{"id":3405,"date":"2006-04-25T10:59:28","date_gmt":"2006-04-25T13:59:28","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=3405"},"modified":"2023-03-27T18:15:28","modified_gmt":"2023-03-27T21:15:28","slug":"e-depois-de-ler-fazer-o-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/reflexoes-do-professor\/e-depois-de-ler-fazer-o-que\/","title":{"rendered":"E depois de ler, fazer o qu\u00ea?"},"content":{"rendered":"<h5>Trocar id\u00e9ias, confrontar opini\u00f5es, conversar com as crian\u00e7as&#8230; Parece simples, mas muitos professores ainda t\u00eam d\u00favidas do que fazer depois da leitura de hist\u00f3rias.<\/h5>\n<div id=\"attachment_3406\" style=\"width: 383px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3406\" class=\"size-full wp-image-3406\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex6.jpg\" alt=\"avisala_26_reflex6.jpg\" width=\"373\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex6.jpg 373w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex6-300x158.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 373px) 100vw, 373px\" \/><p id=\"caption-attachment-3406\" class=\"wp-caption-text\">Cerim\u00f4nia para Oxaluf\u00e3 Artista: Caryb\u00e9<\/p><\/div>\n<p>Aleitura de hist\u00f3rias em sala de aula tem sido uma atividade permanente na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, mas com resultados nem sempre satisfat\u00f3rios e produtivos, tanto para os educadores como para as crian\u00e7as. Ainda dominam encaminhamentos que objetivam fixar o texto ou verificar sua compreens\u00e3o \u2013 a conhecida interpreta\u00e7\u00e3o de texto, heran\u00e7a de uma vis\u00e3o da leitura como pass\u00edvel de apenas uma interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De modo geral, esta orienta\u00e7\u00e3o tem sido aceita quase como a seq\u00fc\u00eancia natural da atividade de leitura. Os professores, pela dificuldade de acesso a novos conhecimentos ou pela escassa intimidade com o ato de ler, ou mesmo pela falta de orienta\u00e7\u00f5es e oportunidades para construir significados sobre a leitura, acabam fazendo deste encaminhamento uma pr\u00e1tica automatizada, sem nenhuma reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>O que fazer ent\u00e3o? <!--more-->Na tentativa de reverter esta situa\u00e7\u00e3o, em vez da explica\u00e7\u00e3o ou dos exerc\u00edcios de interpreta\u00e7\u00e3o (orais ou escritos), o melhor a fazer \u00e9 conversar sobre o texto lido. No lugar da explica\u00e7\u00e3o, a conversa. A conversa como espa\u00e7o e tempo para a explicita\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es estabelecidas e dos m\u00faltiplos sentidos constru\u00eddos, tanto pelo professor com seus alunos em sala de aula, como no contexto de forma\u00e7\u00e3o de professores.<\/p>\n<p>De forma objetiva, devemos garantir um espa\u00e7o\/tempo planejado e orientado com a intencionalidade de que a conversa com e entre as crian\u00e7as possa fluir, ajudando-as a explicitar a variedade das rela\u00e7\u00f5es e dos m\u00faltiplos sentidos impl\u00edcitos nos textos lidos.<\/p>\n<p><strong>Experi\u00eancia compartilhada<\/strong><br \/>\nQuando conseguimos nos encontrar com professores motivados a ultrapassar sua in\u00e9rcia, um novo espa\u00e7o, mais favor\u00e1vel \u00e0 constru\u00e7\u00e3o compartilhada de significados e muito mais gratificante, pode surgir. Foi o que aconteceu comigo e com a professora Bete<sup>1<\/sup> em nossa rela\u00e7\u00e3o de estudo e reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da leitura na alfabetiza\u00e7\u00e3o inicial, particularmente sobre o valor da leitura de hist\u00f3rias como atividade permanente na Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Ela compartilhou comigo seus belos registros das atividades realizadas com alunos.<\/p>\n<p>Depois do primeiro encontro de forma\u00e7\u00e3o em que refletimos sobre leitura, com base no texto \u00c9 Poss\u00edvel Ler na Escola, de D\u00e9lia Lerner<sup>2<\/sup>, Bete procurou seguir as orienta\u00e7\u00f5es que hav\u00edamos discutido em grupo, ou seja, encaminhar as situa\u00e7\u00f5es de leitura com tr\u00eas momentos claramente marcados: a apresenta\u00e7\u00e3o, a leitura e a conversa posterior. Entre desanimada e incr\u00e9dula, escreveu no come\u00e7o do processo:<\/p>\n<blockquote><p><strong>Roda 1 &#8211; A menina que caiu do c\u00e9u (26 de agosto de 2005)<\/strong><br \/>\nLivro: Que hist\u00f3ria \u00e9 essa &#8211; Conto: A menina que caiu do c\u00e9u<br \/>\nBete: \u2013 Hoje eu vou ler uma hist\u00f3ria para voc\u00eas que conta sobre um homem que se apaixonou por uma mo\u00e7a que veio do c\u00e9u. \u00c9 uma hist\u00f3ria bem interessante. Leitura do conto &#8211; Conversa com os alunos<\/p>\n<p>Bete: \u2013 O que voc\u00eas acharam desta hist\u00f3ria?