{"id":2527,"date":"2004-07-19T01:29:34","date_gmt":"2004-07-19T04:29:34","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=2527"},"modified":"2023-03-27T17:38:48","modified_gmt":"2023-03-27T20:38:48","slug":"brincar-com-a-agua-e-aprender-na-acao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/conhecendo-a-crianca\/brincar-com-a-agua-e-aprender-na-acao\/","title":{"rendered":"Brincar com a \u00e1gua e aprender na a\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h5>Um dia de sol, muito calor no parque. Na volta para a sala, um grupo de crian\u00e7as da creche educand\u00e1rio s\u00e3o domingos fez uma parada para beber \u00e1gua. mas nesse dia, tomar \u00e1gua foi algo diferente do que acontece todos os outros dias no grupo de crian\u00e7as de 2 e 3 anos<\/h5>\n<div id=\"attachment_2529\" style=\"width: 436px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2529\" class=\"size-full wp-image-2529\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo5.jpg\" alt=\"avisala_19_conhecendo5.jpg\" width=\"426\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo5.jpg 426w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo5-300x222.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 426px) 100vw, 426px\" \/><p id=\"caption-attachment-2529\" class=\"wp-caption-text\">Sol, \u00e1gua e brincadeiras no desenho de uma crian\u00e7a do minigrupo da Creche Jardim Miriam<\/p><\/div>\n<p><!--more--><br \/>\nAs coisas mais simples da vida podem estar carregadas de sentido para uma crian\u00e7a pequena. Um copo de \u00e1gua ou um gole de suco num dia de calor pode se tornar fonte de investiga\u00e7\u00e3o, curiosidade e prazer. Essa foi a experi\u00eancia que vivi ao propor uma seq\u00fc\u00eancia de atividades com \u00e1gua com um grupo de crian\u00e7as de 2 a 3 anos do Educand\u00e1rio S\u00e3o Domingos.<\/p>\n<p>As professoras Milena, Edilaine e Mary, respons\u00e1veis pela turma e minhas parceiras de trabalho, dividiram cada etapa do trabalho que relato a seguir. O trabalho teve a dura\u00e7\u00e3o de um semestre e proporcionou muitas aprendizagens, n\u00e3o s\u00f3 para os pequenos, mas tamb\u00e9m para n\u00f3s, as professoras.<\/p>\n<p><strong>Decis\u00f5es iniciais<\/strong><br \/>\nPlanejamos a seq\u00fc\u00eancia de brincadeiras com a expectativa de que as crian\u00e7as pudessem, a partir delas, descobrir, investigar e ampliar o conhecimento sobre a \u00e1gua, seus estados, caracter\u00edsticas e transforma\u00e7\u00f5es. Pensamos quais atividades poderiam ser feitas, escolhemos os materiais que usar\u00edamos, quais seriam as condi\u00e7\u00f5es de clima e quais os cuidados que deveriam ser tomados (ver em Jeitos de Cuidar).<\/p>\n<p>Basicamente, tudo que usamos foi sucata, geralmente de pl\u00e1stico transparente ou transl\u00facido, a fim de que as crian\u00e7as pudessem observar a \u00e1gua de v\u00e1rios \u00e2ngulos. Juntamos diferentes tipos de potes, copos, baldes, vasilhas, buscando variedade de tamanho e forma. Essa decis\u00e3o n\u00e3o foi aleat\u00f3ria, pois sab\u00edamos que a \u00e1gua se amolda \u00e0quilo que a cont\u00e9m, e assim as crian\u00e7as poderiam, se n\u00e3o compreender algo t\u00e3o sofisticado, ao menos experimentar esse fato.<\/p>\n<p>Outro cuidado foi levantar uma s\u00e9rie de atividades a serem realizadas na \u00e1rea externa e outras tantas internamente, o que garantiria a continuidade da proposta independentemente da temperatura ambiente. E, por fim, atentarmos para a quest\u00e3o do consumo, evitando o desperd\u00edcio de \u00e1gua (Jeitos de Cuidar).<\/p>\n<p>As brincadeiras foram registradas com fotos que, ao longo do semestre, compuseram o painel de imagens da sala. A organiza\u00e7\u00e3o desse painel, a escrita das legendas, dos t\u00edtulos etc. tamb\u00e9m foram desenvolvidas com a colabora\u00e7\u00e3o dos pequenos e tornou-se uma atividade permanente no grupo.