{"id":2898,"date":"2005-01-14T20:30:47","date_gmt":"2005-01-14T22:30:47","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=2898"},"modified":"2023-03-27T17:48:05","modified_gmt":"2023-03-27T20:48:05","slug":"do-jardim-a-sala-de-aula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/reflexoes-do-professor\/do-jardim-a-sala-de-aula\/","title":{"rendered":"Do jardim \u00e0 sala de aula"},"content":{"rendered":"<h5>Ca\u00e7ar caramujos, procurar joaninhas, descobrir formigueiros s\u00e3o motiva\u00e7\u00f5es bastante comuns entre crian\u00e7as que brincam no jardim. Como despertar o desejo e a compet\u00eancia dos professores para que esse interesse contribua na deliciosa aventura de explorar e conhecer a natureza? Uma oficina para os professores pode ser o passo inicial<\/h5>\n<div id=\"attachment_2900\" style=\"width: 612px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2900\" class=\"size-full wp-image-2900\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_21_reflex2.jpg\" alt=\"avisala_21_reflex2.jpg\" width=\"602\" height=\"249\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_21_reflex2.jpg 602w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_21_reflex2-300x124.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><p id=\"caption-attachment-2900\" class=\"wp-caption-text\">Observa\u00e7\u00e3o direta: procedimento importante de pesquisa cient\u00edfica tanto para crian\u00e7as como para adultos<\/p><\/div>\n<p>Ao conversarmos sobre Ci\u00eancias Naturais com professores da Educa\u00e7\u00e3o Infantil, constatamos que h\u00e1 muitas queixas relacionadas \u00e0s suas dificuldades em trabalhar com temas ligados a essa \u00e1rea de conhecimento. Costumam dizer que \u00e9 dif\u00edcil, complicado, que exige a memoriza\u00e7\u00e3o de muitos nomes e, portanto, \u00e9 um conte\u00fado inadequado ao trabalho com os pequenos.<\/p>\n<p>Os documentos oficiais mais recentes, ao contr\u00e1rio, indicam como uma das prioridades na educa\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia, que os educadores propiciem oportunidades de aproxima\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as e os conhecimentos culturalmente produzidos, o que inclui aqueles vindos da Ci\u00eancia. Diz o Referencial Curricular para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil: \u201cO conhecimento cient\u00edfico socialmente constru\u00eddo e acumulado historicamente, por sua vez, apresenta um modo particular de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento de indiscut\u00edvel import\u00e2ncia no mundo atual e difere das outras formas de explica\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o do mundo, como as lendas e mitos ou os conhecimentos cotidianos, ditos de \u2018senso comum\u2019<sup>1<\/sup>\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com os Referenciais Curriculares Nacionais para Educa\u00e7\u00e3o Infantil, ao final da Educa\u00e7\u00e3o Infantil a crian\u00e7a deve ter desenvolvido as seguintes capacidades:<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cexplorar o ambiente, para que possa se relacionar com pessoas, estabelecer contato com pequenos animais, com plantas e com objetos diversos, manifestando curiosidade e interesse\u201d;<\/li>\n<li>&#8220;(&#8230;) interessar-se pelo mundo social e natural, formulando perguntas, imaginando solu\u00e7\u00f5es para compreend\u00ea-lo, manifestando opini\u00f5es pr\u00f3prias sobre os acontecimentos, buscando informa\u00e7\u00f5es e confrontando id\u00e9ias\u201d;<\/li>\n<li>\u201cestabelecer algumas rela\u00e7\u00f5es entre o meio ambiente e as formas de vida que ali se estabelecem, valorizando sua import\u00e2ncia para a preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e para a qualidade da vida humana<sup>2<\/sup>\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-2902\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2005\/01\/avisala_21_reflex6.jpg\" alt=\"avisala_21_reflex6\" width=\"155\" height=\"88\" \/>Mas como levar os educadores a transporem suas dificuldades e a sentirem vontade de abordar temas de Ci\u00eancias com as crian\u00e7as? De que modo propiciar momentos de envolvimento significativo com os conhecimentos cient\u00edficos para esses educadores? Como despertar o desejo de que os profissionais tornem-se aliados das crian\u00e7as na deliciosa aventura de explorar a natureza e, principalmente, os conhecimentos relacionados a ela?