{"id":2482,"date":"2004-04-17T14:22:23","date_gmt":"2004-04-17T17:22:23","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=2482"},"modified":"2023-03-27T17:35:19","modified_gmt":"2023-03-27T20:35:19","slug":"ler-escrever-e-desenhar-a-partir-da-memoria-local","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/ler-escrever-e-desenhar-a-partir-da-memoria-local\/","title":{"rendered":"Ler, escrever e desenhar a partir da mem\u00f3ria local"},"content":{"rendered":"<h5>Aprender com sentido na escola tem sido desde sempre um desafio para professores. Produtos escolares, em geral, s\u00e3o aborrecidos exerc\u00edcios com pouco significado e n\u00e3o entusiasmam os alunos, os professores e, muito menos, a comunidade. Veja como isso pode ser diferente:<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2484\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber6.jpg\" alt=\"avisala_18_uber6\" width=\"573\" height=\"191\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber6.jpg 573w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber6-300x100.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 573px) 100vw, 573px\" \/><br \/>\nUma das modalidades organizativas do tempo did\u00e1tico que mais ajudam a produzir com significado \u00e9, sem d\u00favida, o projeto did\u00e1tico<sup>1<\/sup>. Uma proposta com um tema bem escolhido e um produto final interessante favorece a amplia\u00e7\u00e3o cultural no ambiente escolar, al\u00e9m de contribuir para um objetivo social claro e vis\u00edvel para todos os envolvidos. Os projetos sobre mem\u00f3ria local na escola cumprem ambos os crit\u00e9rios: o tema entusiasma a todos, pois diz respeito \u00e0 identidade e auto-estima das pessoas; as crian\u00e7as l\u00eaem e escrevem porque realmente precisam, e o que produzem tem uma destina\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Nos projetos sobre mem\u00f3ria local, as crian\u00e7as elaboram material para exposi\u00e7\u00f5es presenciais e virtuais. O projeto sobre mem\u00f3ria local na escola vem sendo desenvolvido em diferentes comunidades desde 2001. Nesse ano come\u00e7ou simultaneamente em Ituiutaba, Minas Gerais, e na Vila Isabel, na cidade do Rio de Janeiro. \u00c9 uma cria\u00e7\u00e3o conjunta do Museu da Pessoa e do Instituto Avisa L\u00e1 e conta com a parceria do Instituto Algar, em Minas; e do Instituto P\u00e3o de A\u00e7\u00facar<sup>2<\/sup>, no Rio de Janeiro e em Santos.<br \/>\n<!--more--><br \/>\n\u00c9 implementado em escolas da rede p\u00fablica, portanto conta com a atua\u00e7\u00e3o conjunta das Secretarias Municipais de Educa\u00e7\u00e3o e\/ou Divis\u00f5es de Ensino dos Estados. Durante dez meses, desenvolve-se nas escolas um trabalho compartilhado com coordenadores, professores e alunos. Os depoimentos s\u00e3o captados por alunos das escolas p\u00fablicas e resultam em diferentes atividades did\u00e1ticas e conte\u00fados para um hot-site na Internet. Em algumas cidades h\u00e1 tamb\u00e9m uma exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos conte\u00fados e imagens elaborados pelas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O projeto tem como objetivo oferecer aos professores e \u00e0s crian\u00e7as a oportunidade de desenvolver um trabalho contextualizado. Atua diretamente no que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o primordial das escolas, isto \u00e9, ensinar possibilitando que as crian\u00e7as aprendam mais e melhor, bem como ampliar os contatos da comunidade escolar com o mundo por meio de ferramentas atuais da comunica\u00e7\u00e3o em rede.<\/p>\n<p>Recuperar, rememorar ou conhecer a hist\u00f3ria familiar e de pessoas da comunidade tem sido alavanca importante para o resgate da identidade de um indiv\u00edduo ou de um grupo, uma vez que conhecer a partir da pr\u00e1tica e da experi\u00eancia de vida legitima o trajeto de cada um, implicando diretamente todos os sujeitos envolvidos. O relato a seguir cont\u00e9m trechos dos trabalhos desenvolvidos em Uberaba e Uberl\u00e2ndia em 2002 e 2003, respectivamente.<\/p>\n<div id=\"attachment_2485\" style=\"width: 266px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2485\" class=\"size-full wp-image-2485\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber2.jpg\" alt=\"avisala_18_uber2\" width=\"256\" height=\"188\" \/><p id=\"caption-attachment-2485\" class=\"wp-caption-text\">A Folia de Reis faz parte da vida do sr. Belchior e de sua fam\u00edlia (Luana, Izabela e Scarlett)<\/p><\/div>\n<p>O que \u00e9 mem\u00f3ria para as crian\u00e7as Sabe-se que as crian\u00e7as n\u00e3o aprendem apenas na escola. Por isso, a diversidade de opini\u00f5es, de id\u00e9ias e sugest\u00f5es em um grupo est\u00e1 sempre presente, desde que o professor se disponha a escut\u00e1-las. Conhecer o que elas sabem, portanto, \u00e9 ponto de partida para qualquer estudo.<\/p>\n<p>Logo no primeiro dia, em Uberl\u00e2ndia, nas tr\u00eas escolas de refer\u00eancia, nos apresentamos \u00e0s crian\u00e7as, eu e minha parceira, Alessandra Ancona, e trouxemos o assunto da mem\u00f3ria para conversar com elas. As crian\u00e7as tinham uma no\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria ligada ao sonho ou \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o, conforme contaram:<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um pensamento.<br \/>\n\u2013 \u00c9 onde se lembram os fatos acontecidos.<br \/>\n\u2013 Imagina\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2013 Onde a gente pensa.<br \/>\n\u2013 Onde a gente esquece e lembra de acordo com o tempo.<br \/>\n\u2013 Sonho.<br \/>\n\u2013 Imagina o que a gente quer sonhar.<br \/>\n\u2013 \u00c9 onde a gente pensa tudo o que quer pensar.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o esquece, o eu aprende.<br \/>\n\u2013 Cabe\u00e7a e cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estava clara a necessidade de aprofundar o conhecimento das crian\u00e7as sobre o assunto. Levamos ent\u00e3o o livro Guilherme Augusto de Ara\u00fajo Fernandes (ver Para Saber Mais).<\/p>\n<p>Durante a leitura, conversamos com as crian\u00e7as:<\/p>\n<p>\u2013 Por que seu Valdemar falou que faz chorar?<br \/>\n\u2013 perguntei \u00e0s crian\u00e7as.<br \/>\n\u2013 Porque as lembran\u00e7as s\u00e3o ruins \u2013 respondeu uma delas.<br \/>\n\u2013 Porque pode ser algo emocionante \u2013 considerou uma outra.