{"id":1973,"date":"2003-04-14T15:14:58","date_gmt":"2003-04-14T18:14:58","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=1973"},"modified":"2023-03-27T17:02:31","modified_gmt":"2023-03-27T20:02:31","slug":"na-era-do-computador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/conhecendo-a-crianca\/na-era-do-computador\/","title":{"rendered":"Na era do computador"},"content":{"rendered":"<h5>Enquanto muitos adultos fogem do mouse e do teclado, as crian\u00e7as correm ao seu encontro. Veja o que elas pensam sobre o computador e como aproxim\u00e1-las dessas m\u00e1quinas no dia-a-dia da sala de aula<\/h5>\n<div id=\"attachment_1978\" style=\"width: 408px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1978\" class=\"size-full wp-image-1978\" title=\"avisala_14_conhecendo1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo1.jpg\" alt=\"\" width=\"398\" height=\"424\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo1.jpg 398w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo1-281x300.jpg 281w\" sizes=\"auto, (max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><p id=\"caption-attachment-1978\" class=\"wp-caption-text\">Desenho de Karina, 5 anos<\/p><\/div>\n<p>O computador talvez seja a presen\u00e7a mais constante entre as novas tecnologias no nosso cotidiano. Nas grandes cidades, as m\u00e1quinas est\u00e3o por todo lado: no banco, no correio, no supermercado e em muitas casas, ampliando possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o e alterando h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>Seria espantoso imaginar que o computador pudesse passar despercebido aos olhos das crian\u00e7as, sem ser objeto de sua aten\u00e7\u00e3o. As rela\u00e7\u00f5es entre os adultos e as m\u00e1quinas sempre exerceram fasc\u00ednio para os pequenos e n\u00e3o seria diferente com a chegada dos computadores: em suas brincadeiras, imitam os adultos, conversam sobre o que v\u00eaem, imaginam e se esfor\u00e7am para compreender o que se passa na tela de um monitor e no interior de uma CPU.<\/p>\n<p>Por esse motivo, a presen\u00e7a do computador na educa\u00e7\u00e3o infantil n\u00e3o espanta as crian\u00e7as, que aderem a ele com entusiasmo e afinco. E, se questionadas sobre o assunto, elas t\u00eam sempre muito o que falar.<!--more--><br \/>\n<strong><br \/>\nQuem j\u00e1 viu, sabe como \u00e9<\/strong><br \/>\nNo in\u00edcio, antes da chegada do computador nas salas, as conversas giravam em torno de sua origem e fun\u00e7\u00e3o. Todas as crian\u00e7as participantes do projeto demonstraram saber alguma coisa sobre ele, o suficiente para conversar sobre o assunto.<\/p>\n<p>Segundo levantamento delas, o computador poderia ser encontrado nos seguintes lugares:<\/p>\n<ul>\n<li>casa de uma ou outra crian\u00e7a da turma ou de parentes;<\/li>\n<li>trabalho da m\u00e3e ou do pai;<\/li>\n<li>locais de com\u00e9rcio, como casa lot\u00e9rica, locadora, supermercado, Casas Bahia e Casas Pernambucanas;<\/li>\n<li>locais de atendimento na cidade,como Hospital das C\u00ednicas, dentista, biblioteca e na secretaria da escola.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Inquiridas sobre para que servia o computador, responderam, de maneira geral acerca das:<\/p>\n<ul>\n<li>fun\u00e7\u00f5es ligadas aos diferentes locais de trabalho: verificar se tem rem\u00e9dio em estoque, marcar a sala do paciente, ver o pre\u00e7o, arrumar o dinheiro e o troco no supermercado e na lanchonete, ver se a fita est\u00e1 na locadora, marcar a raspadinha e os n\u00fameros da Super Sena na lot\u00e9rica;<\/li>\n<li>fun\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o: \u201cviajar\u201d na