{"id":2465,"date":"2004-04-14T22:31:58","date_gmt":"2004-04-15T01:31:58","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=2465"},"modified":"2023-03-27T17:35:08","modified_gmt":"2023-03-27T20:35:08","slug":"as-vantagens-de-trabalhar-a-memoria-oral-na-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/reflexoes-do-professor\/as-vantagens-de-trabalhar-a-memoria-oral-na-escola\/","title":{"rendered":"As vantagens de trabalhar a mem\u00f3ria oral na escola"},"content":{"rendered":"<h5>\u201cN\u00e3o h\u00e1 realidade hist\u00f3rica que n\u00e3o seja humana. N\u00e3o h\u00e1 hist\u00f3ria sem homens, como n\u00e3o h\u00e1 hist\u00f3ria para os homens, mas uma hist\u00f3ria de homens que, feita por eles, tamb\u00e9m os faz\u201d<sup>1<\/sup><\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2468\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_reflex5.jpg\" alt=\"avisala_18_reflex5\" width=\"170\" height=\"225\" \/><br \/>\nO resgate da hist\u00f3ria oral se constitui em uma possibilidade real de construir a hist\u00f3ria. Desenvolvido como projeto de trabalho na escola, \u00e9 um meio interessante de produzir conhecimentos, propiciar um processo de aproxima\u00e7\u00e3o entre escola e comunidade, al\u00e9m de contribuir para a constru\u00e7\u00e3o, pelos alunos, da pr\u00f3pria identidade e para a percep\u00e7\u00e3o de si mesmos como seres hist\u00f3ricos cuja experi\u00eancia e saberes t\u00eam valor.<\/p>\n<p>Nesta entrevista, a educadora Zilda Kessel<sup>2<\/sup>, integrante do projeto Mem\u00f3ria Local<sup>3<\/sup>, discorre sobre a import\u00e2ncia do resgate da mem\u00f3ria local pela escola e aponta caminhos para a implanta\u00e7\u00e3o de projetos desse tipo.<\/p>\n<p><strong>Avisa l\u00e1: Qual \u00e9 o sentido de um projeto de mem\u00f3ria na escola?<\/strong><br \/>\n<!--more--><br \/>\n<strong>Zilda Kessel:<\/strong> A inser\u00e7\u00e3o de qualquer conte\u00fado no curr\u00edculo escolar \u00e9 sempre fruto da negocia\u00e7\u00e3o, de escolhas e de press\u00f5es exercidas pelos diferentes grupos da sociedade. Escolher a pr\u00f3pria comunidade como tema \u00e9 uma atitude democr\u00e1tica, pois possibilita aos alunos olhar o universo que os cerca e compreender o seu papel hist\u00f3rico nesse contexto.<\/p>\n<p>Quando a experi\u00eancia vivida pelas crian\u00e7as, pelos educadores e idosos de uma comunidade se faz conte\u00fado de trabalho escolar, torna-se poss\u00edvel para as crian\u00e7as ler o mundo em que vivem, conhecer a hist\u00f3ria e o espa\u00e7o n\u00e3o como realidade dada, mas como realidade constru\u00edda pelas pessoas com quem convivem. Tamb\u00e9m s\u00e3o estimuladas a lembrar e registrar a sua mem\u00f3ria. A experi\u00eancia pessoal das crian\u00e7as, trabalhada como tema que se articula \u00e0 hist\u00f3ria da sua comunidade, possibilita tomar consci\u00eancia de si. O acolhimento, pela valoriza\u00e7\u00e3o de suas mem\u00f3rias, \u00e9 fator de incremento \u00e0 imagem positiva que podem construir de si mesmas. Possibilita compreenderem-se como parte de uma comunidade maior, que tem valor.<\/p>\n<p><strong>Como um trabalho com a mem\u00f3ria pode efetivamente contribuir para a constru\u00e7\u00e3o da identidade e da eleva\u00e7\u00e3o da auto-estima?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Zilda Kessel:<\/strong> A mem\u00f3ria, constitu\u00edda da experi\u00eancia vivida, contribui para a constru\u00e7\u00e3o da identidade porque possibilita a cada um elaborar os conceitos de si e de n\u00f3s em oposi\u00e7\u00e3o ao conceito de outro. S\u00e3o processos de identifica\u00e7\u00e3o e de diferencia\u00e7\u00e3o. Conhecer a experi\u00eancia de sua comunidade proporciona \u00e0s crian\u00e7as reconhecer um passado comum, que foi constru\u00eddo pelas hist\u00f3rias dos mais velhos. Eles chegaram antes, presenciaram e participaram de mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>O compartilhar dessas experi\u00eancias propicia a elas integrar o narrado \u00e0 sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria. \u00c9 na articula\u00e7\u00e3o dessas mem\u00f3rias que se tecem as mem\u00f3rias das comunidades. Ao conectar a sua experi\u00eancia \u00e0 experi\u00eancia dos mais velhos, as crian\u00e7as se reconhecem como parte de sua comunidade, podem dizer \u201cN\u00f3s, de Vila Isabel\u201d.