{"id":175,"date":"2000-01-11T19:16:47","date_gmt":"2000-01-11T21:16:47","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=175"},"modified":"2023-03-27T10:20:16","modified_gmt":"2023-03-27T13:20:16","slug":"entre-adaptar-se-e-ser-acolhido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/jeitos-de-cuidar\/entre-adaptar-se-e-ser-acolhido\/","title":{"rendered":"Entre adaptar-se e ser acolhido"},"content":{"rendered":"<p>At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, nas creches e pr\u00e9-escolas e at\u00e9 mesmo nas escolas de ensino fundamental parecia n\u00e3o haver outro jeito: ou as crian\u00e7as se adaptavam ou se adaptavam. No entanto, isso vem mudando. As boas institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o t\u00eam se preocupado em acolher bem a crian\u00e7a que chega.<!--more--><\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre o per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as a uma institui\u00e7\u00e3o<br \/>\nescolar j\u00e1 tem hist\u00f3ria na educa\u00e7\u00e3o de nosso pa\u00eds. As dificuldades enfrentadas nos primeiros dias pelas crian\u00e7as, ao ingressar em uma institui\u00e7\u00e3o educacional, eram vistas como um mal necess\u00e1rio pelo qual todas deveriam passar. Era comum apostar que mais cedo ou mais tarde elas acabariam se acostumando, porque de um jeito ou de outro isso acabava mesmo acontecendo.<\/p>\n<p>Sofrimento, inseguran\u00e7a, desamparo e outras poss\u00edveis decorr\u00eancias desse processo eram desconhecidas, por<br \/>\nvezes ignoradas. Mas, para muitos adultos, a lembran\u00e7a dos primeiros<br \/>\ndias de escola faz parte, para sempre, de recorda\u00e7\u00f5es pouco agrad\u00e1veis.<br \/>\nCom o passar dos anos a educa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a considerar a psicologia e,<br \/>\nem especial, a psican\u00e1lise<sup>1<\/sup>, preocupando-se cada vez mais com os sentimentos, as emo\u00e7\u00f5es, a individualidade, a constru\u00e7\u00e3o da identidade e o processo de socializa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>As escolas que atendiam a fam\u00edlias de classe m\u00e9dia e alta foram as primeiras a repensar o processo de entrada da crian\u00e7a, por meio da formula\u00e7\u00e3o de procedimentos espec\u00edficos.<br \/>\nDesde ent\u00e3o, in\u00fameras propostas t\u00eam sido implementadas visando receber a crian\u00e7a e sua fam\u00edlia da melhor forma poss\u00edvel. Todas elas concordam com o fato de que a entrada na escola pode gerar estresse nas crian\u00e7as, fam\u00edlias e profissionais da educa\u00e7\u00e3o envolvidos no processo.<br \/>\nNo entanto, \u00e9 poss\u00edvel suavizar consideravelmente esse impacto, por<br \/>\nmeio de um planejamento cuidadoso e da antecipa\u00e7\u00e3o de problemas bastante comuns nessa fase. O planejamento da adapta\u00e7\u00e3o, embora comum, n\u00e3o est\u00e1 totalmente implementado na educa\u00e7\u00e3o, principalmente<br \/>\nnas escolas p\u00fablicas e creches que atendem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de baixa renda.<\/p>\n<p>Parece existir ainda resist\u00eancias em planejar-se uma boa acolhida. As explica\u00e7\u00f5es s\u00e3o variadas mas sempre refor\u00e7am um preconceito: h\u00e1 quem pense que cuidados na adapta\u00e7\u00e3o s\u00e3o um &#8220;luxo&#8221; destinado aos ricos. A crian\u00e7a pobre n\u00e3o precisaria disso, na medida em que m\u00e3es e crian\u00e7as de baixa renda j\u00e1 est\u00e3o acostumadas a sofrer, que qualquer lugar do mundo \u00e9<br \/>\nmelhor do que suas casas e que quem precisa do servi\u00e7o deve submeter-se, sem atrapalhar muito. Quando os problemas s\u00e3o constatados, \u00e9 comum consider\u00e1-los como uma &#8220;manha&#8221; da crian\u00e7a ou excesso de mimo da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Esse jeito de tratar a quest\u00e3o revela uma concep\u00e7\u00e3o assistencialista e preconceituosa, na qual a educa\u00e7\u00e3o do pobre \u00e9 vista como um favor.