{"id":1860,"date":"2002-10-08T01:25:55","date_gmt":"2002-10-08T04:25:55","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=1860"},"modified":"2023-03-27T16:57:23","modified_gmt":"2023-03-27T19:57:23","slug":"o-pulo-do-sapo-um-projeto-para-aprender-sobre-seres-vivos-leitura-e-escrita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/o-pulo-do-sapo-um-projeto-para-aprender-sobre-seres-vivos-leitura-e-escrita\/","title":{"rendered":"O pulo do sapo &#8211; Um projeto para aprender sobre seres vivos, leitura e escrita"},"content":{"rendered":"<h5>Desenvolver um projeto did\u00e1tico possibilita trabalhar de forma integrada diferentes \u00e1reas do conhecimento. Quando se tem clareza de quais conte\u00fados e procedimentos espec\u00edficos devem ser possibilitados \u00e0s crian\u00e7as, os resultados s\u00e3o significativos. As mudan\u00e7as de percurso s\u00e3o feitas sem sustos<\/h5>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1864\" title=\"avisala_12_sapo4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo4.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo4.jpg 220w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/>Era sempre uma anima\u00e7\u00e3o chegar naquela creche e ver o gosto que as pessoas tinham pela profiss\u00e3o, pela vida. L\u00e1, o trabalho com as crian\u00e7as, como deveria ser em qualquer creche, vinha em primeiro lugar. Tudo era pensado e organizado para atend\u00ea-las: material ao alcance e \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, quantidade e variedade de livros, brinquedos, fantasias etc., conseguidos pelas educadoras &#8220;batalhadoras&#8221; com a ajuda da comunidade.<\/p>\n<p>Naquela creche trabalhava a Elis\u00e2ngela, a Li, como era carinhosamente chamada pelas crian\u00e7as. Ela foi minha parceira no projeto \u201cO Pulo do Sapo\u201d, voltado para a turma de 5 anos: eu desenvolvia algumas etapas de trabalho a cada quinze dias, enquanto a Li dava continuidade durante o restante do m\u00eas. Essa \u00e9 a experi\u00eancia que vou relatar a seguir.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o do projeto<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s conhecer, observar a sala e conversar com a Li e com a Andr\u00e9ia, coordenadora pedag\u00f3gica, esbocei um projeto que pudesse trabalhar com quest\u00f5es de leitura e escrita e de conhecimentos sobre seres vivos. As crian\u00e7as adoram bichos e aos 5 anos o interesse pela escrita \u00e9 vis\u00edvel e necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Assim, no primeiro dia de atua\u00e7\u00e3o direta, levei a id\u00e9ia do projeto \u201cO Pulo do Sapo\u201d. As duas gostaram tanto que logo se puseram a pensar num meio de levar as crian\u00e7as at\u00e9 a represa para a \u201cca\u00e7a aos girinos\u201d. Um entusiasmo s\u00f3!<\/p>\n<p>Na minha segunda ida sentei-me entre duas crian\u00e7as e come\u00e7amos a conversar. Adorei o grupo, t\u00e3o falante! E conversa vai, conversa vem, puxei assunto sobre bichos. Todos tinham o que dizer: o bicho de que mais gostavam, ou de que n\u00e3o gostavam, dos que tinham medo, dos que n\u00e3o tinham medo, daqueles que tinham em casa ou que queriam ter&#8230;Casos e \u201ccausos\u201d aos montes permearam a nossa roda.<\/p>\n<p>Vendo o interesse que todos tinham pelo tema, falei da id\u00e9ia de estudarmos um animal, acompanh\u00e1-lo desde pequeno at\u00e9 tornar-se um adulto. Ser\u00edamos, portanto, \u201cpesquisadores, cientistas\u201d com a miss\u00e3o de escrever uma revista informativa sobre tal animal.<\/p>\n<p>\u2013 Cientista \u00e9 o homem que cuida dos dentes \u2013 disse um garoto.<\/p>\n<p>Depois de esclarecermos o significado da palavra e diferenciarmos cientistas de dentistas, come\u00e7aram os \u201cchutes\u201d a respeito de qual seria o animal:<\/p>\n<p>\u2013 Cachorro! \u2013 disse um deles.<br \/>\n\u2013 Gato! \u2013 disse o outro.<br \/>\n\u2013 Macaco! \u2013 arriscou um terceiro.<\/p>\n<p>Peguei o livro que eu havia levado e comecei a ler a hist\u00f3ria: \u201cO Sapo e a <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-1865\" title=\"avisala_12_sapo5\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo5.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo5.jpg 320w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo5-268x300.jpg 268w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/>Princesa\u201d. E, antes que eu terminasse, todos disseram:<br \/>\n\u2013 Sapo!<\/p>\n<p>Perguntei, ent\u00e3o, o que sabiam sobre sapos e, juntos, fomos preenchendo os cartazes \u201co que sabemos\u201d e \u201co que queremos descobrir\u201d. Os cartazes ficaram assim:<\/p>\n<p><strong>O QUE SABEMOS SOBRE O SAPO<\/strong><br \/>\nMORA NA LAGOA.<br \/>\n\u00c9 VERDE.<br \/>\nPULA.<br \/>\nNADA.<br \/>\nCOAXA.<br \/>\nN\u00c3O TEM RABO.<br \/>\nCOME MOSQUITO.<\/p>\n<p><strong>O QUE QUEREMOS DESCOBRIR<\/strong><br \/>\nO SAPO TAMB\u00c9M MORA NO MAR?<br \/>\nA SAPA FICA GR\u00c1VIDA?<br \/>\nCOMO NASCE O SAPO?<br \/>\nOS SAPOS S\u00c3O PR\u00cdNCIPES? (Acho que influenciados pela hist\u00f3ria.)<br \/>\nO QUE COMEM?<br \/>\nPOR QUE O PESCO\u00c7O DO SAPO INCHA?<\/p>\n<p>Aproveitando o interesse pelos sapos, combinamos nossa sa\u00edda para a represa a fim de buscarmos \u201csapinhos\u201d. Foi uma alegria geral! Nesse clima de festa me despedi da turma, ansiosa por voltar logo.<\/p>\n<p><strong>Preparativos para o passeio <\/strong><br \/>\nDias depois, nosso passeio! Cheguei na creche e a ansiedade pela sa\u00edda era geral.Antes, por\u00e9m, propus \u00e0s crian\u00e7as uma breve pesquisa em livros para sabermos de fato o que ir\u00edamos buscar: girinos, como s\u00e3o, onde est\u00e3o.