{"id":3128,"date":"2005-07-18T20:40:55","date_gmt":"2005-07-18T23:40:55","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=3128"},"modified":"2023-03-27T18:02:13","modified_gmt":"2023-03-27T21:02:13","slug":"homens-das-cavernas-uma-viagem-no-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/homens-das-cavernas-uma-viagem-no-tempo\/","title":{"rendered":"Homens das cavernas: uma viagem no tempo"},"content":{"rendered":"<h5>Crian\u00e7as de 4 a 5 anos recriam a seu modo, e com as informa\u00e7\u00f5es de que disp\u00f5em, um ambiente pr\u00e9-hist\u00f3rico. Felizes, encenam atos para compor um filme de v\u00eddeo a ser apresentado aos pais<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3132\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/tempo14.jpg\" alt=\"tempo14\" width=\"334\" height=\"159\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/tempo14.jpg 334w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/tempo14-300x142.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 334px) 100vw, 334px\" \/><\/p>\n<p>Logo nos primeiros dias ap\u00f3s as f\u00e9rias, as crian\u00e7as me questionaram sobre o que ir\u00edamos \u201cestudar\u201d: \u201cAndr\u00e9a, de tarde a Rosane disse que a gente vai estudar o Jap\u00e3o. E de manh\u00e3, o que a gente vai estudar?\u201d. Retomei com eles a proposta firmada no semestre anterior de produzirmos uma fita de v\u00eddeo sobre os homens das cavernas. Para tanto, precisar\u00edamos saber mais sobre o assunto e este seria, portanto, nosso projeto de estudo. Imediatamente uma crian\u00e7a protestou: \u201cMas a gente j\u00e1 estudou isso! A gente leu o livro do Rupi!\u201d.<\/p>\n<p>Eu concordei com o protesto, mas disse que durante as f\u00e9rias a escola adquirira v\u00e1rios livros novos superinteressantes que mostravam muito mais coisas do que a gente havia visto. Curiosos e interessados que s\u00e3o, empolgaram-se com a not\u00edcia e disseram: \u201cVoc\u00ea traz amanh\u00e3 pra gente ver?\u201d.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nA fim de retomar com as crian\u00e7as que j\u00e1 eram do grupo no primeiro semestre e cativar os novos integrantes para o assunto, reli o livro Rupi, O Menino das Cavernas, de Timothy Bush. Ouviram e vibraram com o mesmo entusiasmo da primeira vez.<\/p>\n<div id=\"attachment_3133\" style=\"width: 212px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3133\" class=\"size-full wp-image-3133\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo16.jpg\" alt=\"avisala_23_tempo16.jpg\" width=\"202\" height=\"273\" \/><p id=\"caption-attachment-3133\" class=\"wp-caption-text\">Povos primitivos usando roupas de peles de animais<\/p><\/div>\n<p>Iniciamos o projeto a partir desta leitura, da observa\u00e7\u00e3o das imagens dos livros que levei para a sala e do levantamento sobre o que j\u00e1 sabiam a respeito dos povos pr\u00e9-hist\u00f3ricos. Neste momento inicial o objetivo era despertar o interesse e a curiosidade do grupo e, tamb\u00e9m, que eles pensassem sobre o assunto, observassem as imagens e formulassem perguntas, imaginando e defendendo hip\u00f3teses. Esse foi o resultado:<\/p>\n<p>Profa: O que j\u00e1 aprendemos sobre os homens das cavernas?<br \/>\nCrian\u00e7a: Que eles tinham que ca\u00e7ar bichos para comer.<br \/>\nProfa: Por qu\u00ea?<br \/>\nCrian\u00e7a: Porque eles n\u00e3o tinham dinheiro para comprar.<br \/>\nCrian\u00e7a: Eles usavam roupas de peles de animais.<br \/>\nCrian\u00e7a: Porque eles gostavam!<br \/>\nCrian\u00e7a: Pra ficar bonito.<br \/>\nCrian\u00e7a: Eles n\u00e3o sabiam fazer vestido, cal\u00e7a, meia, roupas assim.<br \/>\nCrian\u00e7a: Eles faziam desenhos nas cavernas.<br \/>\nCrian\u00e7a: Eles moram nas cavernas.<br \/>\nProfa: Eles ainda moram l\u00e1?<br \/>\nCrian\u00e7a: N\u00e3o, eles n\u00e3o existem mais!<br \/>\nCrian\u00e7a: Existe sim!<br \/>\nProfa: Existem ou n\u00e3o existem?<br \/>\nCrian\u00e7a: N\u00e3o existe, eles viraram pessoas!