internet, \u201cver a Casa dos Artistas\u201d, \u201centrar no site www.bigbrotherbrasil.com.br\u201d, \u201cfalar\u201d com outras pessoas e mandar mensagens;<\/li>\n<li>fun\u00e7\u00f5es de entretenimento: jogar, ouvir m\u00fasica, escrever e ler<\/li>\n<\/ul>\n<p>Foi curioso notar que, apesar do interesse geral das crian\u00e7as, as informa\u00e7\u00f5es trazidas por elas eram gen\u00e9ricas, provenientes do senso comum. Marilza Guimar\u00e3es, professora da rede de Hortol\u00e2ndia, interior de S\u00e3o Paulo, explica o fato: O conhecimento do computador e seus usos est\u00e1 muito atrelado ao que \u00e9 veiculado na m\u00eddia.<\/p>\n<p>Muitas crian\u00e7as conhecem o computador apenas atrav\u00e9s da televis\u00e3o, mas pessoalmente nunca viram ou tocaram em um. Para elas \u00e9 algo que faz parte de outra realidade.<\/p>\n<p>Essa hip\u00f3tese se confirma na experi\u00eancia de Renata Frauendorf, formadora respons\u00e1vel pelas escolas de Hortol\u00e2ndia. Ela conta que, das tr\u00eas escolas em que trabalhou, encontrou apenas uma crian\u00e7a, Igor, 5 anos, que tinha um contato mais pr\u00f3ximo com o computador:<\/p>\n<p>\u2013 Tem computador na farm\u00e1cia que meu pai trabalha \u2013 conta Igor. \u2013 Ele usa para ver se tem rem\u00e9dio, ver o pre\u00e7o e marcar o pre\u00e7o\u2026 Minha m\u00e3e escreveu uma carta no computador.<\/p>\n<p>\u2013 E para quem era a carta? \u2013 perguntou a professora.<\/p>\n<p>\u2013 Era para minha prima, ela mora em S\u00e3o Paulo\u2026 Ah! Eu vi no S\u00cdTIO o Pedrinho escrevendo uma carta para a av\u00f3 no computador!<\/p>\n<p>\u2013 E como ela fazia para escrever, Igor, usava o l\u00e1pis?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o! \u2013 respondeu uma colega de Igor, que tamb\u00e9m assistia \u00e0quele programa<\/p>\n<p>\u2013 ele faz assim \u2013 imitando o gesto de digitar \u2013 Aperta o bot\u00e3o. Tem letra, tem n\u00famero tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9, tem at\u00e9 acento \u2013 disse novamente Igor, mostrando seus amplos conhecimentos sobre o teclado \u2013 Tem o M, o L, o A\u2026<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 o teclado, no teclado tem todas as letras, n\u00fameros, acentos, como voc\u00eas disseram \u2013 certificou a professora.<\/p>\n<p>\u2013 Depois, sai no papel \u2013 informou outra crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 na impressora, eu j\u00e1 vi uma, parece uma caixa, tem um buraco, o papel sai. Ela faz um barulho!<\/p>\n<p>Igor usava o computador, basicamente, para jogar, por isso sabia manejar a m\u00e1quina:<\/p>\n<p>\u2013 A\u00ed, voc\u00ea pega o mouse \u2026 Mouse \u00e9 uma coisinha que tem um fio ligado no computador. Em baixo tem uma bolinha que serve para mexer a flechinha na tela, continuou com muita precis\u00e3o, incorporando o novo vocabul\u00e1rio em seu discurso, com bastante desenvoltura.<\/p>\n<p>Rapidamente o assunto chegou na Internet: a maioria j\u00e1 tinha ouvido falar sobre a Internet, mas n\u00e3o sabia ao certo o que era e para que servia:<\/p>\n<p>\u2013 Eu s\u00f3 sei que meu tio entra no site da Eliana \u2013 comentou uma menina.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9, serve para viajar \u2013 completou Igor, querendo se referir, provavelmente, \u00e0 express\u00e3o navegar, como usualmente falamos.<\/p>\n<p><strong>O que encanta as crian\u00e7as<\/strong><br \/>\nDias depois, a m\u00e1quina chegou para \u00e0s salas. E todas as crian\u00e7as ficaram encantadas. O que ser\u00e1 que chama a aten\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as? Seria apenas uma novidade a mais? Esse tema j\u00e1 foi discutido por Patr\u00edcia Marks Greenfield, em seu livro O Desenvolvimento do Racioc\u00ednio na Era Eletr\u00f4nica.