{"id":3511,"date":"2007-01-28T18:30:08","date_gmt":"2007-01-28T20:30:08","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=3511"},"modified":"2023-03-27T18:44:02","modified_gmt":"2023-03-27T21:44:02","slug":"adeus-as-fraldas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/jeitos-de-cuidar\/adeus-as-fraldas\/","title":{"rendered":"Adeus \u00e0s fraldas&#8230;"},"content":{"rendered":"<h5>Deixar de usar fralda e aprender a ir ao banheiro \u00e9 um processo significativo que precisa de aten\u00e7\u00e3o especial dos educadores, sempre em parceria com a fam\u00edlia<\/h5>\n<div id=\"attachment_3514\" style=\"width: 394px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3514\" class=\"size-full wp-image-3514\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos2.jpg\" alt=\"avisala_29_jeitos2.jpg\" width=\"384\" height=\"328\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos2.jpg 384w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos2-300x256.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><p id=\"caption-attachment-3514\" class=\"wp-caption-text\">Desenho feito por Danyelle<\/p><\/div>\n<p>Em nosso meio cultural, as crian\u00e7as aprendem a usar o sanit\u00e1rio em torno de dois anos de idade. Nesta fase, elas come\u00e7am a se interessar pelas suas excre\u00e7\u00f5es e experimentar, com mais consci\u00eancia, as sensa\u00e7\u00f5es provocadas pela contra\u00e7\u00e3o e pelo relaxamento dos esf\u00edncteres anal e vesical. Vale lembrar que os esf\u00edncteres s\u00e3o m\u00fasculos compostos por fibras circulares conc\u00eantricas dispostas em forma de anel, que controlam o grau de amplitude de um determinado orif\u00edcio. No caso dos esf\u00edncteres anal e vesical, eles controlam a sa\u00edda das fezes e da urina. As crian\u00e7as adquirem maior controle sobre essas musculaturas a partir dos 18 meses de idade. Como todo desenvolvimento org\u00e2nico, esse \u00e9 um processo que integra fatores biol\u00f3gicos, emocionais e cognitivos. No final do segundo ano de vida, a bexiga urin\u00e1ria possui maior capacidade, permitindo que a crian\u00e7a retenha o xixi por mais tempo e mantenha-se seca em intervalos maiores, o que logo \u00e9 percebido pela professora e pelos pais.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nO mesmo ocorre com o intestino que, mais maduro, funciona com movimentos regulares que s\u00e3o mais intensos ap\u00f3s as principais refei\u00e7\u00f5es, armazenando os res\u00edduos de fezes no reto, que \u201cavisa\u201d, com contra\u00e7\u00f5es peculiares, quando est\u00e1 cheio. Cada crian\u00e7a tem seu pr\u00f3prio ritmo de evacua\u00e7\u00f5es. Quando a professora e a m\u00e3e est\u00e3o atentas, elas s\u00e3o capazes de prever esses momentos, ou ent\u00e3o, a pr\u00f3pria crian\u00e7a come\u00e7a a avisar que fez ou vai fazer coc\u00f4. A crian\u00e7a, nessa idade, tem maior controle motor, o que faz com que consiga andar, abaixar, levantar, girar sobre si mesma, correr e parar com certa desenvoltura, assim como comunica-se melhor pelos gestos e fala. Estes s\u00e3o indicativos de um desenvolvimento potencial para aprender a utilizar o sanit\u00e1rio e dar adeus \u00e0s fraldas.<\/p>\n<p><strong>Conhecer as regras<\/strong><br \/>\nA vida social implica em normas e regras que precisam ser aprendidas pelos membros mais jovens. Uma delas \u00e9 que existem lugares especiais \u2013 os sanit\u00e1rios \u2013 para que as pessoas fa\u00e7am coc\u00f4 e xixi. Dessa forma, os humanos aprenderam a preservar a sua sa\u00fade, uma vez que fezes e urina s\u00e3o dejetos que precisam ficar longe da \u00e1gua pot\u00e1vel, dos alimentos e dos locais de repouso e conv\u00edvio social. As normas de preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade n\u00e3o s\u00e3o isoladas dos rituais e regras sociais de conv\u00edvio, das rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres, das diferen\u00e7as entre o p\u00fablico e o privado. \u00c9 na primeira inf\u00e2ncia que aprendemos n\u00e3o apenas a controlar a sensa\u00e7\u00e3o visceral de bexiga e intestino cheios, e a identificar os sinais de que precisam ser esvaziados, mas, tamb\u00e9m, que o ato de elimina\u00e7\u00e3o \u00e9 privado.