<\/p>\n<p>Bom! Cheguei com um \u201caqu\u00e1rio\u201d nas m\u00e3os como as crian\u00e7as disseram. Ent\u00e3o, tratei logo de sentar em roda e juntos observamos o que havia de diferente naquele \u201caqu\u00e1rio\u201d:<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 que tem esse vidrinho no meio \u2013 algu\u00e9m arriscou.<br \/>\n\u2013 E por que ser\u00e1? \u2013 perguntei.<br \/>\n\u2013 Pro sapinho subir \u2013 responderam.<\/p>\n<p>Na verdade, embora ainda ningu\u00e9m houvesse dito, todos sabiam que o sapo tamb\u00e9m vive fora da lagoa, pois todos j\u00e1 haviam tido a oportunidade de ver um sapo por a\u00ed. Contudo, esta foi a \u201cdeixa\u201d para eu renomear com eles aquele novo objeto: na verdade seria no terr\u00e1rio que agora o nosso futuro sapinho iria viver (montamos o terr\u00e1rio juntos &#8211; colocamos as pedras, as plantinhas, a bombinha de ar).<\/p>\n<p>Depois, perguntei se algu\u00e9m j\u00e1 havia visto um sapinho \u201crec\u00e9m-nascido\u201d ou se j\u00e1 haviam descoberto como um sapo nasce; como n\u00e3o sabiam, fomos pesquisar nos livros que estavam separados. Diante das imagens das figuras as crian\u00e7as descobriram:<\/p>\n<p>\u2013 A sapa bota ovinhos \u2013 disse uma crian\u00e7a.<br \/>\n\u2013 Olha, ele parece uma bolinha \u2013 completou a outra, observando as imagens do livro.<\/p>\n<p>Li, ent\u00e3o, pequenos trechos que falavam sobre os girinos e, assim, colocamos no nosso cartaz as seguintes informa\u00e7\u00f5es que foram apreendidas:<\/p>\n<p><strong>O QUE DESCOBRIMOS ACERCA DO SAPO<\/strong><br \/>\nNASCE DO OVO.<br \/>\nQUANDO \u00c9 PEQUENO SE CHAMA GIRINO.<br \/>\nN\u00c3O TEM PATA, S\u00d3 VIVE NA \u00c1GUA, RESPIRA E NADA.<\/p>\n<p><strong>Coleta, um procedimento de pesquisa<\/strong><br \/>\nTerminada nossa pesquisa, sa\u00edmos sabendo exatamente o que ir\u00edamos procurar: girinos! Por\u00e9m, naquele momento, a grande quest\u00e3o para as crian\u00e7as n\u00e3o era saber mais sobre sapos e sim descobrir quem iria de carro comigo e quem iria com a perua que a Gis\u00e9lia, diretora da creche, e a Andr\u00e9a conseguiram emprestar de um senhor da comunidade.<\/p>\n<p>Na verdade as crian\u00e7as n\u00e3o sabiam o que poderia ser mais divertido e, por isso, essa foi a grande d\u00favida inicial, resolvida com um revezamento de condu\u00e7\u00e3o entre a ida e a volta.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1866\" title=\"avisala_12_sapo9\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo9.jpg\" alt=\"\" width=\"192\" height=\"297\" \/>O trajeto at\u00e9 a represa foi uma del\u00edcia. Passamos por lugares t\u00e3o bonitos que me fizeram sentir como se estiv\u00e9ssemos fora de S\u00e3o Paulo. Incr\u00edvel, tudo t\u00e3o diferente e t\u00e3o pr\u00f3ximo da creche! Ao chegarmos, as crian\u00e7as ficaram felic\u00edssimas e n\u00f3s tamb\u00e9m, pois a princ\u00edpio parecia termos encontrado \u201co para\u00edso dos girinos\u201d.<\/p>\n<p>Todos alegres, \u00e0 beira da represa, munidos de peneiras e garrafas d\u2019\u00e1gua, \u201cpesc\u00e1vamos\u201d os girinos e espant\u00e1vamos com a nossa fala\u00e7\u00e3o os peixes dos pescadores que por ali se encontravam. Sa\u00edmos da represa muito animados, por\u00e9m com uma d\u00favida: ser\u00e1 que o que pegamos eram mesmo girinos? Apesar de se aparentarem com girinos pelo tamanho e formato, estavam muito claros para girinos&#8230;Enfim, como \u201cbons pesquisadores\u201d, combinamos acompanhar e ver o que aconteceria at\u00e9 a minha pr\u00f3xima visita.<\/p>\n<p><strong>Estrat\u00e9gias de leitura: como as crian\u00e7as l\u00eaem<\/strong><br \/>\nNa semana seguinte voltei a me encontrar com as crian\u00e7as. Achei que era o momento de aprofundarmos nossa pesquisa e propus, ent\u00e3o, que trabalhassem em grupos. Lamentei n\u00e3o ter \u00e0 m\u00e3o uma filmadora durante a realiza\u00e7\u00e3o da atividade de leitura que propus ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Foram cenas lindas de trabalho, em pequenos grupos, em que o respeito, a colabora\u00e7\u00e3o e a troca entre parceiros mais e menos experientes fizeram par ao envolvimento e \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o. As crian\u00e7as se debru\u00e7aram sobre os livros buscando vencer o desafio que eu havia lan\u00e7ado durante a roda: encontrar em meio \u00e0 variedade de livros oferecidos \u2013 poesias, trava-l\u00ednguas, contos, parlendas, textos informativos e livros did\u00e1ticos, cient\u00edficos todos acompanhados de ilustra\u00e7\u00f5es \u2013 aqueles em que havia informa\u00e7\u00f5es que nos fariam aprender mais sobre os sapos.<\/p>\n<p>Estava proposta, portanto, uma atividade de leitura na qual as crian\u00e7as teriam que fazer uso de diferentes estrat\u00e9gias a fim de construir um significado.<\/p>\n<p>\u2013 Esse n\u00e3o d\u00e1 para aprender sobre sapo \u2013 disse Fabielly observando um livro de hist\u00f3rias.<br \/>\n\u2013 Por que voc\u00ea acha isso? \u2013 perguntei.<br \/>\n\u2013 Voc\u00ea j\u00e1 viu sapa com la\u00e7o na cabe\u00e7a? Isso \u00e9 hist\u00f3ria, n\u00e3o \u00e9 de verdade &#8211; respondeu ela, j\u00e1 deixando claro o conceito que tinha sobre informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.<br \/>\n\u2013 Esse \u00e9 de m\u00fasica, n\u00e3o \u00e9? A Li j\u00e1 cantou esse pra gente? \u2013 quis saber V\u00edtor.