<br \/>\nProfa: Como voc\u00ea ficou sabendo disso?<br \/>\nCrian\u00e7a: \u00c9 verdade, foi a minha m\u00e3e que me contou, eles foram morrendo e virando pessoas.<br \/>\nCrian\u00e7a: \u00c9 verdade Andr\u00e9a?<br \/>\nCrian\u00e7a: Como assim, professora?<br \/>\nCrian\u00e7a: A sua m\u00e3e j\u00e1 estudou isso?<br \/>\nProfa: O que voc\u00eas acham disso?<br \/>\nCrian\u00e7a: (sil\u00eancio)<\/p>\n<p>Esta conversa e a controv\u00e9rsia de opini\u00f5es gerou uma quest\u00e3o intrigante que se tornou o ponto de partida para o nosso trabalho de pesquisa. O grupo ficou visivelmente surpreso com a coloca\u00e7\u00e3o do amigo e, naquele momento, n\u00e3o quiseram lan\u00e7ar hip\u00f3teses sobre o assunto. Eu sugeri que pens\u00e1ssemos sobre aquilo e retorn\u00e1ssemos a conversa em um outro dia.<\/p>\n<p>Meu objetivo com o estudo sobre os homens das cavernas era o de exercitar com as crian\u00e7as um olhar sobre a cultura de um povo diferente, inserida em um contexto hist\u00f3rico e social espec\u00edfico. Como n\u00e3o haviam formulado hip\u00f3teses a respeito da coloca\u00e7\u00e3o do colega, eu levei para a roda de conversa a figura de um homin\u00eddeo j\u00e1 observada por eles, para que servisse como um disparador de id\u00e9ias.<\/p>\n<div id=\"attachment_3134\" style=\"width: 255px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3134\" class=\"size-full wp-image-3134\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo18.jpg\" alt=\"avisala_23_tempo18.jpg\" width=\"245\" height=\"280\" \/><p id=\"caption-attachment-3134\" class=\"wp-caption-text\">primeira vis\u00e3o do fogo<\/p><\/div>\n<p>Mostrei, ent\u00e3o, o livro Povos Primitivos, no qual se encontra tal figura, na tentativa de ajudar o grupo a resolver a quest\u00e3o colocada anteriormente. Em seguida, perguntei para as crian\u00e7as o que parecia aquilo. As hip\u00f3teses foram:<\/p>\n<p>Crian\u00e7a 1: Acho que \u00e9 um homem que tomou uma po\u00e7\u00e3o e ficou assim. (todos riram) Crian\u00e7a 2: Eu acho que ele comeu alguma coisa que n\u00e3o podia comer e tomou alguma coisa que n\u00e3o podia tomar.<br \/>\nCrian\u00e7a 3: Ele tomou feiti\u00e7o.<br \/>\nCrian\u00e7a 4: A bruxa foi na caverna dele, deu uma po\u00e7\u00e3o e ele virou isso.<br \/>\nCrian\u00e7a 5: O vampiro foi l\u00e1 e deu um feiti\u00e7o.<br \/>\nCrian\u00e7a 6: Eu acho que \u00e9 s\u00f3 uma fantasia.<br \/>\nCrian\u00e7a 2: Ele est\u00e1 parecendo um macaco, porque antes de ser homem da caverna ele era macaco, a minha m\u00e3e que me disse!<\/p>\n<p>As hip\u00f3teses foram divertidas e apresentaram um pensamento caracter\u00edstico da faixa et\u00e1ria, que n\u00e3o separa o racioc\u00ednio da imagina\u00e7\u00e3o. Em meio a estas hip\u00f3teses surgiu uma que, mais uma vez, causou espanto: \u201cAntes de ser homem da caverna ele era macaco\u201d.<\/p>\n<p>Crian\u00e7a: O que ele disse?<br \/>\nCrian\u00e7a: \u00c9 verdade, professora?<\/p>\n<p>Para responder \u00e0 quest\u00e3o pesquisamos em um CD-ROM e em livros que apresentavam a Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o<sup>1<\/sup>, de Darwin<sup>2<\/sup>, com ilustra\u00e7\u00f5es sobre a escala de evolu\u00e7\u00e3o humana. Enquanto eu lia para o grupo o que os livros e o CD-ROM continham, surgiu uma avalanche de quest\u00f5es como: \u201cO nen\u00ea dos homens das cavernas eram macacos?\u201d, \u201cA gente j\u00e1 foi homem da caverna?\u201d, \u201cPor que ele anda abaixado?\u201d, \u201cPor que ele est\u00e1 sujo, ele n\u00e3o tomava banho?\u201d, \u201cExistia crian\u00e7a da caverna? E mulher da caverna?\u201d, \u201cDo que as crian\u00e7as brincavam?\u201d.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que percebi que o homem da caverna ganhara um novo significado para eles. A teoria da evolu\u00e7\u00e3o pareceu fazer sentido para a maioria das crian\u00e7as. Nas brincadeiras de jogo simb\u00f3lico pude perceber a naturalidade com que lidavam com esta quest\u00e3o. Certo dia, enquanto brincavam na \u201ccaverna\u201d (uma caixa de papel\u00e3o ambientada com pinturas rupestres), presenciei a conversa de algumas crian\u00e7as dizendo:<\/p>\n<p>Crian\u00e7a 1: Eu vou ser um macaquinho nen\u00ea, eu ainda n\u00e3o tinha virado homem da caverna.