{"id":292,"date":"2000-01-14T18:05:02","date_gmt":"2000-01-14T20:05:02","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=292"},"modified":"2023-03-27T10:19:34","modified_gmt":"2023-03-27T13:19:34","slug":"vai-e-vem-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/vai-e-vem-poesia\/","title":{"rendered":"Vai e Vem Poesia"},"content":{"rendered":"<p>Poesia tem idade? A escola de Educa\u00e7\u00e3o Infantil Criarte1, em S\u00e3o Paulo, mostrou que poesia pode ser apreciada desde muito cedo. Conhe\u00e7a uma maneira de apresentar esse g\u00eanero para crian\u00e7as de 2 a 3 anos.<!--more--><\/p>\n<div id=\"attachment_306\" style=\"width: 217px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-306\" class=\"size-full wp-image-306\" title=\"avisala_02_tempopoesia1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_tempopoesia1.jpg\" alt=\"Desenho de crian\u00e7a\" width=\"207\" height=\"490\" \/><p id=\"caption-attachment-306\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Poesia \u00e9 voar fora das asas&#8221;<br \/>(Manoel de Barros, O Livro das Ignor\u00e3n\u00e7as)<\/p><\/div>\n<h5><strong>Grupo:<\/strong> minigrupo (2 a 3 anos)<\/h5>\n<p>\u00c2mbito de experi\u00eancia: Forma\u00e7\u00e3o pessoal e social e conhecimento de mundo.<\/p>\n<p><strong>Eixo de trabalho:<\/strong> Linguagem oral e escrita.<\/p>\n<p><strong>Tempo previsto: <\/strong>3 meses.<\/p>\n<p><strong>I &#8211; Objetivos Did\u00e1ticos:<\/strong> Apresentar a poesia; ampliar o repert\u00f3rio de textos memorizados pelas crian\u00e7as, incentivando a pr\u00e1tica de recitar poesias.<\/p>\n<p><strong>II &#8211; Seq\u00fc\u00eancia prevista de atividades:<\/strong> Organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e do tempo na rotina pedag\u00f3gica:<\/p>\n<ul>\n<li>Ler poesias na roda duas vezes por semana;<\/li>\n<li>Pedir para as crian\u00e7as trazerem livros de poesias. Para isso, ser\u00e1 preciso escrever com elas um bilhete para os pais;<\/li>\n<li>Montar uma prateleira para a cole\u00e7\u00e3o de livros de poesias;<\/li>\n<li>Organizar um rod\u00edzio (Vai e Vem Poesia) para que as crian\u00e7as possam levar os livros para casa toda sexta-feira;<\/li>\n<li>Preparar uma pasta para cada uma;<\/li>\n<li>Sortear uma crian\u00e7a a cada semana para levar o gravador para casa. Junto com os pais, a crian\u00e7a escolher\u00e1 uma poesia e far\u00e1 uma grava\u00e7\u00e3o para a turma;<\/li>\n<li>Tirar xerox das poesias preferidas e pedir que as crian\u00e7as ilustrem, montando assim uma cole\u00e7\u00e3o das preferidas do grupo;<br \/>\nPropostas com o g\u00eanero liter\u00e1rio:<\/li>\n<li>Trazer para as rodas de leitura de poesias os apoios necess\u00e1rios (livro, ilustra\u00e7\u00e3o);<\/li>\n<li>Conversar sobre a poesia, pesquisando as palavras que combinam (rimas);<\/li>\n<li>Brincar com as crian\u00e7as, pesquisando outras palavras que n\u00e3o est\u00e3o na poesia mas que rimam com algumas das encontradas;<\/li>\n<li>Gravar diferentes poesias para que possam conhecer diferentes ritmos;<\/li>\n<li>Colecionar as poesias favoritas para memorizar e &#8220;recitar quando quiserem&#8221;;<\/li>\n<li>Fazer sempre refer\u00eancia aos autores das poesias.