{"id":2078,"date":"2003-07-29T10:45:50","date_gmt":"2003-07-29T13:45:50","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=2078"},"modified":"2023-03-27T17:03:32","modified_gmt":"2023-03-27T20:03:32","slug":"um-mundo-novo-para-as-criancas-a-partir-da-formacao-musical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/um-mundo-novo-para-as-criancas-a-partir-da-formacao-musical\/","title":{"rendered":"Um mundo novo para as crian\u00e7as a partir da forma\u00e7\u00e3o musical"},"content":{"rendered":"<h5>Um trabalho voltado para a forma\u00e7\u00e3o de ouvintes sens\u00edveis e reflexivos e para a valoriza\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o musical infantil<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2082\" title=\"avisala_15_tempo16\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo16.jpg\" alt=\"\" width=\"401\" height=\"90\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo16.jpg 401w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo16-300x67.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/><br \/>\nA educa\u00e7\u00e3o musical no Espa\u00e7o Gente Jovem Santa Clara<sup>2<\/sup>, localizado na zona oeste em S\u00e3o Paulo, tem como objetivo construir conhecimento musical por meio do fazer musical, valorizando o desenvolvimento das qualidades humanas envolvidas nesse processo. Com esse prop\u00f3sito, desenvolvi uma seq\u00fc\u00eancia de atividades no EGJ Santa Clara, que contemplava, de forma integrada, a interpreta\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o, a escuta e a reflex\u00e3o sobre a m\u00fasica.<\/p>\n<p>A maioria das crian\u00e7as de minha turma, de 8 anos, j\u00e1 tinha algum contato com a m\u00fasica, gra\u00e7as ao professor do ano anterior, que lhes ensinara, entre outras coisas, um repert\u00f3rio vivamente relembrado pelo grupo desde o nosso primeiro encontro: Maracangalha; Canto do Povo de Um Lugar; Asa Branca, al\u00e9m de cantigas e brincadeiras tradicionais da cultura infantil, como Bambu Tirabu, Senhora Dona Sancha, A Casinha da Vov\u00f3, e outras.<\/p>\n<p>Pela conversa inicial e pelas fitas e cadernos que pude analisar, notei que a turma j\u00e1 havia trabalhado com improvisos e acompanhamento musical, usando alguns instrumentos. E tamb\u00e9m com timbres, usando como forma de registro o desenho dos pr\u00f3prios instrumentos.<\/p>\n<p>Nesse contexto, um desafio para o grupo seria aprofundar os conhecimentos espec\u00edficos da m\u00fasica e, para tanto, planejei uma seq\u00fc\u00eancia de trabalho: uma experi\u00eancia de um semestre, que se iniciou com uma brincadeira r\u00edtmica e se encerrou com uma pequena composi\u00e7\u00e3o coletiva.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nAs crian\u00e7as puderam vivenciar todos os processos da produ\u00e7\u00e3o musical: cria\u00e7\u00e3o de arranjos, partitura, prepara\u00e7\u00e3o para uma apresenta\u00e7\u00e3o e, finalmente, execu\u00e7\u00e3o do trabalho para um p\u00fablico. A seguir, relato o desenvolvimento desse trabalho, etapa a etapa, com o intuito de sugerir aos leitores desta revista algumas propostas interessantes no eixo da m\u00fasica. A maioria das atividades s\u00e3o bastante simples, do ponto de vista dos materiais que utiliza, mas muito ricas no conte\u00fado espec\u00edfico da m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>1) Tudo come\u00e7ou com uma brincadeira<\/strong><br \/>\nUma brincadeira \u00e9 sempre um bom jeito de iniciar novas rela\u00e7\u00f5es. Como estava me apresentando ao grupo, aproveitei a ocasi\u00e3o: propus uma brincadeira tradicional de escolha, na qual se canta o nome de cada um, escolhendo-o para ficar de costas para a roda: \u201dBambu Tirabu\u201d.<\/p>\n<p>Em seguida, fiz outra brincadeira que envolvia o nome de cada crian\u00e7a e no\u00e7\u00f5es de ritmo. Era um jogo em que, sentadas em roda, cada uma aproveitava a vez para falar ritmicamente seu nome, enquanto as outras acompanhavam com os movimentos sugeridos pelo colega, batendo em partes de seu corpo: palma, perna etc.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-2086\" title=\"avisala_15_tempo12\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo121.jpg\" alt=\"\" width=\"167\" height=\"62\" \/><br \/>\nNa continua\u00e7\u00e3o do jogo, al\u00e9m do nome pr\u00f3prio, as crian\u00e7as tinham que cantar tamb\u00e9m o nome de quem estava \u00e0 sua direita. Aos poucos, acrescentamos a esse ritmo uma melodia que era inventada na hora.