<\/p>\n<p>Em nossos encontros com as crian\u00e7as, sempre t\u00ednhamos um momento de observar as fotos, conversar sobre as imagens, resgatar o que havia sido feito, organiz\u00e1-las no papel e expor. A constru\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is com crian\u00e7as dessa faixa et\u00e1ria \u00e9 um recurso importante que ap\u00f3ia a organiza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es e auxilia a mem\u00f3ria das crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Um desafio intrigante<\/strong><br \/>\nA id\u00e9ia inicial havia sido a de propor a\u00e7\u00f5es acompanhadas de perguntas que levassem as crian\u00e7as a ampliar seus conhecimentos sobre a \u00e1gua. Munida de copos com \u00e1gua pot\u00e1vel, p\u00f3 para suco e colheres propus uma atividade que consistia em experimentar a \u00e1gua tirada do filtro e depois modific\u00e1-la, adicionando p\u00f3 de suco.<\/p>\n<p>Em pequenos grupos, dei a cada crian\u00e7a um copo com \u00e1gua e uma colher e deixei no meio da mesa alguns sabores de suco em p\u00f3. Algumas crian\u00e7as punham o p\u00f3 no copo sem a \u00e1gua e olhavam, surpresos, que nada acontecia; outras, tratavam de p\u00f4r o suco na boca, e havia ainda quem colocasse s\u00f3 a pontinha do dedo para experimentar. Cada uma a seu modo ia fazendo suas tentativas: misturavam diversos sabores, mexiam o p\u00f3 na \u00e1gua, experimentavam da colher, punham mais suco etc.<\/p>\n<p>Fazer o pr\u00f3prio suco foi motivo de muita anima\u00e7\u00e3o, curiosidade, experimenta\u00e7\u00e3o, perguntas e at\u00e9 de um sil\u00eancio intrigado, de quem est\u00e1 com a cabe\u00e7a cheia de id\u00e9ias. As crian\u00e7as estavam encantadas. O sil\u00eancio era total, s\u00f3 se ouvia a fala das educadoras apoiando as a\u00e7\u00f5es, quando necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as estavam totalmente compenetradas, confiantes no que faziam. Colocaram em jogo uma s\u00e9rie de conhecimentos, foram mais participativas e agiram sobre os objetos. Momentos depois, na supervis\u00e3o, ressaltei que nessa faixa et\u00e1ria realmente as crian\u00e7as ainda n\u00e3o t\u00eam um \u201csaber sobre o fazer\u201d e, assim, dificilmente explicariam a atividade realizada.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, isso n\u00e3o impedia que elas compartilhassem um saber do como fazer por meio da imita\u00e7\u00e3o, da tentativa e do erro, aprendendo na a\u00e7\u00e3o. Discutimos que \u201cpara aprender n\u00e3o \u00e9 suficiente apenas manipular mecanicamente, mas, tamb\u00e9m, explorar refletindo, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es\u201d.<sup>1<\/sup> Deixar os pequenos fazerem suco, sem haver nenhuma inten\u00e7\u00e3o na proposta ou interven\u00e7\u00e3o da professora seria uma atividade apenas divertida ou manipulativa, sem nenhuma intencionalidade educativa.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o ocorreu. Ent\u00e3o, levantamos as situa\u00e7\u00f5es que naquela atividade ajudaram as crian\u00e7as a estabelecer rela\u00e7\u00f5es, refletir sobre a transforma\u00e7\u00e3o de algumas propriedades da \u00e1gua. As professoras lembraram, por exemplo:<\/p>\n<ul>\n<li>que eu assegurei materiais em quantidade suficiente para todas as crian\u00e7as;<\/li>\n<li>que eu acompanhei as crian\u00e7as fazendo perguntas tais como: Vamos experimentar a \u00e1gua? Como podemos sentir o cheiro da \u00e1gua?<\/li>\n<li>que ao apresentar a proposta eu mesma fiz um suco, o que possibilitou que, de imediato, as crian\u00e7as aderissem imitando-me, colocando o nariz no copo em busca de uma sensa\u00e7\u00e3o diferente;<\/li>\n<li>por fim, lembraram que, terminada a mistura, eu retomei, tempos depois, o que havia se passado, recuperando a mem\u00f3ria das crian\u00e7as com o apoio de perguntas como: E como podemos mudar a cor, o cheiro e o gosto da \u00e1gua?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Mary, uma das educadoras participantes da atividade, contou que tamb\u00e9m j\u00e1 havia feito suco com as crian\u00e7as e pode observar de perto que uma coisa era ela, educadora, fazer o suco e outra, totalmente diferente, era deixar que as crian\u00e7as fizessem a mistura e assim realizassem a m\u00e1gica da transforma\u00e7\u00e3o. Nos grupos de 2 anos, esse espa\u00e7o n\u00e3o costuma ser aberto, pois preconcebemos que as crian\u00e7as s\u00e3o pequenas e, portanto, n\u00e3o s\u00e3o capazes de agir por conta pr\u00f3pria em algumas situa\u00e7\u00f5es. Mas vale a pena deix\u00e1-las experimentar e \u201cpesquisar\u201d do modo delas.