{"id":1954,"date":"2003-01-10T12:10:05","date_gmt":"2003-01-10T14:10:05","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=1954"},"modified":"2023-03-27T16:58:31","modified_gmt":"2023-03-27T19:58:31","slug":"quantas-intencoes-cabem-em-um-projeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/reflexoes-do-professor\/quantas-intencoes-cabem-em-um-projeto\/","title":{"rendered":"Quantas inten\u00e7\u00f5es cabem em um projeto"},"content":{"rendered":"<h5>Uma mesma id\u00e9ia pode gerar projetos did\u00e1ticos com diferentes focos e aprendizagens. Confira como e por qu\u00ea.<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1955\" title=\"avisala_13_album15\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album15.jpg\" alt=\"\" width=\"383\" height=\"125\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album15.jpg 383w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album15-300x97.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/><br \/>\nA pr\u00e1tica de projetos na escola \u00e9 objeto de muitas discuss\u00f5es entre educadores, nos dias de hoje. Mas \u00e9 preciso reconhecer a id\u00e9ia n\u00e3o \u00e9 nova. Foi Dewey, em 1896, quem primeiro p\u00f4s \u00e0 prova os projetos, na escola experimental de Chicago. De l\u00e1 em diante, muitos outros educadores v\u00eam pesquisando, ampliando esta pr\u00e1tica e defendendo-a por diferentes motivos, alimentando o debate sobre o assunto (veja texto abaixo, no fim da mat\u00e9ria).<br \/>\n<!--more--><br \/>\nUma das discuss\u00f5es que se faz hoje em dia diz respeito \u00e0 abrang\u00eancia do projeto. Em nome da integra\u00e7\u00e3o de conhecimentos muitas pr\u00e1ticas foram pensadas sob o nome de projeto. Nos planejamentos, propunha-se \u00e0s crian\u00e7as de tudo um pouco, pretendendo tratar de uma s\u00f3 vez l\u00edngua portuguesa, matem\u00e1tica, ci\u00eancias e artes. Mas o que se realizava, de fato, era uma diversidade de atividades, muitas vezes sem continuidade, geradas pelo mesmo tema e n\u00e3o necessariamente articuladas entre si.<\/p>\n<p>Em trabalhos como esse, cujo foco \u00e9 o tratamento de um tema e n\u00e3o a aprendizagem das pr\u00e1ticas sociais do conhecimento nas suas diferentes linguagens, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil verificar o que as crian\u00e7as de fato aprenderam: como passaram a fazer uso da matem\u00e1tica ou da l\u00edngua portuguesa depois do projeto? Que compet\u00eancias na produ\u00e7\u00e3o de desenhos foram desenvolvidas? O que se aprendeu sobre a linguagem musical, que n\u00e3o se sabia antes? E, ainda, que maneiras de trabalhar coletivamente foram apropriadas? O fato de uma \u00e1rea ter sido contemplada em uma atividade \u00e9 suficiente para dizermos que houve aprendizagem?<\/p>\n<p>Parecia inadequado trabalhar tamanha abrang\u00eancia em um s\u00f3 projeto, descontextualizando os conhecimentos de suas reais pr\u00e1ticas sociais. Pois tais empreendimentos, apesar de exigirem muito empenho dos professores e das escolas, n\u00e3o promoviam as aprendizagens a que as crian\u00e7as teriam direito como usu\u00e1rias da l\u00edngua portuguesa, da matem\u00e1tica, das artes etc.<\/p>\n<p>Essa reflex\u00e3o levou muitos educadores a um outro extremo, o de trabalhar com um s\u00f3 campo de saber, visando o aprofundamento de conhecimentos espec\u00edficos em uma seq\u00fc\u00eancia de atividades e garantindo o tempo necess\u00e1rio para as aprendizagens.<\/p>\n<p>Sabemos, no entanto, que muitos dos desafios que encontramos na vida s\u00e3o complexos e exigem grande articula\u00e7\u00e3o de saberes, nem sempre de um s\u00f3 campo. Sobre isso nos adverte Zabala<sup>1<\/sup>:<\/p>\n<p>\u201c&#8230; o meio social do qual fazemos parte \u00e9 sempre mais complexo que os enunciados definidos pelas disciplinas ou cadeiras. Por isso, \u00e9 imprescind\u00edvel n\u00e3o cair no erro simplista de acreditar que o conhecimento isolado de t\u00e9cnicas e saberes \u00e9 suficiente para dar resposta aos problemas da futura vida social e profissional. Se n\u00e3o se realiza o dif\u00edcil exerc\u00edcio de integrar e relacionar esses saberes, ser\u00e1 imposs\u00edvel que os conhecimentos convertam-se em instrumentos para a compreens\u00e3o e a atua\u00e7\u00e3o na sociedade.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1956\" title=\"avisala_13_album12\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album12.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"108\" \/>Diante disso, ficamos com a pergunta: quando faz sentido integrar e articular conhecimentos?<\/p>\n<p><strong>Integra\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o de saberes<\/strong><br \/>\nPara responder a essa quest\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio pensar em alguns dos princ\u00edpios do trabalho pedag\u00f3gico: reconhecemos hoje que aprendizagens significativas s\u00e3o quase sempre fruto dos esfor\u00e7os das crian\u00e7as rumo \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de algum problema que lhes tenha sido proposto.<\/p>\n<p>Da mesma forma, podemos afirmar que os conhecimentos de diferentes \u00e1reas devem aparecer no bojo de um projeto na medida em que eles se tornam necess\u00e1rios e ajudam as crian\u00e7as na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas colocados pelo projeto que elas compartilham.