<\/p>\n<p>A brincadeira crescia,musicalmente: no lugar dos movimentos, das batidas do corpo, colocamos alguns instrumentos de percuss\u00e3o. As crian\u00e7as se mostraram interessad\u00edssimas, por isso deixei que matassem a curiosidade pelos instrumentos brincando de Sinal Verde, Sinal Vermelho: um instrumento indicava o sinal vermelho e outro indicava o sinal verde.<\/p>\n<p>Quando o vermelho era tocado, todas tinham que parar de tocar; quando o verde era tocado, todas deveriam voltar a tocar. Quem avan\u00e7asse o sinal sa\u00eda da brincadeira. Depois desse momento, voltamos ao jogo dos nomes, dessa vez com os instrumentos: um grupo tocava enquanto os demais cantavam os nomes, ora individualmente, ora em grupo, conforme a reg\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>2) Pulso e marca\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nUma outra brincadeira que trabalha com no\u00e7\u00f5es de pulso e marca\u00e7\u00e3o r\u00edtmica \u00e9 Tr\u00eas Palmas e Quatro P\u00e9s, proposta que levei para o grupo, logo depois das apresenta\u00e7\u00f5es. O desafio dessa brincadeira \u00e9 executar a seq\u00fc\u00eancia r\u00edtmica, combinando tr\u00eas palmas e quatro batidas de p\u00e9: quem se atrapalhasse na marca\u00e7\u00e3o e batesse palma na hora do p\u00e9 ou vice-versa, ficaria uma rodada sem jogar.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as se sa\u00edam melhor a partir da segunda rodada, porque conseguiam manter um pulso mais regular. Retomei a proposta usando andamentos, diferentes e foi bem divertido. Aproveitando o pulso comum, encontrado nessa brincadeira, propus que caminh\u00e1ssemos pela sala, procurando manter a mesma marca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para ajudar, marquei esse pulso no instrumento de percuss\u00e3o: toda vez que tocasse forte, o grupo teria que mudar a dire\u00e7\u00e3o do caminhar. Fizemos o mesmo andando de costas, descendo o corpo at\u00e9 nos deitarmos, elevando-o at\u00e9 chegarmos ao plano superior, explorando todo o espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Coloquei, ent\u00e3o, uma m\u00fasica para orientar nossa caminhada. Assim, organiz\u00e1vamos o tempo de descida e subida do corpo, experimentando outras formas. Ao final, as crian\u00e7as sugeriram brincar de pega-pega ao som da m\u00fasica: dividimos a turma em duas partes. Na parte \u201cA\u201d da m\u00fasica, que \u00e9 mais lenta, um grupo andava se espalhando pela sala, enquanto o outro ficava parado. Na parte \u201cB\u201d, que \u00e9 mais r\u00e1pida, aqueles que estavam parados teriam que tentar pegar aqueles que haviam se espalhado pela sala.<\/p>\n<p>Esses, na fuga, deveriam voltar para seus lugares de origem, onde n\u00e3o poderiam ser pegos. Foi t\u00e3o divertido para as crian\u00e7as que tive de retomar em outras aulas, a pedido de todas.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2084 alignleft\" title=\"avisala_15_tempo18\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo18.jpg\" alt=\"\" width=\"255\" height=\"167\" \/><br \/>\n<strong>3) A execu\u00e7\u00e3o de uma seq\u00fc\u00eancia r\u00edtmica<\/strong><br \/>\nPara trabalhar a execu\u00e7\u00e3o de uma seq\u00fc\u00eancia r\u00edtmica, iniciamos um jogo, confeccionando suas pe\u00e7as com l\u00e1pis de cor e papel: a m\u00e3o desenhada representaria uma batida de palmas e o papel em branco, o sil\u00eancio. Em seguida, cada crian\u00e7a procurou seu par, ambas juntaram suas pe\u00e7as e organizaram, no ch\u00e3o, uma seq\u00fc\u00eancia de palmas e sil\u00eancios para apresentar aos demais colegas. Foram muito criativas, procurando seq\u00fcenciar de modos diferentes.<\/p>\n<p>Num segundo n\u00edvel da brincadeira, juntei duas duplas que deveriam compor, dessa vez, uma seq\u00fc\u00eancia com oito figuras e ainda integrar um novo elemento: a batida do p\u00e9. Na hora de reproduzir os sons, tamb\u00e9m as provoquei um pouco mais, trabalhando com a mem\u00f3ria musical e introduzindo um jogo interessante para esse prop\u00f3sito: Mestre. Uma crian\u00e7a executa a seq\u00fc\u00eancia r\u00edtmica desenhada pelos colegas quantas vezes achar necess\u00e1rio, at\u00e9 memoriz\u00e1-la.