{"id":2553,"date":"2004-07-20T20:53:57","date_gmt":"2004-07-20T23:53:57","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=2553"},"modified":"2023-03-27T17:39:42","modified_gmt":"2023-03-27T20:39:42","slug":"um-dia-depois-do-outro-para-ler-e-escrever","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/um-dia-depois-do-outro-para-ler-e-escrever\/","title":{"rendered":"Um dia depois do outro para ler e escrever"},"content":{"rendered":"<h5>A continuidade \u00e9 pe\u00e7a fundamental no planejamento das atividades de escrita. veja neste artigo como uma atividade permanente, a leitura de jornal, pode ser bem aproveitada didaticamente, instigando um grupo de crian\u00e7as a ler, escrever e a conhecer mais.<\/h5>\n<div id=\"attachment_2556\" style=\"width: 608px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2556\" class=\"size-full wp-image-2556\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_tempo2.jpg\" alt=\"avisala_19_tempo2.jpg\" width=\"598\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_tempo2.jpg 598w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_tempo2-300x150.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><p id=\"caption-attachment-2556\" class=\"wp-caption-text\">As crian\u00e7as ajudam a construir o texto que a colega registra<\/p><\/div>\n<p>A leitura de jornal pode fazer parte da rotina de um grupo de crian\u00e7as. Ler a programa\u00e7\u00e3o especial para o fim de semana \u00e9 sempre um bom assunto para a sexta-feira. Al\u00e9m disso, conhecer o notici\u00e1rio e artigos interessantes ou mesmo an\u00fancios que possam dar ganchos para boas conversas, ou um projeto did\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, a conversa sobre uma not\u00edcia motiva as crian\u00e7as a continuarem investigando uma quest\u00e3o em pauta, alimentando os projetos do grupo. Foi o que aconteceu em uma das atividades de uma sexta-feira, na Escola Projeto Vida.<\/p>\n<p><strong>O jornal chega na sexta-feira \u00e0 tarde <\/strong><br \/>\nEscolhemos um artigo que falava sobre o S\u00edtio Santa Luzia, onde hoje est\u00e1 sediada a Escola Projeto Vida. Era um artigo bastante antigo, de 1981. Tratava de um assunto de grande interesse para o grupo, e contava sobre a \u00faltima moradora do S\u00edtio Santa Luzia, local onde hoje funciona nossa escola.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as ficaram muito curiosas com a parte que dizia que a constru\u00e7\u00e3o era possivelmente uma casa rural do tempo dos bandeirantes.<\/p>\n<p>\u2013 Professora, o que \u00e9 bandeirantes?<br \/>\n\u2013 Tempo dos bandeirantes?<\/p>\n<p>Resolvemos ent\u00e3o saber mais sobre os bandeirantes. <!--more-->Para isso, relembramos como poder\u00edamos pesquisar. As crian\u00e7as disseram que seria nos livros, no computador e escrevendo no caderno. Ent\u00e3o, fomos ao computador e fizemos uma busca na Internet. N\u00e3o conseguimos nada que interessasse ou satisfizesse a curiosidade do grupo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m acompanhamos as crian\u00e7as \u00e0 biblioteca, para pedir \u00e0 M\u00f4nica, a funcion\u00e1ria da biblioteca, uma ajuda na localiza\u00e7\u00e3o de livros sobre o tema.<\/p>\n<p><strong>Segunda-feira, na roda de conversa<\/strong><br \/>\nVivian trouxe de casa uma pesquisa realizada com seu pai. Tamb\u00e9m Luana havia perguntado ao pai, mas ele n\u00e3o teve tempo naquele momento e n\u00e3o falou mais no assunto. Ainda curiosa, Luana insistiu em casa, at\u00e9 que conseguiu a pesquisa que desejava, realizada com o pai. O interessante \u00e9 que essas iniciativas foram tomadas pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as, motivadas pelo valor que d\u00e3o a esses estudos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, com os livros e com um artigo da Internet, as crian\u00e7as se dividiram em tr\u00eas subgrupos para pesquisarem. Cada grupo ficou com uma fonte de informa\u00e7\u00e3o, l\u00e1pis e papel para anotar o que era importante. As crian\u00e7as discutiam entre si, tiravam conclus\u00f5es, algumas liam uma parte ou outra do texto, dentro de suas possibilidades.