<br \/>\n\u2013 E por que faz sorrir? \u2013 continuei.<br \/>\n\u2013 Uma coisa no passado, muito boa, que faz rir \u2013 respondeu a colega.<br \/>\n\u2013 Por que ser\u00e1 que esse personagem fala que mem\u00f3ria vale ouro? \u2013 perguntei, trazendo para a discuss\u00e3o a fala do autor.<br \/>\n\u2013 Porque ele podia ser rico no passado.<br \/>\n\u2013 Porque sem mem\u00f3ria a gente n\u00e3o sabe as coisas, ent\u00e3o \u00e9 como ouro.<br \/>\n\u2013 O que vale ouro?<br \/>\n\u2013 Uma mem\u00f3ria muito boa que a gente nunca esquece.<br \/>\n\u2013 Um dia que uma mulher ganha um beb\u00ea \u2013 disse, por fim, uma crian\u00e7a, observando que a professora, que tinha um filho pequeno em casa, ainda se lembrava do dia em que ele veio ao mundo.<\/p>\n<p>No meio da leitura, no momento em que Guilherme pergunta a seus pais o que \u00e9 mem\u00f3ria, questionei-os novamente sobre o que pensavam ser a mem\u00f3ria:<\/p>\n<p>\u2013 Quando as pessoas pensam.<br \/>\n\u2013 Coisa que nunca se esquece.<br \/>\n\u2013 Valiosa.<br \/>\n\u2013 Quando a gente vai a uma festa e lembra no outro dia.<br \/>\n\u2013 Quando a gente faz uma coisa h\u00e1 muito tempo e quer fazer de novo.<br \/>\n\u2013 Quando a gente v\u00ea uma coisa e fica cismado.<br \/>\n\u2013 Quando v\u00ea uma roupa e fica lembrando at\u00e9 a m\u00e3e querer comprar.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 coisa que voc\u00ea lembra.<br \/>\n\u2013 Lembran\u00e7as do passado.<br \/>\n\u2013 \u00c9 tudo que passou na vida.<br \/>\n\u2013 Onde guarda os pensamentos.<br \/>\n\u2013 Nem sempre \u00e9 boa.<br \/>\n\u2013 Coisas ruins e coisas boas que v\u00ea e guarda na mente.<br \/>\n\u2013 S\u00e3o coisas valiosas.<br \/>\n\u2013 Coisas mistas que a gente lembra. Boas e ruins. Aconteceram no passado.<br \/>\n\u2013 Pessoas que a gente conheceu.<\/p>\n<p>O livro Guilherme Ara\u00fajo Fernandes foi lido na \u00edntegra durante as atividades do projeto.<\/p>\n<p><strong>A leitura ampliando os horizontes <\/strong><br \/>\nAlgumas crian\u00e7as incorporaram passagens do texto como justificativa do que \u00e9 mem\u00f3ria, mostrando o quanto a leitura fazia sentido para elas. A leitura da hist\u00f3ria mostrou-se uma estrat\u00e9gia muito prop\u00edcia para desencadear essa conversa, fez com que as crian\u00e7as pensassem sobre o assunto e alterou o modo como se relacionavam com ele.<\/p>\n<p>As professoras notaram a import\u00e2ncia do planejamento dessa leitura. Observaram que n\u00f3s n\u00e3o apresentamos todos os conceitos imediatamente, mas fomos trabalhando com eles, com questionamentos, levantando sempre o que as crian\u00e7as sabiam. Elas avaliaram que esse procedimento permitiu um maior interesse e compreens\u00e3o do grupo e que a escolha do livro foi fundamental, pois nem todos tinham um conte\u00fado t\u00e3o relevante.<\/p>\n<p><strong>O que Uberl\u00e2ndia tem de bom <\/strong><br \/>\nEm outra ida nossa \u00e0s escolas, com o tema discutido com todo o grupo, avan\u00e7amos um pouco mais. Pedimos \u00e0s crian\u00e7as que apontassem aspectos da sua cidade que elas gostariam de estudar. Levantamos uma lista com locais hist\u00f3ricos e pontos curiosos: Museu Hist\u00f3rico e Museu do \u00cdndio; escola de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica; prefeitura; teatro Grande Otelo; as igrejas do Carmo e Nossa Senhora Abadia; a r\u00e1dio; o campo de futebol; quadra Carij\u00f3 e at\u00e9 mesmo a casa da av\u00f3 de uma das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as foi notada pelas professoras, que observavam nossa atua\u00e7\u00e3o<sup>4<\/sup>. Crian\u00e7as que de maneira geral tinham dificuldade de participar n\u00e3o se negaram frente \u00e0 oportunidade que oferecemos a elas. A condu\u00e7\u00e3o do trabalho, que inclu\u00eda todos os saberes das crian\u00e7as, favorecia essa participa\u00e7\u00e3o; mas, al\u00e9m disso, h\u00e1 que se considerar a import\u00e2ncia do tema vir ao encontro do interesse dos alunos. Isso \u00e9 fator determinante para o grupo.<\/p>\n<p>Embora o projeto tenha partido de uma a\u00e7\u00e3o externa \u00e0 escola e, portanto, \u00e0s crian\u00e7as, ele rapidamente foi apropriado por elas. A supervisora de uma das escolas disse que percebeu que os alunos come\u00e7aram a participar mais e de com qualidade a partir do momento em que entenderam que o projeto era deles. Ela disse que viu um professor responsabilizar o aluno por algo de bom que havia feito. Achei a observa\u00e7\u00e3o dela o m\u00e1ximo!<\/p>\n<p>De fato, \u00e9 comum que professoras chamem a aten\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as pela falta, pelo erro, pelo que deveriam ter feito e n\u00e3o fizeram. Nesse projeto h\u00e1 uma invers\u00e3o total, e as crian\u00e7as s\u00e3o responsabilizadas n\u00e3o s\u00f3 pelo desenvolvimento do projeto, mas, sobretudo, pelas pr\u00f3prias aprendizagens e conquistas.<\/p>\n<div id=\"attachment_2486\" style=\"width: 184px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2486\" class=\"size-full wp-image-2486\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber5.jpg\" alt=\"avisala_18_uber5\" width=\"174\" height=\"217\" \/><p id=\"caption-attachment-2486\" class=\"wp-caption-text\">Dona Sirley se lembra de sua av\u00f3, que era<br \/>Rainha Perp\u00e9tua, bem velhinha, montada no cavalo (Arthur e Matheus)<\/p><\/div>\n<p><strong>O que se escreve \u00e9 o que se sabe <\/strong><br \/>\nDepois dessa conversa, pedimos que escrevessem sobre o lugar que elas conheciam, indicando esse passeio a algum colega. Essa proposta levantou uma onda de reclama\u00e7\u00f5es gerais. Consegui entender essa postura por meio da an\u00e1lise de algumas escritas, que apresentavam bastante dificuldade.<\/p>\n<p>Neusa, a supervisora de uma das escolas, avaliou que os alunos reclamaram durante a atividade de escrita \u201c&#8230;n\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o gostam de escrever, mas na realidade n\u00e3o sabiam, n\u00e3o tinham assunto&#8230;\u201d. Parte da dificuldade que as crian\u00e7as t\u00eam para escrever n\u00e3o diz respeito \u00e0 forma.<\/p>\n<p>E, realmente, chamou a aten\u00e7\u00e3o que, apesar do interesse dos alunos em conhecer mais sobre a hist\u00f3ria da cidade, n\u00e3o escreveram sobre isso. Mudaram para um assunto geral, por exemplo, \u201cnatureza\u201d. Essa mesma quest\u00e3o surgiu em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escolha do tema \u201cescola\u201d. \u00c9 prov\u00e1vel que tenham mudado de tema por temerem n\u00e3o possuir informa\u00e7\u00f5es suficientes dos lugares mencionados anteriormente.