<\/p>\n<p>Um bom exemplo \u00e9 a cole\u00e7\u00e3o e\/ou a produ\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum de figurinhas: as crian\u00e7as s\u00e3o movidas a participar n\u00e3o s\u00f3 porque colecionar \u00e9 uma pr\u00e1tica leg\u00edtima da inf\u00e2ncia, em diversas culturas, mas tamb\u00e9m porque s\u00e3o desafiadas a resolver alguns problemas: produzir um \u00e1lbum e colecionar figurinhas quando n\u00e3o se sabe ler ou contar convencionalmente, n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Esta pr\u00e1tica d\u00e1 contexto, uso e sentido para alguns saberes espec\u00edficos, como vemos no exemplo da escola Nossa Senhora do Morumbi-Mopyat\u00e1 na p\u00e1gina seguinte:<\/p>\n<p><strong>O \u00c1lbum de figurinhas<\/strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-1957\" title=\"avisala_13_album1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album1.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album1.jpg 220w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album1-208x300.jpg 208w\" sizes=\"auto, (max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/><br \/>\nO desejo de possuir seu \u00e1lbum e colecionar figurinhas feitas pelo pr\u00f3prio grupo oferece sentido ao trabalho pessoal e coletivo: pensar sobre as tarefas propostas, encontrar caminhos mais interessantes, sugerir e discutir id\u00e9ias, argumentar e fazer escolhas, reconhecer-se competente e reconhecer as diferentes compet\u00eancias dos colegas.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum obriga a enfrentar problemas interessantes e contextualiza as pr\u00e1ticas de leitura, conhecimentos de matem\u00e1tica, produ\u00e7\u00e3o de desenho e informa\u00e7\u00f5es sobre os animais.<\/p>\n<ul>\n<li>Esse projeto exige a escolha de um tema, a pesquisa de determinados assuntos para que se possa escrever os textos que d\u00e3o suporte \u00e0s figurinhas. Isso demanda, das crian\u00e7as, procedimentos de leitura de textos informativos, por exemplo, para conhecer mais sobre a vida animal. Obter informa\u00e7\u00f5es sobre os animais n\u00e3o configura um trabalho aprofundado no campo das Ci\u00eancias, mas aproxima as crian\u00e7as e as instiga a saber mais sobre a natureza.<\/li>\n<li>Desenhar figurinhas para reproduzi-las mais tarde d\u00e1 significado a determinadas pr\u00e1ticas de desenho: a observa\u00e7\u00e3o para retratar os bichos, tal como s\u00e3o na natureza, com a maior fidelidade poss\u00edvel e o conhecimento de materiais e dom\u00ednio de t\u00e9cnicas, que d\u00e3o precis\u00e3o aos detalhes dos desenhos, s\u00e3o importantes para o cumprimento dessa tarefa.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Tamb\u00e9m d\u00e1 sentido \u00e0s pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o de texto coletivo e de revis\u00e3o. Para tanto, as crian\u00e7as aprender\u00e3o a selecionar conte\u00fados, organizar as informa\u00e7\u00f5es mais importantes, articular um texto \u2013 ditando-o coletivamente ao professor ou escrevendo-o de pr\u00f3prio punho \u2013, ler e modific\u00e1-lo no que for preciso para que possa ser publicado.<\/li>\n<li>Colecionar figurinhas, colocando-as em ordem num \u00e1lbum, apresenta in\u00fameros problemas reais, tornando os atos de ler e fazer contas atividades plenas de significa\u00e7\u00e3o. Possibilita \u00e0s crian\u00e7as conhecer mais um portador de n\u00fameros e textos e us\u00e1-lo com autonomia, com pouco ou mesmo sem controle do adulto.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-1959\" title=\"avisala_13_album5\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album5.jpg\" alt=\"\" width=\"309\" height=\"139\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album5.jpg 309w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album5-300x134.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 309px) 100vw, 309px\" \/><\/li>\n<li>Tamb\u00e9m d\u00e1 sentido a algumas das pr\u00e1ticas sociais da matem\u00e1tica, pois exige utilizar procedimentos como contar figurinhas, separar as in\u00e9ditas, trocar as repetidas e, dessa forma, aumentar a cole\u00e7\u00e3o. Por fim, \u00e9 preciso utilizar outros procedimentos matem\u00e1ticos, como ler os n\u00fameros e marc\u00e1-los no quadro de controle.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Como o professor participa do projeto<\/strong><br \/>\nO projeto pode sugerir todas essas aprendizagens, articuladas e contextualizadas, lembrando que os processos de aprendizagem s\u00e3o sempre internos aos sujeitos, por isso n\u00e3o plenamente control\u00e1veis.<\/p>\n<p>Mesmo assim, cabe ao professor, adulto mais experiente e respons\u00e1vel pelo ensino, criar intencionalmente situa\u00e7\u00f5es que tornem as aprendizagens poss\u00edveis. \u00c9 o professor quem deve tomar decis\u00f5es de car\u00e1ter did\u00e1tico: a combina\u00e7\u00e3o de prop\u00f3sitos did\u00e1ticos e sociais e a defini\u00e7\u00e3o de um conte\u00fado de ensino e aprendizagem predominante ou articulador s\u00e3o escolhas que diferenciam os projetos entre si, mesmo quando a id\u00e9ia do produto final \u00e9 a mesma.