<\/p>\n<p><strong>Por que hist\u00f3ria oral e \u00eanfase nas narrativas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Zilda Kessel:<\/strong> A experi\u00eancia vivida, preservada como mem\u00f3ria, tem na oralidade um de seus meios privilegiados de socializa\u00e7\u00e3o e de troca. Trabalhar com a oralidade \u00e9, portanto, um caminho para se conhecer as experi\u00eancias, os valores, os sentidos que uma comunidade constr\u00f3i a partir de suas experi\u00eancias. A oralidade n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica entre outras poss\u00edveis, nem uma escolha nos projetos com crian\u00e7as pequenas, que ainda n\u00e3o escrevem.<\/p>\n<p>Trabalhar com a linguagem oral \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o de projetos com mem\u00f3ria, j\u00e1 que \u00e9 por meio das narrativas do cotidiano que aprendemos acerca da nossa cultura e da nossa mem\u00f3ria, que aprendemos a utilizar a pr\u00f3pria linguagem.<\/p>\n<p><strong>Que tipo de atividade \u00e9 mais adequada ao trabalho com narrativas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Zilda Kessel:<\/strong> \u00c9 preciso criar espa\u00e7os para a pr\u00e1tica da oralidade. Momentos espec\u00edficos em que o grupo possa trocar id\u00e9ias, percep\u00e7\u00f5es. \u00c9 fundamental criar esse espa\u00e7o no cotidiano da sala de aula. Nas rodas de conversa, por exemplo, a mem\u00f3ria se exterioriza, as narrativas se encontram, h\u00e1 socializa\u00e7\u00e3o e troca. Ali se articulam as mem\u00f3rias de todos.<\/p>\n<p>A roda garante o espa\u00e7o de dizer, de dividir o que se pensa, se sente e se descobre. \u00c9 ali que as crian\u00e7as contam suas experi\u00eancias e percebem que seus saberes merecem respeito. O objetivo n\u00e3o \u00e9 discutir para chegar a um consenso, a uma verdade, mas garantir a cada um o direito de dizer, de contar, de ter a sua palavra, o seu jeito de dizer e o seu ponto de vista respeitados. A\u00ed nascem novos v\u00ednculos com o grupo.<\/p>\n<p>Na roda as mem\u00f3rias trazidas pelas crian\u00e7as e pelos entrevistados podem ser partilhadas, articuladas a outras mem\u00f3rias trazidas por relatos, imagens e textos escritos.<\/p>\n<div id=\"attachment_2470\" style=\"width: 304px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2470\" class=\"size-full wp-image-2470 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_reflex2.jpg\" alt=\"width=&quot;294&quot;\" width=\"294\" height=\"217\" \/><p id=\"caption-attachment-2470\" class=\"wp-caption-text\">Painel de abertura da Exposi\u00e7\u00e3o Santos das Crian\u00e7as, 2002<\/p><\/div>\n<p><strong>Al\u00e9m da roda de conversa, em que outras atividades se pode trabalhar com narrativas orais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Zilda Kessel:<\/strong> Sem d\u00favida, outra atividade fundamental \u00e9 a entrevista com pessoas da comunidade. Primeiro as crian\u00e7as levam para casa a tarefa de perguntar aos pais, av\u00f3s e vizinhos como era o bairro antigamente, quais eram as brincadeiras e as festas. Elas podem registrar, se j\u00e1 escrevem, contar na roda ou pedir que os adultos escrevam um par\u00e1grafo a ser lido na escola para as crian\u00e7as, pela professora. Pode-se tamb\u00e9m fazer pequenas entrevistas em sa\u00eddas dos grupos pelo bairro, que devem ser registradas a posteriori.<\/p>\n<p>A entrevista propriamente dita ocorre na escola, e \u00e9 preparada com cuidado: as crian\u00e7as discutem sobre quem convidar\u00e3o, o que ele poder\u00e1 contar sobre o tema em que est\u00e3o trabalhando. Depois preparam convite e roteiro de perguntas, testam gravador e m\u00e1quina fotogr\u00e1fica, preparam a sala e combinam uma forma de agradecimento.<br \/>\n<strong><br \/>\nO que as crian\u00e7as aprendem ao entrevistar algu\u00e9m?<\/strong><br \/>\n<strong><br \/>\nZilda Kessel:<\/strong> Primeiro aprendem a ouvir, percebem que as pessoas comuns s\u00e3o portadoras de experi\u00eancias e hist\u00f3rias interessantes. A partir da entrevista s\u00e3o realizadas atividades que re\u00fanem todas as compet\u00eancias trabalhadas no projeto: oralidade, registro e edi\u00e7\u00e3o de produtos. A entrevista \u00e9 um momento de encontro, gera o di\u00e1logo entre pessoas com idades e viv\u00eancias muito diferentes. Ali se estreitam os la\u00e7os entre a escola e a comunidade.