<\/p>\n<p>Aprendemos que, embora em cada resid\u00eancia as regras possam ser diferentes, na vida em sociedade h\u00e1 sanit\u00e1rios separados por sexo. Al\u00e9m das regras sociais a serem aprendidas, devem-se considerar os aspectos subjetivos que permeiam todos os atos humanos. As fezes e a urina t\u00eam um significado especial, pois s\u00e3o produtos corporais que a crian\u00e7a est\u00e1 aprendendo a perceber e reconhecer como separados dela. Segundo Wallon<sup>1<\/sup>, a crian\u00e7a pode ter uma atra\u00e7\u00e3o pelas subst\u00e2ncias e cheiros que emanam do seu corpo, relacionada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio corpo e \u00e0 diferencia\u00e7\u00e3o do outro no processo de constru\u00e7\u00e3o de sua identidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_3515\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3515\" class=\"size-full wp-image-3515\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos1.jpg\" alt=\"avisala_29_jeitos1.jpg\" width=\"336\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos1.jpg 336w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos1-300x282.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><p id=\"caption-attachment-3515\" class=\"wp-caption-text\">Desenho feito por Charles<\/p><\/div>\n<p>As regras sociais ensinam que n\u00e3o podemos guardar ou manipular fezes e urina, que elas s\u00e3o classificadas como subst\u00e2ncias que devem ser eliminadas por meio da descarga de \u00e1gua ou enterradas, dependendo do local em que se reside. Para a crian\u00e7a, no in\u00edcio do processo, isso pode ser dif\u00edcil, ou mesmo assustador, o que requer compreens\u00e3o dos educadores e familiares.<\/p>\n<p>O educador e a fam\u00edlia t\u00eam um papel importante no cuidado e educa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a nessa fase. Suas atitudes de aceita\u00e7\u00e3o ou avers\u00e3o \u2013 expressas por meio da pr\u00f3pria m\u00edmica facial, dos movimentos e da fala \u2013 podem contribuir para que a crian\u00e7a desenvolva um sentimento de baixa auto-estima, de vergonha e inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Chegada a hora<\/strong><br \/>\nNas unidades de educa\u00e7\u00e3o e cuidado da primeira inf\u00e2ncia administradas pelo Ceduc<sup>2<\/sup>, os professores acompanham o desenvolvimento das crian\u00e7as e iniciam o processo de retirada das fraldas de forma individualizada, sempre em parceria com a fam\u00edlia. O processo segue algumas regras:<\/p>\n<ol>\n<li>Combinar o dia \u2013 Quando uma m\u00e3e considera, juntamente com o educador, que seu filho est\u00e1 maduro para come\u00e7ar a retirada das fraldas, \u00e9 combinado que a partir de determinado dia ser\u00e1 iniciado o processo.<\/li>\n<li>Observar e registrar \u2013 O processo inicia-se com a observa\u00e7\u00e3o e o registro dos hor\u00e1rios em que a crian\u00e7a faz xixi e coc\u00f4 em casa e na creche. Para isso, tanto a fam\u00edlia como os educadores convidam a crian\u00e7a para ir ao sanit\u00e1rio verificar se fez coc\u00f4 e xixi, aproximadamente a cada uma hora, observando e nomeando para ela o que percebe na sua fralda.<\/li>\n<li>Idas ao banheiro \u2013 Nessa fase, continua-se vestindo a fralda na crian\u00e7a, que \u00e9 retirada e recolocada no ambiente onde est\u00e1 o vaso sanit\u00e1rio, anotando-se o hor\u00e1rio e as excre\u00e7\u00f5es que a crian\u00e7a fez. Se estiver seca, o adulto convida-a para sentar no vaso ou no penico, onde se sentir mais segura, para fazer coc\u00f4 e xixi.<\/li>\n<li>Come\u00e7ar pelo dia \u2013 Apenas quando a crian\u00e7a j\u00e1 vivenciou a experi\u00eancia de fazer coc\u00f4 e xixi algumas vezes no vaso sanit\u00e1rio, percebendo que esse \u201critual\u201d se repete, a fralda ser\u00e1 retirada durante o dia, nos per\u00edodos em que estiver acordada, passando a vestir calcinha ou cueca.