<\/p>\n<p>A sa\u00edda encontrada foi falar de temas mais conhecidos, e escrever jarg\u00f5es do tipo:<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 preciso salvar a natureza.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p>A escola \u00e9 importante porque l\u00e1 a gente aprende.<\/p><\/blockquote>\n<p>Outras crian\u00e7as enfrentaram o desafio e pensaram muito sobre seu tema, como mostra o exemplo de uma menina. Ela manteve firme sua posi\u00e7\u00e3o de escrever sobre a Festa de Reis, tradicional evento da cidade. Come\u00e7ou timidamente, e logo conclui um texto breve:<\/p>\n<blockquote><p>A festa dos reis \u00e9 acontecida uma vez por ano eu por exemplo j\u00e1 fui em quatro festas desas. Ela acontece em homenagem aos tr\u00eas reis magos que ofereceram a Jesus o Ouro, Incenso e Mirra.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao passar por ela, li seu texto. Sabia que ela podia escrever mais se tivesse uma ajuda. Talvez lhe faltassem id\u00e9ias sobre o que escrever. Ent\u00e3o perguntei se j\u00e1 havia ido a alguma festa de reis, se lembrava de algo ocorrido naquela ocasi\u00e3o, e pedi que escrevesse o que havia de diferente nessas festas. V. pensou mais um pouco, retomou sua produ\u00e7\u00e3o e completou:<\/p>\n<blockquote><p>Nessas festas que eu fui aconteceram quatro coisas diferentes, a primeira coisa foi que a festa foi na rua em que um amigo meu foi escolido para presentear Jesus com Ouro, a esposa do amigo foi escolida pra presentear com incenso e a filha mais velha com Mirra.<br \/>\nA segunda foi que a festa foi dentro de uma casa onde eles omenagearam o p\u00e3o e o vinho e der\u00e3o a todas pessoas que compareceram l\u00e1. A terceira eles omenagiaram a morte de cristo. E a quarta eles omenagearam a volta dele. Nessas festas eu aprendi muito sobre a vida de Cristo.<\/p><\/blockquote>\n<p>V. \u2013 9 anos<\/p>\n<p>Aproveitei para refletir com os demais professores, que observaram que aquela era uma interven\u00e7\u00e3o que ajudava crian\u00e7as como V. a avan\u00e7ar na sua produ\u00e7\u00e3o, porque a inclu\u00eda de fato no relato, com todos os seus saberes. Afinal, elas n\u00e3o aprendem apenas na escola, e \u00e9 preciso aproveitar esse conhecimento na pr\u00e1tica pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p>Muito da dificuldade de escrever est\u00e1 no fato de que essa \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o complexa que envolve saberes diferentes: \u00e9 preciso conhecer bem o assunto e saber o que se vai escrever. Al\u00e9m disso, est\u00e1 em jogo tamb\u00e9m um conhecimento sobre a forma, que diz respeito ao como se vai escrever. Os problemas ortogr\u00e1ficos se inserem nessa ordem de saberes. \u00c9 importante escrever corretamente, segundo a conven\u00e7\u00e3o da nossa l\u00edngua. Mas \u00e9 igualmente importante reconhecer que esse n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico aspecto da escrita, tampouco o mais importante para muitas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Talvez G., a exemplo de M. L., pudesse avan\u00e7ar no seu texto se tivesse mais conhecimentos n\u00e3o s\u00f3 sobre o assunto, mas tamb\u00e9m sobre quest\u00f5es ling\u00fc\u00edsticas ligadas \u00e0 coer\u00eancia, ao estilo e a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o do texto. Os exemplos delas representam as produ\u00e7\u00f5es mais completas e coerentes de todo o grupo. Mas a grande maioria das crian\u00e7as escrevia textos muito simples.<\/p>\n<p>Essa dificuldade de conhecer mais sobre a linguagem que se escreve \u00e9 caracter\u00edstica de muitas crian\u00e7as em nosso pa\u00eds. Tal fato justifica projetos como o de mem\u00f3ria na escola, que associa o estudo sobre sua cidade e da mem\u00f3ria de seus moradores e a produ\u00e7\u00e3o de texto.<\/p>\n<p><strong>A escolha dos textos<\/strong><br \/>\nEm Uberaba, onde tinha como parceira a historiadora Cl\u00e1udia, foi preciso definir, logo no in\u00edcio, quais seriam os textos abordados no trabalho. Por que e para quem as crian\u00e7as escreveriam? Textos efetivamente necess\u00e1rios para o desenvolvimento das pesquisas ou que seriam vistos e lidos por outras pessoas na exposi\u00e7\u00e3o e no site do Museu da Pessoa? Optamos por trabalhar no projeto com:<\/p>\n<ul>\n<li>legendas de fotos e imagens (escritas de pr\u00f3prio punho)<\/li>\n<li>roteiros de entrevistas (texto coletivo)<\/li>\n<li>narrativas de mem\u00f3ria (ditadas ao professor ou a outros colegas, escribas num subgrupo de trabalho)<\/li>\n<\/ul>\n<p>Dentre os textos trabalhados nesse relato vamos privilegiar a entrevista e a narrativa. Ap\u00f3s a escolha do tema, o segundo passo foi elaborar um roteiro de entrevista para abordar o morador, o depoente informante do assunto em quest\u00e3o. Mas fazer perguntas n\u00e3o \u00e9 algo simples. \u00c9 preciso pensar previamente nas informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o imprescind\u00edveis, saber como deixar o depoente \u00e0 vontade e, ao mesmo tempo, com vontade de contar suas hist\u00f3rias etc. Mas, acima de tudo, \u00e9 necess\u00e1rio saber um pouco sobre o assunto que se quer investigar, posto que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel perguntar algo sobre o que n\u00e3o se sabe.<\/p>\n<p><strong>Preparando a entrevista<\/strong><br \/>\nPara a turma que escolheu o tema Vida Rural, por exemplo, lemos um trecho da entrevista de Cust\u00f3dia Samos Marcondes, recolhida no Projeto Imigrantes \u2013 West Plaza, do Museu da Pessoa. Precis\u00e1vamos recuperar com os alunos que o tema n\u00e3o \u00e9 somente a hist\u00f3ria do boi (tema recorrente em Uberaba), e sim a liga\u00e7\u00e3o da cidade com a vida rural.<\/p>\n<p>Portanto, a leitura do texto suscitou uma discuss\u00e3o interessante com os alunos, que perceberam que se tratava basicamente de como \u00e9 a vida rural, as festas, a descri\u00e7\u00e3o do s\u00edtio e as brincadeiras de D. Cust\u00f3dia no local. Esses pontos observados trouxeram muitas id\u00e9ias para a elabora\u00e7\u00e3o do roteiro final da entrevista que o grupo faria com um morador do meio rural, o fazendeiro Lourival Cicci.