{"id":3420,"date":"2006-07-25T21:28:56","date_gmt":"2006-07-26T00:28:56","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=3420"},"modified":"2023-03-27T18:40:18","modified_gmt":"2023-03-27T21:40:18","slug":"pesquisa-didatica-e-apoio-para-a-sala-de-aula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/alfabetizacao\/pesquisa-didatica-e-apoio-para-a-sala-de-aula\/","title":{"rendered":"Pesquisa did\u00e1tica \u00e9 apoio para a sala de aula"},"content":{"rendered":"<h5>Em entrevista exclusiva, a especialista argentina Mirta Castedo fala sobre os desafios da pesquisa e do ensino da leitura e escrita. A entrevista foi concedida a Silvia Carvalho, Cisele Ortiz e Immaculada Lopez<sup>1<\/sup>, na sede do Instituto Avisa L\u00e1, onde prestou consultoria no \u00faltimo m\u00eas de abril<\/h5>\n<div id=\"attachment_3423\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3423\" class=\"size-full wp-image-3423\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_27_mirta1.jpg\" alt=\"avisala_27_mirta1.jpg\" width=\"440\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_27_mirta1.jpg 440w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_27_mirta1-300x227.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 440px) 100vw, 440px\" \/><p id=\"caption-attachment-3423\" class=\"wp-caption-text\">Mirta Castedo, durante sua visita a S\u00e3o Paulo<\/p><\/div>\n<p>Mirta Castedo \u00e9 absolutamente comprometida com o ensino eficiente da leitura e da escrita nas escolas p\u00fablicas. Nascida em La Plata, na Argentina, come\u00e7ou seu caminho, na \u00e1rea de Educa\u00e7\u00e3o, impulsionada pelas palavras de Paulo Freire. Deparou-se, depois, com as id\u00e9ias de Emilia Ferreiro, que anos mais tarde veio a ser sua orientadora no doutorado. Como professora, encontrou na sala de aula uma afinidade grande com as crian\u00e7as pequenas, o que fez com que seguisse ligada para sempre a esse n\u00edvel de ensino.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ou-se ao trabalho de pesquisa na escola e se especializou em did\u00e1tica da leitura e escrita. Co-autora do documento Pr\u00e9-Desenhos Curriculares para Educa\u00e7\u00e3o Geral B\u00e1sica da Cidade de Buenos Aires e de diversos artigos, coordenou v\u00e1rios projetos de capacita\u00e7\u00e3o de docentes, sempre apoiados em uma vis\u00e3o construtivista. Hoje, Mirta \u00e9 professora titular da c\u00e1tedra de Did\u00e1tica do N\u00edvel Prim\u00e1rio e Observa\u00e7\u00e3o da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, e membro da Rede Latino-Americana de Alfabetiza\u00e7\u00e3o\/Argentina.<\/p>\n<p>Com essa bagagem, Mirta fala, a seguir, sobre os desafios do trabalho do professor e como a pesquisa pode ajudar na busca de alternativas para formar crian\u00e7as que leiam e escrevam plenamente.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Avisa l\u00e1: Como o mundo da educa\u00e7\u00e3o, da leitura e da escrita entrou na sua hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p>Mirta Castedo: Para explicar por que a gente chega onde est\u00e1, tem que recorrer ao seu momento hist\u00f3rico. Eu tenho 50 anos. Esse \u00e9 o primeiro dado. Eu fiz o colegial nos anos 70. E, naquela \u00e9poca, no meu col\u00e9gio l\u00edamos autores muito interessantes, como Paulo Freire. Assim que o li, decidi que ia me dedicar \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos. Numa interpreta\u00e7\u00e3o muito adolescente do que ele escreveu (n\u00e3o era o que ele dizia, mas sim o que eu queria interpretar), acreditei que, por meio da alfabetiza\u00e7\u00e3o, mudar\u00edamos a condi\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia dos seres humanos e o mundo seria diferente.