\u00eaneros diversos por meio da confec\u00e7\u00e3o de um almanaque, realizado com crian\u00e7as de 6 anos, em 2004. Idealizar este projeto, planej\u00e1-lo em detalhes, participar de forma\u00e7\u00f5es que foram fonte de subs\u00eddios e avali\u00e1-lo constantemente foi um prazer, mas nada comparado \u00e0 alegria dos resultados com as crian\u00e7as. Com ele, venci dois desafios que h\u00e1 anos vinha tentando superar: o de compreender como um prop\u00f3sito social pode se articular aos prop\u00f3sitos did\u00e1ticos e o de trabalhar leitura e escrita de forma significativa em pequenos grupos, aproveitando os conhecimentos pr\u00e9vios das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Escrevi originalmente o projeto com a ajuda da minha parceira Ana Paula. Depois da orienta\u00e7\u00e3o da coordenadora da escola, de alguns estudos sobre o tema e de muitas dicas que foram surgindo durante as forma\u00e7\u00f5es das quais participei, ele foi modificado muitas vezes de acordo com as necessidades das crian\u00e7as e do conte\u00fado.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Para qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nA \u00e2nsia das crian\u00e7as em dominar o sistema alfab\u00e9tico de escrita, t\u00e3o caracter\u00edstica da \u00faltima etapa da Educa\u00e7\u00e3o Infantil, pode ser um combust\u00edvel precioso para que elas mantenham o interesse no aprendizado da l\u00edngua. Al\u00e9m de aprender a escrever, compreendendo como o sistema alfab\u00e9tico se organiza, \u00e9 preciso que a crian\u00e7a seja uma usu\u00e1ria da l\u00edngua escrita. Portanto, que tenha uma alfabetiza\u00e7\u00e3o ampla.<\/p>\n<p>Para chegar a este projeto, troquei muitas id\u00e9ias com minhas parceiras de trabalho, dividindo impress\u00f5es, sucessos e fracassos. Participei de forma\u00e7\u00f5es. Lembrei-me de experi\u00eancias anteriores, li e pensei muito sobre o assunto. Havia a necessidade de descobrir, primeiramente, o que seria interessante o meu grupo aprender sobre leitura e escrita. E, a partir disso, como iria ensin\u00e1-los de maneira significativa. Retomei a avalia\u00e7\u00e3o do \u00faltimo projeto que tinha feito, no qual, apesar das conquistas, reparei que faltavam ainda passos importantes. Eu tinha alunos que j\u00e1 produziam uma escrita alfab\u00e9tica, e outros que estavam avan\u00e7ando nesse caminho, assim como aqueles que estavam tentando apreender o que s\u00e3o letras e para que servem. Mas, em todos eles, eu via dois problemas comuns: a dificuldade de criar um texto, ainda que fosse coletivamente, e a quase aus\u00eancia de refer\u00eancias sobre textos informativos.<br \/>\n<strong><br \/>\nTomada de decis\u00f5es<\/strong><br \/>\nA raz\u00e3o pela qual fizemos um projeto e n\u00e3o qualquer outra modalidade organizativa \u00e9 que, nesse tipo de atividade, os alunos aprendem a estudar, uma vez que precisam realizar um produto que \u00e9 compartilhado com eles desde o in\u00edcio. E estudar implica tomar decis\u00f5es, perguntar, decidir caminhos, ler e pesquisar muito, e depois registrar os conhecimentos constru\u00eddos. No projeto, depois de ter um contato intenso com almanaques durante as rodas de leitura e outras atividades para conhecer bem as caracter\u00edsticas deste tipo de portador de texto, as crian\u00e7as tiveram que decidir muitas coisas: como e onde poder\u00edamos recolher materiais de leitura e pesquisa? Qual o tema do almanaque? Que se\u00e7\u00f5es ele teria? Como seria impresso? Que textos seriam digitados? Quais seriam escritos \u00e0 m\u00e3o? Quais textos lidos seriam inclu\u00eddos? Como seria feita a capa? Como far\u00edamos o lan\u00e7amento?<\/p>\n<p>Recolhendo as id\u00e9ias e afirmando-as ou descartando-as por meio de vota\u00e7\u00e3o, fomos decidindo juntos os jeitos do nosso almanaque. A partir das decis\u00f5es deles, fui formulando atividades e encaixando meus prop\u00f3sitos did\u00e1ticos nas coisas que escolheram realizar. Muitas vezes, fiz o papel do adulto que conhece a realidade, dando a eles par\u00e2metros temporais e financeiros (por exemplo, esclareci que seria invi\u00e1vel fazer um almanaque do ano inteiro, ou com mais de 30 p\u00e1ginas). Apoiada pelas decis\u00f5es do grupo, negociei com os pais e com a dire\u00e7\u00e3o da escola detalhes para que tudo sa\u00edsse o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel do jeito que eles imaginaram o livro. O resultado \u00e9 que as crian\u00e7as se sentiram donas do almanaque e cada atividade teve um alto grau de participa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3523\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo1.jpg\" alt=\"avisala_29_tempo1\" width=\"341\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo1.jpg 341w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo1-300x236.