{"id":2334,"date":"2004-01-12T18:23:12","date_gmt":"2004-01-12T20:23:12","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=2334"},"modified":"2023-03-27T17:22:06","modified_gmt":"2023-03-27T20:22:06","slug":"construcoes-ludicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/construcoes-ludicas\/","title":{"rendered":"Constru\u00e7\u00f5es l\u00fadicas"},"content":{"rendered":"<h5>As crian\u00e7as s\u00e3o mestres em transformar objetos. Como em um passe de m\u00e1gica, gravetos viram varinhas de cond\u00e3o, materiais aparentemente sem utilidade se tornam brinquedos inventivos. \u00c9 poss\u00edvel aproveitar esse potencial infantil na escola<\/h5>\n<div id=\"attachment_2423\" style=\"width: 604px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2423\" class=\"size-full wp-image-2423\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo1.jpg\" alt=\"O tonel que virou barco\" width=\"594\" height=\"425\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo1.jpg 594w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo1-300x214.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 594px) 100vw, 594px\" \/><p id=\"caption-attachment-2423\" class=\"wp-caption-text\">O tonel que virou barco<\/p><\/div>\n<p>Os objetos utilit\u00e1rios, brinquedos, diferentes materiais servem como elos entre a crian\u00e7a e o meio. Proporcionam oportunidades para ela representar ou expressar seus sentimentos, preocupa\u00e7\u00f5es ou interesses e se constituem em um canal para a intera\u00e7\u00e3o social com os adultos ou com as outras crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Os brinquedos industrializados de formas e fun\u00e7\u00f5es predefinidas possibilitam um tipo de brincadeira mais dirigida. Quando as crian\u00e7as brincam com objetos \u201cmenos realistas\u201d, como muitos dos brinquedos elaborados artesanalmente, os espa\u00e7os da inven\u00e7\u00e3o e da imagina\u00e7\u00e3o se ampliam, permitindo a elas transform\u00e1-los segundo sua pr\u00f3pria \u00f3tica.<\/p>\n<p>No entanto, nos dias de hoje s\u00e3o poucas as oportunidades que as crian\u00e7as t\u00eam de criar seus pr\u00f3prios brinquedos. Por esse motivo, pareceu-nos que uma proposta de constru\u00e7\u00e3o de brinquedos pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as seria uma experi\u00eancia nova e enriquecedora. Por meio de um projeto que envolvesse planejamento e confec\u00e7\u00e3o de novos objetos, a partir de materiais de sucata, favorecer\u00edamos o resgate do brinquedo feito artesanalmente no contexto da brincadeira infantil.<\/p>\n<p>Assim nasceu o projeto Constru\u00e7\u00f5es L\u00fadicas, no qual as crian\u00e7as tiveram a oportunidade de explorar materiais in\u00e9ditos, por meio de pesquisa em dep\u00f3sitos de sucatas da cidade. A proposta esteve pautada na reutiliza\u00e7\u00e3o de materiais descartados pela sociedade, mat\u00e9ria-prima para o processo criativo das crian\u00e7as.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nO projeto envolveu prioritariamente duas grandes quest\u00f5es: a brincadeira em seus diversos aspectos (relacionais, l\u00fadicos e de aprendizagem social) e a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica (esculturas e instala\u00e7\u00f5es l\u00fadicas). Para sua efetiva\u00e7\u00e3o foi fundamental a escolha da institui\u00e7\u00e3o e a capacita\u00e7\u00e3o dos professores.<\/p>\n<div id=\"attachment_2424\" style=\"width: 301px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2424\" class=\"size-full wp-image-2424\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo2.jpg\" alt=\"A investiga\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as inclui escalar \u00e1rvore e dar  cambalhotas no ar, usando mangueiras\" width=\"291\" height=\"792\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo2.jpg 291w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo2-110x300.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 291px) 100vw, 291px\" \/><p id=\"caption-attachment-2424\" class=\"wp-caption-text\">A investiga\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as inclui escalar \u00e1rvore e dar cambalhotas no ar, usando mangueiras<\/p><\/div>\n<p><strong>Onde tudo aconteceu<\/strong><br \/>\nDesenvolvemo s esse projeto com o apoi o do Instituto Camargo Corr\u00eaa<sup>1<\/sup>, em duas unidades da Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres do Novo Osasco \u2013 AMUNO<sup>2<\/sup>, que atendem 210 crian\u00e7as entre creche e centro de juventude. Participaram tamb\u00e9m crian\u00e7as de 5 a 12 anos e 14 professores, que, durante todo o tempo da capacita\u00e7\u00e3o, receberam apoio integral das duas diretoras e das duas coordenadoras pedag\u00f3gicas respons\u00e1veis pelas unidades educacionais.<\/p>\n<p>Apesar de ser um projeto pensado inicialmente por n\u00f3s, formadoras, ele contou com as valiosas contribui\u00e7\u00f5es de cada participante. As situa\u00e7\u00f5es oferecidas favoreceram o papel de protagonistas dos educadores.<\/p>\n<p>Pelo fato de o grupo de profissionais da creche e CJ AMUNO j\u00e1 terem passado por diversos processos formativos, \u00e9 uma equipe que tem uma linha de trabalho e uma concep\u00e7\u00e3o educativa afinada com a autonomia da crian\u00e7a e com a socializa\u00e7\u00e3o do conhecimento, e est\u00e1 sempre em busca de aprimorar a atua\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico desse projeto o foco estava no processo criativo das crian\u00e7as, na transforma\u00e7\u00e3o de objetos e espa\u00e7os para a brincadeira \u2013 havia muito que investigar, pesquisar, aprender e apurar conhecimentos sobre como a crian\u00e7a pensa, concebe o espa\u00e7o, como interage com os materiais e com seus parceiros na cria\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00f5es l\u00fadicas.<\/p>\n<p>O trabalho desenvolvido com esse grupo partiu da pesquisa de sucatas, aliada a propostas de interven\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os da creche pensadas por crian\u00e7as e adultos da institui\u00e7\u00e3o. Isso possibilitou a total mudan\u00e7a da configura\u00e7\u00e3o do parque e da utiliza\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o pelas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Foram oferecidos a elas diversos tipos de sucata industrial, previamente selecionadas, a fim de que brincassem e experimentassem suas possibilidades de utiliza\u00e7\u00e3o. A partir dessa experimenta\u00e7\u00e3o l\u00fadica, com interven\u00e7\u00f5es das professoras e formadoras, \u00e9 que resultou a execu\u00e7\u00e3o do produto final: brinquedos, esculturas e instala\u00e7\u00f5es. Do acompanhamento, discuss\u00e3o, planejamento e avalia\u00e7\u00e3o desse processo, nasceu o embasamento para o professor construir novas compet\u00eancias e multiplicar essa pr\u00e1tica no seu cotidiano.