<\/li>\n<li>Quer ir ao banheiro? \u2013 O educador e a fam\u00edlia continuar\u00e3o atentos, observando as express\u00f5es, movimentos e comportamentos da crian\u00e7a durante as brincadeiras, antes e ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es, antes e depois de dormir, convidando-a para ir ao sanit\u00e1rio com uma certa peridiocidade para fazer coc\u00f4 e xixi. Os adultos precisam ser tolerantes com os poss\u00edveis \u201cacidentes de percurso\u201d, mas, ao mesmo tempo, gradativamente, devem dar limites \u00e0 crian\u00e7a, sempre de forma afetiva e segura.<\/li>\n<li>Onde sentar? \u2013 Algumas crian\u00e7as sentam diretamente no sanit\u00e1rio infantil com os p\u00e9s apoiados em um banquinho \u2013 o que permite uma prensa abdominal adequada para fazer coc\u00f4, al\u00e9m de dar maior seguran\u00e7a. Outras preferem a cadeira higi\u00eanica (penico), que sempre deve ser mantida limpa e desinfetada, no espa\u00e7o do sanit\u00e1rio.<\/li>\n<li>Penico s\u00f3 no banheiro \u2013 A fam\u00edlia \u00e9 orientada para que nunca leve ou mantenha o penico em outros espa\u00e7os da resid\u00eancia, pois a crian\u00e7a deve aprender tamb\u00e9m que h\u00e1 um local pr\u00f3prio para evacuar ou fazer xixi. O mesmo se aplica aos educadores na creche. \u00c9 preciso, antes de tudo, confiar na capacidade da crian\u00e7a em aprender a segurar o xixi e o coc\u00f4 at\u00e9 chegar ao sanit\u00e1rio que, sem d\u00favida, n\u00e3o deve, nessa fase, estar muito longe do local em que ela permanece. Se o educador e os familiares estiverem atentos aos sinais do desenvolvimento potencial da crian\u00e7a, n\u00e3o ser\u00e1 preciso \u201candar com o penico atr\u00e1s dela\u201d. Esse cuidado \u00e9 fundamental para manter a higiene requerida pelos espa\u00e7os de estar, brincar, conviver e dormir, que n\u00e3o s\u00e3o compat\u00edveis com o uso de cadeiras sanit\u00e1rias.<\/li>\n<li>Retirada gradativa \u2013 A aprendizagem \u00e9 gradativa: depois de aprender a ir ao sanit\u00e1rio nos momentos de vig\u00edlia, passa-se para outra fase, a da retirada da fralda para dormir depois do almo\u00e7o e da fralda para ir para casa, o que requer da m\u00e3e toler\u00e2ncia e recursos para lidar com poss\u00edveis \u201cvazamentos\u201d. Finalmente, a fam\u00edlia retira a fralda do per\u00edodo noturno.<\/li>\n<\/ol>\n<div id=\"attachment_3516\" style=\"width: 295px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3516\" class=\"size-full wp-image-3516\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos3.jpg\" alt=\"avisala_29_jeitos3.jpg\" width=\"285\" height=\"411\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos3.jpg 285w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos3-208x300.jpg 208w\" sizes=\"auto, (max-width: 285px) 100vw, 285px\" \/><p id=\"caption-attachment-3516\" class=\"wp-caption-text\">Desenho feito por Alessandra<\/p><\/div>\n<p><strong>Trabalhando com os pais<\/strong><br \/>\nA maioria das crian\u00e7as n\u00e3o apresenta dificuldade nesse processo, mas algumas requerem uma conduta ou aten\u00e7\u00e3o diferenciada, o que n\u00e3o significa necessariamente um problema. Segundo Danielle Wolff, diretora do Ceduc, a decis\u00e3o sobre o momento de in\u00edcio de retirada de fraldas nasce, preferencialmente, da observa\u00e7\u00e3o e solicita\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. Para orientar pais e educadores, o Ceduc elaborou uma circular (ver abaixo) para orient\u00e1-los no in\u00edcio do processo. O folheto complementa, mas n\u00e3o substitui a conversa pessoal sobre o tema, a escuta e o esclarecimento de d\u00favidas espec\u00edficas dos familiares e educadores, assim como poss\u00edveis contatos posteriores para orientar e combinar cuidados especiais com crian\u00e7as que apresentam alguma peculiaridade nesse processo.