<\/p>\n<p>A seguir, vamos conhecer projetos de seis professoras que compartilharam a cole\u00e7\u00e3o e\/ou produ\u00e7\u00e3o de figurinhas com turmas de 4 a 6 anos. Veremos como, em cada caso, a depender da intencionalidade da professora, o trabalho ganha caracter\u00edsticas bastante particulares e resulta em aprendizagens diferentes.<\/p>\n<p><strong>Uma \u00eanfase na linguagem escrita<\/strong><br \/>\nNo Recanto Infantil da Creche Parque Figueira Grande, em S\u00e3o Paulo, a educadora de apoio K\u00e1tia Trovatto prop\u00f4s a produ\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum de figurinhas de animais, com o apoio de Fabiana Carvalho da Silva, professora da sala. No entanto, o \u00e1lbum ficou com um n\u00famero muito restrito de figurinhas, o que n\u00e3o permitiu estabelecer muitas rela\u00e7\u00f5es que desvendassem conhecimentos sobre o sistema num\u00e9rico, de modo que as crian\u00e7as se detiveram mais na contagem e leitura de n\u00fameros.<\/p>\n<p>Para essa turma, mais significativo foi reconhecer o \u00e1lbum como um portador de texto, por isso K\u00e1tia deu \u00eanfase \u00e0s pr\u00e1ticas de leitura de textos informativos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-1963\" title=\"avisala_13_album6\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album61.jpg\" alt=\"\" width=\"202\" height=\"138\" \/>Tudo come\u00e7ou em uma roda com as crian\u00e7as: \u201cPuxei uma conversa sobre \u00e1lbum de figurinhas e muitas disseram que fazem cole\u00e7\u00e3o de P\u00f3kemons e Digimons. N\u00e3o sei se colecionam ou se t\u00eam vontade, mas, enfim, sabiam exatamente do que se tratava.<\/p>\n<p>Mostrei alguns \u00e1lbuns, deixei que os vissem e em seguida falei da minha id\u00e9ia de produzirmos um \u00e1lbum com figurinhas para serem colecionadas e que esse \u00e1lbum poderia ser sobre animais.<\/p>\n<p>Como todos gostaram da id\u00e9ia, fizemos o levantamento dos animais conhecidos e preferidos das crian\u00e7as do grupo, conversamos sobre algumas caracter\u00edsticas desses animais \u2013 caracter\u00edsticas essas que os tornavam os preferidos \u2013, e escrevemos um cartaz com a lista dos nomes de todos esses bichos para n\u00e3o esquecermos de pesquis\u00e1-los nos pr\u00f3ximos dias.\u201d<\/p>\n<p>Diante da aprova\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, ela prop\u00f4s diferentes atividades que favoreceram a aprendizagem de:<\/p>\n<ul>\n<li>caracter\u00edsticas do texto informativo;<\/li>\n<li>interpreta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es;<\/li>\n<li>procedimentos e estrat\u00e9gias de leitura (uso de \u00edndices, antecipa\u00e7\u00e3o da leitura por meio da interpreta\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o de imagens, leitura de nomes de uma lista);<\/li>\n<li>produ\u00e7\u00e3o de texto coletivo (passagem da linguagem oral para a escrita);<\/li>\n<li>revis\u00e3o coletiva do texto.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Conte\u00fados envolvidos nas pr\u00e1ticas de leitura e escrita<\/strong><br \/>\nK\u00e1tia levou, num primeiro momento, diversos livros sobre animais e os apresentou \u00e0s crian\u00e7as. Em seguida pediu que pensassem em uma forma de procurar informa\u00e7\u00f5es sobre determinado animal:<br \/>\n\u2013 Em um livro que tem tantas p\u00e1ginas, tantas coisas, como podemos saber, por exemplo, onde est\u00e1 o texto sobre a girafa? &#8211; pergunta ela.<br \/>\n\u2013 Olha aqui \u2013 diz uma crian\u00e7a apontando a capa.<br \/>\n\u2013 Vai achando, achando, achando e achou \u2013 diz a outra fazendo gesto de quem folheia.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as demonstraram n\u00e3o conhecer o \u00edndice, tampouco sabiam para que servia, por isso a professora o apresentou e mostrou como utiliz\u00e1-lo. Dividiu, ent\u00e3o, a sala em pequenos grupos, cada um encarregado de determinado animal e pediu \u00e0s crian\u00e7as que pesquisassem sobre o assunto e depois comunicassem ao restante da sala.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o eram leitoras convencionais, apoiaram-se nos ind\u00edcios gr\u00e1ficos do texto, procuraram antecipar as informa\u00e7\u00f5es a partir das imagens que viam e discutiram sobre o assunto, tentando dar sentido ao texto. Enquanto isso, a professora ia passando em cada grupo, oferecendo-se como leitora para que, dessa forma, as crian\u00e7as pudessem confirmar ou n\u00e3o o que pensaram sobre o texto.<\/p>\n<p>Ao fazer is<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1960\" title=\"avisala_13_album11\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album11.jpg\" alt=\"\" width=\"139\" height=\"120\" \/>so, ela nomeou t\u00edtulos, links e legendas e leu ora o que as crian\u00e7as apontavam, ora o que ela considerava importante para confirmar ou confrontar a leitura.<\/p>\n<p>Para fechar a atividade, pediu, em roda, que cada grupo compartilhasse sua pesquisa. Por fim, ajudou as crian\u00e7as a organizar as informa\u00e7\u00f5es e se ofereceu para registrar por escrito o texto ditado por elas, dando visibilidade \u00e0 passagem do texto oral para o escrito.