{"id":2144,"date":"2003-10-04T12:12:38","date_gmt":"2003-10-04T15:12:38","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=2144"},"modified":"2023-03-27T17:05:16","modified_gmt":"2023-03-27T20:05:16","slug":"cestinhas-surpresa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/reflexoes-do-professor\/cestinhas-surpresa\/","title":{"rendered":"Cestinhas Surpresa"},"content":{"rendered":"<p>Cestinhas Surpresa<\/p>\n<h5>Regularidade e diversidade: componentes fundamentais no planejamento de atividades para beb\u00eas<\/h5>\n<div id=\"attachment_2156\" style=\"width: 730px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2156\" class=\"size-full wp-image-2156\" title=\"avisala_16_cestas5\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas5.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"378\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas5.jpg 720w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas5-300x157.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-2156\" class=\"wp-caption-text\">Professora e crian\u00e7as em intera\u00e7\u00e3o (Foto: Rosemeire Rodrigues)<\/p><\/div>\n<p>Em um um ber\u00e7\u00e1rio as crian\u00e7as devem explorar com seguran\u00e7a o mundo que as cerca, interagir com adultos e entre elas, brincar, transformar, aprender a se comunicar, ir conquistando maior independ\u00eancia. A diversidade de experi\u00eancias amplia as possibilidades de um desenvolvimento pleno e da participa\u00e7\u00e3o ativa nos desafios que o dia-a-dia imp\u00f5e.<\/p>\n<p>Foi nesta perspectiva que iniciei um trabalho com crian\u00e7as das creches Papa Jo\u00e3o XXIII e Dom Jos\u00e9 Gaspar, ambas integrantes do Programa Capacitar Educadores, de S\u00e3o Paulo<sup>1<\/sup>. Meu trabalho consistia em uma interven\u00e7\u00e3o de duas horas com as crian\u00e7as, seguidas de uma hora de discuss\u00e3o com as professoras, que observavam atentamente minha pr\u00e1tica.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nPara que fosse poss\u00edvel refinar o olhar sobre os beb\u00eas e aprofundar o conhecimento nesta faixa et\u00e1ria, adotamos a divis\u00e3o dos grupos como uma importante estrat\u00e9gia de trabalho para melhor atender \u00e0s individualidades das crian\u00e7as e as especificidades de cada proposta. Enquanto as crian\u00e7as de 4 meses a 1 ano e meio participavam das atividades com as cestas, as maiores, de at\u00e9 2 anos, participavam de atividades de pintura.<\/p>\n<p>Nesta mat\u00e9ria, no entanto, vou contar a experi\u00eancia realizada com os beb\u00eas de 4 a 11 meses.<\/p>\n<p><strong>Uma proposta interessante para beb\u00eas<\/strong><br \/>\nA proposta para os beb\u00eas consistiu em apresentar cestinhas de pl\u00e1stico, potes ou caixas dentro dos quais se encontravam objetos variados, provocando a curiosidade deles. Escolhi objetos industrializados e outros confeccionados na pr\u00f3pria creche, procurando atender \u00e0 necessidade de explora\u00e7\u00e3o sens\u00f3rio- motora das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Ao abrir as cestinhas e caixinhas, elas encontravam objetos variados: chocalhos; caixinhas de papel\u00e3o forradas com imagens diversas; peda\u00e7os de condu\u00edte; apitos variados; retalhos de tecido; espelhinhos; objetos de borracha para sugar e morder de diferentes formas, cores e tamanhos; bexigas cheias de \u00e1gua; luvas cir\u00fargicas cheias de algod\u00e3o, \u00e1gua ou sagu; plumas; tocos e bast\u00f5es de madeira; tamborzinhos confeccionados com sucata; argolas; pi\u00f5es de pl\u00e1stico coloridos; e outros.<\/p>\n<p>O principal objetivo dessa atividade era criar contextos de explora\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o nos quais as crian\u00e7as, como participantes ativas, tivessem oportunidades de aprimorar seus comportamentos comunicativos, construir compet\u00eancias de natureza motora, afetiva e cognitiva.<\/p>\n<p>A atividade com as cestinhas desafia os beb\u00eas a imitar gestos e a\u00e7\u00f5es, a escolher um objeto, descobrir jeitos de explorar e interagir no grupo.Todas essas situa\u00e7\u00f5es demandam a ativa\u00e7\u00e3o e a coordena\u00e7\u00e3o de esquemas para diversos fins, favorecendo, portanto, o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para a crian\u00e7a pequena \u00e9 uma atividade repleta de sentido, visto que a pr\u00f3pria explora\u00e7\u00e3o \u00e9 fonte de prazer: seu interesse est\u00e1 todo voltado \u00e0s suas experi\u00eancias sens\u00f3rio-motoras desencadeadas pelas a\u00e7\u00f5es sobre os objetos, que possibilitam a descoberta, o conhecimento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de interagir com o meio f\u00edsico, a crian\u00e7a pode se envolver em a\u00e7\u00f5es conjuntas que estimulam a comunica\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de novos significados, na companhia de um adulto atento e envolvido para investir nessas trocas e apoiar as constru\u00e7\u00f5es individuais e coletivas.<\/p>\n<p><strong>A surpresa do primeiro dia<\/strong><br \/>\nAs educadoras ficaram respons\u00e1veis por organizar o espa\u00e7o do ber\u00e7\u00e1rio: arrumaram o tapete e as almofadas para que pud\u00e9ssemos acomodar os beb\u00eas em roda. Assim, em um ambiente mais confort\u00e1vel para todos, apresentei ao grupo, pela primeira vez, as cestinhas que havia levado. Numa atmosfera de surpresa que transparecia nos olhares das crian\u00e7as, fui tirando objeto por objeto, nomeando, mostrando algumas possibilidades de explora\u00e7\u00e3o e conversando com o grupo.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as me observaram por alguns minutos e depois, aos poucos, foram se aproximando para olhar de perto e tentar tocar os objetos. Distribui uma cestinha para cada beb\u00ea. Para os que ainda n\u00e3o ficavam sentados, oferec\u00edamos um objeto de cada vez.