{"id":2304,"date":"2004-01-08T19:05:24","date_gmt":"2004-01-08T21:05:24","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=2304"},"modified":"2023-03-27T17:22:19","modified_gmt":"2023-03-27T20:22:19","slug":"o-papel-do-jogo-na-educacao-das-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/conhecendo-a-crianca\/o-papel-do-jogo-na-educacao-das-criancas\/","title":{"rendered":"O papel do jogo na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<h5>Conhecer como e por qu\u00ea as crian\u00e7as brincam \u00e9 caminho seguro para uma pr\u00e1tica educativa que respeita o seu fazer l\u00fadico. A observa\u00e7\u00e3o atenta das brincadeiras e o respaldo te\u00f3rico colaboram para que as interven\u00e7\u00f5es dos educadores sejam apropriadas<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2313\" title=\"avisala_17_conhecendo6\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_conhecendo6.jpg\" alt=\"\" width=\"562\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_conhecendo6.jpg 562w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_conhecendo6-300x171.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 562px) 100vw, 562px\" \/><br \/>\nO presente artigo<sup>1<\/sup> pretende tecer algumas considera\u00e7\u00f5es a respeito do jogo de faz-de-conta infantil e o papel que ocupa no desenvolvimento e educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Para tanto, baseia-se fundamentalmente nas concep\u00e7\u00f5es elaboradas pela psicologia e pedagogia sovi\u00e9ticas, representadas pelos investigadores D.B. ELKONIN, L.S.VIGOTSKY, A.N. LEONTIEV e pelos pedagogos A.V. ZAPAROZHETZ e A.P. USOVA. Estes cientistas, durante o per\u00edodo compreendido pelos anos 20 e 40 deste s\u00e9culo, aprofundaram estudos relativos \u00e0 origem e desenvolvimento do jogo infantil entre as crian\u00e7as da URSS, organizando propostas para a utiliza\u00e7\u00e3o dos mesmos como recurso pedag\u00f3gico nas creches e pr\u00e9-escolas do pa\u00eds.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nA partir da s\u00edntese de algumas das id\u00e9ias desses estudiosos, pretende-se analisar concretamente o jogo de tr\u00eas crian\u00e7as entre cinco e seis anos, levantando alguns elementos constitutivos do mesmo que poderiam orientar uma pr\u00e1tica pedag\u00f3gica junto a crian\u00e7as em idade pr\u00e9-escolar. Segundo os autores russos (ELKONIN, 1984), ao contr\u00e1rio das concep\u00e7\u00f5es idealistas que concebem o jogo como algo inato nas crian\u00e7as, este, na sua forma encontrada atualmente, \u00e9 social por sua origem e natureza, constituindo-se num modo de assimilar e recriar a experi\u00eancia s\u00f3cio-cultural dos adultos. Ou seja, o jogo de faz-de-conta infantil constitui-se uma atividade na qual as crian\u00e7as, sozinhas ou em grupo, procuram compreender o mundo e as a\u00e7\u00f5es humanas nas quais se inserem cotidianamente.<\/p>\n<p>Essa atividade, a partir; geralmente, do lo ao 3\u00ba ano de idade, variando conforme a origem s\u00f3cio-cultural das crian\u00e7as, define-se pelos seguintes crit\u00e9rios:<\/p>\n<ul>\n<li>que a crian\u00e7a, durante o jogo, possa utilizar-se de objetos substitutos, ou seja, que esta confira aos objetos significados diferentes daqueles que normalmente os mesmos possuem;<\/li>\n<li>que exista uma trama ou situa\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria;<\/li>\n<li>que as crian\u00e7as realizem a\u00e7\u00f5es que representem as intera\u00e7\u00f5es presentes na sociedade em que vivem;<\/li>\n<li>que sejam respeitadas as regras constitutivas do tema que orienta o jogo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Este jogo, ou faz-de-conta, ou brincadeira, como costuma ser denominado pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as, n\u00e3o surge espontaneamente, mas sob a influ\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o. Se, de um lado, no per\u00edodo pr\u00e9-escolar, a crian\u00e7a j\u00e1 \u00e9 capaz de desenvolver algumas atividades essenciais, ela n\u00e3o pode, sozinha, satisfazer suas necessidades vitais de sobreviv\u00eancia e\/ou de conhecimento do mundo real e simb\u00f3lico onde se encontra. Nesse sentido, segundo LEONTIEV &#8230;<\/p>\n<p>&#8220;no decurso do desenvolvimento da crian\u00e7a, sob a influ\u00eancia das circunst\u00e2ncias concretas de sua vida, o lugar que ela ocupa no sistema de rela\u00e7\u00f5es muda. A idade pr\u00e9-escolar \u00e9 o per\u00edodo da vida da crian\u00e7a em que se abre, pouco a pouco \u00e0 mesma, o mundo da atividade humana que a rodeia.