<\/p>\n<p><strong>Reflex\u00e3o sobre o sistema de escrita<\/strong><br \/>\nTodo esse percurso, retomado em diferentes momentos do projeto, aproximou as crian\u00e7as de pr\u00e1ticas de leitura e escrita que nunca tinham experimentado anteriormente.<\/p>\n<p>As oportunidades criadas pela professora ajudaram as crian\u00e7as a avan\u00e7ar nos conhecimentos sobre a linguagem que se escreve. Mas sua a\u00e7\u00e3o n\u00e3o se encerrou a\u00ed. Em outros momentos do projeto ela planejou situa\u00e7\u00f5es de leitura com o objetivo de ajud\u00e1-las a pensar sobre o sistema de escrita propriamente dito.<\/p>\n<p>Em uma dessas ocasi\u00f5es espalhou pela roda tarjetas com nomes de bichos que deveriam servir como t\u00edtulos dos textos que as crian\u00e7as haviam escrito anteriormente. Pediu ajuda a elas para colar nos lugares certos:<\/p>\n<p>\u2013 Aqui est\u00e3o os nomes de todos os bichos que n\u00f3s j\u00e1 pesquisamos e escrevemos. Agora precisamos colocar os t\u00edtulos para que a gente possa saber do que o texto est\u00e1 falando, para ser f\u00e1cil de encontrar. Quem me ajuda? Vamos come\u00e7ar pelo jacar\u00e9: onde est\u00e1 o t\u00edtulo dele? Onde est\u00e1 escrito jacar\u00e9?<\/p>\n<p>As crian\u00e7as pensaram, arriscaram algumas respostas, mas logo uma delas respondeu:<\/p>\n<p>\u2013 Aqui, aqui!<br \/>\n\u2013 \u00c9 mesmo \u2013 diz a outra \u2013 \u00e9 aqui!<br \/>\n\u2013 E como voc\u00ea sabe que \u00e9 este? \u2013 perguntou a professora.<br \/>\n\u2013 \u00c9 porque tem esse da Ja\u00edne! \u2013 disse, apontando o J.<br \/>\n\u2013 Le\u00e3o! Le\u00e3o! Cobra \u2013 disse v\u00e1rias vezes uma crian\u00e7a ao tentar ler Le\u00e3o, referindo-se ao acento.<\/p>\n<p>O grupo continuou a tentativa de ler, ajudado pela professora, que confrontava opini\u00f5es, perguntava, pedia justificativas, trazendo elementos para pensar sobre o como se escreve.<\/p>\n<p>Essa oportunidade de pensar sobre o sistema de escrita tamb\u00e9m esteve presente no trabalho das professoras Valdira, V\u00e2nia e Neuza, da EMEI Luis Giorgetti, em S\u00e3o Caetano do Sul. Elas introduziram, para tanto, uma inova\u00e7\u00e3o: os textos do \u00e1lbum de brincadeiras n\u00e3o eram resultado de uma produ\u00e7\u00e3o coletiva, e sim a escrita de textos que as crian\u00e7as tinham de mem\u00f3ria: parlendas e brincadeiras cantadas.<\/p>\n<p>Dessa forma, desincumbidas da tarefa de elaborar textos, as crian\u00e7as podiam pensar com mais aten\u00e7\u00e3o sobre o modo como se escreve, que \u00e9 um grande mist\u00e9rio para quem est\u00e1 em processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Uma \u00eanfase nos conte\u00fados da matem\u00e1tica<\/strong><br \/>\nA professora Denise Tonello, em uma turma de crian\u00e7as de 5 anos, na escola Nossa Senhora do Morumbi &#8211; Mopyat\u00e3, em S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m precisou tratar do \u00e1lbum como portador de texto em seu projeto, como conta: \u201cHavia crian\u00e7as que confundiam os n\u00fameros com as letras.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1964\" title=\"avisala_13_album4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album4.jpg\" alt=\"\" width=\"369\" height=\"251\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album4.jpg 369w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album4-300x204.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 369px) 100vw, 369px\" \/><\/p>\n<p>Outras nem mesmo sabiam que havia lugares certos para colar as figurinhas conforme sua numera\u00e7\u00e3o. Pensavam que podia ser em qualquer lugar. Gabriel perguntou \u2018mas por que tem que ser no igual?\u2019 Com essa pergunta, Gabriel nos fez perceber que esquecemos de olhar para o \u00e1lbum como um portador de texto narrativo, que, no caso, contava a hist\u00f3ria do filme Vida de Inseto.<\/p>\n<p>Retomei com o grupo e passei a ler um trecho da hist\u00f3ria a cada dia, sempre que terminava de colar as figurinhas.\u201d Nesse projeto a leitura recebeu um tratamento bastante localizado, mas o principal foco did\u00e1tico foi, de fato, os conte\u00fados da matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Denise iniciou o projeto incentivando<sup>2<\/sup> a cole\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum Vida de Inseto, que na \u00e9poca era vendido nas bancas de jornal e fazia sucesso entre as crian\u00e7as, e muitas j\u00e1 colecionavam em casa. Ao trazer para a escola e socializar essa pr\u00e1tica, Denise p\u00f4de observar o que as crian\u00e7as sabiam. Ela conta como elas resolviam problemas colocados pelo desafio de controlar quantidades em uma cole\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio do projeto:<\/p>\n<p>\u201cDei o quadro de 1 at\u00e9 120, como s\u00e3o apresentados convencionalmente nos \u00e1lbuns, para que as crian\u00e7as marcassem os n\u00fameros das figurinhas que haviam adquirido. Notei que, ao procurarem o n\u00famero, iam em busca do que tivesse igual grafia, acompanhando com o dedo. Como tinham que olhar um por um, acabavam se cansando, se dispersando e com isso,muitas vezes, passavam sem perceber pelo n\u00famero procurado. Ou contavam de um em um no caso dos n\u00fameros menores que 20.