<br \/>\n<!--more--><br \/>\n<strong>Uma oficina para educadores<\/strong><br \/>\nCom base nestas reflex\u00f5es, desenvolvo uma oficina voltada especialmente para professores de Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Sua principal finalidade \u00e9 a de propiciar aos educadores a oportunidade de vivenciar momentos de intera\u00e7\u00e3o significativa com os saberes sobre a natureza. Assim, o fato de apresentarem pouca intimidade com os conhecimentos a respeito dos seres vivos \u00e9 aqui um ponto positivo, pois os iguala \u00e0s crian\u00e7as e oferece maior liberdade para que digam o que lhes vem \u00e0 cabe\u00e7a, sem medo de cometer erros.<\/p>\n<p>Nestas condi\u00e7\u00f5es, os educadores, tal como as crian\u00e7as, podem se entregar ao deleite da observa\u00e7\u00e3o desafiadora, ao prazer de redescobrir o conhecido, de se lan\u00e7ar de corpo inteiro e sentir a alegria de aprender, como diria Rubem Alves, poeticamente: \u201cQuero ensinar as crian\u00e7as. Elas ainda t\u00eam os olhos encantados. Seus olhos s\u00e3o dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o in\u00edcio do pensamento: a capacidade de se assombrar diante do banal. Para elas tudo \u00e9 espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o v\u00f4o das aves, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no c\u00e9u, um pi\u00e3o na terra: coisas que os olhos eruditos n\u00e3o v\u00eaem\u201d.<\/p>\n<p>A grande contribui\u00e7\u00e3o desta oficina n\u00e3o \u00e9 ensinar sobre o modo de vida dos caramujos ou sobre como ensinar Ci\u00eancias a crian\u00e7as pequenas. Seu principal papel \u00e9 levar os educadores a ver quanto \u00e9 importante ter perguntas sobre o que se quer aprender. \u00c9 claro que seria frustrante n\u00e3o conseguir solucionar nenhuma das d\u00favidas que surgem, mas n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que todas sejam resolvidas para garantir uma boa situa\u00e7\u00e3o de aprendizagem.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o as respostas que fazem as crian\u00e7as aprenderem, mas sim suas perguntas. As quest\u00f5es que surgem de sua curiosidade e investiga\u00e7\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas realmente significativas, fruto do desejo, material imprescind\u00edvel para qualquer processo de aprendizagem.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2903\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2005\/01\/avisala_21_reflex5.jpg\" alt=\"avisala_21_reflex5\" width=\"284\" height=\"218\" \/><br \/>\n<strong>O encantamento da ci\u00eancia<\/strong><br \/>\nUma dessas oficinas foi desenvolvida com dois grupos de professores de duas escolas de um munic\u00edpio da Grande S\u00e3o Paulo. Escolhi para eles os carac\u00f3is como objeto principal de estudo. Dividi as atividades em seis etapas:<\/p>\n<ol>\n<li>Levantamento de conhecimentos pr\u00e9vios e d\u00favidas sobre caramujos;<\/li>\n<li>Coleta de animais;<\/li>\n<li>Observa\u00e7\u00e3o dos animais;<\/li>\n<li>Levantamento de novas quest\u00f5es e organiza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos;<\/li>\n<li>Consulta a outras fontes de informa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Organiza\u00e7\u00e3o final dos conhecimentos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A seq\u00fc\u00eancia foi escolhida com a inten\u00e7\u00e3o de que houvesse uma maior valoriza\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias espont\u00e2neas de cada componente do grupo. Algumas