<\/p>\n<p>Em seguida sai da sala para que as demais modifiquem algo, alterando a posi\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as e dificultando ao m\u00e1ximo para que o colega adivinhe a mudan\u00e7a. Substitu\u00edmos essas batidas de p\u00e9s e m\u00e3os por outros sons corporais ou instrumentais, mantendo as pausas, que correspondiam \u00e0s folhas em branco.<\/p>\n<p>Nos intervalos entre uma seq\u00fc\u00eancia e outra, cada crian\u00e7a apresentava um improviso musical.<\/p>\n<p><strong>4) A primeira composi\u00e7\u00e3o <\/strong><br \/>\nAproveitei as pe\u00e7as do jogo utilizadas na \u00faltima brincadeira e propus ao grupo que continuasse a explorar os sons corporais e vocais, tentando acompanhar m\u00fasicas como Bambu Tirabu, Asa Branca e outras conhecidas de todos. A seguir, sugeri que cri\u00e1ssemos uma partitura que nos orientasse, usando as figuras de p\u00e9s, m\u00e3os e sil\u00eancios. Formei subgrupos de 4 ou 5 crian\u00e7as que deveriam criar m\u00fasicas e represent\u00e1-las.<\/p>\n<p>Cada crian\u00e7a escolheu um instrumento e improvisou com ele. Na montagem da partitura, elas sugeriram a execu\u00e7\u00e3o de sons separados e outros combinados, usando para cada um figuras diferentes.<\/p>\n<p>Como s\u00f3 t\u00ednhamos tr\u00eas tipos, m\u00e3os, p\u00e9s e folhas em branco, as crian\u00e7as usaram cores diferentes para representar sons diferentes. No final, surpreendi-me com o envolvimento de alguns grupos, que, al\u00e9m de criarem uma partitura, fizeram legendas ou um outro registro paralelo, indicando quando se tratava de um solo e quando os instrumentos tocariam juntos, numa complexidade muito pr\u00f3xima, a princ\u00edpio, da partitura convencional.<\/p>\n<p>Durante o trabalho, gravei em fita cassete as composi\u00e7\u00f5es para que, ao final, pud\u00e9ssemos apreci\u00e1-las e acompanhar, lendo na partitura. No momento de ouvir, as crian\u00e7as se divertiram, achando engra\u00e7ado, principalmente, a parte dos sons vocais. Foi um momento importante: cada uma queria reconhecer a parte que executou, o que \u00e9 um bom exerc\u00edcio para distinguir sons, mesmo quando tocados simultaneamente.<\/p>\n<div id=\"attachment_2083\" style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2083\" class=\"size-full wp-image-2083\" title=\"avisala_15_tempo1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo1.jpg\" alt=\"\" width=\"502\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo1.jpg 502w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo1-300x197.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 502px) 100vw, 502px\" \/><p id=\"caption-attachment-2083\" class=\"wp-caption-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o dos adolescentes para as crian\u00e7as menores<\/p><\/div>\n<p>Kl\u00e1uber, Ederson e Fagner falaram e cantaram durante a grava\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o se tratava de desordem: percebi que o que eles queriam, de fato, era ouvir suas vozes se sobressaindo \u00e0s outras. Isso me trouxe a id\u00e9ia de trabalhar, mais tarde, com as vozes, criando momentos nos quais as crian\u00e7as executassem alguns solos em uma composi\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p><strong>5) Pesquisa Sonora e Improvisa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAvaliei que seria interessante para o grupo ampliar as possibilidades de escuta e cria\u00e7\u00e3o de sons. Ent\u00e3o, propus uma brincadeira muito simples: cada crian\u00e7a pegava uma folha de jornal e repetia com ela os gestos e ritmos que eu inventava com a minha folha de jornal, explorando as v\u00e1rias possibilidades sonoras do mesmo.<\/p>\n<p>Iniciei com tr\u00eas sons diferentes e pedi que cada crian\u00e7a descobrisse um novo som, explorando seu jornal como quisesse, batendo no ch\u00e3o, no corpo, riscando o ar etc. Depois, cantamos algumas m\u00fasicas j\u00e1 conhecidas utilizando o jornal como instrumento de acompanhamento.<\/p>\n<p>Em seguida, ouvimos uma m\u00fasica e nos movimentamos pela sala, ainda brincando com as possibilidades sonoras daquele material t\u00e3o simples. Ao final da atividade, cada crian\u00e7a criou uma fantasia de jornal. No desfile, todas se apresentaram com as roupas e improvisaram sons para dar pistas \u00e0s demais, que tentariam adivinhar a personagem que representavam.<\/p>\n<p>Essa atividade foi muito mais prazerosa do que eu imaginava. Todas quiseram levar a produ\u00e7\u00e3o para casa para continuar brincando.