<\/p>\n<p>Pela sua atividade e, sobretudo, por seus jogos, que ultrapassaram o quadro estreito da manipula\u00e7\u00e3o dos objetos circundantes e da comunica\u00e7\u00e3o com os pais, a crian\u00e7a penetra num mundo mais vasto de que se apropria de forma ativa. Toma posse do mundo concreto enquanto mundo de objetos humanos com o qual reproduz as rela\u00e7\u00f5es humanas. Conduz um autom\u00f3vel,\u201cdispara com a espingarda\u201d \u2014 se bem que o seu carro n\u00e3o possa ainda rolar realmente, nem a sua espingarda, disparar. Mas a crian\u00e7a n\u00e3o tem necessidade disso nesse est\u00e1gio do seu desenvolvimento, pois as suas necessidades vitais fundamentais s\u00e3o satisfeitas pelos adultos, independentemente de sua atividade<sup>&#8220;2<\/sup>.<\/p>\n<p>Se estas necessidades s\u00e3o satisfeitas imediatamente pelos adultos, as outras, referentes \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos sobre o mundo que descobre pouco a pouco, ser\u00e3o satisfeitas apenas atrav\u00e9s destes, por meio da educa\u00e7\u00e3o. Mais especificamente, no mundo moderno, que historicamente foi construindo uma vis\u00e3o de crian\u00e7a e a ela destinando um espa\u00e7o espec\u00edfico, longe da produ\u00e7\u00e3o social. A educa\u00e7\u00e3o tem-se utilizado de um recurso pedag\u00f3gico bastante rico, por meio do qual as crian\u00e7as podem apropriar-se do mundo n\u00e3o diretamente, mas ativamente atrav\u00e9s da representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse recurso pedag\u00f3gico caracteriza-se como o jogo de faz-de-conta que recria, atrav\u00e9s da representa\u00e7\u00e3o, situa\u00e7\u00f5es as mais variadas da vida e da cultura humana, com as quais as crian\u00e7as podem defrontar-se, confrontar-se e, ao vivenci\u00e1-las, construir e reconstruir hip\u00f3teses a respeito do funcionamento dos fen\u00f4menos sociais, culturais, f\u00edsicos, biol\u00f3gicos e afetivos.<\/p>\n<p>Assim, com a ajuda de material e de determinadas a\u00e7\u00f5es sobre ele, numa configura\u00e7\u00e3o espacial que lhe \u00e9 prop\u00edcia, bem como com a ajuda da linguagem, a crian\u00e7a vai criando jogos e descobre diferentes aspectos da realidade que vai reconhecendo, variando e transformando (USOVA, 1979).<\/p>\n<p>Com a inten\u00e7\u00e3o de dar concretude ao que foi dito at\u00e9 agora, subsidiando uma reflex\u00e3o que oriente um projeto que leve em conta o jogo infantil como recurso pedag\u00f3gico de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento pela crian\u00e7a, segue a descri\u00e7\u00e3o de uma brincadeira de um grupo de tr\u00eas crian\u00e7as entre cinco e seis anos:<\/p>\n<p>Tr\u00eas crian\u00e7as, entre elas uma menina de cinco anos e dois meninos, um com cinco anos e o outro com seis anos, brincam, entre o quarto e a sala de um apartamento, com miniaturas do tipo PLAYMOBIL. Os meninos interagem bastante entre si e a menina fica rodeando o jogo, observando-o, s\u00f3 entrando se chamada ou em fun\u00e7\u00e3o de algo que ocorre no mesmo. O material utilizado caracteriza-se por:<\/p>\n<ul>\n<li>cinco bonequinhos tipo PLAYMOBIL, caracterizados como trabalhadores bra\u00e7ais pelos detalhes dos chap\u00e9us e vestimentas;<\/li>\n<li>uma miniatura de carrinho, um balde com pequenas p\u00e1s, um ancinho, um rolo compressor, uma placa de tr\u00e2nsito simbolizando \u201chomens trabalhando\u2019, um porta-garrafas, seis garrafinhas, uma carriola de cimento, uma p\u00e1 grande e um cavalete bloqueador de passagem.