<\/p>\n<p>Fui verificar o que ele dizia e, de fato, era o trava-l\u00edngua:<\/p>\n<p>&#8220;O sapo dentro do saco<br \/>\no saco com o sapo dentro<br \/>\no sapo batendo papo<br \/>\ne o saco soprando o vento&#8221;<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se V\u00edtor reconheceu pela configura\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica do texto, ou se pelo desenho do sapinho estampado na p\u00e1gina. S\u00f3 sei que a Li j\u00e1 lera o trava-l\u00edngua para eles em outro livro, pois aquele eu havia levado naquela manh\u00e3. Li para ele e o sorriso de satisfa\u00e7\u00e3o atravessou seu rosto:<\/p>\n<p>\u2013 Eu n\u00e3o disse?!! \u2013 comemorou. Noutro grupo, Gabriel comentava:<br \/>\n\u2013 Esse livro n\u00e3o d\u00e1 para pesquisar, porque sapo de verdade n\u00e3o fuma, referindo-se \u00e0 imagem que aparecia na capa do livro.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-1867\" title=\"avisala_12_sapo11\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo11.jpg\" alt=\"\" width=\"343\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo11.jpg 343w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo11-300x231.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 343px) 100vw, 343px\" \/><\/p>\n<p>Na verdade o livro era mesmo de hist\u00f3ria, por\u00e9m o texto fornecia v\u00e1rias informa\u00e7\u00f5es sobre sapos. Enquanto isso, outras situa\u00e7\u00f5es de leitura de imagem iam acontecendo nos grupos:<br \/>\n\u2013 O sapo come borboleta, grilo, minhoca&#8230; \u2013 dizia Thiago Lucas enquanto observava as fotos de um livro informativo.<br \/>\n\u2013 Esse livro fala de girinos \u2013 disse Fabielly, usando a mesma estrat\u00e9gia.<br \/>\n\u2013 Os girinos comem folhas. Esse livro \u00e9 de hist\u00f3ria, porque urubu n\u00e3o toca viola \u2013 disse Tiago Luan diante das ilustra\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria \u2018A festa no c\u00e9u\u2019.<\/p>\n<p>Estes foram exemplos de estrat\u00e9gias de leitura em que as crian\u00e7as se valeram da observa\u00e7\u00e3o do contexto para inferir sobre o que diziam os textos. Eu, por minha vez, tratava de ler pequenos trechos para que eles pudessem confirmar ou n\u00e3o suas hip\u00f3teses.<\/p>\n<p><strong>Objetivos da atividade:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>aproximar as crian\u00e7as dos textos informativos;<\/li>\n<li>criar estrat\u00e9gias de leitura;<\/li>\n<li>ampliar os conhecimentos sobre os sapos.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>abordar a escrita sempre dentro de um contexto material e\/ou um contexto verbal;<\/li>\n<li>coordenar o que as crian\u00e7as j\u00e1 sabem com as informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o capazes de retirar do contexto do qual o texto faz parte e com as novas informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o apreendidas.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>A reflex\u00e3o sobre o sistema de escrita<\/strong><br \/>\nFeito isso, pedi que, em grupos, as crian\u00e7as registrassem o que haviam descoberto. Uma delas assumiria a fun\u00e7\u00e3o de escriba da turma. Foi ent\u00e3o que consegui abordar quest\u00f5es espec\u00edficas da escrita das palavras.<\/p>\n<p>Um dos grupos, por exemplo, queria registrar que o sapo era inicialmente um girino que vivia na lagoa. No entanto, queria apenas escrever as palavras-chaves:\u00a0 SAPO, GIRINO e LAGOA.<\/p>\n<p>Perguntei se sabiam onde podiam encontrar a palavra sapo, e Gabriel recorreu \u00e0 capa do livro em que estava escrito: \u201cA VIDA DE SAPO\u201d<\/p>\n<p>Joice era a escriba da turma e j\u00e1 ia come\u00e7ar a copiar todo o t\u00edtulo do livro quando eu li para o seu grupo o que estava escrito, ou seja, forneci a eles uma informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que pudessem \u201cler\u201d o que estava escrito (contexto verbal) e fossem capazes de localizar a escrita de determinada palavra:<\/p>\n<p>\u2013 Sabendo que a\u00ed est\u00e1 escrito A VIDA DE SAPO, onde estar\u00e1 escrito SAPO?<\/p>\n<p>Gabriel apontou precisamente a palavra, mas, embora estivesse convicto de sua \u201cleitura\u201d, n\u00e3o foi capaz de justifica-la. Isso me fez acreditar que SAPO havia se tornado uma palavra estabilizada para ele (como para muitos outros tamb\u00e9m), em virtude do freq\u00fcente uso que est\u00e1vamos fazendo dela, pois aparecia v\u00e1rias vezes em todos os nossos cartazes.<\/p>\n<p>Em seguida, fizemos outra nova roda, na qual cada grupo falou de suas descobertas a fim de socializar os novos conhecimentos. Encerrei a manh\u00e3 lendo para eles \u201cA festa no c\u00e9u\u201d.<\/p>\n<p>Em tempo: os tais girinos eram na verdade pequenos peixinhos que agora j\u00e1 se transformaram em peix\u00f5es. Por enquanto s\u00e3o os moradores provis\u00f3rios do nosso terr\u00e1rio, que virou aqu\u00e1rio, e fazem o maior sucesso com todas as crian\u00e7as da creche.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1868\" title=\"avisala_12_sapo6\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo6.jpg\" alt=\"\" width=\"249\" height=\"260\" \/><\/p>\n<p><strong>O que as crian\u00e7as sabem sobre a escrita<\/strong><br \/>\nMais tarde, refletindo sobre o encontro, pensei que seria importante conhecer o que aquelas crian\u00e7as pensavam sobre o sistema de escrita. Precisaria pensar uma forma de fazer um levantamento e estabelecer crit\u00e9rios para a forma\u00e7\u00e3o de grupos de trabalho para encaminhar atividades de escrita da revista informativa.<\/p>\n<p>Esse foi meu prop\u00f3sito na visita seguinte. Assim que cheguei, as crian\u00e7as me aguardavam sentadas em roda. Tivemos um bate-papo inicial, mas logo os \u201csapos\u201d pularam em nossa conversa. As crian\u00e7as estavam t\u00e3o envolvidas com o projeto, que \u201csapo\u201d foi um dos temas abordados pelos seus pais durante a reuni\u00e3o que tiveram na creche. Todos estavam \u201cenlouquecidos\u201d na ca\u00e7a aos danadinhos, pois \u201cn\u00e3o ag\u00fcentavam mais\u201d ouvir os pedidos incessantes de seus filhos.