{"id":3389,"date":"2006-04-25T00:15:24","date_gmt":"2006-04-25T03:15:24","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=3389"},"modified":"2023-03-27T18:17:09","modified_gmt":"2023-03-27T21:17:09","slug":"uma-cabana-no-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/uma-cabana-no-deserto\/","title":{"rendered":"Uma cabana no deserto"},"content":{"rendered":"<h5>A partir do interesse das crian\u00e7as por animais, a formadora de apoio, Silvana Augusto, prop\u00f4s uma viagem por um mundo diferente: o deserto. Durante tr\u00eas meses, as crian\u00e7as do centro de educa\u00e7\u00e3o infantil meu abacateiro, na capital paulista, pesquisaram, desenharam, escreveram, brincaram e aprenderam sobre a rela\u00e7\u00e3o dos animais, vida humana e meio ambiente.<\/h5>\n<div id=\"attachment_3392\" style=\"width: 303px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3392\" class=\"size-full wp-image-3392\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo9.jpg\" alt=\"avisala_26_tempo9.jpg\" width=\"293\" height=\"196\" \/><p id=\"caption-attachment-3392\" class=\"wp-caption-text\">Mesquita<\/p><\/div>\n<p>As crian\u00e7as pequenas s\u00e3o muito atra\u00eddas pelo mundo dos bichos, sejam dom\u00e9sticos ou selvagens, pequenos ou gigantes. Descobrir a diversidade da vida animal pode ser um tema interessante e leg\u00edtimo para ampliar o entendimento sobre o que \u00e9 a pr\u00f3pria vida. Uma crian\u00e7a de dois anos, por exemplo, pode com muita naturalidade confirmar que um carro \u00e9 vivo s\u00f3 porque se mexe. Ela ainda n\u00e3o sabe que ser vivo requer outros atributos al\u00e9m da mobilidade.<\/p>\n<p>Ficam encantadas quando descobrem que seres vivos t\u00eam pernas, boca, orelhas, e podem ser mam\u00e3e e filhote, caracter\u00edsticas que as crian\u00e7as conhecem bem. \u201cEstudar\u201d a vida dos bichos \u00e9 fonte de prazer e curiosidade para os pequenos. H\u00e1 muitas maneiras de trabalhar o tema, e eu escolhi apresentar-lhes os bichos nos ambientes em que vivem, e n\u00e3o apenas como organismos vivos isolados. Eu imaginava que o tema dos animais deveria aparecer em um contexto que inclu\u00edsse o ser humano, afinal, o meio ambiente tamb\u00e9m cont\u00e9m a cultura de um povo.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, por exemplo, macaco, on\u00e7a pintada, arara convivem com \u00edndios, seringueiros, etc. Tudo num ambiente est\u00e1 relacionado. E como seria no deserto? Essa foi a minha pergunta ao grupo e \u00e0 professora S\u00f4nia Boaventura. Para tanto, trilhei os caminhos do jogo simb\u00f3lico e da pr\u00f3pria pesquisa. Queria mostrar como seres humanos e animais vivem em diferentes partes do mundo. Queria apresentar n\u00e3o s\u00f3 a diversidade animal, mas tamb\u00e9m a integra\u00e7\u00e3o da vida.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nPara as crian\u00e7as pequenas, que est\u00e3o aprendendo pap\u00e9is e organiza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, \u00e9 muito interessante mostrar um Outro diferente de seu contexto pr\u00f3ximo. Saber como se organiza a vida humana em outros ambientes e em outras culturas \u00e9 um assunto leg\u00edtimo porque toca imediatamente nas quest\u00f5es da identidade.<\/p>\n<p><strong>Construindo cen\u00e1rios<\/strong><br \/>\nIniciamos as pesquisas trazendo para a sala textos de revistas de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e muitas imagens dos desertos mais famosos do mundo. Nosso prop\u00f3sito era construir cen\u00e1rios para a brincadeira das crian\u00e7as. Todas as quest\u00f5es pesquisadas sobre o jeito como seres humanos e animais convivem no deserto serviriam para enriquecer a brincadeira. S\u00f4nia se animou com a id\u00e9ia.<\/p>\n<p>O contato com o texto informativo de car\u00e1ter cient\u00edfico teve como objetivo o conhecer para brincar. De qualquer forma, era um estudo e precisava ser tratado como tal: da\u00ed a necessidade de registrar sistematicamente com as crian\u00e7as o que o grupo aprendia, para que depois pudessem ensinar aos demais colegas da creche. Foi assim que os pequenos se motivaram a conhecer mais sobre a vida no deserto.<\/p>\n<p>Levei um livro que retratava situa\u00e7\u00f5es da vida dos n\u00f4mades do deserto e propus a pesquisa: imaginei que os pequenos pudessem inferir muitas informa\u00e7\u00f5es a partir de uma leitura visual. Por isso, escolhi livros ricamente ilustrados, com muitas fotos de boa qualidade. Quando virava uma das p\u00e1ginas, mencionei a palavra \u201cdeserto\u201d e as crian\u00e7as imediatamente associaram ao livro da Sylvia Orthof, Maria-Vai-Com-As-Outras<sup>1<\/sup>, que traz uma passagem das ovelhas pelo deserto, sob o sol escaldante. Ali\u00e1s, esse era um dos trechos favoritos da turma.<\/p>\n<p>Assim, a partir das imagens e dos conhecimentos que elas j\u00e1 possu\u00edam, as crian\u00e7as conseguiram tirar informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas sobre esse ambiente:<\/p>\n<p>\u2013 Faz muito quente, \u00e9 sol, fica suado e at\u00e9 pega insola\u00e7\u00e3o \u2013 comentou Let\u00edcia.