<\/p>\n<p>Elaborar o roteiro da entrevista serviu, desse modo, a dois objetivos: ajudar a conhecer mais sobre o assunto e tamb\u00e9m sobre a pr\u00f3pria escrita desse tipo de texto. Por isso planejamos uma seq\u00fc\u00eancia de tr\u00eas aulas para a elabora\u00e7\u00e3o do roteiro:<\/p>\n<ol>\n<li>a 1a atividade deveria ser feita pela formadora Cl\u00e1udia, e tinha como objetivo elaborar coletivamente um esbo\u00e7o de roteiro com os alunos;<\/li>\n<li>a 2a atividade seria orientada pela formadora com a professora da turma; juntas elas recuperariam o roteiro inicial para complementar com novas quest\u00f5es e tamb\u00e9m revisar outras;<\/li>\n<li>a 3a atividade seria a revis\u00e3o final, com os blocos de assuntos e suas quest\u00f5es j\u00e1 revisadas pelas crian\u00e7as.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Procedimentos para a entrevista<\/strong><br \/>\nAlgumas situa\u00e7\u00f5es observadas durante as entrevistas puderam ser discutidas, a fim de melhorar o planejamento das pr\u00f3ximas:<\/p>\n<ul>\n<li>Durante a entrevista, \u00e9 importante que as crian\u00e7as interajam com os entrevistados, evitando anota\u00e7\u00f5es. Para guardar as informa\u00e7\u00f5es, nada melhor do que a grava\u00e7\u00e3o de uma fita cassete, que pode ser retomada sempre que preciso.<\/li>\n<li>Num projeto conjunto, \u00e9 importante que as crian\u00e7as participem da divis\u00e3o de trabalho, mas o professor tamb\u00e9m pode orientar.<\/li>\n<li>O fato de os alunos lerem suas perguntas pode gerar um problema durante a entrevista, dependendo de como a sala est\u00e1 organizada. Favorecer a organiza\u00e7\u00e3o de rodas pode auxiliar a intera\u00e7\u00e3o entre entrevistado e entrevistadores.<\/li>\n<li>\u00c9 importante que haja tempo para o encantamento e o interesse pelo entrevistado. Nada se faz com pressa. Esse fato \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para a cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo e empatia entre os alunos e o depoente.<\/li>\n<li>As orienta\u00e7\u00f5es para o planejamento foram fundamentais para o sucesso das entrevistas, que aconteceram em todas as escolas participantes do projeto, como \u00e9 o caso da entrevista com a dona Sirley, congadeira da cidade de Uberl\u00e2ndia.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><br \/>\nO congado de dona Sirle<\/strong>y<br \/>\nA entrevistada Sirley Carmem Ribeiro ou Shirley, nascida em 26\/12\/56, chegou \u00e0 sala nervosa. Conceder entrevista \u00e0s crian\u00e7as, falar sobre sua vida, seus conhecimentos, sua experi\u00eancia pessoal \u00e9 motivo de muito orgulho para os entrevistados, de maneira geral. \u00c9 algo muito s\u00e9rio, da\u00ed a ansiedade.<\/p>\n<p>S\u00f3 no meio da entrevista \u00e9 que dona Sirley conseguiu relaxar um pouco mais. Ela \u00e9 uma pessoa muit\u00edssimo envolvida com o congado, sabe muito sobre o assunto e sua hist\u00f3ria na cidade. Toda sua fam\u00edlia, h\u00e1 v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, participa do congado. Sentimos que para sua vida este aspecto \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia, e \u00e9 um dos tra\u00e7os fortes da identidade de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<div id=\"attachment_2487\" style=\"width: 265px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2487\" class=\"size-full wp-image-2487\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber3.jpg\" alt=\"avisala_18_uber3\" width=\"255\" height=\"361\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber3.jpg 255w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber3-211x300.jpg 211w\" sizes=\"auto, (max-width: 255px) 100vw, 255px\" \/><p id=\"caption-attachment-2487\" class=\"wp-caption-text\">Rafael, Alysson e Leoncio<\/p><\/div>\n<p>Ela contou aos alunos sobre sua av\u00f3, congadeira que at\u00e9 80 e poucos anos ia para a cerim\u00f4nia montada a cavalo. Falou tamb\u00e9m sobre o pai que foi presidente, assim como ela \u00e9 hoje. Cantou as m\u00fasicas de inf\u00e2ncia que eram tocadas nas cerim\u00f4nias. Contou sobre as roupas e fun\u00e7\u00f5es de cada um no congado. Explicou como fazem para arrecadar fundos para a festa anual e todas as viagens durante o ano para outras cidades.<\/p>\n<p>Contou sobre uma das viagens, quando ao chegar \u00e0 igreja percebeu que n\u00e3o havia nenhuma pessoa negra no lugar, o que contrastava muito com o seu congado, que \u00e9 composto de mais de 80 integrantes, e entre esses h\u00e1 apenas 3 brancos. Relatou passagens em que sofreu fortes preconceitos raciais, mas, ao compartilhar isso com os alunos, o fez de forma muito s\u00e1bia e amadurecida. Mostrou muitas fotos de eventos onde aparecem suas filhas, netos e outros familiares. Trouxe para o grupo a bandeira e explicou tudo muito bem.<\/p>\n<p>Durante toda a entrevista, ela fez quest\u00e3o de refor\u00e7ar que o congado \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o religiosa e que por isso devemos ter muito respeito. Disse que atualmente est\u00e1 parecendo uma festa qualquer, que ostenta muitos recursos, mas que o dela tem um cunho religioso e que a tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 passada entre os membros da pr\u00f3pria fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Uma aluna muito interessada a questionou sobre o envolvimento do Congado com a religi\u00e3o cat\u00f3lica e o fato de ela usar v\u00e1rias vezes a palavra \u201ccrente\u201d, pois essa terminologia \u00e9 a que a aluna conhece como integrante da sua, que n\u00e3o participa de congado. A entrevistada ouviu tudo com muito respeito, e respondeu que crente \u00e9 quem acredita e por isso todos os religiosos podem ser denominados crentes. A menina ficou muito satisfeita, e a entrevistada tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Ela contou que sabia tocar muitos instrumentos, e os alunos adoraram isso. V\u00e1rios perguntaram sobre como deviam fazer para participar de congados. Ela at\u00e9 os convidou a participar da festa deles. Imagine s\u00f3, ela deu o telefone da casa dela para que eles ligassem caso tivessem d\u00favidas! O carinho com que apresentou as fotos e falou sobre sua hist\u00f3ria mobilizou os alunos. Professores que assistiram \u00e0 entrevista se emocionaram com o relato.