<\/p>\n<p><strong>6) Mais pesquisa, cria\u00e7\u00e3o e improvisa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA cria\u00e7\u00e3o musical n\u00e3o \u00e9 tarefa simples: para que uma crian\u00e7a seja capaz disso, \u00e9 necess\u00e1rio investir muito na amplia\u00e7\u00e3o de seu repert\u00f3rio de sons, lev\u00e1-la a pesquisar bastante e exercitar a cria\u00e7\u00e3o. Como tinha a inten\u00e7\u00e3o de que as crian\u00e7as criassem m\u00fasicas pr\u00f3prias, investi nisso.<\/p>\n<p>Propus, como primeira atividade, que explorassem a sala e trouxessem sons n\u00e3o provenientes de instrumentos musicais. Todas se envolveram e gostaram da pesquisa, empenhando-se em encontrar um som diferente.<\/p>\n<div id=\"attachment_2087\" style=\"width: 363px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2087\" class=\"size-full wp-image-2087\" title=\"avisala_15_tempo11\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo11.jpg\" alt=\"\" width=\"353\" height=\"215\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo11.jpg 353w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo11-300x182.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 353px) 100vw, 353px\" \/><p id=\"caption-attachment-2087\" class=\"wp-caption-text\">Festa junina \u2013 Representa\u00e7\u00e3o do Bumba-meu-boi do Maranh\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Como na sala existe um canto com m\u00e1quinas de escrever, madeira, borracha e outras coisas mais, al\u00e9m de estante, prateleiras, panela, latas e v\u00e1rias janelas, as crian\u00e7as tiveram muitas op\u00e7\u00f5es. Cada som descoberto era comparado com outros, procurando-se constatar as diferen\u00e7as de timbre e de altura.<\/p>\n<p>Na hora de cada uma mostrar aos colegas os sons que descobriu, sugeri que coletivamente cri\u00e1ssemos uma pequena m\u00fasica para apresentar, atrav\u00e9s de uma improvisa\u00e7\u00e3o, esses sons que hav\u00edamos pesquisado. A princ\u00edpio, as crian\u00e7as ficaram envergonhadas, achando que era dif\u00edcil, que n\u00e3o seria legal, que os colegas poderiam rir.<\/p>\n<p>Gustavo cantarolou algo, mas com vergonha n\u00e3o quis repetir. Caroline, em tom de brincadeira, achando que era uma bobagem, arriscou cantar uma frase. Juliana e Ederson, encorajados pela amiga, ajudaram a compor, criando um pedacinho a mais.<\/p>\n<p>Cantamos, e, cada vez que repet\u00edamos, uma das crian\u00e7as improvisava, explorando um som diferente encontrado na sala. Gravamos, ouvimos. Foi divertido. Para encerrar, fomos descobrir no xilofone as notas que poderiam compor aquela m\u00fasica. Fizemos um arranjo bem simples, usando instrumentos musicais, cada um tocando uma das partes e todos improvisando no final, como hav\u00edamos feito com os objetos da sala.<\/p>\n<p>Mais tarde, transcrevi para a partitura convencional. Leandro, do outro grupo, tamb\u00e9m criou uma frase que foi completada pelas rimas dos colegas que acompanhavam a mesma melodia:<\/p>\n<p>Rafael: \u2013 O ferro faz um som t\u00e3o bom.<br \/>\nDaniel: \u2013 Ferro e madeira fazem um som que cheira.<br \/>\nRafael Wilson: \u2013 A borracha faz um som que racha.<br \/>\nLarissa: \u2013 A mesa faz um som beleza.<br \/>\nVin\u00edcius: \u2013 A porta faz um som tam tam.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o da turma do Pedro ficou muito engra\u00e7ada. Primeiro ele escolheu bater em uma lata pequena, depois em uma lata grande e, no final das contas, acabou ficando com uma panela. Mais do que depressa batucou um samba e improvisou no final: A turma gostou da combina\u00e7\u00e3o e entrou no embalo:<\/p>\n<p>Camila: \u2013 Sobrou pra mim a lousa e a cadeira.<br \/>\nJonathan: \u2013 Sobrou pra mim o ferro e a madeira.<br \/>\nJeferson: \u2013 Sobrou pra mim o ferro e a lata.<br \/>\nJ\u00e9ssica: \u2013 Sobrou pra mim a estante e a caixa.<\/p>\n<p>Como a atividade foi muito interessante para as crian\u00e7as, organizei-me para que todos pudessem retomar suas produ\u00e7\u00f5es e tocar no xilofone. Tamb\u00e9m alimentei o grupo com novos referenciais, apresentando artistas como Uakti, Ant\u00falio Madureira e outros que utilizam instrumentos e objetos sonoros n\u00e3o convencionais.