<\/p>\n<p><strong>Como encher um balde<\/strong><br \/>\nOutra atividade pensada e planejada ocorreu em outro dia, na \u00e1rea externa. A proposta inicial era que ajudassem a encher um balde:<\/p>\n<p>\u2013 Vamos encher esse balde com \u00e1gua? \u2013 perguntei \u00e0s crian\u00e7as, incentivando o in\u00edcio da brincadeira.<\/p>\n<p>Come\u00e7aram a brincar e ficamos atentas, a observ\u00e1-las resolvendo in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas que lhes eram colocadas. Animadas, pulavam nas po\u00e7as, enfiavam p\u00e9s e m\u00e3os, no desejo de pegar a \u00e1gua diretamente da torneira. Depois, passaram a usar diferentes embalagens para me ajudar na tarefa de encher o balde vazio. Iam e voltavam rapidamente: algumas tinham tanta pressa que bastava um pouco de \u00e1gua para j\u00e1 sair correndo em dire\u00e7\u00e3o ao balde. Outras faziam quest\u00e3o de ver a embalagem cheia at\u00e9 a boca, e vir carregando devagar para n\u00e3o cair tudo pelo caminho.<\/p>\n<div id=\"attachment_2530\" style=\"width: 396px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2530\" class=\"size-full wp-image-2530\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo2.jpg\" alt=\"Enquanto brincam as crian\u00e7as descobrem mais sobre os objetos que flutuam e que afundam na \u00e1gua - Creche Educand\u00e1rio S\u00e3o Domingos\" width=\"386\" height=\"306\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo2.jpg 386w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo2-300x237.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 386px) 100vw, 386px\" \/><p id=\"caption-attachment-2530\" class=\"wp-caption-text\">Enquanto brincam as crian\u00e7as descobrem mais sobre os objetos que flutuam e que afundam na \u00e1gua &#8211; Creche Educand\u00e1rio S\u00e3o Domingos<\/p><\/div>\n<p>Depois de cheio o balde, tentaram carreg\u00e1-lo e, para isso, notaram que precisavam de ajuda: as crian\u00e7as foram se agrupando: uma, duas, tr\u00eas, e nada. N\u00e3o conseguiam carreg\u00e1-lo de volta com a mesma facilidade com o que tinham trazido quando ainda estava vazio. Ficaram intrigadas com isso.<\/p>\n<p>Depois de muito se molhar, propus que usassem as embalagens para esvaziar o balde e jogar a \u00e1gua nas plantas. O movimento de esvaziar tamb\u00e9m foi muito interessante pois, enquanto o balde estava cheio, foi f\u00e1cil, mas \u00e0 medida que a \u00e1gua ia diminuindo, ficava mais dif\u00edcil usar certas embalagens para pegar a \u00e1gua, como uma garrafa, por exemplo.<\/p>\n<p>Elas ainda n\u00e3o tinham percebido que poderiam simplesmente virar o balde, descoberta que s\u00f3 ocorreu depois de muita intera\u00e7\u00e3o entre os pequenos. Momentos depois, na reuni\u00e3o de supervis\u00e3o com as professoras, conversamos sobre o que tinha acontecido. Avaliamos que algumas coisas n\u00e3o sa\u00edram como o planejado, pois o local escolhido para a proposta n\u00e3o era o mais adequado.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o previ certos problemas, como a necessidade de se escoar a \u00e1gua, por exemplo, e de deixar as crian\u00e7as vestidas mais \u00e0 vontade, j\u00e1 que est\u00e1vamos vivendo dias de tanto calor. Ent\u00e3o a \u00e1gua foi empo\u00e7ando em baixo da torneira e as crian\u00e7as se molharam bastante, inclusive os sapatos.<\/p>\n<p>Passamos, ent\u00e3o, a observar detalhadamente os cuidados que dever\u00edamos ter (veja o artigo Jeitos de Cuidar), como deixar as crian\u00e7as com sand\u00e1lias ou descal\u00e7as, tirar as camisetas, shorts e prever um tempo para a troca de roupa, pois n\u00e3o havia sentido em propor um trabalho como esse e impedir ou ficar com receio de que as crian\u00e7as se molhassem. Tamb\u00e9m combinamos que essas experi\u00eancias nas \u00e1reas externas aconteceriam s\u00f3 em dias quentes.<\/p>\n<p><strong>Os baldes e bacias de Pedro <\/strong><br \/>\nEm outro dia, minha inten\u00e7\u00e3o com a proposta era oferecer um espa\u00e7o mais livre de explora\u00e7\u00e3o. Sendo assim, selecionei uma variedade de embalagens de diferentes materiais, tamanhos e formas e ofereci \u00e0s crian\u00e7as. Num primeiro momento a proposta foi a de encher as bacias de \u00e1gua para brincar de barquinhos ou do que quisessem.<\/p>\n<p>De esguicho em punho, as crian\u00e7as iam se aproximando do material escolhido para ench\u00ea-lo e transport\u00e1-lo para a bacia. Toda a movimenta\u00e7\u00e3o em torno da \u00e1gua encantou as crian\u00e7as e as convidou a agir, refletindo sobre:<\/p>\n<p>\u2013 Qual o melhor pote a escolher?