<\/p>\n<p>Notei tamb\u00e9m outras dificuldades: as crian\u00e7as confundiam grafia de n\u00fameros como 9 e 6, 1 e 7 e invertiam n\u00fameros como 48 e 84, 36 e 63 etc. Muitas olhavam os n\u00fameros nas figurinhas e procuravam as p\u00e1ginas que come\u00e7avam com tal n\u00famero. S\u00f3 que olhavam o \u00faltimo algarismo e n\u00e3o o primeiro. Mariana, por exemplo, tirou o 48 e procurou na p\u00e1gina que come\u00e7ava com 8, colando-a no 84. O 36 virou 63. Pedi a ela que comparasse o n\u00famero 48 com 84. Ela olhou e disse:<\/p>\n<p>\u2013 Nesse \u00e9 o 4 que est\u00e1 na frente. U\u00e9, mas d\u00e1 diferen\u00e7a? Xi vou ter que trocar tudo, colei todas errado! Eu achei que era a mesma coisa.\u201d<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es da professora mostraram que as crian\u00e7as pouco sabiam sobre os n\u00fameros e sua organiza\u00e7\u00e3o. Isso, no entanto, n\u00e3o foi empecilho para o projeto, pelo contr\u00e1rio, permitiu a elas aprenderem muito sobre algunsconte\u00fados da matem\u00e1tica:<\/p>\n<ul>\n<li>contar quantidades;<\/li>\n<li>somar mais um;<\/li>\n<li>localizar n\u00fameros em uma s\u00e9rie apoiando-se no conhecimento sobre as regularidades do sistema num\u00e9rico;<\/li>\n<li>ler e interpretar n\u00fameros at\u00e9 tr\u00eas algarismos.<\/li>\n<li>Como encontrar um n\u00famero em uma s\u00e9rie<\/li>\n<\/ul>\n<p>O \u00e1lbum de figurinhas colecionado por essa turma tinha mais de 100 figurinhas, o que causou muitos problemas \u00e0s crian\u00e7as que n\u00e3o sabiam ler os n\u00fameros convencionalmente. Para que essa tarefa n\u00e3o fosse exaustiva, mas sim r\u00e1pida e eficiente, as crian\u00e7as precisaram aprender mais sobre o pr\u00f3prio sistema num\u00e9rico, apoiando-se em suas regularidades na busca de pistas para encontrar os n\u00fameros na s\u00e9rie num\u00e9rica.<\/p>\n<p>A professora conta, nas p\u00e1ginas de seu di\u00e1rio, como as crian\u00e7as desenvolveram estrat\u00e9gias e socializaram os conhecimentos entre o grupo: \u201cGiovanna tirou uma figurinha repetida e junto com sua amiga Mariana andou pela sala, perguntando\u201d:<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea j\u00e1 tem essa?<\/p>\n<p>Gabriela, desconfiada de que n\u00e3o tinha, folheou o \u00e1lbum, procurando um por um. Felipe, que estava por perto, deu a dica:<br \/>\n\u2013 Procura aqui, olha no quadro de n\u00fameros que fica mais f\u00e1cil&#8230; ali j\u00e1 t\u00e1 tudo marcado!<\/p>\n<p>Dudi procurou o 110 e disse:<br \/>\n\u2013 N\u00e3o achei!<\/p>\n<p>Regina, a coordenadora pedag\u00f3gica da escola que acompanhava o grupo naquela atividade, perguntou a ela qual era o \u00faltimo algarismo que compunha aquele n\u00famero. Como n\u00e3o sabia, Regina informou que se tratava do zero.Novamente perguntou a ela, na tentativa de ajud\u00e1-la:<\/p>\n<p>\u2013 Tem, nessa tabela, uma coluna em que todos os n\u00fameros terminam com zero?<\/p>\n<p>Dudi apontou para uma outra coluna e Regina aproveitou para perguntar:<\/p>\n<p>\u2013 Por que, ent\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 procurando o n\u00famero em uma outra linha?<\/p>\n<p>Dudi passou a olhar a coluna e rapidamente encontrou o n\u00famero que estava procurando.<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea viu \u2013 disse Regina \u2013 os n\u00fameros que terminam com zero estavam todos aqui. Quero ver se voc\u00ea vai usar essa dica para encontrar o 24.<\/p>\n<p>Dudi olhou para a coluna que terminava com 4 e, com um largo sorriso, disse:<br \/>\n\u2013 Aqui! J\u00e1 encontrei.<\/p>\n<p>Em outro momento, lembrando-se do que havia descoberto ao colar as figurinhas, Dudi contou aos colegas, ensinando a todos o que j\u00e1 sabia:<\/p>\n<p>\u2013 Ah! \u00c9 s\u00f3 ver que n\u00fameros v\u00eam no fim e a\u00ed todos daqui s\u00e3o iguais \u2013 diz apontando para a coluna \u2013 \u00c9 f\u00e1cil!<br \/>\n\u2013 Foi bom isso que a Dudi me ensinou&#8230;<br \/>\n\u2013 concordou Mariana que utilizou a estrat\u00e9gia da amiga.<\/p>\n<p>Gabriela ensinou um outro jeito:<br \/>\n\u2013 Tem que olhar o n\u00famero que vem na frente e procurar a linha que tem n\u00fameros que come\u00e7am iguais.<\/p>\n<p>Mariana, aproveitando o momento, tamb\u00e9m quis contar sua \u201cdica\u201d:<br \/>\n\u2013 Os n\u00fameros que t\u00eam tr\u00eas n\u00fameros tem que procurar direto l\u00e1 embaixo, no fim.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1965\" title=\"avisala_13_album10\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album10.jpg\" alt=\"\" width=\"301\" height=\"106\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album10.jpg 301w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album10-300x105.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 301px) 100vw, 301px\" \/><\/p>\n<p><strong>Aprendizagens asseguradas no projeto<\/strong><br \/>\nA contextualiza\u00e7\u00e3o da matem\u00e1tica de forma real, ressaltando suas fun\u00e7\u00f5es e significados sociais, favoreceu o trabalho das crian\u00e7as, que, nessa hora, n\u00e3o brincaram! Em pouco tempo foi poss\u00edvel observar avan\u00e7os significativos, como conta Denise, antes mesmo do t\u00e9rmino do projeto:<\/p>\n<p>\u201cAvaliando as estrat\u00e9gias usadas pelas crian\u00e7as, pude perceber que: para procurar os n\u00fameros no quadro de controle, na \u00faltima p\u00e1gina, todas as crian\u00e7as, com exce\u00e7\u00e3o de uma, j\u00e1 utilizavam estrat\u00e9gias mais econ\u00f4micas, como procurar nas dezenas certas.