<br \/>\nFicha T\u00e9cnica:<br \/>\nO projeto foi realizado na escola Criarte, S\u00e3o Paulo, de agosto a outubro de 1999, e dele participou a professora Tatiana S. Pina, sob a coordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de Adriana Klysis.<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>&#8220;Eu quero o livro da Cec\u00edlia Meileles!&#8221;<\/strong><\/h4>\n<p>(Andr\u00e9, 2 anos)<\/p>\n<div id=\"attachment_300\" style=\"width: 281px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-300\" class=\"size-full wp-image-300\" title=\"avisala_02_tempopoesia2\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_tempopoesia2.jpg\" alt=\"B\u00e1rbara (2 anos) \" width=\"271\" height=\"297\" \/><p id=\"caption-attachment-300\" class=\"wp-caption-text\">B\u00e1rbara (2 anos) &#8220;lendo&#8221; na sua escola<\/p><\/div>\n<p>Eu pensava que o universo das poesias era algo muito distante para crian\u00e7as de 2 anos, mas ao iniciar as atividades do projeto &#8220;Vai e Vem Poesia&#8221; felizmente percebi que poesia n\u00e3o tem idade. A seguir vou relatar algumas atividades que venho desenvolvendo com o Minigrupo, a fim de compartilhar nossas experi\u00eancias e descobertas.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia de desenvolver atividades com poesias no Minigrupo surgiu depois que tive acesso ao trabalho de outra professora, que destemidamente realizou um projeto de poesias com crian\u00e7as de 2 anos<sup>2<\/sup>. Na reuni\u00e3o<br \/>\npedag\u00f3gica da escola, em que foi socializado<sup>3<\/sup> esse trabalho, todas as professoras estranharam, inclusive eu: poesia com crian\u00e7as t\u00e3o pequenas? \u00c9 mesmo dif\u00edcil encontrar para essa faixa et\u00e1ria atividades que n\u00e3o sejam experimenta\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de materiais. Ambas s\u00e3o imprescind\u00edveis \u00e0s crian\u00e7as, mas n\u00e3o se pode ficar apenas experimentando e explorando o tempo todo. Como todos os aprendizes,<br \/>\nas crian\u00e7as de 2 anos s\u00e3o construtoras de conhecimento, sujeitos da<br \/>\naprendizagem.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que o jeito de aprender dessas crian\u00e7as \u00e9 diferente do jeito de uma crian\u00e7a de 5 ou 6 anos, mas n\u00e3o se pode subestimar seu potencial; os pequenos, de quem sou professora, v\u00eam me ensinando todos os dias. Assim, resolvi experimentar. Al\u00e9m da minha vontade de desenvolver atividades com poemas, era necess\u00e1rio que tamb\u00e9m as crian\u00e7as demonstrassem interesse pelo tema, o que eu supunha que aconteceria, pois esse grupo aprecia muito ouvir hist\u00f3rias, al\u00e9m de se interessar por propostas de m\u00fasica. Ora, poesia n\u00e3o \u00e9 propriamente m\u00fasica, mas envolve musicalidade, ritmo, rima etc. No final do primeiro semestre, comecei a levar alguns livros de poesias para o grupo e percebi o quanto as crian\u00e7as estavam gostando.<\/p>\n<p><strong>Como tudo come\u00e7ou<\/strong><\/p>\n<p>A primeira apresenta\u00e7\u00e3o de poesias foi feita pelo livro Boi da Cara Preta<br \/>\n(S\u00e9rgio Caparelli). A capa do livro revelou-se bastante significativa para as crian\u00e7as, que logo lembraram da m\u00fasica &#8220;Boi boi boi\/ Boi da cara preta\/ Pega esse menino\/ Que tem medo de careta&#8230;&#8221;. A primeira leitura foi a poesia &#8220;Os Dentes do Jacar\u00e9&#8221;, que se tornou uma das preferidas do grupo. Nas rodas de poesia que se seguiram, come\u00e7aram a surgir inusitados pedidos: &#8220;a do dente do jacal\u00e9! (jacar\u00e9)&#8221;.