informa\u00e7\u00f5es e id\u00e9ias apareceram com muita freq\u00fc\u00eancia entre os professores, como por exemplo:<\/p>\n<ul>\n<li>Carregam a casa nas costas<\/li>\n<li>T\u00eam antenas<\/li>\n<li>S\u00e3o nojentos<\/li>\n<li>Gostam de umidade<\/li>\n<li>S\u00e3o moluscos<\/li>\n<li>Deixam rastro (gosma brilhante)<\/li>\n<li>S\u00e3o \u201cprimos\u201d da lesma<\/li>\n<li>Se arrastam<\/li>\n<li>Alguns transmitem doen\u00e7as e outros s\u00e3o comest\u00edveis<\/li>\n<li>Alguns t\u00eam concha comprida<\/li>\n<li>S\u00e3o vegetarianos, comem verduras<\/li>\n<li>T\u00eam h\u00e1bitos noturnos<\/li>\n<li>O sal e o Sol fazem mal para eles<\/li>\n<li>N\u00e3o gostam de ficar no Sol<\/li>\n<li>H\u00e1 muitas esp\u00e9cies<\/li>\n<li>T\u00eam \u201cpesco\u00e7\u00e3o\u201d, s\u00e3o parentes da girafa<\/li>\n<\/ul>\n<p>Apesar de muitos concordarem com as mesmas id\u00e9ias, algumas d\u00favidas freq\u00fcentes tamb\u00e9m ocorreram a muitos dos professores que queriam saber, por exemplo:<\/p>\n<p>\u2013 Os caramujos abandonam a casca?<br \/>\n\u2013 Morrem se perderem a \u201ccasa\u201d?<br \/>\n\u2013 Como nascem?<br \/>\n\u2013 Botam ovos?<br \/>\n\u2013 Como se desenvolvem?<br \/>\n\u2013 Quem come caracol? \u00c9 o sapo? \u00c9 o passarinho?<br \/>\n\u2013 Como escolher uma esp\u00e9cie que n\u00e3o seja nociva para trabalhar com as crian\u00e7as?<br \/>\n\u2013 Quais s\u00e3o as partes do corpo do caramujo? Eles t\u00eam olho e boca?<br \/>\n\u2013 Tem macho e f\u00eamea?<br \/>\n\u2013 Como se reproduzem?<br \/>\n\u2013 Fazem coc\u00f4?<br \/>\n\u2013 Qual sua a import\u00e2ncia para o ecossistema?<br \/>\n\u2013 O que faz com que grudem no teto? \u00c9 uma cola?<\/p>\n<p>De modo geral, os saberes espont\u00e2neos dos adultos sobre os caramujos s\u00e3o muito semelhantes aos das crian\u00e7as, pois foram adquiridos por meio de observa\u00e7\u00f5es cotidianas dos animais. Assim, neste primeiro momento da oficina, as informa\u00e7\u00f5es que prevaleceram estavam relacionadas \u00e0s caracter\u00edsticas f\u00edsicas dos animais ou ao seu comportamento.<\/p>\n<p>Apesar disso, entre as id\u00e9ias dos adultos havia tamb\u00e9m informa\u00e7\u00f5es adquiridas a partir de contatos com os conhecimentos cient\u00edficos (por exemplo, a classifica\u00e7\u00e3o como molusco), o que raramente ocorre entre as crian\u00e7as, pois elas ainda n\u00e3o tiveram uma viv\u00eancia escolar para aprender os conhecimentos cient\u00edficos de modo mais formalizado.<\/p>\n<p>Em contrapartida, as crian\u00e7as freq\u00fcentemente incluem elementos de fantasia em suas concep\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias, j\u00e1 que os caramujos s\u00e3o personagens de diversas hist\u00f3rias infantis e aparecem representados em muitas ilustra\u00e7\u00f5es com caracter\u00edsticas imagin\u00e1rias, tais como chamin\u00e9, porta e janela, que fazem alus\u00e3o \u00e0 suposta fun\u00e7\u00e3o da concha como a casa dos caramujos.<\/p>\n<p>Como as quest\u00f5es surgiram no grupo de professores a partir do levantamento de seus conhecimentos pr\u00e9vios, ficou evidente a import\u00e2ncia dessa etapa de trabalho com as crian\u00e7as. Esse movimento que parte de id\u00e9ias e informa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 temos em dire\u00e7\u00e3o a perguntas para as quais ainda n\u00e3o temos respostas, mas desejamos saber, \u00e9 similar ao que se passa com as crian\u00e7as quando se envolvem em seq\u00fc\u00eancias de atividades ou projetos de pesquisa e investiga\u00e7\u00e3o sobre os conhecimentos da Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Para responder a todas essas inquieta\u00e7\u00f5es \u00e9 preciso fazer um estudo mais a fundo, por meio da observa\u00e7\u00e3o direta (quando poss\u00edvel) ou buscando diferentes fontes de informa\u00e7\u00e3o. Assim tamb\u00e9m ocorreu na oficina dos professores.