<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"attachment_2314\" style=\"width: 327px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2314\" class=\"size-full wp-image-2314\" title=\"avisala_17_conhecendo4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_conhecendo4.jpg\" alt=\"\" width=\"317\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_conhecendo4.jpg 317w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_conhecendo4-257x300.jpg 257w\" sizes=\"auto, (max-width: 317px) 100vw, 317px\" \/><p id=\"caption-attachment-2314\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Este jogo, ou faz-de-conta, ou brincadeira, como costuma ser denominado pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as, n\u00e3o surge espontaneamente, mas sob a influ\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p><\/div>\n<p>Para facilitar a leitura, as crian\u00e7as ser\u00e3o identificadas, simultaneamente, como Felipe (cinco anos), Daniel (seis anos) e Mar\u00edlia (cinco anos). Daniel distribui os bonecos entre si e Felipe, pois os mesmos estavam espalhados pelo ch\u00e3o do quarto ap\u00f3s uma \u201cavalanche\u201d. Felipe arruma o balde, o cavalete e as p\u00e1s em uma pequena \u00e1rea do solo. Mar\u00edlia observa-o.<\/p>\n<p>\u2013 Felipe: Ai, que dia bom!<\/p>\n<p>Segura um dos bonecos, passeando com ele pelo quarto, imitando, com a boca, os sons de uma m\u00e1quina movimentando-se.<\/p>\n<p>\u2013 Felipe: Da\u00ed, eu tive coragem e segurei!<\/p>\n<p>Refere-se \u00e0 conten\u00e7\u00e3o da \u201cavalanche\u201d, que est\u00e1 sendo representada por uma bola de futebol que se encontra num dos cantos do quarto.<\/p>\n<p>\u2013 Daniel: N\u00e3o, n\u00f3s dois!<\/p>\n<p>Refere-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o passada com a conten\u00e7\u00e3o da avalanche\u201d.<\/p>\n<p>\u2013 Felipe: N\u00e3o, eu tive coragem e segurei primeiro!<\/p>\n<p>Da\u00ed, veio a outra (\u2018avalanche\u2019). Essa era a filhinha. Segura a bola (\u201cfilhinha\u201d) e anda pelo quarto com ela at\u00e9 que a deixa sobre a cama. Ao mesmo tempo, repete sons onomatop\u00e9icos com a boca, imitando o cair de pedras (pffrrf&#8230;).<\/p>\n<p>\u2013 Felipe: Da essa avalanche come\u00e7ou a cair e ningu\u00e9m venceu ela!<br \/>\n\u2013 Daniel: S\u00f3 eu!<br \/>\n\u2013 Felipe:\u201cN\u00e3o, ningu\u00e9m!<br \/>\n\u2013 Daniel:\u2018N\u00f3s dois vinha aqui!<\/p>\n<p>Ressalte-se aqui o desenrolar do jogo que, pela sua din\u00e2mica, mistura o tempo todo viv\u00eancias que s\u00e3o imagin\u00e1rias e outras que s\u00e3o reais entre as crian\u00e7as. Ao mesmo tempo em que a trama desenrola-se, a respeito e sobre a \u201cavalanche\u201d, os meninos intercalam di\u00e1logos verdadeiros entre si, procurando negociar o desenvolvimento da trama de tal forma que a mesma satisfa\u00e7a a ambos. Nesse sentido \u00e9 que VIGOTSKY apontaria o jogo como pren\u00fancio do pensamento adulto abstrato, pois atrav\u00e9s do confronto de diferentes ideias a respeito das coisas (no caso, sobre a \u201cavalanche\u201d) e na acomoda\u00e7\u00e3o de algumas regras, as crian\u00e7as v\u00e3o desenvolvendo o que ele considera imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, podem exercitar seu autocontrole, ao serem obrigados, durante a a\u00e7\u00e3o do jogo, a adaptar suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es \u00e0s do companheiro e ao tema do jogo.<\/p>\n<p>\u2013 Felipe: Ela est\u00e1 rodando muito!<\/p>\n<p>Refere-se agora \u00e0 \u201cavalanche\u201d.<\/p>\n<p>\u2013 Daniel: Salve-se quem puder! Segura aqui, Felipe,meu bonequinho, por favor!<\/p>\n<p>Sai da trama por segundos, enquanto vai buscar outro bonequinho.<\/p>\n<p>\u2013 Felipe: Da\u00ed ela morreu! A avalanche morreu!<br \/>\n\u2013 Daniel: Cada um cuidava de uma, t\u00e1?<br \/>\n\u2013 Felipe: Da\u00ed, eu jogava ela!<br \/>\n\u2013 Daniel: N\u00f3s dois jogava, l\u00e1?<br \/>\n\u2013 Felipe: Eu vou dentro do ber\u00e7o, t\u00e1?<\/p>\n<p>Informando sobre sua pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mar\u00edlia traz novo bonequinho para os meninos. O jogo \u00e9 interrompido por instantes para que comam chocolates. \u00c9 importante observar que, enquanto as id\u00e9ias desenvolvem-se entre as crian\u00e7as, explicitadas pelos di\u00e1logos e negocia\u00e7\u00f5es entre os meninos, estes percorrem todo o espa\u00e7o do quarto, ora em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cama, ora ao ber\u00e7o, ora ao arm\u00e1rio, mas nunca aleatoriamente; na medida em que v\u00e3o brincando, v\u00e3o definindo usos diferenciados dos espa\u00e7os, cada qual com uma fun\u00e7\u00e3o especifica para o jogo.