<\/p>\n<p><strong>O lugar do brinquedo feito artesanalmente <\/strong><br \/>\nHistoricamente, o brinquedo artesanal vem perdendo seu espa\u00e7o na sociedade em detrimento do brinquedo industrializado. Isso \u00e9 uma pena, porque tolhe uma compet\u00eancia infantil que faz parte de todas as culturas em diferentes tempos e lugares: a de criar e inventar brinquedos a partir de materiais e objetos diversos. Materiais que permitem diferentes utiliza\u00e7\u00f5es como os de sucata s\u00e3o classificados, segundo Leontiev<sup>3<\/sup>, como materiais de \u201clargo alcance\u201d, por oferecerem a possibilidade de mobilizar as mais variadas a\u00e7\u00f5es, durante as quais as crian\u00e7as podem atribuir diversos significados, ao contr\u00e1rio dos brinquedos sugestivos como bonecas, panelinhas etc., que habitualmente s\u00e3o mais determinantes no curso da brincadeira.<\/p>\n<p>Quando a crian\u00e7a tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o uma variedade de materiais, a capacidade de inventar \u00e9 valorizada e alimentada em um jogo constante de transformar objetos \u2013 sucatas, restos e refugos \u2013 em brinquedos originais. A id\u00e9ia do uso da sucata como material expressivo, e n\u00e3o apenas como ingrediente de uma receita pronta, foi uma marca deste projeto. Por meio de uma a\u00e7\u00e3o coletiva as crian\u00e7as criaram novas rela\u00e7\u00f5es com os objetos, recriando-os, transformando-os.<\/p>\n<p>Nosso princ\u00edpio foi incentivar a autoria e a co-autoria, que, segundo a defini\u00e7\u00e3o da educadora Monique Deheinzelin<sup>4<\/sup> corresponde \u00e0 \u201cpossibilidade de ser respons\u00e1vel por a\u00e7\u00f5es transformadoras; \u00e9 um reconhecimento de nosso pr\u00f3prio potencial de percep\u00e7\u00e3o e de compreens\u00e3o do mundo, a partir do qual podemos agir de forma conseq\u00fcente. (&#8230;) Uma co-autoria \u00e9 a coordena\u00e7\u00e3o destas responsabilidades, \u00e9 a possibilidade de realizar uma constru\u00e7\u00e3o conjunta.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_2425\" style=\"width: 821px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2425\" class=\"size-full wp-image-2425\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo4.jpg\" alt=\"Quando a crian\u00e7a tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o uma variedade de materiais, a capacidade de inventar \u00e9 valorizada\" width=\"811\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo4.jpg 811w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo4-300x208.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 811px) 100vw, 811px\" \/><p id=\"caption-attachment-2425\" class=\"wp-caption-text\">Quando a crian\u00e7a tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o uma variedade de materiais, a capacidade de inventar \u00e9 valorizada<\/p><\/div>\n<p><strong>Um universo de possibilidades<\/strong><br \/>\nQuando uma crian\u00e7a encontra um objeto novo, \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o brinque imediatamente. Verifica-se em suas a\u00e7\u00f5es uma progress\u00e3o, que vai da descoberta e da simples manipula\u00e7\u00e3o at\u00e9 a sua utiliza\u00e7\u00e3o imaginativa. As propriedades f\u00edsicas do objeto s\u00e3o encaradas como indica\u00e7\u00e3o de sua poss\u00edvel utiliza\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o constituem o in\u00edcio determinante do seu uso.<\/p>\n<p>Frente a um novo material \u00e9 interessante observar como as crian\u00e7as se empenham em suas explora\u00e7\u00f5es. Fazem uma verdadeira pesquisa de possibilidades. A plasticidade do material oferecido, aliada \u00e0 curiosidade infantil e disposi\u00e7\u00e3o para inventar, descobrir formas de uso, resulta em uma combina\u00e7\u00e3o muito produtiva, que envolve total concentra\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os e energia das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A possibilidade de a crian\u00e7a criar seu pr\u00f3prio brinquedo reaproveitando e recriando a partir da precariedade das sucatas \u00e9 uma experi\u00eancia transformadora, durante a qual ela passa a se enxergar tamb\u00e9m como produtora de cultura e n\u00e3o meramente como consumidora de produtos culturais. Sabemos que as crian\u00e7as t\u00eam um jeito pr\u00f3prio de reorganizar o mundo, como diz Walter Benjamim: \u201ca crian\u00e7a faz hist\u00f3ria com o lixo da Hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>Somado a isso, aprender a reutilizar materiais em proveito pr\u00f3prio e grupal tamb\u00e9m se constitui em um aprendizado importante no contexto global, no qual a reciclagem, redu\u00e7\u00e3o e reutiliza\u00e7\u00e3o de materiais, evitando desperd\u00edcios, tornam-se cada vez mais necess\u00e1rias para o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico (veja texto abaixo).<\/p>\n<p>A proposta de constru\u00e7\u00e3o de brinquedos pode abrir um espa\u00e7o privilegiado de intera\u00e7\u00e3o e confronto de diferentes crian\u00e7as com diferentes pontos de vista. Nessa experi\u00eancia, elas tentam resolver a contradi\u00e7\u00e3o da liberdade de brincar em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0s regras por elas estabelecidas. Na viv\u00eancia desses conflitos, as crian\u00e7as podem enriquecer a rela\u00e7\u00e3o com seus pares, na dire\u00e7\u00e3o da autonomia e coopera\u00e7\u00e3o, compreendendo e agindo sobre a realidade de forma ativa e construtiva.<\/p>\n<p>O brinquedo constru\u00eddo pode vir a ser parte fundamental no contexto da brincadeira infantil. Acreditamos que, atrav\u00e9s da interfer\u00eancia da crian\u00e7a na transforma\u00e7\u00e3o dos objetos para a constru\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio brinquedo, ela realizar\u00e1 um trabalho criativo, resultando em um brinquedo produzido por ela mesma e ganhando, por esse motivo, um valor afetivo diferenciado. A crian\u00e7a brincar\u00e1 com \u201coutros olhos\u201d com aquilo que ela puder construir.