<\/p>\n<div id=\"attachment_1979\" style=\"width: 482px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1979\" class=\"size-full wp-image-1979\" title=\"avisala_14_conhecendo2\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo2.jpg\" alt=\"\" width=\"472\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo2.jpg 472w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo2-300x202.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 472px) 100vw, 472px\" \/><p id=\"caption-attachment-1979\" class=\"wp-caption-text\">Aten\u00e7\u00e3o total das crian\u00e7as da Creche Menino Jesus, Osasco\/SP<\/p><\/div>\n<p>Para ela, o que torna o computador t\u00e3o especial \u00e9 a jun\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de algumas qualidades: ele \u00e9 din\u00e2mico, interativo e program\u00e1vel: Em uma s\u00e9rie de entrevistas, feitas para um filme sobre computadores e crian\u00e7as, uma delas disse: \u00c9 igual a aprender e assistir \u00e0 televis\u00e3o ao mesmo tempo. Outras mencionaram diferen\u00e7as entre a televis\u00e3o e o computador que se assemelham bastante \u00e0s diferen\u00e7as entre a televis\u00e3o e os videogames (\u2026).<\/p>\n<p>Por exemplo, um menino afirmou: A TV faz o que ela quer. O computador faz o que a gente quer. Outro coment\u00e1rio infantil foi semelhante: \u00c9 legal porque voc\u00ea pode controlar o computador. A TV se controla sozinha.<\/p>\n<p>A televis\u00e3o foi acusada de diminuir a imagina\u00e7\u00e3o; um menino via os computadores como sendo diferente sob este aspecto: Com a TV a gente n\u00e3o tem que falar, nem imaginar nada na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Para Adriana Klisys, formadora respons\u00e1vel pelas duas creches de Osasco, S\u00e3o Paulo, \u00e9 a possibilidade de comunica\u00e7\u00e3o que mais encanta as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O interesse pelo computador \u00e9 parecido com a motiva\u00e7\u00e3o pelo telefone. Desde bem pequenas, quando mal falam, as crian\u00e7as j\u00e1 brincam de pegar o telefone e pronunciar a palavra rec\u00e9m-aprendida, \u00b4al\u00f4\u00b4. O computador, como o telefone, tamb\u00e9m serve para comunica\u00e7\u00e3o e seu uso pelo adulto, no dia a dia, na TV, nos filmes, nas novelas, nos desenhos animados, \u00e9 observado e imitado pelas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Sendo assim, \u00e9 papel do educador pensar como pode ser feita uma aproxima\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as aos computadores no dia-a-dia da sala de aula, que tipo de intera\u00e7\u00f5es se pode proporcionar, como ampliar o que j\u00e1 sabem, sem desrespeitar o modo pr\u00f3prio de a crian\u00e7a pensar.<\/p>\n<p><strong>Intera\u00e7\u00f5es investigativas<\/strong><br \/>\nDesde o primeiro dia quando o t\u00e9cnico foi instalar a m\u00e1quina o interesse das crian\u00e7as foi vis\u00edvel. Relatos da formadora Silvana Augusto contam que elas conversavam, faziam perguntas e davam explica\u00e7\u00f5es interessadas principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao funcionamento do computador, verdadeiro enigma para a crian\u00e7a pequena.<\/p>\n<p>Atentas a tudo o que o t\u00e9cnico fazia, elas imaginavam explica\u00e7\u00f5es para aquilo que parecia um fen\u00f4meno m\u00e1gico:<\/p>\n<p>\u2013 O joguinho \u00e9 do CD, eu vi o homem trazer \u2013 disse um menino, referindo-se ao t\u00e9cnico da IBM que instalou os programas.<\/p>\n<p>\u2013 E quando o CD vai embora \u2013 perguntou a professora \u2013 d\u00e1 para jogar?