<\/p>\n<p>Esse gesto de acolhimento \u00e9 compartilhado com as crian\u00e7as, \u00e9 como dizer a elas \u201ca sua hist\u00f3ria tem valor\u201d. E fica muito clara a compreens\u00e3o das crian\u00e7as sobre este valor. Elas se envolvem profundamente com a atividade, mudam a atitude e impressionam seus pr\u00f3prios professores. N\u00e3o \u00e9 incomum ouvir: \u201cN\u00e3o reconhe\u00e7o os meus alunos.\u201d<\/p>\n<p>Como se o v\u00ednculo criado pela entrevista restitu\u00edsse um sentido para a escola n\u00e3o como um espa\u00e7o cujos conte\u00fados de aprendizagem pouco t\u00eam a ver com as vidas das crian\u00e7as, mas como um espa\u00e7o de viver e de construir saberes, experi\u00eancias culturais significativas para elas.<\/p>\n<p><strong>Em um projeto em que as a\u00e7\u00f5es centrais ficam sob a responsabilidade das crian\u00e7as e nas narrativas que elas recolhem, que papel assume o professor?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n<strong>Zilda Kessel:<\/strong> O professor tem um papel muito importante como mediador e organizador das atividades com a oralidade. Criar as condi\u00e7\u00f5es para que essas atividades ocorram \u00e9 fundamental, j\u00e1 que n\u00e3o s\u00e3o espont\u00e2neas. Como nos lembra Benjamin<sup>4<\/sup>, os espa\u00e7os em que a experi\u00eancia vivida, a mem\u00f3ria, podia ser comunicada e valorizada foram suprimidos na nossa sociedade. Portanto, o professor precisa garantir esse espa\u00e7o na sala para que a mem\u00f3ria possa circular e criar v\u00ednculos entre as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Isso envolve preparativos e a proposi\u00e7\u00e3o de atividades que articulem leituras, imagens ou outros elementos que o professor pode trazer. Eles servem de ponto de partida ou contribuem para enriquecer o estudo do tema escolhido. \u00c9 na roda que o educador tamb\u00e9m pode perceber o interesse delas pelo relato trazido por uma delas sobre hist\u00f3rias e pessoas de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Ao convidar a pessoa em quest\u00e3o no relato para ser entrevistada, a experi\u00eancia pessoal de uma crian\u00e7a se estende. Se transforma numa oportunidade de encontro para todas elas.<\/p>\n<p><strong>Esse tipo de projeto se encerra no \u00e2mbito da oralidade? Qual \u00e9 o papel do registro escrito?<br \/>\n<\/strong><br \/>\n<strong>Zilda Kessel:<\/strong> A produ\u00e7\u00e3o de registros, escritos e gr\u00e1ficos, \u00e9 muito importante. O registro permite preservar e rememorar. Tamb\u00e9m garante o acesso ao que foi produzido, tanto \u00e0 comunidade que participa do projeto como tamb\u00e9m para as outras pessoas. No projeto de Mem\u00f3ria Local, o registro \u00e9 uma atividade constante, pois permite lembrar e refletir sobre cada momento vivido.<\/p>\n<div id=\"attachment_2471\" style=\"width: 266px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2471\" class=\"size-full wp-image-2471 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_reflex1.jpg\" alt=\"width=&quot;256&quot;\" width=\"256\" height=\"482\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_reflex1.jpg 256w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_reflex1-159x300.jpg 159w\" sizes=\"auto, (max-width: 256px) 100vw, 256px\" \/><p id=\"caption-attachment-2471\" class=\"wp-caption-text\">O condutor do bonde, Sr. Jos\u00e9 Pontes, 77, e seus entrevistadores no dia da<br \/>exposi\u00e7\u00e3o em Santos<\/p><\/div>\n<p>As crian\u00e7as trabalham com diferentes maneiras de registrar: constroem textos coletivos, textos-legenda para as imagens e roteiros de perguntas. Tamb\u00e9m desenham e fotografam.<\/p>\n<p><strong>E quanto \u00e0 leitura, como o projeto utilizou as diferentes pr\u00e1ticas de leitura?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Zilda Kessel:<\/strong> A leitura \u00e9 utilizada de diferentes maneiras: formadoras, educadoras e crian\u00e7as tiveram acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre os temas escolhidos, como hist\u00f3ria do bairro e festas, por meio de textos pesquisados em livros e na internet. As professoras tamb\u00e9m fizeram leituras sobre mem\u00f3ria, conceitos e processos de aprendizagem de leitura e de escrita e trabalho por projetos.