<\/p>\n<p>Para colar a figurinha no \u00e1lbum, as crian\u00e7as j\u00e1 procuravam a p\u00e1gina \u201ccom que o n\u00famero come\u00e7a\u201d, como elas mesmas disseram. Ainda n\u00e3o tinha conclu\u00eddo o projeto, mas j\u00e1 podia perceber: a discuss\u00e3o sobre as regularidades do sistema num\u00e9rico deu \u00e0s crian\u00e7as a possibilidade de usar estrat\u00e9gias mais econ\u00f4micas para marcar no quadro e colar as figurinhas no \u00e1lbum.<\/p>\n<p>Mas, sobretudo, permitiu, atrav\u00e9s das minhas interven\u00e7\u00f5es e as dos colegas mais experientes, reflex\u00f5es compartilhadas sobre algumas caracter\u00edsticas como ordem, seq\u00fc\u00eancia e escrita num\u00e9ricas, numera\u00e7\u00e3o falada, termina\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros, contagem de 10 em 10 etc., que ampliam em muito o conhecimento das crian\u00e7as sobre o nosso sistema de numera\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\n<strong><br \/>\nO que se aprende sobre desenho e ci\u00eancias?<\/strong><br \/>\nEmbora o trabalho com as artes visuais e ci\u00eancias n\u00e3o tenha sido predominante nas produ\u00e7\u00f5es das tr\u00eas escolas, alguns conhecimentos importantes foram conquistados. Um exemplo \u00e9 o trabalho com o desenho. Observar detalhadamente os animais e registr\u00e1-los, com a maior precis\u00e3o poss\u00edvel, foi o empenho principal das crian\u00e7as da Creche Recanto Infantil Parque Figueira Grande.<\/p>\n<p>Para tanto, precisaram conhecer alguns materiais e escolher o melhor tipo de caneta ou l\u00e1pis para esse tipo de tra\u00e7ado. Na EMEI Luis Giorgetti, as crian\u00e7as trabalharam seq\u00fc\u00eancias de desenhos para que aprendessem a produzir imagens no espa\u00e7o das figurinhas.<\/p>\n<p>E, na escola Mopyat\u00e3, as crian\u00e7as deram aos lindos desenhos um tratamento digital que passou pelo scanner e por outros recursos do computador. O que \u00e9 conte\u00fado de aprendizagem Por fim, vale lembrar que nem tudo \u00e9 projeto.<\/p>\n<p>Para preservar o sentido do objeto de ensino como conhecimento implicado em pr\u00e1ticas sociais reais, \u00e9 preciso oferecer outras oportunidades, como atividades permanentes, seq\u00fc\u00eancias de atividades ou mesmo atividades pontuais contextualizadas do ponto de vista das aprendizagens.<\/p>\n<p>Apresentar o conte\u00fado \u00e0s crian\u00e7as uma \u00fanica vez n\u00e3o adianta muito. N\u00e3o basta ter uma atividade da \u00e1rea para dizer que o conte\u00fado foi realmente trabalhado: o fato de ter utilizado um conhecimento sobre determinado assunto n\u00e3o significa que ele tenha sido conte\u00fado de aprendizagem, ou seja, que a crian\u00e7a realmente aprendeu, pois muitas vezes ela utiliza um conhecimento que j\u00e1 sabia.<\/p>\n<p>O contato intencional e sistem\u00e1tico com determinados conte\u00fados permite \u00e0s crian\u00e7as retomar algumas pr\u00e1ticas j\u00e1 aprendidas, aprofundar seus conhecimentos e us\u00e1-los em outros contextos. Para isso, \u00e9 preciso prever a seq\u00fc\u00eancia did\u00e1tica para o trabalho com esse conte\u00fado a fim de que as crian\u00e7as possam passar de um estado menor de conhecimento para um estado de maior conhecimento: isso \u00e9 aprender.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> Antoni Zabala: Enfoque Globalizador e Pensamento Complexo, uma proposta para o curr\u00edculo escolar.<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> Denise trabalha em uma escola particular, onde colecionar um \u00e1lbum de figurinhas n\u00e3o representa um \u00f4nus financeiro significativo para os pais. No caso das escolas p\u00fablicas, as figurinhas foram confeccionadas pelas crian\u00e7as.<\/p>\n<div id=\"attachment_1966\" style=\"width: 329px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1966\" class=\"size-full wp-image-1966\" title=\"avisala_13_album7\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album7.jpg\" alt=\"\" width=\"319\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album7.jpg 319w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album7-300x237.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 319px) 100vw, 319px\" \/><p id=\"caption-attachment-1966\" class=\"wp-caption-text\">O \u00e1lbum de figurinhas da EMEI Luis Giorgetti trouxe como tema as brincadeiras tradicionais da inf\u00e2ncia<\/p><\/div>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica:<\/h4>\n<ul>\n<li>Sociedade Amigos do Parque Figueira Grande \u2013 Creche Recanto Infantil Comunit\u00e1rio. Tel.: (11) 5831-3398. Iniciativa: Instituto C&amp;A. Desenvolvimento: Instituto Avisa l\u00e1. Equipe:Andr\u00e9ia Yamachita, Fabiana Carvalho da Silva, K\u00e1tia Trovato Teixeira de Souza e Simone Alc\u00e2ntara.<\/li>\n<li>Col\u00e9gio Nossa Senhora do Morumbi \u2013 Mopyat\u00e3.Tel.: (11) 3746-8234. Equipe: Denise Tonello e Regina Scarpa.<\/li>\n<li>EMEI Luis Giorgetti. S\u00e3o Caetano do Sul.Tel.: (11) 4224-3753. Equipe:Valdira Ara\u00fajo Martins,V\u00e2nia Maria Vecchini Rosa e Neuza Maria Lot Martins.