<\/p>\n<p><strong>O papel fundamental do educador<\/strong><br \/>\nSabemos que os conflitos s\u00e3o inevit\u00e1veis tanto no momento de cria\u00e7\u00e3o como nas brincadeiras, por\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o indesej\u00e1veis; ao contr\u00e1rio, s\u00e3o parte integrante do trabalho coletivo. Para que a brincadeira possa de fato promover o desenvolvimento s\u00f3ciomoral das crian\u00e7as, \u00e9 necess\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o dos educadores, no intuito de ajud\u00e1-las a desenvolver a capacidade de resolu\u00e7\u00e3o dos problemas. Nesse sentido, \u00e9 essencial que o educador garanta um espa\u00e7o em que o l\u00fadico se manifeste e que esteja presente, mediando a brincadeira da crian\u00e7a, sem, contudo, limitar a iniciativa infantil.<\/p>\n<ul>\n<li>Sua interven\u00e7\u00e3o educativa pode se dar de diversas formas:<\/li>\n<li>mediando as rela\u00e7\u00f5es entre as crian\u00e7as;<\/li>\n<li>observando o jogo;<\/li>\n<li>ajudando a organizar o ambiente;<\/li>\n<li>oferecendo materiais;<\/li>\n<li>auxiliando a crian\u00e7a na escolha de materiais, visando o incremento de sua constru\u00e7\u00e3o l\u00fadica.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Assim, o educador pode potencializar a atividade l\u00fadica e oferecer subs\u00eddios para que ela se torne, cada vez mais, uma atividade interessante e desafiadora para a crian\u00e7a. Quando as crian\u00e7as descobrem que o professor se interessa por seu processo de aprendizagem, oferecendo ajuda para alimentar o processo criativo, se estabelece uma parceria interessante.<\/p>\n<p>O projeto Constru\u00e7\u00f5es L\u00fadicas conciliou um trabalho formativo com as crian\u00e7as e com os adultos. Do ponto de vista da crian\u00e7a, foram objetivos deste trabalho todo o processo da cria\u00e7\u00e3o bem como o usufruto dos produtos confeccionados. Do ponto de vista do trabalho do educador, foram objetivos a discuss\u00e3o e sistematiza\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o educativa para refletir sobre as aprendizagens procedimentais, conceituais e atitudinais das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o desenvolvimento de novas compet\u00eancias dos professores possibilitou a multiplica\u00e7\u00e3o dos conhecimentos em novos projetos e pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas.<\/p>\n<div id=\"attachment_2426\" style=\"width: 455px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2426\" class=\"size-full wp-image-2426\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo5.jpg\" alt=\"Mil e uma utilidades de um peda\u00e7o de condu\u00edte \" width=\"445\" height=\"215\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo5.jpg 445w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo5-300x144.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 445px) 100vw, 445px\" \/><p id=\"caption-attachment-2426\" class=\"wp-caption-text\">Mil e uma utilidades de um peda\u00e7o de condu\u00edte<\/p><\/div>\n<p><strong>Destaques do projeto<\/strong><br \/>\nCoube \u00e0s coordenadoras do projeto (vide ficha t\u00e9cnica) a sele\u00e7\u00e3o de materiais em sucat\u00e1rios de sobras industriais que n\u00e3o oferecessem perigo e que tivessem um grande potencial de se transformarem em diferentes objetos, ou seja, parodiando Leontiev,\u201cbrinquedos de largo alcance\u201d.<\/p>\n<p>A origem dos materiais causou muito interesse entre as crian\u00e7as e os adultos. Depois de mostrarmos fotos e contarmos um pouco sobre sucat\u00e1rios da cidade, as professoras planejaram, com as crian\u00e7as, uma visita a um sucat\u00e1rio de Osasco. Todas gostaram muito de conhecer esse lugar, saber para onde vai parte do lixo da cidade. Em pouco tempo, palavras como: palete, carretel, condu\u00edte, cone passaram a fazer parte do vocabul\u00e1rio delas.<\/p>\n<p><strong>Intera\u00e7\u00e3o com os objetos de \u201clargo alcance\u201d<\/strong><br \/>\nOs materiais selecionados foram oferecidos \u00e0s crian\u00e7as em diversos momentos com o objetivo de que conhecessem e brincassem com eles, interagindo em uma brincadeira explorat\u00f3ria que culminou numa brincadeira construtiva. Na verdade, esses dois tipos de brincadeira foram complementares e envolveram pesquisa, investiga\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o ativa das crian\u00e7as na intera\u00e7\u00e3o com os objetos e com as possibilidades que estes ofereciam.<\/p>\n<p>Compartilhamos, desde o in\u00edcio do projeto, a constru\u00e7\u00e3o de equipamentos l\u00fadicos para o espa\u00e7o externo \u2013 o parque \u2013 e para as salas das crian\u00e7as. Assim sendo, a explora\u00e7\u00e3o teve um car\u00e1ter direcionado ao objetivo para o qual todos investiram coletivamente.<\/p>\n<p><strong>Observa\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o dos materiais<\/strong><br \/>\nEssa etapa do trabalho teve como principal objetivo instrumentalizar o professor a olhar para o processo criativo da crian\u00e7a, bem como planejar a\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0s necessidades do grupo. Al\u00e9m disso, os registros tamb\u00e9m ajudaram as crian\u00e7as a se apropriar do processo construtivo do qual participaram, podendo refletir sobre uma a\u00e7\u00e3o que no in\u00edcio foi mais pr\u00e1tica, mas que, ao longo do processo, em conseq\u00fc\u00eancia de nossa interven\u00e7\u00e3o, tornou-se cada vez mais fruto de uma a\u00e7\u00e3o planejada.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as maiores desde o in\u00edcio inventaram muitos brinquedos, enquanto os menores demoraram mais em suas explora\u00e7\u00f5es, o que deixou claro para as professoras que o jogo simb\u00f3lico dos maiores \u00e9 mais organizado e que os menores precisam de um tempo maior para criar.<\/p>\n<p><strong>Pesquisa e experimenta\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nPor se tratar de materiais e sucatas de \u201clargo alcance\u201d, uma infinidade de possibilidades se abriu para a cria\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que problemas foram colocados pela pr\u00f3pria resist\u00eancia dos materiais e suas potencialidades. Os momentos de experimenta\u00e7\u00e3o foram intercalados e enriquecidos por instantes de aprecia\u00e7\u00e3o de objetos produzidos com sucatas por outras crian\u00e7as, artistas, brinquedistas. Al\u00e9m disso, as crian\u00e7as foram convidadas a ensaiar possibilidades da pr\u00f3pria confec\u00e7\u00e3o com ajuda de profissionais espec\u00edficos, como o consultor de seguran\u00e7a em parques e o pedreiro, que nos auxiliou durante todo o processo.