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 341px) 100vw, 341px\" \/><br \/>\n<strong>Investigando o almanaque<\/strong><br \/>\nAprender a pesquisar \u00e9 um dos principais objetivos de um projeto did\u00e1tico. No caso do almanaque, t\u00ednhamos dois estimulantes problemas. O primeiro \u00e9 que n\u00e3o se fazem mais almanaques como se fazia antigamente, portanto, \u00e9 um tipo de livro de dif\u00edcil circula\u00e7\u00e3o. E o segundo, que as crian\u00e7as n\u00e3o tinham a menor id\u00e9ia do que era um almanaque, e para que ele servia. Fizemos v\u00e1rios tipos de pesquisas, as quais nos ajudaram a reunir material de leitura relativo ao portador de texto que quer\u00edamos construir. Elaboramos uma entrevista de reconhecimento, na qual pergunt\u00e1vamos o que era almanaque, para que ele servia e qual a rela\u00e7\u00e3o do entrevistado com este portador.<\/p>\n<p>Entrevistamos os adultos da escola e os pais, lemos todas as pesquisas recolhidas. Pedimos tamb\u00e9m \u00e0s fam\u00edlias e funcion\u00e1rios da escola que enviassem almanaques que tivessem em m\u00e3os. De posse de alguns exemplares, come\u00e7amos a ler, folhear, reconhecer o portador e reparar que tipo de textos e ilustra\u00e7\u00f5es eles continham. Juntamos, minha parceira e eu, v\u00e1rios tipos de livros \u2013 dicion\u00e1rios, manuais, cat\u00e1logos, enciclop\u00e9dias, revistas \u2013 e misturamos a alguns almanaques, para que as crian\u00e7as, usando das estrat\u00e9gias de leitura que dominavam, conseguissem destacar os almanaques dos outros tipos de publica\u00e7\u00e3o. Em v\u00e1rios momentos da confec\u00e7\u00e3o do almanaque, pedimos aux\u00edlio \u00e0s fam\u00edlias para que nos enviassem material sobre um tema espec\u00edfico ou colaborassem nas entrevistas.<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o de textos coletivos<\/strong><br \/>\nSabemos que, para escrever, a crian\u00e7a precisa concentrar-se em dois aspectos da l\u00edngua \u2013 o discursivo (o que vai escrever) e o notacional (como vai escrever). Crian\u00e7as em fase de constru\u00e7\u00e3o do sistema alfab\u00e9tico da escrita, muitas vezes, n\u00e3o conseguem dar conta de pensar nos dois aspectos ao mesmo tempo. Como uma das preocupa\u00e7\u00f5es durante o projeto era oferece oportunidades para que as crian\u00e7as pudessem refletir sobre as duas quest\u00f5es, elaboramos v\u00e1rios textos coletivos, recurso excelente para esse objetivo. A atividade de ditar um texto para um escriba (no caso, eu ou um colega que j\u00e1 escreve alfabeticamente) livra a crian\u00e7a de se preocupar com que letras ela vai escrever e faz com que ela pense nas caracter\u00edsticas de um bom texto. Quais informa\u00e7\u00f5es precisamos colocar? O que vamos escrever primeiro? Estamos sendo claros? Estamos repetindo palavras? O texto est\u00e1 comprido ou curto demais? Estamos contando uma hist\u00f3ria ou dando uma informa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Aproveitamos um texto do semestre anterior, que preparamos para o nosso sarau po\u00e9tico, sobre a pintora Tarsila do Amaral<sup>2<\/sup>, que se tornou querida das crian\u00e7as. Adaptamos o texto para o almanaque, escrevendo-o na lousa e o revisando-o coletivamente. Redigimos um texto falando sobre direitos das crian\u00e7as, outro falando sobre trabalho infantil, outro sobre o cata-vento (que foi retirado de uma viv\u00eancia com constru\u00e7\u00e3o de brinquedos), todos escritos coletivamente, com as crian\u00e7as ditando e eu escrevendo. Eu registrava a fala literal das crian\u00e7as na lousa e depois revis\u00e1vamos juntos, completando o texto ou modificando-o.<\/p>\n<p>Um momento interessante foi a produ\u00e7\u00e3o das fichas de personagens da mitologia grega, que virou uma paix\u00e3o das crian\u00e7as depois da leitura da Odiss\u00e9ia<sup>3<\/sup> em cap\u00edtulos. Nesse caso, usamos dicion\u00e1rios de mitologia, livros e sites na Internet para recolher informa\u00e7\u00f5es. Depois, cada crian\u00e7a escolheu um personagem e me ditou um pequeno texto sobre ele, individualmente. O \u00faltimo texto feito para o almanaque foi o texto introdut\u00f3rio. As crian\u00e7as me ditaram e praticamente n\u00e3o foi preciso fazer muitas altera\u00e7\u00f5es na sua escrita, o que provou que elas se habituaram a esse tipo de atividade, tinham entendido as caracter\u00edsticas do texto informativo e conheciam bem o almanaque que tinham produzido.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3524\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo7.jpg\" alt=\"avisala_29_tempo7\" width=\"375\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo7.jpg 375w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo7-300x160.