<br \/>\nFelizmente, nesta \u00faltima d\u00e9cada, essa vis\u00e3o tem sido oficialmente<br \/>\ncontestada. O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, a Lei de Diretrizes e<br \/>\nBases da Educa\u00e7\u00e3o, e mais recentemente o Referencial Curricular<br \/>\nNacional de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, afirmam o direito da crian\u00e7a a uma<br \/>\neduca\u00e7\u00e3o de qualidade. Consideramos que o planejamento cuidadoso<br \/>\nda entrada da crian\u00e7a na escola deve ser inerente ao projeto educativo<br \/>\nda institui\u00e7\u00e3o, um indicador de qualidade do servi\u00e7o prestado.<\/p>\n<p>Mais<br \/>\ndo que adapta\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante pensar em acolhimento.<br \/>\nEsse acolhimento pode ser enfocado de diferentes pontos de vista:<\/p>\n<ul>\n<li>o da crian\u00e7a, pelo significado e emo\u00e7\u00e3o despertados pela passagem<br \/>\nde um espa\u00e7o seguro e conhecido para outro em que \u00e9 necess\u00e1rio um investimento afetivo e intelectual para poder estar bem;<\/li>\n<li>o das fam\u00edlias, que compartilham a educa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com<br \/>\na creche\/pr\u00e9-escola;<\/li>\n<li>o do professor, que recebe uma crian\u00e7a desconhecida e ainda tem<br \/>\nas outras do grupo para acolher;<\/li>\n<li>o das outras crian\u00e7as, que est\u00e3o chegando ou que fazem parte do<br \/>\ngrupo e precisam encarar o fato de que h\u00e1 mais um com quem repartir, mas tamb\u00e9m com quem somar;<\/li>\n<li>o da institui\u00e7\u00e3o, nos aspectos organizacional e de gest\u00e3o, que precisam prever espa\u00e7o f\u00edsico, materiais, tempo e recursos humanos capacitados para essa a\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Neste artigo, enfocaremos o ponto de vista da crian\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>A diferen\u00e7a entre adaptar-se \u00e0 escola e ser acolhido por ela<\/strong><\/p>\n<p>O nome adapta\u00e7\u00e3o pode sugerir apenas o esfor\u00e7o que a crian\u00e7a realiza para ficar, e bem, no espa\u00e7o coletivo, povoado de pessoas grandes e pequenas, todas desconhecidas, enfrentando rela\u00e7\u00f5es, regras e limites diferentes do espa\u00e7o dom\u00e9stico a que ela est\u00e1 acostumada. H\u00e1, de fato, sempre um grande esfor\u00e7o por parte da crian\u00e7a que chega e que est\u00e1 conhecendo o ambiente da institui\u00e7\u00e3o, mas entendemos que o processo de conhecer e estabelecer novos v\u00ednculos depende fundamentalmente da forma como a crian\u00e7a \u00e9 acolhida.<\/p>\n<p>Considerar a adapta\u00e7\u00e3o sobre o aspecto de acolher, aconchegar, procurar oferecer bem-estar, conforto f\u00edsico<br \/>\ne emocional, amparar, amplia significativamente o papel e a responsabilidade da institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o neste processo. A qualidade<br \/>\ndo acolhimento deve garantir a qualidade da adapta\u00e7\u00e3o; portanto, trata-se de uma decis\u00e3o institucional, pois h\u00e1 uma inter-rela\u00e7\u00e3o entre os movimentos da crian\u00e7a e da institui\u00e7\u00e3o, fazendo parte do mesmo<br \/>\nprocesso.<\/p>\n<p><strong>O acolhimento na sua dimens\u00e3o cotidiana <\/strong><\/p>\n<p>O acolhimento deve acontecer todo dia na entrada; ap\u00f3s uma temporada sem vir \u00e0 escola; quando algum imprevisto acontece e a crian\u00e7a sai mais tarde; depois que as outras j\u00e1 sa\u00edram; ap\u00f3s um per\u00edodo de doen\u00e7a e, enfim, sempre que o adulto julgar conveniente, porque \u00e9 bom para toda crian\u00e7a ser bem-recebida e sentir-se importante para algu\u00e9m. N\u00f3s, adultos, tamb\u00e9m somos sens\u00edveis ao acolhimento. Quando somos bem-recebidos, em qualquer lugar, em geral nossa rea\u00e7\u00e3o \u00e9 de simpatia e abertura, o que nos leva a esperar o melhor daquele ambiente e daquelas pessoas. Quando, ao contr\u00e1rio, somos recebidos friamente, nossa tend\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m<br \/>\nignorar, n\u00e3o nos envolver, passar desapercebidos. E o que acontece<br \/>\nquando somos mal recebidos? A gente jura n\u00e3o voltar mais \u00e0quele<br \/>\nlugar! Algo parecido acontece com as crian\u00e7as e suas fam\u00edlias quando<br \/>\nchegam \u00e0 creche ou \u00e0 pr\u00e9-escola.