{"id":2009,"date":"2003-04-15T13:38:06","date_gmt":"2003-04-15T16:38:06","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=2009"},"modified":"2023-03-27T17:02:13","modified_gmt":"2023-03-27T20:02:13","slug":"contextos-de-alfabetizacao-na-era-tecnologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/reflexoes-do-professor\/contextos-de-alfabetizacao-na-era-tecnologica\/","title":{"rendered":"Contextos de alfabetiza\u00e7\u00e3o na Era Tecnologica"},"content":{"rendered":"<h5>Gostando ou n\u00e3o, isto \u00e9 fato: n\u00e3o se alfabetiza mais crian\u00e7as como antigamente. Em tempo de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e diante das pesquisas sobre a did\u00e1tica da alfabetiza\u00e7\u00e3o, faz-se necess\u00e1rio pensar novos contextos para se ensinar a ler e a escrever<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2011\" title=\"avisala_14_reflexoes11\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes11.jpg\" alt=\"\" width=\"342\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes11.jpg 342w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes11-300x173.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 342px) 100vw, 342px\" \/><br \/>\nTrabalhei com muitos grupos de educadores. E nenhum ou apenas um dos integrantes sabia realizar opera\u00e7\u00f5es muito simples com aparelhos e recursos audiovisuais, e raras foram as situa\u00e7\u00f5es em que esses recursos eram de boa qualidade e funcionavam.<\/p>\n<p>Costumava brincar dizendo que, definitivamente, educa\u00e7\u00e3o e tecnologia n\u00e3o andam juntas. \u00c9 uma brincadeira, mas junto com o riso vem o triste reconhecimento de quanto n\u00f3s, da educa\u00e7\u00e3o, estamos desinformados e distantes dos recursos tecnol\u00f3gicos existentes no mundo em que vivemos.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nO resultado \u00e9 que, como cidad\u00e3os, usamos pouco desses recursos, por falta de conhecimento, e como profissionais da educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos tornar dispon\u00edveis \u00e0s crian\u00e7as ou potencializar as oportunidades de aprendizagem que a era digital coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o usamos os recursos e as tecnologias mais elementares.<\/p>\n<p>\u00c0 parte, todas as quest\u00f5es de verbas, que afligem as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e tamb\u00e9m as privadas, criam reais impedimentos de acesso \u00e0 tecnologia. \u00c9 preciso pensar nas dificuldades criadas pelos educadores, receosos de experimentar e ousar inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Comento a seguir um pouco do que pudemos fazer com a presen\u00e7a do computador nas salas de educa\u00e7\u00e3o infantil e do quanto isso mudou o envolvimento das crian\u00e7as e o \u00e2nimo dos professores, mostrando o impacto da tecnologia na motiva\u00e7\u00e3o e na produ\u00e7\u00e3o final.<\/p>\n<p>Tivemos o cuidado de, em meio \u00e0 possibilidade real de ter tecnologia dispon\u00edvel em sala de aula, n\u00e3o fazer dela um fim em si mesma, n\u00e3o abrir m\u00e3o de nossos compromissos e concep\u00e7\u00f5es sobre ensinar, mesmo deslumbrados com o que t\u00ednhamos.<\/p>\n<p>A tecnologia \u00e9 apenas mais uma possibilidade, mais um recurso que deve estar \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o para prop\u00f3sitos educativos.<\/p>\n<p><strong>Alfabetiza\u00e7\u00e3o e tecnologia da escrita<\/strong><br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o de textos no computador \u00e9 uma proposta que traz outras possibilidades e desafios, que n\u00e3o eram t\u00e3o explorados ao se escrever manualmente.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de texto \u00e9 um exemplo: quantas vezes as crian\u00e7as precisavam escrever e reescrever at\u00e9 concluir uma vers\u00e3o final de seu texto? Provavelmente, um n\u00famero de vezes suficiente para achar que a escrita \u00e9 uma tarefa repetitiva e sem sentido.<\/p>\n<p>J\u00e1 os editores de texto permitem um outro tipo de acabamento e, por isso mesmo, uma forma de as crian\u00e7as irem al\u00e9m, de produzirem mais e melhor, podendo voltar \u00e0 produ\u00e7\u00e3o para revis\u00e1-la e corrigi-la com maior agilidade, cumprindo seus prop\u00f3sitos iniciais.<\/p>\n<p>Sabemos hoje que h\u00e1 crian\u00e7as que aprendem a escrever no computador antes de faz\u00ea-lo com l\u00e1pis e papel. Sobre elas e seus professores, Em\u00edlia Ferreiro comenta<sup>2<\/sup>:<\/p>\n<p>Alguns professores me procuram, completamente apavorados com isso. Digo-lhes que n\u00e3o fiquem apavorados, que o computador \u00e9 um instrumento para escrever, como o l\u00e1pis. N\u00e3o se deve confundir o instrumento usado para escrever com a compreens\u00e3o do sistema de marcas da escrita. Entender o significado das marcas que se produzem com os instrumentos \u00e9 outra coisa, um problema conceitual.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, o teclado do computador, similar ao de uma m\u00e1quina de escrever, tem a vantagem de acabar com certos pseudoproblemas pedag\u00f3gicos, que davam lugar a tantas discuss\u00f5es in\u00fateis: deve-se escrever com caracteres separados ou ligados? Com letras cursivas ou de imprensa? O que fazer com os canhotos? No computador cada um escreve como quiser: escolhe o tipo de letra, pode ligar os caracteres separados com uma instru\u00e7\u00e3o muito simples. E escreve-se com as duas m\u00e3os. \u00c9 \u00f3timo poder liquidar problemas pseudopedag\u00f3gicos, pois sobra mais tempo para refletir sobre os verdadeiros problemas.