<br \/>\nCrian\u00e7a 2: Ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o pode morar aqui na caverna.<br \/>\nCrian\u00e7a 1: T\u00e1 bom, ent\u00e3o eu j\u00e1 morri e nasci nen\u00ea da caverna.<\/p>\n<div id=\"attachment_3138\" style=\"width: 515px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3138\" class=\"size-full wp-image-3138\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo12.jpg\" alt=\"Exposi\u00e7\u00e3o das casas e figurinos pr\u00e9-hist\u00f3ricos\" width=\"505\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo12.jpg 505w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo12-300x226.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 505px) 100vw, 505px\" \/><p id=\"caption-attachment-3138\" class=\"wp-caption-text\">Exposi\u00e7\u00e3o das casas e figurinos pr\u00e9-hist\u00f3ricos<\/p><\/div>\n<p><strong><br \/>\nPr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o do filme<\/strong><br \/>\nO projeto come\u00e7ou a ter mais vida e significado para eles quando iniciamos a discuss\u00e3o sobre a produ\u00e7\u00e3o do filme. Com todo o conhecimento que adquiriram enquanto apreciadores de filme e v\u00eddeos, listaram com facilidade o que precisar\u00edamos para realiz\u00e1-lo: fantasia de roupa, caverna, bichos de papel, m\u00fasica do bem contra o mal, escolher quem vai ser do bem e quem vai ser do mal e a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Foi durante a cria\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, a organiza\u00e7\u00e3o do roteiro, a confec\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio e das fantasias que surgiram novas quest\u00f5es e que foram sendo pesquisadas no decorrer do trabalho. Ao nos defrontarmos com a teoria da evolu\u00e7\u00e3o est\u00e1vamos diante de diversos grupos de homin\u00eddeos primitivos.<\/p>\n<p>Portanto, precis\u00e1vamos descobrir quais deles eram habitantes das cavernas para que pud\u00e9ssemos pensar na caracteriza\u00e7\u00e3o e nas fantasias. Para isso, al\u00e9m das informa\u00e7\u00f5es dos livros, assistimos ao filme A Guerra do Fogo, que retrata e caracteriza v\u00e1rios grupos primitivos.<\/p>\n<p>O filme foi um material muito rico, ao qual nos reportamos diversas vezes durante o projeto. Outras quest\u00f5es chamaram a aten\u00e7\u00e3o do grupo, entre elas o dom\u00ednio do fogo, a postura, os h\u00e1bitos, os costumes, as vestimentas e o cen\u00e1rio da \u00e9poca.<\/p>\n<p>A paix\u00e3o do grupo por animais levou-nos a um trabalho de pesquisa mais intenso e rico. Al\u00e9m de pesquisarmos sobre os animais da \u00e9poca para definirmos quais contracenariam com os homens das cavernas, confeccionamos m\u00e1scaras e r\u00e9plicas com papel mach\u00ea, para as brincadeiras de jogo simb\u00f3lico. Fizemos, tamb\u00e9m, as fantasias dos animais escolhidos para o filme.<\/p>\n<div id=\"attachment_3135\" style=\"width: 381px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3135\" class=\"size-full wp-image-3135\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo17.jpg\" alt=\"avisala_23_tempo17.jpg\" width=\"371\" height=\"249\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo17.jpg 371w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo17-300x201.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 371px) 100vw, 371px\" \/><p id=\"caption-attachment-3135\" class=\"wp-caption-text\">M\u00e1scaras confeccionadas pelas crian\u00e7as<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m dos animais, outros temas foram pesquisados, como a constru\u00e7\u00e3o de objetos para a defesa e para a ca\u00e7a (armas), o dom\u00ednio do fogo, a moradia, a t\u00e9cnica e a mat\u00e9ria-prima das vestimentas. Estes assuntos geraram a confec\u00e7\u00e3o de um Jogo de Mem\u00f3ria Seriado. Neste jogo, eles deveriam encontrar e formar uma s\u00e9rie de cartas que revelava a transforma\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos do homem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 confec\u00e7\u00e3o e \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de algum desses temas como, por exemplo, a moradia.