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o \u2013 disseram v\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u2013 Mas funciona mesmo assim, porque o nosso computador funciona \u2013 disse uma menina.<\/p>\n<p>\u2013 E por que ser\u00e1? \u2013 retornou a professora.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 que instala, tem que instalar, por isso funciona \u2013 disse um menino, repetindo o que ouviu das educadoras, mesmo sem entender muito bem.<\/p>\n<p>\u2013 Sabe porque continua funcionando mesmo quando CD vai embora? \u2013 quis saber a professora.<\/p>\n<p>\u2013 Eu sei, eu sei! \u2013 disse uma menina<\/p>\n<p>\u2013 t\u00e1 vendo aquele fiozinho? Ent\u00e3o, esse fiozinho que liga no CD leva o jogo para o computador, ele passa no fiozinho.<\/p>\n<p>\u2013 Fica na mem\u00f3ria do computador. \u2013 completou a colega.<\/p>\n<p>\u2013 Mem\u00f3ria? \u2013 perguntaram v\u00e1rios amigos do grupo.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9! \u2013 disse a professora \u2013 Sabia que computador tem mem\u00f3ria? Onde fica a mem\u00f3ria do computador?<\/p>\n<div id=\"attachment_1980\" style=\"width: 202px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1980\" class=\"size-full wp-image-1980\" title=\"avisala_14_conhecendo3\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo3.jpg\" alt=\"\" width=\"192\" height=\"156\" \/><p id=\"caption-attachment-1980\" class=\"wp-caption-text\">Para as crian\u00e7as o uso do computador \u00e9 motivo de prazer<\/p><\/div>\n<p>\u2013 Eu acho que \u00e9 ali atr\u00e1s \u2013 disse uma crian\u00e7a, apontando para a parte de tr\u00e1s do monitor, talvez estabelecendo uma semelhan\u00e7a com o c\u00e9rebro humano, ali seria a \u201ccabe\u00e7a do computador\u201d, onde est\u00e1 a mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, acho que \u00e9 aqui na frente \u2013 retrucou o outro.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o \u00e9 n\u00e3o, \u00e9 onde coloca o CD, nesse buraquinho, \u00e9 aqui que fica o joguinho. Eu vi o homem colocar \u2013 voltou a falar o primeiro da roda.<\/p>\n<p>\u2013 Por que isso<\/p>\n<p>chama cursor se \u00e9 uma flechinha? \u2013 disse Bruno, intrigado com a palavra desconhecida de seu vocabul\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nas creches de Osasco verificou-se o mesmo tipo de interesse. Lucas, por exemplo, espantado com o fen\u00f4meno da leitura de disquetes e CDs pelo computador, perguntou \u00e0 professora se podia colocar um livro bem pequeno ou um brinquedo na porta de entrada do drive, se isso permitiria ver a hist\u00f3ria ou o brinquedo, como acontecia quando coloc\u00e1vamos CDs.<\/p>\n<p>Lucas fez uma pergunta interessante que possibilitou a todo grupo saber que era poss\u00edvel, sim, conhecer hist\u00f3rias pelo computador, usando um tipo especial de \u201clivro eletr\u00f4nico\u201d, um CD-ROM.<\/p>\n<p>Um dia, Adriana levou uma CPU fora de uso, para que as crian\u00e7as pudessem abrir e ver o que tinha dentro. Elas observavam, descreviam e tentavam explicar:<\/p>\n<p>Dentro do computador tem uma m\u00e1quina, que faz ele funcionar.<\/p>\n<p>\u2013 Essa caixa \u00e9 o c\u00e9rebro do computador.<br \/>\n\u2013 Dentro do computador tem bateria.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o, bateria \u00e9 de carro!<br \/>\n\u2013 Mas tem bateria naquele que abre e fecha.<br \/>\n\u2013 Nossa tem fio colorido!<br \/>\n\u2013 Olha tem uma caixinha, para que serve?<br \/>\n\u2013 Por que tem que tomar cuidado com o monitor? O que tem dentro dele?<br \/>\n\u2013 Por que tem desenho na placa m\u00e3e? Parece um mapa.