<\/p>\n<p><strong>Do texto oral para o escrito<\/strong><br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o das narrativas, feita de modo coletivo, foi um dos recursos mais importantes para organizar os registros das pr\u00f3prias crian\u00e7as, das entrevistas, visitas e tantas outras situa\u00e7\u00f5es que vivenciaram ao longo do projeto. As fitas cassetes que elas gravaram viraram importantes fontes de informa\u00e7\u00e3o sobre a hist\u00f3ria da cidade.<\/p>\n<p>Restava a elas a tarefa de transpor esses conhecimentos para o texto escrito, compondo assim os pain\u00e9is da exposi\u00e7\u00e3o final. Com as professoras, investigamos as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para essa produ\u00e7\u00e3o, atividade principal para a transforma\u00e7\u00e3o da entrevista, do texto oral, em texto informativo, escrito.<\/p>\n<p>Com as crian\u00e7as, planejamos os seguintes passos:<\/p>\n<p>[1] Retomada da entrevista:<\/p>\n<ul>\n<li>conversar com os alunos para socializarem as impress\u00f5es sobre a entrevista;<\/li>\n<li>procurar compreender o que o entrevistado relatou sobre o assunto estudado;<\/li>\n<li>saber o que \u00e9 mais significativo para os alunos e para a pesquisa sobre o assunto.<\/li>\n<\/ul>\n<p>[2] Ouvir a entrevista \u2013 fita cassete ou VHS:<\/p>\n<ul>\n<li>retomar algo que foi esquecido;<\/li>\n<li>retomar algo que ficou confuso para o grupo;<\/li>\n<li>retomar para checar informa\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n<p>[3] Discutir sobre as impress\u00f5es da entrevista seguindo o mesmo crit\u00e9rio da organiza\u00e7\u00e3o do roteiro de perguntas.<\/p>\n<p>[4] Cria\u00e7\u00e3o de um roteiro para o planejamento do texto futuro.<\/p>\n<p>Iniciamos cada texto produzindo uma parte juntos. As crian\u00e7as ouviam a fita, conversavam, decidiam sobre o que escreveriam e ditavam um texto que escrevia para elas. Essa produ\u00e7\u00e3o permitiu que trabalhassem em grupos, aproveitando os diferentes saberes e compet\u00eancias de cada uma. Para escrever, aprenderam a organizar e expor suas sugest\u00f5es, discutindo com os colegas, ouvindo as posi\u00e7\u00f5es divergentes, negociando um texto em comum.<\/p>\n<p>As professoras fizeram, com as crian\u00e7as, um trabalho primoroso sobre o que ouviram nas entrevistas, e perceberam o quanto elas participaram e decidiram sobre o rumo do texto. Sabiam verdadeiramente sobre o que queriam escrever, o que muito ajudou no desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o do texto,\u00a0 como vemos no exemplo produzido ap\u00f3s a entrevista com dona Sirley (veja abaixo).<\/p>\n<p><strong>Intera\u00e7\u00f5es prazerosas<\/strong><br \/>\nEnquanto isso, em outra escola de Uberl\u00e2ndia, as crian\u00e7as entrevistavam um antigo morador de um bairro chamado Fundinho. L\u00e1 na frente da sala, no lugar mais privilegiado, sentaram o entrevistado, senhor Badeco, e sua esposa, que formavam um verdadeiro casal de novelas: ele falava bastante, mas j\u00e1 apresentava problemas de audi\u00e7\u00e3o, e ela o ajudava nisso ao mesmo tempo em que lhe dava alguns limites, quando ele se empolgava muito e queria contar os m\u00ednimos detalhes.<\/p>\n<p>A entrevista foi bastante animada, porque ele gostou das perguntas, agradecia e dizia para a crian\u00e7a que a formulava o quanto aquela pergunta era inteligente e importante, o que criava uma empatia grande entre os dois. Contou sobre sua inf\u00e2ncia e as brincadeiras de que gostava, e de cara ganhou a aten\u00e7\u00e3o, pois ficou de p\u00e9 ao explicar uma das brincadeiras.<\/p>\n<p>Um fato que muito as impressionou foi a quantidade de irm\u00e3os que teve: 18. Ele contou isso de forma muito natural e viu que as crian\u00e7as levaram um susto. Foi uma gargalhada geral! A sua vinda para o Fundinho tamb\u00e9m foi uma aventura. Contou sobre as conversas na beira do port\u00e3o e que assim come\u00e7ou o namoro com sua esposa.<\/p>\n<p>Os alunos encantaram-se com o fato de haver um time de futebol do bairro e que ele foi o goleiro. Nesse momento, j\u00e1 estavam no ch\u00e3o ouvindo a hist\u00f3ria, que deve ter sido naquele instante acrescida de muita fantasia por parte dele, pois seus interlocutores pediam algo grandioso, e assim contou sua grande defesa de um p\u00eanalti no \u00faltimo momento do jogo e depois o quanto ele foi aclamado como her\u00f3i!!<\/p>\n<p>Ele contou sobre os carros de boi que circulavam pelas ruas ainda de terra. E tamb\u00e9m contou sobre as transforma\u00e7\u00f5es no bairro. Depois de sua profiss\u00e3o e da loja da fam\u00edlia, que fica no Fundinho. Falou sobre Deus muitas vezes e deu alguns serm\u00f5es, mas as crian\u00e7as n\u00e3o se ligaram nisso, embora conseguissem respeitar, enquanto sua mulher tamb\u00e9m lhe dava alguns cutuc\u00f5es para ele parar de falar.<\/p>\n<p>Num determinado momento, disse que as mulheres deveriam ter filhos logo, mais ou menos assim aos 15 anos, e novamente uma grande gargalhada. Depois falou sobre a obriga\u00e7\u00e3o de a mulher saber cozinhar, e na classe v\u00e1rios meninos relataram que tamb\u00e9m sabem fazer alguns pratos; ent\u00e3o ele foi beijar todos. Contou, por fim, sobre seus 5 filhos homens e o quanto queria ter tido uma filha; e nesse momento saiu beijando uma das menininhas do grupo.<\/p>\n<p>No fim tomou um lanche delicioso com os meninos, preparado pelas m\u00e3es de alguns alunos. Ele e a esposa trouxeram uma flor para a professora. A escola fez uma foto do grupo e a colocou num porta-retrato com a assinatura de todos os alunos, e uma das m\u00e3es preparou uma linda cesta cheia de sabonetinhos para o casal. A entrevista foi uma delicadeza, e os alunos s\u00f3 faltaram carregar aquele velhinho no colo novamente, assim como no dia do p\u00eanalti.<\/p>\n<div id=\"attachment_2488\" style=\"width: 265px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2488\" class=\"size-full wp-image-2488\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber7.jpg\" alt=\"avisala_18_uber7\" width=\"255\" height=\"218\" \/><p id=\"caption-attachment-2488\" class=\"wp-caption-text\">Sr. Belchior j\u00e1 visitou cidades de S\u00e3o Paulo com sua companhia e disse que a Folia de Reis paulista tem um ritmo mais sambado (Rafael, Alysson e Leoncio)<\/p><\/div>\n<p><strong>A produ\u00e7\u00e3o de imagens<\/strong><br \/>\nAssim como outras entrevistas, a do seu Badeco tamb\u00e9m virou texto e foi para a exposi\u00e7\u00e3o final. Mas nem s\u00f3 de texto vive uma exposi\u00e7\u00e3o: as imagens tamb\u00e9m comp\u00f5em o conte\u00fado do que se quer mostrar \u00e0 comunidade. Para isso \u00e9 preciso investir nessa produ\u00e7\u00e3o. Propostas como desenho de observa\u00e7\u00e3o, desenhos a partir da aprecia\u00e7\u00e3o de fotos antigas, modelo vivo dos entrevistados, entre outras, ajudam as crian\u00e7as a ampliar o repert\u00f3rio de imagens.