{"id":2133,"date":"2003-10-02T01:55:21","date_gmt":"2003-10-02T04:55:21","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=2133"},"modified":"2023-03-27T17:05:25","modified_gmt":"2023-03-27T20:05:25","slug":"um-bau-de-historias-para-ler-e-contar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/reflexoes-do-professor\/um-bau-de-historias-para-ler-e-contar\/","title":{"rendered":"Um ba\u00fa de hist\u00f3rias para ler e contar"},"content":{"rendered":"<h5>Saber ler e contar hist\u00f3rias para crian\u00e7as pequenas \u00e9 muito importante, tanto pelas quest\u00f5es afetivas que envolve como pela aproxima\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com o mundo da escrita. Mas essa \u00e9 uma compet\u00eancia que precisa ser desenvolvida, como conta a professora K\u00e1tia.<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2135\" title=\"avisala_16_prof1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_prof1.jpg\" alt=\"\" width=\"413\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_prof1.jpg 413w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_prof1-300x162.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 413px) 100vw, 413px\" \/><br \/>\nA vida da gente muitas vezes d\u00e1 uma hist\u00f3ria. \u00c9 como se abr\u00edssemos um ba\u00fa e descobr\u00edssemos dentro dele algo que n\u00e3o imagin\u00e1vamos pudesse existir.<\/p>\n<p>Assim \u00e9 a minha vida. N\u00e3o me lembro de ter lido um livro de contos nos meus primeiros anos na escola, n\u00e3o sentia prazer na leitura, achava cansativa, s\u00f3 tinha meus livros escolares e seu conte\u00fado n\u00e3o me atra\u00eda.<\/p>\n<p>Eu sabia apenas que precisava passar de ano. N\u00e3o tive o privil\u00e9gio de encontrar algu\u00e9m que despertasse em mim o prazer pela leitura, que me fizesse sonhar, imaginar, viver esse momento maravilhoso no mundo das hist\u00f3rias. S\u00f3 aos 11 anos li meu primeiro livro de hist\u00f3ria. Antes disso n\u00e3o me lembro de nenhuma situa\u00e7\u00e3o relacionada a hist\u00f3rias com meus pais, professores e nem de ter ao menos segurado um livro de contos infantis.<\/p>\n<p>Foi aos 11 anos que sonhei, pela primeira vez, diante de um livro. Quem diria que um dever de casa me traria tanta emo\u00e7\u00e3o, suspense, prenderia minha aten\u00e7\u00e3o, me fazendo mergulhar num mundo cheio de fantasias que fez at\u00e9 rolar dos meus olhos algumas l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>\u201cA Borboleta At\u00edria\u201d, <!--more-->um livro simples, mas com uma hist\u00f3ria que para mim foi preciosa, marcou a minha vida, me fazendo voar pela primeira vez nas asas da imagina\u00e7\u00e3o. Hoje sou eu quem leva as crian\u00e7as a sonhar, oferecendo-lhes a oportunidade que na idade delas muitas pessoas n\u00e3o tiveram e n\u00e3o est\u00e3o tendo ainda hoje.<\/p>\n<p><strong>As crian\u00e7as descobrem a hist\u00f3ria<\/strong><br \/>\nAinda que as hist\u00f3rias sejam \u201cde mentira\u201d, apenas contos de fadas, a nossa participa\u00e7\u00e3o na inf\u00e2ncia dessas crian\u00e7as \u00e9 real. Cada gesto, palavra, atitude, ficar\u00e3o como uma marca no futuro.<\/p>\n<p>Pensando nisso, comecei a refletir sobre como introduzir a \u201cconta\u00e7\u00e3o\u201d e a leitura de hist\u00f3rias para as crian\u00e7as de 2 anos do grupo 2. Achava que eram pequenas demais, n\u00e3o seriam capazes de ouvir e participar de uma atividade em grupo. Eu pensava: Vou ficar falando sozinha, porque elas nem v\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o no que eu estiver dizendo. Antes de tentar j\u00e1 estava oferecendo resist\u00eancia.<\/p>\n<p>No CCI n\u00f3s t\u00ednhamos o costume de utilizar discos e fitas de hist\u00f3rias infantis, mas eu vinha percebendo que as crian\u00e7as se dispersavam muito nesses momentos. N\u00e3o era interessante para elas. Era muito dif\u00edcil ter um retorno positivo quando as hist\u00f3rias eram apenas ouvidas. N\u00e3o \u00e9 que seja errado usar discos e fitas, mas penso que n\u00e3o \u00e9 apropriado, porque nessa fase da vida, cheia de descobertas t\u00e3o importantes, as crian\u00e7as n\u00e3o querem s\u00f3 ouvir, mas sim tocar, ver etc.