<\/p>\n<div id=\"attachment_2012\" style=\"width: 165px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2012\" class=\"size-full wp-image-2012\" title=\"avisala_14_reflexoes12\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes12.jpg\" alt=\"\" width=\"155\" height=\"87\" \/><p id=\"caption-attachment-2012\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o de uma estrofe do Poema das Cores elaborado a partir do Programa Paint<\/p><\/div>\n<p>H\u00e1, no Brasil e em S\u00e3o Paulo, professores realizando trabalhos muito interessantes com o computador na sala de aula. N\u00e3o para passatempo, ou somente para uso de softwares pseudo-educativos, mas para a realiza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de leitura e escrita. Crian\u00e7as e professores sentem-se valorizados com o uso da tecnologia no cotidiano e ficam mais estimulados e receptivos \u00e0s mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do ler e escrever, do alfabetizar, \u00e9 importante pensarmos sobre a rela\u00e7\u00e3o educa\u00e7\u00e3o\/contemporaneidade ou, traduzindo, educa\u00e7\u00e3o\/tecnologia. Um trabalho preocupado com a inclus\u00e3o digital e a alfabetiza\u00e7\u00e3o deveria abordar, simultaneamente, a quest\u00e3o das aprendizagens da leitura e da escrita e das novas tecnologias n\u00e3o como processos paralelos e\/ou distintos, mas como processos simult\u00e2neos e complementares.<\/p>\n<p>Garantir coer\u00eancia de princ\u00edpios nas propostas \u00e9 condi\u00e7\u00e3o fundamental para que as situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas possibilitem \u00e0s crian\u00e7as cada vez mais reflex\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre a linguagem e sobre o uso do computador.<\/p>\n<p>Partindo desses pressupostos, o projeto KidSmart buscou integrar o uso do computador e as pr\u00e1ticas sociais deleitura e escrita e ainda possibilitar \u00e0s professoras a reflex\u00e3o sobre a pr\u00e1tica pedag\u00f3gica. As crian\u00e7as, usando a tecnologia, puderam efetuar diferentes produ\u00e7\u00f5es: as listas de nomes dos alunos, agendas e o livro N\u00e3o Confunda<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>Participaram deste trabalho, no Rio de Janeiro, a creche do Centro de Educa\u00e7\u00e3o Infantil do Instituto P\u00e3o de A\u00e7\u00facar &#8211; CEI e a escola municipal Friedenreich. O relato a seguir descreve trechos do percurso dos professores e das crian\u00e7as no uso do computador na sala de aula.<\/p>\n<p><strong>Utilizando um editor de texto para aprender a escrever<\/strong><br \/>\nNo CEI, com o computador integrado aos cantos e as crian\u00e7as j\u00e1 habituadas aos softwares \u2013 tendo aprendido a reconhecer \u00edcones e a manejar bem o mouse \u2013, aventuramo-nos um pouco mais. Conversamos em roda sobre as atividades dos softwares de que as crian\u00e7as mais gostavam e combinamos escrever o nome e a atividade preferida no computador, em um \u201clugar de escrever e guardar o escrito\u201d.<\/p>\n<p>Antes elas escreveram em cart\u00f5es seus nomes e a atividade preferida, porque avaliamos que os desafios que colocamos para a escrita, acrescidos aos do uso computador, eram excessivos para elas. Os cart\u00f5es serviriam como apoio para a escrita no computador \u2013 elas liam o que tinham escrito e copiavam ou faziam corre\u00e7\u00f5es a partir dessa leitura. Em duplas, se revezavam no computador.<\/p>\n<p>Mostrei a elas os programas para desenhar e escrever. No paint (editor de imagem), adoraram desenhar e experimentar todas as possibilidades.O manejo \u00e9 mais dif\u00edcil que o dos softwares, exige maior controle e precis\u00e3o nos movimentos; at\u00e9 a escolha da cor demanda mais habilidade. Depois escrevemos no wordpad (editor de texto). Abri uma p\u00e1gina tipo di\u00e1rio, com data e uma introdu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Elas escreveram seus nomes e o que mais gostavam de fazer. Os nomes foram escritos tranq\u00fcilamente, mas a escrita n\u00e3o memorizada resultou menos rica no computador.Abri uma pasta, minimizei e maximizei programas, comentando com elas.<\/p>\n<div id=\"attachment_2013\" style=\"width: 306px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2013\" class=\"size-full wp-image-2013\" title=\"avisala_14_reflexoes14\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes14.jpg\" alt=\"\" width=\"296\" height=\"185\" \/><p id=\"caption-attachment-2013\" class=\"wp-caption-text\">Produzindo em grupo a escrita de um cart\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Observei, e depois as professoras confirmaram, que muitas j\u00e1 sabiam espa\u00e7ar, apagar, fazer par\u00e1grafo, e que isso virou uma esp\u00e9cie de brincadeira. H\u00e1 crian\u00e7as, claro, com muito menos dom\u00ednio, mas todas com um percurso grande de aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>Depois, as agendas de endere\u00e7os&#8230;<\/strong><br \/>\nLevei algumas agendas para as crian\u00e7as manusearem e comentarem. N\u00e3o sabiam o que era, mas gostaram daqueles \u201clivrinhos\u201d. Folheavam, queriam ver as ilustra\u00e7\u00f5es de uma delas, todas queriam pegar, segurar. Fui ajudando a olhar: folheava as p\u00e1ginas perguntando:<\/p>\n<p>\u2013 O que tem aqui?<br \/>\n\u2013 T\u00e1 escrito.<br \/>\n\u2013 Tem letra.<br \/>\n\u2013 S\u00f3 letras?<br \/>\n\u2013 N\u00e3o, tem um monte de n\u00famero aqui.<\/p>\n<p>Apontavam para as letras, para os n\u00fameros, para as ilustra\u00e7\u00f5es, definindo e nomeando aspectos, fragmentos do queeu apresentava, mas claramente n\u00e3o reconheciam o que era uma agenda e muito menos sua fun\u00e7\u00e3o, precisavam de ajuda para relacionar e organizar o que viam.