<br \/>\n\u2013 Ser\u00e1 que pego o \u201cgrand\u00e3o\u201d, onde cabe bastante \u00e1gua, ou o pequeno, onde cabe pouco, e volto mais r\u00e1pido para pegar mais?<br \/>\n\u2013 Em qual bacia devo colocar a \u00e1gua?<br \/>\n\u2013 O que est\u00e1 acontecendo com esse pote que a \u00e1gua some?<\/p>\n<p>Enquanto os pequenos se deliciavam com a brincadeira, pudemos observ\u00e1-los com aten\u00e7\u00e3o. Alguns enchiam seu pote, garrafa, copo, para em seguida derrubarem a \u00e1gua novamente na bacia, e se encantavam com o movimento da \u00e1gua, com o barulho, e gotas que respingavam. Outros enchiam a embalagem escolhida para depois jogar a \u00e1gua no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m era poss\u00edvel ver pequenos curiosos vertendo o l\u00edquido de um pote a outro, com tamanhos diferentes: de um copo para uma garrafa, de uma garrafa para uma tampa. Num movimento cont\u00ednuo, faziam a troca e em seguida pegavam mais \u00e1gua para continuar a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alguns iam transportando a \u00e1gua entre as bacias, descobrindo uma forma de \u201ccarreg\u00e1-la\u201d de um lado para outro. A esponja, ou melhor, a bucha, como falam, tamb\u00e9m despertou uma certa dose de encantamento: coloc\u00e1-la na \u00e1gua, apertar, ver a \u00e1gua escorrer ou ser absorvida. Ana literalmente tomou banho de bacia e se divertia enquanto o fazia. De lata em punho, jogava a \u00e1gua na cabe\u00e7a e morria de rir.<\/p>\n<p>Pedro ficou cismado com o fato de n\u00e3o conseguir levar \u00e1gua at\u00e9 a bacia. tamb\u00e9m pudera: o pote que escolheu era um vaso de plantas com furos embaixo. Foi incans\u00e1vel e determinado. Mais, p\u00f5e mais, dizia ele. Via que estava cheio, mas bastava um segundo para aquela \u00e1gua desaparecer. De novo, l\u00e1 ia ele, quero mais, quero mais. Satisfeito ao ver seu pote cheio, pois a educadora tampava os furos enquanto enchia, surpreendia-se ao dar dois passos e&#8230; cad\u00ea aquela \u00e1gua que de novo sumiu?<\/p>\n<p>Esse movimento se repetiu algumas vezes at\u00e9 que finalmente ele tomou uma decis\u00e3o muito importante. Vou trocar os potes, \u00e9 o que deve ter pensado. Aproximou-se das embalagens e escolheu um novo recipiente. Agora vai, imagino ter sido o que passou por sua cabe\u00e7a. E novamente animado, pedia \u00e0 educadora para ench\u00ea-lo. Ah! Ser\u00e1 poss\u00edvel, de novo est\u00e1 acontecendo a mesma coisa! A educadora enchia seu recipiente para em seguida a \u00e1gua cair por baixo. Dessa vez tinha escolhido o gargalo de uma garrafa de pl\u00e1stico, que funcionava como um funil e a \u00e1gua escorria toda.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o incans\u00e1vel Pedro \u2013 talvez qualquer um de n\u00f3s j\u00e1 teria jogado a toalha diante de tamanho desafio \u2013 escolheu rapidamente outro pote e bingo!, desta vez olhou o fundo. Finalmente a \u00e1gua ficava l\u00e1 dentro. Feliz da vida, Pedro conseguiu transportar a \u00e1gua at\u00e9 a bacia, e acho que sua conquista era tal que punha um pouco em cada bacia, certificando-se talvez de que aquela \u00e1gua n\u00e3o fugiria novamente.<\/p>\n<p>Eu, como mera observadora, me encantei ao ver o caminho percorrido por Pedro, e fiquei pensando como \u00e9 f\u00e1cil uma crian\u00e7a pequena se interessar e se envolver com uma proposta t\u00e3o simples, que nos remete \u00e0 ess\u00eancia, ao b\u00e1sico de tudo. Obrigada, Pedro, por me ensinar a fazer grandes descobertas em pequenos gestos e na simplicidade das coisas.<\/p>\n<p>Nessa brincadeira, embora a atividade fosse espont\u00e2nea, uma rela\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o com o objeto havia sido cuidadosamente planejada. Fora organizada no espa\u00e7o, com materiais interessantes e adequados, e teve boas interven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Caso contr\u00e1rio, possivelmente se tornaria uma grande bagun\u00e7a, e n\u00e3o uma situa\u00e7\u00e3o rica de aprendizado e experi\u00eancia. Relacionar-se com a \u00e1gua como objeto de ocupa\u00e7\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o possibilita \u00e0s crian\u00e7as, realmente, mais descobertas. Nessa atividade elas foram os protagonistas, e isso tornou-se instigante e m\u00e1gico para elas. Diferentemente da atividade do suco, essa brincadeira com a \u00e1gua foi espont\u00e2nea, apesar de organizada.