<\/p>\n<div id=\"attachment_2136\" style=\"width: 178px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2136\" class=\"size-full wp-image-2136\" title=\"avisala_16_prof11\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_prof11.jpg\" alt=\"\" width=\"168\" height=\"250\" \/><p id=\"caption-attachment-2136\" class=\"wp-caption-text\">Objetos de apoio elaborados pela professora Katilian para contar hist\u00f3rias<\/p><\/div>\n<p>Tamb\u00e9m pens\u00e1vamos que, na hora de contar a hist\u00f3ria, as crian\u00e7as tinham que fazer sil\u00eancio, n\u00e3o podiam conversar, se movimentar, tinham que ficar sentadas, prestando aten\u00e7\u00e3o. Mas, quando comecei a contar, percebi que o sil\u00eancio se conquista por meio da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. S\u00e3o as crian\u00e7as que sentem a necessidade de ficar quietas para poder ouvir.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que resolvi desafiar meus medos e apresentar as hist\u00f3rias como uma atividade planejada, intencional. Escolhi um livro interessante, com lindas ilustra\u00e7\u00f5es, me sentei no ch\u00e3o com uma das crian\u00e7as e comecei a ler, destacando as imagens do livro.<\/p>\n<p>Chegou mais uma crian\u00e7a, depois outra, e quando percebi o grupo estava todo sentado, escutando e observando atentamente meus movimentos ao apontar cada detalhe de uma p\u00e1gina. A partir de ent\u00e3o, comecei a contar hist\u00f3rias todos os dias.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica dessa atividade foi me animando, a cada dia. Al\u00e9m de ler hist\u00f3rias e apresentar os livros, criei outros recursos para conta-las: montei latinhas (extrato de tomate, ervilha etc.) para guardar os personagens das hist\u00f3rias, caixas com cen\u00e1rios e bonecos, fantoches etc. (veja texto abaixo).<\/p>\n<p>O sucesso da hist\u00f3ria extrapolou o nosso grupo, e eu acabei me tornando uma boa contadora de hist\u00f3rias! Para analisar o resultado do trabalho, observei se as crian\u00e7as ouviam, se comentavam entre elas, se sentiam-se atra\u00eddas pelos livros ou pelos objetos de apoio, como fantoches, caixas etc., se pediam para contar mais de uma vez, se demonstravam interesse em outros momentos do dia, fora da creche. Essa observa\u00e7\u00e3o ajudou-me a melhorar e mudar algumas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>Ler e contar<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito importante ler e contar hist\u00f3rias para as crian\u00e7as menores, pois nessa fase, em que est\u00e3o aprendendo a falar e a se expressar oralmente, o momento de hist\u00f3ria contribui para ampliar o vocabul\u00e1rio, entrar no mundo da linguagem que se escreve, ajuda a se concentrar, desperta emo\u00e7\u00f5es, alimenta a imagina\u00e7\u00e3o e a criatividade.<\/p>\n<p>Elas participam t\u00e3o intensamente que \u00e9 como se estivessem vivendo o conto. Podemos perceber isso por meio do olhar, da express\u00e3o no rosto de cada uma. Ao dizer: Vamos contar hist\u00f3rias&#8230;, as crian\u00e7as largam tudo o que est\u00e3o fazendo, guardam os brinquedos, correm, sentam-se e aguardam atentas para saber se vou pegar uma lata de personagens, uma caixa de hist\u00f3ria ou um livro.<\/p>\n<div id=\"attachment_2137\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2137\" class=\"size-full wp-image-2137\" title=\"avisala_16_prof13\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_prof13.jpg\" alt=\"\" width=\"336\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_prof13.jpg 336w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_prof13-300x174.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><p id=\"caption-attachment-2137\" class=\"wp-caption-text\">mais objetos de apoio<\/p><\/div>\n<p>O h\u00e1bito de contar hist\u00f3rias todos os dias fez com que as crian\u00e7as se tornassem mais comunicativas, mais atentas, participativas e interessadas em escolher a hist\u00f3ria que queriam ouvir. Muitas j\u00e1 recontam do jeito que conseguem. Notei uma grande diferen\u00e7a, pois antes de criarmos o h\u00e1bito de contar hist\u00f3rias todos os dias, n\u00e3o havia tanto interesse, ao passo que hoje as crian\u00e7as mal me v\u00eaem e j\u00e1 pedem: Qu\u00e9 hit\u00f3ia! (Quero hist\u00f3ria!).