<\/p>\n<p>Fui apontando, de modo que elas observassem o tipo de escrita e onde estava: \u201cnomes\u201d&#8230; \u201cn\u00fameros\u201d&#8230;, e atentassem para a distribui\u00e7\u00e3o: uma coluna de nomes, outra de n\u00fameros &#8230; e perguntei: n\u00fameros de qu\u00ea? Algu\u00e9m j\u00e1 viu um \u201ccaderninho assim?\u201d \u201cMeu pai tem, \u00e9 pra telefonar\u201d,\u201c\u00c9 pra quando precisa escrever o n\u00famero do telefone\u201d etc.<\/p>\n<p>E a\u00ed, dei as informa\u00e7\u00f5es restantes: este \u201ccaderninho\u201d se chama agenda e serve exatamente para marcar os n\u00fameros de telefone dos amigos e de pessoas que a gente conhece.\u201cE por que ser\u00e1 que eu trouxe as agendas para mostrar pra voc\u00eas?\u201d Novamente o mesmo percurso: \u201cpra gente escrever\u201d, desenhar, telefonar&#8230; Telefonar pra quem? Telefones de quem? \u201cN\u00e3o sei.\u201d<\/p>\n<p>Nova ajuda; mostrei as matrizes de agenda e expliquei que era para fazermos uma agenda da classe. Perguntei quem tinha telefone. Todas. Ficaram euf\u00f3ricas com a id\u00e9ia de fazer sua pr\u00f3pria agenda, queriam fazer na hora, pegar tudo, a maior excita\u00e7\u00e3o. Trabalhei com duas crian\u00e7as por vez no computador da sala, enquanto isso as outras fizeram as ilustra\u00e7\u00f5es com as canetinhas novas.<\/p>\n<p>Desenvolvi uma atividade semelhante \u00e0quela proposta por Ana Teberosky, em que a crian\u00e7a tem que assinalar seu nome entre tr\u00eas grafias diferentes, buscando a forma correta. Adaptei e pedi que elas apagassem os errados, para que s\u00f3 permanecessem, na lista que far\u00edamos, os nomes escritos corretamente.<\/p>\n<div id=\"attachment_2014\" style=\"width: 604px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2014\" class=\"size-full wp-image-2014\" title=\"avisala_14_reflexoes2\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes2.jpg\" alt=\"\" width=\"594\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes2.jpg 594w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes2-300x130.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 594px) 100vw, 594px\" \/><p id=\"caption-attachment-2014\" class=\"wp-caption-text\">Na creche Educand\u00e1rio S\u00e3o Domingos as crian\u00e7as produzem textos usando<br \/>diferentes recursos.<\/p><\/div>\n<p>Escrevi o t\u00edtulo da lista, e comecei a atividade, explicando como apagariam, ora usando o delete, ora o backspace. Nas escritas, evitei mexer com as iniciais ou finais, porque elas j\u00e1 tinham passado dessa fase; assim, repetia vogais ou consoantes no meio da palavra. De um modo geral, olhando com aten\u00e7\u00e3o e tranq\u00fcilidade, conseguiram ir resolvendo o problema.<\/p>\n<p>Foi muito rico, porque demandou outro tipo de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 escrita, muitas crian\u00e7as vinham na leitura autom\u00e1tica, mas quando viam que as diferen\u00e7as entre as tr\u00eas escritas eram muito menores do que a existente entre os v\u00e1rios nomes da sala, tiveram que ajustar o olhar e ler com mais aten\u00e7\u00e3o e cuidado. Sabiam justificar, depois de olhar detidamente, \u201cmeu nome n\u00e3o tem dois As, dois Eles, dois Erres\u201d etc.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o seguinte tinha que ser para o controle do mouse, levando o cursor \u00e0 palavra e apagando apenas as escritas que n\u00e3o interessavam. Com muitas, mais afobadas, que apagaram tudo, usei e nomeei o desfazer ou o Ctrl z, que, claro, amaram.<\/p>\n<p>A grande surpresa foi com Mylena, que, ao reconhecer onde seu nome estava grafado errado e ser instru\u00edda a usar a tecla Del, foi com o cursor \u00e0 letra excedente e apagou apenas aquela, tornando a escrita correta (assim: Myllena \u2013 apagou um l). Vibrei e pedi que ela socializasse o que fez com a maior parte das crian\u00e7as. Quando finalizamos a lista, salvei o arquivo descrevendo os procedimentos para Fernanda e Lana, que estavam comigo.<\/p>\n<p>Informei como continuariam o trabalho nos pr\u00f3ximos dias e o que fariam com a professora Lauri\u00ea. Quando falei que gravariam a lista em um disquete, Rafaela estranhou a palavra \u201cgravariam\u201d e quis saber o que queria dizer. Gabriela respondeu que \u201c\u00e9 quando, no dia seguinte, a gente quer ver o que escreveu\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 na Friedenreich, com o mesmo planejamento de atividade, fiz modifica\u00e7\u00f5es. Ao trabalhar com as duplas de crian\u00e7as de 5 anos percebi que precisava mudar o meu encaminhamento. N\u00e3o dava para eu escrever os tr\u00eas nomes e elas apagarem o errado, por dois motivos: estavam loucas para escrever, sabiam muito sobre os nomes e queriam mostrar. Mudei e foi muito interessante, elas ficaram superenvolvidas.<\/p>\n<p>Abri o wordpad, escrevi o t\u00edtulo \u201clista..\u201d , disse a que se destinava e descrevi isso a todas que se sentavam. Eu pedia a cada crian\u00e7a que escrevesse o seu nome, depois que fechasse os olhos, Ent\u00e3o eu fazia altera\u00e7\u00f5es. Depois perguntava quais altera\u00e7\u00f5es haviam sido feitas.<\/p>\n<p>Exemplos: o menino escreveu Cl\u00e1udio, alterei para Claudia, Claudionor e Craudio; ele n\u00e3o soube ler nenhuma delas, mas estranhou muito, sendo que n\u00e3o faziam parte de seu nome. Eu lia o que havia ficado e elas riam muito. Foi divertido: Eduardo, depois Eduarda, Edualdo; Danilo, depois Danila, Danillo, ou, para as que j\u00e1 podiam ler convencionalmente, como Maria Clara, depois Mara Clara, Maria Clera, Mari Clara, ou ainda, para as que tinham menor condi\u00e7\u00e3o de autonomia na leitura, como Arthur, que \u00e9 deficiente auditivo e tem alguma dificuldade, s\u00f3 marquei mudan\u00e7as que causassem grande estranhamento, como Arttthur, AAArthur.