<\/p>\n<p><strong>Esbo\u00e7o do projeto: planejando o brinquedo<\/strong><br \/>\nEntre tantas possibilidades, a cria\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m exigiu um limite para se tornar vi\u00e1vel. Foram necess\u00e1rias escolhas para tornar um plano em a\u00e7\u00e3o efetiva. Para tanto, as crian\u00e7as trabalharam coletivamente nos esbo\u00e7os e prot\u00f3tipos para detectar as reais possibilidades dos materiais.<\/p>\n<p>Durante todo o processo, organizamos rodas de conversa para socializar as descobertas das crian\u00e7as. Mas, nessa etapa, as rodas se intensificaram com o intuito de ampliar o potencial de cria\u00e7\u00e3o, pois permitiam compartilhar id\u00e9ias com o grupo. Nesses momentos, tamb\u00e9m apresentamos processos de cria\u00e7\u00e3o de cientistas que inventam engenhocas, artes\u00e3os de brinquedos, artistas que trabalham em constru\u00e7\u00f5es l\u00fadicas, para que as crian\u00e7as pudessem incrementar suas id\u00e9ias e procedimentos.<\/p>\n<p><strong>Oficina de constru\u00e7\u00e3o e apoio t\u00e9cnico<\/strong><br \/>\nOs grupos de trabalho foram convidados a esbo\u00e7ar seus projetos criativos no papel e por meio de prot\u00f3tipos com materiais em pequena escala. Tiveram a possibilidade de ter materiais para ligar objetos, tais como durex, fita crepe, barbante, arame etc.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as contaram com orienta\u00e7\u00e3o e dicas de profissionais, que ajudaram a colocar em pr\u00e1tica suas id\u00e9ias. A utiliza\u00e7\u00e3o de furadeira ou serra tico-tico ficou a cargo de profissionais especializados mas, ainda assim, asseguramos a presen\u00e7a das crian\u00e7as para que pudessem coordenar e acompanhar o processo de transforma\u00e7\u00e3o dos objetos que esbo\u00e7aram.<\/p>\n<p>Elas tiveram, ao final do processo, um produto do pr\u00f3prio trabalho e de sua id\u00e9ia, podendo se enxergar tamb\u00e9m como produtoras de cultura, e n\u00e3o meramente como consumidoras de produtos, como comumente acontece na rela\u00e7\u00e3o com os brinquedos industrializados.<\/p>\n<p>Deixaram de ser exclusivamente propriet\u00e1rias de brinquedos manufaturados para serem criadoras de seus pr\u00f3prios brinquedos. A seguir, voc\u00ea poder\u00e1 acompanhar alguns dos momentos desse animado e instigante percurso de cria\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o e faz-de-conta.<\/p>\n<p><strong>A visita ao sucat\u00e1rio<\/strong><br \/>\nNey, pai de Aline, uma das crian\u00e7as que participaram do projeto, tem um sucat\u00e1rio. Ent\u00e3o a elegemos para ficar respons\u00e1vel por selecionar materiais para levar para a creche. Ela separou rodinhas de carrinho bandeirantes, que posteriormente se transformaram em parte de um brinquedo; um circuito para se andar em cima.<\/p>\n<p>Uma visita posterior de todas as turmas que participaram do projeto foi realizada, e a compreens\u00e3o de onde vinham todas as sucatas do projeto ganhou nova dimens\u00e3o. As crian\u00e7as comentavam que conheciam pessoas que trabalhavam catando coisas na rua para vender no ferro-velho. Sabiam que l\u00e1 era um local a que se podia recorrer para encontrar algo que fora jogado fora por falta de utilidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2427\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo6.jpg\" alt=\"avisala_17_tempo6\" width=\"568\" height=\"312\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo6.jpg 568w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo6-300x164.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 568px) 100vw, 568px\" \/>As sucatas foram levadas para o parque e as crian\u00e7as puseram-se a experimentar, testar e inventar novos jeitos de brincar, como mostramos a seguir. Foi interessante ver como iam criando e rearranjando as sucatas e dando novas formas e utilidades aos objetos. Um carretel com um tubo de piscina ganhou nova fun\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os de Paulo Roberto, que conseguiu vislumbrar um novo design para dois objetos aparentemente sem rela\u00e7\u00e3o um com outro: um excelente carrinho, criado e concebido por um garoto de apenas 5 anos!<\/p>\n<p>Cada sucata tem suas particularidades, caracter\u00edsticas muito especiais para as crian\u00e7as que sabem explorar suas formas para melhor utiliz\u00e1-las. Um tonel cortado ao meio oferece o balan\u00e7o de um barco. A viagem por mares nunca dantes navegados<sup>5<\/sup> torna-se inevit\u00e1vel, e a brincadeira possibilita aos participantes viajarem pelo parque num mundo imagin\u00e1rio de faz-deconta.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, neste mundo imagin\u00e1rio, \u00e0s vezes as crian\u00e7as est\u00e3o num foguete, outras num carro, \u00f4nibus ou avi\u00e3o. Cada um escolhe estar em ve\u00edculos de sua pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o. A combina\u00e7\u00e3o com diferentes materiais, como roda e pneus \u00e9 explorada pelas crian\u00e7as tornando tudo mais interessante.<\/p>\n<p><strong>Uma casinha feita de tudo<\/strong><br \/>\nA casinha, t\u00e3o constante nas brincadeiras, foi um dos projetos desenvolvidos pelo grupo. Foi feita num espa\u00e7o do parque que as crian\u00e7as pouco utilizavam no dia-a-dia. Planejar, participar da constru\u00e7\u00e3o, acompanhar as obras, ajudar na montagem do ch\u00e3o com caquinhos e bolinhas de gude s\u00e3o oportunidades que, sem d\u00favida, se constituem em grande aprendizado para o grupo, que vai aos poucos vendo seus projetos se tornarem realidade com a ajuda dos adultos.<\/p>\n<p>Uma casa com diferentes c\u00f4modos moldados por elas mesmas. Ora o palete<sup>6<\/sup> pode servir de ch\u00e3o, ora de colch\u00e3o, piscina, parede divis\u00f3ria, teto. A casinha resultante desse projeto n\u00e3o ficou terminada totalmente. Ainda pode ser completada com outras sucatas, tecidos, m\u00f3veis e o que mais couber \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Os panos, por exemplo, formam uma extens\u00e3o da casa.<\/p>\n<p>Pensando nisso, procuramos fixar ganchos nas paredes pr\u00f3ximas \u00e0 casinha para facilitar as amarra\u00e7\u00f5es: com eles as crian\u00e7as fizeram diversos \u201cpuxadinhos\u201d para suas constru\u00e7\u00f5es. A interven\u00e7\u00e3o do professor no espa\u00e7o, oferecendo novos materiais para compor as brincadeiras, continua a ser feita para alimentar as constantes reconstru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nos momentos de forma\u00e7\u00e3o das professoras, elas se dedicaram a pensar em espa\u00e7os diferenciados para a casinha a fim de alimentar o dia-a-dia, colocando-se no lugar de quem tamb\u00e9m pode retomar o processo criativo, pr\u00e1tica com a qual a crian\u00e7a tem muita intimidade. De todo modo, elas sabem e n\u00e3o se esquecem de que a prioridade \u00e9 valorizar o trabalho da crian\u00e7a, sem impedir sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Condu\u00edte \u2013 rob\u00f4 luneta<\/strong><br \/>\nO condu\u00edte vira um interessante brinquedo, j\u00e1 que amplia possibilidades do movimento.As crian\u00e7as escorregam pelo condu\u00edte, que fica preso no trepa-trepa, sem necessidade de amarra\u00e7\u00e3o. Em outros momentos, sobem nele. Como tem bastante flexibilidade, \u00e9 poss\u00edvel brincar de cavalinho, moto etc.