<\/p>\n<p>Muitos grupos nem precisaram recorrer \u00e0 minha ajuda:<br \/>\n\u2013 Deixa o Jo\u00e3o Vitor ver o livro, porque ele sabe ler! \u2013 dizia uma das crian\u00e7as, organizando um pequeno grupo atento \u00e0 leitura do colega.<\/p>\n<p><strong>Na ter\u00e7a-feira, a pesquisa continua<\/strong><br \/>\nNo dia seguinte, de posse das anota\u00e7\u00f5es, cada grupo relatou sua experi\u00eancia: as crian\u00e7as contaram como se organizaram para a pesquisa, o que cada um fez, por que n\u00e3o deu certo, como foi ouvir o colega, prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas id\u00e9ias e, principalmente, sobre a import\u00e2ncia de participar e dividir as tarefas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, expuseram, finalmente, o que conseguiram descobrir sobre a pesquisa acerca dos bandeirantes.<\/p>\n<p><strong>Grupo 1: Pedro, Murilo, Gabriel, Sophia e Andr\u00e9 Luiz <\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Descobrimos que eles usavam armas de madeira e fac\u00e3o.<\/li>\n<li>Usavam as armas para atirar nos bichos (animais), como on\u00e7a, cobra, aves.<\/li>\n<li>Usavam chap\u00e9u.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Grupo 2: Vivian, Ana Elisa, Giovanna, Giulia, Milena, Rafaella e Ana Clara<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Matavam crian\u00e7as e velhos das aldeias ind\u00edgenas.<\/li>\n<li>Queriam matar os \u00edndios, porque os \u00edndios queriam matar eles com flechas.<\/li>\n<li>Bandeirantes usavam flechas e os \u00edndios tamb\u00e9m.<\/li>\n<li>Descobri que na folha da pesquisa estava escrito as palavras S\u00e3o Paulo e Europa.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Grupo 3: Eduardo, Jo\u00e3o Vitor, Celine, Luana e Felipe<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Espadas.<\/li>\n<li>Tinham barbas e botas.<\/li>\n<li>Usavam botas, espadas, chap\u00e9u, capa, cinto e tinham cavalos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Cada grupo mostrou suas anota\u00e7\u00f5es enquanto o restante da sala comentava as novidades. Atrav\u00e9s das pesquisas as crian\u00e7as tiveram importantes informa\u00e7\u00f5es sobre os bandeirantes:<br \/>\n<strong><br \/>\nGrupo 1<\/strong><br \/>\nBADERATIS \/ ELSIO SLIOSO SUA FACAN<br \/>\nELISOSAVANARMADEMADERAELISOUAVANCA<br \/>\nCETEMDEM<\/p>\n<p><strong>Grupo 2<\/strong><br \/>\nBANDERANTE \/ S\u00c3O PAULO \/ EUROPA<\/p>\n<p><strong>Grupo 3<\/strong><br \/>\nBANDTERTES \/ ESPADA \/ BOTA<br \/>\nCAPA \/ XAPEU \/ CAVALO \/ SITO<\/p>\n<p>Depois da participa\u00e7\u00e3o de cada grupo, apresentamos os livros que vieram da biblioteca para buscar outras refer\u00eancias da hist\u00f3ria. A conversa foi longe e n\u00e3o conseguimos sistematizar todas as novas informa\u00e7\u00f5es nessa roda: marcamos na nossa agenda o compromisso para o dia seguinte.<\/p>\n<div id=\"attachment_2557\" style=\"width: 612px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2557\" class=\"size-full wp-image-2557\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_tempo1.jpg\" alt=\"avisala_19_tempo1.jpg\" width=\"602\" height=\"343\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_tempo1.jpg 602w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_tempo1-300x170.