<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m diz nada.<\/p>\n<p>Bete: \u2013 Eu achei muito interessante a parte em que os pais ficam felizes pelo filho estar feliz tamb\u00e9m, querem ver?<\/p>\n<p>Releitura do trecho.<\/p>\n<p>Willian: \u2013 Eu gostei da hora em que ela disse que ia devolver as batatas.<br \/>\nBete: \u2013 E por qu\u00ea?<br \/>\nWillian: \u2013 Porque elas tinham levado as batatas sem ningu\u00e9m saber, a\u00ed tinha que devolver. N\u00e3o pode pegar as coisas dos outros.<br \/>\nBete: \u2013 Ah, eu me lembro. \u00c9 nesse trecho, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>Releitura do trecho.<\/p>\n<p>Pedro: \u2013 Eu gostei da parte que ele voa para o c\u00e9u pra procurar a mo\u00e7a!<br \/>\nBete: \u2013 E voc\u00ea se lembra como ela fez pra voar at\u00e9 o c\u00e9u?<br \/>\nPedro: \u2013 Com o condor!<br \/>\nBete: \u2013 Isso mesmo. Quer que eu leia novamente o trecho pra voc\u00ea?<br \/>\nPedro: \u2013 Quero!<\/p>\n<p>Releitura do trecho.<\/p>\n<p>Pedro: \u2013 \u00c9 este mesmo!<br \/>\nLorena: \u2013 Eu gostei da parte que os pais dele ficam felizes por ele!<\/p>\n<p><strong>Reflex\u00f5es da professora<\/strong><br \/>\nInteressante como no in\u00edcio ningu\u00e9m disse nada sobre o texto, mas depois que eu verbalizei um trecho que havia me chamado a aten\u00e7\u00e3o, logo as crian\u00e7as come\u00e7aram a falar tamb\u00e9m. Elas poderiam ficar presas a trechos parecidos, mas aqui fica evidente que, para cada um, o texto chama a aten\u00e7\u00e3o para um trecho. Assim, diversificam nessa discuss\u00e3o sentidos que talvez algumas crian\u00e7as n\u00e3o tenham percebido no texto.<\/p>\n<p><strong>D\u00favidas<\/strong><br \/>\nQue outro tipo de interven\u00e7\u00e3o pode ser feita para que as crian\u00e7as busquem cada vez mais sentido em v\u00e1rias partes do texto e n\u00e3o somente naquela de que mais gostaram? Como quebrar isso? Eu aponto v\u00e1rias coisas diferentes que percebo no texto: personagens, situa\u00e7\u00f5es, etc.<\/p>\n<p><strong>Este \u00e9 o caminho?<\/strong><br \/>\nReler os trechos aos quais as crian\u00e7as se remetem \u00e9 importante para que estabele\u00e7am essa rela\u00e7\u00e3o entre o oral e o escrito, n\u00e3o \u00e9? Ou h\u00e1 outra forma que os ajude a realizar estas rela\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><strong>A resposta para a professora<\/strong><br \/>\nBete,<br \/>\nTalvez uma forma seja investir na apresenta\u00e7\u00e3o inicial do texto, seja nos motivos da escolha, seja na antecipa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Explicitar os motivos, como refer\u00eancia de comportamento leitor, \u00e9 tamb\u00e9m para fisg\u00e1-los, faz\u00ea-los mais interessados no que vir\u00e1. Antecipar um pouco da hist\u00f3ria para que, sabendo do que se trata, o que se passa, onde, com quem, possam ter uma escuta mais atenta para a forma como ela se desenvolve e at\u00e9, talvez, para alguns aspectos da linguagem escrita. Outra forma pode ser a varia\u00e7\u00e3o dos aspectos destacados no final: impress\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es, prefer\u00eancias, etc. Vamos conversar mais sobre isso na reuni\u00e3o.<br \/>\nAbra\u00e7os,<br \/>\nVirg\u00ednia<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_3407\" style=\"width: 244px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3407\" class=\"size-full wp-image-3407\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex2.jpg\" alt=\"avisala_26_reflex2.jpg\" width=\"234\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex2.jpg 234w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex2-196x300.jpg 196w\" sizes=\"auto, (max-width: 234px) 100vw, 234px\" \/><p id=\"caption-attachment-3407\" class=\"wp-caption-text\">Eu\u00e1 Artista: Caryb\u00e9<\/p><\/div>\n<p>Conversamos em reuni\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a apresenta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria a ser lida e a conversa posterior. Falamos sobre a identifica\u00e7\u00e3o dos motivos na escolha do texto, como era decisivo que eles fossem sinceros, verdadeiros, para que as crian\u00e7as tivessem a refer\u00eancia concreta de um leitor, uma vez que o conte\u00fado a ser ensinado era o comportamento leitor diante de textos liter\u00e1rios,<br \/>\nno caso. Combinamos ent\u00e3o que eu faria uma observa\u00e7\u00e3o da roda de leitura em sua sala, para depois pensarmos juntas sobre o encaminhamento da atividade com o qual ela ainda estava insatisfeita.