<\/p>\n<div id=\"attachment_2531\" style=\"width: 534px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2531\" class=\"size-full wp-image-2531\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo1.jpg\" alt=\"avisala_19_conhecendo1.jpg\" width=\"524\" height=\"593\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo1.jpg 524w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo1-265x300.jpg 265w\" sizes=\"auto, (max-width: 524px) 100vw, 524px\" \/><p id=\"caption-attachment-2531\" class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as da Creche Despertar brincam de dar banho nas bonecas<\/p><\/div>\n<p><strong>As aprendizagens das educadoras <\/strong><br \/>\nNos intervalos de minhas visitas, as educadoras propuseram outras atividades e brincadeiras com \u00e1gua e registraram suas observa\u00e7\u00f5es, o que possibilitou um encadeamento das propostas numa seq\u00fc\u00eancia de trabalho. Foram atividades como fazer ch\u00e1, gelo, lavar roupa de boneca, brincar com bexiga cheia de \u00e1gua, fazer gelatina, tomar banho de esguicho, brincadeiras com \u00e1gua e areia, casinha etc.<\/p>\n<p>O mais gratificante foi notar como propuseram isso para as crian\u00e7as. Tempos atr\u00e1s, certamente elas fariam tudo e as crian\u00e7as apenas observariam, mas agora est\u00e3o preocupadas com a a\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e suas aprendizagens. Outro foco da nossa proposta foi o relacionamento fundamental entre os professores e as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Observar a crian\u00e7a cuidadosamente, tentar compreender sua l\u00f3gica e seu pensamento, ouvir atentamente id\u00e9ias ou perguntas e encoraj\u00e1-la na busca de respostas foram atitudes constru\u00eddas pelas educadoras que passaram a se encantar com as realiza\u00e7\u00f5es dos pequenos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, tanto crian\u00e7as como adultos pareciam estar envolvidos e focados no mesmo trabalho e empenhados em relacionar-se com o conhecimento n\u00e3o s\u00f3 do objeto em quest\u00e3o mas, sobretudo, das crian\u00e7as como sujeitos desse processo. E, nisso, minha avalia\u00e7\u00e3o tende a concordar com as palavras de Carolyn Edwards: (&#8230;) a extens\u00e3o do conte\u00fado do relacionamento entre professor-aluno \u00e9 focalizada sobre o pr\u00f3prio trabalho, e n\u00e3o sobre rotinas ou sobre desempenho das crian\u00e7as em tarefas acad\u00eamicas (&#8230;) O papel das crian\u00e7as no relacionamento era mais de aprendiz do que o alvo da instru\u00e7\u00e3o ou o de objeto de elogios.<\/p>\n<p>Esses relacionamentos apresentam v\u00e1rios benef\u00edcios (&#8230;), uma vez que a mente tanto dos professores quanto das crian\u00e7as encontra-se em quest\u00f5es de real interesse para ambos, a mente dos professores tamb\u00e9m \u00e9 engajada. Eles parecem mais interessados em fazer sugest\u00f5es, em ouvir atentamente id\u00e9ias e perguntas das crian\u00e7as, em encoraj\u00e1-las para que respondam \u00e0s id\u00e9ias umas das outras e est\u00e3o especialmente atentos ao risco de auxili\u00e1-las exageradamente<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p>A grande aprendizagem para as educadoras foi descobrir que as crian\u00e7as pequenas podem e devem assumir diversas a\u00e7\u00f5es durante as propostas. O medo de que ficassem agitadas, fizessem bagun\u00e7a, estragassem o material, fizessem sujeira foi sendo trocado pela confian\u00e7a de que eram capazes, do orgulho de perceberem isso. Notaram que as crian\u00e7as tiveram um avan\u00e7o muito significativo na oralidade, pois conversavam, faziam perguntas. Tamb\u00e9m sentiram que estavam mais curiosas e tudo queriam saber, apresentando uma atitude de pesquisa muito interessante para a idade delas.<\/p>\n<p>(Renata Frauendorf, formadora do Instituto Avisa L\u00e1)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> \u201cA crian\u00e7a e os conhecimentos sobre a natureza e sociedade\u201d. Luciana Hubner. Revista avisa l\u00e1 n\u00ba 6.