<\/p>\n<p>As f\u00e9rias se aproximavam e eu decidi organizar, para o segundo semestre, uma seq\u00fc\u00eancia de atividades em que as crian\u00e7as tivessem oportunidade de conhecer o universo das poesias e ampliar seu repert\u00f3rio, por meio de leituras e outras atividades cuja refer\u00eancia fossem os poemas.<\/p>\n<p>Iniciei o segundo semestre retomando o j\u00e1 conhecido livro &#8220;Boi da Cara Preta&#8221; e introduzi outro: &#8220;Ou isto ou aquilo&#8221; (Cec\u00edlia Meireles) com os poemas &#8220;Tanta Tinta&#8221; e &#8220;Flor Amarela&#8221;. Na semana seguinte, li &#8220;Moda da Menina Trombuda&#8221;, que foi bastante significativo para as crian\u00e7as, sobretudo as ilustra\u00e7\u00f5es do livro. Sempre que v\u00eaem o livro &#8220;Ou Isto ou Aquilo&#8221;, elas falam: &#8211; &#8220;Menina Tombuda&#8221;. Interessante as crian\u00e7as terem percebido que as poesias est\u00e3o nos livros. Com crian\u00e7as de 2 anos, a \u00eanfase est\u00e1 na aproxima\u00e7\u00e3o com esse g\u00eanero liter\u00e1rio. E se queremos que as crian\u00e7as sintam prazer com a leitura de poesias, \u00e9 fundamental que sejam escolhidos textos significativos, interessantes e de boa qualidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_304\" style=\"width: 299px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-304\" class=\"size-full wp-image-304\" title=\"avisala_02_tempoesia5\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_tempoesia5.jpg\" alt=\"&quot;Flor amarela&quot; desenho de crian\u00e7a\" width=\"289\" height=\"95\" \/><p id=\"caption-attachment-304\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Olha \/ A janela \/ da bela \/ Arabela.<br \/>Que flor \/ \u00e9 aquela \/ que Arabela \/ molha?<br \/>\u00c9 uma flor amarela&#8221;(&#8220;A Flor Amarela&#8221;, Cec\u00edlia Meirelles &#8211; Ou Isto ou Aquilo)<\/p><\/div>\n<p><strong>Organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 medida que os livros chegavam, fui fazendo refer\u00eancias a quem os havia trazido. Sempre perguntava para as crian\u00e7as se queriam deixar o livro na escola e todas permitiam. Como foram muitas contribui\u00e7\u00f5es, precis\u00e1vamos de um espa\u00e7o maior para guardar nosso acervo de livros de poesias, ent\u00e3o pedimos ao Arnaldo, funcion\u00e1rio da escola, para fazer uma prateleira. Escolhi textos de boa qualidade<sup>4<\/sup> e deixei-os separados dos livros de hist\u00f3ria para evidenciar que s\u00e3o de g\u00eaneros liter\u00e1rios diferentes.<\/p>\n<p><strong>A descoberta da rima e do movimento nas poesias<\/strong><\/p>\n<p>Refletindo sobre as rodas de poesia e o retorno das crian\u00e7as, pensei em enfatizar poesias com rimas bem marcadas e\/ou repeti\u00e7\u00e3o de palavras. Reli &#8220;O Ch\u00e3o e o P\u00e3o&#8221;, do livro &#8220;Ou isto ou aquilo&#8221;, dessa vez na edi\u00e7\u00e3o antiga, que possui ilustra\u00e7\u00f5es muito boas. Tive que ler a poesia tr\u00eas vezes na roda, em fun\u00e7\u00e3o dos pedidos das crian\u00e7as. A B\u00e1rbara, que gosta muito de brincar com as palavras, riu bastante no final da poesia, quando surgiu a pergunta: &#8220;O p\u00e3o no ch\u00e3o? \/ N\u00e3o.