<\/p>\n<p>Foi muito produtivo, elas pensaram, foram desafiadas e resolveram os problemas colocados, desenvolvendo uma real atividade de reflex\u00e3o sobre a l\u00edngua. O interessante foi que, feita no computador, trouxe ainda a necessidade de aten\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o a outros aspectos.<\/p>\n<div id=\"attachment_2015\" style=\"width: 404px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2015\" class=\"size-full wp-image-2015\" title=\"avisala_14_reflexoes1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes1.jpg\" alt=\"\" width=\"394\" height=\"241\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes1.jpg 394w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes1-300x183.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 394px) 100vw, 394px\" \/><p id=\"caption-attachment-2015\" class=\"wp-caption-text\">Professora e crian\u00e7as em a\u00e7\u00e3o na Escola Friedenreich, Rio de Janeiro<\/p><\/div>\n<p>Criada a necessidade de apagar, quando usar o backspace, quando o delete? Como mover o cursor sem mover o mouse? Como apagar uma s\u00f3 letra no meio da palavra? Como separar os nomes compostos? Quando e como recuperar o que se desfez por imper\u00edcia, o uso do Ctrl z e o desfazer etc.<\/p>\n<p><strong>Produzindo o nosso pr\u00f3prio \u201cN\u00c3O CONFUNDA\u201d<\/strong><br \/>\nEm minha nova visita ao CEI, notei mudan\u00e7as na sala: o m\u00f3vel infantil que envolve o computador havia chegado e a impressora tamb\u00e9m. Encantadas, as crian\u00e7as mostraram-me a hist\u00f3ria do Stanley (um dos softwares) que escreveram e imprimiram.<\/p>\n<p>Ela come\u00e7a com a apresenta\u00e7\u00e3o das personagens, algo como Stanley, Sammy&#8230; e Jos\u00e9, e vai enveredando por aventuras com festa, sorveteria, passeio&#8230; \u00c0 medida que fui folheando e lendo, num trecho, em que havia nova men\u00e7\u00e3o a todas as personagens, algu\u00e9m lembrou e comentou:<\/p>\n<p>\u2013 O Jos\u00e9 tinha sumido, a\u00ed a gente bot\u00f4 ele.<\/p>\n<p>Lauri\u00ea explicou que foram perdendo personagens durante a narrativa e que, na revis\u00e3o, os recuperaram. Esse tipo de fala de uma crian\u00e7a mostra o quanto elas de fato participaram como produtoras do texto e acompanharam todo o seu processo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apresento e leio o N\u00c3O CONFUNDA, de Eva Furnari, que brinca com rimas. No in\u00edcio houve um certo estranhamento, n\u00e3o era uma hist\u00f3ria como as outras, n\u00e3o havia uma narrativa convencional. Mas, \u00e0 medida que as crian\u00e7as foram se desligando das expectativas do texto convencional e compreendendo a \u201caventura\u201d que estava proposta neste, come\u00e7ou a curti\u00e7\u00e3o. Morriam de rir das rimas e pediam para eu repetir. Logo nas primeiras, algu\u00e9m sacou: \u201c\u00e9 de rima\u201d.<\/p>\n<p>\u00d3timo gancho para o trabalho que far\u00edamos. Fui variando o modo como lia cada nova dobradinha de p\u00e1ginas: lia as duas, lia uma e depois a outra, lia uma e brincava com a antecipa\u00e7\u00e3o da poss\u00edvel rima que viria, foi divertid\u00edssimo!<\/p>\n<p>Quando finalmente consegui terminar a leitura, mostrei o livro feito pelas crian\u00e7as da Escola Logos e propus que fiz\u00e9ssemos o mesmo. Contei como. Listamos rimas poss\u00edveis com os nomes das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Algumas n\u00e3o conseguiam rimar, outras j\u00e1 podiam tanto que at\u00e9 brincavam, ir\u00f4nicas. Levantamos todas as rimas que pudemos para cada nome e, numa segunda rodada, cada crian\u00e7a escolheu a sua preferida.<\/p>\n<p>Com papel e l\u00e1pis na m\u00e3o, elas escreveram o nome e a rima para n\u00e3o esquecer e depois, com a sala organizada com cantos por Lauri\u00ea, fomos ao computador, duas crian\u00e7as por vez, para fazer a lista de rimas.<\/p>\n<p>Algumas das escritas:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2016\" title=\"reflex\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/reflex.jpg\" alt=\"\" width=\"156\" height=\"270\" \/><\/p>\n<p>Como se pode ver, esta foi uma \u00f3tima atividade avaliativa. As crian\u00e7as ficaram experts na escrita de nomes, tanto manual quanto no computador. Na escrita das rimas, somente Mayara se destaca, com um conhecimento bem diferente do restante do grupo: ela vai alinhando letras, quase que interminavelmente, aparentemente sem atentar para rela\u00e7\u00f5es de valor sonoro, mas,mesmo assim, procurando vari\u00e1-las:<\/p>\n<p>MGHJUUZ7BBJJICCDVQA7J<\/p>\n<p>Mesmo com uma escrita aqu\u00e9m \u00e0 do grupo, vi que ela se divertia muito na aventura de escrever e apagar, ocupad\u00edssima com a tarefa que lhe dei. (Ela era t\u00e3o t\u00edmida que mal pegava no l\u00e1pis, morria de vergonha de fazer as atividades na minha presen\u00e7a, estava sempre desligada e alheia a tudo. Vi seus olhos brilharem desta vez.)<\/p>\n<p>Grande parte das crian\u00e7as estava sil\u00e1bica ou quase, algumas sem valor sonoro, mas \u00e9 impressionante a diferen\u00e7a que mostraram nesse momento no ato de escrever, a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 escolha das letras, a reflex\u00e3o, a busca da melhor solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No encontro seguinte, levei as escritas dos nomes e as rimas, separei em blocos, relacionando os nomes das crian\u00e7as e suas respectivas rimas, e os dispus no centro da roda. O que \u00e9 isso? O que acham que est\u00e1 escrito aqui? E elas, rapidinho: \u00e9 do livro, \u00e9 do livro. Que livro? Esse que voc\u00ea leu. Ent\u00e3o, o que est\u00e1 escrito aqui? Em pouqu\u00edssimo tempo, juntando os ind\u00edcios que conheciam, contextualizando e apoiando-se na mem\u00f3ria, todas sabiam o que estava escrito e de quem era cada texto.