{"id":177,"date":"2000-01-11T20:48:58","date_gmt":"2000-01-11T22:48:58","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=177"},"modified":"2023-03-27T10:20:09","modified_gmt":"2023-03-27T13:20:09","slug":"mexe-e-remexe-arte-na-creche","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/sustanca\/mexe-e-remexe-arte-na-creche\/","title":{"rendered":"Mexe e remexe; Arte na Creche"},"content":{"rendered":"<p>Educadoras de creches de S\u00e3o Paulo est\u00e3o promovendo um interessante di\u00e1logo entre creche e museu. As educadoras v\u00e3o uma vez por m\u00eas ao MAM para visitar as exposi\u00e7\u00f5es, discutir com os monitores, entrar em contato com o trabalho de alguns artistas que l\u00e1 exp\u00f5em, participar de oficinas e ateli\u00eas onde podem explorar as possibilidades dos materiais, experimentar t\u00e9cnicas, meios, suportes e refletir sobre a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<div id=\"attachment_202\" style=\"width: 218px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-202\" class=\"size-full wp-image-202\" title=\"avisala_02_sustanca4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_sustanca4.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as brincando com bichos de papel\u00e3o, inspirados nas esculturas de Ligia Clark\" width=\"208\" height=\"208\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_sustanca4.jpg 208w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_sustanca4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 208px) 100vw, 208px\" \/><p id=\"caption-attachment-202\" class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as brincando com bichos de papel\u00e3o, inspirados nas esculturas de Ligia Clark<\/p><\/div>\n<p>A iniciativa partiu das formadoras do Crecheplan, Hel\u00f4 Pacheco e Denise Nalini; o intuito era criar situa\u00e7\u00f5es alternativas e complementares aos encontros promovidos pelo projeto de forma\u00e7\u00e3o de professores, garantindo o acesso das educadoras aos espa\u00e7os p\u00fablicos, aos bens culturais a que t\u00eam direito, enriquecendo e ampliando o contato delas com a arte erudita. As educadoras, seduzidas pela vontade de conhecer, participavam dos encontros assiduamente.<\/p>\n<div id=\"attachment_203\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-203\" class=\"size-full wp-image-203\" title=\"avisala_02_sustanca5\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_sustanca5.jpg\" alt=\"Fotos: Silvana Augusto\" width=\"240\" height=\"176\" \/><p id=\"caption-attachment-203\" class=\"wp-caption-text\">As esculturas de Lygia Clark n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 para ser observadas, bem guardadas nos museus: elas convidam \u00e0 intera\u00e7\u00e3o, sem a qual n\u00e3o se realiza o ato est\u00e9tico. Essa concep\u00e7\u00e3o inspirou algumas experi\u00eancias na Creche Meu Abacateiro.<\/p><\/div>\n<p>Em alguns desses encontros, lhes foi apresentado o trabalho de Lygia Clark, cuja exposi\u00e7\u00e3o permaneceu no MAM de junho a agosto de 1999. A concep\u00e7\u00e3o de arte de Lygia, a rela\u00e7\u00e3o com os objetos e as percep\u00e7\u00f5es corporais fizeram-nas pensar nas crian\u00e7as da creche que poderiam ir ao museu e tocar nas obras, n\u00e3o apenas olh\u00e1-las de longe.<\/p>\n<p>Seria poss\u00edvel levar essa express\u00e3o da arte \u00e0s crian\u00e7as? Como seria essa aproxima\u00e7\u00e3o? De toda a produ\u00e7\u00e3o dessa artista o que faria sentido para as crian\u00e7as?<\/p>\n<p>No in\u00edcio, uma boa conversa: as educadoras mostraram \u00e0s crian\u00e7as o que fizeram nas oficinas, falaram sobre o museu, suas visitas, os estudos que empreenderam e ainda curiosidades sobre a vida da artista e sua obra. O material usado, os textos e reprodu\u00e7\u00f5es de fotos, foram cedidos pelo MAM e pelo Crecheplan.