&#8221; Escolhi depois o livro Voc\u00ea Troca? (Eva Furnari). Como as rimas envolvem humor, as crian\u00e7as riram muito e brincaram bastante durante a leitura. Em outras ocasi\u00f5es conversamos sobre palavras que &#8220;combinam&#8221;. Na semana seguinte, a Thalita chegou com um novo livro: N\u00e3o Confunda (Eva Furnari). O livro \u00e9 da mesma cole\u00e7\u00e3o que o Voc\u00ea troca?, e as crian\u00e7as tornaram a rir bastante com a leitura e as ilustra\u00e7\u00f5es, mas, como da outra vez, n\u00e3o atentaram ainda para as rimas das palavras.<\/p>\n<p>Li tamb\u00e9m outros dois poemas Samba e Quem me achaambos de Almir Correa. Selecionei esses poemas porque possuem uma repeti\u00e7\u00e3o grande de palavras que provoca um ritmo particular \u00e0 leitura. Como em toda leitura que fa\u00e7o, apresentei o livro, lendo o nome do mesmo, o do autor e ilustrador. Ap\u00f3s ter lido o t\u00edtulo do poema (Samba), comentei que essa poesia tinha muitas palavras iguais e, antes mesmo de eu come\u00e7ar a ler, a Marcela estava de p\u00e9 dan\u00e7ando, ou melhor, sambando. Falei com ela que era isso mesmo, o samba se dan\u00e7ava daquela forma. A Yasmin tamb\u00e9m se levantou para experimentar e, depois disso, iniciei a leitura. As crian\u00e7as foram se agitando \u00e0 medida que eu lia e, novamente, a Marcela se levantou para sambar. Achei b\u00e1rbaro, afinal a leitura envolve a repeti\u00e7\u00e3o do verso &#8220;no batuque&#8221; muitas vezes, o que provoca uma &#8220;batucada&#8221; de palavras, n\u00e3o sendo \u00e0 toa o t\u00edtulo do poema ser Samba.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-299 alignleft\" title=\"avisala_02_tempopoesia3\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_tempopoesia3.jpg\" alt=\"Samba - Poemas Malandrinhos, Almir Correia\" width=\"308\" height=\"181\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_tempopoesia3.jpg 308w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_tempopoesia3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 308px) 100vw, 308px\" \/><\/p>\n<p>Nesses momentos, vejo como n\u00f3s estamos nos divertindo com as leituras e que mesmo crian\u00e7as t\u00e3o pequenas podem perceber a<br \/>\ninten\u00e7\u00e3o do autor, ainda que a seu modo, isto \u00e9, dan\u00e7ando e n\u00e3o discutindo sobre as palavras. O envolvimento das fam\u00edlias no trabalho das crian\u00e7as Estruturei as rodas de poesia duas vezes por semana e enviei um bilhete para os pais, pedindo contribui\u00e7\u00f5es para nossa biblioteca. Os livros come\u00e7aram a chegar \u00e0 escola; as crian\u00e7as ficaram orgulhosas. Os pais est\u00e3o indo \u00e0s livrarias com elas e, a cada semana, mais poesias chegam. O Andr\u00e9 foi \u00e0 livraria com os pais e gostou tanto dos seus livros que n\u00e3o quis deix\u00e1-los na escola. A Roberta trouxe poesias que sua m\u00e3e pesquisou na Internet.<\/p>\n<p>Com o objetivo de ampliar ainda mais o repert\u00f3rio de poesias das crian\u00e7as e envolver os pais nesse projeto, organizei um rod\u00edzio de livros que vem acontecendo toda sexta-feira. Cada crian\u00e7a escolhe um livro e leva para casa na sua pasta para ler com os pais no fim de semana, devendo devolv\u00ea-lo na segunda-feira. As crian\u00e7as costumam chamar o rod\u00edzio de &#8220;toca-toca&#8221; [troca-troca]. E assim vem acontecendo. Em nosso primeiro &#8220;troca-troca&#8221;, quando comecei a distribuir as pastas de cada crian\u00e7a, o Andr\u00e9 falou: &#8220;\u2013 Tatiana, eu quero o livo (livro) da Cec\u00edlia Meileles (Meireles)!