<\/p>\n<p>Curiosos, iam rapidamente pegando, observando, mordendo. Alguns chegavam a puxar tamb\u00e9m a cestinha do outro para olhar o que tinha dentro e, em poucos minutos, todos os objetos j\u00e1 estavam misturados pelo ch\u00e3o. N\u00e3o observei nenhuma situa\u00e7\u00e3o de conflito entre as crian\u00e7as por causa dos brinquedos.<\/p>\n<p>Continuei explorando os objetos das mais diversas formas <strong>(A)<\/strong>, colocando-me como parceira na brincadeira, algu\u00e9m que os beb\u00eas podiam observar. Algumas crian\u00e7as me imitavam, outras permaneciam entretidas com sua pr\u00f3pria cestinha.<\/p>\n<p>Depois de um tempo, fui propondo brincadeiras de rolar e jogar bolas e chocalhos, girar argolas pelo ch\u00e3o, passar minha bola dentro da argola de um, brincar de puxar e soltar a argola de outro. Os beb\u00eas facilmente interagiam comigo, repetindo os gestos e me imitando <strong>(B)<\/strong>.<\/p>\n<p>Logo come\u00e7aram a me \u201csugerir\u201d brincadeiras: jogavam a bola para mim, se aproximavam e me ofereciam algum de seus objetos. Observei que algumas crian\u00e7as tentavam fazer o mesmo com as outras, que ora respondiam, ora continuavam entretidas em seu pr\u00f3prio \u201cjogo\u201d.<\/p>\n<p>Permaneceram ali no tapete entretidas com a cestinha de surpresas por aproximadamente trinta minutos, at\u00e9 a hora do jantar. N\u00e3o finalizei a atividade, j\u00e1 que elas poderiam continuar brincando enquanto as educadoras volantes preparavam e davam o jantar aos seus companheiros; desse modo, todos se ocuparam com algo interessante enquanto esperavam sua vez de se alimentar.<\/p>\n<div id=\"attachment_2157\" style=\"width: 231px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2157\" class=\"size-full wp-image-2157\" title=\"avisala_16_cestas4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas4.jpg\" alt=\"\" width=\"221\" height=\"180\" \/><p id=\"caption-attachment-2157\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ana L\u00facia Bresciane<\/p><\/div>\n<p><strong>Mesmos objetos, novas explora\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nDurante as semanas seguintes, as educadoras da sala continuaram a propor as brincadeiras com as cestinhas, acompanhando as crian\u00e7as, provocando diferentes intera\u00e7\u00f5es, dando continuidade \u00e0 proposta nos demais dias.<\/p>\n<p>Nesses momentos, um mesmo comportamento se repetia: quando as crian\u00e7as me viam chegar com aquela pilha de cestas, ficavam euf\u00f3ricas <strong>(C)<\/strong>, se aproximavam de mim, sorriam, davam gritinhos, arregalavam os olhos e balan\u00e7avam os bracinhos, demonstrando saber que ali havia algo que lhes interessava. Era encantador observ\u00e1-las, pod\u00edamos esquecer todos os problemas ao presenciar a beleza da descoberta nessa situa\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dias depois, quando voltei, as crian\u00e7as j\u00e1 estavam bem familiarizadas com os objetos. Ent\u00e3o passamos a reapresent\u00e1-los de diferentes maneiras, provocando e desafiando-as nas intera\u00e7\u00f5es com os materiais.<\/p>\n<p>Uma vez distribui as cestas e fiquei com uma e, enquanto as crian\u00e7as exploravam, contei uma vers\u00e3o da hist\u00f3ria \u201cOs tr\u00eas cabritinhos\u201d, utilizando os objetos como personagens. Elas brincavam e me observavam ao mesmo tempo. As que n\u00e3o estavam interessadas em mim, s\u00f3 voltavam o olhar quando eu fazia algum barulho; ent\u00e3o paravam de brincar para me escutar contando. Percebi que v\u00e1rias tentavam me imitar, batendo com os tocos de madeira nas forminhas a fim de tirar som delas.<\/p>\n<p>Em um outro dia, provoquei-as colocando somente um tipo de objeto em cada cesta <strong>(D)<\/strong>. Ao distribuir, foi vis\u00edvel a curiosidade de umas pelas cestas das outras, como se estivessem perguntando: \u201cO que tem na sua cesta?\u201d Em poucos segundos os objetos j\u00e1 estavam todos misturados.<\/p>\n<p>Mesmo tendo distribu\u00eddo uma cesta para cada crian\u00e7a, com um tipo de objeto diferente em cada uma delas, n\u00e3o houve nenhuma esp\u00e9cie de disputa ou briga: os beb\u00eas compartilharam os brinquedos com grande prazer. Acredito que seja o prazer por relacionar-se e por explorar e conhecer o universo a sua volta que faz a conviv\u00eancia t\u00e3o pac\u00edfica e divertida.<\/p>\n<p>Essa grande circula\u00e7\u00e3o dos objetos nos levou a pensar em alguns cuidados. Embora os objetos sejam distribu\u00eddos em quantidade suficiente para todas as crian\u00e7as, eles se misturam \u2013 e \u00e9 importante que isso aconte\u00e7a, pois \u00e9 resultado da intera\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as \u2013, o que exige aten\u00e7\u00e3o especial quanto \u00e0 higiene desses brinquedos.<\/p>\n<p>Mesmo guardados em sacos, acabam sujando com o uso e a poeira do ambiente; al\u00e9m disso, ao passar os objetos de uma crian\u00e7a para a outra h\u00e1 sempre o risco de contamina\u00e7\u00e3o. Antes de us\u00e1-los novamente com as crian\u00e7as, \u00e9 preciso lav\u00e1-los e sec\u00e1-los.<\/p>\n<p><strong>O surgimento de prefer\u00eancias<\/strong><br \/>\nAos poucos fomos percebendo que as crian\u00e7as tinham prefer\u00eancias: a bexiga d\u2019\u00e1gua foi alvo de muitos apert\u00f5es e mordidas, tanto que uma acabou estourando e molhando algumas. Motivo de surpresa e risos para quem se molhou. O chocalho feito de pote de filme fotogr\u00e1fico e as argolas, apesar de velhos conhecidos, fizeram grande sucesso. Rapidamente se espalharam pelas m\u00e3os e bocas de v\u00e1rias crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 estavam bastante familiarizados com os objetos da cesta, come\u00e7amos a incluir algumas novidades.