{"id":1669,"date":"2002-04-02T13:55:19","date_gmt":"2002-04-02T16:55:19","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=1669"},"modified":"2023-03-27T16:53:13","modified_gmt":"2023-03-27T19:53:13","slug":"linhas-e-entrelinhas-de-uma-historia-como-trabalhar-reescrita-com-criancas-de-6-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/linhas-e-entrelinhas-de-uma-historia-como-trabalhar-reescrita-com-criancas-de-6-anos\/","title":{"rendered":"Linhas e entrelinhas de uma hist\u00f3ria &#8211; Como trabalhar reescrita com crian\u00e7as de 6 anos"},"content":{"rendered":"<h5>As hist\u00f3rias s\u00e3o fonte para in\u00fameras aprendizagens que colaboram para a constru\u00e7\u00e3o do sujeito, para a compreens\u00e3o das quest\u00f5es afetivas, para o desenvolvimento da imagina\u00e7\u00e3o, do pensamento. S\u00e3o tamb\u00e9m recursos inestim\u00e1veis para conhecer a linguagem com a qual se escreve. A reescrita do conto oriental &#8220;O Quebrador de Pedras&#8221; surpreende e encanta, pois as crian\u00e7as aprendem muito sobre o que envolve a escrita e a produ\u00e7\u00e3o de texto<\/h5>\n<p><!--more--><\/p>\n<div id=\"attachment_1672\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1672\" class=\"size-full wp-image-1672\" title=\"quebrador\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/quebrador1.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/quebrador1.jpg 560w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/quebrador1-300x112.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><p id=\"caption-attachment-1672\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es de Maria Fernanda e B\u00e1rbara<\/p><\/div>\n<p>No primeiro semestre as crian\u00e7as tiveram a oportunidade de ouvir v\u00e1rios contos e se encantaram com alguns deles, pedindo que eu os recontasse mais de uma vez. Quando propus que, em duplas, elas reescrevessem o conto preferido, a turma realizou uma vota\u00e7\u00e3o e escolheu \u201cO Quebrador de Pedras\u201d<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p>Antes de relatar as etapas mais importantes de todo o processo que se seguiu, \u00e9 fundamental compreender dois aspectos essenciais que justificam uma proposta de reescrita de um conto conhecido.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nEm primeiro lugar, a partir do contato com bons textos a crian\u00e7a tem a possibilidade de compreender caracter\u00edsticas da linguagem que se escreve, muito diferentes da linguagem coloquial. Isto \u00e9, se a crian\u00e7a vai escrever uma hist\u00f3ria inventada, por exemplo, \u00e9 natural que fa\u00e7a uso de express\u00f5es que costuma falar em seu dia-a-dia.<\/p>\n<p>Em contrapartida, se vai reescrever uma hist\u00f3ria que conhece bem, pois j\u00e1 ouviu e contou v\u00e1rias vezes, ter\u00e1 a possibilidade de fazer uso de express\u00f5es que aparecem no texto, aproximando-se da linguagem que se escreve.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a crian\u00e7a pode ter a chance de desenvolver compet\u00eancias como leitora, pois o fato de reescrever uma hist\u00f3ria j\u00e1 conhecida possibilita criar novos instrumentos de an\u00e1lise do que, de fato, constitui um bom texto.<\/p>\n<div id=\"attachment_1673\" style=\"width: 233px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1673\" class=\"size-full wp-image-1673\" title=\"avisala_10_quebrador3\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador3.jpg\" alt=\"\" width=\"223\" height=\"256\" \/><p id=\"caption-attachment-1673\" class=\"wp-caption-text\">Maria Fernanda e B\u00e1rbara, 6 anos<\/p><\/div>\n<p>Isto \u00e9, a proposta de reescrita permite que a crian\u00e7a reflita sobre quest\u00f5es que se referem a alguns aspectos do g\u00eanero que n\u00e3o s\u00e3o percebidos enquanto se l\u00ea e, ao colocar-se tais quest\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel que se d\u00ea conta de tais aspectos como leitora.