<\/p>\n<p>Agrupamos as crian\u00e7as em trios, recortei, decompondo ainda mais o texto, que ficou em tr\u00eas peda\u00e7os: um com a escrita N\u00c3O CONFUNDA,outro com a escrita do nome e o \u00faltimo com a rima. Cada crian\u00e7a tinha que separar os peda\u00e7os que compunham seu jogo e depois colar na folha que j\u00e1 estava desenhada e com a moldura impressa. Precisaram de ajuda para saber onde colar e para finalizar o trabalho, mas para a leitura foram muito independentes.<\/p>\n<p>Fui ao computador para fazer com elas o texto introdut\u00f3rio. Elas ditavam e eu escrevia. Fizemos um esbo\u00e7o e combinamos que voltariam a ele e me mandariam, para finalizar o livro.<\/p>\n<p>Na Friedenreich, na classe de 6 anos, li o \u201cN\u00e3o Confunda\u201d e elas amaram. Vibraram, riam muito, identificaram as rimas e pudemos brincar muito fazendo novas rimas para os textos da Eva Furnari.<\/p>\n<p>Mostrei o livro da Logos, e Alan,um menino muito atento, perguntou se far\u00edamos um igual para eles. Eu disse que sim, e a\u00ed a folia foi geral. Muitos j\u00e1 se adiantaram, pensando rimas para seus nomes, outros demoraram e precisaram de ajuda, mas o trabalho com eles foi bem produtivo.<\/p>\n<div id=\"attachment_2017\" style=\"width: 438px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2017\" class=\"size-full wp-image-2017\" title=\"avisala_14_relfexoes8\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_relfexoes8.jpg\" alt=\"\" width=\"428\" height=\"302\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_relfexoes8.jpg 428w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_relfexoes8-300x211.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 428px) 100vw, 428px\" \/><p id=\"caption-attachment-2017\" class=\"wp-caption-text\">P\u00e1gina do livro N\u00e3o Confunda, produzido pelo grupo do Pr\u00e9 da Escola Friedenreich<\/p><\/div>\n<p>\u00c9 impressionante o salto que as crian\u00e7as deram na escrita e na leitura, depois destaquei isso para a professora Janete. Quase todos escreveram alfabeticamente e com muita desenvoltura e independ\u00eancia.<\/p>\n<p>No encontro seguinte, a atividade foi a mesma que realizei no CEI, mas a condi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as era outra, por isso trabalhei com elas agrupadas em 4 (com o crit\u00e9rio de heterogeneidade) e com os textos todos decompostos em palavras e misturados. A tarefa era encontrar e recompor o pr\u00f3prio texto \u2013 e n\u00e3o o dos amigos da mesa \u2013, colar e ilustrar.<\/p>\n<p>A ajuda que precisaram foi para a leitura e distin\u00e7\u00e3o de palavras e nomes muito semelhantes, como Leonardo e leopardo, por exemplo. Janete e eu ficamos por perto e ajudamos na resolu\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es que iam se transformando em impedimentos para a realiza\u00e7\u00e3o da tarefa, mas a ajuda principal incidiu sobre quest\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o para o trabalho em grupo e com autonomia.<\/p>\n<p>Depois, fomos redigir a apresenta\u00e7\u00e3o. Optei por fazer com elas um roteiro na lousa do que seria falado, para que depois escrevessem o texto com Janete, porque achei que eram numerosas e com pouca organiza\u00e7\u00e3o para ficarem todas amontoadas em frente ao computador para uma tarefa desse tipo.<\/p>\n<p>Elas tinham pouca experi\u00eancia com linguagem escrita, o que reflete o pouco que se trabalha dentro da concep\u00e7\u00e3o de letramento, e isso foi expresso lindamente por um menino chamado Jo\u00e3o Ricardo que disse, quando organiz\u00e1vamos um dos itens na forma de frase completa: \u201cMas n\u00e3o cabe tudo isso na minha cachola, \u00e9 muita coisa\u201d.<\/p>\n<p>Acho que isso reflete onde estava o problema principal nessa classe de alfabetiza\u00e7\u00e3o, e foi em torno disso que depois conversei com a professora.<\/p>\n<p><strong>Com os professores, refletimos sobre a pr\u00e1tica<\/strong><br \/>\nIniciamos a reflex\u00e3o destacando com os professores a rela\u00e7\u00e3o entre o ensino da l\u00edngua e a tecnologia e a exclus\u00e3o. Lemos trechos de Em\u00edlia Ferreiro<sup>3<\/sup>:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trata de reinstaurar o j\u00e1 velho debate entre televis\u00e3o e lousa; ou seja, n\u00e3o se trata de lamentar as horas que as crian\u00e7as passam na frente de um aparelho de TV, que pouco ou nada tem de interativo e muito de consumismo passivo. Tamb\u00e9m n\u00e3o se trata de idealizar as horas passadas diante da lousa, como se fossem, por defini\u00e7\u00e3o, mais proveitosas que as outras. Trata-se de permanecer alerta \u00e0s mudan\u00e7as que est\u00e3o acontecendo \u2013 que podem envolver profundas mudan\u00e7as na rela\u00e7\u00e3o dos j\u00e1 letrados com os textos, e no modo em que as novas gera\u00e7\u00f5es s\u00e3o alfabetizadas \u2013 e de reconhecer que as mudan\u00e7as necess\u00e1rias em n\u00edvel educativo s\u00e3o muito dr\u00e1sticas, de fato, porque j\u00e1 agora a escola p\u00fablica est\u00e1 imensamente desatualizada. Se a tecnologia da inform\u00e1tica chegar a servir, como se fosse um gatilho para repensar o que acontece na escola, que ela seja bemvinda.\u201d<\/p>\n<p>Ela \u00e9 danada mesmo, tocou todos os cora\u00e7\u00f5es:\u201cestou animada com a perspectiva de um trabalho novo, o computador ser\u00e1 parte do cotidiano, mas d\u00e1 um pouco de medo\u201d (Patr\u00edcia), ou \u201cvai ser uma forma de eu me atualizar, a inform\u00e1tica vai abrir as portas para uma alfabetiza\u00e7\u00e3o muito mais voltada para o tempo que estamos vivendo\u201d (Janete).