&#8221; Surpreendente! Atendi ao pedido desse iniciante, mas exigente leitor, e n\u00e3o pude deixar de me entusiasmar com esta fala. Todos sa\u00edram com suas pastas e outro fato inesperado aconteceu. Assim que encontrou sua m\u00e3e (cujo nome \u00e9 Rita), o Andr\u00e9 quis mostrar o livro que havia escolhido, dizendo que era da &#8220;Pipoca&#8221; (como brincamos de chamar a Ilana). Depois, ele olhou para mim e disse: &#8220;\u2013 Tatiana, a minha m\u00e3e se chama Ritoca&#8221;, surpreso por ter encontrado uma rima.<\/p>\n<p>Fizemos tamb\u00e9m grava\u00e7\u00f5es com as crian\u00e7as e com os pais. Uma vez por semana (na sexta-feira), uma crian\u00e7a foi sorteada e levou o gravador para casa. Os pais escolheram com elas um poema, que p\u00f4de ser ouvido em nossa roda de poesias na segunda-feira. Fizemos depois grava\u00e7\u00f5es com as crian\u00e7as e um livro com nossas poesias preferidas, ilustrado pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>A import\u00e2ncia dos autores nas rodas de leitura<\/strong><\/p>\n<p>Gostaria de fazer um coment\u00e1rio a respeito da import\u00e2ncia que os autores v\u00eam assumindo para o Minigrupo. Em toda roda de hist\u00f3ria ou poesia, sempre lia o nome da hist\u00f3ria, autor e ilustrador. No in\u00edcio do ano, as crian\u00e7as pareciam n\u00e3o estar atentas a esses dados, mas mesmo assim eu achava importante que tivessem acesso a essa informa\u00e7\u00e3o. No segundo semestre, elas est\u00e3o demonstrando que j\u00e1 come\u00e7am a perceber que os livros n\u00e3o s\u00e3o escritos pelas mesmas pessoas e que cada hist\u00f3ria ou poema \u00e9 diferente do outro. Ainda n\u00e3o se referem ao nome correto do livro, poema ou hist\u00f3ria, mas utilizam recursos adequados \u00e0 sua idade e assim pedem, por exemplo, que eu leia a poesia do &#8220;roque roque&#8221;, referindo-se ao poema Rato Roque (Boi da Cara Preta) ou, ent\u00e3o, &#8220;a da casinha&#8221;, referindo-se \u00e0 poesia A Casa (Arca de No\u00e9).<\/p>\n<p>Outro fato que ilustra a percep\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as sobre esse aspecto aconteceu em uma roda de hist\u00f3ria, quando mostrei ao grupo um livro j\u00e1 conhecido deles \u2013 Trucks \u2013, dizendo que a pessoa que o escreveu era a mesma que<br \/>\nhavia escrito o livro que a Thalita trouxe \u2013 N\u00e3o Confunda. A fala da Thalita no momento foi: &#8220;Eva Funali (Eva Furnari)&#8221;. \u00c9 claro que para Thalita seu livro tem um significado especial, mas ela j\u00e1 est\u00e1 atenta \u00e0 autora do mesmo.<\/p>\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o da professora<\/strong><\/p>\n<p>Comentarei por fim duas rodas de conversa que tivemos a respeito das poesias preferidas e, em seguida, deixarei indicados os encaminhamentos que desenvolvi com o grupo. Pretendo fazer uma colet\u00e2nea dos poemas mais significativos para as crian\u00e7as para que possamos fazer ilustra\u00e7\u00f5es ou mesmo brinquedos (ex.: a boneca da menina trombuda). Primeiramente, tive a inten\u00e7\u00e3o de fazer colet\u00e2neas individuais e, no momento da roda, perguntei a cada crian\u00e7a qual era a poesia de que ela mais gostava.