<\/p>\n<p>\u2013 Daniel: Da\u00ed, as duas \u2013 \u201cavalanches\u201d<br \/>\n\u2013 quebraram, t\u00e1? A m\u00e3e foi e salvou ela!<br \/>\n\u2013 Felipe: N\u00e3o, a m\u00e3e tava morrida!<br \/>\n\u2013 Daniel: N\u00e3o, a m\u00e3e foi embora.<br \/>\n\u2013 Felipe: O meu \u2013 boneco \u2013 lava escondidinho e ia nela.<\/p>\n<p>Coloca um bonequinho sobre a bola, como se estivesse cavalgando a avalanche.<\/p>\n<p>\u2013 Mar\u00edlia: Sempre esses tr\u00eas bonequinhos sobram!&#8230;<\/p>\n<p>Oferece-lhes outros bonecos para brincar.<\/p>\n<p>\u2013 Daniel: Pronto, vamos fugir!<\/p>\n<p>Antecipa verbalmente que dever\u00e3o fugir da \u201cavalanche\u201d que est\u00e1 por vir.<\/p>\n<p>\u2013 Felipe: N\u00e3o! vamos tampar tudo, vamos fazer um refor\u00e7o, j\u00e1 que a gente \u00e9 trabalhador!<\/p>\n<p>Daniel arruma os objetos, gesticulando bastante.<\/p>\n<p>\u2013 Felipe: N\u00e3o, assim n\u00e3o! A gente n\u00e3o tava fazendo uma armadilha! Enquanto isso, eu vou fazendo o refor\u00e7o.<\/p>\n<p>\u2013 Daniel: S\u00f3 que ainda n\u00e3o, estou precisando disso.<\/p>\n<p>Pega o instrumento, em miniatura, de puxar terra e simula limpar o ch\u00e3o. Felipe acha gra\u00e7a da a\u00e7\u00e3o de Daniel.<\/p>\n<p>\u2013 Daniel: A avalanche vai ca&#8230; a&#8230; in&#8230; do!<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que anuncia a a\u00e7\u00e3o, derruba a bola sobre os brinquedos.<\/p>\n<p>\u2013 Felipe: N\u00e3o, eu fiz refor\u00e7o!<br \/>\n\u2013 Daniel: A avalanche vai cair!<br \/>\n\u2013 Felipe: Ent\u00e3o a gente p\u00f5e terra.<\/p>\n<p>A bola cai. As crian\u00e7as suspendem o di\u00e1logo e observam as conseq\u00fc\u00eancias. Ao final de quinze minutos de jogo, mostram-se cansados e guardam os brinquedos, propondo-se a outra atividade.<\/p>\n<p>Para compreender melhor este jogo, tentemos analis\u00e1-lo segundo algumas categorias que nos poder\u00e3o permitir, mais tarde, a elabora\u00e7\u00e3o de um projeto pedag\u00f3gico do jogo:<\/p>\n<ul>\n<li>Tema \u2013 refere-se a uma esfera da realidade que as crian\u00e7as refletem no jogo, dependendo sua variedade da amplitude de repert\u00f3rio vivencial a que est\u00e3o submetidas.<\/li>\n<li>Conte\u00fado \u2013 aquilo que foi selecionado do tema, variando do uso simples do material at\u00e9 as inter-rela\u00e7\u00f5es entre os pap\u00e9is assumidos e a realidade vivenciada.<\/li>\n<li>Dura\u00e7\u00e3o do jogo \u2013 tempo utilizado pelas crian\u00e7as para as atividades.<\/li>\n<li>N\u00famero de participantes \u2013 n\u00famero de crian\u00e7as.<\/li>\n<li>Pap\u00e9is assumidos pelas crian\u00e7as durante o jogo \u2013 s\u00e3o os desempenhados por uma crian\u00e7a quando ela assume integralmente outro personagem, seja ele um adulto, outra crian\u00e7a, um animal, um her\u00f3i televisivo etc.Ao representar um papel, a crian\u00e7a tem a possibilidade de realizar a\u00e7\u00f5es que expressem as do personagem ao mesmo tempo em que estabelece rela\u00e7\u00f5es com essas a\u00e7\u00f5es. A qualidade com a qual uma crian\u00e7a representa um papel \u00e9 dada pela subordina\u00e7\u00e3o entre este e o cumprimento das regras ocultas impl\u00edcitas em qualquer papel. Essas regras n\u00e3o s\u00e3o determinadas pelo adulto, mas ser\u00e3o desenvolvidas \u00e0 medida que o papel vai aprofundando-se.<\/li>\n<li>Intera\u00e7\u00f5es l\u00fadicas e reais entre as crian\u00e7as \u2013 s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem entre as crian\u00e7as e que podem ser dos dois tipos citados acima. As intera\u00e7\u00f5es l\u00fadicas surgem dentro da brincadeira e determinam seu conte\u00fado, baseando-se nos pap\u00e9is assumidos pelas crian\u00e7as. As intera\u00e7\u00f5es reais ocorrem durante o jogo e referem-se a a\u00e7\u00f5es sobre este, por exemplo, quando as crian\u00e7as combinam sobre o tema do jogo, com que objetos v\u00e3o brincar, em que lugar etc., e que podem ocorrer antes ou no decorrer do mesmo.