<\/p>\n<div id=\"attachment_2904\" style=\"width: 437px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2904\" class=\"size-full wp-image-2904\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2005\/01\/avisala_21_reflex4.jpg\" alt=\"avisala_21_reflex4\" width=\"427\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2005\/01\/avisala_21_reflex4.jpg 427w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2005\/01\/avisala_21_reflex4-300x234.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><p id=\"caption-attachment-2904\" class=\"wp-caption-text\">Professoras observam caramujos para obterem informa\u00e7\u00f5es e despertarem novas d\u00favidas<\/p><\/div>\n<p><strong>O que se aprende com a observa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n\u00c9 interessante observar como o momento de \u201cca\u00e7ada\u201d foi instigante e provocou diversas rea\u00e7\u00f5es. Isso ocorreu gra\u00e7as ao car\u00e1ter desafiador e l\u00fadico que a atividade adquiriu logo no primeiro momento da oficina. Observamos freq\u00fcentemente competi\u00e7\u00f5es para ver quem encontrava primeiro os animais.<\/p>\n<p>Aqueles que encontraram primeiro auxiliavam colegas a executar a tarefa e, ao final, comemoravam \u201cfazendo festa\u201d, exatamente como fazem as crian\u00e7as. Conclu\u00edda a \u201cca\u00e7ada\u201d, chegou o momento de observa\u00e7\u00e3o. Era hora de \u201cperguntar para os caramujos\u201d se as hip\u00f3teses do grupo estavam corretas e tentar resolver as d\u00favidas.<\/p>\n<p>Freq\u00fcentemente, a primeira rea\u00e7\u00e3o ao contato com o caramujo \u00e9 de repugn\u00e2ncia, pois o animal tem uma consist\u00eancia gelatinosa e muitas pessoas sentem-se desconfort\u00e1veis com sua presen\u00e7a. Entretanto, diante do desafio de descobrir coisas novas e olhar para os caramujos como fontes de informa\u00e7\u00e3o, o comportamento do grupo foi se transformando \u00e0 medida que os animais sa\u00edam da concha e revelavam seus segredos.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, o que ocorreu foi uma coisa sempre linda de se ver: a alegria das descobertas. O entusiasmo foi tomando conta do grupo, ouvimos exclama\u00e7\u00f5es, risadas, olhares atentos aos menores detalhes e movimentos, discuss\u00f5es, d\u00favidas. Mesmo aqueles que ficavam menos \u00e0 vontade no contato com os animais queriam olhar, saber, investigar.<\/p>\n<p>Desse modo, a observa\u00e7\u00e3o desempenhou na oficina dois pap\u00e9is importantes: servir como fonte de informa\u00e7\u00e3o e despertar novas d\u00favidas e curiosidades. As primeiras concep\u00e7\u00f5es levantadas no momento inicial puderam ser conferidas, algumas das d\u00favidas foram solucionadas e muitas outras quest\u00f5es surgiram a partir da observa\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a de um desafio significativo, do envolvimento l\u00fadico e afetivo com esses conhecimentos foi o que garantiu o bom andamento da atividade.<\/p>\n<p>Em vez de encerrar o questionamento e sanar a curiosidade, ao contr\u00e1rio, a observa\u00e7\u00e3o alimentou o desejo de saber mais. \u00c9 justamente esse desejo que precisa continuar presente em qualquer trabalho educacional, independente da idade dos educandos.<\/p>\n<p><strong>O que se aprende com os textos <\/strong><br \/>\nApesar de constituir um momento muito rico, a observa\u00e7\u00e3o direta dos animais n\u00e3o \u00e9 suficiente para resolver todas as quest\u00f5es. \u00c9 necess\u00e1rio utilizar todos os recursos dispon\u00edveis para garantir o acesso \u00e0 novas informa\u00e7\u00f5es e que o desejo da descoberta seja mantido. Por isso, para atender a essa necessidade, o pr\u00f3ximo passo da oficina consistiu em consultar os livros para descobrir aquilo que se desejava saber.<\/p>\n<p>Os professores reuniram-se novamente em pequenos grupos e consultaram livros e textos na tentativa de solucionar d\u00favidas e entrar em contato com novos saberes sobre os animais em quest\u00e3o. Vale ressaltar que \u00e9 importante disponibilizar a maior diversidade poss\u00edvel de livros. Assim, procurei selecionar tanto textos com car\u00e1ter informativo \u2013 paradid\u00e1ticos, artigos de revistas e jornais ou livros especializados \u2013 quanto livros de literatura como hist\u00f3rias infantis, poesias, ilustra\u00e7\u00f5es etc.