{"id":2797,"date":"2004-09-11T14:31:18","date_gmt":"2004-09-11T17:31:18","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=2797"},"modified":"2023-03-27T17:43:42","modified_gmt":"2023-03-27T20:43:42","slug":"ler-para-estudar-escrever-e-desenhar-para-comunicar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/reflexoes-do-professor\/ler-para-estudar-escrever-e-desenhar-para-comunicar\/","title":{"rendered":"Ler para estudar, escrever e desenhar para comunicar"},"content":{"rendered":"<h5>A partir de muita pesquisa, alunos da segunda s\u00e9rie na cidade de Rio Piracicaba escrevem textos informativos, descritivos, fichas t\u00e9cnicas que auxiliam a produ\u00e7\u00e3o de lindos postais ilustrados. Confira o desenrolar do projeto por meio das reflex\u00f5es da formadora local<\/h5>\n<div id=\"attachment_2822\" style=\"width: 238px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2822\" class=\"size-full wp-image-2822\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex1.jpg\" alt=\"avisala_20_reflex1.jpg\" width=\"228\" height=\"253\" \/><p id=\"caption-attachment-2822\" class=\"wp-caption-text\">PM Rio Piracicaba<\/p><\/div>\n<p>Escolher um projeto para trabalhar em sala de aula sempre foi uma expectativa para os professores de 2\u00aa s\u00e9rie. Para as crian\u00e7as, era um alvoro\u00e7o, uma anima\u00e7\u00e3o, uma curiosidade tremenda para saber qual seria o tema eleito e dar id\u00e9ias de qual projeto poderiam trabalhar no semestre seguinte.<\/p>\n<p>O projeto pequena enciclop\u00e9dia foi o escolhido do 10 semestre de 2004 e foi desenvolvido por uma equipe de seis professoras, cada uma com sua turma, na respectiva escola, num total de quatro, todas situadas na zona urbana da cidade. As professoras trabalharam no mesmo projeto, de forma integrada, trocando suas experi\u00eancias e sempre se reunindo, participando ativamente do processo de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s v\u00e1rias an\u00e1lises das aprendizagens adquiridas pelas crian\u00e7as em projetos anteriores e muitas discuss\u00f5es sobre o que queriam que suas crian\u00e7as aprendessem, a equipe de professoras decidiu que trabalhariam com textos informativos, desenvolvendo um projeto com textos de enciclop\u00e9dia. Mas sobre que assunto poderia ser a Pequena Enciclop\u00e9dia?<br \/>\n<!--more--><br \/>\nEsta pergunta fez com que os professores tomassem uma s\u00e9rie de decis\u00f5es antes de come\u00e7ar a realizar o projeto. Quais assuntos as crian\u00e7as poderiam estudar? Como avan\u00e7ar nas aprendizagens de leitura e escrita? Como favorecer um trabalho real de pesquisa na sala de aula? Como integrar o trabalho de artes de forma contextualizada?<\/p>\n<p>O objetivo que tinham em mente era obter resultados significativos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura, escrita e comunica\u00e7\u00e3o oral por meio de estudos de textos informativos. Mas era preciso ter muita clareza sobre quais conte\u00fados e procedimentos espec\u00edficos deveriam ser disponibilizados \u00e0s crian\u00e7as, para que obtivessem resultados significativos.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-2823\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex2.jpg\" alt=\"avisala_20_reflex2\" width=\"255\" height=\"209\" \/><br \/>\nAo escolher um projeto, devemos pensar sobre o objeto de ensino em quest\u00e3o, as aprendizagens que se quer alcan\u00e7ar, o produto final, para quem se destina e quais ser\u00e3o os interlocutores para que, ent\u00e3o, possamos desenvolv\u00ea-lo. Dessa maneira, deve-se considerar que o tema necessita ser de interesse dos alunos e do professor, al\u00e9m de conhecido pelas crian\u00e7as, pois muitas conclus\u00f5es s\u00e3o tiradas a partir dos conhecimentos pr\u00e9vios que elas possuem sobre o assunto. Um outro aspecto importante do projeto \u00e9 a exist\u00eancia de muitas fontes de pesquisa dispon\u00edveis para as crian\u00e7as (especialmente as informa\u00e7\u00f5es escritas).