<\/p>\n<p>Por exemplo, buscar maneiras de enriquecer a descri\u00e7\u00e3o de onde se passa uma hist\u00f3ria na hora de iniciar um conto permite que a crian\u00e7a possa, ao ler v\u00e1rios outros contos, analisar se o que est\u00e1 lendo \u00e9 ou n\u00e3o um texto de qualidade em termos descritivos.<\/p>\n<p>Portanto, foi importante esclarecer para as crian\u00e7as que elas n\u00e3o iriam copiar a hist\u00f3ria, mas sim criar uma mesma hist\u00f3ria a partir do texto fonte, buscando recursos pr\u00f3prios para contar o que achavam mais importante.<\/p>\n<p><strong>O in\u00edcio do trabalho <\/strong><br \/>\nRelemos o texto mais de uma vez, as crian\u00e7as recontaram a hist\u00f3ria oralmente em diferentes situa\u00e7\u00f5es e tivemos v\u00e1rias conversas sobre como imaginavam Shao Lee, personagem principal, e sobre o significado daquela hist\u00f3ria:<\/p>\n<p>\u2013 Eu acho que o Shao Lee tinha uma barbichinha porque morava no Oriente \u2013 come\u00e7ou Lu\u00eds Felipe.<\/p>\n<p>\u2013 Acho que ele tinha os dentes amarelos e era muito pobre! Coitado, ficava muito no sol&#8230; O dia inteiro! \u2013 continuou B\u00e1rbara.<\/p>\n<p>\u2013 Deve ter bigode porque a\u00ed o sol n\u00e3o queima o rosto dele \u2013 disse Maria Fernanda.<\/p>\n<p>\u2013 Ent\u00e3o ele era moreno e tinha os olhos escuros \u2013 concluiu Beatriz.<\/p>\n<p>\u2013 E era bem magro, eu acho! \u2013 completou Patr\u00edcia.<\/p>\n<p>&#8211; Por qu\u00ea? \u2013 perguntei.<\/p>\n<p>\u2013 U\u00e9, ele n\u00e3o tinha dinheiro para comprar comida; era quebrador de pedras, era pobre! \u2013 respondeu Maria Fernanda.<\/p>\n<p>\u2013 Mas ele era superforte, quebrava pedras o dia inteiro! \u2013 lembrou Gabriel Ghion.<\/p>\n<p>\u2013 E a roupa que ele usava tinha que ser escura, por causa do p\u00f3 das pedras&#8230;devia ser toda empoeirada \u2013 falou Camila.<\/p>\n<p>\u2013 Ele queria ser sempre mais poderoso! \u2013 disse L\u00e9o.<\/p>\n<p>\u2013 Ele nunca ficava contente! \u2013 afirmou B\u00e1rbara.<\/p>\n<p>\u2013 E por que ser\u00e1? \u2013 perguntei novamente.<\/p>\n<p>\u2013 Sei l\u00e1&#8230; tem gente que \u00e9 assim! \u2013 respondeu Maria Fernanda.<\/p>\n<p>\u2013Tem gente assim? \u2013 insisti \u2013 N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na hist\u00f3ria que isso acontece?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o aparece nenhum g\u00eanio de verdade na vida da gente, mas tem gente que n\u00e3o consegue ser feliz porque n\u00e3o tem o que quer&#8230; \u2013 comentou Beatriz.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-1674\" title=\"avisala_10_quebrador14\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador14.jpg\" alt=\"\" width=\"114\" height=\"185\" \/><\/p>\n<p><strong>O resultado das primeiras interven\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nNo fim de agosto partiram para a reescrita propriamente dita. Dividi as crian\u00e7as em duplas pensando em alguns crit\u00e9rios como possibilidade de troca de conhecimentos, de colabora\u00e7\u00e3o, e pedi que recontassem a hist\u00f3ria da maneira que quisessem, como fizeram Maria Fernanda e Camila.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1675\" title=\"avisala_10_quebrador6\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador6.jpg\" alt=\"\" width=\"209\" height=\"187\" \/><br \/>\nA partir da primeira produ\u00e7\u00e3o de cada dupla, fui realizando interven\u00e7\u00f5es coletivas que dessem subs\u00eddios \u00e0s crian\u00e7as para enriquecer o in\u00edcio de cada conto. Trouxe, primeiramente, alguns trechos iniciais de diferentes hist\u00f3rias e de descri\u00e7\u00e3o de personagens de alguns contos, como esse, por exemplo:<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muito tempo n\u00e3o chovia naquela terra. Estava t\u00e3o quente e seco que as flores ficaram murchas, o capim tornara-se marrom e at\u00e9 mesmo as \u00e1rvores grandes estavam morrendo. A \u00e1gua evaporou nos rios e nos c\u00f3rregos, os po\u00e7os estavam secos e as fontes pararam de jorrar. As vacas, os c\u00e3es, os cavalos, os p\u00e1ssaros e todas as pessoas tinham muita sede. Todos se sentiam incomodados e doentes.