<\/p>\n<p>Enquanto estud\u00e1vamos a cultura dos homens das cavernas, eles iam identificando e relacionando o modo de vida desse povo ao modo de vida atual, o que \u00e9 interessante e natural. Procurei, na medida do poss\u00edvel, durante todo o trabalho de pesquisa, justificar tal cultura diante das necessidades de seu tempo hist\u00f3rico e espa\u00e7o geogr\u00e1fico, possibilitando um olhar menos etnoc\u00eantrico.<\/p>\n<p>Avalio que essa compara\u00e7\u00e3o foi positiva, pois no in\u00edcio do semestre, quando pergunt\u00e1vamos para as crian\u00e7as por que o homem da caverna confeccionava roupas com peles de animais, por exemplo, eles justificavam o h\u00e1bito pela falta de uma alternativa como a que eles t\u00eam hoje, isto \u00e9, dinheiro para comprar roupas. Ao final do projeto, em nossas conversas, as justificativas estavam mais contextualizadas. Diziam, por exemplo, que eles usavam roupas de peles para se aquecerem do frio.<\/p>\n<p>O projeto ofereceu elementos para que as crian\u00e7as pudessem conhecer e pensar sobre a exist\u00eancia de civiliza\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0 nossa. Pod\u00edamos ouvi-los perguntando ou dizendo, por exemplo:<\/p>\n<p>Crian\u00e7a: Homem da caverna n\u00e3o existe mais.<br \/>\nCrian\u00e7a: Quando existia homem da caverna n\u00e3o existia mais dinossauro.<br \/>\nCrian\u00e7a: No tempo dos homens das cavernas n\u00e3o existiam brinquedos?<br \/>\nCrian\u00e7a: Eles viveram h\u00e1 muito e muito tempo atr\u00e1s!<br \/>\nCrian\u00e7a: Naquele tempo era frio, Andr\u00e9a?<br \/>\n<strong><br \/>\nLuzes, c\u00e2mera, a\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nToda a pesquisa nos deu embasamento para a elabora\u00e7\u00e3o do filme e, quando j\u00e1 est\u00e1vamos com tudo preparado \u2013 fantasias, cen\u00e1rios e a hist\u00f3ria \u2013, tive contato com um profissional de cinema e v\u00eddeo que me apontou a necessidade de um storyboard. Trata-se de um roteiro com as cenas do filme, desenhadas quadro a quadro, para melhor organiza\u00e7\u00e3o dos momentos da filmagem. Levei esta informa\u00e7\u00e3o e o modelo de um storyboard para o grupo e montamos juntos o nosso.<\/p>\n<div id=\"attachment_3136\" style=\"width: 474px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3136\" class=\"size-full wp-image-3136\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo19.jpg\" alt=\"avisala_23_tempo19.jpg\" width=\"464\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo19.jpg 464w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo19-300x175.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 464px) 100vw, 464px\" \/><p id=\"caption-attachment-3136\" class=\"wp-caption-text\">Filmagens do enredo roteirizado pelas crian\u00e7as a partir do estudo sobre os homens das cavernas<\/p><\/div>\n<p>O dia da filmagem foi aguardado com muita ansiedade por todos, mas, o clima frio n\u00e3o colaborava e tivemos que adiar a grava\u00e7\u00e3o diversas vezes. As crian\u00e7as n\u00e3o se conformavam com o meu argumento de que n\u00e3o gravar\u00edamos por estar frio e me diziam: \u201cA gente est\u00e1 com calor!\u201d. No dia que tivemos sol e calor, eles entraram na sala dizendo: \u201cHoje vai dar pra fazer, n\u00e3o \u00e9?\u201d.<\/p>\n<p>Embora as crian\u00e7as, durante todo o projeto e, principalmente ap\u00f3s confeccionarmos os objetos para o filme, brincassem com o tema, procurando elaborar o que aprendiam, ap\u00f3s vestirem as fantasias e organizarem o cen\u00e1rio, tudo passou a ser, para eles, uma grande brincadeira de faz-de-conta, que agora parecia muito mais interessante.