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, tinha d\u00favida entre seguir a carreira de Letras, Jornalismo ou Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o. Mas movida por essa id\u00e9ia quase messi\u00e2nica de uma \u201ccruzada\u201d pela alfabetiza\u00e7\u00e3o e pela transforma\u00e7\u00e3o social, escolhi a Educa\u00e7\u00e3o. E entrei na faculdade decidida a me dedicar \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos. Logo percebi que n\u00e3o poderia ser alfabetizadora se n\u00e3o fosse professora. Ent\u00e3o comecei o curso de Magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Um dos meus primeiros trabalhos foi, de fato, alfabetizando adultos numa escola em La Plata (Argentina). J\u00e1 era outra \u00e9poca, pleno regime militar, o pa\u00eds era outro, eu era outra. Mas, de qualquer forma, percebi que era algo dif\u00edcil alfabetizar adultos. Em paralelo, comecei a ter experi\u00eancia como professora de crian\u00e7as. Tamb\u00e9m n\u00e3o era nada f\u00e1cil, mas senti uma enorme afinidade. Percebi que uma das coisas que me d\u00e1 mais alegria \u00e9 estar entre crian\u00e7as, na escola. Fico feliz at\u00e9 hoje quando ponho meu guarda-p\u00f3 de professora e estou entre elas.<\/p>\n<p>Nesse momento, uma companheira da universidade, Cl\u00e1udia Molinari, encontrou o livro de Emilia Ferreiro2 Psicog\u00eanese da L\u00edngua Escrita, numa livraria. N\u00f3s duas lemos o texto, mas n\u00e3o entendemos muita coisa. Eu j\u00e1 participava de um grupo de estudos, que dava uma base te\u00f3rica para entender o que Emilia dizia, mas na verdade n\u00e3o entendi quase nada. Mas algumas coisas que li ficaram girando na minha cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>At\u00e9 que vivi uma cena que deu uma virada na minha hist\u00f3ria. Eu trabalhava com crian\u00e7as hospitalizadas e estava com um menino e sua m\u00e3e. Eram bastante pobres. Naquele dia, o menino tinha desenhado algumas escritas emaranhadas, e a m\u00e3e lhe disse: \u201cConta para a senhorita o que voc\u00ea escreveu. Conta que voc\u00ea escreveu Pedro, Josefina, Manolo, os nomes de todos da fam\u00edlia\u201d. Foi um grande impacto: aquela m\u00e3e, certamente analfabeta, estava interpretando a escrita do seu filho. Sa\u00ed em disparada em busca do livro de Emilia, onde havia lido algo a respeito. Li pela segunda vez e comecei a entender. Sempre que conto esse epis\u00f3dio me emociono muito. N\u00e3o lembro dos nomes, mas n\u00e3o me esque\u00e7o do rosto dessa m\u00e3e e da crian\u00e7a. Uma m\u00e3e absolutamente sens\u00edvel, pois naquela \u00e9poca essa compreens\u00e3o n\u00e3o estava divulgada sequer entre os educadores.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos ent\u00e3o a trabalhar algumas quest\u00f5es com as crian\u00e7as. Em pouco tempo, recome\u00e7ou a democracia no pa\u00eds e logo apresentamos um projeto para a Prov\u00edncia de La Plata. Em 1985, fizemos uma primeira experi\u00eancia na sala de aula e nunca mais trabalhei com outra coisa. Em 1987, nos convidaram para um evento no M\u00e9xico e ficamos sabendo que havia outros dois grupos trabalhando com o tema na Argentina, que haviam come\u00e7ado antes de n\u00f3s. Esse foi o come\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Avisa l\u00e1: O grupo de estudos ao qual voc\u00ea se referiu acontecia na universidade? <\/strong><\/p>\n<p>MC: N\u00e3o, eu ainda era professora na sala de aula. Est\u00e1vamos em 1984. Nessa \u00e9poca, Emilia voltou pela primeira vez \u00e0 Argentina, ap\u00f3s a ditadura, e se reuniu com pequenos grupos. N\u00f3s fomos e comentamos que quer\u00edamos fazer uma pesquisa did\u00e1tica. Ela se incomodou muito e disse algo cert\u00edssimo: como nos atrev\u00edamos, com forma\u00e7\u00e3o zero, a querer fazer uma pesquisa did\u00e1tica? Mas esse coment\u00e1rio me fez sair dali ainda mais determinada: \u201cVou fazer, vou publicar e vai ficar bom\u201d. Em 1989, publicamos ent\u00e3o o livro Educa\u00e7\u00e3o de Crian\u00e7as, traduzido para o portugu\u00eas. Engra\u00e7ado que, no ano seguinte, Emilia deu uma confer\u00eancia e recomendou o livro, certamente sem lembrar quem eram as autoras&#8230; Anos depois, ela foi minha orientadora de doutorado.