<\/p>\n<p>Chamou-me a aten\u00e7\u00e3o uma crian\u00e7a, em especial. Ela passava por um per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 creche, e eu estava bastante insegura porque achava que n\u00e3o seria uma fase f\u00e1cil. Mas um dia, chegando de manh\u00e3 para trabalhar, encontrei-a j\u00e1 na sala com a outra educadora. Ela ainda n\u00e3o tinha uma linguagem clara, disse algumas palavras que eu n\u00e3o entendi. Depois pegou uma cadeira, arrastou para o canto onde n\u00f3s costum\u00e1vamos contar hist\u00f3rias, bateu no assento, olhou para mim e entendi que era para eu me sentar.<\/p>\n<p>Mesmo entendendo o recado, esperei mais um pouco para ver o que faria. Ent\u00e3o ela veio segurar minha m\u00e3o, me levou at\u00e9 a cadeira, correu e sentou-se em frente. Olhou para minhas m\u00e3os, como se estivesse perguntando: Cad\u00ea o livro? Como continuei sentada, ela levantou-se, pegou outra cadeira, foi at\u00e9 o arm\u00e1rio onde guardamos as caixas, as latas e os livros e se preparava para subir, ent\u00e3o, \u00e9 claro, levantei-me para ajud\u00e1-la. Ela apontou para o arm\u00e1rio, dizendo: Toia (hist\u00f3ria).<\/p>\n<p>Muitas vezes as crian\u00e7as querem contar imitando o que viram e ouviram, criando da maneira delas. Imitam os adultos na posi\u00e7\u00e3o e no jeito de segurar o livro. Ficam t\u00e3o envolvidas que quando acabamos o momento da hist\u00f3ria s\u00e3o muitos os pedidos:<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o quero que acabe.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o p\u00e1ra.<br \/>\n\u2013 Quero hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, quem achava que hist\u00f3ria para crian\u00e7a nessa idade n\u00e3o passava de 10 a 15 minutos, enganou-se, pois muitas vezes, ao olharmos no rel\u00f3gio, vemos que j\u00e1 se passaram 40, 50 minutos. As crian\u00e7as s\u00f3 sossegam quando digo: Amanh\u00e3 tem mais.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as foram confirmadas tamb\u00e9m pelos depoimentos dos pais: Nossa, meu filho teve uma mudan\u00e7a radical! Olha, eu tava no supermercado com meu filho e ela olhou para as latas de extrato de tomate e disse hist\u00f3ria! Agora, chego em casa, minha filha quer que eu conte hist\u00f3ria para ela. E meu filho tamb\u00e9m, chega para mim e diz: buta, buta. Eu pensei: onde ser\u00e1 que ele ouviu isso? Depois descobri que ele estava querendo dizer bruxa, bruxa.<\/p>\n<p>Expliquei a essa m\u00e3e que n\u00f3s t\u00ednhamos um livro que contava a hist\u00f3ria de uma bruxa e tamb\u00e9m uma boneca de espuma que parece uma bruxa e que utilizamos para contar hist\u00f3rias. Grandes mudan\u00e7as!<\/p>\n<p>Antes n\u00e3o havia retorno nem das crian\u00e7as nem dos pais, e, depois que dei in\u00edcio a esse trabalho, a virada foi surpreendente. \u00c0s vezes pensava que era s\u00f3 uma fase, uma empolga\u00e7\u00e3o por causa da novidade e que iria acabar.<\/p>\n<p>Mas enganei-me, pois diferentes turmas tamb\u00e9m se envolveram com as hist\u00f3rias. Quando digo: Quem vai contar hist\u00f3ria hoje&#8230; todas as crian\u00e7as querem contar. E aqueles que j\u00e1 sa\u00edram do grupo 2, quando passam por mim, sempre dizem alguma coisa.<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea \u00e9 o Lobo Mau!<br \/>\n\u2013 A bruxa t\u00e1 dormindo?<br \/>\n\u2013 Voc\u00ea vai contar hist\u00f3ria hoje?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-2138\" title=\"avisala_16_prof12\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_prof12.jpg\" alt=\"\" width=\"168\" height=\"243\" \/>Fico feliz quando ou\u00e7o essas falas por saber que fui e estou sendo uma refer\u00eancia na vida delas. Hoje posso dizer que as crian\u00e7as criaram uma rela\u00e7\u00e3o maior com os livros. Antes era comum que fossem rasgados, jogados para cima, e at\u00e9 pisados, como algo sem valor. Agora aprenderam n\u00e3o s\u00f3 amar as hist\u00f3rias, mas tamb\u00e9m a cuidar dos livros, a ponto de abra\u00e7\u00e1-los e chorar para que n\u00e3o sejam guardados.