<br \/>\n<strong><br \/>\n7) Escuta e Prepara\u00e7\u00e3o Corporal<\/strong><br \/>\nOuvindo a m\u00fasica Concerto para Cravo \u2013 2\u00ba Movimento, de J.S. Bach, propus \u00e0s crian\u00e7as a explora\u00e7\u00e3o de cada parte do corpo, come\u00e7ando pelos dedos, devagarinho, depois m\u00e3os, bra\u00e7os, rosto, cabe\u00e7a, ombros, quadris, pernas, p\u00e9s, acompanhando o lento e prazeroso andamento da m\u00fasica. Depois andamos pela sala integrando movimentos, usando ora partes do corpo, ora o corpo todo. Foi interessante observ\u00e1-las: muitas tiveram dificuldade ou vergonha de se tocar ou de parecer rid\u00edcula diante dos amigos.<\/p>\n<p>Outras n\u00e3o tiveram o menor constrangimento: \u00c9derson, por exemplo, n\u00e3o hesitou em dizer que estava com meias diferentes e que ningu\u00e9m reparasse naquilo. Em seguida, ouvimos a m\u00fasica Samba Quente, de Nilo S\u00e9rgio<sup>1<\/sup>, e pedi ao grupo que me contasse o que percebia nessa m\u00fasica. Santiago n\u00e3o explicou com palavras, mas foi at\u00e9 onde estavam os instrumentos e tocou dois ao mesmo tempo e depois tocou apenas um.<\/p>\n<div id=\"attachment_2088\" style=\"width: 259px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2088\" class=\"size-full wp-image-2088\" title=\"avisala_15_tempo13\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo13.jpg\" alt=\"\" width=\"249\" height=\"162\" \/><p id=\"caption-attachment-2088\" class=\"wp-caption-text\">Representa\u00e7\u00e3o do Auto de Natal: O baile do Deus Menino<\/p><\/div>\n<p>Em m\u00fasica, chamamos tutti quando os instrumentos s\u00e3o tocados juntos e solo quando s\u00e3o tocados isoladamente. Propus que brinc\u00e1ssemos com isso: quando todos os instrumentos tocassem juntos, movimentar\u00edamos todo o corpo, quando um instrumento tocasse sozinho, movimentar\u00edamos apenas uma parte do corpo. Fizemos, ainda, algumas varia\u00e7\u00f5es: no tutti dan\u00e7\u00e1vamos sozinhos, no solo dan\u00e7\u00e1vamos com um amigo; no tutti nos moviment\u00e1vamos, no solo faz\u00edamos est\u00e1tuas.<\/p>\n<p>Percebi, nessa brincadeira, que as crian\u00e7as tinham internalizado o tempo, pois poucas vezes se atrapalharam ao trocar de tutti para solo.<\/p>\n<p><strong>8) Jeitos de incrementar uma composi\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA partir dos conhecimentos adquiridos na brincadeira anterior, sugeri que fiz\u00e9ssemos uma composi\u00e7\u00e3o em que pud\u00e9ssemos explorar o tutti e o solo. Na primeira turma, Santiago sugeriu que, quando toc\u00e1ssemos juntos, fiz\u00e9ssemos o mesmo ritmo e, quando cada um tocasse sozinho, improvisasse como quisesse.<\/p>\n<p>Foi o que fizemos. O pr\u00f3prio Santiago sugeriu o ritmo do tutti. Houve crian\u00e7as que, no improviso, usaram v\u00e1rios instrumentos, como se estivessem tocando uma bateria.<\/p>\n<p>Aproveitando as \u201cbaterias\u201d, propus que continu\u00e1ssemos a tocar e brincar, mas, dessa vez, com as composi\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio grupo. Coloquei \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o delas os xilofones e pus nas estantes<sup>2<\/sup> as primeiras partituras criadas pelas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Curiosas, queriam ver tamb\u00e9m as partituras que eu havia transcrito. Carol ficou encantada ao ver uma m\u00fasica que ela havia ajudado a criar transcrita em s\u00edmbolos t\u00e3o diferentes. Pediu que eu a xerocasse para todos. Ficou muito tempo olhando para a partitura, cantando e relembrando as notas no xilofone. Mas, na hora de tocar, cada grupo queria seguir seu pr\u00f3prio registro.<\/p>\n<p>Tamires sugeriu que fiz\u00e9ssemos m\u00fasica com tr\u00eas palmas e quatro p\u00e9s. Leandro criou uma melodia e foi combinando as partes do corpo, que, ao ritmo da m\u00fasica, eram percutidas. Essa brincadeira durou muito tempo, com as mais variadas combina\u00e7\u00f5es e ritmos.<\/p>\n<p><strong>9) Arranjos e adapta\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nAs crian\u00e7as apreciam a oportunidade de criar m\u00fasicas e, quando incentivadas, usam a imagina\u00e7\u00e3o, compondo m\u00fasicas fant\u00e1sticas. Vimos isso acontecer in\u00fameras vezes, pois sempre tinha algu\u00e9m com uma boa id\u00e9ia para musicar, cantar, tocar. Luan, por exemplo, um dia trouxe um livro que encontrou na biblioteca.<\/p>\n<p>Queria fazer uma m\u00fasica a partir dele. A hist\u00f3ria, contada em forma de poesia, facilitava a acomoda\u00e7\u00e3o de letra e melodia. Animado, convidou os colegas, utilizando sons de colchonetes, palmas, paredes, cadeiras, como hav\u00edamos feito anteriormente.