{"id":278,"date":"2000-01-13T18:17:19","date_gmt":"2000-01-13T20:17:19","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=278"},"modified":"2023-03-27T10:19:41","modified_gmt":"2023-03-27T13:19:41","slug":"mae-e-agora-o-que-e-que-eu-falo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/mae-e-agora-o-que-e-que-eu-falo\/","title":{"rendered":"M\u00e3e! E agora, o que \u00e9 que eu falo?"},"content":{"rendered":"<h5>Saber comunicar-se, fazer pedidos, obter informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o algumas das\u00a0in\u00fameras compet\u00eancias comunicativas que todos devem ter. Pensando\u00a0nessa necessidade, uma professora de S\u00e3o Paulo desenvolveu uma\u00a0interessante seq\u00fc\u00eancia did\u00e1tica com alunos de 5 anos. Falar ao telefone em in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es, conhecendo alguns dos servi\u00e7os que se pode conseguir com um simples telefonema, foi uma importante descoberta dessa turma.<\/h5>\n<p><!--more--><\/p>\n<div id=\"attachment_282\" style=\"width: 489px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-282\" class=\"size-full wp-image-282\" title=\"avisala_02_tempo\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_tempo.jpg\" alt=\"Na creche Santa Terezinha as crian\u00e7as usam o telefone quando brincam de cabeleireiro\" width=\"479\" height=\"312\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_tempo.jpg 479w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_tempo-300x195.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_tempo-460x300.jpg 460w\" sizes=\"auto, (max-width: 479px) 100vw, 479px\" \/><p id=\"caption-attachment-282\" class=\"wp-caption-text\">Na creche Santa Terezinha as crian\u00e7as usam o telefone quando brincam de cabeleireiro<\/p><\/div>\n<p>\u00c0s vezes pedimos para nossos filhos de 10, 12, 15 anos ligarem para marcar uma consulta com o m\u00e9dico ou uma hora com o dentista, e assim que a secret\u00e1ria atende o telefone ouvimos: &#8220;M\u00e3e! E agora, o que \u00e9 que eu falo?&#8221; Muitas crian\u00e7as n\u00e3o sabem mesmo comunicar-se sozinhas. Pensando nisso, decidimos realizar um trabalho que explorasse as possibilidades da l\u00edngua oral em situa\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o espec\u00edficas, pensando sobre elas e fazendo interfer\u00eancias quando necess\u00e1rio para que a comunica\u00e7\u00e3o fosse cada vez mais clara e coerente.<\/p>\n<p>Saber comunicar-se nas mais diferentes situa\u00e7\u00f5es requer o conhecimento dos c\u00f3digos e normas das diversas situa\u00e7\u00f5es comunicativas. N\u00e3o falamos em uma entrevista do mesmo modo como conversamos com um amigo \u00edntimo.<\/p>\n<p>Pensei ent\u00e3o que seria interessante pesquisar esses c\u00f3digos com as crian\u00e7as para que pudessem aprender a se comunicar sabendo o qu\u00ea e como se fala ao telefone.<\/p>\n<p><strong>A primeira atividade da seq\u00fc\u00eancia <\/strong><\/p>\n<p>Aproveitando um &#8220;telefone de copinhos&#8221; que as crian\u00e7as haviam feito, propus a elas que dramatizassem situa\u00e7\u00f5es assumindo diferentes pap\u00e9is, de acordo com a proposta. Preparei o ambiente dispondo objetos, tais como papel, l\u00e1pis, caneta, lista telef\u00f4nica, p\u00e1ginas amarelas, pratos, copos, talheres, maleta de m\u00e9dico, bon\u00e9s, aventais, escova, pente, espelho etc; para que as crian\u00e7as usassem aquilo que julgassem necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as da turma se espalharam: umas representavam e outras observavam com a tarefa de parar, comentar e intervir quando necess\u00e1rio. Maria estava sozinha em casa, morrendo de fome, ent\u00e3o decidiu ligar para uma pizzaria; Nathan trabalhava l\u00e1. Ocorreu o seguinte di\u00e1logo entre eles:<\/p>\n<p>\u2013 Al\u00f4, da onde fala? \u2013 perguntou Maria<br \/>\n\u2013 \u00c9 da Pizzaria Rafael \u2013 respondeu Nathan, do outro lado da linha.<br \/>\n\u2013 Eu queria pedir uma pizza de mozarela.<br \/>\n\u2013 Qual \u00e9 o seu n\u00famero?<br \/>\n\u2013 1858, terceiro andar.<br \/>\n\u2013 E o nome da rua?