<strong>(E)<\/strong> Na roda, mostrei primeiro os objetos conhecidos e depois as novidades. Umas caixinhas forradas com papel reciclado em cujas faces colamos imagens variadas em miniatura. Tamb\u00e9m variamos o peso e as possibilidades de produ\u00e7\u00e3o de sons diversos das caixinhas contendo sementes e pedrinhas. Al\u00e9m delas colocamos tamb\u00e9m peda\u00e7os de condu\u00edte, que permitiam diferentes formas de explora\u00e7\u00e3o: morder, torcer, olhar por dentro como se fosse um bin\u00f3culo, soprar como se fosse uma pequena corneta.<\/p>\n<div id=\"attachment_2158\" style=\"width: 403px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2158\" class=\"size-full wp-image-2158\" title=\"avisala_16_cestas7\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas7.jpg\" alt=\"\" width=\"393\" height=\"528\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas7.jpg 393w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas7-223x300.jpg 223w\" sizes=\"auto, (max-width: 393px) 100vw, 393px\" \/><p id=\"caption-attachment-2158\" class=\"wp-caption-text\">Experimentando o que cabe no tubo (Foto: Ana L\u00facia Bresciane)<\/p><\/div>\n<p>Mais uma vez distribu\u00ed as cestinhas, observei a intera\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e as prefer\u00eancias e sugeri possibilidades de \u201cjogar\u201d <strong>(F)<\/strong> com os objetos pelos quais elas mais se interessavam. Outras crian\u00e7as se aproximavam, observavam durante um tempo, procuravam objetos iguais e logo davam um jeito de demonstrar que queriam participar, com um sorriso, imitando e oferecendo o que tinham em suas m\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>Olhar para o grupo, e olhar para o indiv\u00edduo<\/strong><br \/>\n\u00c9 importante que o professor se deixe encantar pelo universo da crian\u00e7a, pois \u00e9 deste lugar que ir\u00e1 conseguir uma comunica\u00e7\u00e3o efetiva com ela. No per\u00edodo sens\u00f3rio-motor, \u00e0 falta da linguagem oral, o corpo todo da crian\u00e7a brinca, fala. \u00c9 uma forma de comunica\u00e7\u00e3o que devemos reaprender para compreender e sermos compreendidos.<\/p>\n<p>Gestos, movimentos, afagos, olhares, express\u00f5es, todos s\u00e3o formas de express\u00e3o e juntos culminam na linguagem caracter\u00edstica dos pequenos, em algo que compreendem. Vale ressaltar que nem todos se comunicam da mesma forma. Assim como temos nossas peculiaridades, nosso \u201cjeito\u201d que nos d\u00e1 identidade, as crian\u00e7as tamb\u00e9m. E \u00e9 com essas singularidades que devemos aprender a dialogar, por isso a observa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante, sempre.<\/p>\n<p>Minha experi\u00eancia com os beb\u00eas mais uma vez confirmou isso. Lara, por exemplo, olhava curiosa para mim e para as cestinhas, como todos os outros faziam, mas, al\u00e9m disso, tamb\u00e9m ria, balan\u00e7ava as perninhas, esticava os bra\u00e7os e abria e fechava os dedinhos como se pedisse para eu lhe entregar logo sua cesta.<\/p>\n<p>Lara, Eshley e Mariana rapidamente perceberam que com caixinhas era poss\u00edvel produzir sons. Uma balan\u00e7ava, as outras imitavam e assim ficaram jogando durante um tempo e marcando seus ritmos ao mesmo tempo em que riam umas para as outras. Lara pegou uma caixinha vazia, balan\u00e7ou com for\u00e7a e, percebendo que n\u00e3o fazia som, foi em busca de outra <strong>(G)<\/strong>.<\/p>\n<p>Vin\u00edcius tamb\u00e9m me chamou a aten\u00e7\u00e3o: ele chorava com freq\u00fc\u00eancia e raramente era motivado a brincar ou explorar. No \u00faltimo encontro fiquei com ele no colo durante um longo tempo. Enquanto as outras crian\u00e7as brincavam, eu conversava com ele, cantava e tentava motiv\u00e1-lo a brincar comigo. Cheguei a comentar com Denise, sua educadora, o quanto \u00e9 importante lhe dar uma aten\u00e7\u00e3o especial. Mas naquele dia Vin\u00edcius sorriu para mim e pela primeira vez demonstrou interesse pelos brinquedos e at\u00e9 participou de uma brincadeira que propus.<\/p>\n<p>Samira brincava com uma bola, jogava e pegava de volta. Peguei a bola e joguei novamente para ela. Gabriel, Rian e Vin\u00edcius ficaram interessados, ent\u00e3o sugeri que jogassem a bola um para o outro, mas eles devolviam para mim, sorrindo. Apenas Gabriel a jogou para os outros pegarem.<\/p>\n<p>Igor recebeu a caixinha com a mesma alegria de sempre, muito sorridente, fazendo um esfor\u00e7o enorme para se comunicar apesar de todas as suas dificuldades. Sempre usava parte do tempo para lhe dar uma aten\u00e7\u00e3o exclusiva, pois dependia muito da ajuda do professor para conseguir segurar os objetos e interagir. Como ele ainda n\u00e3o tem essa autonomia, precisa de aux\u00edlio, do contr\u00e1rio passa todo o tempo somente observando. Entreguei-lhe a bola, ele n\u00e3o quis, recusou tamb\u00e9m a caixinha, mas ficou interessado pelo condu\u00edte, que agarrou e manteve na boca por longo tempo.<\/p>\n<p>Mariana, depois de ter explorado bastante todos os objetos, brigou com seu colega por causa das cestinhas, queria pegar v\u00e1rias e empilh\u00e1-las, repetindo a brincadeira favorita das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Nesse dia tamb\u00e9m observei a primeira situa\u00e7\u00e3o de conflito, que desde ent\u00e3o apareceu com mais freq\u00fc\u00eancia em todos os grupos. Conflitos saud\u00e1veis, que permitem \u00e0s crian\u00e7as perceberem a exist\u00eancia do outro. Essa integra\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as provoca a apari\u00e7\u00e3o dos conflitos e possibilita a socializa\u00e7\u00e3o, as aprendizagens e um desenvolvimento mais enriquecedor.