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><br \/>\n<strong>Poemas memorizados<\/strong><br \/>\nSe as crian\u00e7as j\u00e1 conhecem um texto de mem\u00f3ria, isto garante que na hora de escrever elas s\u00f3 se preocupar\u00e3o com as letras necess\u00e1rias \u2013 o que permite que confrontem suas hip\u00f3teses sobre como se escreve e avancem em seus conhecimentos. Como fazia parte das minhas preocupa\u00e7\u00f5es garantir que as crian\u00e7as tivessem muitas oportunidades de pensar sobre como o sistema alfab\u00e9tico se organiza, trabalhei tamb\u00e9m com textos memorizados. No semestre anterior, elas tinham feito um trabalho intenso com poemas e sabiam v\u00e1rios de cor. O mesmo acontecia com algumas letras de m\u00fasica, adivinhas e ladainhas para pular corda, que foi a brincadeira escolhida para compor o almanaque.<\/p>\n<p>Propus ent\u00e3o que escrevessem esses textos, pois assim poderiam refletir sobre quantas e quais letras usar para escrever. Neste tipo de atividade, o trabalho em grupo mostrou-se mais eficiente. As crian\u00e7as trocaram muitas id\u00e9ias e aprenderam muito umas com as outras. Existiam confrontos que, vindos de mim, n\u00e3o faziam sentido para elas, mas se vinham de um amigo pareciam surtir um efeito m\u00e1gico. Algumas vezes propus a escrita dos poemas em trios, nos quais crian\u00e7as com hip\u00f3teses de escrita pr\u00f3ximas pudessem trabalhar juntas. Em outro momento faz\u00edamos a revis\u00e3o e uma crian\u00e7a alfab\u00e9tica passava o texto a limpo. A letra da m\u00fasica Crian\u00e7a N\u00e3o Trabalha<sup>4<\/sup> foi uma atividade de leitura, mas a escrita final foi feita por um grupo de crian\u00e7as alfab\u00e9ticas, que confrontaram entre si preocupa\u00e7\u00f5es ortogr\u00e1ficas e de corre\u00e7\u00e3o das palavras. Foi tamb\u00e9m uma atividade muito interessante.<\/p>\n<p>As adivinhas foram escritas por duplas e, ao longo do projeto, as crian\u00e7as retomaram v\u00e1rias vezes os textos escritos para corrigi-los ou modific\u00e1-los. As ladainhas de corda, por sua vez, foram escritas mais no final do projeto. Muitas crian\u00e7as j\u00e1 tinham avan\u00e7ado em suas hip\u00f3teses, por isso deixei que uma delas copiasse o texto coletivo da lousa e outras o ilustrassem.<\/p>\n<p><strong>Outros recursos<\/strong><br \/>\n\u00c0quelas crian\u00e7as que pareciam ter parado na hip\u00f3tese sil\u00e1bica, eu recorria ao alfabeto m\u00f3vel para provocar reflex\u00e3o e fazer com que avan\u00e7assem um pouco mais em suas id\u00e9ias. O alfabeto m\u00f3vel \u00e9 outro recurso que permite \u00e0 crian\u00e7a pensar exclusivamente nas letras que precisa escolher para escrever. Ele possibilita que se fa\u00e7am tentativas ao adicionar, trocar ou retirar letras. Sempre em grupo, eu propunha que escrevessem e discutissem sobre suas hip\u00f3teses de escrita.<\/p>\n<p>Como nunca havia trabalhado com o alfabeto m\u00f3vel dessa forma, me surpreendi com as possibilidades do material. Com ele, escrevemos listas de ca\u00e7a-palavras, de coisas que as crian\u00e7as gostam de comer, palavras para montar cruzadinhas, muitos t\u00edtulos, corre\u00e7\u00e3o de palavras, nomes de ingredientes das receitas, instru\u00e7\u00f5es para os passatempos, entre outros. O recurso da c\u00f3pia \u2013 muitas vezes visto como s\u00edmbolo de atividade descontextualizada e pouco criativa \u2013 tamb\u00e9m foi bastante \u00fatil para algumas produ\u00e7\u00f5es. Foi usado, por exemplo, para fazermos o calend\u00e1rio, uma vez que j\u00e1 t\u00ednhamos discutido e decidido que os temas dos textos do almanaque seriam relacionados \u00e0s datas do m\u00eas de outubro. Tamb\u00e9m usamos a c\u00f3pia para retirar o conte\u00fado da lousa e passar para o papel os textos coletivos, assim como para escrever t\u00edtulos revisados, enunciados de propostas (como foi feito com os direitos que foram criados para as crian\u00e7as), legendas e numera\u00e7\u00e3o das p\u00e1ginas.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3525\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo4.jpg\" alt=\"avisala_29_tempo4\" width=\"226\" height=\"296\" \/><br \/>\n<strong>Escrever e revisar<\/strong><br \/>\nQuando valorizamos a escrita da crian\u00e7a, ela mostra-se motivada a escrever mais e mais, sentindo-se segura para arriscar e at\u00e9 duvidar de suas hip\u00f3teses \u2013 percebi isso claramente com essas atividades, nas quais as crian\u00e7as que n\u00e3o gostavam de demonstrar seus saberes, n\u00e3o se preocuparam com isso e deixaram a escrita fluir. Ap\u00f3s a escrita, passamos \u00e0 revis\u00e3o dos textos produzidos. Se, ao confrontar suas hip\u00f3teses, a crian\u00e7a avan\u00e7a na compreens\u00e3o de como a l\u00edngua escrita se organiza, o trabalho de revis\u00e3o tem outros ganhos muito importantes.