<br \/>\n\u2013 Ministro R. A..<br \/>\n\u2013 Qual \u00e9 o seu nome inteiro?<br \/>\n\u2013 Maria P. B. de A..<\/p>\n<p>Ana Carolina, uma amiga que ouvia a conversa de longe, interferiu explicando que era necess\u00e1rio o nome inteiro, porque podia haver duas Marias morando no mesmo andar.<\/p>\n<p>\u2013 Muito obrigada \u2013, concluiu Maria.<br \/>\n\u2013 T\u00e1, eu j\u00e1 vou levar.<\/p>\n<p>Nathan n\u00e3o anotou nada do que Maria lhe disse. Mas pegou pratinhos e talheres para fazer a pizza e saiu para entreg\u00e1-la. Quando lhe perguntamos qual era o endere\u00e7o onde deveria entregar a pizza, disse que n\u00e3o se lembrava. Conversando, as crian\u00e7as que observavam chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que o dono da pizzaria \u2013 ou quem atendeu o telefone \u2013 precisava escrever porque sen\u00e3o podia acabar entregando a pizza na casa errada. Partimos ent\u00e3o para uma nova tentativa.<\/p>\n<p>Dessa vez, Marcelo trabalhava na pizzaria e Fernando \u00e9 quem estava com fome. Fernando fez um pedido enorme: 10 guaran\u00e1s, 10 cervejas, 10 pizzas de mussarela e 10 de calabresa. Marcelo se lembrou de anotar o nome e o endere\u00e7o de Fernando, mas n\u00e3o anotou o pedido feito. Quando foi fazer a entrega, Fernando reclamou que estavam faltando cervejas e que a pizza n\u00e3o estava correta. Marcelo n\u00e3o conseguiu se lembrar do que Fernando havia pedido. Ao analisar essa situa\u00e7\u00e3o, os observadores apontaram a necessidade de se anotar tamb\u00e9m o pedido feito para que n\u00e3o houvesse confus\u00e3o na hora da entrega.<\/p>\n<div id=\"attachment_283\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-283\" class=\"size-full wp-image-283\" title=\"avisa_02_tempo1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisa_02_tempo1.jpg\" alt=\"Desenho de Ana Carolina\" width=\"140\" height=\"236\" \/><p id=\"caption-attachment-283\" class=\"wp-caption-text\">O projeto foi realizado na escola Mopyat\u00e3, S\u00e3o Paulo, de mar\u00e7o a junho de 1998, e dele participou a professora M\u00f4nica Nogueira Camargo de Toledo, sob a coordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de Regina Scarpa.<\/p><\/div>\n<p><strong>Desdobramentos do trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Conversando mais tarde com todas as crian\u00e7as, e partindo do conhecimento que elas j\u00e1 tinham, resgatei as situa\u00e7\u00f5es vividas na atividade e propus que pensassem sobre a melhor maneira de se comunicar naquela situa\u00e7\u00e3o. Elas comentaram as interfer\u00eancias dos amigos e sugeriram algumas modifica\u00e7\u00f5es. Todos os conhecimentos foram incorporados no jogo simb\u00f3lico que durou semanas. Sugeri, ao final que fiz\u00e9ssemos uma esp\u00e9cie de cartilha para que pud\u00e9ssemos ensinar as outras crian\u00e7as a falar ao telefone sem muita dificuldade. As crian\u00e7as ficaram animadas, pois como disse a D\u00e9borah:<br \/>\n&#8220;\u00e9 dif\u00edcil, tem que pensar num monte de coisas na hora de falar, sen\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 certo\u2026&#8221;<\/p>\n<p>Com o tempo fui ampliando o trabalho, explorando cada vez mais as situa\u00e7\u00f5es comunicativas por telefone: ligar para marcar uma consulta no m\u00e9dico, ligar para o clube para saber sobre as aulas de esporte que podiam fazer, ligar pedindo informa\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o da estrada antes de viajar e ligar marcando hora no cabeleireiro e no barbeiro. Em todas as situa\u00e7\u00f5es as crian\u00e7as puderam refletir sobre o que deveriam falar para que a comunica\u00e7\u00e3o acontecesse da melhor forma poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Achamos que o trabalho com a oralidade foi v\u00e1lido, pois pela primeira vez as crian\u00e7as puderam se dar conta, conscientemente, da import\u00e2ncia de se falar corretamente de acordo com a situa\u00e7\u00e3o que se tem pela frente. Se as crian\u00e7as tiverem a oportunidade de se comunicar bastante, de diversas formas, acho que se tornar\u00e3o bem mais aut\u00f4nomas e confiantes do que tantas outras que pegam o telefone mas s\u00f3 sabem perguntar:<br \/>\n&#8220;m\u00e3e e agora, o que \u00e9 que eu falo&#8221;?