<\/p>\n<p>Ao considerarmos que cuidar \u00e9<br \/>\nreconhecer e atender \u00e0s necessidades infantis teremos que necessariamente refletir sobre a quest\u00e3o e organizar com aten\u00e7\u00e3o o processo de acolhimento. Como as crian\u00e7as podem viver a entrada na<br \/>\ninstitui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o Para a crian\u00e7a, entrar na creche, pr\u00e9-escola ou mesmo na escola implica um processo ativo de constru\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos e de v\u00ednculos.<\/p>\n<p>Quando chega \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, ela j\u00e1 pode ter expectativas sobre o comportamento dos adultos, das outras crian\u00e7as<br \/>\ne at\u00e9 mesmo sobre a forma de se relacionar com os objetos e brinquedos, pois construiu refer\u00eancias a partir de suas viv\u00eancias e experi\u00eancias, mesmo que seja uma crian\u00e7a bem pequenina, um beb\u00ea. Ela precisa de um tempo para ver com clareza as diferen\u00e7as entre sua casa e a escola e para que transfira seus sentimentos b\u00e1sicos de confian\u00e7a e seguran\u00e7a<br \/>\npara algu\u00e9m. Esse tempo \u00e9 bastante individualizado &#8211; algumas crian\u00e7as<br \/>\npassam por esse momento de forma mais r\u00e1pida, outras mais lenta &#8211; por<br \/>\nisso n\u00e3o se pode preestabelec\u00ea-lo.<br \/>\nAs crian\u00e7as lidam fundamentalmente com a ansiedade da separa\u00e7\u00e3o: a<br \/>\nescola tem um papel fundamental ao estabelecer a separa\u00e7\u00e3o entre<br \/>\nm\u00e3e e filho, isso pode ser bastante positivo para ambos, mas pode,<br \/>\ntamb\u00e9m, gerar inseguran\u00e7a e fantasias de abandono. Nesse caso, a<br \/>\nescola e o professor precisam se revelar um porto seguro para a crian\u00e7a,<br \/>\naquilo que lhe garante, por meio da aten\u00e7\u00e3o e de atividades adequadas,<br \/>\nque ela n\u00e3o ser\u00e1 esquecida.<\/p>\n<p>Algumas crian\u00e7as demonstram maior<br \/>\nconfian\u00e7a e passam a freq\u00fcentar aescola como se, naturalmente, j\u00e1<br \/>\nfizessem parte daquele ambiente; talvez sejam crian\u00e7as que j\u00e1 viveram<br \/>\nexperi\u00eancias positivas de separa\u00e7\u00e3o, ou que esperam este momento<br \/>\nansiosamente, porque t\u00eam outros irm\u00e3os que j\u00e1 freq\u00fcentam a escola.<br \/>\nMas grande parte das crian\u00e7as costuma reagir fortemente \u00e0 separa\u00e7\u00e3o<br \/>\nde diferentes maneiras: elas podem chorar ou, ao contr\u00e1rio, ficarem<br \/>\nmuito caladas; podem agredir outras crian\u00e7as, podem adoecer, recusar-se<br \/>\na comer, a dormir, a brincar. \u00c9 preciso acolher essas manifesta\u00e7\u00f5es e conhecer a forma de cada um reagir, considerando como natural dentro<br \/>\ndesse processo, sem rotular a crian\u00e7a a partir disso.<\/p>\n<p>Algumas crian\u00e7as t\u00eam rituais espec\u00edficos para dormir, comer ou usar o<br \/>\nbanheiro, outras usam objetos tais como paninhos, chupetas, brinquedos<br \/>\ne ficam apegadas a eles. Essas coisas possuem um significado especial para elas, pois criam a ilus\u00e3o de que a m\u00e3e ou a pessoa na qual investem afeto est\u00e3o pr\u00f3ximas, o que lhes proporciona maior conforto emocional e seguran\u00e7a. Deixar que a crian\u00e7a mantenha seu jeito de ser, seus rituais e sua rotina individualizada, para aos poucos se ajustar ao grupo, proporciona suavidade \u00e0 transi\u00e7\u00e3o, sem rupturas bruscas e maior controle do adulto sobre o processo. Conversar com a crian\u00e7a sobre seus sentimentos, sobre a nova rotina, esclarecendo o que vai acontecer com ela, ajud\u00e1-la a expressar seus sentimentos e valoriz\u00e1-la enquanto pessoa, s\u00e3o cuidados que a ajudam a desenvolver sua autoconfian\u00e7a para lidar com a nova situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cisele Ortiz (psic\u00f3loga e coordenadora de projetos de capacita\u00e7\u00e3o), 1999.