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 entender como se comporta um escritor que escreve, e depois l\u00ea o que escreveu pensando se atingiu o prop\u00f3sito de comunicar suas id\u00e9ias, revendo erros e estilo, deixando o texto mais bonito, mais claro e mais pr\u00f3ximos \u00e0s inten\u00e7\u00f5es iniciais. O segundo \u00e9 compreender mais a fundo os aspectos notacionais e discursivos da l\u00edngua. Confesso que n\u00e3o sabia bem como encaminhar uma revis\u00e3o no in\u00edcio do projeto, por isso escolhi apenas algumas atividades para atingir esse objetivo. Uma delas foi a revis\u00e3o das adivinhas.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as, semanalmente, voltavam ao texto que tinham escrito, nas mesmas duplas, e com a minha ajuda podiam repensar o que haviam colocado no papel. Todos os textos coletivos foram revisados na lousa. Alguns t\u00edtulos e instru\u00e7\u00f5es foram revisados, pois concordamos que eram textos importantes para a compreens\u00e3o do que \u00e9 um almanaque. Com as crian\u00e7as alfab\u00e9ticas, fiz v\u00e1rias revis\u00f5es ortogr\u00e1ficas, principalmente na atividade da escrita da m\u00fasica Crian\u00e7a N\u00e3o Trabalha. A atividade na qual o trabalho de corre\u00e7\u00e3o foi mais intenso foi na produ\u00e7\u00e3o das dicas de livros infantis. As crian\u00e7as tiveram que passar por um processo de escrita, em que, primeiro, bolaram o texto oralmente em duplas de alfab\u00e9ticos com sil\u00e1bico-alfab\u00e9ticos. Depois, registraram o texto. Trabalhei com cada dupla na revis\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o. Depois, eles passaram a limpo, deixando as dicas bem escritas.<\/p>\n<p><strong>Leitura sempre presente<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m das rodas de leitura di\u00e1rias e das outras atividades da rotina, as crian\u00e7as tiveram oportunidade de ler por meio de atividades dirigidas. O intuito era desafi\u00e1-las a usarem suas estrat\u00e9gias de leitura. Em alguns momentos, a leitura foi feita por mim, a professora. Li para eles, por exemplo, a Odiss\u00e9ia, em cap\u00edtulos na roda e depois escrevi o resumo de uma das partes para que eles ilustrassem. Li as pesquisas e informa\u00e7\u00f5es que chegavam sobre os diversos temas que trabalhamos e tamb\u00e9m materiais de pesquisa sobre as datas comemorativas, sobre mitologia e reportagens sobre trabalho infantil. Todos os dias, lia para eles uma piada e uma curiosidade sobre um animal. Uma crian\u00e7a se encarregou de anotar numa lista as curiosidades que mais gostamos, para ilustr\u00e1-las depois.<\/p>\n<p>Houve tamb\u00e9m momentos de leitura coletiva, quando todos tiveram nas m\u00e3os as letras das m\u00fasicas que trabalhamos e tentaram acompanhar cantando:<\/p>\n<p>\u00d3 menina vai ver nesse almanaque<br \/>\nComo \u00e9 que tudo isso come\u00e7ou<br \/>\nDiz quem \u00e9 que marcava o tic-tac<br \/>\nQue a ampulheta do tempo disparou<br \/>\nSe mamava de sabe l\u00e1 que a teta<br \/>\nO primeiro bezerro que berrou me diz, me diz<br \/>\nMe responde por favor<br \/>\nPr\u00e1 onde vai o meu amor<br \/>\nQuando o amor acaba<br \/>\nQuem penava no sol a vida inteira<br \/>\nComo \u00e9 que a moleira n\u00e3o rachou<br \/>\nme diz, me diz<br \/>\nQuem tapava esse sol com a peneira<br \/>\nE foi que a peneira esfuracou<br \/>\nMe diz, me diz, me diz por favor<br \/>\nQuem pintou a bandeira brasileira<br \/>\nQue tinha tanto l\u00e1pis de cor me diz, me diz<br \/>\nMe responde por favor<br \/>\nPr\u00e1 onde vai o meu amor<br \/>\nQuando o amor acaba<br \/>\nDiz quem foi que fez o primeiro teto<br \/>\nQue o projeto n\u00e3o desmoronou<br \/>\nQuem foi esse pedreiro esse arquiteto<br \/>\nE o valente primeiro morador, me diz, me diz<br \/>\nMe diz um morador<br \/>\nDiz quem foi o inventor do analfabeto<br \/>\nE ensinou o alfabeto ao professor<br \/>\nme diz, me diz<br \/>\nMe responde por favor<br \/>\nPr\u00e1 onde vai o meu amor<br \/>\nQuando o amor acaba<br \/>\nQuem \u00e9 que sabe o signo do capeta<br \/>\nE o ascendente de deus nosso senhor<br \/>\nNosso senhor<br \/>\nQuem n\u00e3o fez a patente da espoleta<br \/>\nExplodir na gaveta do inventor me diz, me diz<br \/>\nMe diz por favor<br \/>\nQuem tava no volante do planeta<br \/>\nQue o meu continente capotou<br \/>\nMe responde por favor<br \/>\nPr\u00e1 onde vai o meu amor<br \/>\nQuando o amor acaba<br \/>\nV\u00ea se v\u00ea no almanaque, essa menina<br \/>\nComo \u00e9 que termina um grande amor<br \/>\nMe diz, me diz<br \/>\nSe adianta tomar uma aspirina<br \/>\nOu se bate na quina aquela dor<br \/>\nMe diz, me diz<br \/>\nMe diz daquela dor<br \/>\nSe \u00e9 chover o ano inteiro chuva fina<br \/>\nOu se \u00e9 como cair do elevador<br \/>\nMe responde por favor<br \/>\nPr\u00e1 que que tudo come\u00e7ou<br \/>\nQuando tudo acaba&#8230; <sup>5<\/sup><\/p>\n<p>Desenvolvemos paralelamente a atividade \u201cHoje eu sou o contador\u201d, na qual as crian\u00e7as levavam um livro para a casa, e depois contavam ou liam para os amigos.