<\/p>\n<p>Muito do que fazia era novo para ela: havia planejado e estava realizando pela primeira vez uma seq\u00fc\u00eancia did\u00e1tica de leitura pelo professor, iniciada com os livros Ogum, o Rei de Muitas Faces e Outras Hist\u00f3rias, recontado por L\u00eddia Chaib e Elizabeth Rodrigues, da Cia. das Letras, e Oxumar\u00ea, O Arco-\u00cdris, de Reginaldo Prandi, da Cia. das Letrinhas<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>Ela tinha d\u00favida entre seguir simplesmente lendo os textos ou parar para tratar dos conte\u00fados e mensagens das hist\u00f3rias. N\u00e3o era uma situa\u00e7\u00e3o simples de manejar. Bete tamb\u00e9m fez um registro sobre a roda que eu observara, ent\u00e3o pudemos conversar e confrontar nossos pontos de vista sobre o desenvolvimento da atividade.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Roda 2 &#8211; O dia em que o arco-\u00edris estancou a chuva (8 de setembro de 2005)<\/strong><br \/>\nLivro: Oxumar\u00ea, O Arco-\u00cdris<br \/>\nHist\u00f3ria: O Dia em que o Arco-\u00cdris Estancou a Chuva<br \/>\nLeitura da hist\u00f3ria<br \/>\nConversa com os alunos<br \/>\nGustavo: \u2013 \u00c9 muito feio trancar as pessoas e transform\u00e1-las em outra coisa!<br \/>\nLorena: \u2013 Mas ele transformou numa cobra pro bem dele!<br \/>\nBete: \u2013 Olhem, vou reler esta parte da hist\u00f3ria sobre a qual a Lorena est\u00e1 falando, voc\u00eas querem?<br \/>\nCaio: \u2013 Eu achei igual do Gustavo!<br \/>\nBete: \u2013 O que voc\u00ea achou igual?<br \/>\nCaio: \u2013 Achei igual o que ele falou!<br \/>\nBete: \u2013 Sabe, eu fiquei pensando que esta hist\u00f3ria conta como os africanos explicam o arco-\u00edris, mas como ser\u00e1 que o arco-\u00edris se forma no c\u00e9u?<br \/>\nPedro: \u2013 O Sol e a chuva ficam juntos e a\u00ed fica multicolorido!<br \/>\nCaio: \u2013 A chuva e o Sol se misturam!<br \/>\nVirg\u00ednia: \u2013 Quem aqui j\u00e1 viu um arco-\u00edris?<br \/>\nCaio: \u2013 Eu j\u00e1 vi! L\u00e1 em Foz!<br \/>\nBete: \u2013 E l\u00e1 em Foz do Igua\u00e7u estava chovendo quando voc\u00ea viu o arco-\u00edris?<br \/>\nCaio: \u2013 N\u00e3o, mas tinha muita \u00e1gua!<br \/>\nJo\u00e3o: \u2013 Eu j\u00e1 vi um arco-\u00edris l\u00e1 na outra escola!<br \/>\nVirg\u00ednia: \u2013 Sabe o que eu acho? Assim como Oxumar\u00ea riscou o c\u00e9u com um punhal e parou a chuva porque estava chovendo muito, ele podia vir aqui pra S\u00e3o Paulo e parar a chuva tamb\u00e9m, n\u00e9?<br \/>\nPedro: \u2013 O que \u00e9 um punhal?<br \/>\nVirg\u00ednia: \u2013 Eu n\u00e3o acredito que meninos que v\u00eaem tantos desenhos n\u00e3o sabem o que \u00e9 um punhal?<br \/>\nLorena: \u2013 Um punhal \u00e9 uma espada!<br \/>\nBete: \u2013 \u00c9, mas uma espada menor que corta igual a uma espada!<\/p>\n<p><strong>Reflex\u00f5es da professora<\/strong><br \/>\nSinto que algumas discuss\u00f5es fluem bem, como foi o caso da hist\u00f3ria O Menino de Ouro e o Menino de Prata e o G\u00eanio do Rio. Outras, sinto que ficam bloqueadas, e quando isso acontece fico sem saber o que fazer. Na verdade, acho que eu tamb\u00e9m estou aprendendo, junto com as crian\u00e7as, a estabelecer estas rela\u00e7\u00f5es com as hist\u00f3rias e viajar, literalmente, a partir do texto, em vez de ficar presa s\u00f3 no que a hist\u00f3ria quis dizer.<\/p>\n<p>Quando as crian\u00e7as me perguntam o sentido de algumas palavras, durante a leitura, \u00e9 um ind\u00edcio de que elas tamb\u00e9m est\u00e3o presas a este texto? O melhor \u00e9 discutir estas quest\u00f5es no final da leitura ou na hora em que aparece a d\u00favida? Quando tenho de interromper a leitura por algum motivo, sempre tento mostrar-lhes o quanto esta postura atrapalha o ritmo da leitura e o prazer de ouvi-la. Esta \u00e9 uma postura correta?<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A professora leitora<\/strong><br \/>\nEssa foi uma \u00f3tima oportunidade para conversarmos. Por ter realizado a observa\u00e7\u00e3o da leitura, pude apontar para Bete como ela poderia e deveria apresentar o texto a partir de sua rela\u00e7\u00e3o pessoal com ele, dos motivos e dos sentidos que ele criava para ela, como leitora e professora. Perguntei, por exemplo, por que n\u00e3o lhe ocorreu iniciar a conversa falando sobre a chuva incessante que ca\u00eda havia dias na cidade, situa\u00e7\u00e3o em que um arco-\u00edris seria mais do que bem-vindo para sinalizar o fim da chuva.