<\/p>\n<p>Depois que iniciamos essa atividade de hist\u00f3ria, \u00e9 muito raro encontrar um livro rasurado e, quando encontramos, o restauramos junto com o grupo. As crian\u00e7as t\u00eam solicitado, inclusive aos pais, que contem hist\u00f3rias, depois recontam o que ouviram e trazem de suas casas livros e fitas de cl\u00e1ssicos infantis. Tudo isso me deixa motivada a seguir em frente e a dar continuidade ao trabalho.<\/p>\n<p><strong>A professora que \u00e9 contadora<\/strong><br \/>\nH\u00e1 pouco tempo descobri que existem contadores de hist\u00f3rias, e acho que encontrei um dentro de mim. Essa pr\u00e1tica passou a significar muito na minha rotina profissional e tamb\u00e9m na minha vida. A rela\u00e7\u00e3o com os livros se tornou muito mais forte, pois aumentou meu interesse pela leitura.<\/p>\n<p>Comecei a olhar de maneira diferente para os livros, n\u00e3o como algo chato, cheio de p\u00e1ginas com aquele monte de palavras, mas como algo que nos traz uma experi\u00eancia maior, que nos faz por um momento fugir da realidade e entrar no mundo dos personagens.<\/p>\n<p>E a\u00ed, quando isso acontece, \u00e9 imposs\u00edvel guardar tudo para mim. Por isso deixo transbordar, conto e leio as hist\u00f3rias, depois observo as emo\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as por meio da fala, do sil\u00eancio, dos gestos, das escolhas dos livros, da rela\u00e7\u00e3o delas com os materiais que usamos para cont\u00e1-las etc. Percebi o quanto as hist\u00f3rias significam para elas.<\/p>\n<p>Tento proporcionar para as crian\u00e7as um momento agrad\u00e1vel ao ouvir hist\u00f3rias, para que elas descubram cedo como isso \u00e9 prazeroso e n\u00e3o tenham a mesma impress\u00e3o que eu tinha, a de que livro \u00e9 uma coisa chata. Se assim fizermos com as nossas crian\u00e7as hoje, com certeza n\u00e3o ficaremos espantados, mas sim orgulhosos quando, no futuro, nos pegarmos lendo algo escrito por uma delas.<\/p>\n<p>Que alegria saber que pudemos dar nossa contribui\u00e7\u00e3o! Posso dizer com certeza que muitas d\u00favidas e incertezas sobre contar hist\u00f3rias para crian\u00e7as t\u00e3o pequenas t\u00eam ca\u00eddo por terra. Descobri que a capacidade delas vai al\u00e9m daquilo que muitas vezes pensamos. Mas s\u00f3 descobrimos isso quando damos a elas a oportunidade de demonstrar, de crescer, quando valorizamos cada palavra, gesto, cada escolha etc.<\/p>\n<p>E, se voc\u00ea deseja ser uma boa contadora de hist\u00f3rias, \u00e9 muito simples: n\u00e3o basta apenas contar ou ler, \u00e9 preciso viver o momento do conto, passar emo\u00e7\u00f5es, sensa\u00e7\u00f5es, suspense, fazer com que as crian\u00e7as mergulhem neste momento m\u00e1gico. E, acima de tudo, n\u00e3o ter medo nem vergonha de crescer.<\/p>\n<p>(Katilian D. M. do Nascimento, Educadora do grupo 2 do CCI Adolfo Lutz, 2002)<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2139\" title=\"avisala_16_prof14\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_prof14.jpg\" alt=\"\" width=\"392\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_prof14.jpg 392w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/avisala_16_prof14-300x205.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><\/p>\n<h4>A magia da leitura<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 parou para pensar por que, afinal, \u00e9 importante ler hist\u00f3rias, al\u00e9m de contar? Por que a leitura encanta a crian\u00e7a, mesmo as menores, como as do grupo da professora Katy? Em\u00edlia Ferreiro nos traz importantes informa\u00e7\u00f5es sobre o papel do interpretante \u2013 aquele que l\u00ea para a crian\u00e7a \u2013 e a magia da leitura: \u201cO interpretante informa \u00e0 crian\u00e7a, ao efetuar esse ato aparentemente banal que chamamos de um ato de leitura, que essas marcas t\u00eam poderes especiais: basta olh\u00e1-las para produzir linguagem.