<\/p>\n<p>Com as crian\u00e7as, a leitura foi trabalhada de diferentes maneiras. Lemos, em voz alta, livros e trechos de textos articulados aos elementos do projeto. Conceituamos mem\u00f3ria, por exemplo, a partir da leitura do livro Guilherme Augusto Ara\u00fajo Fernandes<sup>5<\/sup>, em que uma crian\u00e7a ajuda uma senhora idosa a recuperar sua mem\u00f3ria. Tamb\u00e9m lemos v\u00e1rios trechos de livros de relatos sobre o passado, feitos por pessoas com diferentes origens e faixas et\u00e1rias, como, por exemplo, o livro Hist\u00f3rias de Av\u00f4 e Av\u00f3<sup>6<\/sup>, em que o autor conta hist\u00f3rias que ouviu de seus av\u00f3s.<\/p>\n<p>Outra fonte importante foi o site do Museu da Pessoa.Net, onde est\u00e3o dispon\u00edveis milhares de relatos que integram o acervo de hist\u00f3rias de vida do Museu. A fim de trazer para o cotidiano atividades de leitura di\u00e1ria, cada sala recebeu um ba\u00fa de mem\u00f3rias. Ele j\u00e1 continha pequenos textos sobre temas do projeto, trechos de depoimentos sobre a inf\u00e2ncia, os brinquedos e o cotidiano de antigamente.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as tamb\u00e9m foram convidadas a trazer contribui\u00e7\u00f5es para o ba\u00fa. Muitos pais escreveram hist\u00f3rias e lembran\u00e7as para que fossem lidas em sala. O ba\u00fa \u00e9 um meio muito importante para a socializa\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es trazidas pelas crian\u00e7as, pois re\u00fane a participa\u00e7\u00e3o de todos. Os textos alimentam ainda curiosidades e d\u00favidas que podem se transformar em perguntas para serem feitas aos entrevistados.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o e o acesso permanente ao texto escrito permitem pensar sobre o que est\u00e1 sendo trabalhado e fazer liga\u00e7\u00f5es com as experi\u00eancias vividas no cotidiano do projeto, tanto pelas crian\u00e7as como pelos educadores. Isso ajuda todos a perceber como as informa\u00e7\u00f5es a que temos acesso s\u00e3o constru\u00eddas. O escrito nesse contexto n\u00e3o \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o que nos chega pronta, como nos textos did\u00e1ticos, por exemplo, considerados a priori como verdades. Aqui ele ganha sentido na sua possibilidade de se articular com as experi\u00eancias vividas.<\/p>\n<p><strong>Que contribui\u00e7\u00f5es os projetos de mem\u00f3ria podem trazer para a comunidade escolar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Zilda Kessel:<\/strong> A escola n\u00e3o preserva a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Ao olhar arquivos escolares em geral encontramos listas de matr\u00edcula e notas, por\u00e9m raramente registros realizados por professores, reflex\u00f5es, planejamentos e relatos de como se realizaram as atividades planejadas. Tamb\u00e9m \u00e9 raro encontrar trabalhos de alunos. Muitas vezes h\u00e1 fotos de eventos, mas nada, ou quase nada, sobre os processos de ensinar e de aprender.<\/p>\n<p>A escola n\u00e3o reconhece a sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o como um saber constru\u00eddo e que precisa ser preservado, que pode ser utilizado nos anos seguintes. Tamb\u00e9m n\u00e3o percebe que a sua a\u00e7\u00e3o \u00e9 uma parte da Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o e merece ser preservada como fonte para que se possa conhecer e escrever essa Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ao final de cada ano boa parte dos materiais elaborados por professores e alunos \u00e9 descartada. A biblioteca, em geral, s\u00f3 armazena e torna dispon\u00edvel o que lhe chega de fora, n\u00e3o preservando a produ\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria escola. Por isso, os projetos de mem\u00f3ria podem contribuir para a mudan\u00e7a dessa atitude.<\/p>\n<p>Cada entrevista, cada texto escrito n\u00e3o \u00e9 uma repeti\u00e7\u00e3o, uma simples tarefa, mas um momento \u00fanico a partir do qual se pode coletar e organizar um conjunto de informa\u00e7\u00f5es importantes e in\u00e9ditas para a comunidade. Por isso \u00e9 preciso organizar o material coletado e produzido no projeto para que ele possa ser preservado na escola. Ele poder\u00e1 ser consultado permanentemente e ainda ser utilizado em outras atividades pedag\u00f3gicas.