<\/p>\n<p><strong>Avisa l\u00e1: Como foi esse primeiro projeto?<\/strong><\/p>\n<p>MC: \u00c9ramos professoras e batemos na porta da Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o de La Plata dizendo que t\u00ednhamos um projeto, sem muita id\u00e9ia do que est\u00e1vamos fazendo. Mas, dessa forma bastante ing\u00eanua, encontramos uma pessoa, Maria Helena de Vicenzi, que se interessou pelo projeto e, de maneira inovadora, transferiu nossas horas de trabalho do magist\u00e9rio para a pesquisa did\u00e1tica. Eu continuava indo para a escola todos os dias, no hor\u00e1rio habitual. Vestia o avental de sempre e ficava na sala de aula trabalhando com a professora de segunda e terceira s\u00e9ries.<\/p>\n<p>Planej\u00e1vamos a aula juntas. Quando ela dava aula, eu registrava e vice-versa. Depois escrev\u00edamos relat\u00f3rios. Come\u00e7amos ent\u00e3o a nos reunir com Ana Maria Kaufman, que nos orientava, nos corrigia, propunha bibliografia. E foi ela quem nos deu a id\u00e9ia de escrever o livro. Logo foi criada uma Subsecretaria de Pesquisa Educativa e continuamos com esse projeto por mais seis anos, ampliando para outras escolas. Depois essa subsecretaria foi extinta, e tivemos que ir embora. Ent\u00e3o prestei concurso na Universidade Nacional de La Plata. E hoje me dedico \u00e0 universidade.<\/p>\n<p><strong>Avisa l\u00e1: Gostar\u00edamos que voc\u00ea nos falasse um pouco mais sobre a \u201cpesquisa did\u00e1tica\u201d realizada na Argentina. \u00c9 diferente da pesquisa acad\u00eamica convencional que conhecemos no Brasil. Ela acontece diretamente na sala de aula. Por que \u00e9 importante construir esse conhecimento did\u00e1tico?<\/strong><\/p>\n<p>MC: N\u00f3s n\u00e3o acreditamos que o conhecimento did\u00e1tico se limite \u00e0 pesquisa psicoling\u00fc\u00edstica ou sociol\u00f3gica sobre os grupos escolares. Certamente, estes s\u00e3o conhecimentos valiosos, mas n\u00e3o suficientes. S\u00e3o as chamadas \u201cdisciplinas de refer\u00eancia\u201d. O conhecimento did\u00e1tico \u00e9, acima de tudo, aquele constru\u00eddo na sala de aula, com componentes pr\u00e1ticos e te\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Elaboramos uma tipologia de situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas para desenvolver os v\u00e1rios t\u00f3picos, para trabalhar com quest\u00f5es pr\u00f3prias da did\u00e1tica, tais como leitura por si s\u00f3, escrita por si s\u00f3 etc. S\u00e3o conhecimentos te\u00f3ricos constru\u00eddos e experimentados na sala de aula. N\u00e3o h\u00e1 como ser fora da sala de aula.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nAvisa l\u00e1: E o professor tem um papel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa did\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p>MC: \u00c9 muito f\u00e1cil e tentador dizer que \u00e9 o professor que deve pensar e elaborar a proposta did\u00e1tica. Mas, vou ser muito honesta: nas condi\u00e7\u00f5es do nosso sistema educativo, isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Para elaborar uma proposta did\u00e1tica, \u00e9 necess\u00e1rio uma base te\u00f3rica forte, al\u00e9m de conhecimento especializado sobre a disciplina. E o professor das s\u00e9ries iniciais, por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 generalista, pois d\u00e1 aula de todas as mat\u00e9rias.