<\/p>\n<p>(Mariana Santos, coordenadora pedag\u00f3gica e enfermeira supervisora do Ceduc e Damaris Gomes Maranh\u00e3o, doutora em Enfermagem pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo \u2013 Unifesp e consultora em Sa\u00fade Coletiva do Instituto Avisa L\u00e1)<\/p>\n<p><sup>2<\/sup>Henri Wallon, fil\u00f3sofo, m\u00e9dico, psic\u00f3logo e pol\u00edtico franc\u00eas (1879 \u2013 1962).<br \/>\n<sup>3<\/sup>O Ceduc (Centro de Educa\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Profissional) \u00e9 uma empresa especializada em administrar creches para empresas privadas, que atendem crian\u00e7as de tr\u00eas meses a quatro anos de idade, filhos e filhas dos trabalhadores de f\u00e1bricas, escrit\u00f3rios e servi\u00e7os.<\/p>\n<h4>De olhos fechados<\/h4>\n<p>Lucas freq\u00fcenta a creche de uma empresa, cujos sanit\u00e1rios t\u00eam descarga a v\u00e1cuo (para economizar \u00e1gua), que \u201csuga\u201d o coc\u00f4 ruidosamente e rapidamente com um jato de \u00e1gua, diferente das outras, existentes nas resid\u00eancias. Na primeira vez que viu seu coc\u00f4 ir embora daquela forma, ele estranhou. Nos outros dias, quando a educadora o ajudava a apertar o bot\u00e3o, ele tampava os ouvidos com as m\u00e3os em concha, fechava os olhos para se proteger da cena e dizia:<br \/>\n\u2013 Ai, vai dar descarga, o coc\u00f4 vai embora!<\/p>\n<h4>Fim da confus\u00e3o<\/h4>\n<p>L\u00edvia recusava-se a avisar que desejava fazer coc\u00f4. Continuava fazendo na calcinha, mesmo quando andava pelo corredor dava a impress\u00e3o de que n\u00e3o percebia que estava sem fralda. A educadora nomeava todas as vezes que ela fazia coc\u00f4 na calcinha, mostrava a ela o coc\u00f4 que caiu no ch\u00e3o, levava-a ao banheiro, explicava, retomava os combinados. Conversou com sua m\u00e3e que contou que, por temer \u201cvazamentos\u201d, continuava a colocar a fralda durante o dia, nos finais de semana, o que deixava L\u00edvia confusa. Somente depois da m\u00e3e retirar a fralda diurna e come\u00e7ar o processo em casa, L\u00edvia deixou de fazer coc\u00f4 na calcinha e aprendeu a usar o vaso sanit\u00e1rio.<\/p>\n<div id=\"attachment_3517\" style=\"width: 352px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3517\" class=\"size-full wp-image-3517\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos5.jpg\" alt=\"avisala_29_jeitos5.jpg\" width=\"342\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos5.jpg 342w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos5-300x210.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 342px) 100vw, 342px\" \/><p id=\"caption-attachment-3517\" class=\"wp-caption-text\">Desenho feito por Karem<\/p><\/div>\n<h4>Falando com os pais<sup>3<\/sup><\/h4>\n<p><strong>Quando e como retirar as fraldas?<\/strong><br \/>\nA crian\u00e7a cresce e desenvolve, gradativamente, capacidades que permitem maior independ\u00eancia do adulto em rela\u00e7\u00e3o aos cuidados com o pr\u00f3prio corpo, obtendo maior controle sobre si mesma. Esse processo \u00e9 lento e gradual, come\u00e7ando pelo desmame, locomo\u00e7\u00e3o, linguagem, diversifica\u00e7\u00e3o das brincadeiras e de compreens\u00e3o e aprendizagem das regras sociais. Uma dessas regras \u00e9 que aproximadamente entre dois e tr\u00eas anos as crian\u00e7as deixam de usar fraldas e aprendem a usar os sanit\u00e1rios para fazer coc\u00f4 e xixi. A capacidade motora que possibilita o controle corporal para conseguir reter por algum tempo o desejo de evacuar ou urinar denomina-se controle dos esf\u00edncteres.<\/p>\n<p>Esf\u00edncter: M\u00fasculo de fibras circulares conc\u00eantricas dispostas em forma de anel, que controla o grau de amplitude de um determinado orif\u00edcio. No caso do esf\u00edncter anal, ele controla a sa\u00edda das fezes.