{"id":3089,"date":"2005-04-17T15:14:02","date_gmt":"2005-04-17T18:14:02","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=3089"},"modified":"2023-03-27T17:50:37","modified_gmt":"2023-03-27T20:50:37","slug":"o-que-fazer-apos-ler-uma-historia-para-as-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/reflexoes-do-professor\/o-que-fazer-apos-ler-uma-historia-para-as-criancas\/","title":{"rendered":"O que fazer ap\u00f3s ler uma hist\u00f3ria para as crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<h5>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o n\u00e3o resolvida para muitos professores. Parece que o ato de ler, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 suficiente como atividade em sala de aula. \u00c9 preciso sempre finalizar com um desenho. Acompanhe a reflex\u00e3o da formadora do instituto<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-3090\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_22_reflex1.jpg\" alt=\"avisala_22_reflex1\" width=\"419\" height=\"217\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_22_reflex1.jpg 419w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_22_reflex1-300x155.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 419px) 100vw, 419px\" \/><br \/>\nEssa \u00e9 uma quest\u00e3o que se repete nos v\u00e1rios grupos de forma\u00e7\u00e3o em que atuo. Ao trabalhar o conte\u00fado leitura pelo professor, esse assunto surge com freq\u00fc\u00eancia. Posso propor um desenho depois da leitura da hist\u00f3ria? Como formadora, meu primeiro movimento \u00e9 pontuar que essa nem sempre \u00e9 uma atividade adequada na seq\u00fc\u00eancia de uma leitura. Depois de algum tempo, observando a reincid\u00eancia deste assunto, me interessei em pesquisar quais os motivos que levam as professoras a propor esta atividade.<\/p>\n<p>Nas sondagens que fiz, conclu\u00ed que esta \u00e9 uma das propostas mais tradicionais na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, que repetida e associada ao trabalho com leitura de hist\u00f3rias ganhou o status de \u201cinquestion\u00e1vel\u201d. As perguntas feitas \u00e0s professoras \u201cPor que desenhar depois da leitura?\u201d e \u201cO que as crian\u00e7as aprendem nesta atividade?\u201d constantemente causam espanto geral. Afinal, sempre fizemos assim, s\u00e3o as respostas.<\/p>\n<p>Outras justificam o desenho pela necessidade da representa\u00e7\u00e3o do conte\u00fado, para o professor poder avaliar o que foi entendido pela crian\u00e7a, j\u00e1 que elas ainda n\u00e3o escrevem convencionalmente na Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Desenhando, podem mostrar o que apreenderam da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Quando desenhar n\u00e3o significa compreender<\/strong><br \/>\nO curioso \u00e9 que, apesar da expectativa das professoras de que o \u201cdesenho da hist\u00f3ria\u201d pode ser um indicador do n\u00edvel de compreens\u00e3o das crian\u00e7as, em geral se aceita qualquer produ\u00e7\u00e3o, desde que ela se remeta a algum elemento que fa\u00e7a refer\u00eancia \u00e0 hist\u00f3ria. \u00c9 o que podemos perceber nesta descri\u00e7\u00e3o:<br \/>\n<!--more--><br \/>\nA professora leu para o grupo a hist\u00f3ria do Gato de Botas, uma longa narrativa que descreve as v\u00e1rias aventuras do Gato e do seu dono. \u00c9 uma hist\u00f3ria com situa\u00e7\u00f5es que se repetem, com tarefas que o rei pede que o gato realize. Todas as a\u00e7\u00f5es est\u00e3o encadeadas ao encantamento sucessivo da princesa pelo dono do gato, at\u00e9 o final feliz. Depois da leitura, a professora conversou com o grupo sobre a hist\u00f3ria, retomou algumas seq\u00fc\u00eancias. Enfatizou o nome dos personagens e prop\u00f4s \u00e0s crian\u00e7as que desenhassem do seu jeito. Circulando pela sala, ela as parabeniza pelos desenhos, em geral uma \u00fanica imagem. Nas mesas, as crian\u00e7as, enquanto desenham, dizem: \u201cFiz uma bota.\u201d \u201cOlha o castelo!\u201d \u201cEsse gato \u00e9 bem grande e pret\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p>Que havia intera\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com a tarefa \u00e9 fato. Que elas estavam gostando de desenhar, tamb\u00e9m, mas o questionamento \u00e9 sobre o que esta atividade propiciou de aprendizagem sobre o universo da leitura ou mesmo da ilustra\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 que essa \u00e9 uma atividade que avalia o entendimento das crian\u00e7as a respeito de uma hist\u00f3ria lida pelo professor? \u00c9 poss\u00edvel recontar uma hist\u00f3ria inteira por meio de uma \u00fanica imagem? \u00c9 poss\u00edvel que um desenho da hist\u00f3ria ajude as crian\u00e7as a compreender melhor o que leram?