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, visitas a lagos, lagoas e represas tinham se tornado rotina nos fins de semana de muitas fam\u00edlias. Ah! Os peixes tamb\u00e9m tinham aumentado em quantidade, andavam trazendo para a creche pequenos peixinhos, acreditando que fossem girinos.<\/p>\n<p>Depois de muito falar sobre sapos, girinos e peixinhos, propus uma atividade de escrita. Antes de come\u00e7ar com a sondagem, pedi que me dissessem tudo o que haviam aprendido sobre sapos nos \u00faltimos dias e<br \/>\ntratamos de atualizar os nossos registros:<\/p>\n<p><strong>O QUE DESCOBRIMOS SOBRE SAPOS:<\/strong><br \/>\nCOMEM MOSQUITO,ARANHAS E BORBOLETAS<\/p>\n<p>Sempre registrando o que era ditado pelas crian\u00e7as, fui escrevendo calmamente sob seus olhares atentos, ao mesmo tempo em que ia fazendo perguntas espec\u00edficas sobre as escritas das palavras, do tipo:\u201cquem sabe como se escreve mosquito?\u201d; \u201ccom que letra devo come\u00e7ar a escrever aranha?\u201d; \u201ccom que letra acaba?\u201d; \u201cquem tem essa letra em seu nome?\u201d etc.<\/p>\n<p>Depois disso, fiz duas propostas de atividades diferentes: para um grande grupo, o desenho de um sapo e tudo o que ele come para futuramente termos material de escolha para ilustrar nosso livrete. Formei um outro grupo, com apenas tr\u00eas crian\u00e7as, para poder acompanh\u00e1-las melhor naquele dia.<\/p>\n<p>Para esse propus a escrita de uma lista contendo o nome dos \u201calimentos\u201d do sapo. Gabriel, sabiamente, passou a copiar a escrita que hav\u00edamos acabado de acrescentar em nossos cartazes, o que inviabilizava minha inten\u00e7\u00e3o de sondar o n\u00edvel de conceitualiza\u00e7\u00e3o da escrita que apresentavam no momento.<\/p>\n<p>Sendo assim, mudei a proposta para um ditado, tamb\u00e9m sobre os \u201calimentos\u201d dos sapos. Tiago mostrou-se sil\u00e1bico com valor sonoro convicto: OOEA para borboleta; AAO para rato (aqui entrou em conflito com a quantidade de letras, mas embora lesse silabicamente, achou melhor acrescentar mais uma letra A); IOA para minhoca; e OIO para mosquito.<\/p>\n<p>Gabriel registrou BOBOEA para borboleta; RAO para rato; ILBLA para minhoca; e OEIO para mosquito, o que me faz desconfiar que j\u00e1 come\u00e7a a oscilar entre uma hip\u00f3tese de escrita sil\u00e1bica e uma escrita sil\u00e1bico-alfab\u00e9tica, por\u00e9m ainda me parece pequeno o repert\u00f3rio de letras que domina.<\/p>\n<p>J\u00e1 Alexandre apresentou uma escrita pr\u00e9-sil\u00e1bica, mas durante a leitura, com as minhas interfer\u00eancias, alterou seus escritos iniciais e alcan\u00e7ou uma escrita sil\u00e1bica, por\u00e9m sem nenhuma correspond\u00eancia sonora intencional com as palavras pretendidas: PAEF para borboleta; ES para rato; NOF para minhoca; e PFO para mosquito.<\/p>\n<p>Nos demais dias daquela semana, Li deu continuidade ao trabalho de sondagem. Avaliamos que escrever textos informativos para a revista, de pr\u00f3prio punho, seria um desafio muito dif\u00edcil para aquelas crian\u00e7as,muitas ainda pr\u00e9-sil\u00e1bicas, outras sil\u00e1bicas, nenhuma alfab\u00e9tica. Sobretudo porque ter\u00edamos pouco tempo para fazer as interven\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que aqueles textos pudessem ser lidos de fato.<\/p>\n<p>Avaliamos que seria mais importante aprofundar os conhecimentos das crian\u00e7as sobre a linguagem que se escreve. Por isso optamos por editar os textos produzidos oralmente por elas, dos quais hav\u00edamos sido as escribas, e que j\u00e1 estavam prontos.<\/p>\n<p>Portanto, o passo seguinte foi aprofundar os conhecimentos das crian\u00e7as sobre os tipos de textos informativos e as caracter\u00edsticas do livrete como portador desses textos.<\/p>\n<p>Durante a sondagem, Li observava todos os meus passos: primeiro o ditado, depois o pedido pela leitura e, por fim, as interven\u00e7\u00f5es que eu julgava adequadas e necess\u00e1rias nesse momento. Depois, na hora de nossa conversa, perguntei \u00e0 Li quais haviam sido as suas dificuldades diante da atividade de sondagem que tentara fazer:<br \/>\n\u2013 Eu n\u00e3o sabia como interferir, se eu podia sugerir ou n\u00e3o a borracha&#8230;Na leitura deles eu tamb\u00e9m ficava confusa. A\u00ed eu lia assim: bor-bo-le-ta. Eles me respondiam que n\u00e3o sabiam escrever. A\u00ed eu dizia; lembram das vogais que eu ensinei a voc\u00eas?<\/p>\n<p>Para responder a essas d\u00favidas analisei com ela, e sob os olhares atentos e curiosos de Andr\u00e9a e Gis\u00e9lia, as atividades que t\u00ednhamos em m\u00e3os, discutindo cada interfer\u00eancia que fiz, conceitualizando cada est\u00e1gio das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Como tarefa, pedi que repetisse a proposta e registrasse por escrito para mim cada coloca\u00e7\u00e3o feita pelas crian\u00e7as e todas as interven\u00e7\u00f5es feitas por ela. Na semana seguinte, Li trouxe novamente sua quest\u00e3o:<br \/>\n\u2013 Achei dif\u00edcil na hora de interferir, fiquei com medo.<\/p>\n<p>Notei que a dificuldade de intervir estava relacionada \u00e0 dificuldade de compreender o que de fato as crian\u00e7as sabiam, em que est\u00e1gio estavam. Ent\u00e3o conceitualizei novamente com ela cada uma das hip\u00f3teses das crian\u00e7as e, juntas, fomos analisando cada produ\u00e7\u00e3o e classificando de novo as atividades delas.<\/p>\n<p>Fiz todas as ressalvas poss\u00edveis sobre o fato daquela nova classifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o corresponder de fato \u00e0 realidade, j\u00e1 que eu n\u00e3o havia proposto a atividade para as crian\u00e7as, nem presenciado o processo de produ\u00e7\u00e3o e realizado as interfer\u00eancias.