<\/p>\n<p>O ato de leitura \u00e9 um ato m\u00e1gico. O que existe por tr\u00e1s dessas marcas para que o olho incite a boca a produzir linguagem? Certamente \u00e9 uma linguagem peculiar, bem diferente da comunica\u00e7\u00e3o face a face. Quem l\u00ea n\u00e3o olha para o outro, mas para a p\u00e1gina (ou qualquer outra superf\u00edcie sobre a qual as marcas foram realizadas).<\/p>\n<p>Quem l\u00ea parece falar para o outro, por\u00e9m o que diz n\u00e3o \u00e9 a sua pr\u00f3pria palavra, mas a palavra de um Outro que pode ser desdobrada em muitos Outros sa\u00eddos n\u00e3o se sabe de onde, tamb\u00e9m escondidos atr\u00e1s das marcas.<\/p>\n<p>De fato, o leitor \u00e9 um ator: empresta sua voz para o texto ser re-apresentado (o sentido etimol\u00f3gico de \u2018tornarse a apresentar\u2019). Portanto, o interpretante fala, mas n\u00e3o \u00e9 ele quem fala; o interpretante diz, por\u00e9m o dito n\u00e3o \u00e9 seu pr\u00f3prio dizer mas o de fantasmas que se realizam atrav\u00e9s da sua boca. (&#8230;)<\/p>\n<p>O interpretante-leitor \u00e9 um ilusionista que tira dessa cartola m\u00e1gica que \u00e9 a sua boca os mais insuspeitos objetospalavras, em um desenrolar de surpresas que parece infinito. Parte da magia consiste em que o mesmo texto (ou seja, as mesmas palavras, na mesma ordem) torne a re-apresentarse diversas vezes, diante das mesmas marcas.<\/p>\n<p>Que existe nessas marcas que permite n\u00e3o s\u00f3 eliciar linguagem, mas tamb\u00e9m provocar o mesmo texto oral, uma e outra vez? O fasc\u00ednio das crian\u00e7as pela leitura e releitura da mesma hist\u00f3ria tem a ver com esta descoberta fundamental: a escrita fixa da l\u00edngua, controla-a de tal maneira que as palavras n\u00e3o se dispersam, n\u00e3o se desvanecem nem s\u00e3o substitu\u00eddas umas pelas outras. As mesmas palavras, uma e outra vez; grande parte do mist\u00e9rio reside nesta possibilidade de repeti\u00e7\u00e3o, de representa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>(Interpreta\u00e7\u00e3o, int\u00e9rpretes, interpretantes. Piaget \u2013 Vygotsky, novas contribui\u00e7\u00f5es para o debate. Em\u00edlia Ferreiro. Ed. \u00c1tica, p\u00e1gs. 165 e 166)<\/p>\n<h4>Ficha T\u00e9cnica<\/h4>\n<ul>\n<li>CCI Adolfo Lutz Rua Itaquera, 519 &#8211; Pacaembu CEP 01246-030 Tel.: (11) 3661-7547 e-mail: cci@ig.com.br<\/li>\n<li>Coordenadora Pedag\u00f3gica: Ana Christina Romani<\/li>\n<li>Diretora:Ana Maria Dahi Rizzo<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Bibliografia<\/h4>\n<ul>\n<li>Interpreta\u00e7\u00e3o, int\u00e9rpretes, interpretantes. Piaget \u2013 Vygotsky, novas contribui\u00e7\u00f5es para o debate. Em\u00edlia Ferreiro. Ed. \u00c1tica.<\/li>\n<li>Quer ouvir uma hist\u00f3ria? Lendas e mitos no mundo da crian\u00e7a. Heloisa Prieto. Ed.Angra.<\/li>\n<li>Leitura pelo Professor \u2013 Um projeto para conhecer e apreciar hist\u00f3rias. Emelisa Monteiro \u2013 Revista avisa l\u00e1 no 7 \u2013 julho\/2001.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saber ler e contar hist\u00f3rias para crian\u00e7as pequenas \u00e9 muito importante, tanto pelas quest\u00f5es afetivas que envolve como pela aproxima\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com o mundo da escrita. Mas essa \u00e9 uma compet\u00eancia que precisa ser desenvolvida. Por Katilian D. M. do Nascimento<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":3216,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,377],"tags":[1104,269,548,549,270,550],"class_list":{"0":"post-2133","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-reflexoes-do-professor","8":"category-revista-avisala-16","9":"tag-revista-avisa-la-2003","10":"tag-contar-historias","11":"tag-katilian-d-m-do-nascimento","12":"tag-ler","13":"tag-livros","14":"tag-roda-de-leitura","16":"post-with-thumbnail","17":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2133"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2133\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3216"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}