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> A psican\u00e1lise \u00e9 o conjunto de teorias formuladas por Sigmund Freud (neuropsiquiatra austr\u00edaco &#8211; 1856\/1939) e seus disc\u00edpulos, no qual h\u00e1 a<br \/>\nvaloriza\u00e7\u00e3o do inconsciente que se manifesta independentemente de nossa vontade. A psican\u00e1lise nos ajuda a compreender o desenvolvimento<br \/>\ninfantil do ponto de vista das emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h4><strong>Para saber mais:<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>Investiga\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a em intera\u00e7\u00e3o social, colet\u00e2nea da ANPEPP volume 1, n\u00ba 4<\/li>\n<li>Integra\u00e7\u00e3o Fam\u00edlia e Creche &#8211; O acolhimento \u00e9 o princ\u00edpio de tudo,<br \/>\nMaria Clotilde Rossetti Ferreira, K\u00e1tia Amorim e Telma Vit\u00f3ria, Colet\u00e2nea de Sa\u00fade Mental\/FMRP USP\/Ribeir\u00e3o Preto<\/li>\n<li>Referencial Curricular Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, Brasil, MEC<\/li>\n<li>A adapta\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a pequena \u00e0 creche\/pr\u00e9-escola, Irene Franciscato, Crecheplan (mimeo)<\/li>\n<li>O in\u00edcio da vida escolar &#8211; da separa\u00e7\u00e3o \u00e0 independ\u00eancia, Nancy Balaban, ed. Artes M\u00e9dicas<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Direto da pr\u00e1tica: para refletir com sua equipe<\/strong><\/h4>\n<blockquote><p>&#8220;Ao entrar no ber\u00e7\u00e1rio depois do almo\u00e7o, percebi que, ao lado de uma garotinha de cerca de um ano, havia um menino. Pelo seu tamanho, devia fazer parte de outro grupo et\u00e1rio. Eram irm\u00e3os. Para se acalmar ele fora levado ao ber\u00e7\u00e1rio onde a irm\u00e3 tamb\u00e9m se adaptava, chorando menos que ele. Estavam deitados, ela enroscada no corpo do irm\u00e3o, numa posi\u00e7\u00e3o fetal. N\u00e3o queria sair de perto dele, n\u00e3o queria ser olhada nem tocada. Tinha uma chupeta na boca amarrada a uma fralda maior do que ela. Percebi que, embora acordados, permaneciam ali encolhidos, se auto-apoiando, tentando sobreviver no meio de v\u00e1rios beb\u00eas que dormiam, choravam ou eram atendidos pelas educadoras. O garoto, Carlos, parecia mais calmo e demonstrava interesse em sair de l\u00e1. Sentei no ch\u00e3o a seu lado e mostrei alguns brinquedos para tentar atra\u00ed-lo. A garotinha n\u00e3o admitia separar-se dele, mantinha o corpo enrolado, o rosto no colo de Carlos. Ele tentava consol\u00e1-la e quando ofereci mamadeira a ela, ele lhe disse carinhosamente: &#8216;quer mamadeira fiinha?&#8217; \u00c0 medida que ela se recusava e come\u00e7ava a chorar, ele n\u00e3o ag\u00fcentava e chorava tamb\u00e9m, chamando pela m\u00e3e, embora houvesse um vis\u00edvel interesse pelo instrumento sonoro que usei para acompanhar uma m\u00fasica. Cantei e toquei para eles, e o menino, interessado, pegou o instrumento de minha m\u00e3o e come\u00e7ou a me acompanhar no ritmo da m\u00fasica. Meu objetivo era dar-lhes recursos para organizar sua emo\u00e7\u00e3o, envolv\u00ea-los, aproximar-me, descobrir algo que os tirasse da inseguran\u00e7a e do medo, que lhes confortasse. Era preciso ajud\u00e1-los. O menino, principalmente, tinha dificuldades em lidar com suas emo\u00e7\u00f5es, percebiase que se sentia responsabilizado por apoiar a irm\u00e3, mas ao mesmo tempo se &#8220;contagiava&#8221; em suas emo\u00e7\u00f5es (\u2026)<br \/>\nAfinal, ele tamb\u00e9m era pequeno e precisava de tempo para lidar com seus sentimentos e poder se envolver com outros interesses e com o que o cercava.