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as acabam inventando brinquedos, que aliam tanto o conhecimento que t\u00eam do material, suas propriedades, quanto seu rico imagin\u00e1rio. A brincadeira simb\u00f3lica \u00e9 enriquecida por um brinquedo como esse, que ao mesmo tempo em que apresenta o desafio corporal de escorregar, pendurar-se, subir, tamb\u00e9m alimenta o faz-de-conta.<\/p>\n<p>Um condu\u00edte semelhante em grupo diferente tomou outro rumo, virou um brinquedo que apelidaram de moto Kawasaki. Interessante que este foi um brinquedo inventado pelo grupo do CJ, crian\u00e7as, entre 8 e 12 anos. E quem disse que crian\u00e7as maiores n\u00e3o brincam dessas coisas?<\/p>\n<p><strong>Arquitetura e engenharia infantis<\/strong><br \/>\nA id\u00e9ia de deixar a crian\u00e7a organizar seu pr\u00f3prio espa\u00e7o, desenh\u00e1-lo e projet\u00e1-lo segundo sua \u00f3tica e contar efetivamente com sua participa\u00e7\u00e3o para recri\u00e1-lo, foram preocupa\u00e7\u00f5es constantes neste projeto. Em geral, nas institui\u00e7\u00f5es educativas a organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o est\u00e1 a cargo do adulto, que pouco investiga como a crian\u00e7a o pensa e o concebe. O adulto, em geral, tem a necessidade de controlar e organizar os espa\u00e7os seguindo uma estrutura que n\u00e3o foge do padr\u00e3o funcional.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as, n\u00e3o, estabelecem modos criativos de se relacionar com ele. Uma cabana, por exemplo, pode ocupar a sala toda e ter muitas entradas e divis\u00f3rias. Materiais menos estruturados, como panos, pl\u00e1sticos, celofanes, barbante etc., permitem uma infinidade de constru\u00e7\u00f5es inusitadas. Uma entrada que n\u00e3o seja pela porta principal, mas sim por alguma outra passagem pouco convencional, \u00e9 uma id\u00e9ia t\u00e3o boa que poderia ser aproveitada nos projetos arquitet\u00f4nicos. As crian\u00e7as, sem d\u00favida, contribuem muito para pensar nos espa\u00e7os que educam; por isso deveriam ser convidadas e consideradas para essa tarefa.<\/p>\n<p><strong>Como nasce um t\u00fanel<\/strong><br \/>\nBrinquedos criados s\u00e3o frutos de pesquisa, investiga\u00e7\u00e3o, ensaios, discuss\u00f5es com outros profissionais, retomadas de id\u00e9ias antigas que j\u00e1 tiveram resultados anteriormente. No caso do t\u00fanel criado pelas crian\u00e7as do CJ AMUNO, houve uma parceria interessante entre elas e os adultos.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia surgiu de um simples rolo de papel ondulado. Certa ocasi\u00e3o, prepararam uma surpresa para as crian\u00e7as da creche. Decidiram inventar algo surpreendente e arrebatador na pr\u00f3pria sala, que pudesse se transformar numa grande tenda. Mas, n\u00e3o satisfeitos, queriam mais: preparar uma entrada triunfal seria ainda melhor. Pensaram em estender um grande tapete de papel ondulado para ritualizar a entrada naquela sala t\u00e3o especial.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia inicial do tapete foi transformada por uma crian\u00e7a, que, ao perceber o efeito do papel enrolado, achou muito mais interessante montar um t\u00fanel de passagem para a sala. Foram feitos v\u00e1rios testes: colar parte do papel ondulado com durex largo, fita crepe, barbante preso \u00e0 janela. As crian\u00e7as resolveram fazer um t\u00fanel com alguns furos para entrar luz colorida atrav\u00e9s do papel celofane, aproveitando um projeto realizado anteriormente, de um castelo \/ t\u00fanel que unia uma sala a outra, com caixas de papel\u00e3o de moto. Mas, em todos os testes, o t\u00fanel ficava bastante fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>Muitas foram as discuss\u00f5es do grupo para dar corpo \u00e0 id\u00e9ia. Foi preciso buscar a assessoria de um especialista para nos ajudar a solucionar o problema. Como fazer um t\u00fanel que sa\u00edsse da sala e fosse at\u00e9 o fim do p\u00e1tio, como projetavam as crian\u00e7as? Um furo na parede concretizou a id\u00e9ia. Agora as crian\u00e7as discutem formas de fazer jun\u00e7\u00f5es de ton\u00e9is, amarrando-os com tecidos, lonas ou tiras feitas com c\u00e2mara de pneu, alargando um pouco mais o trajeto.<\/p>\n<div id=\"attachment_2429\" style=\"width: 309px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2429\" class=\"size-full wp-image-2429\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo81.jpg\" alt=\"1. Concep\u00e7\u00e3o do projeto 2. Planejamento coletivo 3. Prepara\u00e7\u00e3o do t\u00fanel com a ajuda de um pedreiro 4. Pintura e  decora\u00e7\u00e3o final 5. O t\u00fanel pronto ligando o corredor diretamente ao parque\" width=\"299\" height=\"451\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo81.jpg 299w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo81-198x300.jpg 198w\" sizes=\"auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px\" \/><p id=\"caption-attachment-2429\" class=\"wp-caption-text\">1. Concep\u00e7\u00e3o do projeto<br \/>2. Planejamento coletivo<br \/>3. Prepara\u00e7\u00e3o do t\u00fanel com a ajuda de um pedreiro<br \/>4. Pintura e decora\u00e7\u00e3o final<br \/>5. O t\u00fanel pronto<br \/>ligando o corredor<br \/>diretamente ao parque<\/p><\/div>\n<p><strong>As amarra\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nAs cordas por si s\u00f3 constituem-se em objetos de largo alcance, que podem ser utilizados de muitas formas. Em geral, quando se tem esse material nas escolas, fica restrito ao uso do professor. Optamos por deix\u00e1-lo nas m\u00e3os das crian\u00e7as. Ent\u00e3o apareceram diferentes amarra\u00e7\u00f5es. Quando queriam ajuda, pediam aos adultos, que as acompanhavam no parque. Mas essas interven\u00e7\u00f5es se resumiam a auxilia-las na defini\u00e7\u00e3o do que queriam fazer, para ent\u00e3o ajud\u00e1-las: escolher onde amarrar e descobrir um modo de faz\u00ea-lo s\u00e3o a\u00e7\u00f5es delas.