<\/p>\n<p>Melhor informadas, as crian\u00e7as foram ao museu acompanhadas por suas professoras e monitores do MAM. O trabalho de Lygia era mesmo bom para as crian\u00e7as pequenas, que adoram mexer em tudo. Foi uma \u00f3tima oportunidade para elas conhecerem um espa\u00e7o cultural diferente da creche. Da\u00ed em diante, muitas experi\u00eancias foram propostas, inspiradas nos principais aspectos da obra de Lygia Clark: contato com objetos relacionais, cria\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras, esculturas m\u00f3veis, explora\u00e7\u00e3o de materiais, quebra de suporte, descoberta e viv\u00eancia de v\u00e1rios sentidos al\u00e9m da vis\u00e3o\u2026 iniciativas de educadoras que conhecem algo interessante e que t\u00eam prazer em compartilhar.<\/p>\n<h4><strong>Lygia Clark, a artista que despertou a curiosidade das educadoras<\/strong><\/h4>\n<div id=\"attachment_204\" style=\"width: 170px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-204\" class=\"size-full wp-image-204\" title=\"avisala_02_sustanca1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_sustanca1.jpg\" alt=\"Ligia Clark\" width=\"160\" height=\"200\" \/><p id=\"caption-attachment-204\" class=\"wp-caption-text\">Ligia Clark: &#8220;O homem encontra seu<br \/>pr\u00f3prio corpo atrav\u00e9s de sensa\u00e7\u00f5es t\u00e1teis realizadas em objetos exteriores a si&#8221;<\/p><\/div>\n<p>Lygia Clark nasceu em 1920, em Belo Horizonte. Aos 27 anos, depois de passar por uma s\u00e9ria crise pessoal que a levou a rever seus valores, voltou a estudar. Foi aluna de Burle Marx em 1947 e dois anos depois foi a Paris onde estabeleceu contato com L\u00e9ger. De volta ao Brasil, conviveu com H\u00e9lio Oiticica e M\u00e1rio Pedrosa, artistas que tinham como desafio a express\u00e3o individual, criadora, a quebra do suporte convencional da arte (a tela) e o questionamento do papel do espectador. Lygia Clark, por sua vez, sugeria o uso de outros sentidos al\u00e9m do olhar.<\/p>\n<p>Reconhecida por v\u00e1rias bienais, seu trabalho promoveu a arte fora dos museus, entrando no cotidiano, na vida das pessoas. Tratava-se de um novo conceito de arte. Ela ousou ainda mais, abrindo m\u00e3o do suporte convencional para propor uma outra forma de ocupar o espa\u00e7o: as superf\u00edcies bidimensionais ganharam volume e quebraram a id\u00e9ia de figura e fundo. Seus tridimensionais tornaram-se acess\u00edveis aos sujeitos, cujo toque podia transform\u00e1-los, modificando o car\u00e1ter convencionalmente est\u00e1tico das esculturas para mostrar uma arte no gesto, na intera\u00e7\u00e3o com o objeto.<\/p>\n<p>Um dos mais conhecidos trabalhos nessa linha \u00e9 &#8220;Os Bichos&#8221;, escultura m\u00f3vel, constru\u00edda com placas de alum\u00ednio articuladas, que lhe rendeu, em 1961, o pr\u00eamio da 6\u00ba bienal de S\u00e3o Paulo como melhor escultora nacional.<\/p>\n<p>Lygia Clark morreu em 1988, no Rio de Janeiro, mas continua sendo citada na discuss\u00e3o est\u00e9tica por muitos dos artistas contempor\u00e2neos.<\/p>\n<div id=\"attachment_205\" style=\"width: 507px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-205\" class=\"size-full wp-image-205\" title=\"avisala_02_sustanca2\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_sustanca2.jpg\" alt=\"Os Bichos, de Ligia Clark\" width=\"497\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_sustanca2.jpg 497w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_sustanca2-300x216.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_sustanca2-416x300.jpg 416w\" sizes=\"auto, (max-width: 497px) 100vw, 497px\" \/><p id=\"caption-attachment-205\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Os Bichos&#8221;<br \/>&#8220;\u00c9 o nome que dei \u00e0s minhas obras desse per\u00edodo, pois suas caracter\u00edsticas s\u00e3o fundamentalmente org\u00e2nicas. Al\u00e9m disso, a charneira da uni\u00e3o entre<br \/>os planos me fez lembrar uma espinha dorsal.