<\/p>\n<p><strong>Viver em grupo tamb\u00e9m \u00e9 novidade<\/strong><br \/>\nA interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve prescindir de uma observa\u00e7\u00e3o cuidadosa. O olhar atento para a crian\u00e7a e suas a\u00e7\u00f5es \u00e9 fundamental para se fazer interven\u00e7\u00f5es adequadas. As investiga\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as e seu investimento nas diferentes maneiras de explora\u00e7\u00e3o dos objetos devem ser observados constantemente pelo educador, assim como as formas de comunica\u00e7\u00e3o que se estabelecem durante a atividade. O professor deve compreend\u00ea-las, aproximar-se de seu universo para poder com elas interagir e trocar.<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o permite essa aproxima\u00e7\u00e3o e a compreens\u00e3o das necessidades e desejos dos pequenos e, a partir dela, o professor pode intervir e planejar suas a\u00e7\u00f5es com mais seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Por isso me preocupava em observ\u00e1-las e ajudar as educadoras da turma na mesma tarefa. Isso nos levou a pensar sobre as crian\u00e7as e seus jeitos de interagir e nos ajudou a descobrir melhores formas de intervir junto a elas. As crian\u00e7as menores, por exemplo, n\u00e3o interagem umas com as outras, a n\u00e3o ser por meio de longas e atentas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Todos os objetos v\u00e3o \u00e0 boca, modo fundamental de explorarem e conhecerem aquilo que est\u00e1 a sua volta. Brincam com os objetos que est\u00e3o ao seu alcance, a sua vista, n\u00e3o saem em busca do que j\u00e1 conhecem e est\u00e1 escondido, como fazem os maiores. Como s\u00e3o menos aut\u00f4nomas, necessitam mais da aten\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o do professor para que realizem a\u00e7\u00f5es diversas.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as entre as faixas et\u00e1rias ficaram muito vis\u00edveis com essa organiza\u00e7\u00e3o do grupo. Explicitou-se a necessidade de a\u00e7\u00f5es e interven\u00e7\u00f5es diferenciadas por parte do professor, o que tamb\u00e9m se mostrou bastante interessante, visto que os pequenos podem aprender muito com os mais velhos.<\/p>\n<p><strong>Regularidade e diversidade nas propostas <\/strong><br \/>\nTamb\u00e9m descobrimos que \u00e9 muito importante manter uma certa regularidade nas atividades com os pequenos, pois para se apropriarem do que est\u00e3o aprendendo, eles precisam repetir muitas vezes.<\/p>\n<p>Por isso, fizemos quest\u00e3o de manter o modo de apresenta\u00e7\u00e3o da atividade, como um ritual: em tom de surpresa, eu retirava os objetos de minha cesta, um a um, e mostrava \u00e0s crian\u00e7as. Depois de apresentar todos, guardava-os de volta e distribu\u00eda uma cesta para cada crian\u00e7a, instigando-as com a pergunta:<\/p>\n<p>Vamos ver o que tem na cesta de voc\u00eas? Ser\u00e1 que tem as mesmas coisas que tem na minha?<\/p>\n<p>Muitos n\u00e3o ag\u00fcentavam esperar, inclinavam o corpo, olhavam curiosos e esticavam os bra\u00e7os para pegar os objetos da cesta do colega ao lado.<\/p>\n<p>Com o tempo, nem era mais preciso chamar as crian\u00e7as para se aproximarem da roda: ao verem as caixinhas engatinhavam, andavam e sentavam-se perto de mim. Ent\u00e3o, era s\u00f3 ajud\u00e1-las a se organizar, de modo que todas pudessem me ver e ao mesmo tempo enxergar umas \u00e0s outras.<\/p>\n<div id=\"attachment_2159\" style=\"width: 442px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2159\" class=\"size-full wp-image-2159\" title=\"avisala_16_cestas\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas.jpg\" alt=\"\" width=\"432\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas.jpg 432w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas-300x181.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 432px) 100vw, 432px\" \/><p id=\"caption-attachment-2159\" class=\"wp-caption-text\">Entre os objetos o espelhinho \u00e9 sucesso garantido (Foto: Rosemeire Rodrigues)<\/p><\/div>\n<p>A mudan\u00e7a ficava por conta dos objetos novos que acrescent\u00e1vamos \u00e0s cestas a cada semana. Um dia pus espelhinhos pequenos\u2013me certifiquei de que n\u00e3o se quebravam facilmente e estavam firmemente presos \u00e0s molduras \u2013 e algumas penas grandes coloridas. Depois de pegar, observar e \u201cexperimentar\u201d os diversos objetos, \u00e9 comum cada crian\u00e7a eleger alguns desses objetos para repetir a\u00e7\u00f5es e explorar com mais afinco, com mais \u201cprofundidade\u201d.<\/p>\n<p>Mariana, por exemplo, passou muito tempo enfiando as penas nos buracos da cesta e, percebendo que elas ficavam eretas, foi montando uma \u201cescultura\u201d. Lara e S\u00e2mara, entretidas com as caixinhas de imagens, chacoalhavam e batiam umas nas outras para fazer barulho.<\/p>\n<p>S\u00e2mara se dirigiu at\u00e9 o espelho e repetiu os gestos com as caixinhas enquanto se mirava <strong>(H)<\/strong>. Lara a seguiu, sentou-se ao seu lado e se p\u00f4s a empilhar as caixinhas sobre a cesta virada de cabe\u00e7a para baixo. S\u00e2mara, vendo-a pelo espelho, levou suas caixinhas e colocou sobre as de Lara.<\/p>\n<p>Rian se divertia colocando as penas na cabe\u00e7a. Ant\u00f4nia, uma das educadoras da turma, mostrou-lhe a imagem dele no espelhinho e ele repetiu a a\u00e7\u00e3o diversas vezes. Depois colocou e tirou a pr\u00f3pria cesta da cabe\u00e7a, achando gra\u00e7a no jogo de esconder. Igor, no colo da educadora, ria a valer.