<\/p>\n<p>Depois de muita conversa o tema escolhido foi o trabalho com animais, e a partir da\u00ed surgiram novas perguntas: Quantos animais estudar\u00edamos? Quais? Qual seria o nosso produto final? E os interlocutores?<\/p>\n<p>As professoras decidiram pelo estudo mais detalhado de seis animais: periquito-tuim e jo\u00e3o-de-barro (aves t\u00edpicas da regi\u00e3o de Rio Piracicaba), capivara, lobo-guar\u00e1, tamandu\u00e1-bandeira e tatu. O produto final escolhido foi a confec\u00e7\u00e3o de cart\u00f5es-postais que seriam enviados a destinat\u00e1rios reais: crian\u00e7as de outras cidades, com as quais nos corresponder\u00edamos durante o projeto.<\/p>\n<p>A partir dessas decis\u00f5es os professores reuniram uma boa quantidade de materiais sobre os animais e pesquisaram sobre eles. Nas primeiras supervis\u00f5es esse era o assunto predominante. N\u00f3s tamb\u00e9m aprendemos muito, tanto sobre o trabalho com l\u00edngua e artes quanto sobre o tema. Considero essa etapa de fundamental import\u00e2ncia para o desenvolvimento do trabalho, pois a partir do aprofundamento que o professor faz do assunto \u00e9 poss\u00edvel desenvolver o dom\u00ednio pessoal de m\u00e9todos de pesquisas (levantamentos de hip\u00f3teses, coleta e an\u00e1lise de dados e uso de documentos) e de procedimentos de leitura dos v\u00e1rios tipos de fontes existentes (escritas e audiovisuais).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a escolha do tema e a elei\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados de aprendizagem dos alunos em l\u00edngua portuguesa, chegou a hora de compartilhar o projeto com as crian\u00e7as e propor-lhes a sua realiza\u00e7\u00e3o, discutir o prop\u00f3sito do trabalho, o produto final e qual seria o nosso destinat\u00e1rio real.<\/p>\n<div id=\"attachment_2824\" style=\"width: 561px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2824\" class=\"size-full wp-image-2824\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex3.jpg\" alt=\"Imagens: \u201cavisala_20_reflex3.jpg\" width=\"551\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex3.jpg 551w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex3-300x222.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 551px) 100vw, 551px\" \/><p id=\"caption-attachment-2824\" class=\"wp-caption-text\">Imagens: \u201cProjeto Pequena Enciclop\u00e9dia\u201d \u2013 2\u00aa s\u00e9ries das escolas \u201cBernardo Guimar\u00e3es, Povoado Nossa Senhora de F\u00e1tima e Sebasti\u00e3o Ara\u00fajo \u2013 1\u00ba semestre de 2004 \u2013 Rio Piracicaba \u2013 MG<\/p><\/div>\n<p><strong>A realiza\u00e7\u00e3o do projeto em sala de aula <\/strong><br \/>\nComo formadora do programa Escola que Vale, no in\u00edcio do projeto eu tinha encontros semanais com o grupo de professores e supervisores de cada escola. O tempo do encontro e as supervis\u00f5es eram destinados a desenvolver as etapas do projeto, os planejamentos das aulas e das atividades (atividades poss\u00edveis e desafiadoras, ajustadas ao contexto da classe), dos conte\u00fados e procedimentos did\u00e1ticos dentro de cada situa\u00e7\u00e3o de aprendizagem.<\/p>\n<p>Na primeira aula do projeto, os alunos levariam fotos de animais que eles conheciam ou n\u00e3o, e por meio dessas imagens montar\u00edamos um mural e abrir\u00edamos coment\u00e1rios sobre eles. Foi o m\u00e1ximo, tamanha era a anima\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as! Observando a aula de uma das professoras, a Elza, pude sentir a vibra\u00e7\u00e3o dos alunos e o interesse pelos animais. Falavam dos bichos que mais gostavam, ou dos que n\u00e3o gostavam, dos que tinham medo, ou n\u00e3o, daqueles que tinham em casa ou que conheciam e, ainda, daqueles que queriam ter.