<br \/>\n\u2013 Como o desenho fica no monitor, ele fica guardado l\u00e1 dentro?<br \/>\n\u2013 Por que quando colocamos CDROM no computador ele faz barulho?<br \/>\n\u2013 Descobri que no teclado tem uma pe\u00e7a que a gente pode levantar o teclado e fica melhor para digitar!<br \/>\n\u2013 Mouse \u00e9 rato no dicion\u00e1rio de ingl\u00eas.<br \/>\n\u2013 Mexe no \u201cmouser\u201d, e a\u00ed a flecha anda.<\/p>\n<div id=\"attachment_1981\" style=\"width: 381px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1981\" class=\"size-full wp-image-1981\" title=\"avisala_14_conhecendo4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo4.jpg\" alt=\"\" width=\"371\" height=\"249\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo4.jpg 371w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo4-300x201.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 371px) 100vw, 371px\" \/><p id=\"caption-attachment-1981\" class=\"wp-caption-text\">Brincando de consertar o computador<\/p><\/div>\n<p>Para muitas das perguntas, nem mesmo as professoras tinham respostas, o que sugeriu a consulta a um especialista. Vin\u00edcius, o t\u00e9cnico convidado, ajudou as crian\u00e7as a abrir o mouse, explicou como funcionava. Elas ficaram testando o direcionamento das roldanas internas, movimentadas pela tal bolinha, e puderam perceber de onde vem o barulho que fazem ao clicar.<\/p>\n<p>Aprenderam que a fonte \u00e9 um equipamento importante para o n\u00e3o aquecimento do computador e que aquele ventilador que descobriram n\u00e3o estava ali \u00e0 toa. Chegaram at\u00e9 a observar a tela branca do computador com uma lupa, o que revelou milhares de pontinhos formados pelas cores magenta, azul e amarelo. Quanta coisa num dia s\u00f3!<\/p>\n<p>Mas todas as explica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, ainda assim, n\u00e3o foram suficientes para encerrar o assunto. Na Casa do Aprender, a pol\u00eamica a respeito da origem intrigou profundamente as crian\u00e7as:<\/p>\n<p>\u2013 Desde quando existe o computador?<br \/>\n\u2013 perguntou uma crian\u00e7a.<br \/>\n\u2013 Desde que eu nasci ! \u2013 respondeu a outra.<br \/>\n\u2013 Ent\u00e3o, qual \u00e9 sua idade? \u2013 perguntou a professora.<br \/>\n\u2013 Cinco anos \u2013 disse ela.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o, existe h\u00e1 seis, porque eu tenho seis anos \u2013 respondeu a mais velha.<\/p>\n<p>Enquanto isso, na outra sala, as crian\u00e7as conclu\u00edam que o computador data desde quando n\u00e3o existiam os homens, nas cavernas! \u00c9 claro que a certeza n\u00e3o durou muito tempo:<\/p>\n<p>\u2013 Mas ent\u00e3o, quem fez o computador se n\u00e3o tinha homem?<\/p>\n<p>O mist\u00e9rio ficou no ar, para motivar novas investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Intera\u00e7\u00f5es l\u00fadicas<\/strong><br \/>\nMontar e desmontar m\u00e1quinas e conversar com especialistas foram algumas das oportunidades que ampliaram os conhecimentos das crian\u00e7as. A iniciativa proposta pela professora logo foi incorporada pelas crian\u00e7as nas suas brincadeiras: as pe\u00e7as de computadores ficaram em um cantinho organizado na sala para quando as crian\u00e7as quisessem brincar, mexer, olhar e xeretar \u00e0 vontade. Havia at\u00e9 ferramentas de verdade como chaves de fenda de tamanhos variados.