<\/p>\n<p>O outro conte\u00fado que n\u00e3o poderia faltar era, com certeza, a produ\u00e7\u00e3o de texto oral com destino escrito.Assistindo a um v\u00eddeo, com a atividade da professora Cl\u00e9lia<sup>4<\/sup>, discutimos: por que a professora faz esses encaminhamentos, o que ela entende que \u00e9 alfabetizar? E o encaminhamento da produ\u00e7\u00e3o de texto oral com destino escrito (Fazem? Com que freq\u00fc\u00eancia? Como encaminham? Por que \u00e9 t\u00e3o importante?). E o uso do computador (observar formas de introduzir o computador no cotidiano, de modo a possibilitar que as crian\u00e7as pensem mais sobre a fun\u00e7\u00e3o da escrita e da tecnologia).<\/p>\n<div id=\"attachment_2018\" style=\"width: 203px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2018\" class=\"size-full wp-image-2018\" title=\"avisala_14_reflexoes10\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes10.jpg\" alt=\"\" width=\"193\" height=\"114\" \/><p id=\"caption-attachment-2018\" class=\"wp-caption-text\">Capa do livro de poemas Arco-\u00cdris, produzido pelo grupo do Pr\u00e9 da Escola<br \/>Friedenreich<\/p><\/div>\n<p>Sobre a escrita do bilhete: O que destacar para as crian\u00e7as antes da escrita? Como levantar o que deve conter? Algumas professoras disseram que \u201cn\u00e3o h\u00e1 nada de novo no v\u00eddeo, s\u00f3 n\u00e3o escrevemos na frente das crian\u00e7as\u201d. Perguntei por que ser\u00e1 que ocorreu \u00e0 professora do v\u00eddeo escrever na frente das crian\u00e7as e a elas n\u00e3o, o que ser\u00e1 que a professora sabe que a fez pensar na atividade?<\/p>\n<p>E sobre o uso do computador:o que \u00e9 novo? O que acharam interessante? E algumas disseram novamente: fazemos tudo, nada \u00e9 novidade, s\u00f3 n\u00e3o usamos o computador. Novamente fiz uma interven\u00e7\u00e3o. E o que faz um professor ter a id\u00e9ia? \u00c9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de ter id\u00e9ias luminosas? \u201cA pr\u00f3pria necessidade\u201d, algu\u00e9m responde. A necessidade existe sempre ou o professor criou essa?<\/p>\n<p>Fechamos com destaque para a import\u00e2ncia de o professor saber aproveitar ou criar situa\u00e7\u00f5es do cotidiano para escrita e leitura e saber pensar encaminhamentos e boas interven\u00e7\u00f5es para o andamento destas atividades.<\/p>\n<p>Definimos que teriam que confeccionar com as crian\u00e7as cart\u00f5es com nomes, no computador, com o padr\u00e3o Arial 72 em mai\u00fascula. Esses cart\u00f5es seriam usados como modelo para grafar todas as produ\u00e7\u00f5es, e as crian\u00e7as seriam insitadas a escrever de pr\u00f3prio punho.<\/p>\n<p>Posteriormente, ao analisar os resultados das sondagens (as escritas do nome e do que mais gostavam de fazer), as professoras deram-se conta de que ler e escrever s\u00e3o conhecimentos distintos e que as aprendizagens que pareciam consolidadas, eram na verdade escrita de mem\u00f3ria sem apropria\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo.<\/p>\n<p>Assim, come\u00e7aram a aparecer alguns dos nossos problemas. \u00c0s crian\u00e7as, poucas vezes era dada a oportunidade de realizar escritas de pr\u00f3prio punho. Come\u00e7ou a fazer sentido para as professoras a necessidade de criar novas situa\u00e7\u00f5es de escrita significativa, escritas sem tanta previsibilidade, fora do control\u00e1vel e do consult\u00e1vel, no sentido da c\u00f3pia.<\/p>\n<p>Enumeramos possibilidades: agenda de endere\u00e7os com participa\u00e7\u00e3o parcial e depois total das crian\u00e7as; fazer letras no computador e organizar letras m\u00f3veis para escrita de can\u00e7\u00f5es, versos, brincadeiras; escrever listas de palavras e nomes que interessavam a elas: jogadores, times, brincadeiras, t\u00edtulos de livros etc. fazer uma discuss\u00e3o sobre as escritas com o grupo.<\/p>\n<p>O importante \u00e9 usar computador para a produ\u00e7\u00e3o de textos e comunica\u00e7\u00e3o com outras escolas, fazer textos mais densos e mais escritas de pr\u00f3prio punho, voltar \u00e0s escritas, com mais investimento na qualidade e menos quantidade.<br \/>\n\u2013 \u00c0 medida que realizavam mais atividades de escrita e leitura com seus alunos, as professoras contavam, como Janete, a surpresa de \u201cdescobrir realmente o que sabe cada crian\u00e7a\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_2019\" style=\"width: 334px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2019\" class=\"size-full wp-image-2019\" title=\"avisala_14_reflexoes6\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes6.jpg\" alt=\"\" width=\"324\" height=\"456\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes6.jpg 324w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes6-213x300.jpg 213w\" sizes=\"auto, (max-width: 324px) 100vw, 324px\" \/><p id=\"caption-attachment-2019\" class=\"wp-caption-text\">Indica\u00e7\u00e3o de leitura feita pelas crian\u00e7as do Centro de Educa\u00e7\u00e3o Infantil do Instituto P\u00e3o de A\u00e7\u00facar de Desenvolvimento Humano &#8211; RJ<\/p><\/div>\n<p>A import\u00e2ncia da const\u00e2ncia desse tipo de proposta \u00e9 algo sobre o que todas concordamos. Definimos juntas como aproveitar melhor o wordpad no cotidiano da sala de aula. Listamos as possibilidades de uso: nomes, agendas, bilhetes, hist\u00f3rias, cart\u00f5es, convites, calend\u00e1rios, cartazes, lembretes, confeccionar jogos e atividades, listas etc., j\u00e1 no computador, praticando procedimentos para iniciar, formatar, escolher letras, salvar, copiar, etc. Levei muitos exemplos de atividades para fazerem no computador com participa\u00e7\u00e3o total ou parcial das crian\u00e7as na formata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A seguir, exponho e comento os exemplos que trouxe, para discutir d\u00favidas de encaminhamento das professoras no manejo da tecnologia. A essa altura, todas estavam empolgad\u00edssimas com o trabalho apoiado na tecnologia. Nas palavras de Patr\u00edcia, sentindo-se \u201cpioneira, uma professora do futuro\u201d, e nas de Janete, que acha \u201cque um computador por sala realmente atende as crian\u00e7as, na sala de inform\u00e1tica voc\u00ea n\u00e3o atende. Na sala de aula, faz parte da vida delas\u201d.