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><p id=\"caption-attachment-2557\" class=\"wp-caption-text\">O trabalho de pesquisa permite uma intera\u00e7\u00e3o intensa: todo mundo aprende junto, uns com os outros<\/p><\/div>\n<p><strong>Na quarta-feira, todos j\u00e1 sabem bastante<\/strong><br \/>\nDe volta \u00e0 roda, as crian\u00e7as retomaram os aspectos mais importantes sobre tudo o que haviam aprendido sobre os bandeirantes e suas casas rurais e, para organizar as novas informa\u00e7\u00f5es, as crian\u00e7as produziram coletivamente um texto sobre o assunto:<\/p>\n<p>\u2013 Nossa, esta folha estava toda branquinha e agora esta toda escrita e a Nanci vai ter que pegar outra folha! \u2013 disse Andr\u00e9, animado com aquela visibilidade das leituras e pesquisas de todos.<\/p>\n<p>Felipe, que havia faltado na ter\u00e7a-feira e estava, portanto, desatualizado, participou fazendo perguntas interessantes n\u00e3o s\u00f3 sobre o assunto, mas tamb\u00e9m sobre a escrita:<\/p>\n<p>\u2013 Nossa! Tem muitas vezes a palavra \u201cpedras preciosas\u201d.<\/p>\n<p>Eduardo tamb\u00e9m notava a ocorr\u00eancia de palavras repetidas: ele mesmo havia lido duas vezes a palavra S\u00e3o Paulo, muito pr\u00f3xima uma da outra. A observa\u00e7\u00e3o dos dois levantou a necessidade de fazer uma revis\u00e3o do texto.<\/p>\n<p>No dia seguinte, com o texto fixado num lugar bem vis\u00edvel para todos, iniciamos o processo de revis\u00e3o, pois ficou evidente, na postura do Eduardo, o quanto \u00e9 importante tamb\u00e9m ver o texto e n\u00e3o apenas ouvir.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as apontaram, basicamente, as palavras repetidas, a estrutura de alguns par\u00e1grafos e, principalmente, exigiram que acresc\u00eassemos ou corrig\u00edssemos algumas informa\u00e7\u00f5es. Comparando a primeira e a segunda vers\u00e3o podemos observar os avan\u00e7os que as crian\u00e7as conseguiram no texto que produziram coletivamente.<\/p>\n<p><strong>OS BANDEIRANTES<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Os bandeirantes s\u00e3o homens que usavam armas espingardas, fac\u00e3o e espadas. Eles entravam na mata e cortavam as \u00e1rvores com fac\u00e3o para cortar o espa\u00e7o para n\u00e3o atrapalhar e tamb\u00e9m para descobrir ouro e pedras preciosas.<\/p>\n<p>Eles obrigavam os \u00edndios a trabalhar para eles e ganhavam dinheiro e pedras preciosas. Os \u00edndios tinham arco e flecha. Eles andavam muito e, \u00e0s vezes, dormiam na rede. Eles tinham medo da chuva e dos trov\u00f5es, porque os animais atacavam e tamb\u00e9m eles tinham medo de pegar doen\u00e7as de mosquitos ou aranha ou de marimbondo. Os bandeirantes \u00e9 que abriram mais espa\u00e7o para S\u00e3o Paulo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Texto coletivo do G5 Chiclete.<\/p>\n<p><strong>OS BANDEIRANTES<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Os Bandeirantes eram homens que usavam armas, fac\u00e3o, espingardas e espadas. Eles entravam na mata e cortavam as \u00e1rvores para procurar ouro e pedras preciosas.<\/p>\n<p>Os Bandeirantes punham os \u00edndios escravos para trabalhar ajudando a entrar na mata, pois eles sabiam muito da mata e a achar pedras preciosas e ouro. Os \u00edndios tinham arco e flecha. Os Bandeirantes andavam muito e as vezes dormiam na rede. Eles tinham medo da chuva e dos trov\u00f5es porque os animais atacavam e tamb\u00e9m eles tinham medo de pegar doen\u00e7as de mosquitos, aranha ou marimbondos. Os bandeirantes \u00e9 que abriram mais espa\u00e7o para S\u00e3o Paulo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Texto coletivo do G5 Chiclete.<\/p>\n<p><strong>Na quinta e na sexta, come\u00e7a tudo de novo<\/strong><br \/>\nNa quinta-feira o texto foi exposto no painel, ao lado do artigo, para ampliar aos conhecimentos de outros leitores curiosos como eles. E na sexta, novamente, dia de ver o jornal, a programa\u00e7\u00e3o para o fim de semana, not\u00edcias, artigos, tirinhas e tantas outras perguntas que as crian\u00e7as, curiosas, sempre trazem para a roda, alimentando o dia-a-dia de quem gosta de aprender.