<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Bibliografia:<\/h4>\n<ul>\n<li>Ler e Escrever na Escola, o real, o poss\u00edvel e o necess\u00e1rio. Delia Lerner.Artmed.<\/li>\n<li>Enfoque Globalizador e Pensamento Complexo, uma proposta para o curr\u00edculo escolar.Antoni Zabala. Artmed.Tel.: (11) 3062-3757.<\/li>\n<li>\u00c9 Poss\u00edvel ler na Escola. Liliana Tolchinsky Landsmann.Aprendizagem da L\u00edngua Escrita. Editora \u00c1tica Tel.: (11) 3346-3000.<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Uma concep\u00e7\u00e3o de projeto<sup>3<\/sup><\/h4>\n<p>Ao longo dos anos, a id\u00e9ia de projeto vem sofrendo ajustes diversos, de acordo com as diferentes concep\u00e7\u00f5es e os prop\u00f3sitos educativos. Aqui, \u00e9 entendida como proje\u00e7\u00e3o de uma seq\u00fc\u00eancia de a\u00e7\u00f5es \u2013 de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho de pesquisa, sistematiza\u00e7\u00e3o e socializa\u00e7\u00e3o de conhecimentos \u2013 ao longo de um tempo previsto, atendendo a determinados prop\u00f3sitos educativos e objetivos comuns entre os membros de um grupo.<\/p>\n<p>A isso, Delia Lerner, investigadora de did\u00e1tica, acrescenta uma outra caracter\u00edstica: para ela, os projetos, mais do que m\u00e9todos, s\u00e3o formas de organizar o tempo de modo a articular prop\u00f3sitos did\u00e1ticos e comunicativos, atualizando as aprendizagens das crian\u00e7as, tornando as pr\u00e1ticas vivenciadas na creche ou na escola mais pr\u00f3ximas das que est\u00e3o presentes fora da escola.<\/p>\n<p>Os \u201cprojetos de produ\u00e7\u00e3o-interpreta\u00e7\u00e3o\u201d, como ela chama, permitem orientar a\u00e7\u00f5es para o cumprimento de uma finalidade compartilhada dando sentido a elas.<\/p>\n<p>Assim, diz Delia em seu mais recente livro, Ler e Escrever na Escola, \u201c&#8230; gravar uma fita de poemas para enviar a outras crian\u00e7as ou para fazer um programa de r\u00e1dio d\u00e1 sentido ao aperfei\u00e7oamento da leitura em voz alta, porque os reiterados ensaios que \u00e9 necess\u00e1rio fazer n\u00e3o constituem um mero exerc\u00edcio, mas orientam para um objetivo valioso e realiz\u00e1vel em curto prazo \u2013 compartilhar com outras pessoas as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es experimentadas frente aos poemas escolhidos \u2013 ; preparar uma carta de leitor para protestar por uma viola\u00e7\u00e3o aos direitos das crian\u00e7as permitir\u00e1 aprender a \u2018escrever para protestar\u2019, enfrentando todos os problemas que se apresentam na escrita quando se est\u00e1 envolvido numa situa\u00e7\u00e3o aut\u00eantica, na qual efetivamente se trata de produzir um texto suficientemente convincente para conseguir que a carta seja publicada e surta um efeito sobre os leitores&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Desse modo, os projetos articulam os objetivos das crian\u00e7as com os dos professores, objetivos de realiza\u00e7\u00e3o em conjunto com objetivos did\u00e1ticos, comprometidos com prop\u00f3sitos educativos bastante claros. Diferente de outras formas de trabalho, os projetos de produ\u00e7\u00e3o-interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o investem em temas ou no ensino da l\u00edngua, mas sim nas pr\u00e1ticas sociais da l\u00edngua.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma mudan\u00e7a, uma reconceitualiza\u00e7\u00e3o do objeto de ensino. Em um projeto de conto de fadas, por exemplo, n\u00e3o se aprende apenas sobre os personagens e os temas das hist\u00f3rias, mas tamb\u00e9m a ler, apreciar, recontar, reescrever e outras pr\u00e1ticas ligadas aos usos reais da l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os projetos tamb\u00e9m contribuem para aprimorar as rela\u00e7\u00f5es em grupo e a organiza\u00e7\u00e3o de um trabalho cada vez mais aut\u00f4nomo que, em vez de ser totalmente controlado pelo professor, ganha com as contribui\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as, que trazem diferentes opini\u00f5es acerca dos problemas que est\u00e3o resolvendo.<\/p>\n<p>Com isso se aprende, desde crian\u00e7a, como \u00e9 poss\u00edvel compartilhar desejos, id\u00e9ias, gostos etc, em projetos que se tornam realidade com esfor\u00e7os coletivos.<\/p>\n<p><sup>3<\/sup> Estamos aqui tratando do projeto que se realiza com as crian\u00e7as, visando aprendizagens. \u00c9 o que chamamos de projeto did\u00e1tico, e n\u00e3o deve ser confundido com o projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico ou o projeto institucional, que atuam de forma diferente em outras inst\u00e2ncias.<\/p>\n<h4>Dicas do leitor<\/h4>\n<p>As professoras da Rede Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Caetano do Sul, das turmas de 6 anos, Neuza, Valdira e V\u00e2nia, da EMEI Luis Giorgetti, e leitoras de avisa l\u00e1, enviaram suas experi\u00eancias para a reda\u00e7\u00e3o da revista.<\/p>\n<p>Elas d\u00e3o dicas para quem quiser realizar um projeto como esse e mostram como tamb\u00e9m os professores t\u00eam muito a aprender. \u201cPropostas de trabalho que resultam em ganhos para as crian\u00e7as e professores passam,muitas vezes, por experi\u00eancias dif\u00edceis,\u201d conta Neuza.