<\/p>\n<p>Depois observaram as ilustra\u00e7\u00f5es e enriqueceram detalhes:<\/p>\n<p>\u2013 Ichi, que roupa esquisita! \u2013 disse ela, rindo.<br \/>\n\u2013 \u00c9 velha, tudo velha \u2013 completou Alessandro.<br \/>\n\u2013 Num \u00e9 velha nada \u2013 disse Let\u00edcia.<br \/>\n\u2013 A casa \u00e9 de pano \u2013 constatou Johnne<br \/>\n\u2013 \u00c9 barraca \u2013 corrigiu Let\u00edcia.<br \/>\n\u2013 Ih, vai molhar quando chover. Cai \u00e1gua na casa dele \u2013 disse Wilton preocupado.<br \/>\n\u2013 Mas no deserto chove? \u2013 perguntei.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o! Ah!, \u00e9 mesmo n\u00e9? Lembra da Maria? \u2013 perguntou Let\u00edcia.<br \/>\n\u2013 A Maria vai com as outras \u2013 completou Wilton.<\/p>\n<p>Resgatei os detalhes que elas j\u00e1 sabiam da hist\u00f3ria da Nuriar<sup>2<\/sup>: tapetes m\u00e1gicos, v\u00e9us, etc., e propus, ent\u00e3o, que junt\u00e1ssemos panos velhos para montar uma barraca do deserto, bem grande, para todo mundo entrar. Inventamos, ainda, tapete m\u00e1gico, cabana, camelos e tudo o mais que era necess\u00e1rio para viver na areia. As crian\u00e7as embarcaram na hora!<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3393\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo2.jpg\" alt=\"avisala_26_tempo2\" width=\"337\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo2.jpg 337w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo2-300x228.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 337px) 100vw, 337px\" \/><br \/>\n<strong><br \/>\nObservando camelos<\/strong><br \/>\nOutro dia, levei para a roda uma pasta cheia de materiais sobre nosso estudo, entre eles, uma revista National Geographic que trazia ilustra\u00e7\u00f5es de um pal\u00e1cio e o desfile de camelos de Om\u00e3, que muito chamou a aten\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as:<br \/>\n\u2013 Quanto cavalo! \u2013 comentaram Luciano e Cirlene.<br \/>\n\u2013 Um monte, olha! \u2013 disse Al\u00ea.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o \u00e9 cavalo, n\u00e3o t\u00e1 vendo que n\u00e3o \u00e9 cavalo, \u00e9 camelo? \u2013 retrucou Let\u00edcia.<br \/>\n\u2013 Parece cavalo Let\u00edcia, o que voc\u00eas acham pessoal? Que lugar deve ser esse?<br \/>\n\u2013 \u00c9 camelo, t\u00e3o no deserto \u2013 afirmou Hallan.<br \/>\n\u2013 \u00c9 camelo mesmo olha, tem cabelo \u2013 retomou Let\u00edcia.<br \/>\n\u2013 \u00c9, olha, nessa foto d\u00e1 para ver melhor, o homem vai subir no camelo.<br \/>\n\u2013 Ele t\u00e1 deitado?<br \/>\n\u2013 Sentado! N\u00e3o t\u00e1 vendo? \u2013 colocou Let\u00edcia.<br \/>\n\u2013 \u00c9, ele tem que ficar assim para o homem subir nele. O que ser\u00e1 que ele come?<br \/>\n\u2013 Mato!<br \/>\n\u2013 Comida.<br \/>\n\u2013 Carne.<br \/>\n\u2013 Mato, pessoal? E no deserto tem mato?<br \/>\n\u2013 Tem, olha! \u2013 disse Johnne mostrando na foto ao lado uma ramagem seca.<br \/>\n\u2013 Ele come isso?<br \/>\n\u2013 \u00c9, come isso. Ele come essa planta que tem espinho, \u00e9 meio dura.<br \/>\n\u2013 Credo, \u00e9 ruim.<br \/>\n\u2013 Espeta a boca, machuca \u2013 comentou Johnne.<br \/>\n\u2013 Tem que levar rem\u00e9dio. Mas o homem n\u00e3o d\u00e1 comida pra ele?<br \/>\n\u2013 \u00c0s vezes d\u00e1 comida, mas \u00e1gua n\u00e3o porque ele ag\u00fcenta ficar at\u00e9 uma semana sem beber \u00e1gua, \u00e9 o que est\u00e1 escrito aqui. Vou ler um peda\u00e7o&#8230;<\/p>\n<p>Depois da conversa, as crian\u00e7as pediram para ver a revista de perto. Deixei que ela circulasse na roda enquanto mostrava duas fotos de tipos diferentes de camelos. Ficamos ainda um bom tempo olhando os livros e lendo trechos de um ou outro.<\/p>\n<p><strong>Viagem numa cabana<\/strong><br \/>\nDepois, perguntei se eles queriam viajar para o deserto. Todo mundo vibrou:<br \/>\n\u2013 Ent\u00e3o, o que a gente precisa levar?<br \/>\n\u2013 Brinquedo!<br \/>\n\u2013 Comida!<br \/>\n\u2013 Espera pessoal, vamos escrever tudo aqui neste papel pra gente n\u00e3o esquecer de nada. Voc\u00eas v\u00e3o falando e eu vou escrevendo a lista.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, come\u00e7aram a falar tudo de novo.<\/p>\n<p>\u2013 Espera, fala devagar porque eu t\u00f4 escrevendo.<br \/>\n\u2013 Comiiida.<br \/>\n\u2013 \u00c1\u00e1\u00e1\u00e1\u00e1gua.<br \/>\n\u2013 Carro.<br \/>\n\u2013 D\u00e1 pra andar de carro na areia?<br \/>\n\u2013 Xiii, n\u00e3o d\u00e1. Cameeeelo.<br \/>\n\u2013 Que comida que tem que levar?<br \/>\n\u2013 Cachorro-quente.<br \/>\n\u2013 Cachorro-quente? Sabia que os homens que viajam para o deserto s\u00f3 levam carne e arroz?<br \/>\n\u2013 S\u00f3? E colher?<br \/>\n\u2013 Colheeeer.<br \/>\n\u2013 Praaato.<\/p>\n<p>Fizemos uma lista enorme. Eu disse que providenciaria tudo para a viagem, enquanto isso, eles poderiam desenhar. Depois, fomos terminar de montar a cabana.<\/p>\n<p>Eles ajudaram a erguer os panos, e \u00e9 claro que virou uma bagun\u00e7a saud\u00e1vel, mas bagun\u00e7a, sim. Cirlene e Luciano apagavam e acendiam a luz para dizer quando era de dia e quando era de noite. \u00c0 noite, faziam fogueira e dormiam, de dia and\u00e1vamos.