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, se precisa responder com compromisso e seriedade \u00e0 demanda de 30 crian\u00e7as e suas fam\u00edlias, certamente n\u00e3o tem tempo, nem energia, para outra atividade. Por outro lado, o professor tem uma responsabilidade espec\u00edfica. Sua fun\u00e7\u00e3o social \u00e9 ensinar. Ele n\u00e3o pode ficar experimentando situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas. Ele deve trabalhar com a situa\u00e7\u00e3o que mais seguramente ir\u00e1 provocar o efeito desejado em seus alunos. E o pesquisador faz exatamente o contr\u00e1rio: ele experimenta uma seq\u00fc\u00eancia, mesmo sabendo que poder\u00e1 n\u00e3o produzir o efeito desejado.<\/p>\n<div id=\"attachment_3424\" style=\"width: 395px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3424\" class=\"size-full wp-image-3424\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_27_mirta3b.jpg\" alt=\"avisala_27_mirta3b.jpg\" width=\"385\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_27_mirta3b.jpg 385w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_27_mirta3b-300x205.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 385px) 100vw, 385px\" \/><p id=\"caption-attachment-3424\" class=\"wp-caption-text\">Formadoras do Instituto Avisa L\u00e1 refletem sobre pr\u00e1ticas para incentivar a leitura pelas crian\u00e7as<\/p><\/div>\n<p><strong>Avisa l\u00e1: Mas, de alguma forma, o professor colabora com a pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p>MC: Os professores t\u00eam um papel fundamental na pesquisa quando a proposta da situa\u00e7\u00e3o did\u00e1tica come\u00e7a a ser usada. Ele atua em condi\u00e7\u00f5es menos controladas do que na pesquisa, enfrentando outros obst\u00e1culos. No cotidiano, o professor trabalha interagindo com seus colegas, com o diretor da escola, com as fam\u00edlias das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 uma realidade que at\u00e9 pode ser prevista, mas s\u00e3o os professores, durante o processo de forma\u00e7\u00e3o, que trazem essa realidade e fazem com que mudemos a proposta. Por mais que pensemos numa situa\u00e7\u00e3o did\u00e1tica, a apliquemos, registremos, analisemos e repitamos v\u00e1rias vezes, n\u00e3o vivemos a mesma situa\u00e7\u00e3o que um professor. E esse retorno que ele nos d\u00e1 \u00e9 essencial. Foi, por exemplo, ouvindo o que os professores nos diziam sobre o caderno, a import\u00e2ncia de ter atividades no caderno, que mudamos nossa forma de nos relacionarmos com esta pr\u00e1tica, que n\u00e3o aprov\u00e1vamos. Tivemos que enfrentar a pergunta: que atividades podemos propor que seja compat\u00edvel com o uso do caderno?<\/p>\n<p><strong>Avisa l\u00e1: Mas, ao criar e propor situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas, o trabalho do pesquisador n\u00e3o impede a autonomia e a criatividade do professor?<\/strong><\/p>\n<p>MC: S\u00e3o pap\u00e9is diferentes, mas igualmente importantes. Tanto o pesquisador como o professor cumprem tarefas complexas, que envolvem conhecimento te\u00f3rico e criatividade. O pesquisador prop\u00f5e modelos e roteiros, recriados pelo professor nas condi\u00e7\u00f5es reais, num trabalho inteligente, criativo, complexo. N\u00e3o \u00e9 um trabalho mec\u00e2nico, autom\u00e1tico. Podemos dizer aos professores que trabalhamos determinada situa\u00e7\u00e3o did\u00e1tica com alunos de tal perfil, tal idade, considerando tais crit\u00e9rios, com tais resultados. Ou seja, de certa maneira, aspiramos a \u201cmodelizar\u201d a situa\u00e7\u00e3o. Mas usar esses modelos n\u00e3o impede a cria\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio professor.