<\/p>\n<p><strong>O significado do controle do coc\u00f4 e do xixi para a crian\u00e7a:<\/strong><br \/>\nEm torno dos dois anos, as crian\u00e7as come\u00e7am a perceber e se interessar pelo xixi e coc\u00f4 que sentem no seu corpo. As fezes e a urina s\u00e3o produ\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a e t\u00eam um significado especial para ela. Esta fase coincide com o desenvolvimento da diferencia\u00e7\u00e3o EU\/OUTRO, portanto, a crian\u00e7a percebe ter um certo poder de controle sobre si mesma, o outro e o ambiente. Aprender a controlar e a eliminar o xixi e o coc\u00f4 quando deseja significa mais uma etapa na aquisi\u00e7\u00e3o da autonomia.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo sua rea\u00e7\u00e3o diante das fezes produzidas pode ser de interesse, curiosidade, diferente dos adultos, que podem reagir com nojo. Os adultos que s\u00e3o mais compreensivos com as necessidades das crian\u00e7as nessa fase proporcionam sentimentos positivos como confian\u00e7a, auto-estima e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>O que observar na crian\u00e7a:<\/strong><br \/>\nPara iniciar a retirada das fraldas \u00e9 necess\u00e1rio esperar que a crian\u00e7a seja capaz de controlar os esf\u00edncteres. Quando a crian\u00e7a j\u00e1 possui um bom controle muscular, por exemplo, abaixa, senta, anda e corre com seguran\u00e7a, ela demonstra apresentar condi\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas e psicomotoras para controlar os esf\u00edncteres.<\/p>\n<p><strong>Indicadores do desenvolvimento infantil para iniciar a retirada das fraldas:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>\u00a0Ter aproximadamente dois anos;<\/li>\n<li>Nomear que fez ou vai fazer xixi ou coc\u00f4, por meio de linguagem oral ou de express\u00e3o facial e movimentos corporais (baixar para fazer, retirar-se para um canto e fazer for\u00e7a, olhar para as pr\u00f3prias fraldas e apontar que est\u00e1 fazendo xixi ou coc\u00f4);<\/li>\n<li>Apresentar as capacidades plenas de locomo\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Incomodar-se com a fralda \u201ccheia\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es no ber\u00e7\u00e1rio:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Ouvir a fam\u00edlia e conversar com ela sobre o desenvolvimento do seu filho, refletindo juntos sobre os indicadores que sinalizam que ele est\u00e1 preparado para iniciar o processo de retirada de fraldas;<\/li>\n<li>Trocar a crian\u00e7a em per\u00edodos regulares, nomeando e registrando os hor\u00e1rios em que ela faz regularmente coc\u00f4 e xixi, nomeando para ela o que observou;<\/li>\n<li>Conversar com a crian\u00e7a e nomear o que vai ocorrer, convidando-a, para come\u00e7ar a fazer coc\u00f4 e xixi no vaso;<\/li>\n<li>Colocar a crian\u00e7a no penico ou vaso sanit\u00e1rio com aten\u00e7\u00e3o se os p\u00e9s est\u00e3o bem apoiados;<\/li>\n<li>Convidar a crian\u00e7a para ir ao banheiro regularmente, com aten\u00e7\u00e3o ao padr\u00e3o de elimina\u00e7\u00e3o que foi registrado anteriormente;<\/li>\n<li>Ap\u00f3s a crian\u00e7a finalizar as suas necessidades no penico, \u00e9 necess\u00e1rio que o educador despeje o conte\u00fado no vaso sanit\u00e1rio na frente da crian\u00e7a, d\u00ea descarga e depois providencie sua limpeza<sup>4<\/sup>;<\/li>\n<li>Ensinar e ajudar a crian\u00e7a a lavar as m\u00e3os ap\u00f3s a utiliza\u00e7\u00e3o do banheiro;<\/li>\n<li>Depois que a crian\u00e7a j\u00e1 conseguiu algumas vezes fazer xixi no vaso, compreendendo o ritual de ir ao banheiro, retirar a fralda diurna e vesti-la com calcinha ou cueca. Continuar colocando a fralda para dormir \u00e0 tarde no ber\u00e7\u00e1rio e no retorno para casa, negociando a sua retirada gradativa com a fam\u00edlia, de acordo com o processo de aprendizagem e controle de cada crian\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<div id=\"attachment_3518\" style=\"width: 349px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3518\" class=\"size-full wp-image-3518\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos4.jpg\" alt=\"avisala_29_jeitos4.jpg\" width=\"339\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos4.jpg 