<\/p>\n<p><strong>As delicadas rela\u00e7\u00f5es entre texto e ilustra\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nDo ponto de vista das Artes Pl\u00e1sticas desejar que as crian\u00e7as entendam ou interpretem uma hist\u00f3ria lida por meio do desenho significa querer que as crian\u00e7as organizem uma representa\u00e7\u00e3o seq\u00fcencial, com espa\u00e7os e tempos diferentes num \u00fanico quadro.<\/p>\n<p>Este seria um problema complexo, que exigiria uma s\u00e9rie de conhecimentos do universo da produ\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica. S\u00f3 para ilustrar. Os pintores da Idade M\u00e9dia se depararam com esse tipo de problema, j\u00e1 que para representar, por exemplo, a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, necessitavam de imagens, pois grande parte da popula\u00e7\u00e3o era analfabeta, o desenho era um meio para contar a hist\u00f3ria de Cristo. Para isso, a solu\u00e7\u00e3o encontrada foi a divis\u00e3o do quadro em cenas e a presen\u00e7a do mesmo personagem nas diferentes cenas.<\/p>\n<p>Outros artistas que enfrentam a mesma quest\u00e3o s\u00e3o os desenhistas das hist\u00f3rias em quadrinhos, que para contar uma hist\u00f3ria dividem a folha e usam os quadros numa determinada cronologia. Essa \u00e9, portanto, uma proposta extremamente complexa que requer uma grande instrumentaliza\u00e7\u00e3o e estudo para a sua realiza\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o uma atividade f\u00e1cil que o professor prop\u00f5e e deixa as crian\u00e7as fazerem por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Ao aceitar qualquer refer\u00eancia, como desenho da hist\u00f3ria, o professor deve saber que n\u00e3o est\u00e1 necessariamente contribuindo para desenvolver compet\u00eancias em artes ou maior compreens\u00e3o do conte\u00fado. Se do ponto de vista do desenho essa proposta n\u00e3o se sustenta, em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho com a leitura e a escrita tamb\u00e9m n\u00e3o. O desenho \u00e9 de um universo diferente daquele da escrita, tem uma rela\u00e7\u00e3o com a forma, com o sentido do objeto.<\/p>\n<p>A escrita segue uma conven\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e sua rela\u00e7\u00e3o com o desenho n\u00e3o \u00e9 simples. Para ilustrar um texto, o artista precisa seguir uma s\u00e9rie de etapas e consultas, pois trata-se de estabelecer um casamento entre duas linguagens diferentes. Cada ilustrador usa uma t\u00e9cnica diferente.<\/p>\n<p>Ilustrar \u00e9 pesquisar, buscar refer\u00eancias para que haja de fato uma integra\u00e7\u00e3o entre imagem e texto, muito al\u00e9m de desenhar algo referente ao conte\u00fado ou utilizar o desenho como uma forma de abrandar a aridez da escrita.<\/p>\n<p><strong>Contribuindo para desenvolver comportamentos leitores<\/strong><br \/>\nSe o objetivo do professor \u00e9 que a crian\u00e7a participe do universo letrado, encante-se com o mundo dos textos, o desenvolvimento de comportamentos leitores deve ser o prop\u00f3sito da a\u00e7\u00e3o did\u00e1tica ligada a leitura. Tudo pode come\u00e7ar com uma boa conversa sobre o que foi lido. Compartilhar a hist\u00f3ria, falar sobre as emo\u00e7\u00f5es que o texto proporcionou, o que fez rir e o que fez chorar, \u00e9 mais interessante para a forma\u00e7\u00e3o do comportamento leitor do que apenas fazer um desenho ap\u00f3s a leitura.<\/p>\n<p>Possibilitar que as crian\u00e7as fa\u00e7am diferentes interpreta\u00e7\u00f5es, expressem suas opini\u00f5es acerca do que foi lido, contribui para a autonomia de pensamento. Pode ser interessante tamb\u00e9m analisar o uso das express\u00f5es empregadas pelo escritor e se elas conseguiram \u201cabrilhantar\u201d o texto, encantando pela sonoridade e\/ou pelas descri\u00e7\u00f5es e forma de encadear as cenas.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que nada impede que um projeto que tenha a leitura como foco principal tamb\u00e9m planeje atividades ligadas a ilustra\u00e7\u00e3o. Se tudo for bem planejado, se for garantida a aprendizagen nas duas \u00e1reas, o resultado final ser\u00e1 compensador.<\/p>\n<p>(Denise Nalini, formadora do Instituto Avisa L\u00e1 e consultora da Clarab\u00f3ia Assessoria e Consultoria Ltda)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nada impede que um projeto que tenha a leitura como foco principal tamb\u00e9m planeje atividades ligadas a ilustra\u00e7\u00e3o. Se tudo for bem planejado, se for garantida a aprendizagen nas duas \u00e1reas, o resultado final ser\u00e1 compensador. 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