<\/p>\n<p>Contudo, fizemos essa an\u00e1lise baseada nos materiais que t\u00ednhamos em m\u00e3os e de acordo com o que Li me contava sobre a forma como as crian\u00e7as escreveram e as suas interfer\u00eancias. Foi melhor dessa vez, e com esse esclarecimento Li p\u00f4de seguir com seu trabalho.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1869\" title=\"avisala_12_sapo10\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo10.jpg\" alt=\"\" width=\"437\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo10.jpg 437w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo10-300x167.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 437px) 100vw, 437px\" \/><\/p>\n<p><strong>Ler quando n\u00e3o se sabe ler<\/strong><br \/>\nCredo! Acho que estou ficando com cara de sapo! Mal piso nesta creche e todas as pessoas v\u00eam falar de sapo comigo. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as crian\u00e7as, n\u00e3o! Todas as professoras, a Andr\u00e9a, a Gis\u00e9lia&#8230;Todo mundo desesperado atr\u00e1s dos tais girinos nos finais de semana.<\/p>\n<p>\u00c9, n\u00e3o tem jeito. Ningu\u00e9m encontra! Mas nem por isso a anima\u00e7\u00e3o diminui: a Li j\u00e1 falou que vai continuar trabalhando com sapos no pr\u00f3ximo semestre e que, na \u00e9poca certa, vai captur\u00e1-los na represa.<\/p>\n<p>Mesmo n\u00e3o tendo conseguido observar os girinos, nosso projeto deu muito certo! As crian\u00e7as me esperavam na sala de leitura, como de costume.Assim que cheguei, e depois da nossa conversa habitual, dividi a classe em pequenos grupos. A inten\u00e7\u00e3o era fazer uma pesquisa para adquirir mais informa\u00e7\u00f5es sobre sapos que fossem interessantes de escrevermos em nosso livrete.<\/p>\n<p>Desta vez, eu, Li e Andr\u00e9a ajudar\u00edamos as crian\u00e7as fazendo a leitura dos textos informativos. Primeiro, \u00e9 claro, elas folhearam bastante os livros, levantaram hip\u00f3teses do que poderia estar escrito em determinados trechos, mas, em seguida, n\u00f3s nos aproximamos e fizemos diversas leituras para os grupos, confirmando ou refutando suas hip\u00f3teses iniciais, lendo partes dos textos que nos pediam ou, ainda, destacando trechos que eu j\u00e1 havia selecionado por conterem informa\u00e7\u00f5es interessantes para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Depois, sentamos em roda novamente e cada grupo socializou as descobertas feitas aos demais. A seguir, uma s\u00edntese de tudo o que as crian\u00e7as expuseram:<\/p>\n<p>\u2013 Quando o girino nasce, ele \u00e9 pretinho. Depois cria cauda e depois esse rabo some e nascem as patas e ele vira sapo. \u2013 disse uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2013 O sapo vive na lagoa e faz xixi, muda de cor, solta o veneno que tem na pele e fica escondido nas plantas quando tem medo. \u2013 completou a outra, com o livro nas m\u00e3os.<br \/>\n\u2013 O sapo s\u00f3 come bichos vivos; ele n\u00e3o bebe \u00e1gua; e enxerga de todos os lados. \u2013 disse o representante do terceiro grupo.<\/p>\n<p>E muitas outras crian\u00e7as se sucederam numa conversa interessante, expondo tudo o que haviam descoberto:<\/p>\n<p>\u2013 As patas do sapo servem para nadar; os ovos do sapo n\u00e3o t\u00eam casca, parecem gelatina. A r\u00e3 \u00e9 maior que o sapo, a pele da r\u00e3 \u00e9 macia e a do sapo \u00e9 \u00e1spera.<\/p>\n<p>\u2013 Anf\u00edbio \u00e9 tudo o que vive na \u00e1gua e na terra que nem o sapo.<br \/>\n\u2013 Se a gente cobrir o sapo ele morre porque ele respira pela pele.<br \/>\n\u2013 O sapo canta para namorar, depois a sapa bota os ovinhos.<br \/>\n\u2013 Na pele do sapo tem verrugas e veneno, que \u00e9 um jeito dele se defender.<br \/>\n\u2013 Quando o sapo \u00e9 girino ele come plantas e quando ele cresce ele come bichinhos.<br \/>\n\u2013 O sapo tem cora\u00e7\u00e3o e pulm\u00e3o que nem a gente; o nariz do sapo \u00e9 bem pequenino.<br \/>\n\u2013 O sapo tem duas patas na frente com quatro dedinhos e tem duas patas atr\u00e1s com cinco dedinhos.<br \/>\n\u2013 Quando faz frio o sapo faz um buraco na terra para se esconder; o sapo s\u00f3 aparece na primavera.<br \/>\n\u2013 Ele gosta de ca\u00e7ar \u00e0 noite. Existem v\u00e1rios tipos de sapos: o sapo parteiro \u00e9 aquele que p\u00f5e os ovos nas costas e \u00e9 saltador.<br \/>\n\u2013 O sapo sobe em cima da f\u00eamea e ela solta os ovos na \u00e1gua e o sapo solta uma coisa branca e a\u00ed que vira os girinos.<br \/>\n\u2013 O girino se transforma em sapo, chama metamorfose. Passamos as informa\u00e7\u00f5es para o nosso cartaz de descobertas, que a essa altura j\u00e1 estava bem recheado.<\/p>\n<p><strong>A edi\u00e7\u00e3o da revista sobre os sapos<\/strong><br \/>\nHoje foi o dia de discutirmos sobre a elabora\u00e7\u00e3o da revista. Sentei em roda com as crian\u00e7as e elas come\u00e7aram a falar tudo o que sabiam sobre as caracter\u00edsticas de uma revista.<br \/>\n\u2013 Tem capa \u2013 algu\u00e9m falou.<br \/>\n\u2013 Tem fotografia \u2013 completaram.<br \/>\n\u2013 Tamb\u00e9m tem desenho \u2013 uma crian\u00e7a lembrou.<br \/>\n\u2013 O que mais? \u2013 perguntei.<br \/>\n\u2013 S\u00f3 \u2013 responderam.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o tem nada escrito? \u2013 eu.<br \/>\n\u2013 \u00c9 claro \u2013 disseram.<br \/>\n\u2013 E sobre o que falam? \u2013 provoquei.<br \/>\n\u2013 De amor \u2013 uma menina respondeu.<br \/>\n\u2013 Das pessoas \u2013 outra.<br \/>\n\u2013 Tem signo \u2013 um garotinho.<br \/>\n\u2013 E do que s\u00e3o as fotos? \u2013 eu.<br \/>\n\u2013 Das pessoas que est\u00e3o falando \u2013 arriscou uma crian\u00e7a.