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> Edwards, Carolyn \u2013 As cem linguagens da crian\u00e7a: Abordagem de Reggio Emilia na educa\u00e7\u00e3o da primeira inf\u00e2ncia, p\u00e1gs. 46 e 47. Editora Artmed.<\/p>\n<div id=\"attachment_2532\" style=\"width: 493px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2532\" class=\"size-full wp-image-2532\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo3.jpg\" alt=\"avisala_19_conhecendo3.jpg\" width=\"483\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo3.jpg 483w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo3-300x161.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 483px) 100vw, 483px\" \/><p id=\"caption-attachment-2532\" class=\"wp-caption-text\">No parque as crian\u00e7as se organizam para guardar os materiais depois da brincadeira<\/p><\/div>\n<h4>Por que esta pode ser uma boa proposta?<\/h4>\n<p>Uma coisa \u00e9 usar a \u00e1gua para beber, escovar os dentes, tomar banho. Em todos esses casos, a \u00e1gua est\u00e1 no contexto do cotidiano, com uma fun\u00e7\u00e3o utilit\u00e1ria. Outra coisa \u00e9 a \u00e1gua como fim, como objeto de ocupa\u00e7\u00e3o. Uma coisa \u00e9 a crian\u00e7a escovar os dentes, deixar a torneira aberta e se molhar. Outra coisa \u00e9 ter isso como objeto de investiga\u00e7\u00e3o, estudo, experi\u00eancia.<\/p>\n<p>A proposta da professora \u00e9 simples e instigante, um convite irrecus\u00e1vel para descobrir o fasc\u00ednio da transforma\u00e7\u00e3o. Uma coisa \u00e9 ver um professor misturar e fazer a m\u00e1gica. Outra totalmente diferente \u00e9 faz\u00ea-la. Tal proposta permite refletirmos sobre a diferen\u00e7a entre explicar algo a uma crian\u00e7a e ajud\u00e1-la a compreender.<\/p>\n<p>Compreender \u00e9 \u201cprender com\u201d, \u00e9 compreender em a\u00e7\u00e3o. No caso da experi\u00eancia, as crian\u00e7as compreenderam em a\u00e7\u00e3o. O que elas fizeram, afinal? Elas viram que no saquinho havia suco. Notaram a \u00e1gua que estava presa numa garrafa. Ent\u00e3o, soltaram a \u00e1gua, o p\u00f3 do saquinho, misturaram tudo em copos, mexeram com a colher&#8230; isso \u00e9 que \u00e9 compreender, \u00e9 prender junto. E elas compreendem em a\u00e7\u00e3o, fazendo.<\/p>\n<p>Misturar \u00e9 uma das formas de transformar. Quanto \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o em chamar aten\u00e7\u00e3o para os conceitos que geralmente aparecem nos livros did\u00e1ticos \u2013 a \u00e1gua \u00e9 inodora, ins\u00edpida e incolor \u2013, neste caso n\u00e3o procede por diversas raz\u00f5es. Hoje em dia a \u00e1gua sem gosto n\u00e3o existe, ela tem cloro, ela tem gosto. H\u00e1 toda uma discuss\u00e3o f\u00edsica mais sofisticada sobre as raz\u00f5es que explicam o fato da \u00e1gua ser neutra. A \u00e1gua \u00e9 neutra porque \u00e9 um cont\u00ednuo. O cont\u00ednuo n\u00e3o pode ter cor, n\u00e3o pode ter forma, n\u00e3o pode ter nada. E ela se amolda, porque sendo um cont\u00ednuo, se amolda ao que a descontinua.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, por exemplo: ela se amolda a uma caixa, a um copo etc.. A \u00e1gua tem o gosto do seu momento, da sua circunst\u00e2ncia. Em S\u00e3o Paulo tem um gosto, em outra cidade pode ter outro. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Ela tamb\u00e9m vai ter um gosto para cada pessoa, porque ela negocia com seu paladar, com o que est\u00e1 dentro da sua boca. Essa \u00e9 a for\u00e7a da \u00e1gua. \u201cEla \u00e9 nada, \u00e9 tudo ao mesmo tempo.\u201d<\/p>\n<p>Dizer que a \u00e1gua n\u00e3o tem cor e nem sabor s\u00e3o afirma\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas. Essa preocupa\u00e7\u00e3o reflete uma perspectiva adultoc\u00eantrica. Revela mais uma necessidade do professor do que da crian\u00e7a. Dizer que a \u00e1gua \u00e9 sem gosto s\u00f3 faz sentido enquanto pensamento formal. Do ponto de vista adulto, podemos dizer que se misturarmos a \u00e1gua, que \u00e9 quimicamente neutra, faremos com que ela assuma a identidade do objeto que est\u00e1 com ela.<\/p>\n<p>Mas isso tudo \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o da qu\u00edmica e da f\u00edsica, \u00e9 muito sofisticado. \u00c9 um \u201c Uma pergunta interessante seria: \u201cComo \u00e9 que eu transformo o gosto dessa \u00e1gua, ou ainda a cor, ou o cheiro?