<\/p>\n<p>\u201cEu vivi e aprendi com uma delas. Para propor desafios de acordo com as possibilidades das crian\u00e7as, combinei que uma vez por semana elas ganhariam um pacote com tr\u00eas figurinhas, com diferentes n\u00fameros, para colar no \u00e1lbum. Al\u00e9m disso, no decorrer da semana, quando j\u00e1 estivessem familiarizadas com a atividade, haveria no pacote figurinhas repetidas para trocar.<\/p>\n<div id=\"attachment_1967\" style=\"width: 252px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1967\" class=\"size-full wp-image-1967\" title=\"avisala_13_album9\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_13_album9.jpg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"163\" \/><p id=\"caption-attachment-1967\" class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as de S\u00e3o Caetano do Sul produzem figurinhas para o \u00e1lbum<\/p><\/div>\n<p>Tudo funcionou muito bem na minha cabe\u00e7a, por\u00e9m, na pr\u00e1tica, o resultado n\u00e3o foi o esperado, pois tudo virou uma grande confus\u00e3o. Pensei outra forma de encaminhar a atividade, reagrupando as crian\u00e7as para que, em cada subgrupo, houvesse pelo menos uma que ajudasse as demais.<\/p>\n<p>Hoje, avaliando minha pr\u00e1tica, penso que n\u00e3o levei em conta princ\u00edpios b\u00e1sicos como a possibilidade de aprender com o outro, a coopera\u00e7\u00e3o e a socializa\u00e7\u00e3o das descobertas em um grupo de trabalho.\u201d, conclui Neuza, preparando-se para reeditar o projeto em sua escola, no ano seguinte.<\/p>\n<p>A professora V\u00e2nia tamb\u00e9m enfrentou dificuldades e apostou nos agrupamentos entre as crian\u00e7as: \u201cA parceria foi fundamental para o desenvolvimento do projeto, pois crian\u00e7as com dificuldades para localizar os n\u00fameros eram prontamente ajudadas pelas outras. Esperei ter v\u00e1rias figurinhas coladas para ent\u00e3o sentar com as crian\u00e7as, na roda e apresentar a tabela de numera\u00e7\u00e3o que serviria para o controle da cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No decorrer do projeto a consulta da tabela era tarefa rotineira e servia para comparar quantidades, para determinar sucessor e antecessor e orientava a pesquisa no banco. O \u00e1lbum cooperou para que trabalhos posteriores, como a ordena\u00e7\u00e3o de n\u00fameros e a escrita dos n\u00fameros, ficassem mais f\u00e1ceis.\u201d<\/p>\n<p>Valdira tamb\u00e9m utilizou a tabela dos n\u00fameros para ajudar as crian\u00e7as no controle da cole\u00e7\u00e3o, mas essa n\u00e3o foi a \u00fanica oportunidade de trabalhar com a s\u00e9rie num\u00e9rica que ela ofereceu ao grupo.<\/p>\n<p>Veja como aproveitou um problema de organiza\u00e7\u00e3o, procurando criar uma situa\u00e7\u00e3o did\u00e1tica e discutir a pertin\u00eancia dela: \u201cCrian\u00e7as que faltavam \u00e0s quintas-feiras, dia estabelecido com o grupo para a atividade com o \u00e1lbum, ficavam atrasadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras. Tivemos que nos reunir, conversar e buscar uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Decidimos fazer um banco de figurinhas que funcionaria da seguinte forma: as figurinhas ficavam dispon\u00edveis em uma mesa, em ordem num\u00e9rica e cada crian\u00e7a ao verificar o n\u00famero que faltava, recorria ao banco para obt\u00ea-la. Acontecia, por vezes, pegarem figurinhas que na verdade n\u00e3o eram as que precisavam. Voltavam, tornavam a procurar e dessa vez atentavam para a posi\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros.<\/p>\n<p>Funcionei como mediadora da atividade orientando e assegurando que a numera\u00e7\u00e3o fosse mantida em ordem. Com as crian\u00e7as familiarizadas com aqueles procedimentos e mais atentas ao que procuravam, a atividade decorreu tranq\u00fcilamente. Mas avaliamos que o banco ofereceu dificuldades para as crian\u00e7as porque, de fato, n\u00e3o traduz uma pr\u00e1tica real de que pudessem ter modelos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma mesma id\u00e9ia pode gerar projetos did\u00e1ticos com diferentes focos e aprendizagens. Confira como e por qu\u00ea nessa mat\u00e9ria que conta sobre diferentes experi\u00eancias de aprendizado aproveitando a confec\u00e7\u00e3o de um album de figurinhas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3200,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,374],"tags":[1104,521,1325,522,78,214,79],"class_list":{"0":"post-1954","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-reflexoes-do-professor","8":"category-revista-avisala-13","9":"tag-revista-avisa-la-2003","10":"tag-album-de-figurinhas","11":"tag-alfabetizacao","12":"tag-colecao","13":"tag-matematica","14":"tag-pesquisa","15":"tag-sequencia-numerica","17":"post-with-thumbnail","18":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1954","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1954"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1954\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3200"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1954"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1954"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1954"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}