<br \/>\n\u2013 Quem faz a revista? \u2013 eu, mais uma vez.<br \/>\n\u2013 Tem uma pessoa que escreve \u2013 algu\u00e9m respondeu.<\/p>\n<p>E assim prosseguimos, levantando todos os conhecimentos pr\u00e9vios. Depois passamos a analisar algumas revistas comuns e tamb\u00e9m revistas espec\u00edficas (como ser\u00e1 a nossa). Diante dessa pesquisa,Tiago descobriu:<br \/>\n\u2013 Tem n\u00fameros tamb\u00e9m \u2013 disse ele diante do \u00edndice.<br \/>\n\u2013 E para que voc\u00ea acha que eles servem? \u2013 perguntei.<br \/>\n\u2013 Acho que \u00e9 para dizer os n\u00fameros que j\u00e1 vendeu \u2013 respondeu ele.<\/p>\n<p>Achei fant\u00e1stica a sua resposta e, por isso, fui para a capa da revista onde aparece o n\u00famero que representava exatamente a id\u00e9ia do que ele falava. Ent\u00e3o perguntei:<br \/>\n\u2013 Que n\u00famero teremos que escrever na capa da nossa revista?<br \/>\n\u2013 Um! \u2013 v\u00e1rios responderam.<br \/>\nMas, afinal, o que seriam aqueles n\u00fameros? Diante dessa pergunta, instaurou-se um enorme sil\u00eancio, s\u00f3 quebrado por uma crian\u00e7a:<br \/>\n\u2013 \u00c9 quanto custa \u2013 arriscou.<br \/>\n\u2013 Mas uma revista pode ter v\u00e1rios pre\u00e7os? \u2013 perguntei.<br \/>\nComo n\u00e3o sabiam o que poderia significar aquilo, perguntei:<br \/>\n\u2013 Como a gente faz para achar o hor\u00f3scopo nessa revista?<br \/>\n\u2013 Vai virando.<br \/>\n\u2013 E para que servem estes n\u00fameros? \u2013 eu, apontando para os n\u00fameros que aparecem nas p\u00e1ginas da revista.<br \/>\nTiago percebeu a fun\u00e7\u00e3o de tais n\u00fameros e disse:<br \/>\n\u2013 Os n\u00fameros s\u00e3o para saber se a gente t\u00e1 no certo.<\/p>\n<div id=\"attachment_1870\" style=\"width: 406px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1870\" class=\"size-full wp-image-1870\" title=\"avisala_12_sapo7\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo7.jpg\" alt=\"\" width=\"396\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo7.jpg 396w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo7-150x150.jpg 150w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo7-297x300.jpg 297w\" sizes=\"auto, (max-width: 396px) 100vw, 396px\" \/><p id=\"caption-attachment-1870\" class=\"wp-caption-text\">sapo s.m. (sXIV cf. FichIVPM)1. HERP design. Comum aos anf\u00edbios anuros em geral, e em particular aos anf\u00edbios terrestres do g\u00ean. Bufo da fam. Dos bufon\u00eddeos, de pele rugosa e seca. cf. bufon\u00eddeo 2. BS. Pessoa que observa um jogo; peru, mir\u00e3o (\u2026) Fonte: Dicion\u00e1rio Houaiss<\/p><\/div>\n<p>Foi ent\u00e3o que expliquei a fun\u00e7\u00e3o do \u00edndice e, juntos, verificamos a sua utilidade. Aproveitei e peguei tamb\u00e9m os livros sobre sapos e fizemos novas constata\u00e7\u00f5es. E assim fomos prosseguindo nosso trabalho: escolhemos o t\u00edtulo para a nossa revista, n\u00ba de edi\u00e7\u00e3o, vimos a import\u00e2ncia do \u00edndice, fotos etc.<\/p>\n<p>Finalmente chegou a hora de produzirem os textos. Eu assumi a fun\u00e7\u00e3o de escriba e ia fazendo perguntas \u2013 como o sapo nasce; o que ele come etc. \u2013 que orientavam o ditado realizado pelas crian\u00e7as. E como tinha muito assunto, tivemos que combinar um outro dia para continuar, pois nosso tempo j\u00e1 tinha se esgotado.<\/p>\n<p>Demoramos ainda alguns dias para finalizar tudo. O resultado ficou surpreendente, tamanha a quantidade de informa\u00e7\u00f5es sobre os sapos. E at\u00e9 hoje as crian\u00e7as pensam e falam sobre sapos, r\u00e3s, girinos e companhia.<\/p>\n<p><strong>Uma breve avalia\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nDe tudo o que fizemos podemos afirmar que o que ficou mais marcado para Li, Andr\u00e9ia e eu, foi a import\u00e2ncia de considerar os conhecimentos pr\u00e9vios das crian\u00e7as antes de tentarmos \u201censinar\u201d novos conte\u00fados e o quanto esse tipo de atitude as aproxima da atividade, fazendo com que se torne significativa para elas. Sobretudo quando s\u00e3o consideradas autoras e produtoras de texto, ainda que t\u00e3o pequenas, ainda que n\u00e3o escrevam convencionalmente.<\/p>\n<p>A professora, claro, sempre ajuda, mas sem \u201cm\u00e3o de gato\u201d. Ela interv\u00e9m para apoiar, dar visibilidade e potencializar o que as crian\u00e7as sabem, al\u00e9m de intervir para que possam ir al\u00e9m. E o resultado vale por si e ningu\u00e9m h\u00e1 de negar!<\/p>\n<p>(K\u00e1tia Trovato Teixeira de Souza foi professora de apoio do Instituto Avisa l\u00e1 e atualmente desenvolve projetos de forma\u00e7\u00e3o no CEDAC.)<\/p>\n<h4>Forma\u00e7\u00e3o do professor: como fazemos a reflex\u00e3o sobre a pr\u00e1tica<\/h4>\n<p>Meu trabalho, como professora de apoio, tem como principal objetivo conseguir avan\u00e7os nas aprendizagens das crian\u00e7as. Mas enquanto fa\u00e7o isso tamb\u00e9m colaboro para a forma\u00e7\u00e3o da educadora e da coordenadora pedag\u00f3gica, que t\u00eam a rara oportunidade de se desincumbir da gest\u00e3o da sala apenas para me observar.<\/p>\n<p>Assim foi na Creche Figueira Grande: enquanto trabalhava com as crian\u00e7as, Li e Andr\u00e9ia faziam suas anota\u00e7\u00f5es, registravam suas d\u00favidas. Duas horas depois uma outra educadora vinha me substituir para que eu pudesse conversar com elas.<\/p>\n<p>Naquele dia, comecei falando sobre a necessidade de termos um tempo no nosso pr\u00f3ximo encontro, antes de sairmos para a represa, para a pesquisa em livros, pois na conversa com as crian\u00e7as havia notado que elas desconheciam a fase dos girinos, pensavam que eles nasciam como sapinhos.