<\/p>\n<p>Essa diversidade possibilitou discutirmos os v\u00e1rios modos de abordar um mesmo tema e os recursos de que cada \u00e1rea de conhecimento se utiliza. \u00c9 uma forma tamb\u00e9m de enfatizar a import\u00e2ncia de que haja uma contextualiza\u00e7\u00e3o das diferentes interpreta\u00e7\u00f5es do mundo sem que ocorra uma hierarquiza\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/p>\n<p>Nenhum saber \u00e9 mais importante ou mais correto do que outro, desde que cada um esteja inserido em seu pr\u00f3prio contexto. Ainda assim, muitas das quest\u00f5es continuaram sem respostas, ou porque os livros dispon\u00edveis n\u00e3o cont\u00eam todas as informa\u00e7\u00f5es, ou porque essas informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o realmente conhecidas por ningu\u00e9m, ou at\u00e9 porque ignoramos a forma mais adequada de procur\u00e1-las.<\/p>\n<p>Ainda assim \u00e9 importante assegurar um tempo para a reorganiza\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias: a produ\u00e7\u00e3o de um texto coletivo que informe as descobertas realizadas pelo grupo \u00e9 uma das formas de organizar as novas informa\u00e7\u00f5es e expressar o conhecimento que se tem.<\/p>\n<div id=\"attachment_2906\" style=\"width: 274px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2906\" class=\"size-full wp-image-2906\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2005\/01\/avisala_21reflex1.jpg\" alt=\"Professoras em busca dos caramujos\" width=\"264\" height=\"442\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2005\/01\/avisala_21reflex1.jpg 264w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2005\/01\/avisala_21reflex1-179x300.jpg 179w\" sizes=\"auto, (max-width: 264px) 100vw, 264px\" \/><p id=\"caption-attachment-2906\" class=\"wp-caption-text\">Professoras em busca dos caramujos<\/p><\/div>\n<p><strong>Pensamento de crian\u00e7a<\/strong><br \/>\n\u00c9 imprescind\u00edvel para os professores saberem como as crian\u00e7as pensam e constroem conhecimento na \u00e1rea. Para construir conhecimentos \u00e9 necess\u00e1rio que elas tenham possibilidades de imitar o mundo \u00e0 sua volta e de adequ\u00e1-lo \u00e0 sua realidade interna. S\u00e3o os mecanismos que Piaget<sup>3<\/sup> denomina respectivamente de acomoda\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o e que est\u00e3o presentes intensamente em todas as a\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 imprescind\u00edvel que tenham sempre muitas possibilidades de organizar o pensamento e viver intensamente esse processo de apropria\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos. Para isso, a utiliza\u00e7\u00e3o de variedade de recursos \u2013 como modelagens, desenhos, jogos, brincadeiras de faz-de-conta, imita\u00e7\u00f5es, hist\u00f3rias infantis, desenhos animados, document\u00e1rios \u2013, que envolvam os temas investigados, possibilita que as crian\u00e7as expressem suas id\u00e9ias e possam externar o seu pensamento por meio de diferentes linguagens.<\/p>\n<p>Ao entrar em contato com o modo com que as Ci\u00eancias Naturais explicam os fen\u00f4menos da natureza, ao pesquisar e pensar sobre os caramujos, as crian\u00e7as adquirem novos elementos para articular os pensamentos e, nesse sentido, os saberes e as informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como estamos falando de crian\u00e7as pequenas, a investiga\u00e7\u00e3o tem sempre um car\u00e1ter l\u00fadico. Elas v\u00e3o construindo seus conhecimentos e estabelecendo rela\u00e7\u00f5es l\u00fadico-afetivas com o mundo \u00e0 sua volta. O professor que vivenciou a oportunidade de investigar, que refletiu sobre o modo como as crian\u00e7as pensam e relacionouos \u00e0 sua pr\u00f3pria pr\u00e1tica tem melhores condi\u00e7\u00f5es de realizar planejamentos mais adequados ao pensamento da crian\u00e7a, ampliando assim as oportunidades de aprendizagem na \u00e1rea.