\u201c. Essa pergunta pede uma resposta conceitual \u2013 \u201cFazendo mistura\u201d \u2013, que est\u00e1 ao alcance da crian\u00e7a pequena.<\/p>\n<p>(Prof. Lino de Macedo, doutor em psicologia e membro do conselho consultivo da revista avisa l\u00e1)<\/p>\n<div id=\"attachment_2533\" style=\"width: 493px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2533\" class=\"size-full wp-image-2533\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo4.jpg\" alt=\"avisala_19_conhecendo4.jpg\" width=\"483\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo4.jpg 483w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo4-300x201.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 483px) 100vw, 483px\" \/><p id=\"caption-attachment-2533\" class=\"wp-caption-text\">O Mist\u00e9rio da \u00e1gua que mudou de cor e sabor \u2013 e que virou suco \u2013 encanta os pequenos (Renata Frauendorf)<\/p><\/div>\n<h4>Que perguntas podem ajudar a crian\u00e7a pequena?<\/h4>\n<p>A decis\u00e3o da professora de assegurar o acesso das crian\u00e7as aos materiais, permitindo que pudessem fazer experimenta\u00e7\u00f5es por conta pr\u00f3pria, nos faz pensar que o grande tema de seu trabalho deveria ser a conserva\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conserva\u00e7\u00e3o \u00e9 a propriedade daquilo que continua igual e que nos faz compreender que assim permanece. Quando a natureza do objeto \u00e9 descont\u00ednua, como \u00e9 o caso da garrafa, dos s\u00f3lidos etc., eu separo, monto e desmonto. \u00c9 revers\u00edvel, \u00e9 poss\u00edvel desfazer a opera\u00e7\u00e3o. Mas quando a natureza do objeto \u00e9 cont\u00ednua como a \u00e1gua, n\u00e3o d\u00e1 para reverter.<\/p>\n<p>S\u00f3 a natureza \u00e9 capaz de fazer isso. O que d\u00e1 para fazer \u00e9 regenerar. Como a gente se regenera? Do ponto de vista do cont\u00ednuo, \u201cn\u00f3s somos nossa experi\u00eancia vivida. Isso \u00e9 irrevers\u00edvel; mas se pode compensar, recuperar, perdoar\u201d. Do mesmo modo, o suco tamb\u00e9m se comporta assim: ele \u00e9 p\u00f3, mas virou \u00e1gua, e ele tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 recuper\u00e1vel.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as n\u00e3o teriam nenhuma condi\u00e7\u00e3o de fazer a reversibilidade nesse caso. E isso nem \u00e9 necess\u00e1rio. \u00c9 interessante lidar com as transforma\u00e7\u00f5es. A quest\u00e3o \u00e9: como perguntar para crian\u00e7as coisas complicadas como, por exemplo, \u201caonde foi a \u00e1gua?\u201d. A \u00e1gua virou suco, mas ela continua l\u00e1. A \u00e1gua enche a barriga, o suco tamb\u00e9m. O que a gente pergunta, afinal, e que faz sentido do ponto de vista da crian\u00e7a? As coisas que recuperam a mem\u00f3ria, tais como: O que aconteceu com a \u00e1gua? Para onde foi a \u00e1gua? O que se transformou? O que se deu com a \u00e1gua? O p\u00f3 virou \u00e1gua? Perguntas como essas ajudam a crian\u00e7a a estabelecer rela\u00e7\u00f5es entre o antes e o depois da mistura, organizar os acontecimentos no tempo, constituir a mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>(Prof. Lino de Macedo)<\/p>\n<div id=\"attachment_2534\" style=\"width: 493px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2534\" class=\"size-full wp-image-2534\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo6.jpg\" alt=\"avisala_19_conhecendo6.jpg\" width=\"483\" height=\"319\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo6.jpg 483w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_19_conhecendo6-300x198.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 483px) 100vw, 483px\" \/><p id=\"caption-attachment-2534\" class=\"wp-caption-text\">As crian\u00e7as aprendem quando podem explorar por conta pr\u00f3pria, com mais autonomia (Creche Educand\u00e1rio S\u00e3o Domingos)<\/p><\/div>\n<h4>Quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es de aprendizagem da crian\u00e7a pequena?<\/h4>\n<p>O que quer dizer espont\u00e2neo, afinal? Este \u00e9 um ponto de disc\u00f3rdia por falta de compreens\u00e3o do pensamento de Piaget. A professora d\u00e1 apenas as condi\u00e7\u00f5es. Ela cria uma altera\u00e7\u00e3o, uma proposta, uma instiga\u00e7\u00e3o. E as crian\u00e7as reagem positivamente, aceitando a proposta. Existem v\u00e1rios n\u00edveis de proposta. Uma coisa \u00e9 organizar o contexto: trazer material, criar ambiente, organizar espa\u00e7o e ent\u00e3o deixar a experi\u00eancia acontecer.