<\/p>\n<p>Conversamos tamb\u00e9m sobre a import\u00e2ncia de conhecer o que as crian\u00e7as sabem e ativar os muitos sentidos que algumas express\u00f5es t\u00eam para elas. E estabelecer, assim, uma refer\u00eancia comum para aquele momento, o arco-\u00edris. Quem j\u00e1 havia visto um? Onde, em que situa\u00e7\u00e3o? Algu\u00e9m conhecia a explica\u00e7\u00e3o para sua origem? Retomando o texto e as anota\u00e7\u00f5es, pudemos analisar qu\u00e3o complexa era a hist\u00f3ria e como demandava uma apresenta\u00e7\u00e3o inicial mais cuidadosa e demorada para que as crian\u00e7as dispusessem de mais elementos para ouvi-la, enriquecendo seus repert\u00f3rios para conversas posteriores.<\/p>\n<p>Assim, Bete foi autorizando a si mesma a escolher textos a partir de seus pr\u00f3prios crit\u00e9rios afetivos: aqueles de que mais gosta, os que lhe lembram quest\u00f5es de inf\u00e2ncia, lhe despertam curiosidade.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Roda 3 &#8211; A mulher que se transformava em b\u00fafalo (30 de setembro de 2005)<\/strong><br \/>\nLivro: Oxumar\u00ea, o Arco-\u00cdris<br \/>\nHist\u00f3ria: A Mulher que se Transformava em B\u00fafalo<br \/>\nBete: \u2013 A hist\u00f3ria africana que eu escolhi para hoje conta de uma mulher que se transformava em b\u00fafalo. Quando tirava a pele de b\u00fafalo e a deixava escondida numa floresta, ela virava uma pessoa.<br \/>\nJo\u00e3o: \u2013 Ah, Bete n\u00e3o conta a hist\u00f3ria toda se n\u00e3o perde a gra\u00e7a!<br \/>\nBete: \u2013 Eu n\u00e3o vou contar toda a hist\u00f3ria, mas ser\u00e1 que perde a gra\u00e7a, mesmo? Ser\u00e1 que o jeito que eu estou contando \u00e9 o mesmo jeito que a hist\u00f3ria est\u00e1 escrita? Ser\u00e1 que perde a gra\u00e7a? A gente vai ver hoje. Ent\u00e3o, acontece que um deus que se apaixona por ela descobre o segredo da pele de b\u00fafalo, rouba a pele e a esconde. Ele mente para a mulher dizendo que n\u00e3o sabia de nenhuma pele, porque queria se casar com ela. Sabe, eu fiquei pensando, quando lia esta hist\u00f3ria, que muitos contos africanos falam dessa quest\u00e3o de mentir para o outro, enganar o outro. Voc\u00eas se lembram de algum conto africano que falava sobre mentir?<br \/>\nLet\u00edcia: \u2013 O grilo, ele mentiu que sabia quem roubou o anel!<br \/>\nNikolas: \u2013 Do corvo, que o mo\u00e7o mentiu pro corvo pra matar ele.<br \/>\nBete: \u2013 Isso mesmo, a hist\u00f3ria Soliday e o corvo.<br \/>\nWillian: \u2013 \u00c9, a aranha tamb\u00e9m mentiu que ela tinha matado o corvo.<br \/>\nGustavo: \u2013 Do g\u00eanio que a mo\u00e7a disse que era a Eme e era mentira.<br \/>\nLorena: \u2013 O menino de ouro!<br \/>\nBete: \u2013 Isso mesmo, voc\u00eas ver\u00e3o que esta tamb\u00e9m conta de algu\u00e9m que mentiu. Eu vou ler a hist\u00f3ria para voc\u00eas agora, e a gente vai ver se perdeu a gra\u00e7a o fato de eu ter contado um pouco sobre ela.<\/p>\n<p><strong>Leitura da hist\u00f3ria<\/strong><br \/>\n(Observa\u00e7\u00e3o: me perguntaram, durante a leitura, o que era acaraj\u00e9. Bem objetiva, respondi: \u00e9 um bolinho frito que os africanos fazem.)<\/p>\n<p><strong>Conversa com os alunos<\/strong><br \/>\nEnzo: \u2013 N\u00e3o gostei da parte que ela ficou chifrando as mulheres!<br \/>\nBete: \u2013 Mas as mulheres tinham provocado a Ians\u00e3, n\u00e3o \u00e9?<br \/>\nWillian: \u2013 Ela deveria ter expulsado as tr\u00eas mulheres!<br \/>\nLet\u00edcia: \u2013 Ou conversado com elas&#8230;<br \/>\nGustavo: \u2013 Eu gostei da parte que o Deus se apaixonou por ela. Porque ele sorriu!<br \/>\nCaio: \u2013 Ele fez uma coisa feia com ela para se casar!<br \/>\nRicardo: \u2013 Roubou a pele de b\u00fafalo!<br \/>\nBete: \u2013 E se voc\u00eas fossem este deus desta hist\u00f3ria, o que voc\u00eas fariam para conseguir casar com Ians\u00e3, em vez de roubar a pele de b\u00fafalo?<br \/>\nLet\u00edcia: \u2013 Eu pedia por favor pra ela se casar comigo!<br \/>\nWillian: \u2013 Pediria de novo a m\u00e3o dela!<br \/>\nPedro: \u2013 Eu deixava a pele l\u00e1. N\u00e3o pegava!<br \/>\nBete: \u2013 Mas ele estava apaixonado por ela e se deixasse a pele l\u00e1 ela iria embora!<br \/>\nPedro: \u2013 Eu pegava a pele e devolvia depois que se casasse comigo!<br \/>\nBete: \u2013 Eu fico pensando que talvez um jeito deste deus conquistar a Ians\u00e3 seria ajud\u00e1-la, dar carinho e ser amigo dela.