<\/p>\n<p>Aos poucos desenvolveram jeitos de realizar suas pr\u00f3prias amarra\u00e7\u00f5es. O simples atar e desatar n\u00f3s tornou-se uma brincadeira constante no grupo. Na hora de guardar os brinquedos, as cordas s\u00e3o ainda mais disputadas, e h\u00e1 aquelas que se especializaram em m\u00e9todos sofisticados para evitar que as cordas se emaranhem.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 escolha entre a possibilidade e o limite<\/strong><br \/>\nOs meninos do CJ arrumaram um jeito de amarrar o palete no trepa-trepa, de modo que pudessem ficar em cima do mesmo, como se fosse um mirante, o lugar mais alto para se estar, reinventando o \u201csubir em \u00e1rvores\u201d, brincadeira antiga e que fazia muito sucesso na minha inf\u00e2ncia pelo simples prazer de estar nas alturas. Eles gastaram horas amarrando o palete de um jeito que ficasse seguro e n\u00e3o escorregasse para nenhum dos lados. Uma verdadeira engenharia!<\/p>\n<p>Tivemos muitas d\u00favidas quanto a fixar esse brinquedo. Como sugeriu o assessor de seguran\u00e7as em parques p\u00fablicos, seria necess\u00e1rio um \u201cguarda-corpo\u201d para prote\u00e7\u00e3o, o que seria poss\u00edvel de fazer. Mas, observando as crian\u00e7as, nos pareceu que a brincadeira consistia exatamente em fixar os paletes de modo seguro. Sendo assim, se ele j\u00e1 estivesse fixado, elas ganhariam um novo brinquedo, mas perderiam a possibilidade de constru\u00ed-lo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ficamos em d\u00favida quanto \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma mureta para conter a queda de brinquedos rolantes. Em virtude da confec\u00e7\u00e3o de dois novos brinquedos \u2013 o carrinho feito a partir de uma caixa d\u00b4\u00e1gua e o barril para rolar pelo parque \u2013, foi preciso fechar o desn\u00edvel do ch\u00e3o, pois ele tornava a brincadeira pouco segura. A solu\u00e7\u00e3o foi construir muretas para conter o rolar do barril e da caixa d\u00b4\u00e1gua com rod\u00edzio. Assim, ao mesmo tempo em que aquela mureta possibilitava a brincadeira de que tanto gostavam, impedia uma outra, o chute ao gol, que se realizava naquele mesmo espa\u00e7o.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as preferiram os brinquedos rolantes. Ent\u00e3o, tamb\u00e9m assumiram o projeto da mureta, e acabaram por participar de sua decora\u00e7\u00e3o. Uma campanha foi feita para conseguir doa\u00e7\u00e3o de sucatas. Com a t\u00e9cnica de incrusta\u00e7\u00e3o as crian\u00e7as foram imprimindo suas marcas nos muros, assim como a forma de brincar e interagir com os objetos em suas constru\u00e7\u00f5es l\u00fadicas.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, a transforma\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o pode criar uma possibilidade e, ao mesmo tempo, gerar um limite. \u00c9 necess\u00e1rio fazer escolhas e avaliar antes de tomar a decis\u00e3o e, para isso, observar a brincadeira das crian\u00e7as e consult\u00e1-las antes de fazer qualquer mudan\u00e7a se torna imprescind\u00edvel; pois tamb\u00e9m h\u00e1 muito o que aprender ao tomar decis\u00f5es que interferem no h\u00e1bito de outras crian\u00e7as. Na ocasi\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o do t\u00fanel, por exemplo, elas debateram, discutiram e preferiram reduzir a passagem destinada ao tr\u00e2nsito de pneus de que tanto gostavam para abrir um espa\u00e7o para o t\u00fanel.<\/p>\n<p>O cuidado com a seguran\u00e7a dos brinquedos tamb\u00e9m tem a ver com a forma de o professor intervir na proposta, no espa\u00e7o ou nos combinados de regras de uso dos brinquedos. As crian\u00e7as que estavam acostumadas a escorregar no barranco com garrafa pet, por exemplo, adotaram a mesma brincadeira com tubos de polietileno de alto impacto, que funcionaram muito bem. Algumas decis\u00f5es, por serem perigosas, exigiram a interven\u00e7\u00e3o das professoras, impedindo a brincadeira.<\/p>\n<p><strong>Condu\u00edtes de alto impacto <\/strong><br \/>\nLogo no in\u00edcio do projeto as crian\u00e7as inventaram uma interessante utilidade para os condu\u00edtes: cavaram a areia na tentativa de fix\u00e1-los no ch\u00e3o. A brincadeira come\u00e7ou com os menores, mas a turma do CJ achou que a inven\u00e7\u00e3o se assemelhava a um labirinto e sugeriu formas de fix\u00e1-lo no ch\u00e3o. O CJ encarregou-se de delimitar onde seriam fixados os condu\u00edtes para orientar o trabalho do pedreiro.<\/p>\n<p>Uma vez chumbados no ch\u00e3o, formaram um conjunto batizado pelas crian\u00e7as como O Labirinto.Ora vira passagem para pneu, ora para inventarem brincadeiras de equil\u00edbrio. Para as crian\u00e7as, o labirinto \u00e0s vezes se transformava em espa\u00e7o de academia onde brincavam de fazer gin\u00e1stica.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2430\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo7.jpg\" alt=\"avisala_17_tempo7\" width=\"323\" height=\"207\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo7.jpg 323w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo7-300x192.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 323px) 100vw, 323px\" \/>Os condu\u00edtes tamb\u00e9m possibilitaram uma brincadeira de telefone sem fio. As crian\u00e7as se divertiram com o eco causado pelo longo cano. Em outros momentos, virou uma excelente luneta. Elas usavam para ca\u00e7ar formigas, como se de fato a \u201cluneta\u201d pudesse ampliar a vis\u00e3o. Os transformaram ainda em bra\u00e7os de rob\u00f4.<\/p>\n<p>Construir plantas baixas com condu\u00edtes tem sido o interesse de boa parte do grupo, que passa, por vezes, todo o tempo destinado \u00e0s brincadeiras no parque arquitetando jeitos de fazer casas. Sugerimos que fizessem plantas baixas tamb\u00e9m com materiais menores e mais apropriados, nas pr\u00f3prias salas. Caleidosc\u00f3pio de id\u00e9ias Um tampo unido a velhos carret\u00e9is vira uma mesa redonda, espa\u00e7o para a confraterniza\u00e7\u00e3o constante de um grupo de crian\u00e7as que se re\u00fane para um saboroso banquete imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Condu\u00edtes amarrados aos trepa-trepas viram motos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o. Sucatas dom\u00e9sticas, chaves velhas, tampinhas, peda\u00e7os de espelho viram pe\u00e7as para a rica incrusta\u00e7\u00e3o nas muretas do parque. E assim estranhos objetos adquirem novo sentido, dependendo do ponto de vista e da imagina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Elas s\u00e3o mestras na arte da transforma\u00e7\u00e3o e da cria\u00e7\u00e3o. Resta saber se n\u00f3s, adultos, n\u00e3o vamos tolh\u00ea-las e se saberemos observar e valorizar id\u00e9ias que resultam em constru\u00e7\u00f5es t\u00e3o genu\u00ednas e de a\u00e7\u00f5es de grande valor para suas vidas.