<\/p>\n<h4><strong>Construindo textos instrucionais<\/strong><\/h4>\n<p>O trabalho com comunica\u00e7\u00e3o deu oportunidade para apresentar \u00e0s crian\u00e7as um novo tipo de texto: o instrucional. Propus que pesquisassem livros, manuais, receitas e outros tipos de textos que nos ensinam a fazer alguma coisa. Estava \u00e0 procura de caracter\u00edsticas comuns que dessem \u00e0s crian\u00e7as algumas refer\u00eancias para que pudessem escrever textos instrucionais sobre as diversas situa\u00e7\u00f5es dramatizadas:<\/p>\n<p>\u2013 Esses textos ensinam porque escrevem tudo que a gente tem que fazer \u2013 disse Ana.<br \/>\n\u2013A gente tem que seguir uma ordem para fazer as coisas sen\u00e3o d\u00e1 errado \u2013 completou Marcelo.<br \/>\n\u2013Quando uma pessoa vai ensinar uma coisa, tem que explicar pedacinho por pedacinho e a outra pessoa tem que ir seguindo \u2013 disse Maria.<br \/>\n\u2013 A gente tem que explicar todas as partes do que tem que fazer \u2013 comentou Nicholas.<\/p>\n<p>Com base nessas informa\u00e7\u00f5es, organizaram seus textos e decidiram que as etapas deveriam estar dispostas em itens, pois assim a leitura dos mesmos se tornaria mais f\u00e1cil. Fizeram um primeiro rascunho em pequenos grupos, que depois foi revisado por outro grupo para que pudessem modificar, acrescentar ou suprimir informa\u00e7\u00f5es com o objetivo de torn\u00e1-lo mais organizado e, portanto, mais claro para o leitor. Fizemos tamb\u00e9m uma pesquisa de \u00edcones que poderiam ser utilizados para representar e ilustrar os textos escritos. E assim fomos montando nossa cartilha, \u00e0 qual demos o nome de <strong>&#8220;Como viver na cidade: situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia<\/strong>&#8220;, pois, segundo as crian\u00e7as, com ela &#8220;a gente n\u00e3o passa fome, n\u00e3o fica doente, n\u00e3o fica feio, faz exerc\u00edcio e pode viajar sem ficar parado na estrada!&#8221;<br \/>\n(M\u00f4nica Nogueira Camargo de Toledo, ex-professora do Col\u00e9gio Mopyat\u00e3<sup>1<\/sup>)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Col\u00e9gio Mopyat\u00e3 &#8211; Educa\u00e7\u00e3o Infantil, Av. Giovanni Gronchi, 4000; Morumbi, S\u00e3o Paulo, SP, 05724-000,<br \/>\nwww.mopyata.com.br, e-mail: mopyata@mopyata.com.br<\/p>\n<h4><strong>Textos Instrucionais<\/strong><\/h4>\n<blockquote><p>&#8220;Estes textos d\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es precisas para a realiza\u00e7\u00e3o das mais diversas atividades, como jogar, preparar uma comida, cuidar de plantas ou animais dom\u00e9sticos, usar um aparelho eletr\u00f4nico, consertar um carro, etc. Dentro dessa categoria encontramos desde as mais simples receitas culin\u00e1rias at\u00e9 os complexos manuais de instru\u00e7\u00e3o para montar o motor de um avi\u00e3o.(\u2026) Esses textos t\u00eam duas partes que se distinguem geralmente a partir da especializa\u00e7\u00e3o: uma, cont\u00e9m listas de elementos a serem utilizados (lista de ingredientes das receitas, materiais que s\u00e3o manipulados no experimento, ferramentas para consertar algo, diferentes partes de um aparelho, etc.), a outra, desenvolve as instru\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>(Escola, Leitura e Produ\u00e7\u00e3o de Texto, Ana Maria Kaufman e Maria Elena Rodriguez, ed. Artes M\u00e9dicas.)<\/p>\n<h4><strong>Para saber mais:<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>Escola, Leitura e Produ\u00e7\u00e3o de Texto, Ana Maria Kaufman e Maria Elena Rodriguez, ed. Artes M\u00e9dicas.<\/li>\n<li>Psicopedagogia da L\u00edngua Oral, um enfoque comunicativo, Maria Jos\u00e9 Del Rio, ed. Artes M\u00e9dicas.<\/li>\n<\/ul>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saber comunicar-se, fazer pedidos, obter informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o algumas das<br \/>\nin\u00fameras compet\u00eancias comunicativas que todos devem ter. 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