<\/p>\n<p>\u00c9 como dizer que usar livro de receitas culin\u00e1rias me impede de aprender a cozinhar e criar minhas pr\u00f3prias receitas. \u00c9 certo que h\u00e1 bons e maus livros de cozinha. H\u00e1 aqueles que, al\u00e9m de dizer \u201cuse uma colher de sal\u201d, nos dizem em que momento \u00e9 melhor colocar o sal \u2013 o que nos permite generalizar. N\u00e3o buscamos receitas que sejam repetidas letra por letra. Devemos dizer que fizemos tal coisa e aconteceu tal, e o professor, uma pessoa inteligente, saber\u00e1 aproveitar \u00e0 sua maneira o que est\u00e1 sendo dito.<\/p>\n<p><strong>Avisa l\u00e1: Considerando as exigentes demandas da sala de aula, alguns defendem que a proposta construtivista, por exemplo, \u00e9 muito complexa para ser desenvolvida pelo professor. \u00c9 melhor ele desenvolver situa\u00e7\u00f5es mais simples, mais facilmente controladas e avaliadas. <\/strong><\/p>\n<p>MC: Concordo que o construtivismo seja complexo. Na verdade, qualquer teoria \u00e9 complexa. Comumente, quando surge uma teoria, logo se elaboram vers\u00f5es light, que costumam prejudicar a teoria original, pois acabam sendo mais difundidas e predominam. No caso do construtivismo, a vers\u00e3o light seria que as \u201ccrian\u00e7as l\u00eaem e escrevem como querem, s\u00e3o livres e que, de qualquer forma v\u00e3o aprender, pois v\u00e3o percorrer etapas\u201d. Mas n\u00f3s sabemos que o construtivismo n\u00e3o \u00e9 uma teoria do \u201cdeixar fazer\u201d. Segundo Piaget, h\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o interna do sujeito em intera\u00e7\u00e3o com o meio material e social. Portanto, a interven\u00e7\u00e3o do professor \u00e9 fundamental, organizando situa\u00e7\u00f5es para que as crian\u00e7as atravessem certos conte\u00fados. E esse \u00e9 apenas um dos mal-entendidos sobre o construtivismo (ver quadro abaixo).<\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 verdade que o desafio da leitura e da escrita ficou muito mais complexo. Hoje, o que se espera que as crian\u00e7as saibam sobre ler e escrever \u00e9 infinitamente mais complexo do que h\u00e1 um s\u00e9culo. Mas essa complexidade n\u00e3o \u00e9 culpa do construtivismo. Algumas dificuldades dependem das condi\u00e7\u00f5es do ensino, e n\u00e3o da teoria. Na vis\u00e3o construtivista, ser f\u00e1cil ou dif\u00edcil n\u00e3o tem a ver com a complexidade da situa\u00e7\u00e3o abstrata, mas com os esquemas pr\u00e9vios.<\/p>\n<p>Se a escola est\u00e1 acostumada a desenvolver uma situa\u00e7\u00e3o did\u00e1tica em 60 minutos e chega a proposta de desenvolver uma seq\u00fc\u00eancia did\u00e1tica que tomar\u00e1 v\u00e1rios dias, certamente vai parecer dif\u00edcil. Essa dificuldade n\u00e3o pertence \u00e0 proposta em si, mas \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o escolar.<\/p>\n<p><strong>Avisa l\u00e1: Qual o caminho?<\/strong><\/p>\n<p>MC: O que estamos fazendo \u00e9 trabalhar muito \u2013 n\u00e3o para simplificar, mas para tornar a teoria mais comunic\u00e1vel, dando respostas \u00e0s situa\u00e7\u00f5es existentes. N\u00e3o concordo que, porque uma proposta parece dif\u00edcil, devem ser dadas ao professor alternativas mais \u201cf\u00e1ceis\u201d. \u00c9 necess\u00e1rio, sim, mudar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos professores. N\u00e3o podemos repetir que \u201cos professores n\u00e3o sabem, n\u00e3o podem\u201d, e dar ent\u00e3o solu\u00e7\u00f5es mais simples. Se o professor tiver mais oportunidade de desenvolver conhecimento, seu trabalho ser\u00e1 melhor. Devemos conquistar mais oportunidades de forma\u00e7\u00e3o em servi\u00e7o, gratuitas, garantir melhores sal\u00e1rios, para que os professores n\u00e3o precisem trabalhar tr\u00eas turnos, que tenham menos alunos por sala e assim por diante. E ent\u00e3o vamos ver se \u00e9 uma proposta t\u00e3o complexa.<\/p>\n<p><strong>Avisa l\u00e1: Nos ocupando agora das especificidades do ensino da l\u00edngua. Em um dos seus artigos, voc\u00ea escreveu que a escola muitas vezes se preocupa mais em fazer an\u00e1lise gramatical do que em criar situa\u00e7\u00f5es comunicativas. Por qu\u00ea?