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi uma roda f\u00e1cil, as crian\u00e7as estavam dispersas e n\u00e3o responderam como eu esperava. O que uma crian\u00e7a dizia, as outras repetiam e o assunto n\u00e3o interessou ao grupo. A partir dessa roda, que n\u00e3o deu certo, pensei em organizar nossa conversa a respeito dos poemas mais significativos ao grupo e n\u00e3o a cada crian\u00e7a. Percebi tamb\u00e9m o quanto era dif\u00edcil para elas lembrar dos poemas lidos h\u00e1 mais tempo. Tive a id\u00e9ia de levar os livros mais conhecidos do grupo para a roda, para que pudessem servir como apoio de mem\u00f3ria. Mostrava livro por livro, conversando sobre as poesias que conheciam. Dessa vez, a roda funcionou bem melhor. Nessa idade, os objetos e imagens s\u00e3o recursos muito importantes. Estando com os livros na roda, foi bem mais f\u00e1cil para as crian\u00e7as lembrarem-se dos poemas que j\u00e1 conheciam.<br \/>\nE assim esses pequenos aprendizes v\u00eam descobrindo o mundo das poesias e eu, junto com eles, tamb\u00e9m aprendo sobre orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas, interven\u00e7\u00f5es, encaminhamentos e, claro, poesia. \u00c9 como disse o poeta, &#8220;tudo vale a pena se a alma n\u00e3o \u00e9 pequena&#8230;&#8221;<\/p>\n<p><strong>O repert\u00f3rio conhecido das crian\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-307 \" title=\"menina\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/menina.jpg\" alt=\"Desenho de crian\u00e7a\" width=\"109\" height=\"198\" \/><\/p>\n<p>Com o livro Boi da Cara Preta na m\u00e3o, perguntei ao grupo que poesias eles conheciam daquele livro:<\/p>\n<p>\u2013 Dente do jacal\u00e9 \u2013 disse Yasmin<\/p>\n<p>\u2013 Que outra poesia a gente conhece? \u2013 perguntei.<\/p>\n<p>\u2013 Roque roque\u2013 respondeu Ilana.<\/p>\n<p>\u2013 Olha, a Ilana lembrou da poesia do Rato Roque! \u2013 disse aos outros, dando corda para nossa conversa.<\/p>\n<p>\u2013 Menina &#8216;tombuda&#8217; \u2013 acrescentou Yasmin.<\/p>\n<p>\u2013 A poesia da menina trombuda \u00e9 do livro Boi da Cara Preta? \u2013 perguntei a ela.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o! \u2013 disse a leitora convicta \u2013 Da Cec\u00edlia &#8216;Meileles&#8217; [Meireles].<\/p>\n<p>\u2013E esse aqui, Ou isto ou aquilo, quem escreveu?<\/p>\n<p>\u2013 Cec\u00edlia &#8216;Meileles&#8217; \u2013 sabia bem, o Andr\u00e9.<\/p>\n<p>\u2013 Menina tombuda \u2013 quis acrescentar, Gabriel.<\/p>\n<p>\u2013 Tem outra poesia que a gente conhece deste livro? \u2013 continuei.<\/p>\n<p>\u2013 Tanta tinta \u2013 disse Thalita.<\/p>\n<p>\u2013 A das bolhas \u2013 acrescentou Andr\u00e9.<\/p>\n<p>\u2013 E esse aqui? \u2013 perguntei.<\/p>\n<p>\u2013 A de No\u00e9 \u2013 disse Yasmin.<\/p>\n<p>\u2013 Isso mesmo, Mimi, \u00e9 o livro Arca de No\u00e9, do Vin\u00edcius de Moraes. Muitas poesias desse livro se transformaram em m\u00fasica. O Vin\u00edcius de Moraes gostava muito de m\u00fasica e de poesia. Que poesia a gente conhece daqui? \u2013 perguntei.<\/p>\n<p>\u2013 Da casinha \u2013 disse Marcela.<\/p>\n<p>\u2013 Da foca \u2013 completou Yasmin.