<\/p>\n<p>Lauri\u00ea, professora do CEI, em uma das supervis\u00f5es, mostrou, animada, a escrita de seus alunos \u2013 uma lista do que levariam para um passeio em Vila Izabel \u2013 e descreveu para as outras como efetuou as atividades. \u00c9 impressionante a mudan\u00e7a (cerca de dois meses atr\u00e1s eram, quase todos, pr\u00e9-sil\u00e1bicos) depois que come\u00e7aram realmente a escrever.<\/p>\n<p>Alguns exemplos:<\/p>\n<p>Gabriela Lopes: todinho:OIO, biscoito:IOO;<br \/>\nB\u00e1rbara: bis: IBX, guaran\u00e1:AARA, hamb\u00farguer: UUE.<br \/>\nLucas Silva escreveu seu nome usando a tecla do espa\u00e7o para separar o nome e o sobrenome.<\/p>\n<p>Na Friedenreich, numa das supervis\u00f5es, observamos que as crian\u00e7as estranharam novas modalidades de atividades e, que, \u00e0s vezes, o problema \u00e9 esse e n\u00e3o o conte\u00fado. \u00c9 necess\u00e1rio dar tempo para que pensem e falem, deixando claro o que se quer que elas fa\u00e7am. Falo da gest\u00e3o de classe, que \u00e9 fundamental para o funcionamento do computador, para conseguir dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as e ensinar novos procedimentos.<\/p>\n<p>Novos softwares, novas atividades, novas modalidades de trabalho e socializa\u00e7\u00e3o de procedimentos s\u00e3o os desafios: Ctrl z, delete, backspace, espa\u00e7o, enter, desfazer, precisam ser do dom\u00ednio do maior n\u00famero poss\u00edvel de crian\u00e7as. Mas isso exige tempo e planejamento espec\u00edficos do professor.<\/p>\n<p>Lemos e discutimos sobre os conceitos de letramento e alfabetiza\u00e7\u00e3o. E as professoras, ao final: \u201cAgora a gente come\u00e7a a entender melhor por que o trabalho com texto; a gente vai entendendo que n\u00e3o \u00e9 o escrever s\u00f3, mas o lidar na sociedade, como se portar nas diferentes situa\u00e7\u00f5es, quando as crian\u00e7as sabem o que \u00e9 para fazer, o escrever passa a ser uma conseq\u00fc\u00eancia\u201d, diz Lauri\u00ea.<\/p>\n<p>\u201cAgora vemos que as crian\u00e7as t\u00eam saberes diferentes entre elas, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o grupo, que isso n\u00e3o existe\u201d, interrompe Kelly.<\/p>\n<p>E Lauri\u00ea retoma: \u201cOntem fizemos uma atividade em que deveriam marcar os nomes, n\u00e3o havia s\u00f3 os nomes deles. Rafaela Dias me intrigou muito, sabe explicar tudo o que l\u00ea e escreve, de modo que eu fiquei t\u00e3o surpresa que nem tive mais o que perguntar\u201d.<\/p>\n<p>E mostra uma escrita de rotina e conta que, para escrever sono, primeiro Rafaela escreveu SOO; Lauri\u00ea perguntou se era com os dois Os juntos mesmo, ela respondeu que achava que n\u00e3o, pensou e escreveu SOAO. Eu a vi depois na sala e ela \u00e9 uma figurinha ador\u00e1vel, muito atenta a tudo o que acontece, funciona como uma esp\u00e9cie de segunda professora.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2020\" title=\"avisala_14_reflexoes9\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes9.jpg\" alt=\"\" width=\"208\" height=\"122\" \/>Nas primeiras supervis\u00f5es, com Janete e Patr\u00edcia, no Friedenreich, ao analisarmos as escritas das crian\u00e7as, ficou clara a necessidade de criar situa\u00e7\u00f5es em que fa\u00e7a sentido a escrita espont\u00e2nea.<\/p>\n<p>Avaliamos tamb\u00e9m qu\u00e3o pouco letradas s\u00e3o as crian\u00e7as ainda e nos demos conta da import\u00e2ncia de diversificar as leituras, de realiz\u00e1-las com freq\u00fc\u00eancia e em paralelo a atividades de escrita e produ\u00e7\u00e3o de texto.<\/p>\n<p>As professoras passaram a se arriscar mais, a realizar mais atividades organizadas em seq\u00fc\u00eancia e com maior intencionalidade. O resultado foi que, em poucas semanas, ao analisarmos as escritas dos alunos de Janete, perguntei se ela tinha dado conta do salto, e ela, meio orgulhosa, meio t\u00edmida, falou que estava muito feliz e que tinha trabalhado muito para isso. Falamos sobre ser leitor, compreender o significado, ler para aprender a ler, escrever para aprender a escrever, enfim, essas coisas que fazem muita diferen\u00e7a no modo como se encaminha a atividade.<\/p>\n<p>Em nosso \u00faltimo encontro, li o artigo \u201cA arte de produzir fome\u201d, de Rubem Alves. \u00c9 maravilhoso, sintoniza o professor com o que \u00e9 essencial na tarefa de ensinar: fazer com que seus alunos se interessem em aprender. Li tamb\u00e9m porque o tema do encontro fez parte do planejamento 2003, e essa foi a estrat\u00e9gia que encontrei de fazer, ao mesmo tempo, a nossa avalia\u00e7\u00e3o de 2002 \u2013 do que aprenderam, sabem fazer, etc., pondo em jogo esse conhecimento para resolver um problema \u2013 o pr\u00f3ximo planejamento, em uma situa\u00e7\u00e3o em que eu pudesse ajud\u00e1-las a \u201cusar o que sabem e aprender mais com a resolu\u00e7\u00e3o de um problema\u201d.<\/p>\n<p>Isso foi muito produtivo e uma forma efetiva de ajuda que pude dar a elas. Contaram dos jogos de mem\u00f3ria e domin\u00f3, que ficaram lindos, e mostraram quanta coisa as crian\u00e7as aprenderam sobre manejo do computador como ferramenta de trabalho e o quanto elas aprenderam sobre encaminhamento de atividades, onde se v\u00ea, junto com as marcas de transi\u00e7\u00e3o de uma concep\u00e7\u00e3o para outra, sua ousadia, apesar de todas as adversidades, da car\u00eancia de orienta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica no cotidiano.