&#8221; Lygia Clark, 1960<\/p><\/div>\n<h4><strong>Livros sensoriais<\/strong><\/h4>\n<p>Crian\u00e7as da creche Meu Abacateiro, inspiradas na fase sensorial do trabalho de Lygia Clark, desenvolveram trabalho cooperativo planejado por suas professoras<\/p>\n<p>As crian\u00e7as de 2 e de 4 anos da creche Meu Abacateiro tamb\u00e9m trabalharam sob a inspira\u00e7\u00e3o de Lygia Clark.<\/p>\n<p>As de 4 anos produziram colagens muito interessantes, que combinavam uma grande diversidade de materiais. Essas colagens eram as p\u00e1ginas dos livros sensoriais que foram dados \u00e0s crian\u00e7as de 2 anos.<\/p>\n<p>Os maiores, muito comprometidos, sentiram-se orgulhosos ao saber que seu trabalho tinha contribu\u00eddo para a aprendizagem dos menores, que assim puderam explorar a riqueza das sensa\u00e7\u00f5es apreendidas pelo tato numa roda proposta pela professora.<\/p>\n<p>Aproveitar as produ\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as, atribuindo sentidos diversos e promover intencionalmente novas parcerias, \u00e9 uma boa id\u00e9ia para ser adaptada! Experimente reeditar a id\u00e9ia na sua creche ou escola.<\/p>\n<div id=\"attachment_206\" style=\"width: 341px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-206\" class=\"size-full wp-image-206\" title=\"avisala_02_sustanca3\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_sustanca3.jpg\" alt=\"\" width=\"331\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_sustanca3.jpg 331w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisala_02_sustanca3-300x235.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 331px) 100vw, 331px\" \/><p id=\"caption-attachment-206\" class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as da creche Meu Abacateiro trabalharam e se divertiram inspirados na obra de Ligia Clark<\/p><\/div>\n<h4>Porque Lygia Clark faz sentido para as crian\u00e7as<\/h4>\n<p>O trabalho realizado nos ber\u00e7\u00e1rios com crian\u00e7as de at\u00e9 2 anos de idade, na creche Meu Abacateiro, foi inspirado na trajet\u00f3ria de Lygia Clark e consistiu no uso de objetos definidos por ela como sensoriais. A chance dada \u00e0s crian\u00e7as de experimentar situa\u00e7\u00f5es do fazer art\u00edstico de Lygia foi interessante, porque possibilitou um conhecimento, que combina com o jeito de ser de beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas: de fato, as sensa\u00e7\u00f5es t\u00e1teis colaboram para a constitui\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia corporal das crian\u00e7as do ber\u00e7\u00e1rio, ampliando sua viv\u00eancia e aprendizagem.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, as professoras da creche, a reflex\u00e3o sobre o trabalho de Lygia permitiu recolocar a inten\u00e7\u00e3o educativa do trabalho com objetos. Descobrimos que as sensa\u00e7\u00f5es trabalhadas com as crian\u00e7as podem ir al\u00e9m das quest\u00f5es f\u00edsicas e emocionais. Determinados jeitos de se relacionar com objetos podem ter outro sentido. Na creche, usamos objetos como pano transl\u00facido, massinha, saco pl\u00e1stico com \u00e1gua, todos inspirados nas propostas de Lygia. Essas &#8220;coisas&#8221; deixaram de ser meros objetos e ganharam outro sentido nas m\u00e3os das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Ao brincar com o tecido aderente e transl\u00facido costurado como um t\u00fanel<sup>1<\/sup>, as crian\u00e7as experimentaram novos olhares, a intera\u00e7\u00e3o com outras crian\u00e7as e ainda exercitaram o equil\u00edbrio.