<\/p>\n<p>Contaram hist\u00f3rias de alguns animais, casos e \u201ccausos\u201d, e se a professora deixasse passariam o dia inteiro nesse assunto. Algumas crian\u00e7as trouxeram textos sobre os bichos, os quais eram mostrados com grande satisfa\u00e7\u00e3o. Percebi, ent\u00e3o, que as professoras tinham raz\u00e3o: o tema \u201canimais\u201d seria de grande interesse das crian\u00e7as. Elas tinham muitos conhecimentos pr\u00e9vios sobre o assunto.<\/p>\n<p>O projeto foi compartilhado com os alunos que, com muito entusiasmo, optaram pela confec\u00e7\u00e3o de cart\u00f5es-postais como produto final. O prop\u00f3sito foi comunicado com clareza para os alunos, que sabiam, desde o in\u00edcio, que estudariam textos sobre os animais e escreveriam o que aprendessem.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2825\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex4.jpg\" alt=\"avisala_20_reflex4\" width=\"540\" height=\"706\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex4.jpg 540w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex4-229x300.jpg 229w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><br \/>\n<strong>A leitura em sala de aula<\/strong><br \/>\nO trabalho de leitura foi realizado por meio do estudo de textos informativos, de enciclop\u00e9dia, e, apesar de os alunos serem crian\u00e7as de 8 anos, come\u00e7amos a por em pr\u00e1tica \u201cler para estudar\u201d em sala de aula. Acreditamos que esses tipos de textos devem fazer parte do cotidiano da escola, adequando-os \u00e0 faixa et\u00e1ria dos alunos, levando em conta a possibilidade de compreenderem o assunto.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o quer dizer que selecionamos textos mais f\u00e1ceis, muito pelo contr\u00e1rio: alguns foram longos e tinham certa complexidade. Os professores, para conseguir trabalhar com textos maiores nas aulas do projeto, passaram por uma forma\u00e7\u00e3o do que \u00e9 o \u201cler para estudar\u201d, trabalhando de forma bem clara nas supervis\u00f5es.<\/p>\n<p>Portanto, essa pr\u00e1tica chegou at\u00e9 a sala de aula ap\u00f3s um longo estudo das professoras sobre essa situa\u00e7\u00e3o did\u00e1tica, que se apresentou como um desafio tanto para elas quanto para os alunos: ler e compreender textos dif\u00edceis. N\u00e3o foi f\u00e1cil a aceita\u00e7\u00e3o das professoras. Algumas delas se retra\u00edram e se opuseram a trabalhar com esses tipos de textos. \u201cS\u00e3o textos muito grandes\u201d, \u201cMeus alunos n\u00e3o d\u00e3o conta de ler e compreender tudo\u201d ou \u201cEu estou achando muito dif\u00edcil esse projeto com textos maiores\u201d \u2013 foram alguns dos coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>Passei, ent\u00e3o, a freq\u00fcentar as aulas, que planej\u00e1vamos antecipadamente, a observ\u00e1-las, registr\u00e1-las em relat\u00f3rios e discuti-las com as professoras, orientando-as, dando sugest\u00f5es e encaminhamentos necess\u00e1rios de acordo com as dificuldades apresentadas pelas crian\u00e7as. Em se tratando de um texto mais longo, por exemplo, as crian\u00e7as podem se perder no meio de sua leitura se o prop\u00f3sito dessa atividade n\u00e3o tiver sido claramente compartilhado.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2826\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex5.jpg\" alt=\"avisala_20_reflex5\" width=\"601\" height=\"343\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex5.jpg 601w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex5-300x171.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><br \/>\nEsta, ali\u00e1s, foi uma conclus\u00e3o importante a que chegamos: toda leitura tem de ter um prop\u00f3sito claro. Pode-se ler para buscar uma informa\u00e7\u00e3o sobre a moradia do jo\u00e3o-de-barro, por exemplo, ou checar uma informa\u00e7\u00e3o sobre o porqu\u00ea de as capivaras andarem em bando quando est\u00e3o nos rios. Aos poucos, fui percebendo que o olhar das professoras estava mudando, pois come\u00e7aram a compreender melhor o que \u00e9 \u201cler para estudar\u201d.