<\/p>\n<p>(Por Celi Rodrigues Chaves Dominguez, Professora de Biologia, mestre em Educa\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> Referenciais Curriculares Nacionais para Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Brasil, p. 167.<br \/>\n<sup>2<\/sup>idem, p. 175.<br \/>\n<sup>3<\/sup>Jean Piaget (1896-1980). Psic\u00f3logo e fil\u00f3sofo su\u00ed\u00e7o.<\/p>\n<h4>Carac\u00f3is ou caramujos?<\/h4>\n<div id=\"attachment_2905\" style=\"width: 251px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2905\" class=\"size-full wp-image-2905\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2005\/01\/avisala_21_reflex3.jpg\" alt=\"BEL, 4 anos\" width=\"241\" height=\"131\" \/><p id=\"caption-attachment-2905\" class=\"wp-caption-text\">BEL, 4 anos<\/p><\/div>\n<p>Os carac\u00f3is e caramujos fazem parte do grupo dos moluscos. Possuem corpo mole e protegido por uma concha; podem ser encontrados no mar, na \u00e1gua doce e em ambientes terrestres \u00famidos. Caracol \u00e9 a designa\u00e7\u00e3o mais apropriada \u00e0s formas terrestres que possuem concha leve e caramujo, \u00e0s formas aqu\u00e1ticas com conchas mais pesadas.<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<ul>\n<li>Dicion\u00e1rio Houaiss da L\u00edngua Portuguesa, Antonio Houaiss. Ed. Objetiva. Tel.: (21) 2556-7824. www.objetiva.com.br<\/li>\n<li>Site:www.trabalhoescolar.hpg2.ig.com.br\/moluscos.htm<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Aten\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nCaramujos de rios polu\u00eddos podem ser transmissores da esquistossomose. Sem procedimentos especiais de laborat\u00f3rio, fica imposs\u00edvel dizer se o molusco est\u00e1 ou n\u00e3o com vermes. Portanto todo cuidado ao manipular carac\u00f3is, caramujos e lesmas. \u00c9 importante esclarecer as crian\u00e7as e usar luvas descart\u00e1veis sempre.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li>www.ipec.fiocruz.br\/caramujo<\/li>\n<li>www.icb.ufmg.br<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Celi Rodriguez Chavez Dominguez &#8211; E-mail: celidom@terra.com.br<\/p>\n<h4>Para Saber Mais<\/h4>\n<ul>\n<li>Livro: O Naturalista Amador \u2013 Um Guia Pr\u00e1tico ao Mundo da Natureza, Gerald Durrel e Lee Durrel. Ed. Martins Fontes. Tel.: (11) 3241-3677<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ca\u00e7ar caramujos, procurar joaninhas, descobrir formigueiros s\u00e3o motiva\u00e7\u00f5es bastante comuns entre crian\u00e7as que brincam no jardim. Como despertar o desejo e a compet\u00eancia dos professores para que esse interesse contribua na deliciosa aventura de explorar e conhecer a natureza? Uma oficina para os professores pode ser o passo inicial. Por Celi Rodrigues Chaves Dominguez<\/p>\n","protected":false},"author":94,"featured_media":3247,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,382],"tags":[1106,228,224,625,247,607,626,230,627,429],"class_list":{"0":"post-2898","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-reflexoes-do-professor","8":"category-revista-avisala-21","9":"tag-revista-avisa-la-2005","10":"tag-aprendizado","11":"tag-brincadeira","12":"tag-celi-rodrigues-chaves-dominguez","13":"tag-ciencias","14":"tag-formacao","15":"tag-interesse","16":"tag-natureza","17":"tag-oficina","18":"tag-professores","20":"post-with-thumbnail","21":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2898","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/94"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2898"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2898\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2898"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2898"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2898"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}