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as hist\u00f3rias dos entrevistados tamb\u00e9m enchem a cabe\u00e7a de id\u00e9ias, como vemos no exemplo do seu Badeco. Haja gente para desenhar a enorme lista levantada pelas crian\u00e7as das imagens que serviriam para ajudar a recontar tudo o que ele lhes ensinara: os homens da cidade que andavam com chap\u00e9us; castigos na escola \u2013 palmat\u00f3ria e nariz de Pin\u00f3quio; os 18 irm\u00e3os; as brincadeiras \u2013 pipa, pi\u00e3o e pula no amigo; carro de boi com os 8 animais; o pai dele indo a cavalo at\u00e9 Goi\u00e1s \u2013 300 l\u00e9guas; a venda do chap\u00e9u Ramezoni, que era a principal marca da \u00e9poca; prociss\u00e3o pelas ruas do Fundinho; os amigos que foram para a Guerra; ele sendo carregado pelos torcedores do Fluminense pelas ruas do Fundinho.<\/p>\n<p>Assim, ao fim dos dez meses de trabalho, as crian\u00e7as tinham produzido textos e desenhos para uma exposi\u00e7\u00e3o que foi aberta em grande estilo, num shopping da cidade, durante um m\u00eas. \u00c9 exemplo de um trabalho que promove a produ\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de cultura pelas crian\u00e7as, na escola.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea gostou desta proposta, aproveite algumas id\u00e9ias. Mas, se quiser saber um pouco mais sobre as crian\u00e7as, os moradores dessa cidade e as hist\u00f3rias que eles t\u00eam para contar, pegue o primeiro v\u00f4o para Minas Gerais, ou viaje pela rede, acessando o Museu da Pessoa: http:\/\/www.museudapessoa.net<\/p>\n<p>(M\u00e1rcia Cristina da Silva, formadora do Instituto Avisa L\u00e1 e do CEDAC)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> Para saber mais sobre projeto did\u00e1tico consultar a revista Avisa l\u00e1 no 13<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> P\u00e3o de A\u00e7\u00facar faz Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup> Os formadores do Museu da Pessoa e do Instituto Avisa L\u00e1 v\u00e3o \u00e0s escolas mensalmente e desenvolvem junto com as professoras e as crian\u00e7as o projeto de mem\u00f3ria local.<\/p>\n<div id=\"attachment_2489\" style=\"width: 434px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2489\" class=\"size-full wp-image-2489\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber10.jpg\" alt=\"avisala_18_uber10\" width=\"424\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber10.jpg 424w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber10-300x186.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><p id=\"caption-attachment-2489\" class=\"wp-caption-text\">O CONGADO \u00e9 uma festa em homenagem a S\u00e3o Benedito e Nossa Senhora do Ros\u00e1rio (J\u00e9ssika, Maria Lu\u00edza e Maria Eduarda)<\/p><\/div>\n<h4>Alimentando a escrita<\/h4>\n<blockquote><p>Eu j\u00e1 fui no Museu Municipal. Quando eu fui l\u00e1, eu vi equipamentos e objetos usados pelos Bandeirantes, objetos ind\u00edgenas, uma cozinha antiga com um fog\u00e3o \u00e0 lenha e uma maquete de Uberl\u00e2ndia. A maquete \u00e9 de antigamente, l\u00e1 tem os cemit\u00e9rios, a 1a cadeia de Uberl\u00e2ndia onde o 1\u00ba presidi\u00e1rio foi uma mulher porque ela bebeu muito a noite e perturbou os moradores a dormir, a 1\u00aa farm\u00e1cia de Uberl\u00e2ndia e as resid\u00eancias ela \u00e9 muito bem feita. Eu adorei ir l\u00e1. No final eu assinei meu nome num caderno e fui embora. Foi muito bom ir l\u00e1. M. L. \u2013 10 anos<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_2491\" style=\"width: 203px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2491\" class=\"size-full wp-image-2491\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/uber.jpg\" alt=\"uber\" width=\"193\" height=\"117\" \/><p id=\"caption-attachment-2491\" class=\"wp-caption-text\">Os Caixeiros tocam os instrumentos (Joana D\u2019arc e<br \/>Gustavo Arantes)<\/p><\/div>\n<h4>Texto coletivo: dona Sirley<\/h4>\n<blockquote><p>Sirley contou que o Congado \u00e9 uma festa religiosa em homenagem a Nossa Senhora do Ros\u00e1rio e S\u00e3o Benedito que \u00e9 um santo negro. Para ela o importante no Congado \u00e9 a f\u00e9 e n\u00e3o a disputa e a competi\u00e7\u00e3o. A sua participa\u00e7\u00e3o no Cangado \u00e9 \u201cdesde que me conhe\u00e7o por gente\u201d segundo suas palavras. Seu pai e um grupo ajudaram a construir uma capela em Salitre de Minas \u2013 MG e l\u00e1 come\u00e7ou a tradi\u00e7\u00e3o familiar no Congado. A av\u00f3 de Sirley foi Rainha Perp\u00e9tua da festa e at\u00e9 bem idosa seu filho a colocava no cavalo e ela sa\u00eda galopando na cavalaria como uma jovem amazona.<\/p>\n<p>A mais antiga lembran\u00e7a que Sirley tem sobre o Congado \u00e9 de quando era crian\u00e7a e via uma grande fogueira que subia e suas fa\u00edscas pareciam foguetes e estrela no c\u00e9u e assim a festa come\u00e7ava. Sirley atualmente \u00e9 Presidente e Madrinha do \u201cCongado Catup\u00e9 Azul e Branco de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio e S\u00e3o Benedito\u201d mas j\u00e1 fez praticamente tudo, como: tocou maracan\u00e3, foi bandereira, rainha e quebra galho.<\/p>\n<p>Para a festa do \u201cCongado Catup\u00e9\u201d acontecer os integrantes saem para rezar, cantar nas resid\u00eancias e as pessoas doam alimentos que ser\u00e3o usados no dia da festa para servir os componentes do grupo e visitantes. As cores do \u201cCongado Catup\u00e9\u201d s\u00e3o: azul, branco e prata e seguem este regulamento e n\u00e3o s\u00e3o luxuosos pois a f\u00e9 \u00e9 a mais importante componente como ela contou.<\/p>\n<p>Antes da festa que acontece entre outubro e novembro, \u00e9 preciso reservar as ruas para o desfile. Em Uberl\u00e2ndia o trajeto parte da \u201cPra\u00e7a S\u00e9rgio Pacheco\u201d at\u00e9 a \u201cPra\u00e7a da Bicota\u201d. A festa dura 2 dias e os participantes do congo desfilam pelas ruas cantando, tocando e dan\u00e7ando.