<\/p>\n<div id=\"attachment_2089\" style=\"width: 344px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2089\" class=\"size-full wp-image-2089\" title=\"avisala_15_tempo15\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo15.jpg\" alt=\"\" width=\"334\" height=\"123\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo15.jpg 334w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo15-300x110.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 334px) 100vw, 334px\" \/><p id=\"caption-attachment-2089\" class=\"wp-caption-text\">M\u00fasica feita pelas crian\u00e7as da turma da manh\u00e3 (8 a 10 anos)<\/p><\/div>\n<p>Ensaiaram uma \u00faltima vez e eu, ent\u00e3o, gravei. O mais rico foi a utiliza\u00e7\u00e3o de sons vocais que indicavam, como dizia a letra da poesia, que a menina falava demais (blablabl\u00e1), que sorria (h\u00e1, h\u00e1, h\u00e1) etc., sons que se repetiam durante toda a hist\u00f3ria como se fosse um refr\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Conhe\u00e7o uma menina engra\u00e7ada e muito bela. Mas tem um grande defeito: ela \u00e9 muito tagarela&#8221;<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>Posteriormente, na hora de escutar, pedi que observassem se estava bom ou se poder\u00edamos melhorar algo. As crian\u00e7as avaliaram que n\u00e3o se podia ouvir o canto porque o som dos instrumentos era muito forte. Propus que tocassem mais uma vez, fazendo, ent\u00e3o, as mudan\u00e7as necess\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>10) De onde vem a m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nSaber a origem das m\u00fasicas \u00e9 motivo de grande curiosidade para as crian\u00e7as. \u00c9 interessante ouvir o que elas pensam a respeito. Heitor, por exemplo, achava que todas as m\u00fasicas eram tiradas de livros, s\u00f3 porque tinham criado uma m\u00fasica a partir de um livro.<\/p>\n<p>\u2013 Ser\u00e1? E as m\u00fasicas que n\u00f3s criamos em nossas aulas? Foram tiradas de livros?<br \/>\n\u2013 N\u00e3o! A gente tirou da imagina\u00e7\u00e3o. Cada um teve uma id\u00e9ia e fomos encaixando.<\/p>\n<p>Coloquei para tocar a m\u00fasica Cantiga da mo\u00e7a cativa, do CD O Pav\u00e3o Misterioso<\/p>\n<p>\u2013 Selo Eldorado, e perguntei como imaginavam que o compositor havia feito aquela m\u00fasica.<\/p>\n<p>\u2013 Essa m\u00fasica possui letra e melodia. Ser\u00e1 que ele pensou nas duas juntas? Ser\u00e1 que ele fez cada uma separadamente?<\/p>\n<p>Para responder, bastou retomar nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia, adquirida em propostas anteriores: criando melodia e letra juntas, baseando-nos em m\u00fasicas, em hist\u00f3rias ou personagens j\u00e1 existentes ou criando novos. Aproveitei para falar de outros m\u00fasicos e poetas. Ouvimos algumas das poesias de Vin\u00edcius de Morais que foram musicadas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conversamos sobre Villa Lobos e ouvimos algumas m\u00fasicas. A mais apreciada pelo grupo foi O Trenzinho do Caipira:<\/p>\n<p>\u2013 Ele imitava a chegada e partida de um trem!<\/p>\n<p>Com ganz\u00e1s, caxixis e reco-recos, fizemos um arranjo para a m\u00fasica, imitando a partida e o movimento de um trem, partindo devagar e aos poucos acelerando. Representamos o trem nos movimentando pela sala, parados, em fila, espalhados pela sala. As crian\u00e7as se divertiram muito e at\u00e9 pediram a letra para cantar em casa.<\/p>\n<p><strong>11) Escuta atenta e nova produ\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nSaber avaliar as qualidades da m\u00fasica, dizer quando um instrumento \u00e9 tocado muito alto ou muito baixo, exige da crian\u00e7a uma escuta atenta, que deve ser trabalhada desde cedo. H\u00e1 in\u00fameras propostas com esse objetivo. A que eu trabalhei \u00e9 apenas uma delas.<\/p>\n<p>Levei para ouvir com as crian\u00e7as a Sinfonia no 6 C-dur D589 \u2013 Scherzo: Presto \u2013 Piu Lento, de F. Schubert, na qual o tempo inteiro aparece o contraste entre fraco e forte. Conversamos sobre a din\u00e2mica da m\u00fasica. As crian\u00e7as disseram que forte \u00e9 quando o som fica mais alto:<\/p>\n<p>\u2013 Quando fica mais alto, parece que acorda a gente \u2013 disse uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2013 Se estava tranq\u00fcila, baixinha, e de repente fica forte, \u00e9 como se fosse para despertar a gente, porque m\u00fasicas como essa, s\u00f3 tocada, muitas pessoas usam para relaxar e dormir \u2013 completou a outra.