<\/p>\n<p>(Adriana Klisys, formadora do Instituto Avisa l\u00e1 e s\u00f3cia-fundadora da Caleidosc\u00f3pio Brincadeira &amp; Arte e Renata Caiuby, que trabalha com educa\u00e7\u00e3o h\u00e1 20 anos e \u00e9 capacitadora em escolas p\u00fablicas e privada)<\/p>\n<p><em><strong>Aten\u00e7\u00e3o!<br \/>\nO trabalho com sucata exige cuidados especiais:<\/strong><br \/>\n<\/em><\/p>\n<ol>\n<li><strong><em>N\u00e3o escolher recipientes de produtos t\u00f3xicos, todo o material deve ser examinado cuidadosamente antes do primeiro contato das crian\u00e7as.<\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em>Lixar, tirar rebarbas, parafusos etc.<\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em>Lavar muito bem os materiais.<\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em>Entrar em contato com especialistas de sa\u00fade para garantir a higieniza\u00e7\u00e3o mais correta em cada caso.<br \/>\n<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><sup>1<\/sup> Instituto Camargo Corr\u00eaa.Tel.: (11) 3841-5934. Site: www.camargocorrea.com.br\/instituto<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> AMUNO.Tel.: (11) 3609-1091. Site: crecheamuno@uol.com.br<\/p>\n<p><sup>3<\/sup> Vygotsky, Leontiev, Luria. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem \u2013 cap.VII \u2013 \u201cOs princ\u00edpios da brincadeira pr\u00e9-escolar\u201d, Ed. \u00cdcone. Tel.: (11) 3666-3095.Site: www.iconelivraria.com.br<\/p>\n<p><sup>4<\/sup>Monique Deheinzelin \u00e9 Mestre em Hist\u00f3ria e Filosofia da Educa\u00e7\u00e3o pela USP, orientadora em projetos curriculares e na forma\u00e7\u00e3o de professoras na rede p\u00fablica de ensino, autora de livros educacionais.<\/p>\n<p><sup>5<\/sup> Frase alusiva ao trecho do livro Os Lus\u00edadas, de Luis Vaz de Cam\u00f5es. Ed. Cultrix. Tel.: (11) 6166-9000. Site: www.cultrix.com.br<\/p>\n<p><sup>6<\/sup> Palete (ingl\u00eas pallet) plataforma port\u00e1til para mover materiais e embrulhos.<\/p>\n<div id=\"attachment_2431\" style=\"width: 685px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2431\" class=\"size-full wp-image-2431\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo9.jpg\" alt=\"Para as crian\u00e7as do CJ, a casinha virou palco para diferentes apresenta\u00e7\u00f5es\" width=\"675\" height=\"434\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo9.jpg 675w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_tempo9-300x192.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><p id=\"caption-attachment-2431\" class=\"wp-caption-text\">Para as crian\u00e7as do CJ, a casinha virou palco para diferentes apresenta\u00e7\u00f5es<\/p><\/div>\n<h4>A crian\u00e7a, a sociedade e o meio ambiente<\/h4>\n<p>Cada vez mais os grandes centros urbanos t\u00eam encontrado solu\u00e7\u00f5es criativas para o reaproveitamento de seus materiais, devido a uma necessidade de dar vaz\u00e3o ao \u201clixo\u201d que a sociedade produz. Em contrapartida, tem aumentado consideravelmente o n\u00famero de sucat\u00e1rios pela cidade, que destinam materiais n\u00e3o aproveitados por empresas e pessoas f\u00edsicas \u00e0 novas utilidades encontradas por um mercado crescente que encontra o valor neste tipo de material, criando um destino interessante e de grande valor ecol\u00f3gico: a reutiliza\u00e7\u00e3o de materiais.<\/p>\n<p>A reutiliza\u00e7\u00e3o de materiais tem sido amplamente praticada por artistas e diversos setores da sociedade, mas contraditoriamente ainda tem uma presen\u00e7a t\u00edmida nas escolas \u2013 espa\u00e7o fundamental de cidadania, de aprendizagem \u00e9tica. Acreditamos que a educa\u00e7\u00e3o ambiental deve estar presente nas escolas como busca real de solu\u00e7\u00f5es para problemas ambientais, que as crian\u00e7as devam ter oportunidade de participar ativamente desse processo, como no caso desse projeto de construir brinquedos com materiais aproveitados do meio, implicando em cria\u00e7\u00e3o cultural e participa\u00e7\u00e3o no processo hist\u00f3rico e social de transforma\u00e7\u00e3o de seu entorno.<\/p>\n<p>As atitudes das pessoas em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente s\u00e3o definidas pela percep\u00e7\u00e3o que t\u00eam sobre ele; pelo olhar desenvolvido sobre o que podem transformar no seu ambiente. Possibilitar \u00e0s crian\u00e7as o exerc\u00edcio do olhar cidad\u00e3o, que encontra solu\u00e7\u00f5es eficazes e de proveito social, \u00e9 tamb\u00e9m parte constituinte da educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as. Assim sendo, a constru\u00e7\u00e3o de brinquedos de sucata concilia brincadeira e arte juntamente com educa\u00e7\u00e3o ambiental, na medida em que partimos da perspectiva de que \u00e9 preciso educar o cidad\u00e3o para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas ambientais. Um deles, de grande import\u00e2ncia, \u00e9 o destino que damos ao nosso lixo.<\/p>\n<h4>A brincadeira tamb\u00e9m \u00e9 motivo da forma\u00e7\u00e3o do educador<\/h4>\n<p>Espera-se, primordialmente, que no processo de forma\u00e7\u00e3o os educadores construam novas compet\u00eancias e adquiram condi\u00e7\u00f5es de dar continuidade ao trabalho, al\u00e9m de passar a ter outros olhos para o brincar, sabendo intervir nos seus m\u00faltiplos aspectos. Para tanto, \u00e9 fundamental que incorporem pr\u00e1ticas educativas que considerem o saber das crian\u00e7as e sua liberdade de cria\u00e7\u00e3o, sem, contudo, esquecer de alimentar o fazer delas com novas informa\u00e7\u00f5es, conhecimentos j\u00e1 constru\u00eddos pela sociedade, colocando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o um repert\u00f3rio cultural variado.