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3526\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo8.jpg\" alt=\"avisala_29_tempo8\" width=\"429\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo8.jpg 429w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo8-300x179.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 429px) 100vw, 429px\" \/><br \/>\n<strong>Mundo de ilustra\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nAs ilustra\u00e7\u00f5es do almanaque foram feitas das mais diversas formas. Partimos da id\u00e9ia de que ilustrar n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 enfeitar um texto com imagens. \u00c9 tamb\u00e9m comunicar, por meio da linguagem visual. No in\u00edcio do projeto, dei a cada um deles uma folha com v\u00e1rios quadradinhos, que ficou numa caixa. Durante o hor\u00e1rio dos cantos de atividades diversificadas, eles podiam pegar essa folha e ir fazendo desenhos pequenos, que depois aproveitar\u00edamos.<\/p>\n<p>No final, decidimos usar os minidesenhos na capa e nas bordas das folhas do almanaque. Assim, todas as crian\u00e7as puderam ter sua produ\u00e7\u00e3o no livro. Para fazer a ilustra\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria Odiss\u00e9ia, por exemplo, pedi que as crian\u00e7as que quisessem poderiam fazer um desenho em casa e trazer para a escola. O resultado foi \u00f3timo. As crian\u00e7as trouxeram desenhos lindos, que em alguns casos foram at\u00e9 feitos em colabora\u00e7\u00e3o com outras pessoas da fam\u00edlia. Votamos e escolhemos alguns para compor o almanaque.<\/p>\n<p>As ilustra\u00e7\u00f5es para colorir foram feitas pelas crian\u00e7as apenas com l\u00e1pis, assim como as ilustra\u00e7\u00f5es que viraram ligue-pontos para o passatempo. Para ilustrar o texto instrucional do cata-vento, as crian\u00e7as tiveram que pensar em como fazer o desenho do passo-a-passo que iria elucidar o texto. Foi muito interessante ver sua preocupa\u00e7\u00e3o com o leitor. Os desenhos dos personagens de mitologia grega e dos direitos das crian\u00e7as tamb\u00e9m ficaram com muitas cores e detalhes.<\/p>\n<p>Para fazer os desenhos das curiosidades, as crian\u00e7as levaram como li\u00e7\u00e3o de casa uma curiosidade que teriam que ler, e depois ilustrar usando recortes e desenho. J\u00e1 no final do projeto, uma das crian\u00e7as sugeriu que fiz\u00e9ssemos figurinhas para as pessoas recortarem. Eles fizeram figurinhas muito bonitas, cheias de detalhes, dos personagens que mais gostavam.<\/p>\n<p><strong>Hora de editar<\/strong><br \/>\nA fase de edi\u00e7\u00e3o do material todo foi a mais complicada, mas tamb\u00e9m a mais prazerosa. Foi a hora de retomarmos tudo o que t\u00ednhamos feito e arrumar para publicar. As crian\u00e7as e eu est\u00e1vamos ansiosas, e cheias de id\u00e9ias. Foi muito dif\u00edcil descartar materiais. Corremos contra o rel\u00f3gio, mas no fim tudo acabou dando certo. Nessa fase, produzimos a capa do almanaque, colando os minidesenhos das crian\u00e7as. Da mesma forma, nas folhas do almanaque as bordas tamb\u00e9m foram ilustradas com os pequenos desenhos. Na p\u00e1gina dos autores ficaram o nome e a foto de cada um e as legendas de algumas fotos. Pedimos para escanear e diminuir alguns textos e desenhos, e depois recortamos, colamos e passamos canetinha preta nos tra\u00e7os e nas letras que haviam ficado ileg\u00edveis. Eu fiz o \u00edndice, por quest\u00f5es de tempo. Numeramos as p\u00e1ginas, imprimimos, separamos e encadernamos as folhas.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as quiseram fazer uma grande festa de final de ano para entregar o almanaque. Usamos o teatro da escola e, para isso, convidamos as fam\u00edlias e amigos. Curtimos muito ver um trabalho t\u00e3o longo e que demandou tanto esfor\u00e7o, ali, pronto para ser lido. Foi uma festa bem animada.<\/p>\n<p>(Karina Cabral, psic\u00f3loga e professora de Educa\u00e7\u00e3o Infantil no Servi\u00e7o Social da Ind\u00fastria (SESI), Unidade de Osasco, e na EMEI Jardim Monte Belo, em S\u00e3o Paulo)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>O Projeto Almanaque ficou entre os 50 classificados na primeira etapa do Pr\u00eamio Victor Civita 2005 \u2013 Professor Nota 10. www.revistaescola.abril.com.br.<br \/>\n<sup>2<\/sup>Pintora brasileira, 1886 \u2013 1973.<br \/>\n<sup>3<\/sup>Ruth Rocha conta a Odiss\u00e9ia, Ruth Rocha. Ed. Cia. Das Letrinhas.<br \/>\n<sup>4<\/sup>CD P\u00e9 com P\u00e9, de Sandra Peres e Paulo Tatit. Produ\u00e7\u00e3o: Ricardo Mosca. Gravadora: Palavra Cantada.