<\/p>\n<p>Eshley tirava todos os objetos da cesta e, em seguida, guardava-os todos de volta novamente.Vin\u00edcius pegou todas as cestas que conseguiu e empilhou-as. S\u00f3 n\u00e3o conseguiu se apossar da de Mariana, que esbravejou, arrancando-a de suas m\u00e3os. Percebendo que o colega estava com muitas cestas, decidiu que queria brincar com elas tamb\u00e9m e come\u00e7aram a disputar. Mais uma vez o conflito apareceu e gerou novas intera\u00e7\u00f5es. Intervi propondo que fiz\u00e9ssemos uma grande torre, todos juntos. Constru\u00edmos e destru\u00edmos a torre algumas vezes, at\u00e9 que se cansaram e sa\u00edram \u00e0 procura de outras coisas.<\/p>\n<p>Encerrei a atividade propondo que as crian\u00e7as me auxiliassem a guardar o material nas cestas, tarefa dif\u00edcil e demorada. Depois foram brincar no p\u00e1tio.<\/p>\n<p><strong>Possibilidades em aberto<\/strong><br \/>\nEssa atividade que trazia ora a regularidade, ora a diversidade, criou momentos preciosos de intera\u00e7\u00e3o no grupo e gerou muitos desdobramentos, como, por exemplo:<\/p>\n<ul>\n<li>a pesquisa sobre novas combina\u00e7\u00f5es de objetos e a\u00e7\u00f5es, criando novos sentidos para as mesmas coisas;<\/li>\n<li>a cria\u00e7\u00e3o de cantos com os objetos das cestas, que puderam ser explorados com autonomia, tematizados por tipo de a\u00e7\u00e3o que sugerem ou por atividade sens\u00f3rio-motora envolvida;<\/li>\n<li>a cria\u00e7\u00e3o de propostas de atividades utilizando somente os objetos da mesma natureza, por exemplo, sonoros, de assoprar etc.;<\/li>\n<li>instala\u00e7\u00f5es na sala das crian\u00e7as com os objetos das cestas.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>O que aprendemos com a atividade<\/strong><br \/>\nEssa seq\u00fc\u00eancia se mostrou extremamente interessante para os beb\u00eas, sob v\u00e1rios aspectos. Do ponto de vista da crian\u00e7a, foi poss\u00edvel observar que as atividades foram extremamente prazerosas, visto que o envolvimento e a participa\u00e7\u00e3o das mesmas foram intensos.<\/p>\n<p>Podemos atribuir esse interesse ao significado da explora\u00e7\u00e3o: para os pequenos, explorar \u00e9 uma atividade prazerosa por si s\u00f3, independentemente de seus resultados. Da perspectiva do desenvolvimento, essas experi\u00eancias estimulam a ativa\u00e7\u00e3o e a articula\u00e7\u00e3o de esquemas diversos para resolver situa\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p>A imita\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o abrem possibilidades de descoberta e de aprendizagem pela crian\u00e7a, que aprende por meio de suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es. Explorando, os beb\u00eas podem conhecer, descobrir, articular suas compet\u00eancias sens\u00f3rio-motoras para criar novas possibilidades de a\u00e7\u00e3o e ter mais autonomia.<\/p>\n<p>Ao propor desafios interessantes, o educador cria para os beb\u00eas oportunidades de aprender e favorece, dessa forma, seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo, esse formato de atividade propicia a integra\u00e7\u00e3o do grupo, favorecendo a intera\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, o que ajuda no desenvolvimento das compet\u00eancias comunicativas e da socializa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de contribuir com as aprendizagens, j\u00e1 que o professor n\u00e3o \u00e9 \u2014 e n\u00e3o deve ser \u2014 a \u00fanica fonte de inspira\u00e7\u00e3o para a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Ao observar, imitar e interagir com os colegas, os pequenos tamb\u00e9m aprendem e se desenvolvem. Por\u00e9m, \u00e9 essencial que tenhamos claro que, para as atividades serem de fato prazerosas e significativas para as crian\u00e7as e colaborarem para seu desenvolvimento, s\u00e3o necess\u00e1rias algumas condi\u00e7\u00f5es. \u00c9 fundamental:<\/p>\n<ul>\n<li>conhecer a crian\u00e7a com a qual se trabalha; saber planejar considerando suas caracter\u00edsticas e necessidades;<\/li>\n<li>saber intervir;<\/li>\n<li>saber se relacionar com as crian\u00e7as;<\/li>\n<li>criar um ambiente favor\u00e1vel para a realiza\u00e7\u00e3o das atividades.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Atento a esses cuidados, o educador pode investigar, experimentar novos jeitos de encaminhar as atividades e observar suas vantagens e desvantagens. E, ao final, se surpreender e se encantar com os progressos dos pequenos.<\/p>\n<p>(Ana L\u00facia Bresciane, Psic\u00f3loga, formadora do Instituto Avisa L\u00e1)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> Projeto Capacitar 9 \u2013 Iniciativa Instituto C&amp;A.<\/p>\n<div id=\"attachment_2161\" style=\"width: 577px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2161\" class=\"size-full wp-image-2161\" title=\"avisala_16_cestas1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas1.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"207\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas1.jpg 567w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas1-300x109.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><p id=\"caption-attachment-2161\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ana L\u00facia Bresciane<\/p><\/div>\n<p><strong>Coment\u00e1rios do Professor Lino de Macedo: <\/strong><\/p>\n<p><strong>(A)<\/strong> A a\u00e7\u00e3o da professora sobre os objetos estimula a da crian\u00e7a, sem ela talvez n\u00e3o haja muita brincadeira. A a\u00e7\u00e3o do adulto amplia o repert\u00f3rio, mostra que \u00e9 poss\u00edvel brincar de diferentes jeitos.A crian\u00e7a reconhece as possibilidades e reproduz do jeito dela e com as varia\u00e7\u00f5es ao seu gosto, repetindo o que mais gosta. A quest\u00e3o do poss\u00edvel tem a ver com repert\u00f3rio, porque h\u00e1 crian\u00e7as com pouco repert\u00f3rio, principalmente aquelas pouco estimuladas, com escassez de objetos em casa.