<\/p>\n<p>Johnne cozinhava carne noite e dia; arrumou seu cantinho no fundo da tenda e nem quis saber da fogueira. Numa das noites, juntei todo mundo na tenda para ler a hist\u00f3ria do Camelo Melquior, que era um livro que Everton achou na estante da sala e trouxe s\u00f3 porque era do deserto. O dia passou r\u00e1pido, fizemos muitas coisas. No final da manh\u00e3, S\u00f4nia sentou-se com as crian\u00e7as para registrar as aventuras no di\u00e1rio de bordo da viagem.<\/p>\n<div id=\"attachment_3394\" style=\"width: 207px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3394\" class=\"size-full wp-image-3394\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/tempo3.jpg\" alt=\"tempo3.jpg\" width=\"197\" height=\"263\" \/><p id=\"caption-attachment-3394\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o da revista O Correio da UNESCO. Ed. Brasileira. Ano1 \u2013 n\u00ba 1 \u2013 jan 1973<\/p><\/div>\n<p><strong>Escritos e desenhos<\/strong><br \/>\nNa semana seguinte, S\u00f4nia apresentou ao grupo os volumes da enciclop\u00e9dia que j\u00e1 havia separado. Rose, a coordenadora, j\u00e1 tinha me contado que estava animada com o interesse das crian\u00e7as, que est\u00e3o adorando estudar os bichos, que sabem muitas coisas. Sempre que ela entra na sala, algu\u00e9m a chama para mostrar alguma coisa do livro sobre os bichos do deserto que a sala est\u00e1 montando, com todos os textos coletivos e desenhos pesquisados pela turma.<\/p>\n<p>No in\u00edcio foi dif\u00edcil escrever um texto informativo bem interessante: esse trabalho exigiu circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, discuss\u00e3o, reelabora\u00e7\u00e3o e transposi\u00e7\u00e3o para a escrita. Com isso, as crian\u00e7as aprenderam muito sobre os processos da escrita, seus usos e fun\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o dev\u00edamos pensar na escrita como \u00fanica forma de registro das crian\u00e7as: era preciso tamb\u00e9m explorar as possibilidades do desenho. Por isso iniciamos uma s\u00e9rie de desenhos de observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cada mesa ganhou um xerox colorido e ampliado da foto do bicho que tinha de desenhar. Esse foi o material de consulta. \u00c9 bem interessante notar o esfor\u00e7o das crian\u00e7as para figurar o tal bicho, principalmente das crian\u00e7as que ainda garatujam, como \u00e9 o caso do Wesley, Johnne e Let\u00edcia. Depois de socializar todos os detalhes, propus que cada crian\u00e7a desenhasse seu pr\u00f3prio camelo numa cartolina. Depois recortaram, e eu e S\u00f4nia ajudamos a colocar encaixes inferiores para que os camelos ficassem de p\u00e9. Eles fariam parte da maquete do deserto, resultado de um estudo cient\u00edfico, mas tamb\u00e9m um brinquedo divertido.<\/p>\n<p><strong>Moradias do deserto<\/strong><br \/>\nOutro assunto que despertou a curiosidade do grupo foi a moradia. Levei para a roda um material que permitia \u00e0s crian\u00e7as observar tipos de casa que existem no mundo inteiro. Marquei p\u00e1ginas da enciclop\u00e9dia que eles t\u00eam na sala e conversamos sobre isso. Mostrei castelos medievais, pal\u00e1cios orientais, casas parecidas com as deles, casas inglesas de tr\u00eas andares. Por fim, perguntei se dava para morar em cima da \u00e1gua, e isso gerou uma conversa interessante:<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, molha \u2013 disse Bruno.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o, o tubar\u00e3o pega \u2013 completou Elivelton.<br \/>\n\u2013 \u00c9, o tubar\u00e3o e a baleia \u2013 concordou Johnne.<br \/>\n\u2013 Mas e se eu quisesse fazer uma casa em cima da \u00e1gua, poderia. Como tem que fazer, d\u00e1 para fazer de bloco como a de voc\u00eas?<br \/>\n\u2013 N\u00e3ao &#8230; afunda \u2013 disse Bruno.<br \/>\n\u2013 Papel \u2013 sugeriu Alessandro.<br \/>\n\u2013 Molha \u2013 contestou Bruno.<br \/>\n\u2013 O tubar\u00e3o pega, ele come a casa toda \u2013 falou Hallan.<br \/>\n\u2013 J\u00e1 sei. Tem que colocar pedra dura na frente porque a\u00ed quando o tubar\u00e3o vem ele p\u00e1aa, bate e morre \u2013 explicou Johnne.<br \/>\n\u2013 Mas ser\u00e1 que a pedra n\u00e3o afunda na \u00e1gua?<br \/>\n\u2013 Mas o tubar\u00e3o morre&#8230;<\/p>\n<p>Bruno estranhava, achando muito improv\u00e1vel tudo o que os amigos diziam. Quando mostrei as ilustra\u00e7\u00f5es das palafitas, avan\u00e7aram para o centro da roda. Bruno ainda inconformado acrescentou:<\/p>\n<p>\u2013 Eu n\u00e3o quero morar na \u00e1gua n\u00e3o.<br \/>\n\u2013 Olha, o homem pescando.<br \/>\n\u2013 Ele vai de barco.<br \/>\n\u2013 Roupa pendurada&#8230;<br \/>\n\u2013 Se o tubar\u00e3o vier aqui ele acaba com essas casas?<br \/>\n\u2013 N\u00e3o, olha o port\u00e3o \u2013 disse Let\u00edcia apontando para uma cerca de troncos \u00e0 frente das palafitas.<br \/>\n\u2013 Pessoal, aqui n\u00e3o \u00e9 muito fundo, tubar\u00e3o n\u00e3o vive aqui, s\u00f3 no alto mar. Vejam no livro depois&#8230;E agora, pessoal, como s\u00e3o as casas do deserto? A gente podia escrever sobre elas no nosso livro. O que podemos dizer sobre elas? Como elas s\u00e3o, o que precisa para fazer?