<\/li>\n<li>Materiais utilizados \u2013 s\u00e3o os que as crian\u00e7as usam para brincar e cuja a\u00e7\u00e3o sobre estes vai modificando-se \u00e0 medida que crescem. Constituem-se de uma variedade de objetos que podem ser sucatas industriais; brinquedos simples, de representa\u00e7\u00e3o expl\u00edcita (como por exemplo, panelinhas, bonecos, carrinhos e uma infinidade de miniaturas); blocos para construir; fantasias; roupas velhas; maquiagem; barbante; giz, caibros de madeira etc. Quanto menores as crian\u00e7as mais os objetos definem seus jogos; \u00e0 medida que crescem e sua capacidade de imprimir significados diferentes aos objetos desenvolve-se, estes passam a estar condicionados \u00e0s id\u00e9ias geradas pela brincadeira.<\/li>\n<li>lnterven\u00e7\u00e3o do adulto \u2013 \u00e9 a a\u00e7\u00e3o desempenhada pelo adulto durante o jogo. Ela \u00e9 variada e diferencia-se em fun\u00e7\u00e3o das necessidades colocadas pelos grupos de crian\u00e7as. O adulto pode colocar-se como um dos participantes da brincadeira, introduzindo um novo objeto ou questionando as crian\u00e7as sobre o que fazem, o que brincam, como brincam, o que necessitam para brincar. Pode colocar-se apenas como observador para, em outro momento, enriquecer o jogo atrav\u00e9s de atividades dirigidas que ampliem os conhecimentos das crian\u00e7as. Pode auxiliar na escolha do material, organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e das crian\u00e7as.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Dessa forma, fica f\u00e1cil depreender que a \u201cAvalanche\u201d escolhido pelas crian\u00e7as como tema do jogo demonstra, em primeiro lugar, um contato pr\u00e9vio dos meninos a respeito do assunto, e um desejo em aprofundar conhecimentos sobre o mesmo. Esse desejo busca uma realiza\u00e7\u00e3o no jogo atrav\u00e9s de um conte\u00fado bastante especifico, que \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o humana frente a um fen\u00f4meno f\u00edsico, qual seja, a produ\u00e7\u00e3o da \u201cavalanche\u201d e a tentativa de cont\u00ea-la pelos \u201ctrabalhadores\u201d \u2013 bonecos.<\/p>\n<div id=\"attachment_2315\" style=\"width: 229px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2315\" class=\"size-full wp-image-2315\" title=\"avisala_17_conhecendo3\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_conhecendo3.jpg\" alt=\"\" width=\"219\" height=\"253\" \/><p id=\"caption-attachment-2315\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Ressalte-se aqui o desenrolar do jogo que, pela sua din\u00e2mica, mistura o tempo todo viv\u00eancias que s\u00e3o imagin\u00e1rias e outras que s\u00e3o reais entre as crian\u00e7as&#8221;<\/p><\/div>\n<p>Na tentativa de realizar esse desejo por um conhecimento espec\u00edfico, as crian\u00e7as jogam durante quinze minutos, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es l\u00fadicas intercaladas com rela\u00e7\u00f5es reais, construindo hip\u00f3teses a respeito de um fen\u00f4meno t\u00edsico na sua rela\u00e7\u00e3o com os homens.Assim, os objetos iniciais existentes (PLAYMOBIL) definem o tema do jogo, numa rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica que vem dar concretude a necessidades latentes nas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Ou seja, a necessidade de entender como se constitui um fen\u00f4meno f\u00edsico (avalanche) e a forma pela qual o homem domina-o pode concretizar-se para as crian\u00e7as na medida em que o material existente facilitou a viv\u00eancia dessas quest\u00f5es pelas crian\u00e7as. Ao mesmo tempo, ao assumir os pap\u00e9is de trabalhadores atrav\u00e9s das miniaturas, as crian\u00e7as n\u00e3o desempenham trabalhadores espec\u00edficos conhecidos no sentido estrito da imita\u00e7\u00e3o \u2013 mas fun\u00e7\u00f5es sociais t\u00edpicas, corporificadas no conceito de trabalhadores.