<\/p>\n<p>Com o tempo, a turma ganhou doa\u00e7\u00f5es de pe\u00e7as e assess\u00f3rios usados \u2013 impressora, mouse, teclado e scanner \u2013 que podiam ser usados na oficina. E o movimento nesse canto de brincar, n\u00e3o parava de crescer, tanto que foi preciso incluir no faz-de-conta um escrit\u00f3rio com secret\u00e1ria, telefone e agenda para organizar melhor a brincadeira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da oficina de computadores, todas as crian\u00e7as passaram a usar o computador tamb\u00e9m em outros temas de jogo simb\u00f3lico, experimentando os mais diversos usos, segundo as fun\u00e7\u00f5es que as crian\u00e7as reconheciam: ver pre\u00e7os no c\u00f3digo de barras no supermercado, puxar o cadastro de algu\u00e9m no escrit\u00f3rio e houve at\u00e9 quem sugerisse us\u00e1-lo como ultra-som para ver o beb\u00ea na brincadeira de casinha e m\u00e9dico.<\/p>\n<p><strong>Est\u00edmulo para a sociabilidade<\/strong><br \/>\nA intera\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as mediadas pelo uso de diferentes softwares, tamb\u00e9m foi bastante significativa. Elas tiveram acesso ao conjunto de softwares do Kidsmart e a v\u00e1rios outros, al\u00e9m de CD-ROM de jogos e passatempos emprestados ou adquiridos pelas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, pairou entre os educadores a desconfian\u00e7a de que o computador pudesse se apresentar como uma amea\u00e7a \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o, uma vez poderia estimular excessivamente a atividade individual e n\u00e3o a brincadeira e as rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>No entanto, ponderou-se que a interven\u00e7\u00e3o do professor seria decisiva para sanar o problema. De fato, a experi\u00eancia mostrou que, em diversos casos \u2013 tanto na resolu\u00e7\u00e3o de uma tarefa quanto em situa\u00e7\u00f5es de jogos e navega\u00e7\u00e3o dos CDs \u2013 as crian\u00e7as pediam ajuda umas \u00e0s outras para resolver um problema, trocar dicas e compartilhar seus fazeres.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as habituadas a partilhar, preferiam trabalhar mais juntas do que sozinhas. Al\u00e9m do papel fundamental do professor, tamb\u00e9m h\u00e1 que se considerar o tipo de programa que se oferece \u00e0s crian\u00e7as pois \u00e9 verdade que alguns pressup\u00f5em intera\u00e7\u00f5es mais produtivas.<\/p>\n<div id=\"attachment_1982\" style=\"width: 208px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1982\" class=\"size-full wp-image-1982\" title=\"avisala_14_conhecendo6\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo6.jpg\" alt=\"\" width=\"198\" height=\"145\" \/><p id=\"caption-attachment-1982\" class=\"wp-caption-text\">desenho de Guilherme<\/p><\/div>\n<p>Como diz Greenfield, no j\u00e1 citado livro, \u201cUma das formas pelas quais o computador pode, sob circunst\u00e2ncias corretas, promover a coopera\u00e7\u00e3o no trabalho intelectual \u00e9 atrav\u00e9s do processamento de palavras. A tela torna p\u00fablicos os processos individuais de pensamento, abertos \u00e0queles que a observarem. Transforma a escrita em um objeto f\u00edsico facilmente observ\u00e1vel, que pode ser manipulado de v\u00e1rias formas por outras pessoas. Desse modo, o computador torna a atividade particular de escrever em uma atividade potencialmente p\u00fablica e social\u201d<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Os textos produzidos de pr\u00f3prio punho pelas crian\u00e7as como os ditados ao professor, ganharam recursos de edi\u00e7\u00e3o in\u00e9ditos, que n\u00e3o seriam poss\u00edveis utilizando-se apenas l\u00e1pis e papel. E o sucesso do empreendimento era comemorado como conquista de um grupo todo (veja Reflex\u00f5es do Formador).