<br \/>\n\u2013 De pano.<br \/>\n\u2013 Mas todas as casas do deserto s\u00e3o de pano?<br \/>\n\u2013 \u00c9, cabana, com pano, cobertor&#8230;<br \/>\n\u2013 E como faz?<br \/>\n\u2013 Tem que primeiro fazer um quadrado assim no ch\u00e3o, depois pega um papel e faz um desenho assim, a\u00ed p\u00f5e ferro e vai colocando os blocos \u2013 diz Johnne, que provavelmente tem um pai pedreiro.<br \/>\n\u2013 No deserto tamb\u00e9m faz assim, Johnne?<br \/>\n\u2013 \u00c9, mas p\u00f5e pano.<\/p>\n<div id=\"attachment_3395\" style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3395\" class=\"size-full wp-image-3395\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo1.jpg\" alt=\"avisala_26_tempo1.jpg\" width=\"337\" height=\"295\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo1.jpg 337w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo1-300x262.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 337px) 100vw, 337px\" \/><p id=\"caption-attachment-3395\" class=\"wp-caption-text\">Produ\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as do Centro de Educa\u00e7\u00e3o Infantil Meu Abacateiro<\/p><\/div>\n<p><strong>Faz-de-conta que era assim <\/strong><br \/>\nNum dos encontros, surgiu o desafio de arrumar um jeito para se salvar do escorpi\u00e3o. Muitos apelaram para o uso de espingarda ou rev\u00f3lver:<br \/>\n\u2013 Mas Hallan, e se o escorpi\u00e3o vier de noite, enquanto voc\u00ea estiver dormindo?<br \/>\n\u2013 Eu acordo.<br \/>\n\u2013 E se voc\u00ea n\u00e3o acordar?<br \/>\n\u2013 Eu mato para ele \u2013 disse Alessandro.<br \/>\n\u2013 E como voc\u00ea mata?<br \/>\n\u2013 Dou uma pedrada na cabe\u00e7a dele.<br \/>\n\u2013 Mas voc\u00eas j\u00e1 viram como \u00e9 um escorpi\u00e3o? Sabe o que ele faz?<br \/>\n\u2013 \u00c9 um bicho. Come a gente.<br \/>\n\u2013 Ent\u00e3o \u00e9 melhor a gente estudar esse bicho para achar um bom jeito de acabar com ele.<\/p>\n<p>Para cada cabana dei a ilustra\u00e7\u00e3o, colorida e ampliada para que ficassem observando. Eles ficaram superencantados com o bicho. Tenho certeza que a qualidade da informa\u00e7\u00e3o visual enriquece muito a pesquisa que eles j\u00e1 conseguem fazer. Se quisermos que as crian\u00e7as apreendam a maior quantidade poss\u00edvel de informa\u00e7\u00f5es, temos de cuidar para que a ilustra\u00e7\u00e3o seja rica o suficiente para que eles possam dar conta desta pesquisa.<\/p>\n<p>Depois da brincadeira, voltamos para a sala e cada crian\u00e7a desenhou seu escorpi\u00e3o, partindo da observa\u00e7\u00e3o da figura que tinham \u00e0 mesa. Percebi nessa garatuja uma qualidade diferente das que costumeiramente produzem. Em ambas, ficou registrado aquilo que mais aparecia na figura: as pernas do bicho.<\/p>\n<p><strong>Na tela com Lawrence na Ar\u00e1bia<\/strong><br \/>\nL\u00e1 pelas tantas, Sonia e eu levamos as crian\u00e7as para assistirem a um filme que trouxesse imagens do deserto. Naquela \u00e9poca, n\u00e3o t\u00ednhamos v\u00eddeo na creche, foi necess\u00e1rio lev\u00e1-las at\u00e9 a sede da igreja. Assim, a professora Sonia, Claudia, uma outra educadora da creche e eu, nos organizamos para sair. Sonia andava na frente, confiante, com algumas crian\u00e7as segurando pelas m\u00e3os. Claudia, mais preocupada, tentou organizar uma fila, o que se mostrou totalmente desnecess\u00e1rio: as ruas da favela s\u00e3o familiares, muitas crian\u00e7as j\u00e1 estavam bem acostumadas ao percurso porque usavam aquele caminho para chegar de casa at\u00e9 a creche. Al\u00e9m disso, as ruas eram muito estreitas, portanto n\u00e3o ofereciam riscos.<\/p>\n<p>Assim, mais soltos, andando at\u00e9 bem depois das vielas, pontes, ruas, quintais, chegamos \u00e0 par\u00f3quia, onde encontramos uma TV t\u00e3o grande para os pequenos, que mais parecia uma tela de cinema. Arrumado o lugar da plat\u00e9ia, conversamos sobre o filme Lawrence na Ar\u00e1bia. Mostrei a capa, falei sobre os atores, recolhemos as primeiras impress\u00f5es, expectativas. Por fim, combinei que ver\u00edamos s\u00f3 algumas partes porque o filme era muito longo. Escolhi trechos que traziam muitas informa\u00e7\u00f5es sobre o que estud\u00e1vamos, mas que tamb\u00e9m contribu\u00edam para o entendimento da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as mostraram-se muito atentas e identificaram nas imagens muitas coisas que j\u00e1 t\u00ednhamos lido nos livros, principalmente sobre a vestimenta dos bedu\u00ednos. Logo no in\u00edcio, uma cena mostra o amanhecer no deserto ao som de uma m\u00fasica maravilhosa. Wilton comentou:<\/p>\n<p>\u2013 Ai, que medo!<\/p>\n<p>J\u00e1 Johnne e Hallan se admiraram:<\/p>\n<p>\u2013 Olha, que bonito.<br \/>\n\u2013 Solz\u00e3o!<\/p>\n<p>Foi emocionante. Tamb\u00e9m adoraram a cena do eco que Lawrence provoca no meio das montanhas, vibraram com a areia movedi\u00e7a, a tempestade nas dunas, tanta coisa! Fomos conversando ao longo do filme. Eu ia fazendo perguntas, chamando aten\u00e7\u00e3o para algumas coisas, mas nos momentos de maior tens\u00e3o, ou quando tocava a m\u00fasica, eles me deixavam falando sozinha, de t\u00e3o envolvidos que estavam com as imagens. Outras vezes falavam alto para chamar a aten\u00e7\u00e3o dos amigos, conversavam entre si. Tudo isso era ind\u00edcio de que estavam aproveitando.