<br \/>\n<sup>5<\/sup>Almanaque, Chico Buarque de Holanda, \u00c1lbum Almanaque, 1993. Gravadora Universal<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3527\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo5.jpg\" alt=\"avisala_29_tempo5\" width=\"270\" height=\"315\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo5.jpg 270w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo5-257x300.jpg 257w\" sizes=\"auto, (max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/p>\n<h4>Sentido da leitura na escola<\/h4>\n<p>Na escola, a leitura \u00e9 antes de mais nada um objeto de ensino. Para que tamb\u00e9m se transforme em objeto de aprendizagem, \u00e9 necess\u00e1rio que tenha sentido do ponto de vista do aluno, o que significa \u2013 entre outras coisas \u2013 que deve cumprir uma fun\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o do prop\u00f3sito que ele conhece e valoriza. Para que a leitura como objeto de ensino n\u00e3o se afaste demais da pr\u00e1tica social que se quer comunicar, \u00e9 imprescind\u00edvel \u201crepresentar\u201d \u2013 ou re-apresentar \u2013, na escola, os diversos usos que ela tem na vida social.<\/p>\n<p>Em conseq\u00fc\u00eancia, cada situa\u00e7\u00e3o de leitura responder\u00e1 a um duplo prop\u00f3sito. Por um lado, um prop\u00f3sito did\u00e1tico: ensinar certos conte\u00fados constitutivos da pr\u00e1tica social da leitura, com o objetivo de que o aluno possa reutiliz\u00e1-los no futuro, em situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o did\u00e1ticas. Por outro lado, um prop\u00f3sito comunicativo relevante desde a perspectiva atual do aluno. Trata-se ent\u00e3o de p\u00f4r em cena esse tipo particular de situa\u00e7\u00e3o did\u00e1tica que Brousseau<sup>6<\/sup> (1986) chamou de a-did\u00e1ticas\u201d porque propiciam o encontro dos alunos com um problema que devem resolver por si mesmos; porque funcionam de tal modo que o professor \u2013 embora intervenha de diversas maneiras para orientar a aprendizagem \u2013 n\u00e3o explicita o que sabe (n\u00e3o torna p\u00fablico o saber que permite resolver o problema) e porque tornam poss\u00edvel criar no aluno um projeto pr\u00f3prio, permitem mobilizar o desejo de aprender de forma independente do desejo do professor.<\/p>\n<p>No caso da leitura (e da escrita), os projetos de interpreta\u00e7\u00e3o-produ\u00e7\u00e3o organizados para cumprir uma finalidade espec\u00edfica \u2013 vinculada em geral \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de um produto tang\u00edvel \u2013, projetos que j\u00e1 s\u00e3o cl\u00e1ssicos na did\u00e1tica da l\u00edngua escrita, parecem cumprir as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para dar sentido \u00e0 leitura. Agora, os projetos devem ser dirigidos para a realiza\u00e7\u00e3o de alguns (ou v\u00e1rios) dos prop\u00f3sitos sociais da leitura: ler para resolver um problema pr\u00e1tico (fazer uma comida, utilizar um aparelho, construir um m\u00f3vel); ler para se informar sobre um tema de interesse (pertencente \u00e0 atualidade pol\u00edtica, cultural, etc., ou ao saber cientifico); ler para escrever, quer dizer, para produzir o conhecimento que se tem sobre o tema do artigo que a pessoa est\u00e1 escrevendo ou a monografia que se deve entregar; ler para buscar informa\u00e7\u00f5es especificas que se necessitam por algum motivo \u2013 o endere\u00e7o de algu\u00e9m ou o significado de uma palavra por exemplo.<\/p>\n<p>Os projetos vinculados \u00e0 leitura liter\u00e1ria se orientam para prop\u00f3sitos mais pessoais: l\u00eaem-se muitos contos ou poemas, para escolher aqueles que se deseja compartilhar com outros leitores, l\u00eaem-se romances, para se internar no mundo de um autor, para se identificar com o personagem predileto \u2013 antecipando, por exemplo, o racioc\u00ednio que permitir\u00e1 ao detetive resolver um novo \u201ccaso\u201d \u2013 ou para viver excitantes aventuras que permitem transcender os limites da realidade cotidiana.<\/p>\n<p>(Fonte: \u201c\u00c9 poss\u00edvel ler na escola?\u201d in Ler e escrever na escola \u2013 o real, o poss\u00edvel e o necess\u00e1rio, de Delia Lerner \u2013 Artmed. pp. 79 e 80.)<\/p>\n<p><sup>6<\/sup>O professor Guy Brousseau \u00e9 um dos principais pesquisadores em did\u00e1tica e conhecimento matem\u00e1tico da atualidade.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3528\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo6.jpg\" alt=\"avisala_29_tempo6\" width=\"368\" height=\"363\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo6.jpg 368w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo6-300x295.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 368px) 100vw, 368px\" \/><\/p>\n<h4>O que \u00e9 um almanaque?