<\/p>\n<p>Quando Felipe diz: \u201c&#8230;j\u00e1 que a gente \u00e9 trabalhador\u201d isto n\u00e3o quer dizer, como poderia parecer, que ele se prepara para ser trabalhador quando crescer, mas, ao contr\u00e1rio, significa que busca compreender o conceito de trabalhador numa situa\u00e7\u00e3o dada. Isso se d\u00e1 quando, ao assumir o papel de trabalhador, ao mesmo tempo em que desempenha as a\u00e7\u00f5es t\u00edpicas deste e as regras que lhe s\u00e3o impl\u00edcitas (todo trabalhador deve necessariamente trabalhar), Felipe estabelece rela\u00e7\u00f5es com esse papel, tentando compreend\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o jogo permite uma assimila\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o da realidade humana pelas crian\u00e7as j\u00e1 que este n\u00e3o surge de uma fantasia art\u00edstica, arbitrariamente constru\u00edda no mundo imagin\u00e1rio da brincadeira infantil; a pr\u00f3pria fantasia da crian\u00e7a \u00e9 engendrada pelo jogo, surgindo precisamente neste caminho pelo qual a crian\u00e7a penetra na reaIidade<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>Para obter tal \u00eaxito, a crian\u00e7a utiliza-se de uma forma de pensamento que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, na medida emque o aspecto humano das coisas aparece, ainda, para ela, diretamente na forma da a\u00e7\u00e3o humana com essas coisas, e o pr\u00f3prio homem surge para ela como o denominador das coisas que age nesse mundo. Por isso \u00e9 que se relacionam, no jogo citado, com o fen\u00f4meno f\u00edsico \u2013 avalanche \u2013 como se fosse uma pessoa \u2013, numa tentativa de entend\u00ea-lo na sua rela\u00e7\u00e3o com os homens.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das a\u00e7\u00f5es l\u00fadicas com os \u201cbonecos-trabalhadores\u201d e a \u201cbola-avalanche\u201d, as crian\u00e7as constroem hip\u00f3teses e elaboram solu\u00e7\u00f5es para o problema colocado pelo tema do jogo. Nesse sentido, ao mesmo tempo em que constr\u00f3em modelos cognitivos de compreens\u00e3o de diversos fen\u00f4menos (no caso, um fen\u00f4meno f\u00edsico e sua rela\u00e7\u00e3o com o trabalho humano), as crian\u00e7as enriquecem sua personalidade como sujeitos que agem na realidade origin\u00e1ria desses mesmos fen\u00f4menos, juntamente com outras crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, \u00e9 preciso sublinhar que, no jogo, rela\u00e7\u00f5es reais de intera\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as ocorrem com a mesma intensidade que as l\u00fadicas. Ao mesmo tempo em que os meninos desempenham pap\u00e9is de trabalhadores e fazem a \u201cavalanche\u201d ter exist\u00eancia real, discutem entre si como o conte\u00fado do jogo deve ser elaborado. Assim, a brincadeira aparece como fator de organiza\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as que compreendem, durante a atividade, necessidades de uma escuta complementar e de a\u00e7\u00f5es complementares que condicionam o pr\u00f3prio desenrolar do tema.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso lembrar, ainda, que as intera\u00e7\u00f5es entre as crian\u00e7as podem darse de diferentes maneiras, como fica evidenciado na participa\u00e7\u00e3o de Mar\u00edlia. Apesar de n\u00e3o ter sido \u201carrebatada pelo jogo\u201d (LEONTIEV, 1988), Mar\u00edlia se mant\u00e9m realista, procurando auxiliar a brincadeira em diversos momentos e mostrando-se interessada a partir de par\u00e2metros que lhe s\u00e3o pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, o jogo descrito apontaria ainda para a necessidade de se perguntar qual seria o papel do adulto e, por que sistematizar um projeto pedag\u00f3gico do jogo se, sozinhas, as crian\u00e7as podem ter um desenvolvimento bastante enriquecedor.<\/p>\n<p>A resposta est\u00e1 em que, apesar de aparentemente ausente, o adulto se faz presente na brincadeira da avalanche atrav\u00e9s de pr\u00e9-requisitos que o mant\u00eam, quais sejam:<\/p>\n<ul>\n<li>as crian\u00e7as demonstram um repert\u00f3rio vivencial rico, possibilitado, provavelmente, pelos adultos ou pelos instrumentos que estes oferecem \u00e0s mesmas, como televis\u00e3o, r\u00e1dio, cinema, viagens, livros etc.;<\/li>\n<li>o espa\u00e7o utilizado pelas crian\u00e7as estava integralmente \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>o material existente \u2013 PLAYMOBIL \u2013 facilitou a a\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as;<\/li>\n<li>as crian\u00e7as tiveram o tempo que quiseram para brincar sem restri\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A an\u00e1lise, portanto, desta brincadeira ocorrida em ambiente dom\u00e9stico nos evidencia o papel que a mesma desempenha no desenvolvimento infantil. A partir dela e dos pressupostos te\u00f3ricos utilizados, pode-se depreender sua import\u00e2ncia como recurso empregado pelas crian\u00e7as para compreender o mundo que as rodeia, assim como \u00e9 um instrumento de organiza\u00e7\u00e3o independente e aut\u00f4nomo das mesmas.