<\/p>\n<p>E em 2003, o que far\u00e3o? \u00c0 medida que pensavam, revelavam desejos, fui ajudando a dar corpo e coer\u00eancia ao que queriam, pensando projetos, atividades permanentes de l\u00edngua e de uso do computador, e o resultado foi que os jogos fizeram tanto sucesso que querem repetir e ampliar.<\/p>\n<div id=\"attachment_2022\" style=\"width: 613px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2022\" class=\"size-full wp-image-2022\" title=\"avisala_14_reflexoes4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes4.jpg\" alt=\"\" width=\"603\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes4.jpg 603w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes4-300x148.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 603px) 100vw, 603px\" \/><p id=\"caption-attachment-2022\" class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as da Casa do Aprender, Osasco\/SP, imprimindo um trabalho<\/p><\/div>\n<p>Haver\u00e1 mais tipos de jogos com outras possibilidades e outros objetivos sociais. Far\u00e3o jogos para a sala e para doar a outras escolas. Al\u00e9m disso, dar\u00e3o in\u00edcio \u00e0 Internet<\/p>\n<ol>\n<li>visitar museus, conhecer o mundo virtual pelo computador como material de apoio; e Internet<\/li>\n<li>cartas, correspond\u00eancia por e-mail como atividade permanente, cartas para pesquisar, elogiar, reclamar, para autoridades.<\/li>\n<\/ol>\n<p>E as atividades permanentes? Leitura pelo professor: hist\u00f3rias de bruxas, com tipologia de bruxas e fichas com personagens, listas, trabalho com nomes e produ\u00e7\u00e3o de texto oral com destino escrito.<\/p>\n<p>O fato de o trabalho ter intercalado a\u00e7\u00f5es com crian\u00e7as e professores possibilitou que avan\u00e7assem juntos. Quanto mais viam os conhecimentos das crian\u00e7as sobre escrita e leitura postos em a\u00e7\u00e3o nas atividades, mais as professoras compreendiam a proposta e se encantavam com ela, ganhando uma melhor condi\u00e7\u00e3o para realizar interven\u00e7\u00f5es e encaminhamentos das atividades com maior autonomia.<\/p>\n<p>Muito elas fizeram por conta pr\u00f3pria: projeto de colet\u00e2nea de poemas com introdu\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as; livro do folclore, indica\u00e7\u00f5es de leitura e outros. Ver a for\u00e7a e o impacto da presen\u00e7a do computador e dos softwares nas professoras e crian\u00e7as trouxe-me a percep\u00e7\u00e3o de um sentido para esse trabalho que eu n\u00e3o tinha alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p>A tecnologia trouxe para as professoras, para essas que eu vi, uma motiva\u00e7\u00e3o e um \u00e2nimo novo. O apelo para o nosso compromisso com a dupla alfabetiza\u00e7\u00e3o e o nosso \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0 exclus\u00e3o das crian\u00e7as de baixa renda do mundo letrado e da tecnologia trouxeram para a cena profissionais entusiasmadas com o of\u00edcio de ensinar e interessadas em aprender.<\/p>\n<p>(Maria Virg\u00ednia Gastaldi, Consultora em educa\u00e7\u00e3o e formadora do Instituto Avisa l\u00e1)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> Entrevista publicada na Revista Crian\u00e7a n.o 35 \u2013 Dezembro\/2001 &#8211; MEC.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> De autoria de Eva Furnari \u2013 editora Moderna. O livro, ricamente ilustrado, traz, a cada dupla de p\u00e1ginas, uma nova rima, sempre seguindo a mesma estrutura:\u201cn\u00e3o confunda \u2026 com \u2026\u201d<\/p>\n<p><sup>3<\/sup> Ferreiro, Em\u00edlia. A revolu\u00e7\u00e3o inform\u00e1tica e os processos de leitura e de escrita. In: Carvajal P\u00e9rez, Francisco; Ramos Garcia, Joaqu\u00edn. Ensinar ou Aprender a Ler e a Escrever? Porto Alegre, Artmed, 2001, p. 163.<\/p>\n<p><sup>4<\/sup> \u00c9 uma atividade de produ\u00e7\u00e3o de texto oral com destino escrito, no caso um bilhete, com posterior digita\u00e7\u00e3o e impress\u00e3o. O bilhete \u00e9 para os pais, sobre o funcionamento do empr\u00e9stimo de livros na classe e os cuidados que precisam tomar.<\/p>\n<div id=\"attachment_2023\" style=\"width: 364px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2023\" class=\"size-full wp-image-2023\" title=\"avisala_14_reflexoes7\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes71.jpg\" alt=\"\" width=\"354\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes71.jpg 354w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/avisala_14_reflexoes71-300x218.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><p id=\"caption-attachment-2023\" class=\"wp-caption-text\">P\u00e1gina do livro N\u00e3o Confunda, produzido por Thamiris da Escola Friedenreich<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempo de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e diante das pesquisas sobre<br \/>\na did\u00e1tica da alfabetiza\u00e7\u00e3o, faz-se necess\u00e1rio pensar novos contextos para se ensinar a ler e a escrever. Por Maria Virg\u00ednia Gastaldi<\/p>\n","protected":false},"author":69,"featured_media":3206,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,375],"tags":[1104,1325,228,234,21,175,531],"class_list":{"0":"post-2009","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-reflexoes-do-professor","8":"category-revista-avisala-14","9":"tag-revista-avisa-la-2003","10":"tag-alfabetizacao","11":"tag-aprendizado","12":"tag-computador","13":"tag-escrita","14":"tag-maria-virginia-gastaldi","15":"tag-tecnologia","17":"post-with-thumbnail","18":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/69"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2009"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2009\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}