<\/p>\n<p>Mal eu terminara de falar, fui interrompida pelo entusiasmo de Li:<\/p>\n<p>\u2013 Eu gostei tanto da rea\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, das coisas que elas falaram sobre o sapo&#8230; At\u00e9 eu fiquei curiosa! E Andr\u00e9a acrescentou:<br \/>\n\u2013 Eu gostei do jeito que voc\u00ea conduziu a conversa, despertou o interesse de todo mundo. Primeiro voc\u00ea partiu da roda de conversa, falou de animais, os animais preferidos, depois falou de estudar um animal, deixou todo mundo curioso e contou a hist\u00f3ria do sapo.<\/p>\n<p>Percebendo que as duas estavam t\u00e3o satisfeitas com a manh\u00e3 que hav\u00edamos tido, pedi que falassem tudo o que haviam observado e, assim, fomos comentando juntas cada quest\u00e3o que levantaram: \u201cEscrever em cartaz o que sabem e o que querem descobrir.\u201d Essa escrita serve como registro de mem\u00f3ria e norteia o trabalho, mostrando o que j\u00e1 foi e o que n\u00e3o foi pesquisado, as descobertas feitas e os novos conhecimentos conquistados.<\/p>\n<p>Esse texto ainda dar\u00e1 subs\u00eddios para a produ\u00e7\u00e3o da revista informativa sobre os sapos. Importante escrever na frente das crian\u00e7as e, mais do que isso, escrever o que as crian\u00e7as ditam, situa\u00e7\u00e3o em que se v\u00eaem como autoras do texto e passam a perceber a correspond\u00eancia entre o oral e o escrito, uma vez que come\u00e7am a tentar acompanhar o tempo da fala com o da escrita no cartaz.<\/p>\n<p>\u201cAtrav\u00e9s da roda voc\u00ea chegou aonde queria.\u201d Interessante ver como \u00e9 poss\u00edvel promover uma situa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel que desperte o interesse das crian\u00e7as pelo assunto. Fazer uso da roda n\u00e3o s\u00f3 para partilhar o objetivo do projeto,mas tamb\u00e9m para favorecer a socializa\u00e7\u00e3o dos conhecimentos que as crian\u00e7as j\u00e1 possuem.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea deixou o cartaz na altura das crian\u00e7as e n\u00e3o quis colocar em cima do arm\u00e1rio.\u201d Os cartazes servir\u00e3o como material de consulta para as crian\u00e7as para as suas pr\u00f3ximas pesquisas e tamb\u00e9m para a produ\u00e7\u00e3o da revista (al\u00e9m da consulta poss\u00edvel para a escrita de determinadas palavras que precisem escrever e que tenham como localizar etc.). As crian\u00e7as s\u00e3o as autoras do texto e devem se ver como tal; para tanto devemos aproximar o material deles, j\u00e1 que far\u00e3o uso dele, e n\u00e3o afast\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Avaliamos, ao final, que tiv\u00e9ramos uma manh\u00e3 muito produtiva, tanto para as crian\u00e7as quanto para n\u00f3s, educadores, que pudemos nos deter mais tempo sobre nossa pr\u00e1tica e refletir sobre aspectos deste trabalho que podem nos ajudar a potencializar nosso tempo com as crian\u00e7as.<\/p>\n<h4>Os saberes das educadoras<\/h4>\n<p>Como \u00e9 de costume no nosso projeto de forma\u00e7\u00e3o, sa\u00ed da sala com Li e Andr\u00e9ia para que conversarmos sobre o que aconteceu. Li come\u00e7ou:<\/p>\n<p>\u2013 Eu nunca tinha feito pesquisa com eles, achava que eles n\u00e3o eram capazes, que n\u00e3o iam conseguir&#8230; Serviu para mim, porque eu vi que d\u00e1.<\/p>\n<p>A gente nunca pesquisou em livro, eu mesma nunca fiz leitura com eles. Isso de eles ditarem para os outros escreverem tamb\u00e9m n\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 O que eu fiquei observando foi a intera\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as.Todo mundo<br \/>\nestava procurando o que voc\u00ea pediu. Mas voc\u00ea trouxe o material necess\u00e1rio, sabia o que ia pedir. \u00c9 diferente de quando a gente larga o material na m\u00e3o das crian\u00e7as e pede que procurem sem a gente mesmo saber se ali tem o que se quer, e elas v\u00e3o achando qualquer coisa. Mas tamb\u00e9m tem que ter a maior paci\u00eancia de ir passando de grupo em grupo, repetir a toda hora aquilo que j\u00e1 falou, em todos os grupos dar a mesma consigna \u2013 continuou Andr\u00e9ia.<\/p>\n<p>Por fim, falei para elas dos meus principais objetivos com a atividade e quais orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas seriam importantes para o planejamento de uma atividade de leitura.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1871\" title=\"avisala_12_sapo3\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_12_sapo3.jpg\" alt=\"\" width=\"294\" height=\"207\" \/><\/p>\n<h4>Para saber mais<\/h4>\n<p><strong>O Projeto<\/strong> \u201cO pulo do sapo\u201d<br \/>\n<strong>Faixa et\u00e1ria:<\/strong> 4 anos<br \/>\n<strong>Objeto social do conhecimento:<\/strong> L\u00edngua Portuguesa e Ci\u00eancias<br \/>\n<strong>Objetivo do projeto:<\/strong> produzir uma revista com textos informativos sobre a transforma\u00e7\u00e3o (evolu\u00e7\u00e3o) de girinos em sapos.<br \/>\n<strong>Objetivo did\u00e1tico:<\/strong> aprender os procedimentos de pesquisa atrav\u00e9s do uso de v\u00e1rios instrumentos, tais como observa\u00e7\u00e3o direta da metamorfose dos girinos; leitura de textos informativos (leitura por imagens, leitura de antecipa\u00e7\u00e3o de significados e leitura realizada por adultos); assistir a um v\u00eddeo referente ao tema; fazer uso da escrita como registro dos conhecimentos constru\u00eddos ao longo dos processos (situa\u00e7\u00f5es de registro expont\u00e2neas e produ\u00e7\u00e3o de textos tendo o professor como escriba); promover o desenvolvimento da oralidade por meio de troca entre as crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Conte\u00fado espec\u00edfico:<\/strong> sele\u00e7\u00e3o de fontes de informa\u00e7\u00e3o por meio de leituras diversas e outras fontes de pesquisa; uso da escrita como recurso de sistematiza\u00e7\u00e3o; uso da escrita e da oralidade como meio de socializa\u00e7\u00e3o dos conhecimentos adquiridos e produ\u00e7\u00e3o de textos informativos sobre sapo.