<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>MC: O problema maior \u00e9 o div\u00f3rcio entre o ensino gramatical e a produ\u00e7\u00e3o de textos. O desafio a ser resolvido \u00e9 como integrar \u00e0 produ\u00e7\u00e3o textual a reflex\u00e3o gramatical, que certamente vai al\u00e9m da an\u00e1lise sint\u00e1tica ou classifica\u00e7\u00e3o de palavras. N\u00e3o \u00e9 um problema atual ou que tenha nascido com o construtivismo, mas vem de longa data. Acho que hoje, pelo menos na Argentina, temos um problema agregado: os alunos n\u00e3o t\u00eam mais sequer repert\u00f3rio de Gram\u00e1tica. O ensino da Gram\u00e1tica parece ter ca\u00eddo em desuso. Se voc\u00ea pede para um garoto de 12 anos distinguir um substantivo de um adjetivo, ele n\u00e3o consegue. Do jeito como a Gram\u00e1tica era ensinada, n\u00e3o servia para escrever. Mas n\u00e3o ensin\u00e1-la tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda. A quest\u00e3o \u00e9 como integrar os dois aprendizados. Vale destacar que o aprendizado do idioma tamb\u00e9m deve ser entendido como um direito das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o tem a obriga\u00e7\u00e3o de garantir aos cidad\u00e3os um conhecimento m\u00ednimo sobre a origem e a estrutura formal da sua l\u00edngua, mesmo que depois eles n\u00e3o a usem no dia-a-dia. Da mesma forma que t\u00eam direito de saber sobre a Hist\u00f3ria e a Geografia do seu pa\u00eds, as crian\u00e7as t\u00eam o direito de saber tudo sobre sua l\u00edngua.<\/p>\n<p><strong>Avisa l\u00e1: E que lugar ocupa a leitura para que o aluno seja um bom escritor?<\/strong><\/p>\n<p>MC: A leitura \u00e9 necess\u00e1ria, mas n\u00e3o suficiente. N\u00e3o conseguimos escrever um g\u00eanero que n\u00e3o tenhamos lido intensamente. De fato, todos n\u00f3s lemos mais g\u00eaneros do que escrevemos. Eu leio textos jornal\u00edsticos, contos liter\u00e1rios e n\u00e3o os escrevo. E, se quero escrever um artigo acad\u00eamico, tenho que ler muitos artigos para poder faz\u00ea-lo. Mas ler n\u00e3o \u00e9 suficiente. H\u00e1 quest\u00f5es, que surgem para o autor, que s\u00e3o diferentes das do leitor. Mas elas n\u00e3o aparecem at\u00e9 que haja oportunidade de produzir textos.<\/p>\n<p><strong>Avisa l\u00e1: Nesse processo de aprendizagem da leitura e escrita, o formato de projeto \u00e9 sempre o melhor? E as atividades permanentes? Como equilibrar?<\/strong><\/p>\n<p>MC: Vejo os projetos, seq\u00fc\u00eancias, atividades permanentes e atividades avulsas como sendo diferentes modalidades de organiza\u00e7\u00e3o do tempo did\u00e1tico. Elas respondem a condi\u00e7\u00f5es e prop\u00f3sitos diferentes e podem ser complementares. Mas, certamente, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil equilibrar tudo isso. Podemos considerar que a \u201cunidade\u201d do trabalho did\u00e1tico \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o did\u00e1tica, que n\u00e3o necessariamente coincide com o tempo de uma aula. Pode durar meia aula ou se estender por duas, tr\u00eas aulas. A situa\u00e7\u00e3o did\u00e1tica se encerra quando o professor consegue comunicar o que queria.<\/p>\n<p>E h\u00e1 pelo menos quatro maneiras de organizar esse tempo did\u00e1tico: atividade avulsa, atividade permanente, seq\u00fc\u00eancia e projeto. Quando usar uma ou outra? Elas podem ser complementares. Mas cada uma atende a diferentes condi\u00e7\u00f5es e prop\u00f3sitos. Se eu quero um produto final, ou seja, se al\u00e9m do prop\u00f3sito did\u00e1tico, h\u00e1 um prop\u00f3sito comunicativo, imp\u00f5e-se a metodologia de projeto. A seq\u00fc\u00eancia, por sua vez, vale quando n\u00e3o h\u00e1 um prop\u00f3sito comunicativo forte. \u00c9 muito usada para ensinar um conte\u00fado ling\u00fc\u00edstico, ortogr\u00e1fico