<br \/>\nAo brincar com a massinha, descobriram viv\u00eancias ligadas ao tato, ao movimento e ao reconhecimento das diferentes dimens\u00f5es encontradas pelas formas variadas. O saco pl\u00e1stico com \u00e1gua convidou-as ao toque sens\u00edvel, \u00e0 escuta dos barulhos produzidos pela a\u00e7\u00e3o e novamente \u00e0 visualiza\u00e7\u00e3o dos movimentos. Esses s\u00e3o apenas alguns dos objetos por n\u00f3s confeccionados. Continuamos com o desafio de pensar outros, a serem oferecidos a eles, os beb\u00eas, e \u00e0s crian\u00e7as pequenas que<br \/>\nfreq\u00fcentam nossa creche.<br \/>\n(Reflex\u00f5es sobre o trabalho de Regina Cardoso Guimar\u00e3es e S\u00f4nia Maria Boaventura da Silva \u2013 Creche Meu Abacateiro)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> T\u00fanel, 1973, trabalho realizado com alunos da Sorbonne,<br \/>\nParis. &#8220;Esse trabalho consiste em um t\u00fanel de pano de 50<br \/>\nmetros de extens\u00e3o. Entrando pelo t\u00fanel, as pessoas muitas<br \/>\nvezes se sentem sufocadas. Ent\u00e3o eu abro frestas no<br \/>\npano\u2026 as pessoas &#8216;nascem&#8217; atrav\u00e9s desses buracos.&#8221; (Lygia Clark)<\/p>\n<h4><strong>Dicas do Professor<\/strong><\/h4>\n<p>Fita de Moebius, o caminho que n\u00e3o tem fim<\/p>\n<p>Quanto mais se recorta, mais ela cresce.<br \/>\nDescubra o segredo da fita de Moebius<sup>2<\/sup> e apresente-a \u00e0s crian\u00e7as. Com uma simples fita e tesoura, elas poder\u00e3o criar objetos interessantes. Proponha uma oficina e aproveite para fotografar as diversas composi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Materiais: <\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>uma fita de papel<\/li>\n<li>tesoura (sem ponta se for oferecida \u00e0 crian\u00e7a pequena)<\/li>\n<li>cola<\/li>\n<li>recorte a fita na largura desej\u00e1vel<\/li>\n<li>tor\u00e7a uma vez o centro da fita e\u2026<br \/>\n\u2026cole as pontas<\/li>\n<\/ul>\n<p>inicie cortando a fita ao meio, seguindo uma linha reta; quanto mais estreito for seu corte, mais longo ser\u00e1 o caminho a ser percorrido. Esse recorte n\u00e3o tem mais fim, voc\u00ea \u00e9 quem vai decidir quando vai parar.<\/p>\n<div id=\"attachment_211\" style=\"width: 215px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-211\" class=\"size-full wp-image-211\" title=\"avisa2_dicas\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisa2_dicas.jpg\" alt=\"Fita de Moebus\" width=\"205\" height=\"524\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisa2_dicas.jpg 205w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/avisa2_dicas-117x300.jpg 117w\" sizes=\"auto, (max-width: 205px) 100vw, 205px\" \/><p id=\"caption-attachment-211\" class=\"wp-caption-text\">Fita de Moebius:<br \/>\u2022 recorte a fita na largura desej\u00e1vel<br \/>\u2022 tor\u00e7a uma vez o centro da fita e\u2026<br \/>\u2026cole as pontas<\/p><\/div>\n<p><sup>2<\/sup> A.F. Moebius, matem\u00e1tico e ge\u00f4metra, 1790-1860.<\/p>\n<blockquote><p>Puro fazer, sem obra e sem objeto &#8220;De fato, esses trabalhos da Lygia \u2013 que eu, na \u00e9poca, chamei de &#8216;n\u00e3o-objetos&#8217; \u2013 situam-se na fronteira da arte. Ningu\u00e9m sabia disso, ent\u00e3o, nem n\u00f3s nem ela. Mas ela logo o saber\u00e1 quando, cortando com uma tesoura uma fita de Moebius, inventa o que chamou de &#8216;Caminhando&#8217;, a obra que rompe a fronteira e faz vislumbrar &#8216;o singular estado de arte sem arte&#8217;. Ela aconselha qualquer pessoa a lan\u00e7ar m\u00e3o de uma tesoura e uma fita de Moebius e viver \u2013 como ela, Lygia, viver\u00e1 \u2013 a experi\u00eancia de criar. Criar a obra de arte? N\u00e3o: simplesmente viver o ato de criar. Noutras palavras, Lygia que, com &#8216;Os Bichos&#8217;, abrira a obra \u00e0 participa\u00e7\u00e3o (colabora\u00e7\u00e3o) do espectador, agora vai adiante: abdica de criar e transfere essa fun\u00e7\u00e3o ao espectador que, nessa altura, j\u00e1 deixou de s\u00ea-lo, para tornar-se autor. Mas para qual espectador? Todo autor pressup\u00f5e uma obra e um espectador dessa obra. Mas n\u00e3o, &#8216;Caminhando&#8217; n\u00e3o \u00e9 obra, mas puro ato de fazer.