<\/p>\n<p><strong>Justificativa:<\/strong> as crian\u00e7as pequenas t\u00eam um grande interesse por animais. O projeto \u201cO pulo do sapo\u201d proporcionar\u00e1 esse contato ao promover uma postura investigativa por meio da observa\u00e7\u00e3o direta e por meio de outros recursos de pesquisa (revistas, livros e textos informativos). A produ\u00e7\u00e3o da revista entra com a fun\u00e7\u00e3o de sistematizar o conhecimento produzido, privilegiando, portanto, o uso da escrita de forma significativa.<\/p>\n<p><strong>Desenvolvimento do projeto:<\/strong> em cada momento, teremos sempre: etapas prov\u00e1veis; o que a professora quer que as crian\u00e7as aprendam em cada etapa do projeto.<\/p>\n<ol>\n<li>Atividade inicial \u2013 provocar uma discuss\u00e3o sobre os sapos em uma roda de conversa e construir um quadro que dever\u00e1 ser preenchido ao longo do projeto a partir das quest\u00f5es: o que j\u00e1 sabemos, o que queremos descobrir, o que aprendemos. Promover a troca de conhecimento entre as crian\u00e7as, sensibilizando-as para o tema.<\/li>\n<li>Buscar em livros, revistas e textos informa\u00e7\u00f5es sobre o assunto. Aprender a utilizar esses recursos como fonte de informa\u00e7\u00e3o e criar situa\u00e7\u00f5es de leitura de imagem.<\/li>\n<li>Levar para a sala de aula alguns girinos para observa\u00e7\u00e3o. Ter uma postura investigativa e buscar conhecimentos a partir da observa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Registro das transforma\u00e7\u00f5es observadas, realizado pela professora a partir do que foi ditado pelas crian\u00e7as. Presenciar o uso da escrita como um recurso para a coleta de dados e que as crian\u00e7as sejam as autoras efetivas do texto.<\/li>\n<li>Assistir a um v\u00eddeo que trate do assunto, ressaltando alguns pontos que devem ser observados. Reconhecer esse instrumento (v\u00eddeo) como mais uma fonte de pesquisa capaz de enriquecer os registros do quadro.<\/li>\n<li>Desenho de observa\u00e7\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es ocorridas que ir\u00e3o ilustrar a revista. Uso do desenho como forma de express\u00e3o e documenta\u00e7\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es observadas e produ\u00e7\u00e3o de material ilustrativo da revista.<\/li>\n<li>Escrita de textos informativos para a revista a partir do conhecimento constru\u00eddo no desenrolar da pesquisa (professor escriba). Sistematizar as descobertas para a elabora\u00e7\u00e3o da revista.<\/li>\n<li>Leitura de contos que t\u00eam o sapo como personagem principal (\u201cA festa no c\u00e9u\u201d, A princesa e o sapo\u201detc.). Ao entrar em contato com os textos narrativos, descobrir a exist\u00eancia do sapo como personagem de contos, confrontando as caracter\u00edsticas de um sapo real com o sapo das hist\u00f3rias.<\/li>\n<li>Escrever legendas para as figuras que far\u00e3o parte da revista. Permitir que as crian\u00e7as tivessem a oportunidade de escrever de pr\u00f3prio punho e a possibilidade de avan\u00e7ar nas suas hip\u00f3teses de escrita.<\/li>\n<li>Selecionar imagens e\/ou desenhos de que mais gostaram para compor a revista. Que possam discutir e ter material para tornar o texto que escreveram mais atrativo e interessante para o leitor.<\/li>\n<li>Atividade avaliativa: produ\u00e7\u00e3o de uma revista com textos informativos, referentes \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o (evolu\u00e7\u00e3o) de girinos em sapos. Socializar amplamente o que aprenderam sobre o tema por meio dos registros e ilustra\u00e7\u00f5es que fizeram, desenvolvendo uma postura de pesquisadores reais.<\/li>\n<\/ol>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica:<\/h4>\n<p>O projeto foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 parceria do Instituto C&amp;A; Desenvolvimento Social, Instituto Avisa l\u00e1 e Sociedade Amigos do Parque Figueira Grande.<\/p>\n<ul>\n<li>Creche Recanto Infantil Comunit\u00e1rio.Tel.: (11) 5831-3398. Equipe: Andr\u00e9ia Aparecida Rodrigues Yamachita, Gis\u00e9lia Marcelino dos Santos Silva, Eliz\u00e2ngela Eloy de Souza e K\u00e1tia Trovato Teixeira de Souza.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desenvolver um projeto did\u00e1tico possibilita trabalhar de forma integrada diferentes \u00e1reas do conhecimento. Quando se tem clareza de quais conte\u00fados e procedimentos espec\u00edficos devem ser possibilitados \u00e0s crian\u00e7as, os resultados s\u00e3o significativos. As mudan\u00e7as de percurso s\u00e3o feitas sem sustos. Por K\u00e1tia Trovato Teixeira de Souza<\/p>\n","protected":false},"author":68,"featured_media":3195,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[373,34],"tags":[1103,1325,59,21,504,151,214,505,506],"class_list":{"0":"post-1860","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-12","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2002","10":"tag-alfabetizacao","11":"tag-creche","12":"tag-escrita","13":"tag-katia-trovato-teixeira-de-souza","14":"tag-leitura","15":"tag-pesquisa","16":"tag-projeto-didatico","17":"tag-sapo","19":"post-with-thumbnail","20":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1860","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/68"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1860"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1860\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1860"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1860"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1860"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}