<\/p>\n<p>Acredito que observar uma aula de perto \u00e9 uma maneira eficaz de o formador ou supervisor e\/ou coordenador pedag\u00f3gico orientar um professor que apresenta alguma dificuldade, e tamb\u00e9m se traduz num importante instrumento para fazermos os ajustes nos planejamentos e dar novos encaminhamentos nas etapas seguintes dos projetos. Nesse contexto, v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es de leitura foram criadas e os alunos utilizavam diversas estrat\u00e9gias, como a antecipa\u00e7\u00e3o, a infer\u00eancia ou a verifica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Valeu a pena compartilhar um momento do projeto em que esse processo de ler para estudar ficou ainda mais claro: tanto as supervisoras como as professoras haviam pesquisado diversos textossobre a capivara e, ent\u00e3o, precis\u00e1vamos saber como trabalh\u00e1-los com os alunos: qual deles oferecer primeiro, qual deles forneceria as informa\u00e7\u00f5es mais gerais e quais as mais espec\u00edficas, ou seja, qual a seq\u00fc\u00eancia de leitura que poderia gerar mais quest\u00f5es para os alunos?<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, estava claro que n\u00e3o bastaria levar os textos para a sala de aula, mas sim saber fomentar a pesquisa, para que os alunos pudessem adquirir mais instrumentos para responder \u00e0s quest\u00f5es. E era esse o prop\u00f3sito leitor! E o que estava em jogo nessas situa\u00e7\u00f5es era que as professoras e supervisoras pudessem buscar quest\u00f5es instigantes para a pesquisa de seus alunos.<\/p>\n<p>Em uma das supervis\u00f5es, descobrimos que um dos textos que trazia informa\u00e7\u00f5es sobre a capivara afirmava que ela era herb\u00edvora, mas sem maiores explica\u00e7\u00f5es; em outro, o destaque era justamente explicitar o que \u00e9 ser um animal herb\u00edvoro, e ainda num outro, aparecia a informa\u00e7\u00e3o de que esse animal comia peixes e, por fim, encontramos um texto que revelava o grande mist\u00e9rio: a capivara \u00e9 na maior parte do tempo herb\u00edvora mas, quando a vegeta\u00e7\u00e3o de sua prefer\u00eancia est\u00e1 escassa, ela complementa a alimenta\u00e7\u00e3o comendo pequenos peixes.<\/p>\n<p>Eureka! T\u00ednhamos a tal quest\u00e3o: o que a capivara come? E assim montamos a seq\u00fc\u00eancia de leitura com cinco textos, e os alunos puderam colocar em jogo todos os procedimentos de pesquisadores e leitores atentos. No \u00faltimo texto, ap\u00f3s lerem e confrontarem todas as informa\u00e7\u00f5es obtidas, descobriram por fim a resposta \u00e0 quest\u00e3o inicial. Esse processo demorou uma semana e meia e, no dia da reuni\u00e3o de pais, alguns falaram que seus filhos, durante esse per\u00edodo, s\u00f3 falavam sobre capivaras em casa!<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2827\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex6.jpg\" alt=\"avisala_20_reflex6\" width=\"565\" height=\"397\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex6.jpg 565w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex6-300x210.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 565px) 100vw, 565px\" \/><br \/>\n<strong>A comunica\u00e7\u00e3o oral<\/strong><br \/>\nDurante todas as atividades propostas no projeto, os alunos manifestaram suas opini\u00f5es, tomaram decis\u00f5es, discutiram a respeito das informa\u00e7\u00f5es contidas nos textos lidos pelo professor ou por eles (nas rodas de coment\u00e1rios) e conversaram sobre a melhor forma de escrever o que haviam aprendido.