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>(Ferreira Gullar &#8211; in: Lygia Clark e a busca sem limites. Jornal da Tarde, 2 de abril de 1988)<\/p>\n<h4><strong>Para saber mais:<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Livros: <\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Lygia Clark. Lygia Clark e outros. Rio de Janeiro, Funarte, 1980<\/li>\n<li>Arte Brasileira Hoje. Ferreira Gullar (org.). Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1973<\/li>\n<li>Lygia Clark: obra-trajeto. Maria Alice Milliet, S\u00e3o Paulo, Edusp, 1992<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Cat\u00e1logos: <\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Exposi\u00e7\u00e3o de Lygia Clark, MAM, 1999<\/li>\n<li>Bienal do Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo nos anos de 1953, 1955, 1957,1959 e 1961<\/li>\n<li>Bienal de S\u00e3o Paulo, Funda\u00e7\u00e3o Bienal de S\u00e3o Paulo,<br \/>\nnos anos de 1963 e 1967<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Onde encontrar:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>O MAM de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m tem biblioteca e um setor educativo bastante atuante; os arte educadores do MAM foram parceiros na descoberta do universo de Lygia Clark pelas educadoras das creches, cujos trabalhos publicamos nesta se\u00e7\u00e3o. Interessados em conhecer outros artistas podem agendar oficinas e visitas monitoradas, tudo gratuitamente. MAM (Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo), Parque do Ibirapuera, port\u00e3o 3, Cep 04094-000, Fone: (0XX11) 549-9688<br \/>\nwww.mam.org.br &#8211; educativo@mam.org.br<\/li>\n<li>O Museu de Arte Contempor\u00e2nea de S\u00e3o Paulo possui cat\u00e1logos de antigas exposi\u00e7\u00f5es, recortes de revistas, jornais e uma boa cole\u00e7\u00e3o de slides das obras de Lygia Clark. A biblioteca do museu empresta todos<br \/>\nesses materiais mediante requisi\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o. O servi\u00e7o \u00e9 gratuito.<br \/>\nMAC USP (Museu de Arte Contempor\u00e2nea), Rua da Reitoria, 160, Cidade Universit\u00e1ria, Cep 05508-900 &#8211; S\u00e3o Paulo &#8211; SP, Fone: (0XX11) 818-3031<br \/>\nBibmac@edu.usp.br &#8211; www.mac.usp.br<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Onde encontrar produ\u00e7\u00f5es de Lygia:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro<\/li>\n<li>Museu de Arte Contempor\u00e2nea da Universidade de S\u00e3o Paulo<\/li>\n<li>Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo<\/li>\n<li>Museu de Arte Brasileira da Funda\u00e7\u00e3o Armando \u00c1lvares Penteado (FAAP)<\/li>\n<\/ul>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educadoras de creches de S\u00e3o Paulo est\u00e3o promovendo um interessante di\u00e1logo entre creche e museu. Muitas experi\u00eancias foram propostas inspiradas no trabalho de Ligia Clark.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1436,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45,57,27],"tags":[1101,64,28,48,62,61,63,65],"class_list":{"0":"post-177","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-dicas","8":"category-revista-avisala-02","9":"category-sustanca","10":"tag-revista-avisa-la-2000","11":"tag-abacateiro","12":"tag-arte","13":"tag-esculturas","14":"tag-interatividade","15":"tag-ligia-clark","16":"tag-moebius","17":"tag-museu","19":"post-with-thumbnail","20":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1436"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}