<\/p>\n<p>Propus que ouv\u00edssemos novamente, criando um movimento distinto para quando ficasse forte e outro para o fraco. Continuamos nossa investiga\u00e7\u00e3o ouvindo Samba Quente: o \u201cforte\u201d estava presente na hora em que todos os instrumentos tocavam juntos e o \u201cfraco\u201d, nos solos. Pedi que todos continuassem ouvindo com aten\u00e7\u00e3o, mas que, dessa vez, procurassem identificar alguns instrumentos.<\/p>\n<p>\u2013 Como conseguimos perceber cada instrumento, se tocam v\u00e1rios ao mesmo tempo?<br \/>\n\u2013 perguntei.<br \/>\n\u2013 \u00c9 que eles est\u00e3o tocando igualzinho<br \/>\n\u2013 disse uma das crian\u00e7as \u2013 \u00e9 que nenhum est\u00e1 mais alto que o outro.<\/p>\n<p>Pronto! Chegaram onde eu queria. Propus que toc\u00e1ssemos novamente a composi\u00e7\u00e3o produzida na aula passada, gravamos e ouvimos. Na escuta, tentamos perceber se era poss\u00edvel distinguir os v\u00e1rios instrumentos.<\/p>\n<p>Chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que alguns tocaram t\u00e3o fortes que encobriram totalmente outros, tornando a m\u00fasica insuport\u00e1vel de ser ouvida. Tocamos novamente, cuidando para que todos os instrumentos pudessem ser percebidos e para que a m\u00fasica ficasse mais agrad\u00e1vel. Gravamos e avaliamos novamente: dessa vez, ficou muito melhor!<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2090\" title=\"avisala_15_tempo14\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo14.jpg\" alt=\"\" width=\"271\" height=\"263\" \/><br \/>\n<strong>12) Escultura musical<\/strong><br \/>\nToda m\u00fasica conta uma hist\u00f3ria, e as crian\u00e7as precisam aprender a escutar essas hist\u00f3rias. Criar hist\u00f3rias para uma m\u00fasica instrumental ou musicar as que as crian\u00e7as conhecem podem ser propostas interessantes. Eu escolhi, com meu grupo, escutar atentamente uma m\u00fasica e procurar imagin\u00e1-la. Pedi que elas se deitassem comodamente no colchonete, com os bra\u00e7os do lado do corpo, mantendo as palmas das m\u00e3os viradas para cima, e fechassem os olhos. Ao som da m\u00fasica Erkundung II, de Herman Urabl<sup>4<\/sup>, mantiveram-se quietas enquanto eu colocava uma pedra na m\u00e3o de cada uma.<\/p>\n<p>Pedi que a tocassem e imaginassem: de onde ela teria vindo? Por que estava ali? Como veio parar ali? As crian\u00e7as diziam de tudo:<\/p>\n<p>Kl\u00e1uber: \u2013 Veio do mar. L\u00e1 havia um peixe, que a deu para um rei que a trouxe para c\u00e1.<\/p>\n<p>Heitor: \u2013 Um monte de formigas fazia colheita de sementes para o gafanhoto, uma delas queria ajudar, mas atrapalhava. Havia uma princesa que gostava de uma das formigas e ajudava o gafanhoto, mas atrapalhava com suas inven\u00e7\u00f5es. Com suas inven\u00e7\u00f5es fez com que uma das sementes virasse uma pedra, que cresceu, cresceu. Essa semente era de uma \u00e1rvore de 97 folhas.<\/p>\n<p>Di\u00f3genes: \u2013 Essa pedra veio do cora\u00e7\u00e3o de um homem l\u00e1 de Goi\u00e1s que era muito duro. Trabalhava muito para sustentar a fam\u00edlia, pois a mulher, a m\u00e3e do filho dele, tinha morrido.<\/p>\n<p>Tamires: \u2013 Veio da idade da pedra. Um homem que morava l\u00e1 trouxe uma fada que deu um carro para ele.<\/p>\n<p>\u00c2ngelo: \u2013 Um passarinho pegou em cima de uma \u00e1rvore com seu biquinho e me deu.<\/p>\n<p>Tayrine: \u2013 Eu estava numa montanha. As outras pedras eram feias. Achei s\u00f3 essa bonita e peguei.<\/p>\n<p>Ederson: \u2013 Veio de um vulc\u00e3o da Am\u00e9rica Latina. A Juliana foi at\u00e9 l\u00e1 e o seu cabelo se queimou todo.<\/p>\n<p>\u00c9rica: \u2013 Veio das pedras que constru\u00edam uma casa. Deus foi at\u00e9 l\u00e1, pegou-a e jogou a para c\u00e1.<\/p>\n<p>Em seguida, cada crian\u00e7a passeou pela sala, conhecendo as pedras dos amigos e mostrando a sua para os colegas. Pedi que cada uma procurasse um par: ao som da mesma m\u00fasica, cada uma conduziria seu par, batendo uma pedra na outra.<\/p>\n<p>Depois, cada uma criou um som vocal para a sua pedra e formamos, assim, uma escultura sonora. Eu ia apontando o dedo para a pedra e o dono dela deveria emitir o seu som. Um grupo criou algo como se fosse um acampamento com sons do fogo, rio, vento e p\u00e1ssaros. Outro criou sons ritmados que, no final, se transformaram num rap. Para finalizar a atividade, fizemos outras brincadeiras com pedras, relembrando algumas j\u00e1 conhecidas, como Monjolo e Escravos de J\u00f3.