<\/p>\n<p>\u2013 Do pato \u2013 falou Ilana.<\/p>\n<p>\u2013 Pato pateta \u2013 corrigiu Marcela, confirmando que esse \u00e9 mesmo um livro muito conhecido dessa turma.<\/p>\n<p>(Tatiana S. Pina)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> Escola Criarte, Rua Professor Vahia de Abreu, 696, Vila Ol\u00edmpia, CEP 04549-003, S\u00e3o Paulo, SP, fone: 822-7277, fax: 822-4613,<br \/>\ne-mail.criarte@criarte.com.br<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> Esse trabalho foi inspirado nos relat\u00f3rios de pr\u00e1tica da professora Daniella Panutti, da escola Logos, levados para a reuni\u00e3o pedag\u00f3gica pela coordenadora Adriana Klisys.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup> A socializa\u00e7\u00e3o do conhecimento \u00e9 fundamental para os alunos e tamb\u00e9m para os educadores. Por meio da discuss\u00e3o e reflex\u00e3o da pr\u00e1tica pedag\u00f3gica podemos questionar, criticar, construir o conhecimento sobre a sala de aula e as orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas mais adequadas.<\/p>\n<p><sup>4<\/sup> Os melhores livros s\u00e3o os menos infantilizados, que n\u00e3o minimizam a intelig\u00eancia das crian\u00e7as e apresentam o melhor que o g\u00eanero pode oferecer. Ao final da mat\u00e9ria a professora d\u00e1 suas sugest\u00f5es.<\/p>\n<h4><strong>Para saber mais:<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>Poemas para Brincar, Jos\u00e9 Paulo Paes, ed. \u00c1tica<\/li>\n<li>Olha o Bicho, Jos\u00e9 Paulo Paes, ed. \u00c1tica<\/li>\n<li>Poesias, M\u00e1rio Quintana, ed. Globo<\/li>\n<li>A Arca de No\u00e9, Vin\u00edcius de Moraes, ed. Jos\u00e9 Olympio<\/li>\n<li>Caprichos e Relaxos, Paulo Leminsky, ed. Brasiliense<\/li>\n<li>Tigres no Quintal, S\u00e9rgio Caparelli. ed. Kuarup<\/li>\n<li>Limeriques, Tatiana Belinky, ed. FTD<\/li>\n<li>Reuni\u00e3o, Carlos Drummond de Andrade, ed. Jos\u00e9 Olympio<\/li>\n<li>N\u00e3o Confunda, Eva Furnari, ed. Moderna<\/li>\n<li>Ou isto ou Aquilo, Cec\u00edlia Meireles, ed. Nova Fronteira<\/li>\n<li>Poemas Sapecas, Rimas Traquinas, Almir Correa, ed. Formato<\/li>\n<li>Poemas Malandrinhos, Almir Correa, ed. Formato<\/li>\n<li>Boi da Cara Preta, S\u00e9rgio Caparelli, L &amp; PM Editores<\/li>\n<li>Voc\u00ea troca?, Eva Furnari, ed. ModernaNa rede:<br \/>\nwww.secrel.com.br\/jpoesia\/infan.html<\/li>\n<\/ul>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poesia tem idade? A escola de Educa\u00e7\u00e3o Infantil Criarte1, em S\u00e3o Paulo, mostrou que poesia pode ser apreciada desde muito cedo. Conhe\u00e7a uma maneira de apresentar esse g\u00eanero para crian\u00e7as de 2 a 3 anos. Por Tatiana S. Pina<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":1436,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,34],"tags":[1101,94,97,93,95,92,90,98],"class_list":{"0":"post-292","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-02","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2000","10":"tag-adriana-klysis","11":"tag-aprendizagem","12":"tag-cecilia-meirelles","13":"tag-criarte","14":"tag-poesia","15":"tag-tempo-didatico","16":"tag-vinicius-de-moraes","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=292"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1436"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}