<\/h4>\n<p>O voc\u00e1bulo almanaque \u00e9 de origem incerta. De acordo com a descri\u00e7\u00e3o de Antenor Nascentes<sup>7<\/sup>, a palavra deriva do \u00e1rabe almanakh, lugar onde se manda ajoelhar os camelos. No baixo latim, aparece almanachus, e no baixo grego alamanakon, nome dado aos calend\u00e1rios eg\u00edpcios. Como designa\u00e7\u00e3o, almanaque imp\u00f4s-se, com o tempo, a outras que lhe eram equivalentes (mas que isoladamente sobreviveram at\u00e9 ao nosso s\u00e9culo), tais como folhinha, calend\u00e1rio, lun\u00e1rio, progn\u00f3stico ou mesmo di\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em algumas cortes orientais, era h\u00e1bito os astr\u00f3logos presentearem os soberanos, no in\u00edcio de cada ano, com um almanaque. A preocupa\u00e7\u00e3o dominante seria o fornecimento de quadros cronol\u00f3gicos, com a indica\u00e7\u00e3o do movimento dos astros, sobretudo do Sol e da Lua. O primeiro almanaque redigido em portugu\u00eas foi o Almanaque Perdur\u00e1vel, que, de acordo com a Biblioteca Nacional de Madrid, data da primeira metade do s\u00e9culo XIV. Com periodicidade (quase sempre) anual e vari\u00e1vel n\u00famero de p\u00e1ginas, podemos considerar o almanaque como uma publica\u00e7\u00e3o que se caracteriza por: Quanto aos seus objetivos: ser obra pr\u00e1tica de f\u00e1cil e permanente consulta. Quanto \u00e0 sua estrutura: apresentar-se muito variada, embora as diferentes mat\u00e9rias se organizem segundo uma t\u00e1bua cronol\u00f3gica ou calend\u00e1rio, em que se fazem anota\u00e7\u00f5es religiosas (festas, santos), se indicam as principais feiras e arraiais, se registram as fases da Lua. Quanto \u00e0 natureza dos conhecimentos que veicula: abranger desde os dados astron\u00f4micos e meteorol\u00f3gicos, efem\u00e9rides, ou ainda curiosidades, conselhos pr\u00e1ticos, pequenas notas sobre acontecimentos, fen\u00f4menos ou personagens, at\u00e9 notas astrol\u00f3gicas (sobretudo o \u201cju\u00edzo do ano\u201d, hor\u00f3scopos), anedotas, adivinhas, prov\u00e9rbios, quadras e mesmo algumas poesias.<\/p>\n<p>(Fontes de pesquisa: www.institutocamoes.pt e www.revistaentrelivros.uol.com.br)<\/p>\n<p><sup>7<\/sup>Antenor de Veras Nascentes, fil\u00f3logo e ling\u00fcista brasileiro, que muito contribuiu para os estudos da l\u00edngua portuguesa (1886-1972).<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3529\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo2.jpg\" alt=\"avisala_29_tempo2\" width=\"256\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo2.jpg 256w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_tempo2-209x300.jpg 209w\" sizes=\"auto, (max-width: 256px) 100vw, 256px\" \/><\/p>\n<h4>Poder do ditado<\/h4>\n<p>Ana Teberosky<sup>8<\/sup> nos fala que muitos s\u00e3o os contextos de aprendizagem iniciais de alfabetiza\u00e7\u00e3o em que alguns fatores como a presen\u00e7a de materiais escritos, a intera\u00e7\u00e3o com leitores\/escritores adultos ou participa\u00e7\u00e3o em atividades de uso da linguagem escrita s\u00e3o condi\u00e7\u00e3o para a qualidade das aprendizagens das crian\u00e7as. Um destes contextos \u00e9 o de \u201cescrever em \u2018voz alta\u2019, ditando a um escriba\u201d:<\/p>\n<p>\u201cMesmo antes de o menino e a menina serem capazes de escrever por si mesmos, podem ditar para um adulto, que far\u00e1 \u00e0s vezes de \u2018escriba\u2019. O prop\u00f3sito do ditado ao adulto \u00e9 o de ajudar a produzir um estilo formal da linguagem. (&#8230;) Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio levar em conta a diferen\u00e7a entre a escrita da linguagem e a linguagem escrita. Por exemplo, os meninos e as meninas distinguem entre registros formais e cotidianos, entre diferentes g\u00eaneros, e s\u00e3o capazes de relacionar essas diferen\u00e7as com as modalidades oral e escrita. Reconhecem e produzem as formas discursivas associadas \u00e0 linguagem escrita mesmo antes de serem capazes de ler ou de escrever por si pr\u00f3prios. Essa capacidade de varia\u00e7\u00e3o e contextualiza\u00e7\u00e3o da linguagem pode ser aproveitada pedagogicamente. Dependendo do texto e dos conhecimentos dos alunos, o professor poder\u00e1 faz\u00ea-los participar, em menor ou maior medida, nos diversos conte\u00fados e aspectos do processo de escrever.\u201d<\/p>\n<p>(Fonte: \u201cContextos de alfabetiza\u00e7\u00e3o na aula\u201d in Contextos de alfabetiza\u00e7\u00e3o inicial, de Ana Teberosky e Marta Soler Gallart \u2013 Artmed, p. 63.)<\/p>\n<p><sup>8<\/sup>Educadora argentina e pesquisadora em alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>Para que revisar?<\/h4>\n<p>Um espa\u00e7o privilegiado de articula\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de leitura, produ\u00e7\u00e3o escrita e reflex\u00e3o sobre a l\u00edngua (e mesmo a compara\u00e7\u00e3o entre a linguagem oral e a escrita) \u00e9 o das atividades de revis\u00e3o de texto. Chama-se revis\u00e3o de texto o conjunto de procedimentos por meio dos quais um texto \u00e9 trabalhado at\u00e9 o ponto em que se decide que est\u00e1, para o momento, suficientemente bem escrito. Pressup\u00f5e a exist\u00eancia de rascunhos sobre os quais se trabalha, produzindo altera\u00e7\u00f5es que afetam tanto o conte\u00fado como a forma do texto.