<\/p>\n<p>Propus, ent\u00e3o, que cri\u00e1ssemos uma m\u00fasica nova para fazermos brincadeiras com pedrinhas. Cada grupo teve uma id\u00e9ia diferente: uma turma fez um jogo r\u00edtmico, outra combinou ritmo de palmas com canto e a batida das pedras e outras mais.<\/p>\n<p><strong>13) Apresenta\u00e7\u00e3o final<\/strong><br \/>\nComo estava chegando o dia marcado pelo EGJ para a apresenta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, come\u00e7amos a pensar em um planejamento, a fazer os \u00faltimos acertos nas composi\u00e7\u00f5es, preparar os ensaios.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-2091\" title=\"avisala_15_tempo19\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo19.jpg\" alt=\"\" width=\"321\" height=\"40\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo19.jpg 321w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/avisala_15_tempo19-300x37.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 321px) 100vw, 321px\" \/><br \/>\nAproveitamos todas as produ\u00e7\u00f5es que hav\u00edamos realizado em cada um de nossos encontros e que, felizmente, estavam registradas, o que permitiu ao grupo retom\u00e1-las. Alguns dos temas foram, inclusive, fruto do trabalho integrado com outros professores do EGJ, como, por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas para os personagens das hist\u00f3rias em quadrinhos, desenvolvida pela professora Elaine Cristina.<\/p>\n<p>Com ela as crian\u00e7as estudavam aspectos da linguagem dos quadrinhos, caracter\u00edsticas dos personagens etc. e, comigo, davam musicalidade \u00e0s id\u00e9ias. Assim nasceram as m\u00fasicas da Magali, do Z\u00e9 Carioca, Capit\u00e3o Am\u00e9rica, entre outros.<\/p>\n<p>Alguns arranjos foram melhorados: em uma das m\u00fasicas, a turma sugeriu substituir o som dos objetos por tambores e incluir, no final, um pouco de percuss\u00e3o corporal, o que deu um efeito muito interessante. Na outra, as crian\u00e7as resolveram colocar menos instrumentos e mais solos. E assim por diante.<\/p>\n<p>Convidamos outras turmas para assistir, o que foi muito bom, pois deu ao grupo mais seguran\u00e7a para a apresenta\u00e7\u00e3o final, quando haveria um p\u00fablico maior. Foi um trabalho t\u00e3o significativo para as crian\u00e7as que as m\u00fasicas compostas, resultado do trabalho delas, passaram a ser cantadas por todo o EGJ.<\/p>\n<p>O objetivo maior desse trabalho foi proporcionar a elas o contato com o mais variado repert\u00f3rio musical, criando a possibilidade de conhecerem algo diferente daquilo que \u00e9 veiculado pela m\u00eddia, m\u00fasicas do Brasil e de outros lugares do mundo.<\/p>\n<p>Conseguimos, de uma maneira divertida e significativa para as crian\u00e7as, contemplar a m\u00fasica em todas as suas dimens\u00f5es, proporcionando o prazer de criar, de tocar, de improvisar, de pesquisar e comparar timbres, de compartilhar o aprendido com outros e \u2013 o melhor de tudo \u2013 de brincar!<\/p>\n<p>(Lucilene da Silva, Professora de m\u00fasica)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> CD Batucada Fant\u00e1stica, os ritmistas brasileiros \u2013 selo Alpha Record \u2013, produzido por Nilo S\u00e9rgio.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> Trip\u00e9 com suporte para apoiar a partitura com a nota\u00e7\u00e3o musical para que o m\u00fasico possa toc\u00e1-la.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup> Extra\u00eddo do livro: Rafaela tagarela \u2013 Adolfo Turbay \u2013 editora Harbra.<\/p>\n<p><sup>4<\/sup> O Pav\u00e3o Misterioso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2092\" title=\"tempo1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/07\/tempo1.jpg\" alt=\"\" width=\"289\" height=\"110\" \/><br \/>\nEspa\u00e7o Gente Jovem Santa Clara<br \/>\nAv. dos Rem\u00e9dios, 810 Vila dos Rem\u00e9dios CEP: 05107-001 \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 SP Tel.: (11) 3625-1335 E-mail: centrocomsantaclara@ig.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta mat\u00e9ria mostra um trabalho de educa\u00e7\u00e3o musical, que teve como objetivo construir conhecimento por meio do fazer musical. 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