<\/p>\n<p>O filme acabou bem tarde, est\u00e1vamos atrasados para o almo\u00e7o e tivemos de voltar para a creche. Pedi a Sonia que resgatasse com o grupo as coisas que vimos, que eles registrassem as informa\u00e7\u00f5es novas e que nas pr\u00f3ximas brincadeiras de cabana oferec\u00eassemos panos e outros materiais para que pudessem se produzir como o Lawrence na Ar\u00e1bia.<\/p>\n<p>Tr\u00eas meses depois de muito brincar e aprender, fechamos as malas e o di\u00e1rio de bordo, nosso livro do deserto, que terminou ricamente ilustrado pelos desenhos de observa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as de todo o grupo. Durante muito tempo esse cen\u00e1rio foi uma refer\u00eancia para as crian\u00e7as, at\u00e9 que outros projetos chegaram, outros assuntos passaram a ocupar o centro da roda e as crian\u00e7as partiram para novas viagens<\/p>\n<p>(Silvana Augusto, professora de Filosofia e formadora do Instituto Avisa L\u00e1)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Maria-Vai-Com-As-Outras, Sylvia Orthof. Ed. \u00c1tica.<br \/>\n<sup>2<\/sup>O Casamento da Princesa Nuriar \u2013 Cole\u00e7\u00e3o 1001 noites, Eunice Braido. Ed. FTD.<\/p>\n<div id=\"attachment_3396\" style=\"width: 311px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3396\" class=\"size-full wp-image-3396\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo8.jpg\" alt=\"avisala_26_tempo8.jpg\" width=\"301\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo8.jpg 301w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo8-300x167.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 301px) 100vw, 301px\" \/><p id=\"caption-attachment-3396\" class=\"wp-caption-text\">As burcas<\/p><\/div>\n<h4>Hora do conto<\/h4>\n<p>Para cercar o imagin\u00e1rio sobre o deserto, selecionamos algumas hist\u00f3rias para os momentos da roda. Iniciamos pelo conto cl\u00e1ssico da Princesa Nuriar e a disputa dos noivos para o casamento. Engra\u00e7ado como as crian\u00e7as esperaram o final feliz dos contos de fadas, no qual o bem sempre vence o mal. Aqui, \u00e9 sempre a esperteza e a fortuna que determinam os destinos dos personagens. As crian\u00e7as ficaram incomodadas com o final do conto, como se alguma coisa estivesse errada. Imaginei que se elas pudessem ditar essa hist\u00f3ria, seriam tentadas a alterar o final, deixando-o o mais parecido com o \u201cfelizes para sempre\u201d, cl\u00e1ssico de outros contos, mais familiar ao grupo.<\/p>\n<h4>As muitas vers\u00f5es do livro das Mil e uma Noites<\/h4>\n<p>As f\u00e1bulas de Shehrazad est\u00e3o no Livro das Mil e Uma Noites, que chegou ao mundo ocidental h\u00e1 300 anos e, agora, pela primeira vez, foi traduzido diretamente dos originais \u00e1rabes para o portugu\u00eas, pelo professor de L\u00edngua e Literatura \u00e1rabes, Mamed Mustafa Jarouche, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). At\u00e9 ent\u00e3o, os muitos exemplares que chegaram ao Brasil eram traduzidos do franc\u00eas. H\u00e1 muitas edi\u00e7\u00f5es do Livro das Mil e Uma Noites no Brasil.<\/p>\n<p>Em 1882, Carlos Jansen traduziu do alem\u00e3o Contos Seletos das Mil e Uma Noites. Desde ent\u00e3o, surgiram diversas edi\u00e7\u00f5es relacionadas ao livro. Isso sem falar nos livros infantis e desenhos animados. Mas a obra nunca havia sido traduzida diretamente do \u00e1rabe. A maioria dos textos tem como base a edi\u00e7\u00e3o do franc\u00eas Antoine Galland, que viveu entre 1646 e 1715 e incorporou ao livro contos famosos como os de Sinbad e Aladim, mas que n\u00e3o fazem parte da hist\u00f3ria original. Al\u00e9m disso, Galland adaptou os enredos aos costumes ocidentais da \u00e9poca, como o h\u00e1bito de tomar caf\u00e9.<\/p>\n<p>Para fazer a tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas, Jarouche pesquisou, durante cinco anos, manuscritos na Europa e no Oriente M\u00e9dio. Consultou tr\u00eas volumes do texto \u00e1rabe da Biblioteca Nacional de Paris e, como a leitura era bastante dif\u00edcil devido a dialetos que n\u00e3o existem mais, aconteceram muitos erros de c\u00f3pia, borr\u00e3o e deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>(Livro das Mil e Uma Noites. Vols. I e II, traduzido do \u00e1rabe por Mamede Mustaf\u00e1 Jarouche. Ed. Globo. Tel.: (11) 3362-2000. Site: www.editoraglobo.globo.com)<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3397\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo5.jpg\" alt=\"avisala_26_tempo5\" width=\"199\" height=\"265\" \/><\/p>\n<h4>Mil e uma leituras<\/h4>\n<p>Nas rodas de \u201cestudos\u201d, propunha a leitura de um texto informativo e a leitura de imagens. Em geral, esta vinha em primeiro lugar, dando ocasi\u00e3o para as descri\u00e7\u00f5es, para as conversas, suscitando d\u00favidas que seriam respondidas com o apoio do texto que ent\u00e3o era lido. Eu lia apenas a parte selecionada e as legendas das fotos, para enriquecer a pesquisa visual que as crian\u00e7as conseguiam fazer sozinhas. Algumas perguntas eu mesma dirigia \u2013 com elas, pretendia chamar a aten\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as para algum detalhe muito espec\u00edfico do tipo: Como \u00e9 a cabe\u00e7a do camelo, Como s\u00e3o os olhos? Respondendo a essas perguntas, Luciano e Let\u00edcia rapidamente conseguiram informar aos amigos que:<\/p>\n<p>O camelo tem cabelo.