339w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_29_jeitos4-277x300.jpg 277w\" sizes=\"auto, (max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><p id=\"caption-attachment-3518\" class=\"wp-caption-text\">Desenho feito por Jailso<\/p><\/div>\n<p>A\u00e7\u00f5es em casa (fam\u00edlia):<\/p>\n<ol>\n<li>Observar os indicadores de desenvolvimento infantil que sinalizam a capacidade potencial para iniciar a retirada das fraldas e combinar o processo com os educadores;<\/li>\n<li>Iniciar o processo junto com o ber\u00e7\u00e1rio;<\/li>\n<li>Conversar com a crian\u00e7a e nomear o que vai ocorrer, convidando-a, para come\u00e7ar a fazer coc\u00f4 e xixi no vaso. Retirar a fralda depois que ela compreendeu o ritual e conseguiu fazer algumas vezes no vaso ou penico, semelhante ao que ocorre no ber\u00e7\u00e1rio;<\/li>\n<li>Convidar a crian\u00e7a para ir ao banheiro regularmente, com aten\u00e7\u00e3o ao padr\u00e3o de elimina\u00e7\u00e3o que foi registrado anteriormente;<\/li>\n<li>5. Se utilizarem o penico, deix\u00e1-lo sempre no banheiro, para que a crian\u00e7a aprenda o lugar correto de fazer as necessidades;<\/li>\n<li>Colocar a crian\u00e7a no penico ou vaso sanit\u00e1rio com aten\u00e7\u00e3o se os p\u00e9s est\u00e3o bem apoiados;<\/li>\n<li>Limpar a crian\u00e7a e ensin\u00e1-la aos poucos a faz\u00ea-lo sozinha, orientando e ajudando-a a jogar o papel higi\u00eanico no lixo;<\/li>\n<li>Lembr\u00e1-la e ajud\u00e1-la a lavar as m\u00e3os;<\/li>\n<li>Ser tolerante com a crian\u00e7a quando o xixi ou coc\u00f4 \u201cescaparem\u201d, isto n\u00e3o significa a aus\u00eancia de limites;<\/li>\n<li>Ter paci\u00eancia, ou seja, \u00e9 um processo que pode durar alguns dias e at\u00e9 meses;<\/li>\n<li>Controlar a ansiedade, estando atenta e lembrar a crian\u00e7a, mas n\u00e3o faz\u00ea-lo a todo instante;<\/li>\n<li>Manter a fralda noturna at\u00e9 que o controle diurno esteja estabelecido.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u201cO desenvolvimento do controle volunt\u00e1rio dos esf\u00edncteres depende de v\u00e1rios fatores. Embora entre eles sejam importantes o treinamento, a aprendizagem e a madura\u00e7\u00e3o neurofisiol\u00f3gica, esse controle costuma estar condicionado ao desenvolvimento afetivo da crian\u00e7a, ou seja, ao equil\u00edbrio da comunica\u00e7\u00e3o m\u00e3e-filho\u201d (PsiqWeb)<\/p>\n<p><sup>3<\/sup>Folheto entregue para os pais pelo Ceduc.<br \/>\n<sup>4<\/sup>A limpeza e desinfec\u00e7\u00e3o dos penicos em ambientes coletivos requer alguns cuidados para evitar contamina\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e do educador.<\/p>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>C<strong>entro de Desenvolvimento Profissional e Educacional \u2013 Ceduc<\/strong> &#8211; Rua Albino Puttini, 170 \u2013 Jardim das Hort\u00eancias &#8211; Jundia\u00ed \u2013 SP. CEP: 13209-462 &#8211; Tel.: (11) 4523-0755<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deixar de usar fralda e aprender a ir ao banheiro \u00e9 um processo significativo que precisa de aten\u00e7\u00e3o especial dos educadores, sempre em parceria com a fam\u00edlia. Por Mariana Santos e Damaris Gomes Maranh\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":117,"featured_media":3513,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,390],"tags":[1108,716,545,59,54,9,172,715,714],"class_list":{"0":"post-3511","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-jeitos-de-cuidar","8":"category-revista-avisala-29","9":"tag-revista-avisa-la-2007","10":"tag-banheiro","11":"tag-bebes","12":"tag-creche","13":"tag-cuidados","14":"tag-damaris-gomes-maranhao","15":"tag-familia","16":"tag-fralda","17":"tag-mariana-santos","19":"post-with-thumbnail","20":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/117"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3511"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3511\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3513"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}