<\/p>\n<p><strong>(B)<\/strong> Segundo Piaget, uma das caracter\u00edsticas principais dos beb\u00eas de 8 meses a aproximadamente 1 ano \u00e9 a coordena\u00e7\u00e3o de esquemas secund\u00e1rios, o que possibilita que a crian\u00e7a utilize um meio para outros fins. Por exemplo, nessa atividade cestinha e chocalho s\u00e3o coisas independentes. S\u00f3 neste contexto criado pela professora eles s\u00e3o interdependentes. Uma coisa \u00e9 uma cesta e os objetos que ela cont\u00e9m e outra coisa \u00e9 usar os objetos que est\u00e3o dentro da cesta, principalmente se forem variados.<\/p>\n<p>Os meios e os fins se coordenam, mas n\u00e3o no sentido de um ser prolongamento do outro, mas s\u00e3o diferenciados e acabam se integrando pela a\u00e7\u00e3o da professora e da crian\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>(c)<\/strong> Outra caracter\u00edstica dessa fase \u00e9 o que Piaget chama de ind\u00edcios, que prenuncia o aparecimento da intelig\u00eancia simb\u00f3lica. Ind\u00edcio \u00e9 associa\u00e7\u00e3o. Podemos not\u00e1-lo nos famosos exemplos em que a crian\u00e7a escuta a m\u00e3e preparando a mamadeira e j\u00e1 p\u00e1ra de chorar porque sabe que vai mamar, ou ouve o barulho de chave e j\u00e1 olha para a porta porque sabe que o pai est\u00e1 chegando.<\/p>\n<p>O gesto explorat\u00f3rio feito pela professora \u2013 ao apresentar os objetos \u00e0s crian\u00e7as \u2013 funcionou como ind\u00edcio para o gesto explorat\u00f3rio da crian\u00e7a. \u00c9 um fen\u00f4meno inteligente e dial\u00e9tico reconhecer o gesto para poder reproduzi-lo.<\/p>\n<p><strong>(D)<\/strong> O interessante da atividade tamb\u00e9m \u00e9 a surpresa no sentido daquilo que est\u00e1 em suspenso, o desconhecido. Daquilo que eu n\u00e3o antecipo porque n\u00e3o existe de antem\u00e3o nenhum ind\u00edcio. A professora ao perguntar o que tem dentro da caixinha e ao explorar fornece os primeiros ind\u00edcios.<\/p>\n<p>A atividade causou surpresa, causar no sentido de desencadear. Quais foram os desencadeadores de surpresa? A pr\u00f3pria caixinha, o fato de ela ser tampada ou n\u00e3o, de ter composi\u00e7\u00f5es diferentes e tamb\u00e9m as macaquices da professora. Essas a\u00e7\u00f5es ajudaram a criar v\u00ednculo com o objeto. A \u00eanfase \u00e9 no como fazer no procedimental. O esquema \u00e9 presentativo. Como \u00e9 que eu presentifico alguma coisa?<\/p>\n<p><strong>(E)<\/strong> Surpresa tem a ver com aquilo que a pessoa n\u00e3o controla, n\u00e3o antecipa. Eu nunca imaginei que pudesse fazer isso com uma argola \u2013 como se uma crian\u00e7a dissesse para si mesma.A surpresa \u00e9 um termo conveniente, para essa atividade. Se a crian\u00e7a n\u00e3o tem esquema para assimilar, ela nem v\u00ea a novidade. O papel do educador \u00e9 criar atividades e brincadeiras que surpreendam, mas que sejam assimil\u00e1veis pelas crian\u00e7as. Isto \u00e9, tenham resson\u00e2ncia com seus esquemas.<\/p>\n<p>O que surpreendeu as crian\u00e7as nessa seq\u00fc\u00eancia de atividades? O fato de a caixinha parcialmente esconder os brinquedos, as variedades dos brinquedos que estavam dentro? As a\u00e7\u00f5es que a professora fez ou as outras crian\u00e7as fizeram? A crian\u00e7a se surpreende brincando, estimulada pelo adulto e tamb\u00e9m descobrindo um jeito novo de se relacionar com os objetos.<\/p>\n<p>Algumas a\u00e7\u00f5es rotineiras s\u00e3o reapresentadas e n\u00e3o deixam de surpreender. S\u00e3o muitas as perguntas que as crian\u00e7as podem se fazer. Ser\u00e1 que hoje tem a mesma coisa de ontem? Ser\u00e1 que tem alguma coisa diferente hoje? Com os mesmos objetos, que coisas diferentes a minha professora vai fazer? \u00c9 por isso que um mesmo objeto distrai a crian\u00e7a durante tanto tempo.<\/p>\n<p><strong>(F)<\/strong> Piaget fala da import\u00e2ncia de promover o desenvolvimento. A rea\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta feita pelo adulto depende do n\u00edvel da crian\u00e7a, ou seja, o mesmo gesto para algumas crian\u00e7as promove uma coisa e para outras promove outras coisas. As a\u00e7\u00f5es da professora ao explorar os objetos, fingir que morde, balan\u00e7ar etc., funcionam como sugest\u00e3o para a crian\u00e7a que pode assimilar. A isso que Piaget chama de desencadear. O desencadear tem dois destinos: a indu\u00e7\u00e3o ou a espontaneidade.<\/p>\n<p>A indu\u00e7\u00e3o \u00e9 quando a crian\u00e7a fica restrita ao modelo e s\u00f3 brinca desse jeito quando o modelo estiver presente estimulando, quer dizer, ela n\u00e3o inventa nada, n\u00e3o adapta, n\u00e3o ajusta, n\u00e3o cria, n\u00e3o d\u00e1 sinais de uma apropria\u00e7\u00e3o pessoal; ent\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m que copia. Isso n\u00e3o \u00e9 negativo, pois significa um reconhecimento, uma identifica\u00e7\u00e3o, por\u00e9m a crian\u00e7a depende do modelo todo o tempo.<\/p>\n<div id=\"attachment_2162\" style=\"width: 358px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2162\" class=\"size-full wp-image-2162\" title=\"avisala_16_cestas8\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas8.jpg\" alt=\"\" width=\"348\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas8.jpg 348w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_cestas8-198x300.jpg 198w\" sizes=\"auto, (max-width: 348px) 100vw, 348px\" \/><p id=\"caption-attachment-2162\" class=\"wp-caption-text\">Ber\u00e7\u00e1rio Casa do Aprender &#8211; AME, Osasco<\/p><\/div>\n<p>O trabalho com as caixinhas provocou tanto a indu\u00e7\u00e3o como o espont\u00e2neo. Estimulou a cria\u00e7\u00e3o, favoreceu a curiosidade: Ser\u00e1 que na sua caixinha tem o mesmo que na minha? O beb\u00ea observou que os objetos nem sempre eram os mesmos e ficou curioso. Percebeu a \u201clei de composi\u00e7\u00e3o das cestinhas\u201d, e isso \u00e9 superinteligente. A crian\u00e7a observou que as caixas n\u00e3o eram iguais. Isso \u00e9 um indicador do que Piaget chama de espont\u00e2neo. O espont\u00e2neo est\u00e1 al\u00e9m daquilo que o professor ensina.