<br \/>\n\u00c9, olha a franja.<br \/>\nO olho tem pelinhos&#8230;, (c\u00edlios).<\/p>\n<h4>Lawrence da Ar\u00e1bia<\/h4>\n<p>Lan\u00e7ado em 1962, Lawrence da Ar\u00e1bia recebeu 10 nomea\u00e7\u00f5es para o Oscar de 1963, ganhando sete estatuetas. O argumento do filme baseia-se na biografia de T.E. Lawrence (1888-1935), descrita no seu livro Sete Pilares da Sabedoria e explora a personalidade exc\u00eantrica e enigm\u00e1tica de Lawrence. Jovem tenente do Ex\u00e9rcito brit\u00e2nico, Lawrence estava no Cairo (Egito) durante a Primeira Guerra Mundial. Pede ent\u00e3o transfer\u00eancia para a pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, onde vem a ser oficial de liga\u00e7\u00e3o entre os rebeldes \u00e1rabes e o Ex\u00e9rcito brit\u00e2nico, aliados contra os turcos, que desejavam anexar ao seu Imp\u00e9rio Otomano a pen\u00ednsula Ar\u00e1bica. Lawrence, admirador confesso do deserto e do estilo de vida bedu\u00edno, oferece-se para ajudar os \u00e1rabes a se libertarem dos turcos.<\/p>\n<p>O filme mostra quatro epis\u00f3dios principais da vida de Lawrence durante a sua estada na Ar\u00e1bia: a conquista de Aqaba; o seu rapto e tortura pelos turcos em Deraa; o Massacre de Tafas, o fim do sonho \u00e1rabe de Damasco. Apesar de ser um filme com quase quatro horas de dura\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem nenhuma atriz. Todos os protagonistas s\u00e3o do sexo masculino.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3398\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo4.jpg\" alt=\"avisala_26_tempo4\" width=\"313\" height=\"231\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo4.jpg 313w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo4-300x221.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 313px) 100vw, 313px\" \/><\/p>\n<h4>Viajando pelo deserto<\/h4>\n<p><strong>Tempo previsto:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>3 meses<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Faixa et\u00e1ria envolvida:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>3 a 4 anos<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Objetivos did\u00e1ticos:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Apresentar a diversidade de vida na natureza, a rela\u00e7\u00e3o do homem num ambiente natural espec\u00edfico, as estrat\u00e9gias para se adaptar ao meio e sobreviver.<\/li>\n<li>Mostrar outra forma de vida, outra cultura que habita o mesmo planeta.<\/li>\n<li>Introduzir o h\u00e1bito e gosto pela leitura de texto informativo, apresentando mais um portador de escrita: livros e revistas cient\u00edficas.<\/li>\n<li>Organizar jogo simb\u00f3lico como atividade di\u00e1ria.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Objetivos compartilhados:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Construir na sala da brinquedoteca tendas e maquetes, como os bedu\u00ednos no deserto, para brincar de faz-de-conta.<\/li>\n<li>Escrever um di\u00e1rio ilustrado apontando tudo o que sabem sobre o assunto.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><br \/>\nO que as crian\u00e7as podem aprender:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>A tomar contato com livros e enciclop\u00e9dias. Reconhecer nos livros uma fonte de informa\u00e7\u00f5es curiosas e interessantes, transformando a pesquisa e a leitura em parte do cotidiano.<\/li>\n<li>A usar uma fonte de informa\u00e7\u00e3o usando o recurso dispon\u00edvel em proveito de uma necessidade do grupo.<\/li>\n<li>A sistematizar conhecimentos adquiridos na pesquisa ou no jogo, percebendo que podem depois, a partir do di\u00e1rio, transmitir para outras pessoas o que j\u00e1 aprenderam na creche.<\/li>\n<li>A conhecer outro tipo de jogo simb\u00f3lico al\u00e9m das profiss\u00f5es e da maternagem.<\/li>\n<li>A brincar e responder \u00e0s dificuldades da brincadeira, sabendo a quem recorrer e como buscar informa\u00e7\u00f5es, perguntando, registrando, etc.<\/li>\n<li>A conhecer novas culturas, em especial a cultura n\u00f4made bedu\u00edna, sabendo sobre os lugares onde vivem, como se adaptam, se vestem, se locomovem, etc.<\/li>\n<li>A usar observa\u00e7\u00e3o para representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica com o m\u00e1ximo de detalhes poss\u00edvel.<\/li>\n<li>A perceber que o que est\u00e1 escrito no livro tem uma refer\u00eancia de realidade e que podem sistematizar conhecimentos partindo apenas da observa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>A observar e comparar estilos de vida t\u00e3o diferentes dentro do mesmo ambiente.