<br \/>\nBete: \u2013 Jo\u00e3o, voc\u00ea achou que a hist\u00f3ria perdeu a gra\u00e7a, porque eu contei um pouco sobre ela antes de ler?<br \/>\nJo\u00e3o: \u2013 N\u00e3o!<br \/>\nBete: \u2013 \u00c9 porque eu conto de um jeito e a hist\u00f3ria est\u00e1 escrita de outro.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote>\n<div id=\"attachment_3408\" style=\"width: 341px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3408\" class=\"size-full wp-image-3408\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex3.jpg\" alt=\"avisala_26_reflex3.jpg\" width=\"331\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex3.jpg 331w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex3-300x229.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 331px) 100vw, 331px\" \/><p id=\"caption-attachment-3408\" class=\"wp-caption-text\">Descri\u00e7\u00e3o da Nova Africa, 1665. Artista: Guijlelmo Blaew<\/p><\/div>\n<p><strong>Roda 4 &#8211; A briga da velha senhora com o ferreiro (3 de outubro de 2005)<\/strong><br \/>\nLivro: Oxumar\u00ea, o Arco-\u00cdris<br \/>\nHist\u00f3ria: A Briga da Velha Senhora com o Ferreiro<br \/>\nBete: \u2013 Hoje eu escolhi esta hist\u00f3ria africana que conta de uma festa na qual todos os orix\u00e1s presentes come\u00e7am a discutir sobre qual deles era mais importante, passando o tempo todo tentando descobrir qual deles era o melhor deus.<\/p>\n<p>Quando eu li esta hist\u00f3ria, fiquei me perguntando se eles precisavam saber quem era o melhor de todos. Ser\u00e1 que n\u00f3s temos de ser sempre bons em tudo? \u00c0s vezes, eu sou boa numa coisa e n\u00e3o tenho tanta habilidade para outra, por exemplo: eu escrevo bem, mas n\u00e3o tenho muita habilidade para desenhar.<br \/>\nJo\u00e3o: \u2013 Eu sou bom pra correr!<br \/>\nWillian: \u2013 Eu sou bom com n\u00fameros!<br \/>\nJo\u00e3o: \u2013 Eu sou bom no futebol.<br \/>\nBete: \u2013 Ent\u00e3o, e ser\u00e1 que para ser feliz eu tenho sempre de ser bom em tudo e melhor que os outros?<\/p>\n<p>Vamos ver o que acontece nesta hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Leitura da hist\u00f3ria<\/p>\n<p><strong>Conversa com os alunos<\/strong><br \/>\nJo\u00e3o: \u2013 Gostei da parte da humildade!<br \/>\nBete: \u2013 E o que ser\u00e1 que quer dizer humildade?<br \/>\nWillian: \u2013 N\u00e3o fazer o mal!<br \/>\nPedro: \u2013 \u00c9 muito feio falar que \u00e9 o melhor, cada um faz uma boa coisa!<br \/>\nWillian: \u2013 N\u00e3o precisa saber que \u00e9 o bom!<br \/>\nGustavo: \u2013 Eu gostei da parte que fala da faca de metal!<br \/>\nLorena: \u2013 Pode machucar!<br \/>\nBete: \u2013 Mas a faca de metal \u00e9 importante para fazer algumas coisas, n\u00e3o \u00e9?<br \/>\nLorena: \u2013 Comer!<br \/>\nEnzo: \u2013 Cortar carne, frango, p\u00e3o.<br \/>\nBete: \u2013 Mas ela pode ser perigosa, n\u00e3o \u00e9?<br \/>\nPedro: \u2013 \u00c9, um dia minha av\u00f3 tava descascando alho e cortou o dedo!<br \/>\nCaio: \u2013 N\u00e3o pode brincar com faca!<br \/>\nLet\u00edcia: \u2013 A faca pode ser muito perigosa, porque pode pegar em algu\u00e9m!<br \/>\nEnzo: \u2013 Eu quero falar uma coisa: voc\u00ea n\u00e3o precisa brigar com o outro para ser o melhor, porque cada um faz do seu jeito!<br \/>\nBete: \u2013 Eu concordo com voc\u00ea e aqui na hist\u00f3ria acho que eles perderam algumas coisas ao ficarem discutindo! O que voc\u00eas acham?<br \/>\nPedro: \u2013 Perderam tempo!<br \/>\nGustavo: \u2013 N\u00e3o se divertiram!<br \/>\nBete: \u2013 \u00c9 mesmo, porque eles estavam numa festa, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p><strong>Reflex\u00f5es da professora<\/strong><br \/>\nDepois das nossas conversas e das rodas desta semana, acho que eu consegui mudar minha orienta\u00e7\u00e3o durante a discuss\u00e3o. Na verdade, antes eu ficava com uma expectativa alta em rela\u00e7\u00e3o ao que as crian\u00e7as iriam dizer e esperava que elas tivessem a mesma impress\u00e3o que eu a respeito do texto. Agora, entendo que esta impress\u00e3o \u00e9 apenas uma das muitas que as crian\u00e7as podem ter e que s\u00e3o pessoais.<br \/>\nAntes da leitura, eu conto a minha impress\u00e3o, mas n\u00e3o posso fazer com que a conversa depois gire apenas em torno dessa impress\u00e3o. Cada um ter\u00e1 a sua e deve poder cont\u00e1-la. Assim, minhas impress\u00f5es funcionam como refer\u00eancia e n\u00e3o como \u00fanico t\u00f3pico a ser discutido pelo grupo.