<\/p>\n<p>Num primeiro momento foi imposs\u00edvel conter as crian\u00e7as que, entusiasmadas, queriam brincar e participar de todas as cenas. Tive que me render a esta situa\u00e7\u00e3o, deixando que eles aproveitassem este momento e, neste primeiro dia, s\u00f3 conseguimos gravar algumas cenas do filme.<\/p>\n<p>As grava\u00e7\u00f5es se estenderam por mais tr\u00eas dias. Apesar de contar com a ajuda de outros profissionais da escola, n\u00e3o foi f\u00e1cil ser professora, diretora de cena e manipular a c\u00e2mera. Mas foi gratificante v\u00ea-los t\u00e3o envolvidos e felizes, trajados de homens, mulheres e animais pr\u00e9-hist\u00f3ricos, utilizando-se da imagina\u00e7\u00e3o quando brincavam e das informa\u00e7\u00f5es quando tinham que representar o conhecimento adquirido.<\/p>\n<p>Algumas situa\u00e7\u00f5es que aconteceram por tr\u00e1s da c\u00e2mera me chamavam a aten\u00e7\u00e3o para esta fus\u00e3o entre fantasia e realidade. Por exemplo, quando uma crian\u00e7a, em cena, disse que queria ir ao banheiro e outra lhe respondeu: \u201cAgora voc\u00ea n\u00e3o pode, porque no tempo dos homens das cavernas n\u00e3o existia privada\u201d.<\/p>\n<p>Vendo as crian\u00e7as brincarem e conversarem sobre o assunto estudado, desfruto de uma sensa\u00e7\u00e3o de orgulho e confian\u00e7a no trabalho. Acredito que, muito mais que ampliar o repert\u00f3rio de conhecimento de mundo social e natural, o projeto contribuiu para que eles constru\u00edssem uma vis\u00e3o de mundo mais ampla, integrada e relacional.<\/p>\n<p>(Andr\u00e9a Campidelli, Professora da Escola Criarte, em S\u00e3o Paulo)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Tamb\u00e9m chamada Evolucionismo, a Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o afirma que as esp\u00e9cies animais e vegetais existentes na Terra n\u00e3o s\u00e3o imut\u00e1veis, mas sofrem ao longo das gera\u00e7\u00f5es uma modifica\u00e7\u00e3o gradual, que inclui a forma\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as e esp\u00e9cies novas.<br \/>\n<sup>2<\/sup>Charles Darwin (1809\u20131882), naturalista ingl\u00eas.<\/p>\n<div id=\"attachment_3137\" style=\"width: 418px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3137\" class=\"size-full wp-image-3137\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo15.jpg\" alt=\"avisala_23_tempo15.jpg\" width=\"408\" height=\"303\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo15.jpg 408w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_23_tempo15-300x222.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><p id=\"caption-attachment-3137\" class=\"wp-caption-text\">A caixa de papel\u00e3o servia de caverna<\/p><\/div>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Escola Criarte<br \/>\nRua Vahia de Abreu, 696 \u2013 Vila Ol\u00edmpia \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP. CEP: 04549-003 Tel.: (11) 3842-7277. E-mail: criarte@criarte.com.br<br \/>\nProfessora: Andr\u00e9a Campidelli<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crian\u00e7as de 4 a 5 anos recriam a seu modo, e com as informa\u00e7\u00f5es de que disp\u00f5em, um ambiente pr\u00e9-hist\u00f3rico. Felizes, encenam atos para compor um filme de v\u00eddeo a ser apresentado aos pais. Por Andr\u00e9a Campidelli<\/p>\n","protected":false},"author":98,"featured_media":3096,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[384,34],"tags":[1106,650,229,651,109,214,647,537],"class_list":{"0":"post-3128","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-23","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2005","10":"tag-andrea-campidelli","11":"tag-ciencia","12":"tag-filme","13":"tag-historia","14":"tag-pesquisa","15":"tag-pre-historia","16":"tag-producao","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/98"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3128\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3096"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}