<\/p>\n<p>Os professores propiciaram v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es, estavam sempre atentos aos avan\u00e7os dos alunos e ao desenvolvimento das habilidades relacionadas \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o oral e elaboravam propostas cada vez mais desafiadoras. Uma delas, por exemplo, foi possibilitar que as crian\u00e7as comunicassem aos colegas o que compreenderam a partir da leitura de um texto que somente um subgrupo havia lido.<\/p>\n<p><strong>Escrever textos informativos<\/strong><br \/>\nOs alunos estudaram v\u00e1rios textos em diferentes situa\u00e7\u00f5es de leituras, feitas pelo professor ou por eles mesmos (individualmente, em duplas ou em pequenos grupos), discutiram as informa\u00e7\u00f5es obtidas, as descobertas realizadas, fizeram listagens escritas desses conhecimentos, decidiram juntos quais informa\u00e7\u00f5es eram relevantes e produziram tamb\u00e9m textos que ditavam ao professor. Em outras ocasi\u00f5es, tamb\u00e9m tiveram oportunidades de escrever em pequenos grupos ou em duplas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos textos do tipo que aparecem em enciclop\u00e9dias, que fizeram parte da exposi\u00e7\u00e3o no final do projeto, os alunos tamb\u00e9m produziram textos de refer\u00eancias \u2013 legendas \u2013 das imagens feitas. Para isso pesquisaram, v\u00e1rias formas de apresenta\u00e7\u00e3o das legendas, tais como a utiliza\u00e7\u00e3o de setas ou de n\u00fameros, e as formas de descri\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa etapa foi muito interessante porque inicialmente os alunos escreviam legendas com informa\u00e7\u00f5es que eram \u00f3bvias na pr\u00f3pria imagem desenhada. Por exemplo, se a imagem era a de um tatu entrando num buraco, a legenda dizia: tatu entra em buracos. Depois de observarem e discutirem com os colegas e professoras, puderam aprender que esse tipo de texto deve n\u00e3o apenas descrever a ilustra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a complementar, trazendo uma informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o apresentada pela imagem. Aquele desenho do tatu, ent\u00e3o, ficou com a seguinte legenda: O tatu \u00e9 um mam\u00edfero que fica debaixo da terra e a cada sete dias fura um novo buraco.<\/p>\n<p>As fichas t\u00e9cnicas sobre os animais tamb\u00e9m foram escritas, pois, na maior parte dos textos pesquisados, os alunos leram e observaram diversas formas de organizar as informa\u00e7\u00f5es. O interessante, ao escrever essas informa\u00e7\u00f5es, foi que eles utilizavam os textos lidos para copiar dados que consideravam importantes, tais como os nomes cient\u00edficos, o peso e as medidas dos animais. Nesse contexto, os alunos utilizaram a c\u00f3pia com sentido.<\/p>\n<div id=\"attachment_2828\" style=\"width: 502px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2828\" class=\"size-full wp-image-2828\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex7.jpg\" alt=\"avisala_20_reflex7.jpg\" width=\"492\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex7.jpg 492w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex7-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 492px) 100vw, 492px\" \/><p id=\"caption-attachment-2828\" class=\"wp-caption-text\">A classe relia sua produ\u00e7\u00e3o coletiva com a colabora\u00e7\u00e3o da professora, revisando o texto a partir do foco central diagnosticado por ela<\/p><\/div>\n<p>Para a produ\u00e7\u00e3o desses textos planejamos v\u00e1rias atividades, ao longo de todo o trabalho, garantindo a proximidade do conte\u00fado a ser tratado, incluindo a an\u00e1lise da linguagem utilizada e as express\u00f5es comuns dos textos informativos, a rela\u00e7\u00e3o do texto com a imagem e a observa\u00e7\u00e3o de como s\u00e3o organizadas essas informa\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que o nosso prop\u00f3sito era ensinar \u201ccomo escrever\u201d, ou seja, as atividades de escritas de textos tinham como objetivo principal o registro das informa\u00e7\u00f5es compreendidas pelos alunos ap\u00f3s a leitura dos textos, a sua organiza\u00e7\u00e3o, a utiliza\u00e7\u00e3o de marcas da linguagem que se escreve e do g\u00eanero que se produz, considerando algumas de suas caracter\u00edsticas principais.