<\/p>\n<p>Quanto ao falar sobre a hist\u00f3ria, antes da leitura, fica evidente, no que disse Jo\u00e3o, na primeira hist\u00f3ria, que as crian\u00e7as, quando j\u00e1 est\u00e3o habituadas, n\u00e3o perdem o interesse. Ali\u00e1s, acho que o grupo ficou muito mais interessado em ouvi-la do que antes, quando n\u00e3o convers\u00e1vamos nada sobre o texto.<\/p>\n<p>Acho que estou aprendendo, me despindo de posturas inadequadas, muitas vezes enraizadas. As rodas de leitura t\u00eam ocupado um outro espa\u00e7o no meu trabalho. Tem sido muito prazeroso compartilhar com as crian\u00e7as estes espa\u00e7os dedicados \u00e0s leituras, troca de impress\u00f5es, constru\u00e7\u00e3o de novos significados.<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_3409\" style=\"width: 349px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3409\" class=\"size-full wp-image-3409\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex1.jpg\" alt=\"avisala_26_reflex1.jpg\" width=\"339\" height=\"305\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex1.jpg 339w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex1-300x269.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><p id=\"caption-attachment-3409\" class=\"wp-caption-text\">Er\u00eas Artista: Caryb\u00e9<\/p><\/div>\n<p><strong>Conversa conquistada<\/strong><br \/>\nBete tem estado orgulhosa de sua turma. Est\u00e1 mais tranq\u00fcila, menos ansiosa, mais solta e confiante nela mesma e nas crian\u00e7as, e satisfeita com as rodas de leitura. Conversando e avaliando, pudemos identificar mudan\u00e7as significativas. Bete reconhece que passou a acreditar mais na capacidade e potencialidade das crian\u00e7as. Passou a ouvi-las mais, a estar mais atenta para as suas falas, a garantir espa\u00e7o, tempo e tranq\u00fcilidade necess\u00e1rios para a conversa, n\u00e3o interromper e nem induzir respostas.<\/p>\n<p>Por outro lado, a sua maior clareza quanto ao objetivo das rodas de leitura, isto \u00e9, o desenvolvimento de comportamentos leitores nas crian\u00e7as, contribuiu para o encaminhamento mais adequado das atividades, bem como para sua atitude pessoal e profissional. Tomou consci\u00eancia de seu duplo papel.<\/p>\n<p>Primeiro, como leitora, manifestando suas id\u00e9ias, opini\u00f5es, prefer\u00eancias, servindo assim de refer\u00eancia para as crian\u00e7as. Segundo, como professora, que entende que ensinar n\u00e3o \u00e9 transmitir conte\u00fados, mas criar situa\u00e7\u00f5es em que as crian\u00e7as possam agir como leitoras, manifestando suas impress\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es, desejos. Enfim, sua a\u00e7\u00e3o estimula que as crian\u00e7as fa\u00e7am parte de uma comunidade de leitores e tamb\u00e9m se comportem como cidad\u00e3os, que pensam sobre o mundo onde vivem, conscientes de seus pr\u00f3prios recursos, possibilidades e qualidades.<\/p>\n<p>Os registros da Bete e suas reflex\u00f5es, os conte\u00fados das conversas das crian\u00e7as antes, durante e depois da leitura das hist\u00f3rias s\u00e3o o testemunho de que a pr\u00e1tica da conversa\u00e7\u00e3o sem o compromisso da fixa\u00e7\u00e3o favorece a manifesta\u00e7\u00e3o, por parte delas, de id\u00e9ias ricas, variadas, interessantes e surpreendentes!<\/p>\n<p>O interesse, o entusiasmo, a coragem da educadora em explicitar suas d\u00favidas e se questionar s\u00e3o imediatamente premiados pelas crian\u00e7as com suas perguntas, explica\u00e7\u00f5es, defini\u00e7\u00f5es, fantasias, teorias. O movimento da educadora impulsiona as crian\u00e7as, que impulsionam a educadora, que impulsiona novamente as crian\u00e7as&#8230;em um modo cont\u00ednuo. Como diz Bete: \u201cNa verdade, acho que eu tamb\u00e9m estou aprendendo, ao mesmo tempo que as crian\u00e7as, a estabelecer estas rela\u00e7\u00f5es com as hist\u00f3rias e \u2018viajar\u2019 no texto, literalmente, em vez de ficar presa no que a hist\u00f3ria quis dizer\u201d.<\/p>\n<p>(Maria Virginia Gastaldi, formadora do Instituto Avisa L\u00e1, S\u00e3o Paulo)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Elizabete da Silva Duarte, professora do grupo de crian\u00e7as com 6 anos, da Escola Nossa Senhora do Morumbi, em S\u00e3o Paulo, onde Denise Tonelo \u00e9 coordenadora.<br \/>\n<sup>2<\/sup>Ler e Escrever na Escola, o Real, o Poss\u00edvel e o Necess\u00e1rio, Delia Lerner, Artmed, 2002.<br \/>\n<sup>3<\/sup>Livros sobre hist\u00f3rias de deuses africanos trazidas para o Brasil com os escravos.