<\/p>\n<p>Sirley gosta de todas as m\u00fasicas mas principalmente a que seu pai lhe ensinou:<\/p>\n<p>\u201cAos p\u00e9s de mam\u00e3e do Ros\u00e1rio Com amor no cora\u00e7\u00e3o (2x)<br \/>\nEu venho mam\u00e3e, Eu venho mam\u00e3e Pedir tua prote\u00e7\u00e3o (2x)\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o desse grupo me surpreendeu, pois era uma sala dif\u00edcil de se trabalhar: o n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as era pequeno, a sala era invadida por olhares externos o tempo todo. Das janelas, que ficam no corredor, o barulho era constante. Apesar de tudo isso, elas sabiam muito bem o que queriam escrever e conseguiram ditar tudo da melhor maneira poss\u00edvel. Fizemos v\u00e1rias discuss\u00f5es interessantes, e as decis\u00f5es tomadas foram aprovadas por quase todos. Ao final, as crian\u00e7as mal acreditavam no tanto que escreveram juntas.<\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Professores e coordenadores das escolas de Uberl\u00e2ndia: E.E. Bairro Maravilha; E. E. Zacharias Junqueira; E.E. Angelino Pavan; E. E. En\u00e9as Oliveira Guimar\u00e3es; E.M. Prof. Luis Rocha e Silva; E. M. Professor Milton de Magalh\u00e3es Porto; E. M. Ot\u00e1vio Responsabilidade T\u00e9cnica: Instituto Avisa L\u00e1. Formadora: M\u00e1rcia Cristina da Silva.<\/p>\n<p>Museu da Pessoa: Rua Delfina, 342 \u2013 Vila Madalena. CEP: 05443-010 \u2013 SP. Tel.: (11) 3814-4912. Formadora: Alessandra Ancona.<\/p>\n<p>Instituto Algar: Tel.: (34) 3218-3027 . Site: www.institutoalgar.org.br<\/p>\n<p>CTBC: Tel.: 0800 34 2002. Site: www.ctbctelecom.com.br<\/p>\n<div id=\"attachment_2492\" style=\"width: 309px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2492\" class=\"size-full wp-image-2492\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber1.jpg\" alt=\"avisala_18_uber1\" width=\"299\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber1.jpg 299w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber1-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px\" \/><p id=\"caption-attachment-2492\" class=\"wp-caption-text\">A partir dos desenhos e textos escritos, o cen\u00f3grafo Renato Theobaldo elaborou grandes pain\u00e9is contando as hist\u00f3rias dos entrevistados<\/p><\/div>\n<h4>Para Saber Mais<\/h4>\n<p>O projeto de mem\u00f3ria local na escola, tanto em Uberaba como em Uberl\u00e2ndia, teve a dura\u00e7\u00e3o de dez meses e contou com diferentes etapas de trabalho, al\u00e9m das que foram apresentadas neste artigo. Al\u00e9m das entrevistas, da produ\u00e7\u00e3o de texto e das imagens, as crian\u00e7as tamb\u00e9m tiveram a oportunidade de pesquisar na Internet, trocar e-mails com outras pessoas e editar a vers\u00e3o final dos textos. Confira a seguir outras oportunidades que um projeto como esse pode criar.<\/p>\n<p><strong>Projeto Hist\u00f3rias de Nossa Terra<\/strong><\/p>\n<p>Parceria entre o Instituto Algar, CTBC, Instituto Museu da Pessoa e Instituto Avisa L\u00e1, escolas p\u00fablicas de Uberaba e Uberl\u00e2ndia<\/p>\n<p><strong>[1] Objetivos de aprendizagens dos alunos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leitura:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Ler para conhecer e discutir sobre o assunto estudado;<\/li>\n<li>Desenvolver a escuta atenta para saber comunicar o que compreendeu do texto lido;<\/li>\n<li>Ler para ampliar o repert\u00f3rio sobre o tema e sobre como se escreve.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o de Texto:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Aprender a escrever textos informativos para um destinat\u00e1rio real;<\/li>\n<li>Elaborar texto com coer\u00eancia interpretativa;<\/li>\n<li>Desenvolver a capacidade de elaborar textos com mais autonomia e autoria.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Comunica\u00e7\u00e3o Oral:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Saber elaborar quest\u00f5es para uma entrevista que visem a amplia\u00e7\u00e3o do assunto estudado;<\/li>\n<li>Saber comunicar oralmente o que compreendeu a partir da entrevista;<\/li>\n<li>Desenvolver habilidade no falar e ouvir.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Hist\u00f3ria:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Inserir o aluno na hist\u00f3ria como participante ativo;<\/li>\n<li>Valorizar as hist\u00f3rias locais;<\/li>\n<li>Situar os alunos no tempo e espa\u00e7o.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><br \/>\nMem\u00f3ria:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Resgatar e valorizar as hist\u00f3rias de vida de pessoas comuns;<\/li>\n<li>Despertar o significado afetivo e social da rela\u00e7\u00e3o entre mem\u00f3ria e hist\u00f3ria a partir das experi\u00eancias relatadas e pesquisadas.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Trabalho com Internet:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Saber utilizar a tecnologia para se comunicar;<\/li>\n<li>Promover a atualiza\u00e7\u00e3o nos usos dos meios de comunica\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Facilitar o acesso \u00e0 pesquisa.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>[2] Poss\u00edveis Etapas<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8211; Levantamento dos conhecimentos pr\u00e9vios das crian\u00e7as:<\/strong><br \/>\nPara introduzir o assunto, \u00e9 bom recorrer a alguns livros sobre mem\u00f3ria. Depois, pode-se propor uma rodada de coment\u00e1rios sobre os lugares que as crian\u00e7as consideram importantes na cidade onde vivem. A produ\u00e7\u00e3o dos primeiros textos e desenhos sobre esses lugares ajuda a reconhecer como as crian\u00e7as se expressam na escrita e no desenho no in\u00edcio do projeto. Para aquecer e alimentar as conversas que surgir\u00e3o ao longo da semana, \u00e9 importante orientar as crian\u00e7as para o uso do computador e para pesquisar na Internet sobre o desenvolvimento deste projeto em outras cidades. Esta \u00e9 uma estrat\u00e9gia para observar o conhecimento pr\u00e9vio dos alunos em rela\u00e7\u00e3o a essa tecnologia.