ou liter\u00e1rio, menos contextualizado, como, por exemplo, uma seq\u00fc\u00eancia para trabalhar acentua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, em muitas escolas, temos o problema da descontinuidade. O aluno n\u00e3o est\u00e1 sempre presente. Nesse caso, temos que recorrer a uma atividade permanente, como, por exemplo, a leitura pelo professor. Geralmente, as rotinas podem ser trabalhadas como atividades permanentes: toda segunda-feira, fazemos a agenda dos textos da semana; toda quinta, vamos \u00e0 biblioteca; uma vez por m\u00eas, produzimos os convites dos anivers\u00e1rios. Mas, nas atividades permanentes, \u00e9 muito importante trabalhar a id\u00e9ia de progress\u00e3o e \u201ccomplexifica\u00e7\u00e3o\u201d, para n\u00e3o acabar fazendo sempre a mesma atividade, sem novos desafios.<\/p>\n<p><strong>Avisa l\u00e1: A modalidade de projeto tamb\u00e9m tem algum risco?<br \/>\n<\/strong><br \/>\nMC: Um dos perigos dos projetos \u00e9 que, como t\u00eam um prop\u00f3sito comunicativo muito claro e evidente, perde-se de vista o prop\u00f3sito did\u00e1tico \u2013 obrigat\u00f3rio em qualquer atividade dentro de uma escola. Se estou diagramando uma p\u00e1gina de um jornal, por exemplo, tenho a preocupa\u00e7\u00e3o de distribuir bem a informa\u00e7\u00e3o e ter um resultado atrativo. O prop\u00f3sito comunicativo est\u00e1 claro. Mas, muitas vezes, pergunto ao professor: \u201cO que voc\u00ea est\u00e1 ensinando do ponto de vista da l\u00edngua?\u201d. E ele n\u00e3o sabe me responder. Esse \u00e9 o mesmo risco existente nos projetos com temas de Ci\u00eancias. O que estamos propondo? Quero promover a leitura ou o ensino de Ci\u00eancia? Claro que se pode combinar os dois aprendizados, mas desde que a idade e o conhecimento pr\u00e9vio das crian\u00e7as o permita e haja um especialista em Ci\u00eancias para apoiar. Mas tamb\u00e9m podemos usar um conte\u00fado de Ci\u00eancias para dar uma aula de leitura, sem pretender dar o conte\u00fado de Ci\u00eancias. Certamente o aluno vai guardar informa\u00e7\u00f5es sobre o tema, mas n\u00e3o h\u00e1 o prop\u00f3sito de criar conhecimento a respeito. \u00c9 importante ter essa clareza.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Silvia Carvalho e Cisele Ortiz s\u00e3o coordenadoras do Instituto Avisa L\u00e1 e Immaculada Lopez \u00e9 jornalista da Revista Avisa l\u00e1.<br \/>\n<sup>2<\/sup>Emilia Ferreiro \u00e9 psic\u00f3loga e pesquisadora argentina radicada no M\u00e9xico. Realizou doutorado na Universidade de Genebra sob orienta\u00e7\u00e3o de Jean Piaget.<\/p>\n<div id=\"attachment_3425\" style=\"width: 291px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3425\" class=\"size-full wp-image-3425\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_27_mirta4.jpg\" alt=\"avisala_27_mirta4.jpg\" width=\"281\" height=\"355\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_27_mirta4.jpg 281w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_27_mirta4-237x300.jpg 237w\" sizes=\"auto, (max-width: 281px) 100vw, 281px\" \/><p id=\"caption-attachment-3425\" class=\"wp-caption-text\">Hel\u00f4 Pacheco<\/p><\/div>\n<h4>D\u00favidas frequentes sobre proposta pedag\u00f3gica de base construtivista<\/h4>\n<ul>\n<li>Se a crian\u00e7a est\u00e1 no centro do processo, ent\u00e3o que faz o professor? Limita-se a deixar que as crian\u00e7as atuem espontaneamente, que escolham e desenvolvam as atividades que lhes interessem?<\/li>\n<li>Esta proposta \u00e9 muito boa para trabalhar com grupos de 15 a 20 alunos, mas n\u00e3o pode ser aplicada quando se tem 40 alunos em sala de aula, porque ent\u00e3o torna-se imposs\u00edvel seguir o processo de cada um.<\/li>\n<li>E se esta experi\u00eancia apresenta bons resultados, vamos todos ter que trabalhar desse modo?