<\/p>\n<p><strong>(G)<\/strong> Uma caracter\u00edstica do 5\u00ba est\u00e1gio da intelig\u00eancia sens\u00f3rio-motora \u00e9 o que Piaget chama de experimentos para ver. \u00c9 aquela famosa fase em que, por exemplo, a crian\u00e7a joga mil vezes um brinquedo no ch\u00e3o, \u00e9 o pren\u00fancio do esp\u00edrito investigativo.At\u00e9 o 4\u00ba est\u00e1gio o objetivo da a\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo. Eu jogo pelo jogar, para estudar o jogar, e \u00e9 isso que caracteriza a curiosidade. J\u00e1 nas experi\u00eancias para ver se desencadeia maior explora\u00e7\u00e3o, quer dizer vamos &#8220;namorar&#8221; os objetos, os sons, as texturas, o gosto. \u00c9 um tipo de prazer.<\/p>\n<p>O que \u00e9 isto que tenho nas m\u00e3os? Eu ponho na boca ou n\u00e3o? \u00c9 gostoso? O que a outra crian\u00e7a est\u00e1 fazendo com o mesmo objeto? Toda essa atividade explorat\u00f3ria \u00e9 muito caracter\u00edstica do 5\u00ba est\u00e1gio. S\u00e3o perguntas de quem pesquisa. Este objeto \u00e9 mais legal de ouvir o barulho ou de morder?<\/p>\n<p><strong>(H)<\/strong> As crian\u00e7as observam e copiam os amigos. Em um ber\u00e7\u00e1rio bem organizado e planejado h\u00e1 uma verdadeira oficina de cria\u00e7\u00e3o. Cria\u00e7\u00e3o no sentido de explorar. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 explorar objetos, \u00e9 explorar as pr\u00f3prias atividades e esquemas e descobrir a\u00e7\u00f5es novas para outros fins. Posso bater um objeto para explorar seu som ou para desengatar uma pe\u00e7a. Isso \u00e9 importante do ponto de vista do desenvolvimento da crian\u00e7a. Por que assim eu aprendo sobre as caracter\u00edsticas dos objetos: for\u00e7a, densidade, massa, tamanho, textura, volume, cor, fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este fasc\u00ednio por esconder e achar tamb\u00e9m funciona na atividade da caixa. Esconder e achar traz a id\u00e9ia do simb\u00f3lico. O s\u00edmbolo ocupa o lugar do invis\u00edvel, do ausente, daquilo que s\u00f3 pode ser parcial. Enquanto a crian\u00e7a pequena n\u00e3o tem recursos simb\u00f3licos, \u00e9 fundamental a explora\u00e7\u00e3o. Nessas milhares de a\u00e7\u00f5es sobre os objetos, pegar, olhar, morder, rolar, que esse agregado vai se montando e me dando algo que na aus\u00eancia do s\u00edmbolo me faz ter uma certa no\u00e7\u00e3o de identidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_2165\" style=\"width: 456px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2165\" class=\"size-full wp-image-2165\" title=\"avisala_16cestas3\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16cestas3.jpg\" alt=\"\" width=\"446\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16cestas3.jpg 446w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16cestas3-300x213.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 446px) 100vw, 446px\" \/><p id=\"caption-attachment-2165\" class=\"wp-caption-text\">Explorando os objetos de diferentes maneiras (Foto: Rosemeire Rodrigues)<\/p><\/div>\n<h4>Dicas de Planejamento<\/h4>\n<p>Embora pare\u00e7a uma id\u00e9ia simples, a oferta de caixas e cestas com objetos surpresa para beb\u00eas pode ser melhor aproveitada quando o educador planeja de acordo com as possibilidades reais das crian\u00e7as, suas caracter\u00edsticas, interesses e necessidades. Organizar previamente materiais e espa\u00e7os \u00e9 t\u00e3o importante quanto orientar a atividade adequadamente.<\/p>\n<p><strong>Organiza\u00e7\u00e3o dos materiais<\/strong><br \/>\nOs objetos devem ser escolhidos segundo alguns crit\u00e9rios. A princ\u00edpio devem ser bonitos, interessantes e instigar a curiosidade da crian\u00e7a. Portanto, ao confeccion\u00e1-los ou compr\u00e1-los, leve em considera\u00e7\u00e3o esses fatores. Devem possibilitar experi\u00eancias sens\u00f3rio-motoras diversas: auditivas, t\u00e1teis, visuais, gustativas etc. Deve ser poss\u00edvel estabelecer rela\u00e7\u00f5es entre os objetos ofertados; \u00e9 interessante, por exemplo, oferecer objetos vazados juntamente com outros que possam atravess\u00e1-los, pois possibilitam experi\u00eancias cognitivas.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio levar em considera\u00e7\u00e3o o fator seguran\u00e7a: os objetos n\u00e3o devem oferecer riscos aos beb\u00eas, portanto \u00e9 importante test\u00e1-los antes. Existem objetos muito interessantes \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, mas que necessitam de um olhar atento e constante, al\u00e9m da supervis\u00e3o do adulto.<\/p>\n<p>O cuidado com os materiais n\u00e3o deve se restringir ao momento da atividade. \u00c9 necess\u00e1ria a limpeza dos mesmos a cada utiliza\u00e7\u00e3o para evitar riscos de contamina\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m devem ser guardados em lugares limpos e seguros.