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Roteiro de atividades:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Conversar na roda<\/strong>, a partir de um conto \u00e1rabe, para saber o que as crian\u00e7as pensam sobre o deserto, o que j\u00e1 ouviram falar.<\/li>\n<li><strong>Mostrar ilustra\u00e7\u00f5es<\/strong> de diferentes desertos, rochosos, arenosos e de cascalho, para da\u00ed tirar o que n\u00f3s vamos estudar: desertos \u00e1rabes.<\/li>\n<li><strong>Construir a casa do deserto<\/strong>. Para saber como \u00e9, \u00e9 preciso pesquisar. Observar nas revistas oferecidas na roda como s\u00e3o as casas dos bedu\u00ednos e bosqu\u00edmanos: Como s\u00e3o? Do que s\u00e3o feitas? Como s\u00e3o os m\u00f3veis? Onde sentam, onde dormem? Por que eles vivem em tendas? O que precisamos conseguir para montar uma na sala? Terminado esse levantamento, dividir tarefas para erguer a tenda.<\/li>\n<li>No final da atividade, sentar junto para contar uma hist\u00f3ria do deserto.<\/li>\n<li><strong>Criar pain\u00e9is decorativos<\/strong> usando folhas de papel grandes. Com tinta guache, repetir padr\u00f5es tribais para as mantas a partir da observa\u00e7\u00e3o das fotos apresentadas. Esses trabalhos v\u00e3o decorar o interior da tenda.<\/li>\n<li><strong>Fabricar acess\u00f3rios e roupas para brincar<\/strong>. Para come\u00e7ar, observar nas revistas oferecidas a maneira como os bedu\u00ednos se vestem, para fabricar as vestimentas do jogo. Por que eles se vestem assim? De que cores s\u00e3o os panos? Por que usam \u00f3culos? Os homens usam as mesmas roupas das mulheres? De que material precisamos para fazer uma roupa igual?<\/li>\n<li><strong>Pesquisar nos livros<\/strong> qual \u00e9 o meio de transporte usado no deserto. Quais s\u00e3o os tipos de camelo, caracteriz\u00e1-los. Saber por que eles s\u00e3o o meio de transporte mais importante. Confeccionar com cabos de vassoura e trapos um camelo para o jogo.<\/li>\n<li><strong>Propor um jogo de trilha do bedu\u00edno<\/strong>, simples, com um dado e sem obst\u00e1culo. Esse jogo pode e deve ser retomado durante a semana na atividade permanente de jogo.<\/li>\n<li><strong>Pesquisar outros tipos de camelo e lhamas<\/strong>, propor desenho de observa\u00e7\u00e3o para compor um painel de fundo.<\/li>\n<li><strong>Organizar uma visita ao zool\u00f3gico<\/strong> para enriquecer os estudos sobre o camelo.<\/li>\n<li><strong>Propor estudo sobre os escorpi\u00f5es<\/strong>, um dos maiores perigos do deserto. Observar um escorpi\u00e3o de verdade, preso num vidro, para extrair da\u00ed a maior quantidade de informa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, para confirmar ou enriquecer o que j\u00e1 viram no livro.<\/li>\n<li>Propor novo desenho de observa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Repetir a seq\u00fc\u00eancia de estudos<\/strong> e registro de observa\u00e7\u00e3o, agora sobre as aranhas.<\/li>\n<li><strong>Enriquecer a pesquisa dos bichos<\/strong> com a apresenta\u00e7\u00e3o de bichos mais esquisitos ainda, como, por exemplo, o peixe-da-areia.<\/li>\n<li><strong>Repensar o jogo de trilha<\/strong>, agora aumentando regras de acordo com os perigos que podem se apresentar ao homem do deserto, que \u00e9 o personagem do percurso: foi picado por um escorpi\u00e3o, espere uma jogada enquanto tira o veneno, por exemplo.<\/li>\n<li><strong>Propor um experimento com \u00e1gua<\/strong> para suscitar as especula\u00e7\u00f5es sobre evapora\u00e7\u00e3o e chuvas.<\/li>\n<li><strong>Enriquecer o trabalho mostrando um o\u00e1sis verdadeiro: Marroco<\/strong>s. Observar ilustra\u00e7\u00f5es e comentar o que v\u00eaem, comparar a vida no deserto e no o\u00e1sis.<\/li>\n<li><strong>Ouvir m\u00fasicas<\/strong>, comparar os tipos, as diferen\u00e7as, experimentar sons diferentes.<\/li>\n<li><strong>Experimentar t\u00e2maras e tahine<\/strong>. Pedir para o pessoal da cozinha ajudar com o preparo.<\/li>\n<li><strong>Fazer uma festa no final da viagem<\/strong>, convidar outras crian\u00e7as para brincar junto. Em outro dia, convidar outras pessoas da creche para ler o di\u00e1rio e aprender com eles como viajar pelo deserto vencendo todos os perigos e amea\u00e7as.<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"attachment_3399\" style=\"width: 313px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3399\" class=\"size-full wp-image-3399\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo7.jpg\" alt=\"avisala_26_tempo7.jpg\" width=\"303\" height=\"228\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo7.jpg 303w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo7-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 303px) 100vw, 303px\" \/><p id=\"caption-attachment-3399\" class=\"wp-caption-text\">Ensaios de portas de mesquita, tendas e camelo<\/p><\/div>\n<p>A cada etapa do trabalho, \u00e9 importante:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Concluir com um registro coletivo escrito e ilustrado no di\u00e1rio de viagem<\/strong> no deserto, deixando-o dispon\u00edvel para manuseio na sala. Nas rodas de conversa \u00e9 importante ler di\u00e1rios de viagem de outros aventureiros para melhorar a produ\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio.<\/li>\n<li><strong>Permitir que as crian\u00e7as brinquem de faz-de-conta no deserto<\/strong>. \u00c9 importante que a professora brinque junto e fa\u00e7a o jogo crescer, oferecendo a maior quantidade poss\u00edvel de informa\u00e7\u00e3o e problematiza\u00e7\u00e3o, sugerindo sempre uma pesquisa para resolver um problema, como nos seguintes exemplos: se o bedu\u00edno for picado por uma cobra ou um inseto, o que ele deve fazer? Como viver sem beber \u00e1gua? O que acontece? Desidrata? O que \u00e9 isso? Como resolver? Nesse caso, as crian\u00e7as podem entrevistar a profissional da \u00e1rea de Sa\u00fade para responder.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><br \/>\nMateriais necess\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Canetinha colorida<\/li>\n<li>L\u00e1pis preto 6B (grosso para desenho)<\/li>\n<li>Canetas pretas de ponta fina para desenho de precis\u00e3o<\/li>\n<li>100 folhas de papel sulfite<\/li>\n<li>5 folhas de papel cart\u00e3o<\/li>\n<li>Cola e tesoura<\/li>\n<li>Panos, cobertores, trapos para as tendas, tapetes e camelos<\/li>\n<li>Barbante e pregadores para armar a tenda<\/li>\n<li>Espelho e maquiagem para se fantasiar na tenda<\/li>\n<li>Material a ser estudado com as crian\u00e7as<\/li>\n<li>Material de estudo para a professora<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica<\/h4>\n<p><strong>Programa Capacitar Educadores<\/strong><br \/>\n<strong>Iniciativa:<\/strong> Instituto C&amp;A<br \/>\n<strong>Responsabilidade T\u00e9cnica:<\/strong> Instituto Avisa L\u00e1<br \/>\n<strong>Realiza\u00e7\u00e3o:<\/strong> CEI Meu Abacateiro &#8211; Rua Ana Maria, 36 \u2013 Jardim Ubirajara &#8211; S\u00e3o Paulo \u2013 SP. CEP: 04458-000 &#8211; Tel.: (11) 5614-3700 ceimeuabacateiro@yahoo.com.br<br \/>\n<strong>Formadora de apoio:<\/strong> Silvana Augusto<br \/>\n<strong>Equipe \u2013 Diretora:<\/strong> Regina Cardoso Guimar\u00e3es;<br \/>\n<strong>Coordenador pedag\u00f3gico:<\/strong> M\u00e1rio Augusto de Oliveira Machado;<br \/>\n<strong>Educadoras na \u00e9poca do projeto:<\/strong> Sonia Maria Boaventura da Silva e Rosemar da Silva Queiroz<\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>Livros:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Aladim e Outros Contos de as Mil e Uma Noites, Rosalind Kerven. Ed. Cia das Letrinhas. Tel.: (11) 3707-3500.<\/li>\n<li>O Casamento da Princesa Nuriar \u2013 Cole\u00e7\u00e3o 1001 Noites, Eunice Braido. Ed. FTD. Tel.: (11) 3253-5011.<\/li>\n<li>As Mil e Uma Noites \u2013 Cole\u00e7\u00e3o Reencontro, Julieta de Godoy Ladeira. Ed. Scipione. Tel.: (11) 3990-1778.<\/li>\n<li>Atlas Visual \u2013 Plantas, Ed. \u00c1tica. Tel.: (11) 3990-2100.<\/li>\n<li>Contos \u00c1rabes, Jamir Almansur Haddad. Ed. Ediouro. Tel.: (21) 3882-8200.<\/li>\n<li>Maria-Vai-Com-As-Outras, Sylvia Orthof. Ed. \u00c1tica. Tel.: (11) 3990-2100.<\/li>\n<li>Os Sete Pilares da Sabedoria, Thomas Edward Lawrence. Ed. Record. Tel.: (11) 3286-0802.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Revistas:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Revista Caminhos da Terra \u2013 http:\/\/www2.uol.com.br\/caminhosdaterra\/index.shtml<\/li>\n<li>Revista National Geographic \u2013 http:\/\/nationalgeographic.abril.com.br<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Filmes:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Lawrence da Ar\u00e1bia. Dire\u00e7\u00e3o: David Lean. Dispon\u00edvel nas locadoras.<\/li>\n<li>V\u00eddeos da s\u00e9rie National Geographic. Dispon\u00edvel nas locadoras.<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"attachment_3400\" style=\"width: 234px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3400\" class=\"size-full wp-image-3400\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_26_tempo6.jpg\" alt=\"avisala_26_tempo6.jpg\" width=\"224\" height=\"158\" \/><p id=\"caption-attachment-3400\" class=\"wp-caption-text\">O camelo<\/p><\/div>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partir do interesse das crian\u00e7as por animais, a formadora de apoio, Silvana Augusto, prop\u00f4s uma viagem por um mundo diferente: o deserto. Durante tr\u00eas meses, as crian\u00e7as do Centro de Educa\u00e7\u00e3o Infantil Meu Abacateiro, na capital paulista, pesquisaram, desenharam, escreveram, brincaram e aprenderam sobre a rela\u00e7\u00e3o dos animais, vida humana e meio ambiente. Por Silvana Augusto<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":3359,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[387,34],"tags":[1107,690,246,689,692,501,109,691,214,53],"class_list":{"0":"post-3389","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-26","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2006","10":"tag-arabia","11":"tag-conhecimento","12":"tag-deserto","13":"tag-estudo","14":"tag-geografia","15":"tag-historia","16":"tag-oriente-medio","17":"tag-pesquisa","18":"tag-silvana-augusto","20":"post-with-thumbnail","21":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3389"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3389\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}