<br \/>\n<strong><br \/>\nComo a escola pode contribuir para a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Zilda Kessel:<\/strong> Preservando partes significativas da produ\u00e7\u00e3o de educadores e de crian\u00e7as. \u00c9 preciso identificar os materiais coletados e produzidos, como registros escritos, fotos, folhetos, fitas gravadas, manipular esses materiais com cuidado e guard\u00e1-los longe do calor e da umidade. \u00c9 preciso tamb\u00e9m que eles estejam num local acess\u00edvel a todos, como a biblioteca.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2472\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_reflex6.jpg\" alt=\"avisala_18_reflex6\" width=\"181\" height=\"388\" \/>Sem d\u00favida, o meio mais importante de preserva\u00e7\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o dessa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o de produtos e sua veicula\u00e7\u00e3o. S\u00e3o eles que d\u00e3o \u00e0s a\u00e7\u00f5es da escola uma exist\u00eancia cultural e social. O produto faz com que a experi\u00eancia vivida no interior da escola ultrapasse os seus muros e ganhe o mundo.<\/p>\n<p>Assim, ao mesmo tempo em que valorizam os integrantes da comunidade, produtos como livros, \u00e1lbuns e exposi\u00e7\u00f5es possibilitam que a produ\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, a partir das hist\u00f3rias de suas comunidades, tenham uma exist\u00eancia social na forma de objetos culturais. Esses produtos articulam a mem\u00f3ria da comunidade \u00e0 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Pode-se dizer que o produto do projeto \u00e9 respons\u00e1vel pela valoriza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Zilda Kessel:<\/strong> N\u00e3o \u00e9 o simples fato de transformar a mem\u00f3ria em produto que a torna valorizada pela comunidade. Hoje \u00e9 poss\u00edvel ver como tudo pode ser transformado em produto sem, necessariamente, valorizar a experi\u00eancia das comunidades em que esses produtos foram gerados.<\/p>\n<p>H\u00e1 teses, livros, filmes que nunca chegam aos grupos cuja hist\u00f3ria serviu para a sua elabora\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso que eles retornem para as pessoas, que os envolvidos possam compartilhar da circula\u00e7\u00e3o dos produtos constru\u00eddos a partir dos seus relatos. Ter acesso \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o, ao livro, poder ver o site onde foram inseridos os textos produzidos pelas crian\u00e7as; enfim, compartilhar a experi\u00eancia inscrita nos produtos.<\/p>\n<p>Estar nos eventos e perceber como suas mem\u00f3rias est\u00e3o presentes em circuitos socialmente valorizados, como o site e as exposi\u00e7\u00f5es, faz com que crian\u00e7as, educadores e a comunidade percebam a import\u00e2ncia de sua contribui\u00e7\u00e3o. Ela se torna vis\u00edvel.<\/p>\n<p>Nada \u00e9 t\u00e3o organizador quanto a constru\u00e7\u00e3o de produtos que comuniquem aos outros a experi\u00eancia de cada um. \u00c9 por meio dessa constru\u00e7\u00e3o que a experi\u00eancia ganha uma materialidade, passa a existir enquanto hist\u00f3ria. Esse processo torna a experi\u00eancia comunic\u00e1vel e restitui a humanidade aos seus integrantes.<br \/>\n<strong><br \/>\nQual \u00e9 o papel das tecnologias nos projetos de mem\u00f3ria na escola?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Zilda Kessel:<\/strong> As tecnologias t\u00eam um papel importante a desempenhar em projetos de mem\u00f3ria. Utilizadas adequadamente, possibilitam a amplia\u00e7\u00e3o do alcance e da circula\u00e7\u00e3o dos saberes constru\u00eddos no projeto. Eles passam a integrar o espa\u00e7o virtual, por meio de sites e pela pr\u00f3pria troca de informa\u00e7\u00f5es, para al\u00e9m dos limites geogr\u00e1ficos da comunidade.