<\/p>\n<p>Os alunos vivenciaram v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o escrita: ditando para o professor, ou seja produzindo um texto oralmente com destino escrito; em duplas ou pequenos grupos, atendo-se \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o (de produtor, revisor ou escriba). Assumir o ponto de vista de leitor foi uma estrat\u00e9gia utilizada pelas professoras para familiarizar os alunos com a revis\u00e3o textual.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica de revis\u00e3o foi assumida em sala de aula e tamb\u00e9m na forma\u00e7\u00e3o da professora, na medida em que ela aprendeu a ter um olhar cr\u00edtico para a produ\u00e7\u00e3o de seu aluno. Assim ela pode atuar como modelo de escritora e revisora, chamando aten\u00e7\u00e3o para alguns aspectos importantes escolhidos, e tendo claro que os alunos s\u00f3 conseguem revisar aquilo que de fato foi ensinado e aprendido.<\/p>\n<p>Os resultados obtidos foram surpreendentes desde o primeiro diagn\u00f3stico realizado em mar\u00e7o at\u00e9 o diagn\u00f3stico final, em junho. As interven\u00e7\u00f5es das professoras tiveram papel importante nesse processo de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, no desenvolvimento de habilidades espec\u00edficas do aluno ao ler e escrever.<\/p>\n<p><strong>As ilustra\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nO produto final e os materiais utilizados nas exposi\u00e7\u00f5es do projeto foram resultado de um longo e eficaz trabalho de artes em sala. As oficinas de artes realizadas com as professoras a partir do programa Escola que Vale foram uma arma poderosa que contribuiu para a mudan\u00e7a da pr\u00e1tica em sala de aula.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2830\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex8.jpg\" alt=\"avisala_20_reflex8\" width=\"341\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex8.jpg 341w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex8-300x209.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 341px) 100vw, 341px\" \/><br \/>\n<strong>As professoras come\u00e7aram<\/strong><br \/>\nA classe relia sua produ\u00e7\u00e3o coletiva com a colabora\u00e7\u00e3o da professora, revisando o texto a partir do foco central diagnosticado por ela a dar valor ao que os alunos produziam, estimulando-os a se expressar e obtendo, assim, bons resultados quanto \u00e0s imagens que iriam para os cart\u00f5es-postais.<\/p>\n<p>Durante as etapas do projeto, t\u00ednhamos aulas espec\u00edficas, planejadas para desenvolver a \u00e1rea de artes. Os alunos vivenciaram v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es de ilustra\u00e7\u00f5es dos animais estudados: por meio de desenhos de observa\u00e7\u00e3o ao vivo \u2013 p\u00e1ssaros e capivaras na beira do rio \u2013 e de imagens tanto em fotos como em v\u00eddeos, al\u00e9m de visitas aos locais onde encontramos alguns desses animais. Munidos de todas essas informa\u00e7\u00f5es, expressaram-se da maneira que quiseram e com o material dispon\u00edvel na escola.<\/p>\n<p>Sobre os materiais, vale a pena ressaltar que muitas vezes deixamos de propiciar o desenvolvimento da linguagem art\u00edstica nas escolas por falta deles. Nas oficinas<sup>1<\/sup> das quais participamos pudemos aprender que os materiais podem ser fabricados, at\u00e9 pelos pr\u00f3prios alunos, como aconteceu, por exemplo, com as tintas guache, o giz de cera para colorir as imagens e at\u00e9 mesmo os pinc\u00e9is feitos de crina de cavalo.