<\/p>\n<p><strong>Jogo e o software educativo<\/strong><br \/>\nAs crian\u00e7as demonstraram gostar mais das propostas que se configuravam como jogo. Apreciaram e utilizaram, igualmente, softwares que possibilitavam escrever ou produzir imagens, quando essa atividade estava a servi\u00e7o de tarefas que tinham sentido para as crian\u00e7as, fruto de um combinado de grupo ou projeto de trabalho, como, por exemplo, produzir cart\u00f5es de anivers\u00e1rio, elaborar jogos de percurso etc.<\/p>\n<p>A prefer\u00eancia pelos jogos aos softwares educativos pode se explicar pela natureza pr\u00f3pria do pensamento infantil, essencialmente l\u00fadico. Quando o software apresenta propostas muito diretivas, fechadas ou pouco desafiantes a crian\u00e7as ou deixam de utiliz\u00e1-lo ou subvertem a l\u00f3gica originalmente pensada e recriam novas possibilidades.<\/p>\n<p>Por exemplo, em um dos softwares aparecia uma proposta muito simples: encontrar sapatos adequados para os personagens, um pequeno, um m\u00e9dio e um grande. Aos 5 ou 6 anos, as crian\u00e7as j\u00e1 encontraram na vida situa\u00e7\u00f5es mais relevantes para esse aprendizado, de modo que essa atividade n\u00e3o representava nenhum desafio real.<\/p>\n<p>Mesmo assim, n\u00e3o abandonaram o jogo: insistiam em errar de prop\u00f3sito, fazendo, por exemplo, o personagem grande cal\u00e7ar sapatos min\u00fasculos ou enterrando o pequeno em enormes botas de cano longo, apenas para se divertir com as caras e as vozes engra\u00e7adas apontando o erro.<\/p>\n<p>Em um dos grupos, houve at\u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o de rod\u00edzio entre os meninos para que todos pudessem errar, um de cada vez, contrariando, certamente, o idealizador do programa.<\/p>\n<p>O selo \u201ceducativo\u201d de um software n\u00e3o \u00e9 suficiente para se afirmar que as crian\u00e7as de fato aprendam algo. Greenfield, nos alerta sobre esse fato: Com o software de aprendizagem, o computador, embora atenda \u00e0 crian\u00e7a, est\u00e1 definitivamente no comando: o computador programa a crian\u00e7a (embora o grau em que isso ocorre varie de programa para programa).<\/p>\n<p>Portanto, se o prop\u00f3sito educativo \u00e9 desenvolver a autonomia das crian\u00e7as, softwares muito diretivos e pouco abertos devem ser evitados. Ainda que com o visual colorido e um aspecto l\u00fadico,alguns jogos n\u00e3o apresentam desafios, s\u00e3o muito simples, caracterizados pelo princ\u00edpio de est\u00edmulo e resposta.<\/p>\n<p>Os adultos se enganam ao achar que as crian\u00e7as aprendem com tais atividades. N\u00e3o \u00e9 bem assim, diz Greenfield: A principal limita\u00e7\u00e3o desses programas \u00e9 que s\u00e3o mais apropriados para praticar habilidades que j\u00e1 est\u00e3o presentes mais do que para ensinar algo novo. Em conseq\u00fc\u00eancia, tendem a funcionar melhor com alunos que j\u00e1 possuam as habilidades b\u00e1sicas em quest\u00e3o.<sup>2<\/sup> \u00c9 importante portanto escolher bem, pensar e planejar a melhor utiliza\u00e7\u00e3o dos jogos e softwares.<\/p>\n<p><strong>Interc\u00e2mbio entre linguagens<\/strong><br \/>\nEm poucos meses pode-se notar o quanto as crian\u00e7as ampliaram seus conhecimentos tanto sobre o computador \u2013 como funcionam, onde se encontram, para que servem, como os adultos se relacionam com ele etc. \u2013 quanto sobre o modo de oper\u00e1-lo para realizar seus projetos \u2013 escrever e desenhar um cart\u00e3o de anivers\u00e1rio, escrever uma poesia que se tem de mem\u00f3ria para sua cole\u00e7\u00e3o, imprimir elementos para confeccionar brinquedos e produzir c\u00f3pias da regra do jogo que foi constru\u00edda pelo grupo.<\/p>\n<p>Esse avan\u00e7o se deveu n\u00e3o s\u00f3 a simples presen\u00e7a do computador na sala, mas, sobretudo, \u00e0s oportunidades que os educadores criaram a partir do computador, permitindo e incentivando as crian\u00e7as a explorar e fazer uso do conhecimento que tinham de outras linguagens.