<\/p>\n<div id=\"attachment_3410\" style=\"width: 274px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3410\" class=\"size-full wp-image-3410\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex4.jpg\" alt=\"avisala_26_reflex4.jpg\" width=\"264\" height=\"293\" \/><p id=\"caption-attachment-3410\" class=\"wp-caption-text\">Bab\u00e1 Egum Artista: Caryb\u00e9<\/p><\/div>\n<h4>Comportamento do leitor<\/h4>\n<p>Entre os comportamentos do leitor que implicam intera\u00e7\u00f5es com outras pessoas acerca dos textos, encontram-se, por exemplo, os seguintes: comentar ou recomendar o que se leu, compartilhar a leitura, confrontar com outros leitores as interpreta\u00e7\u00f5es geradas por um livro ou uma not\u00edcia, discutir sobre as inten\u00e7\u00f5es impl\u00edcitas nas manchetes de certo jornal&#8230; Entre os mais privados, por outro lado, encontram-se comportamentos como: antecipar o que segue no texto, reler um fragmento anterior para verificar o que se compreendeu, quando se detecta uma incongru\u00eancia, saltar o que n\u00e3o se entende ou n\u00e3o interessa e avan\u00e7ar para compreender melhor, identificar-se com o autor ou distanciar-se dele assumindo uma posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, adequar a modalidade de leitura \u2013 explorat\u00f3ria ou exaustiva, pausada ou r\u00e1pida, cuidadosa ou descompromissada&#8230; \u2013 aos prop\u00f3sitos que se perseguem e ao texto que se est\u00e1 lendo&#8230;<br \/>\n(Ler e Escrever na Escola \u2013 O real, o Poss\u00edvel e o Necess\u00e1rio, Delia Lerner, p\u00e1g. 62)<\/p>\n<div id=\"attachment_3411\" style=\"width: 245px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3411\" class=\"size-full wp-image-3411\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex5.jpg\" alt=\"avisala_26_reflex5.jpg\" width=\"235\" height=\"311\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex5.jpg 235w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex5-226x300.jpg 226w\" sizes=\"auto, (max-width: 235px) 100vw, 235px\" \/><p id=\"caption-attachment-3411\" class=\"wp-caption-text\">Ians\u00e3 de Ibale Artista: Caryb\u00e9<\/p><\/div>\n<h4>Por que realizar sequ\u00eancias did\u00e1ticas<\/h4>\n<p>O percurso realizado por Bete e seu grupo de alunos foi poss\u00edvel, entre outras coisas, porque ela planejou e desenvolveu uma seq\u00fc\u00eancia did\u00e1tica, modalidade organizativa do tempo did\u00e1tico composta por um conjunto de atividades planejadas e orientadas com o objetivo de promover aprendizagens espec\u00edficas.<\/p>\n<p>As seq\u00fc\u00eancias de atividades est\u00e3o direcionadas para a leitura com as crian\u00e7as de diferentes produ\u00e7\u00f5es de um mesmo g\u00eanero ou subg\u00eanero (poemas, contos de aventuras, contos fant\u00e1sticos etc.), diferentes obras de um mesmo autor ou ainda diferentes textos sobre um mesmo tema.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos projetos, que se orientam para a elabora\u00e7\u00e3o de um produto final, as seq\u00fc\u00eancias incluem situa\u00e7\u00f5es de leitura, cujo \u00fanico prop\u00f3sito expl\u00edcito \u2013 compartilhado com as crian\u00e7as \u2013 \u00e9 ler. Ao contr\u00e1rio das atividades habituais, essas seq\u00fc\u00eancias t\u00eam uma dura\u00e7\u00e3o limitada a algumas semanas de aula, o que permite que se realizem v\u00e1rias delas no curso de um ano letivo e se tenha, assim, acesso a diferentes g\u00eaneros. Elas contribuem para o cumprimento de diversos objetivos did\u00e1ticos: comunicar o sentido e o prazer de ler para conhecer outros mundos poss\u00edveis, desenvolver as possibilidades dos alunos de apreciar a qualidade liter\u00e1ria (ou detectar sua aus\u00eancia), formar crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o do material a ser lido, gerar comportamentos leitores, como o seguimento de determinado g\u00eanero, tema ou autor<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p>A seq\u00fc\u00eancia did\u00e1tica de contos africanos possibilitou que as crian\u00e7as conhecessem n\u00e3o somente um pouco da cultura ioruba, mas que, nesse novo contexto criado, conhecessem tamb\u00e9m um pouco mais a si pr\u00f3prios, uns aos outros e ao mundo em que vivem. Percorrendo os preciosos registros de Bete, isso fica evidente. Alguns exemplos: A quest\u00e3o da mentira em A Mulher que se Transformava em B\u00fafalo, em que a pr\u00f3pria Bete, ao apresentar a hist\u00f3ria, adianta e aponta para as crian\u00e7as rela\u00e7\u00f5es entre as hist\u00f3rias j\u00e1 lidas, sinalizando um comportamento leitor, o de seguir um tema: \u201cSabe, eu fiquei pensando, quando eu lia esta hist\u00f3ria, que muitos contos africanos falam dessa quest\u00e3o de mentir para o outro, enganar o outro. Voc\u00eas se lembram de algum conto africano que falava de mentira?