<\/p>\n<p>Durante as atividades de artes, desenvolvemos uma seq\u00fc\u00eancia para que os alunos aprendessem a pintar a textura da pele dos animais: inicialmente, o professor levava para a sala as imagens de v\u00e1rios animais, depois conversava com os alunos sobre o prop\u00f3sito de observarem essas imagens, ficando atentos aos detalhes das peles.<\/p>\n<p>Os alunos tamb\u00e9m utilizaram lupas para prestarem mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s especificidades. O pr\u00f3ximo passo foi escolherem um determinado animal e tentar desenhar apenas a textura observada. Depois de desenharem, fizeram uma roda de observa\u00e7\u00e3o dos desenhos feitos e cada um pode compartilhar o animal escolhido e as decis\u00f5es tomadas ao fazer o trabalho.<\/p>\n<p>A continuidade foi elaborar esse mesmo desenho em propor\u00e7\u00f5es diferentes e, os alunos foram cada vez mais aprimorando as texturas. Nesse processo, utilizaram em alguns desenhos apenas l\u00e1pis preto, e em outros giz de cera ou tinta. Uma outra importante atividade de artes no projeto foi a cria\u00e7\u00e3o de grandes pain\u00e9is para as exposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nessa etapa, cada sala ficou respons\u00e1vel por confeccionar um painel de aproximadamente 3 metros por 4 metros em papel craft. As crian\u00e7as escolheram uma das ilustra\u00e7\u00f5es de um aluno, ampliaram-na no papel e depois fizeram a pintura utilizando as tintas que produziram com as professoras. Estes pain\u00e9is formaram uma exposi\u00e7\u00e3o itinerante pelas escolas. Ficaram maravilhosos!<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2831\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex9.jpg\" alt=\"avisala_20_reflex9\" width=\"333\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex9.jpg 333w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex9-300x214.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><br \/>\nPor fim, cada sala definiu com os alunos o melhor desenho para fazer parte do conjunto de cart\u00f5es-postais. Todo esse trabalho de artes fez com que os professores ganhassem autonomia em sala de aula, pois agora t\u00eam maior acesso a materiais, diferentes possibilidades de atividades e, fundamentalmente, sabem que os alunos s\u00e3o capazes de produzir arte com muita autoria, desde que bem orientados.<\/p>\n<p>Avalio que todos ficaram muito encantados com os resultados e se surpreenderam com os pr\u00f3prios talentos, tanto alunos como professores. Depois de tudo pronto foram montadas nas escolas grandes exposi\u00e7\u00f5es com os pain\u00e9is, contendo todo o processo de produ\u00e7\u00e3o de textos, cantinho com os livros de pesquisa, os processos de ilustra\u00e7\u00e3o, bichos empalhados que conseguiram com a comunidade, cantos com casinhas abandonadas de jo\u00e3o-de-barro e cen\u00e1rios do habitat dos animais pesquisados. As salas ficaram lindas e o grande momento foi quando os colegas entregaram aos pais os cart\u00f5es-postais produzidos.<\/p>\n<p>Paralelamente, os alunos j\u00e1 estavam se correspondendo com alunos de outras cidades e, para dar continuidade a essa correspond\u00eancia, enviaram os cart\u00f5es aos seus novos amigos!<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> Oficinas de artes visuais ministradas por Izabel Graciano, especialista do programa Escola que Vale.<\/p>\n<p>(Eduarda Diniz Mayrink, Coordenadora local do programa Escola que Vale)<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2832\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/avisala_20_reflex10.jpg\" alt=\"avisala_20_reflex10\" width=\"181\" height=\"281\" \/><\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<p>A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) acredita que o verdadeiro crescimento \u00e9 resultado do compromisso de toda a sociedade em promover a cidadania. Por isso, em 1998, designou a Funda\u00e7\u00e3o Vale do Rio Doce para atuar como agente social nas comunidades com as quais interage, em projetos voltados para educa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento social.