<\/p>\n<p>(Nanci Ferreira das Neves, professora do grupo 5 da escola Projeto Vida, S\u00e3o Paulo)<\/p>\n<div id=\"attachment_2558\" style=\"width: 211px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2558\" class=\"size-full wp-image-2558\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_tempo3.jpg\" alt=\"avisala_19_tempo3.jpg\" width=\"201\" height=\"156\" \/><p id=\"caption-attachment-2558\" class=\"wp-caption-text\">Detalhe da armadura do telhado<\/p><\/div>\n<h4>Casas bandeiristas<\/h4>\n<p>Ao descrever as casas bandeiristas, Theodoro Sampaio destaca: \u201cAs paredes de taipa, branqueadas com tabatinga, espessas e pouco elevadas, com gelosias, d\u00e3o \u00e0s edifica\u00e7\u00f5es esse aspecto maci\u00e7o e abarracado que uns poucos e malfeitos ornamentos em nada atenuam. (&#8230;) O interior \u00e9 amplo, pouco iluminado e de aspecto monacal.<\/p>\n<p>O mobiliamento escasso e feio, feito de cedro e couro lavrado, ou de jacarand\u00e1, exibe pe\u00e7as de valor, mas sem eleg\u00e2ncia. A rede mais ou menos guarnecida de rendas e lavores bizarros \u00e9 a pe\u00e7a principal das varandas, onde substitui o sof\u00e1 e onde as damas fazem sua sesta, ou recebem as visitas de maior intimidade.<\/p>\n<p>Bancos de pau, pequenos e baixos tamboretes com algumas cadeiras completam a mob\u00edlia da sala de jantar. Os costumes paulistas eram singelos, quase ing\u00eanuos.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_2559\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2559\" class=\"size-full wp-image-2559\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_tempo4.jpg\" alt=\"avisala_19_tempo4.jpg\" width=\"200\" height=\"148\" \/><p id=\"caption-attachment-2559\" class=\"wp-caption-text\">Casa Bandeirista no Tatuap\u00e9, em foto de 1945<\/p><\/div>\n<h4>Bandeirantes j\u00e1 pisaram o ch\u00e3o da escola<\/h4>\n<p>Entrevistas com moradores antigos e pessoal da escola, acesso a documentos de tombamento da casa, visitas \u00e0s ruas do bairro ampliaram o conhecimento das crian\u00e7as acerca do espa\u00e7o que freq\u00fcentavam diariamente.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as descobriram que a escola fora um s\u00edtio chamado Santa Luzia, onde morava uma velhinha. Havia uma cascatinha aonde as pessoas vinham pegar \u00e1gua. Nanci, uma funcion\u00e1ria da escola, quando era pequena vinha brincar com uma amiga que morava em frente ao s\u00edtio e tomava \u00e1gua nessa cascatinha.<\/p>\n<p>A leitura do artigo do jornal ensejou tamb\u00e9m uma busca por mais informa\u00e7\u00f5es a respeito do pr\u00e9dio da escola. O artigo de Ren\u00e9e Pereira, do Jornal O Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 4\/12\/1998, resgatado pelas crian\u00e7as, contava que: \u201cA poucos quil\u00f4metros do centro, um cen\u00e1rio buc\u00f3lico esconde parte da mem\u00f3ria da cidade. Uma constru\u00e7\u00e3o de pelo menos 200 anos desafia a a\u00e7\u00e3o do tempo e d\u00e1 um ar \u2018interiorano\u2019 \u00e0 elegante rua S\u00f3ror Ang\u00e9lica, no Jardim S\u00e3o Bento. O im\u00f3vel, conhecido como S\u00edtio Santa Luzia, foi tombado em 1982.<\/p>\n<p>A casa tem paredes de taipa de pil\u00e3o, com 70 cent\u00edmetros de espessura, janelas de madeira, pintadas de verde, e a cobertura com duas \u00e1guas de telha colonial. O im\u00f3vel ainda conserva o madeiramento \u2013 ter\u00e7as, o pau da cumeeira e caibros \u2013 original. No processo de tombamento, os t\u00e9cnicos do Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico, Art\u00edstico, Arqueol\u00f3gico e Tur\u00edstico do Estado (Condephaat) avaliaram as caracter\u00edsticas e a situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do im\u00f3vel e chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que a casa pode ser do tempo dos bandeirantes.