<\/p>\n<p>Claro est\u00e1 em que, se as crian\u00e7as brincam de maneira independente em casa, com os amigos ou parentes, a pr\u00e1tica e a hist\u00f3ria nos t\u00eam revelado que elas tamb\u00e9m brincam, e muito, na escola. O fato \u00e9 que, nem sempre, suas brincadeiras s\u00e3o levadas em conta pelo curr\u00edculo pr\u00e9-escolar e quando o s\u00e3o aparecem apenas como recrea\u00e7\u00e3o ou possibilidade de desgaste de energia para que, em sala, as crian\u00e7as possam concentrar-se em atividades did\u00e1ticas dirigidas.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que se coloca, nesse artigo, \u00e9 como levar em conta o jogo infantil ao serem elaborados planos pedag\u00f3gicos pr\u00e9-escolares, considerando-se o exposto at\u00e9 agora. Ou seja, como transformar o jogo infantil em recurso pedag\u00f3gico pr\u00e9-escolar de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento pelas crian\u00e7as e como instrumento de organiza\u00e7\u00e3o aut\u00f4nomo e independente das mesmas.<\/p>\n<div id=\"attachment_2316\" style=\"width: 384px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2316\" class=\"size-full wp-image-2316\" title=\"avisala_17_conhecendo1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_conhecendo1.jpg\" alt=\"\" width=\"374\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_conhecendo1.jpg 374w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_17_conhecendo1-281x300.jpg 281w\" sizes=\"auto, (max-width: 374px) 100vw, 374px\" \/><p id=\"caption-attachment-2316\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;O adulto pode colocar-se como um dos participantes da brincadeira, introduzindo um novo objeto ou questionando as crian\u00e7as sobre o que fazem, o que brincam, como brincam, o que necessitam para brincar&#8221;<\/p><\/div>\n<p>Para alcan\u00e7ar tal objetivo \u00e9 preciso, inicialmente, considerar as brincadeiras que as crian\u00e7as trazem de casa ou da rua e que organizam independentemente do adulto como diagn\u00f3stico daquilo que j\u00e1 conhecem, seja do mundo t\u00edsico ou social assim como do afetivo. Por outro lado, devem-se considerar os conte\u00fados emocionais trazidos por cada crian\u00e7a e que permitem que o joga se realize.<\/p>\n<p>Para garantir o aparecimento do jogo independente, faz-se necess\u00e1rio:<\/p>\n<ul>\n<li>que a rotina escolar contemple per\u00edodos razoavelmente longos entre as atividades dirigidas, para que as crian\u00e7as sintam-se \u00e0 vontade para brincar;<\/li>\n<li>que existam materiais variados, organizados de maneira clara e acess\u00edvel \u00e0s crian\u00e7as, de tal forma que possam deflagrar e facilitar o aparecimento das brincadeiras entre elas, O acesso e a organiza\u00e7\u00e3o dos materiais devem levar em conta a idade das crian\u00e7as, sendo seu uso coordenado pelo adulto respons\u00e1vel pelo grupo. E importante ressaltar que, quanto menores as crian\u00e7as, sua variedade deve ser menor, de tal forma que elas possam explorar ao m\u00e1ximo as propriedades dos mesmos e iniciar um processo de representa\u00e7\u00e3o com eles. Quanto maiores forem as crian\u00e7as, pode-se manter um n\u00famero mais variado de objetos, inclusive, classificando-os e agrupando-os em atividades organizadas com as crian\u00e7as \u2013 segundo suas propriedades e usos espec\u00edficos;<\/li>\n<li>que a sala onde as crian\u00e7as passam a maior parte de seu tempo tenha uma configura\u00e7\u00e3o visual e espacial prop\u00edcia ao desenvolvimento da imagina\u00e7\u00e3o. Os mov\u00e9is, com mesas, bancos, cadeiras