<\/li>\n<li>J\u00e1 n\u00e3o posso trabalhar nas outras \u00e1reas como fazia antes. Posso planejar para outros campos do conhecimento atividades parecidas \u00e0s feitas em L\u00edngua?<\/li>\n<li>Sei que n\u00e3o tenho que lhe dar informa\u00e7\u00f5es, mas, em certas situa\u00e7\u00f5es, parece-me muito for\u00e7ado n\u00e3o faz\u00ea-lo&#8230; \u00e0s vezes digo algo diretamente.. estar\u00e1 errado?<\/li>\n<li>Mesmo com as modifica\u00e7\u00f5es que fizemos na a\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, h\u00e1 algumas crian\u00e7as que n\u00e3o avan\u00e7am&#8230; Ser\u00e1 que elas t\u00eam dificuldades para a aprendizagem?<\/li>\n<li>Eu adotarei desse m\u00e9todo o que me pare\u00e7a \u00fatil e continuarei propondo \u00e0s crian\u00e7as outros exerc\u00edcios que sempre deram resultado.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Confira as respostas no livro: A Aprendizagem da L\u00edngua Escrita na Escola. Delia Lerner de Zunino e Alicia Pal\u00e1cios de Pizani. Ed. Artes M\u00e9dicas. Tel.: 0800-559033<\/p>\n<h4>Organiza\u00e7\u00e3o do tempo did\u00e1tico<\/h4>\n<p>Segundo a pesquisadora Mirta Castedo, h\u00e1 pelo menos quatro modalidades de organiza\u00e7\u00e3o do tempo did\u00e1tico:<\/p>\n<ol>\n<li>Atividade avulsa \u2013 \u00c9 pontual. N\u00e3o se repete, nem tem seq\u00fc\u00eancia.<\/li>\n<li>Atividade permanente \u2013 \u00c9 regular, mas n\u00e3o segue uma seq\u00fc\u00eancia. Uma atividade independe da outra.<\/li>\n<li>Seq\u00fc\u00eancia \u2013 \u00c9 uma s\u00e9rie de atividades que seguem uma ordem obrigat\u00f3ria. A nova aprendizagem depende da anterior.<\/li>\n<li>Projeto \u2013 Seq\u00fc\u00eancia de atividades que, al\u00e9m de seguir uma ordem obrigat\u00f3ria, sempre tem como desfecho um produto comunicativo.<\/li>\n<\/ol>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<ul>\n<li>Est\u00e9tica da Cria\u00e7\u00e3o Verbal, Mikhail Bakthin. Ed. Martins Fontes. Tel.: (11) 3241-3677.<\/li>\n<li>A Inf\u00e2ncia da Raz\u00e3o, Heloysa Dantas. Ed. Manole. Tel.: (11) 4196-6000.<\/li>\n<li>A Forma\u00e7\u00e3o Social da Mente, Lev Seminovitch Vygotsky. Ed. Martins Fontes.Tel.: (11) 3241-3677.<\/li>\n<li>Pensamento e Linguagem, Lev Seminovitch Vygotsky. Ed. Martins Fontes. Tel.: (11) 3241-3677.<\/li>\n<li>As Origens do Pensamento na Crian\u00e7a, Henri Wallon. Ed. Manole. Tel.: (11) 4196-6000.<\/li>\n<li>Quest\u00f5es de Linguagem, Maria Helena Martins (org). Ed. Contexto. Tel.: (11) 3832-5838.<\/li>\n<li>Alfabetiza\u00e7\u00e3o de Crian\u00e7as, Constru\u00e7\u00e3o e Interc\u00e2mbio, Ana Maria Kaufman, Jussara Rogrigues e Mirta Castedo. Ed. Artmed. Tel.: 0800-703-3444.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista exclusiva, a especialista argentina Mirta Castedo fala sobre os desafios da pesquisa e do ensino da leitura e escrita. A entrevista foi concedida a Silvia Carvalho, Cisele Ortiz e Immaculada Lopez, na sede do Instituto Avisa L\u00e1, onde prestou consultoria.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3421,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,388],"tags":[1107,1325,58,294,14,696,70,488,143,464],"class_list":{"0":"post-3420","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-alfabetizacao","8":"category-revista-avisala-27","9":"tag-revista-avisa-la-2006","10":"tag-alfabetizacao","11":"tag-cisele-ortiz","12":"tag-educacao-infantil-2","13":"tag-entrevista","14":"tag-immaculada-lopez","15":"tag-professor","16":"tag-profissao","17":"tag-silvia-carvalho","18":"tag-trabalho","20":"post-with-thumbnail","21":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3420","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3420"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3420\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3421"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}