\u201d.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as v\u00e3o ficando mais \u00e0 vontade para expressar seus pontos de vista, como em A Briga da Velha Senhora com o Ferreiro: \u201c\u00c9 muito feio falar que \u00e9 o melhor! Cada um tem a sua intimidade melhor, cada um faz uma boa coisa!!!\u201d (Pedro), na medida em que aprendem que eles s\u00e3o aceitos e legitimados no espa\u00e7o da sala de aula. Passam a conversar sobre eles entre si, dispensando a media\u00e7\u00e3o da professora a cada fala, como em A Morte Ajuda Ferreiro numa Disputa com o Trov\u00e3o:<\/p>\n<p>Andressa: \u2013 Ele pediu pra morte dar dinheiro!<br \/>\nIzadora: \u2013 Ela n\u00e3o deu dinheiro! Porque ela j\u00e1 \u00e9 morta, ela n\u00e3o d\u00e1 dinheiro.<br \/>\nWillian: \u2013 Ela assustou um deles e o outro pegou o dinheiro do que ficou assustado!<br \/>\nGustavo: \u2013 Quando meu peixe morreu, eu pensei que ele estava dormindo, mas ele n\u00e3o acordava, a\u00ed eu fui avisar a mam\u00e3e que o Batatinha tinha morrido!<\/p>\n<p>A seq\u00fc\u00eancia vai promovendo ganhos nas aprendizagens das crian\u00e7as, diferentes daqueles das atividades permanentes, em que os objetivos s\u00e3o os de aproximar as crian\u00e7as de um conte\u00fado, de criar h\u00e1bito e familiaridade. Com o desenvolvimento da seq\u00fc\u00eancia did\u00e1tica, as crian\u00e7as e a professora v\u00e3o trazendo para a cena textos j\u00e1 lidos, experi\u00eancias j\u00e1 vividas e, agindo como leitores reais, tecem na intertextualidade uma significa\u00e7\u00e3o comum para essas experi\u00eancias e buscas.<\/p>\n<div id=\"attachment_3412\" style=\"width: 342px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3412\" class=\"size-full wp-image-3412\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex7.jpg\" alt=\"avisala_26_reflex7.jpg\" width=\"332\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex7.jpg 332w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_reflex7-300x234.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><p id=\"caption-attachment-3412\" class=\"wp-caption-text\">Ogum Artista: Caryb\u00e9<\/p><\/div>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p><strong>Realiza\u00e7\u00e3o:<\/strong> Col\u00e9gio Nossa Senhora do Morumbi. Av. Giovanni Gronchi, 4.000. CEP: 05724-020 \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP. Tel.: (11) 3742-5513. E-mail: nsmorumbi@nsmorumbi.com.br \/ Site: www.nsmorumbi.com.br<br \/>\n<strong>Consultoria:<\/strong> Maria Virginia Gastaldi<br \/>\n<strong>Coordenadora Pedag\u00f3gica:<\/strong> Denise Milan Tonello<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<ul>\n<li>Ler e Escrever na Escola \u2013 O Real, o Poss\u00edvel e o Necess\u00e1rio, Delia Lerner. Ed. Artmed, tel.: 0800-703-3444.<\/li>\n<li>Que Hist\u00f3ria \u00c9 Essa?, Fl\u00e1vio de Souza. Cia das Letrinhas, tel.: 0800-014- 2829.<\/li>\n<li>Ogum, O Rei de Muitas Faces e Outras Hist\u00f3rias, recontado por L\u00eddia Chaib e Elizabeth Rodrigues. Ed. Cia das Letras, tel.: 0800-014-2829.<\/li>\n<li>Oxumar\u00ea, O Arco-\u00cdris, Reginaldo Prandi. Ed. Cia das Letrinhas, tel.: 0800-014-2829.<\/li>\n<li>Sete Contos Russos, Tatiana Belinky. Ed. Cia das Letrinhas, tel.: 0800-014-2829.<\/li>\n<li>Acordais: Fundamentos Te\u00f3rico-Po\u00e9ticos da Arte de Contar Hist\u00f3rias, Regina Machado. Editora DCL, tel.: (11) 3932-5222.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trocar id\u00e9ias, confrontar opini\u00f5es, conversar com as crian\u00e7as&#8230; Parece simples, mas muitos professores ainda t\u00eam d\u00favidas do que fazer depois da leitura de hist\u00f3rias. Por Maria Virginia Gastaldi<\/p>\n","protected":false},"author":69,"featured_media":3359,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,387],"tags":[1107,693,666,695,151,175,694,147],"class_list":{"0":"post-3405","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-reflexoes-do-professor","8":"category-revista-avisala-26","9":"tag-revista-avisa-la-2006","10":"tag-comentarios","11":"tag-conversas","12":"tag-interpretacoes","13":"tag-leitura","14":"tag-maria-virginia-gastaldi","15":"tag-opinioes","16":"tag-roda","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3405","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/69"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3405"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3405\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}