<\/p>\n<p>Outra coisa \u00e9 ter uma interven\u00e7\u00e3o mais direta, mais organizada, com uma proposta do tipo: Vamos fazer o suco. Isso imp\u00f5e n\u00edveis diferentes de interven\u00e7\u00e3o. Observando as crian\u00e7as, podemos notar como cada uma reage \u00e0 proposta. H\u00e1 um enorme envolvimento, n\u00e3o h\u00e1 indisciplina, bagun\u00e7a, no sentido pejorativo do qual os professores em geral se queixam. O que h\u00e1 \u00e9 \u201cbagun\u00e7a de trabalho\u201d, produtiva. Quem atua s\u00e3o as pr\u00f3prias crian\u00e7as, os professores s\u00e3o continentes.<\/p>\n<p>O conte\u00fado \u00e9 proporcionado pelas crian\u00e7as. Nesse sentido, \u00e9 como se as crian\u00e7as fossem a \u00e1gua e o professor, a garrafa. Embora a atividade fosse espont\u00e2nea da perspectiva da crian\u00e7a, n\u00e3o o era para o adulto que elaborou o encontro da crian\u00e7a com determinados elementos, para uma rela\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o cuidadosamente planejada.<\/p>\n<p>A professora organizou o espa\u00e7o com materiais interessantes e adequados, observou as crian\u00e7as, dialogou com elas, fez boas interven\u00e7\u00f5es. Essas condi\u00e7\u00f5es foram fundamentais para que as crian\u00e7as pudessem aprender.<\/p>\n<p>(Prof. Lino de Macedo)<\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Programa Capacitar Educadores \u2013 Iniciativa: Instituto C&amp;A<br \/>\n<strong>Responsabilidade T\u00e9cnica:<\/strong> Instituto Avisa L\u00e1<br \/>\n<strong>Realiza\u00e7\u00e3o:<\/strong> Creche Educand\u00e1rio S\u00e3o Domingos. Rua Presgrave do Amaral, 160 Vila dos Rem\u00e9dios. CEP: 05103-010. S\u00e3o Paulo \u2013 SP. Tel.: (11) 3625-1326. E-mail: saodomingos@uol.com.br<br \/>\n<strong>Educadora de apoio:<\/strong> Renata Frauendorf<br \/>\n<strong>Formadora:<\/strong> Bia Gouveia<br \/>\n<strong>Equipe<\/strong> \u2013 Diretora: Ir. Maria de F\u00e1tima Ferreira; Coordenadora Pedag\u00f3gica: Ir. Tereza Alban\u00eaz; Educadoras: Milena do Ros\u00e1rio, Edilaine Aparecida Dantas Pinto, Mary Margarete A. de Oliveira e C\u00e9lia Regina S. da Silva.<\/p>\n<h4>Para Saber Mais<\/h4>\n<ul>\n<li>www.uniagua.org.br<\/li>\n<li>www.ate.com.br\/agua<\/li>\n<li>http:\/\/www.aguaonline.com.br<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Livros para o educador:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Referencial curricular nacional para Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u2013 Bras\u00edlia. MEC\/SEF, 2002.<\/li>\n<li>As cem linguagens da crian\u00e7a: Abordagem de Reggio Emilia na educa\u00e7\u00e3o da primeira inf\u00e2ncia. Carolyn Edwards, Lella Gandini e George Forman. Editora Artmed. Tel.: 0800 703 3444.<\/li>\n<li>\u201cA crian\u00e7a e os conhecimentos sobre a natureza e sociedade\u201d. Luciana Hubner. Revista avisa l\u00e1 no 6 \u2013 abril 2001.<\/li>\n<li>\u201cWhat George Taught me about Toddlers and Water\u201d. Alison Stephenson. Revista Young Children. Maio 2002.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Planejamos a seq\u00fc\u00eancia de brincadeiras com a expectativa de que as crian\u00e7as pudessem, a partir delas, descobrir, investigar e ampliar o conhecimento sobre a \u00e1gua, seus estados, caracter\u00edsticas e transforma\u00e7\u00f5es. Por Renata Frauendorf, com contribui\u00e7\u00f5es do Prof. Lino de Macedo<\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":3230,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,380],"tags":[1105,590,255,545,189,59,594,253],"class_list":{"0":"post-2527","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-conhecendo-a-crianca","8":"category-revista-avisala-19","9":"tag-revista-avisa-la-2004","10":"tag-agua","11":"tag-atividades","12":"tag-bebes","13":"tag-brincadeiras","14":"tag-creche","15":"tag-prof-lino-de-macedo","16":"tag-renata-frauendorf","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2527","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2527"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2527\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3230"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}