<\/p>\n<p>A linguagem pl\u00e1stica, por exemplo, foi posta em jogo ao lidarem com a produ\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o de imagens no paint e outros programas similares, gerando adapta\u00e7\u00f5es curiosas, composi\u00e7\u00f5es de imagens nunca antes experimentadas.<\/p>\n<p>O pensamento cada vez mais organizado, buscando explicar claramente o \u201cporqu\u00ea das coisas\u201d, conviveu pacificamente com o modo sincr\u00e9tico de pensar, t\u00e3o caracter\u00edstico das crian\u00e7as, que associam imagens, lembran\u00e7as a fatos reais, criando interessantes met\u00e1foras, como a de Mateus:<\/p>\n<p>\u2013 Eu gosto do joguinho do Stanley<sup>3<\/sup> porque l\u00e1 d\u00e1 para salvar as hist\u00f3rias, a\u00ed a gente aprende que, quando vai escrever o nome, a gente escreve o nome e vai salvar, a\u00ed a gente grava no microfone. Sai a voz pelo microfone e fica dentro do computador. Passa a energia do fiozinho do microfone, a\u00ed vai para a CPU e o computador vai gravando. A energia do computador vai para placa m\u00e3e, depois passa para o fiozinho do microfone da\u00ed grava a voz. A energia\u2026 n\u00e3o tem um monte de fiozinho do mouse? A\u00ed, quando a energia vem de l\u00e1, j\u00e1 passa para o fio e grava, j\u00e1. A energia vai caminhando pelo fio do computador&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1983\" title=\"avisala_14_conhecendo5\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo5.jpg\" alt=\"\" width=\"419\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo5.jpg 419w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_14_conhecendo5-300x197.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 419px) 100vw, 419px\" \/>\u00c9 certo que sabemos muito pouco sobre as possibilidades tecnol\u00f3gicas e as novas linguagens que ser\u00e3o geradas no futuro. Mas os educadores n\u00e3o precisam temer este desconhecido; a escuta atenta ao que as crian\u00e7as dizem, pensam, sentem, imaginam e investigam, nos permite pensar formas interessantes de conduzir esse contato e fazer dessa oportunidade mais um motivo para seguir interrogando e aprendendo.<\/p>\n<p>(Silvana Augusto, Formadora do Instituto Avisa l\u00e1)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> P\u00e1gina 116<br \/>\n<sup>2<\/sup> P\u00e1gina 109<br \/>\n<sup>3<\/sup> CDROM Casa do Stanley, Edmark.<\/p>\n<h4>Para saber Mais<\/h4>\n<ul>\n<li>O desenvolvimento do racioc\u00ednio na era eletr\u00f4nica \u2013 os efeitos da TV, computadores e videogames. Patr\u00edcia Marks Greenfield. Summus Editorial. Tel.: (11) 3862-3530<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto muitos adultos fogem do mouse e do teclado, as crian\u00e7as correm ao seu encontro. Veja o que elas pensam sobre o computador e como aproxim\u00e1-las dessas m\u00e1quinas no dia-a-dia da sala de aula. Por Silvana Augusto<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":3206,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,375],"tags":[1104,234,523,526,524,165,53,525],"class_list":{"0":"post-1973","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-conhecendo-a-crianca","8":"category-revista-avisala-14","9":"tag-revista-avisa-la-2003","10":"tag-computador","11":"tag-educativos","12":"tag-ibm","13":"tag-internet","14":"tag-jogos","15":"tag-silvana-augusto","16":"tag-stanley","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1973"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1973\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}