etc., devem ser de f\u00e1cil manipula\u00e7\u00e3o para permitir a reorganiza\u00e7\u00e3o constante do local pelas crian\u00e7as, e a constru\u00e7\u00e3o de casinhas,\u201c cabanas\u201d, &#8220;lojas&#8221;, \u201ccastelos\u201d etc. \u00c9 importante, ainda, garantir um canto com espelho, maquiagens, roupas e fantasias, para que as crian\u00e7as possam utiliz\u00e1-las nos per\u00edodos de jogo;<\/li>\n<li>que haja um per\u00edodo em que as crian\u00e7as e o adulto respons\u00e1vel pelo grupo possam conversar sobre a brincadeira que vivenciaram, sobre as quest\u00f5es que se colocaram, o material que utilizaram, os personagens que assumiram, as crian\u00e7as com as quais interagiram;<\/li>\n<li>que o jogo seja incorporado no curr\u00edculo como um todo, e as quest\u00f5es colocadas no seu desenrolar possam fazer parte de pesquisas desenvolvidas em atividades dirigidas pelas crian\u00e7as; ampliadas atrav\u00e9s de passeios, observa\u00e7\u00e3o da natureza, proje\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos, escuta de r\u00e1dio, m\u00fasica, leituras etc.;<\/li>\n<li>que o adulto seja elemento integrante das brincadeiras, ora como observador e organizador, ora como personagem que explicita ou questiona e enriquece o desenrolar da trama, ora como elo entre as crian\u00e7as e os objetos. E, como elemento mediador entre as crian\u00e7as e o conhecimento, o adulto deve estar sempre junto \u00e0s primeiras, acolhendo suas brincadeiras atento \u00e0s suas quest\u00f5es, auxiliando-as nas suas reais necessidades e buscas em compreender e agir sobre o mundo em que vivem.<\/li>\n<\/ul>\n<p>(Gisela Wajskop, doutora em Metodologia de Ensino e Educa\u00e7\u00e3o Comparada pela FEUSP. Atualmente dirige o Curso Normal Superior Singularidades)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> Este artigo foi publicado originalmente no caderno Id\u00e9ias, 7. FDE. S\u00e3o Paulo, 1990.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> Alexis N. Leontiev, \u201cO desenvolvimento do psiquismo na crian\u00e7a\u201d In: O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa, Ed. Horizonte. Universit\u00e1rio, p. 287.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup> Alexis N. Leontiev. Os princ\u00edpios psicol\u00f3gicos da brincadeira pr\u00e9-escolar. In: Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. A.N Leontiev, A.R. Luria, LS.Vigotsky. S. Paulo. \u00cdcone, Editora da USP, 1988, p. 130.<\/p>\n<h4>Bibliografia<\/h4>\n<ul>\n<li>Organizaci\u00f3n de la actividad ludica en ni\u00f1os de 4 a 6 a\u00f1os. Mercedes E. Boronat. Ciudad de La Habana, Cuba, 1974-76. Pesquisa de Mestrado (mimeo).<\/li>\n<li>Psicologia del juego. D.B. Elkonjn. Ciudad de La Habana, Cuba, Editorial Pueblo y Educaci\u00f3n, 1974.<\/li>\n<li>O desenvolvimento do psiquismo. A.N. LEONTIEV. Lisboa, Horizonte Universit\u00e1rio.<\/li>\n<li>Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. A.N. Leontiev et alii. S\u00e3o Paulo, Icone: Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo, 1968.<\/li>\n<li>El papel del juego en Ia educaci\u00f3n de los ni\u00f1os. A.P. Usova. Ciudad de la Habana, Cuba, Editorial Pueblo y Educaci\u00f3n, 1979.<\/li>\n<li>A forma\u00e7\u00e3o social da mente. L.S.Vigotsky. S\u00e3o Paulo, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1984.<\/li>\n<li>Brincar na Pr\u00e9-Escola. Gisela Wajskop. 2002 &#8211; S\u00e3o Paulo, Ed. Cortez, 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Creches: atividades para crian\u00e7as de zero a seis anos. Gisela Wajskop. 2000 &#8211; S\u00e3o Paulo, Ed. Moderna, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Acertando o Passo. Gisela Wajskop. 2002 &#8211; S\u00e3o Paulo, Ed. Callis. Contato gisela@singularidades.com.br<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhecer como e por qu\u00ea as crian\u00e7as brincam \u00e9 caminho seguro para uma pr\u00e1tica educativa que respeita o seu fazer l\u00fadico. A observa\u00e7\u00e3o atenta das brincadeiras e o respaldo te\u00f3rico colaboram para que as interven\u00e7\u00f5es dos educadores sejam apropriadas. 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