<\/p>\n<p>Isso garante que a mem\u00f3ria ganhe o mundo. O que \u00e9 vivido, produzido e registrado por alunos e professores pode circular. A inclus\u00e3o digital das comunidades escolares se faz em torno de saberes significativos que podem ser conhecidos e utilizados por outras pessoas. Ao mesmo tempo em que se preservam e est\u00e3o dispon\u00edveis permanentemente para os participantes, os conte\u00fados ficam acess\u00edveis a uma boa parte da sociedade, o que possibilita o di\u00e1logo e a circula\u00e7\u00e3o em circuitos mais amplos.<\/p>\n<p>Eles dialogam com outras mem\u00f3rias, sendo sempre poss\u00edveis novas leituras. Na sociedade contempor\u00e2nea, em que o espa\u00e7o virtual vem crescendo em amplitude e import\u00e2ncia, devemos pensar em garantir tamb\u00e9m um espa\u00e7o para as nossas mem\u00f3rias.<\/p>\n<p><strong>Os professores s\u00e3o inclu\u00eddos nesses contextos virtuais? Como?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Zilda Kessel:<\/strong> N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar num projeto pedag\u00f3gico que lance m\u00e3o de tecnologias sem o professor. O trabalho de traz\u00ea-los para esse universo \u00e9 um dos compromissos que assumimos. \u00c9 preciso ter nele um foco da inclus\u00e3o digital. O professor necessita do investimento inicial para que possa inserir a tecnologia no seu cotidiano, compreend\u00eala e decidir sobre como us\u00e1-la com seus alunos.<\/p>\n<p>Para isso ele precisa receber um m\u00ednimo de informa\u00e7\u00f5es e ter acesso permanente aos equipamentos. \u00c9 necess\u00e1rio, tamb\u00e9m, integrar atividades realizadas presencialmente, que t\u00eam significado para os professores e atividades no espa\u00e7o virtual. Trocar experi\u00eancias por e-mail, ver sites etc.: enfim, estreitar os la\u00e7os e ampliar o di\u00e1logo entre educadores envolvidos no projeto.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es fundamentais para aqueles que desejam desenvolver trabalhos relacionados \u00e0 mem\u00f3ria na escola?<br \/>\n<\/strong><br \/>\nZilda Kessel: Em primeiro lugar, \u00e9 fundamental a ades\u00e3o dos educadores. Dialogar e sensibiliz\u00e1-los \u00e9 muito importante, na medida em que suas pr\u00f3prias experi\u00eancias e pr\u00e1ticas s\u00e3o objeto de trabalho do projeto. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel realizar projetos dessa natureza como algo desvinculado de outras a\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas.<\/p>\n<p>O processo de trabalho deve envolver necessariamente quatro pontos: a valoriza\u00e7\u00e3o das mem\u00f3rias dos integrantes da comunidade, a constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de oralidade, o registro de experi\u00eancias e relatos e a produ\u00e7\u00e3o de produtos. Acredito que os projetos de mem\u00f3ria n\u00e3o s\u00e3o simples aplica\u00e7\u00f5es de t\u00e9cnicas. Nesse sentido conhecer conceitos te\u00f3ricos sobre mem\u00f3ria, registro, rela\u00e7\u00f5es entre mem\u00f3ria e escola tamb\u00e9m pode ajudar. O di\u00e1logo entre a teoria e a pr\u00e1tica \u00e9 sempre importante.<\/p>\n<p>E ainda \u00e9 fundamental ter em mente que um projeto como esse faz com que a escola atue como produtora de saber e de cultura, e n\u00e3o como simples transmissora de saberes que lhes chegam prontos. Que crian\u00e7as e educadores t\u00eam a\u00ed uma oportunidade real de fortalecer seus la\u00e7os com a sociedade e se perceberem como seres hist\u00f3ricos cuja experi\u00eancia tem valor. A partir disso, constroem significados e percebem a sua import\u00e2ncia, na comunidade e no mundo.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> A Pedagogia do Oprimido. P\u00e1g. 127. Paulo Freire. Editora Paz e Terra. Tel.: (11) 3337-8399.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> Zilda Kessel \u00e9 especializada em Museologia. Formadora do Museu da Pessoa, vem atuando no projeto Mem\u00f3ria Local desde 2001, quando foi implantado no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Essa experi\u00eancia integrou a pesquisa que resultou na sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, A Constru\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria na Escola, defendida em 2003 na USP.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup> O projeto de mem\u00f3ria local \u00e9 desenvolvido pelo Museu da Pessoa, com a parceria do Instituto Avisa L\u00e1, com o objetivo de trazer para a escola a metodologia de hist\u00f3ria oral como um meio de propiciar \u00e0s comunidades escolares a possibilidade de contar a hist\u00f3ria a partir dos relatos de seus integrantes.