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>(Do di\u00e1rio de Damaris Maranh\u00e3o, enfermeira do Crecheplan, em observa\u00e7\u00e3o feita num ber\u00e7\u00e1rio, 1998)<\/p>\n<h4><strong>Direto da pr\u00e1tica: jeitos de planejar uma boa acolhida<\/strong><\/h4>\n<blockquote><p>(&#8230;) &#8220;A Creche Carochinha compreende a necessidade de que o processo de adapta\u00e7\u00e3o ocorra da forma menos penosa poss\u00edvel, tanto para a crian\u00e7a e sua fam\u00edlia como tamb\u00e9m para as educadoras envolvidas. Tendo isso em mente, prepara a fase do ingresso \u00e0 creche de forma a promover o conhecimento e a confian\u00e7a m\u00fatuos, buscando favorecer, assim, a integra\u00e7\u00e3o e o estabelecimento de v\u00ednculos entre os familiares e as educadoras. Para isso, o ingresso das crian\u00e7as e das fam\u00edlias \u00e9 cuidadosamente programado por meio de um conjunto de medidas:<\/p>\n<ul>\n<li>\u00e9 dedicada uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 fam\u00edlia antes do dia do ingresso da crian\u00e7a, quando a entrevista de matr\u00edcula tem mais o objetivo de facilitar a integra\u00e7\u00e3o do que o de obter informa\u00e7\u00f5es (estas \u00faltimas s\u00e3o complementadas em momentos posteriores);<\/li>\n<li>a inser\u00e7\u00e3o \u00e9 feita progressivamente, duas crian\u00e7as por subgrupo, por semana, sendo que cada crian\u00e7a ingressa em um per\u00edodo do dia (manh\u00e3\/tarde), o que d\u00e1 \u00e0s educadoras maior disponibilidade para o<br \/>\natendimento ao beb\u00ea e \u00e0 sua fam\u00edlia;<\/li>\n<li>durante um per\u00edodo, variando entre uma a duas semanas, algum familiar \u00e9 solicitado a permanecer junto \u00e0 crian\u00e7a na creche. Esse tempo \u00e9 gradualmente reduzido, \u00e0 medida que aumenta o tempo de perman\u00eancia do beb\u00ea na creche, at\u00e9 este mostrar-se mais tranq\u00fcilo durante o per\u00edodo integral de sua estada ali.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00c9 importante salientar que essa creche j\u00e1 acumulou uma experi\u00eancia na promo\u00e7\u00e3o de processos de adapta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nProcura garantir um per\u00edodo espec\u00edfico do ano para receber crian\u00e7as e fam\u00edlias novas, normalmente nos tr\u00eas primeiros meses. Da mesma forma, garante que nunca ingressem mais do que duas crian\u00e7as na mesma semana, na mesma turma, o que faz com que sejam necess\u00e1rias algumas semanas para completar uma turma de crian\u00e7as, que, para a faixa et\u00e1ria de 0-2 anos, pode variar de 5 a 8 elementos.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>(Emerg\u00eancia de novos significados durante o processo de adapta\u00e7\u00e3o de beb\u00eas \u00e0 creche \u2013 Maria Clotilde Rossetti Ferreira, K\u00e1tia Amorim e Telma Vit\u00f3ria)<\/p>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, nas creches e pr\u00e9-escolas e at\u00e9 mesmo nas escolas<br \/>\nde ensino fundamental parecia n\u00e3o haver outro jeito: ou as crian\u00e7as se adaptavam<br \/>\nou se adaptavam. isso vem mudando. Por Cisele Ortiz<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1436,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,57],"tags":[1101,8,60,58,59],"class_list":{"0":"post-175","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-jeitos-de-cuidar","8":"category-revista-avisala-02","9":"tag-revista-avisa-la-2000","10":"tag-acolhimento","11":"tag-adaptacao","12":"tag-cisele-ortiz","13":"tag-creche","15":"post-with-thumbnail","16":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=175"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1436"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}