<\/p>\n<p><strong>Organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o <\/strong><br \/>\nAntes de realizar a atividade \u00e9 importante o educador pensar em como ir\u00e1 organizar o espa\u00e7o.O ambiente deve ser aconchegante, confort\u00e1vel, contentor, no sentido de que \u201ccont\u00e9m\u201d o grupo, n\u00e3o deixa ningu\u00e9m de fora, n\u00e3o dispersa as pessoas, criando condi\u00e7\u00f5es ideais para oportunizar trocas, prop\u00edcio para observa\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o intensas, que permita mobilidade das crian\u00e7as e do professor, que favore\u00e7a a observa\u00e7\u00e3o e a comunica\u00e7\u00e3o entre os participantes.<\/p>\n<p><strong>Orienta\u00e7\u00f5es para a atividade<\/strong><br \/>\n\u00c9 importante garantir elementos que se repetem nas atividades, isso \u00e9 bom para as crian\u00e7as. Manter o mesmo formato de proposta, de apresenta\u00e7\u00e3o dos objetos cria um sentimento de seguran\u00e7a nas crian\u00e7as, al\u00e9m de favorecer a participa\u00e7\u00e3o das mesmas, pois sabem o que vai acontecer. Quando propomos algo diferente a cada dia, a crian\u00e7a n\u00e3o tem como saber se aquilo a agrada ou n\u00e3o, al\u00e9m de n\u00e3o ter a oportunidade de se apropriar dos conhecimentos envolvidos.<\/p>\n<p>O mesmo vale para os objetos. O elemento surpresa \u00e9 importante, mas isso n\u00e3o significa que a cada atividade devemos oferecer coisas diferentes. \u00c9 fundamental que possam ter experi\u00eancias repetidas e diferentes com os mesmos objetos. Dessa forma, \u00e9 mais interessante fazer rod\u00edzios e ir substituindo objetos conhecidos por novidades aos poucos.<\/p>\n<p>Conversar com os beb\u00eas \u00e9 uma importante orienta\u00e7\u00e3o deste trabalho.O fato de eles n\u00e3o falarem n\u00e3o significa que n\u00e3o nos entendem; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 muito importante quebrar o sil\u00eancio no ber\u00e7\u00e1rio. Uma fala clara, n\u00e3o infantilizada, permite que a crian\u00e7a tamb\u00e9m se aproxime do universo adulto, de nossa forma convencional de comunica\u00e7\u00e3o oral.<\/p>\n<p>Conversar com beb\u00eas \u00e9 fundamental para que possam compreender a fala do adulto e se apropriar dela. As crian\u00e7as aprendem a partir de refer\u00eancias, modelos. Os professores s\u00e3o por excel\u00eancia refer\u00eancia e modelo para elas, bem como os seus companheiros.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 importante que se d\u00ea sugest\u00f5es para as crian\u00e7as do que se pode fazer com os objetos, de como brincar com eles. As que j\u00e1 podem assimilar as a\u00e7\u00f5es do professor como sugest\u00e3o ir\u00e3o tentar imit\u00e1-lo, poder\u00e3o experimentar as mesmas a\u00e7\u00f5es, at\u00e9 se apropriar delas. Essas mesmas a\u00e7\u00f5es, apropriadas, poder\u00e3o ser generalizadas e utilizadas agora para diversos fins, e podem tamb\u00e9m desencadear novas a\u00e7\u00f5es pelas crian\u00e7as, o que favorece o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 foi dito, depois de se apropriar de certos saberes a crian\u00e7a \u00e9 capaz de criar outras a\u00e7\u00f5es. Seus fazeres n\u00e3o se limitam \u00e0s imita\u00e7\u00f5es, mas desencadeiam outros atos, que devem ser apreciados pelo professor. \u00c9 interessante que este, diante de uma experi\u00eancia diferente da crian\u00e7a, uma explora\u00e7\u00e3o nova, procure atuar conjuntamente com ela, no sentido de valorizar suas constru\u00e7\u00f5es e dar continuidade a elas, para que com sua ajuda a crian\u00e7a possa super\u00e1-las, ir al\u00e9m. Enriquecer as experi\u00eancias infantis, bem como estimular as trocas entre as crian\u00e7as e favorecer sua curiosidade, \u00e9 tarefa da qual o professor n\u00e3o pode se eximir.<\/p>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica:<\/h4>\n<p>Iniciativa: Instituto C&amp;A<br \/>\nDesenvolvimento: Instituto Avisa L\u00e1, Creche Dom Jos\u00e9 Gaspar e CEI Papa Jo\u00e3o XXIII.<br \/>\nEquipe: Ana Lucia Antunes Bresciane, Rosemeire Rodrigues, Suzana Pereira de Souza, Luciana Rabelo Isa\u00edas, Solange da Paix\u00e3o Santana Menegatti, Denise Barbosa Pires de Oliveira, Antonia Nalubia Galdino.<\/p>\n<ul>\n<li>CEI Municipal Papa Jo\u00e3o XXIII &#8211; Rua Frei Claude D\u2019Alberville, 432 &#8211; Jardim Jo\u00e3o XXIII, CEP 05569-010 &#8211; Tel.: (11) 3782-1829. e-mail: ceipapajoao@ig.com.br Site:www.ccsn.org.br &#8211; Coordenadora Pedag\u00f3gica: Solange Santana Menegatti &#8211; Diretora: Roseli Machado da Silva<\/li>\n<li>Creche Dom Jos\u00e9 Gaspar &#8211; Rua \u00c1urea Batista dos Santos, 703 &#8211; Vila Morse CEP 05623-000 &#8211; SP Tel.: (11) 3742-7625 e-mail: rrosemeire@ig.com.br vilamorse@hipernet.com.br -Coordenadora Pedag\u00f3gica: Rosemeire Rodrigues -Diretora: Elizabeth Pinheiro W. Elias<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um um ber\u00e7\u00e1rio as crian\u00e7as devem explorar com seguran\u00e7a o mundo que as cerca, interagir com adultos e entre elas, brincar, transformar, aprender a se comunicar, ir conquistando maior independ\u00eancia. Foi nesta perspectiva que iniciei um trabalho com crian\u00e7as das creches Papa Jo\u00e3o XXIII e Dom Jos\u00e9 Gaspar. Por Ana L\u00facia Bresciane<\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":3216,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,377],"tags":[1104,555,255,545,557,59,556],"class_list":{"0":"post-2144","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-reflexoes-do-professor","8":"category-revista-avisala-16","9":"tag-revista-avisa-la-2003","10":"tag-ana-lucia-bresciane","11":"tag-atividades","12":"tag-bebes","13":"tag-brinquedos","14":"tag-creche","15":"tag-objetos","17":"post-with-thumbnail","18":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2144"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2144\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3216"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}