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Leituras do Ba\u00fa e outros livros:<\/strong><br \/>\nO Ba\u00fa \u00e9 uma colet\u00e2nea de textos, gravuras, fotos e objetos diversificados, criado e permanentemente renovado pelos participantes do projeto. Esse acervo se refere ao resgate das hist\u00f3rias que remetem e valorizam a mem\u00f3ria de um povo. A leitura e aprecia\u00e7\u00e3o, feita pelos alunos e professor, propicia uma familiaridade com os fatos registrados, relacionando-os a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Produ\u00e7\u00e3o de texto-tema e roteiro para entrevista:<\/strong><br \/>\nPara a produ\u00e7\u00e3o de texto sobre o tema \u00e9 preciso saber o conhecimento pr\u00e9vio das crian\u00e7as, pesquisar com elas na Internet, em livros, nos relatos de vida e possibilitar v\u00e1rias discuss\u00f5es no grupo sobre o assunto estudado. Montar um roteiro para a elabora\u00e7\u00e3o do texto \u00e9 a etapa subseq\u00fcente, pois o planejamento do que ser\u00e1 escrito \u00e9 importante para organizar as id\u00e9ias que se quer desenvolver.<\/p>\n<p>A seguir, as crian\u00e7as ditam para o professor essas id\u00e9ias, elaborando um texto coletivo. Em outro momento os alunos podem escrever em pequenos grupos. Para a entrevista, \u00e9 necess\u00e1rio elaborar o roteiro de perguntas antes, a fim de que os alunos discutam entre si e formulem quest\u00f5es para obter informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o foram conseguidas pelas pesquisas pr\u00e9vias, mas podem ser respondidas pelo entrevistado. O objetivo dessa etapa \u00e9 planejar e aprofundar os conhecimentos j\u00e1 conquistados.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Produ\u00e7\u00e3o de texto a partir da entrevista:<\/strong><br \/>\nPara produzir o texto, o primeiro passo \u00e9 discutir com os alunos suas percep\u00e7\u00f5es sobre o que ouviram do entrevistado e tamb\u00e9m recuperar as anota\u00e7\u00f5es que fizeram no dia da entrevista. Depois dessa conversa inicial, o professor pode sugerir que ou\u00e7am a fita ou vejam o v\u00eddeo da entrevista sempre que houver necessidade de esclarecer d\u00favidas e checar informa\u00e7\u00f5es. O passo seguinte \u00e9 planejar o que pode ser escrito e, finalmente, produzir o texto coletivamente \u2013 ditando para o professor e\/ou em pequenos grupos.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Produ\u00e7\u00e3o de texto de refer\u00eancia \u2013 legendas:<\/strong><br \/>\nA legenda \u00e9 um importante tipo de texto dentro do projeto, j\u00e1 que garante a identifica\u00e7\u00e3o dos desenhos, fatos mais representativos do processo de aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Os procedimentos did\u00e1ticos utilizados podem ser:<\/strong><br \/>\nconhecer diferentes tipos de legendas; promover a pesquisa sobre o assunto;<br \/>\ndiscuss\u00e3o sobre os diferentes tipos de legendas e sua fun\u00e7\u00e3o comunicativa;<br \/>\nmontagem de um mural com recortes de revistas, jornais e fotos com legendas para consulta no momento em que os alunos tiverem que escrev\u00ea-las;<br \/>\nprodu\u00e7\u00e3o de escrita de legendas para os desenhos sobre o tema, sobre a entrevista e fotos do tema; socializa\u00e7\u00e3o da escrita de legendas;<br \/>\nrevis\u00e3o dos textos de legendas escritas pelos alunos.<\/p>\n<div id=\"attachment_2493\" style=\"width: 376px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2493\" class=\"size-full wp-image-2493\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber8.jpg\" alt=\"Quando menino, seu Belchior era caixeiro e hoje \u00e9 capit\u00e3o de sua companhia, que se chama Nossa Senhora das Gra\u00e7as (Rubens e Bruno)\" width=\"366\" height=\"348\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber8.jpg 366w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_uber8-300x285.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 366px) 100vw, 366px\" \/><p id=\"caption-attachment-2493\" class=\"wp-caption-text\">Quando menino, seu Belchior era caixeiro e hoje \u00e9 capit\u00e3o de sua companhia, que se chama Nossa Senhora das Gra\u00e7as (Rubens e Bruno)<\/p><\/div>\n<p><strong>&#8211; Trabalho com Internet: pesquisa, envio\/recebimento de e-mails<\/strong><br \/>\nA Internet, neste projeto, \u00e9 usada como um recurso did\u00e1ticopedag\u00f3gico que agu\u00e7a a curiosidade dos participantes, inserindo-os no mundo digital. Esse recurso proporcionou a busca de parcerias com diversas institui\u00e7\u00f5es, dando ao aluno a oportunidade de ser o agente de seu aprendizado.<\/p>\n<p>A pesquisa na Internet possibilita ao aluno o acesso a recursos audiovisuais mais din\u00e2micos, o conhecimento diversificado sobre o tema trabalhado, com rapidez e facilidade de informa\u00e7\u00f5es atualizadas.<\/p>\n<p>O envio e recebimento de e-mails \u00e9 uma forma \u00e1gil de comunica\u00e7\u00e3o, que possibilita a troca de informa\u00e7\u00f5es e de conhecimentos, proporcionando tamb\u00e9m uma maior intera\u00e7\u00e3o entre as pessoas.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Para ler com as crian\u00e7as<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Guilherme Augusto de Ara\u00fajo Fernandes. Mem Fox. Editora Brinque Book. Tel.: (11) 3742-8142.<\/li>\n<li>Nas Ruas do Br\u00e1s \u2013 Cole\u00e7\u00e3o Mem\u00f3ria e Hist\u00f3ria. Dr\u00e1uzio Varella. Companhia das Letrinhas. Tel.: (11) 3707-3501.<\/li>\n<li>Bisa Bia, Bisa Bel. Ana Maria Machado. Editora Salamandra. Tel.: 0800 17 2002.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aprender com sentido na escola tem sido desde sempre um desafio para professores. Produtos escolares, em geral, s\u00e3o aborrecidos exerc\u00edcios com pouco significado e n\u00e3o entusiasmam os alunos, os professores e, muito menos, a comunidade. Veja como isso pode ser diferente. Por M\u00e1rcia Cristina da Silva<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":3226,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[379,34],"tags":[1105,587,264,511,100,339,585,588,586],"class_list":{"0":"post-2482","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-18","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2004","10":"tag-congado","11":"tag-historias","12":"tag-identidade","13":"tag-marcia-cristina-da-silva","14":"tag-memoria","15":"tag-memoria-local","16":"tag-resgate","17":"tag-uberlandia","19":"post-with-thumbnail","20":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2482","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2482"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2482\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3226"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}