<\/p>\n<p><sup>4<\/sup> Walter Benjamin foi escritor e pesquisador e tamb\u00e9m um dos mais eminentes pensadores do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p><sup>5<\/sup> e <sup>6<\/sup> Para saber mais, veja abaixo<\/p>\n<div id=\"attachment_2474\" style=\"width: 218px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2474\" class=\"size-full wp-image-2474 \" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_reflex3.jpg\" alt=\"width=&quot;208&quot;\" width=\"208\" height=\"252\" \/><p id=\"caption-attachment-2474\" class=\"wp-caption-text\">Sra. Aparecida Luiza de Miranda, desenhada por Jos\u00e9 Henrique Alves da Silva<\/p><\/div>\n<h4>Por que mem\u00f3ria oral na escola<\/h4>\n<ul>\n<li>Cria a oportunidade de as crian\u00e7as aprenderem por meio de uma abordagem criativa e coerente com a complexidade do mundo atual e sua nascente base tecnol\u00f3gica.<\/li>\n<li>Atribui \u00e0 escola um n\u00edvel de inser\u00e7\u00e3o na comunidade que vai al\u00e9m das tarefas tradicionais.<\/li>\n<li>Congrega v\u00e1rios agentes sociais para auxiliar na produ\u00e7\u00e3o de um processo de aprendizagem contempor\u00e2nea, real e efetiva.<\/li>\n<li>Usa a mem\u00f3ria oral como fator de valoriza\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1rio e como instrumento para o desenvolvimento da cidadania.<\/li>\n<li>Cria um produto final que d\u00e1 visibilidade \u00e0s a\u00e7\u00f5es de aprendizagem promovidas pela escola.<\/li>\n<li>Abre a possibilidade de aproximar ensino e aprendizagem da leitura e da escrita das pr\u00e1ticas sociais reais existentes na sociedade.<\/li>\n<li>Cria conex\u00f5es via internet dos alunos e professores com outros agentes em diferentes lugares do pa\u00eds e fora dele.<\/li>\n<li>Aprimora a pr\u00e1tica pedag\u00f3gica com vistas \u00e0 maior aprendizagem dos alunos, proporcionando aos professores a oportunidade de resolver problemas pr\u00e1ticos do ponto de vista did\u00e1tico.<\/li>\n<li>Aproveita o projeto para aprofundar o trabalho pedag\u00f3gico desenvolvido nas escolas.<\/li>\n<\/ul>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2473\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_18_reflex4.jpg\" alt=\"avisala_18_reflex4\" width=\"257\" height=\"190\" \/><\/p>\n<h4>Bibliografia<\/h4>\n<p><strong>Para professores:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>O Narrador: Considera\u00e7\u00f5es sobre a obra de Nikolai Leskov. Obras Escolhidas. Vol. 1. Editora Brasiliense. Tel.: (11) 6198-1488.<\/li>\n<li>O saber hist\u00f3rico na sala de aula. C. Bitencourt. (0rg). Editora Contexto. Tel.: (11) 3832-5838.<\/li>\n<li>A cultura da Educa\u00e7\u00e3o. J. Bruner. Editora Artes M\u00e9dicas. Tel.: (11) 221-9033.<\/li>\n<li>A pedagogia do oprimido. Paulo Freire. Editora Paz e Terra. Tel.: (11) 3337-8399.<\/li>\n<li>A Constru\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria na Escola: um estudo sobre as rela\u00e7\u00f5es entre mem\u00f3ria, hist\u00f3ria e informa\u00e7\u00e3o na contemporaneidade. Zilda Kessel. Mestrado ECA\/USP, 2003. www.memoriaeducacao.hpg.ig.com.br<\/li>\n<li>Confinamento Cultural, Inf\u00e2ncia e Leitura. Edmir Perrotti. Summus Editorial. Tel.: (11) 3872-3322.<\/li>\n<li>Escola e Mem\u00f3ria. Maria Cec\u00edlia Cortez Christiano de Souza. Editora da Universidade S\u00e3o Francisco (EDUSF). Tel.: (11) 4034-8441.<\/li>\n<li>Reflex\u00f5es sobre a Crian\u00e7a, o Brinquedo e a Educa\u00e7\u00e3o. Walter Benjamin.Editora 34. Tel.: (11) 3032-6755.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Para ler com seus alunos:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Bisa Bia Bisa Bel. Ana Maria Machado. Editora Salamandra. Tel.: 0800 17 2002. As hist\u00f3rias trazidas do passado pela bisa Bia e as hist\u00f3rias projetadas para o futuro para a neta Beta proporcionam a Isabel entrela\u00e7ar passado, presente e futuro.<\/li>\n<li>Guilherme Augusto Ara\u00fajo Fernandes. Mem Fox.Editora Brinque Book. Tel.: (11) 3742-8142. O menino Guilherme Augusto tenta descobrir o que \u00e9 mem\u00f3ria e assim ajudar sua amiga velhinha a reencontrar a sua mem\u00f3ria perdida.