<\/p>\n<p>Durante a atividade de revis\u00e3o, os alunos e professores debru\u00e7am-se sobre o texto buscando melhor\u00e1-lo. Para tanto, precisam aprender a detectar os pontos onde o que est\u00e1 dito n\u00e3o \u00e9 o que se pretendia, isto \u00e9, identificar os problemas do texto e aplicar os conhecimentos sobre a l\u00edngua para resolv\u00ea-los: acrescentando, retirando, deslocando ou transformando por\u00e7\u00f5es do texto, com o objetivo de torn\u00e1-lo mais leg\u00edvel para o leitor. O que pode significar tanto torn\u00e1-lo mais claro e compreens\u00edvel quanto mais bonito e agrad\u00e1vel de ler.<\/p>\n<p>(Fonte: Par\u00e2metros Curriculares Nacionais \u2013 L\u00edngua Portuguesa, p. 80)<\/p>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p><strong>Centro de Educa\u00e7\u00e3o Infantil no 4<\/strong> \u2013 SESI \u2013 Osasco &#8211; Av. Get\u00falio Vargas, s\/no \u2013 Jd. Piratininga &#8211; Osasco \u2013 SP. CEP: 06233-020 &#8211; Tel: (11) 3686-3140. E-mail: cei04@sesisp.org.br<\/p>\n<p>Contato<br \/>\n<strong>Karina dos Santos Cabral<\/strong> &#8211; E-mail: karicabral@hotmail.com<br \/>\nSites: www.mafaldacrescida.com.br e www.karicabral.blog.uol.com.br<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>Livros<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Almanaque Abril, Ed. Abril. \u00c0 venda pelo site www.abril.com.br.<\/li>\n<li>Almanaque Ruth Rocha, Ruth Rocha. Ed. \u00c1tica. Tel.: (11) 3990-1775.<\/li>\n<li>Contextos de Alfabetiza\u00e7\u00e3o Inicial, Ana Teberosky e Marta Soler Gallart (orgs.). Ed. Artmed. Tel.: (51) 3027-7000.<\/li>\n<li>Escrever na Escola \u2013 O Real, o Poss\u00edvel e o Necess\u00e1rio, de Delia Lerner. Ed. Artmed. Tel.: (51) 3027-7000.<\/li>\n<li>Estrat\u00e9gias de Leitura, de Isabel Sole. Ed. Artmed. Tel.: (51) 3027-7000.<\/li>\n<li>Guia dos Curiosos. Marcelo Duarte. Ed. Panda Books. Tel.: (11) 3088-8444.<\/li>\n<li>Os Direitos da Crian\u00e7a Segundo Ruth Rocha, Ruth Rocha. Ed. Cia das Letras. Tel.: (11) 3707 3500.<\/li>\n<li>Ruth Rocha Conta a Odiss\u00e9ia, Ruth Rocha. Ed. Cia. Das Letrinhas. Tel.: (11) 3707-3500<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Sites<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Almanaque Brasil de Cultura Popular \u2013 www.almanaquebrasil.com.br. Revista distribu\u00edda gratuitamente nos v\u00f4os nacionais e internacionais da TAM Linhas A\u00e9reas. Parte do conte\u00fado est\u00e1 dispon\u00edvel no site.<\/li>\n<li>Almanaque da Folha \u2013 www.almanaque.folha.uol.com.br .O site faz parte do banco de dados do jornal A Folha de S. Paulo.<\/li>\n<li>Almanaques ou a Sabedoria e as Tarefas do Tempo \u2013 www.institutocamoes.pt\/CVC\/bvc\/revistaicalp\/almanaques.pdf &#8211; arquivo disponibilizado em site de origem portuguesa.<\/li>\n<li>Blog Almanaque \u2013 www.almanaque.blog-se.com.br. V\u00e1rias vers\u00f5es on-line almanaque.<\/li>\n<li>Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente \u2013 www.fundabrinq.org.br\/redeprefeitocrianca\/legis\/legisla_index.htm \u2013 Estatuto na \u00edntegra tanto para leitura como para download.<\/li>\n<li>M\u00f4nica e o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente \u2013 www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/L8069.htm \u2013 O gibi on-line trata do estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/li>\n<li>Palavra Cantada \u2013 www.palavracantada.com.br \u2013 O grupo produz uma m\u00fasica infantil moderna e ao mesmo tempo l\u00fadica e po\u00e9tica.<\/li>\n<li>Ruth Rocha \u2013 www.uol.com.br\/ruthrocha \u2013 Al\u00e9m de brincadeiras e concursos, o site da autora de livros infantis traz hist\u00f3rias in\u00e9ditas, escritas especialmente para a Internet<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crian\u00e7as de Osasco-SP avan\u00e7am na leitura e na escrita ao participar do Projeto Almanaque. 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Por Karina Cabral<\/p>\n","protected":false},"author":106,"featured_media":3513,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[390,34],"tags":[1108,717,246,32,21,109,641,663,151,214,701],"class_list":{"0":"post-3521","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-29","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2007","10":"tag-almanaque","11":"tag-conhecimento","12":"tag-desenho","13":"tag-escrita","14":"tag-historia","15":"tag-ilustracao","16":"tag-karina-cabral","17":"tag-leitura","18":"tag-pesquisa","19":"tag-revisao","21":"post-with-thumbnail","22":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3521","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/106"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3521"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3521\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3513"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}