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o algumas das condi\u00e7\u00f5es que ajudam as crian\u00e7as a avan\u00e7ar na confec\u00e7\u00e3o criativa de brinquedos. Como acreditamos que forma e conte\u00fado precisam caminhar juntos, optamos por trabalhar o processo formativo ludicamente. Por isso, dividimos os encontros com os educadores em dois momentos. Um dedicado \u00e0s quest\u00f5es de ordem te\u00f3rica sobre o brincar, para embasar a pr\u00e1tica. Um outro momento foi dedicado especialmente ao processo de cria\u00e7\u00e3o propriamente dito, uma vez que apostamos que a partir de viv\u00eancias de transforma\u00e7\u00e3o de sucatas \u2013 tais como papel, c\u00e2mara de pneu, sobras de EVA, jornal e outras \u2013 os educadores poderiam conhecer as possibilidades dos materiais, ganhando, assim, uma melhor condi\u00e7\u00e3o de proporcionarem tais viv\u00eancias \u00e0s crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A retomada do processo de autoria do educador na forma\u00e7\u00e3o contribui, assim, para uma pr\u00e1tica que possibilite de fato conhecer as crian\u00e7as, saber como imaginam, transformam, constroem e reconstroem o mundo. Usamos materiais muito simples e de f\u00e1cil acesso, justamente para que pudessem aproveitar as id\u00e9ias com as crian\u00e7as. Nos encontros com a equipe de professores da creche AMUNO a conquista desse espa\u00e7o abriu horizontes para as id\u00e9ias dos educadores.<\/p>\n<p>No primeiro encontro oferecemos somente folhas em branco e elementos de liga\u00e7\u00e3o como el\u00e1stico, cola, barbante, fita crepe, com uma \u00fanica proposta: criar objetos que tivessem pelo menos uma entrada e uma sa\u00edda. Elas estranharam, olharam para o papel em branco esperando o di\u00e1logo come\u00e7ar, mas logo surgiu uma infinidade de constru\u00e7\u00f5es, contentando a todos pela diversidade e resultado inusitado da produ\u00e7\u00e3o. Foi uma experi\u00eancia simples que inaugurou esse projeto. Os resultados a partir de outros materiais surpreenderam ainda mais. Jornais se transformando em v\u00e1rios objetos, c\u00e2mara de pneu virando biqu\u00edni e pulseiras ecol\u00f3gicas, com design especial, bonecas, bolsas e at\u00e9 objetos abstratos!<\/p>\n<p>Reavivar o fazer dos educadores, alimentando-o com propostas, id\u00e9ias, imagens, discuss\u00f5es, \u00e9 um objetivo importante. Tamb\u00e9m solicitamos registros dos educadores com freq\u00fc\u00eancia, pois acreditamos que o olhar reflexivo possibilitado pelo distanciamento da pr\u00e1tica \u00e9 uma importante forma de conhecer mais as rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem no espa\u00e7o da brincadeira.<\/p>\n<p>Registrar \u00e9 uma estrat\u00e9gia para olhar e valorizar o que as crian\u00e7as fazem. S\u00f3 o olhar atento do professor pode ser transformador, pois \u00e0 medida que observa tamb\u00e9m reconhece as particularidades do grupo na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. A partir da\u00ed o professor ganha condi\u00e7\u00f5es de realizar suas interven\u00e7\u00f5es, legitimando a cria\u00e7\u00e3o e o espa\u00e7o da iniciativa infantil como algo que faz sentido no contexto educativo. Para cada registro dos educadores elaboramos uma devolutiva por escrito, que procurou dialogar com as id\u00e9ias de cada professor.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2432\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/tempo.jpg\" alt=\"tempo\" width=\"456\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/tempo.jpg 456w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/tempo-300x187.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<p><strong>Iniciativa:<\/strong> Instituto Camargo Corr\u00eaa.<\/p>\n<p><strong>Concep\u00e7\u00e3o do projeto:<\/strong> Adriana Klysis, Renata Caiuby, Vera Cristhina Figueiredo.<\/p>\n<p><strong>Desenvolvimento:<\/strong> Caleidosc\u00f3pio Brincadeira &amp; Arte. <strong>Equipe:<\/strong> Adriana Klisys, Renata Caiuby e equipes da creche e do CJ \u2013 Associa\u00e7\u00e3o das M\u00e3es Unidas do Novo Osasco \u2013 AMUNO.<\/p>\n<p><strong>AMUNO 1<\/strong><br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Zelina Rodrigues Salom\u00e3o dos Santos. <strong>Coordenadora Pedag\u00f3gica:<\/strong> Sonia Regina da Silva Souza.<br \/>\n<strong>Auxiliar administrativo:<\/strong> Andrea Regina da Silva.<br \/>\n<strong>Educadoras:<\/strong> Francisca de F\u00e1tima Luna Pu\u00e7\u00e1, Claudia Pereira \u00c1gua, Julia Martins da Silva, Lucinete Novaes dos Santos, Priscila Carlos Tavares, Juliana de Souza Pereira, Eliana Santos de Melo, Kelly Cristina Cristine de Carvalho, M\u00f4nica Helena Bastos.<br \/>\n<strong>Grupo de apoio:<\/strong> Ivone Aparecida Tazernari de Andrade, Genilda Angelina de Oliveira, Maria Madalena de Lira.<\/p>\n<p><strong>AMUNO 2:<\/strong><br \/>\n<strong>Dire\u00e7\u00e3o:<\/strong> Roserdina Melo da Silva. Coordenadora Pedag\u00f3gica: C\u00e1ssia<br \/>\nAndr\u00e9a Gomes.<br \/>\n<strong>Auxiliar administrativo:<\/strong> Eunice de Moura Oliveira.<br \/>\n<strong>Educadoras:<\/strong> Selma Guimar\u00e3es Vieira, Dorismar Francisca de Sousa Bezerra, Simone Alexandre da Silva, Eliane Feitosa de Lima, Roseli Alves da Silva, Josefa Gomes da Silva.<br \/>\n<strong>Grupo de apoio: <\/strong>Maria do Amparo dos Santos Antunes, Rosemeire Mardegan da Silva,Adriana de Oliveira Ara\u00fajo, Maria Helena da Silva, M\u00f4nica Helena Bastos, Kelly Cristina Cristine de Carvalho.<br \/>\n<strong>Consultor T\u00e9cnico de Constru\u00e7\u00e3o de Brinquedos:<\/strong> Marcelo Jabu.<br \/>\n<strong>Servi\u00e7os de Alvenaria:<\/strong> Ailton Neves Pereira, Leandro Silva Gonzaga de Souza, Roberto Luiz Tozzarelli,Vin\u00edcius Santana Macedo.<\/p>\n<p>Esse projeto foi desenvolvido primeiramente na Escola da Vila (1999), sendo reformulado e adaptado para um novo contexto, no qual foi criada uma metodologia de capacita\u00e7\u00e3o de professores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No projeto Constru\u00e7\u00f5es L\u00fadicas as crian\u00e7as tiveram a oportunidade de explorar materiais in\u00e9ditos, por meio de pesquisa em dep\u00f3sitos de sucatas da cidade. A proposta esteve pautada na reutiliza\u00e7\u00e3o de materiais descartados pela sociedade, mat\u00e9ria-prima para o processo criativo das crian\u00e7as. Por Adriana Klisys e Renata Caiuby<\/p>\n","protected":false},"author":81,"featured_media":6224,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[378,34],"tags":[1105,437,28,557,578,188,179,579,572],"class_list":{"0":"post-2334","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-17","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2004","10":"tag-adriana-klisys","11":"tag-arte","12":"tag-brinquedos","13":"tag-contrucoes","14":"tag-ludico","15":"tag-projeto","16":"tag-reciclagem","17":"tag-renata-caiuby","19":"post-with-thumbnail","20":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/81"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2334"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2334\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6224"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}