<\/li>\n<li>Hist\u00f3rias de Av\u00f4 e Av\u00f3 \u2013 Cole\u00e7\u00e3o Mem\u00f3ria e Hist\u00f3ria de Arthur Nestrovski. Editora Companhia das Letrinhas.Tel.: (11) 3707-3500. O autor conta passagens de sua inf\u00e2ncia com os av\u00f3s imigrantes de quem ouviu muitas hist\u00f3rias sobre os seus pa\u00edses de origem.<\/li>\n<li>Nas Ruas Do Br\u00e1s. Dra\u00fazio Varella. Editora Companhia das Letrinhas. Tel.: (11) 3707-3500. A inf\u00e2ncia vivida nas ruas do Br\u00e1s: o futebol, a vida em fam\u00edlia, as brincadeiras, doen\u00e7as e prescri\u00e7\u00f5es, numa S\u00e3o Paulo em que se pescava no rio Tiet\u00ea .<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Para navegar:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Palmas: cidade do conhecimento &#8211; Ambiente virtual para educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia e inclus\u00e3o digital. Al\u00e9m de conhecer a hist\u00f3ria de Palmas, GO, o site possibilita \u00e0s pessoas contar suas hist\u00f3rias de vida, como viveram o passado, o dia-a-dia e projetam o futuro. \u00c9 poss\u00edvel criar \u00e1lbuns de fam\u00edlia. http:\/\/www.cidadedoconhecimento.campusvirtual.br\/<\/li>\n<li>Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Oral e Mem\u00f3ria (CEDOM) &#8211; Site do CEDOM, Centro que preserva as mem\u00f3rias da cidade de Brusque (SC). Destaque para o projeto Bairro &amp; Mem\u00f3ria realizado por v\u00e1rias escolas da regi\u00e3o, que conduz a comunidade do bairro a interagir com a escola local. http:\/\/www.febe.edu.br\/cedom\/index.htm &#8211; Centro de Refer\u00eancia em Educa\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>M\u00e1rio Covas \u2013 (CRE) Um portal que re\u00fane refer\u00eancias para o trabalho do professor. Destaque para a \u00e1rea Memorial da Educa\u00e7\u00e3o, com informa\u00e7\u00f5es, relatos e exposi\u00e7\u00e3o virtual sobre a Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o no Estado de S\u00e3o Paulo. http:\/\/www.crmariocovas.sp.gov.br\/<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Para Saber Mais<\/h4>\n<ul>\n<li>Museu da Pessoa na rede &#8211; O portal Museu da Pessoa.Net \u00e9 um museu virtual de hist\u00f3rias de vida. Fazem parte do seu acervo depoimentos, fotografias, documentos, desenhos, grava\u00e7\u00f5es em \u00e1udio e v\u00eddeo sobre a hist\u00f3ria de vida de pessoas c\u00e9lebres e an\u00f4nimas. Criado pelo Instituto Museu da Pessoa.Net, o portal \u00e9 aberto \u00e0 consulta e participa\u00e7\u00e3o de toda pessoa que tenha o desejo de preservar e partilhar sua trajet\u00f3ria. Busca assim garantir o direito de todo ser humano de participar da Hist\u00f3ria. Ao preservar, integrar e divulgar experi\u00eancias de vida pela internet, o portal visa transform\u00e1-las em fonte de conhecimento e contribuir para a forma\u00e7\u00e3o de uma nova mem\u00f3ria social. Saiba mais acessando www.museudapessoa.net<\/li>\n<li>Site da Zilda Kessel: www.memoriaeducacao.hpg.ig.com.br<\/li>\n<li>Site do Instituto P\u00e3o de A\u00e7\u00facar: www.institutopaodeacucar.org.br<\/li>\n<li>Site da CTBC: www.ctbctelecom.com.br<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta entrevista, a educadora Zilda Kessel, integrante do projeto Mem\u00f3ria Local, discorre sobre a import\u00e2ncia do resgate da mem\u00f3ria local pela escola e aponta caminhos para a implanta\u00e7\u00e3o de projetos desse tipo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3226,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,379],"tags":[1105,14,584,339,585,340,583],"class_list":{"0":"post-2465","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-reflexoes-do-professor","8":"category-revista-avisala-18","9":"tag-revista-avisa-la-2004","10":"tag-entrevista","11":"tag-escola","12":"tag-memoria","13":"tag-memoria-local","14":"tag-museu-da-pessoa","15":"tag-zilda-kessel","17":"post-with-thumbnail","18":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2465","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2465"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2465\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3226"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2465"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}