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio do Condephaat, a regi\u00e3o norte de S\u00e3o Paulo, situada \u00e0 margem direita do rio Tiet\u00ea, possivelmente, foi habitada por colonizadores portugueses. No local teria existido uma fazenda, cujas terras estendiam-se de um lado at\u00e9 a estrada de Jundia\u00ed e de outro at\u00e9 a v\u00e1rzea do Tiet\u00ea \u2013 que hoje abrange os bairros do Mandaqui e a serra da Cantareira. No s\u00e9culo 18, a fazenda possu\u00eda um patrim\u00f4nio vasto, com 47 casas, 176 moradores e 300 cabe\u00e7as de gado. A exist\u00eancia de outras fazendas, ao redor da propriedade, serviu para demonstrar que a regi\u00e3o possui muitas benfeitorias do s\u00e9culo 17. O S\u00edtio Santa Luzia fica pr\u00f3ximo \u00e0 \u00e1rea dessa fazenda, cujo nome seria Santana ou Tiet\u00ea, e tamb\u00e9m do S\u00edtio Morrinhos. Todas essas edifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o exemplos de moradas seiscentistas.<\/p>\n<p><strong>Propriet\u00e1rios<\/strong><br \/>\nA Vila Esther, nome que foi dado ao s\u00edtio, foi vendida, em 1891, por Joaquim Eug\u00eanio de Lima, a Victor Nothman Junior. A propriedade passou, em 1911, para as m\u00e3os do comendador Le\u00f4ncio do Amaral Gurgel, que a perdeu por hipoteca para a baronesa Maria Ang\u00e9lica de Souza Queiroz Barros, em 1916.<\/p>\n<p>Francisco Martins Teixeira comprou a Vila Esther em 1917. Naquela \u00e9poca, o s\u00edtio tinha 710,7 mil metros quadrados. Com a morte do dono, o im\u00f3vel ficou com a vi\u00fava, Maria Augusta Lima Teixeira. O s\u00edtio ficou conhecido como a \u2018ch\u00e1cara da biquinha\u2019, refer\u00eancia a uma fonte de \u00e1gua. Hoje, o S\u00edtio Santa Luzia abriga o Projeto Vida, uma escola de Educa\u00e7\u00e3o Infantil.\u201d<\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<p><strong>Realiza\u00e7\u00e3o:<\/strong> Escola Projeto Vida. Unidade Jd. S\u00e3o Bento. Rua S\u00f3ror Ang\u00e9lica, 364. CEP: 02452-060 Tel.: (11) 6236-1459 \/ (11) 6236-8345 \u2013 E-mail: projvida@nutecnet.com.br \u2013 Site: www.projetovida.com.br<br \/>\n<strong>Coordenadora Pedag\u00f3gica:<\/strong> D\u00e9bora Rana \u2013 E-mail: deborarana@projetovida.com.br<br \/>\n<strong>Educadora:<\/strong> Nancy Ferreira das Neves<br \/>\n<strong>Apoio de pesquisa:<\/strong> M\u00f4nica Aparecida de Souza<\/p>\n<h4>Para Saber Mais<\/h4>\n<ul>\n<li>Biblioteca Monteiro Lobato. Rua Waldemar Martins, 148 \u2013 Casa Verde. CEP: 02535-000. S\u00e3o Paulo \u2013 SP. Agendar visita com M\u00f4nica ou Marceli no telefone: (11) 6236-1425.<\/li>\n<li>Casa dos Bandeirantes. Pra\u00e7a Monteiro Lobato, s\/n. Butant\u00e3. CEP: 05506-030. S\u00e3o Paulo \u2013 SP. Agendar visita com Fernando no telefone: (11) 3031-0920.<\/li>\n<li>Casas Bandeiristas. Julio Roberto Katinsky \u2013 IGEOG \u2013 USP<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>veja neste artigo como uma atividade permanente, a leitura de jornal, pode ser bem aproveitada didaticamente, instigando um grupo de crian\u00e7as a ler, escrever e a conhecer mais. Por Nanci Ferreira das Neves<\/p>\n","protected":false},"author":87,"featured_media":3230,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[380,34],"tags":[1105,599,598,246,21,109,540,151,597,214],"class_list":{"0":"post-2553","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-19","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2004","10":"tag-artigo","11":"tag-bandeirantes","12":"tag-conhecimento","13":"tag-escrita","14":"tag-historia","15":"tag-jornal","16":"tag-leitura","17":"tag-nanci-ferreira-das-neves","18":"tag-pesquisa","20":"post-with-thumbnail","21":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/87"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2553"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2553\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3230"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}