<\/p>\n<p>Em 1999, a Funda\u00e7\u00e3o Vale do Rio Doce buscou o estabelecimento de uma iniciativa que pudesse ampliar, de forma significativa, as dimens\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico. Nascia, assim, o Programa Escola que Vale, com o objetivo de colaborar para a melhoria da qualidade do ensino fundamental de escolas p\u00fablicas municipais, atrav\u00e9s do aprimoramento pedag\u00f3gico e social de todos os envolvidos no processo educacional.<\/p>\n<p>Para atingir seu objetivo, o Programa Escola que Vale promove diversas a\u00e7\u00f5es, entre elas a Casa do Professor \u2013 um espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o e refer\u00eancia, que estimula o interc\u00e2mbio entre os profissionais da educa\u00e7\u00e3o e que possibilita a realiza\u00e7\u00e3o de encontros de supervis\u00e3o, palestras, cursos e oficinas, al\u00e9m de oferecer acesso a acervos bibliogr\u00e1ficos, v\u00eddeos, colet\u00e2neas de CDs, computadores e \u00e0 Internet.<\/p>\n<p>O Programa Escola que Vale \u00e9 uma iniciativa da Funda\u00e7\u00e3o Vale do Rio Doce e atua em parceria com as Prefeituras Municipais de Aimor\u00e9s, Catas Altas, Governador Valadares e Rio Piracicaba, em Minas Gerais; Jo\u00e3o Neiva, no Esp\u00edrito Santo; A\u00e7ail\u00e2ndia, Alto Alegre do Pindar\u00e9 e S\u00e3o Lu\u00eds, no Maranh\u00e3o; Barcarena; Cana\u00e3 dos Caraj\u00e1s, Curion\u00f3polis, Eldorado de Caraj\u00e1s, Ipixuna do Par\u00e1, Marab\u00e1, Paragominas e Parauapebas, no Par\u00e1, e beneficia cerca de 41 mil pessoas.<\/p>\n<p><strong>Escolas que desenvolveram o Projeto Pequena Enciclop\u00e9dia:<\/strong><br \/>\nEscola Municipal Bernardo Ferreira Guimar\u00e3es \u2013 Professoras Daniele e Tatiany.<br \/>\nEscola Municipal do Povoado Nossa Senhora de F\u00e1tima \u2013 Professoras Cinthia e Maria.<br \/>\nEscola Municipal Sebasti\u00e3o Ara\u00fajo \u2013 Professora Elaine.<br \/>\nEscola Municipal Murillo Garcia Moreira \u2013 Professora Elza.<br \/>\nPrograma Escola que Vale \u2013 Site: www.escolaquevale.org.br \u2013 E-mail: escolaquevale@cedac.org.br.<\/p>\n<h4>Para Saber Mais<\/h4>\n<ul>\n<li>A autonomia do leitor. Uma an\u00e1lise did\u00e1tica. D\u00e9lia Lerner. Projeto \u2013 Revista de Educa\u00e7\u00e3o no 6. Tel.: (51) 3346.1258 Site: www.editoraprojeto.com.br<\/li>\n<li>Apostila do semin\u00e1rio internacional do Centro de Estudos da Escola da Vila. D\u00e9lia Lerner. Curso 1 \u2013 Ler e Escrever para Estudar. 10 e 11 de setembro de 1999. Tel.: (11) 3751-5255. Site: www.vila.com.br<\/li>\n<li>Estrat\u00e9gias de leitura. Isabel Sole. Editora Artmed. Tel.: 0800 703 3444.<\/li>\n<li>Aves na cidade. Elizabeth H\u00f6fling, Vera L\u00facia Imperatriz Fonseca. 2a Edi\u00e7\u00e3o. Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo. 1997. Tel.: (11) 3091-7533.<\/li>\n<li>O Pantanal do Mato Grosso. S\u00e9rie Ambientes Brasileiros. Francis Dov Por, Vera L\u00facia Imperatriz Fonseca, Frederico Leoncini Neto. Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade S\u00e3o Paulo, 1997. Tel.: (11) 3091-7533.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A partir de muita pesquisa, alunos da segunda s\u00e9rie na cidade de Rio Piracicaba escrevem textos informativos, descritivos, fichas t\u00e9cnicas que auxiliam a produ\u00e7\u00e3o de lindos postais ilustrados. Confira o desenrolar do projeto por meio das reflex\u00f5es da formadora local. 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