\u201d<\/p>\n<p>Propus que, \u00e0 medida que eu fosse lendo, fechassem os olhos e tentassem imaginar como era o lugar ou o personagem apresentado no texto. A partir desse trecho, as crian\u00e7as puderam perceber quais as in\u00fameras caracter\u00edsticas de um lugar que \u00e9 realmente muito seco.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, registraram as caracter\u00edsticas do in\u00edcio de um conto:<\/p>\n<ul>\n<li>o lugar em que acontece a hist\u00f3ria;<\/li>\n<li>o tempo em que a hist\u00f3ria acontece;<\/li>\n<li>o lugar em que a hist\u00f3ria acontece.<\/li>\n<\/ul>\n<p>E, ainda, como deveriam come\u00e7ar as hist\u00f3rias que est\u00e3o no passado:<\/p>\n<ul>\n<li>Era uma vez&#8230;<\/li>\n<li>H\u00e1 muito tempo&#8230;<\/li>\n<li>Nas antigas terras&#8230;<\/li>\n<li>H\u00e1 muitos e muitos s\u00e9culos&#8230;<\/li>\n<\/ul>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1676\" title=\"avisala_10_quebrador2\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador2.jpg\" alt=\"\" width=\"331\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador2.jpg 331w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador2-300x203.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 331px) 100vw, 331px\" \/>Depois de toda essa discuss\u00e3o propus que come\u00e7assem a escrever novamente o conto. Podemos observar, na produ\u00e7\u00e3o de Maria Fernanda e Camila, a mudan\u00e7a significativa no texto, que, dessa vez, traz muitos detalhes.<\/p>\n<p>H\u00c1 MUITO TEMPO HATR\u00c1S NAS ANTIGAS TERRAS DO ORIENTE N\u00c3O XOVIA. HAVIA UMA MONTANHA QUE ERA MUITO GRANDE. NELA, UM SINPRI QUEBRADOR DE PERAS XAMADO SHAO LEE VIVIHA L\u00c1 QUEBANDO PEDRAS ENORMES E BEI GIGATES. DITANTOQUEBRAR PEDRAS FICOU COM AS M\u00c3OS ROXAS SHAO LEETINHA BARBA, OLIOS PUXADOS E ERA MUITO CORAJOSO MAS ERA POBRE E ERA TRISTE<\/p>\n<p><strong>A descoberta de um novo procedimento<\/strong><br \/>\nUma vez por semana, as crian\u00e7as passaram a escrever um peda\u00e7o da hist\u00f3ria. Recebiam j\u00e1 digitada a parte que fora escrita e continuavam a escrever do ponto em que haviam parado. As duplas reliam o que j\u00e1 estava escrito e Bete, professora auxiliar, e eu faz\u00edamos perguntas sobre alguma informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o estivesse clara ou que estivesse faltando.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio as crian\u00e7as se mostraram muito resistentes em complementar algumas informa\u00e7\u00f5es: \u00e9 que elas n\u00e3o queriam copiar ou escrever tudo novamente. Ent\u00e3o ensinamos o recurso do uso de asteriscos numerados (*1) para indicar onde deveria ser acrescentado um novo trecho. Cada dupla poderia escrever em outra folha o que seria complementado durante as revis\u00f5es e a nova digita\u00e7\u00e3o. Observe como Lucas e Luiz Ot\u00e1vio complementaram algumas informa\u00e7\u00f5es:<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1677\" title=\"avisala_10_quebrador7\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador7.jpg\" alt=\"\" width=\"395\" height=\"160\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador7.jpg 395w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador7-300x121.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 395px) 100vw, 395px\" \/><\/p>\n<p>Para nossa surpresa, esse recurso passou a ser utilizado at\u00e9 mesmo em outras situa\u00e7\u00f5es, durante a produ\u00e7\u00e3o dos textos para a Feira de Ci\u00eancias, por exemplo.<\/p>\n<p>As produ\u00e7\u00f5es revelam as aprendizagens das crian\u00e7as A descri\u00e7\u00e3o do \u201cnovo Shao Lee\u201d cada vez que era transformado pelo g\u00eanio tamb\u00e9m passou a ser explorada, dando ao leitor uma id\u00e9ia muito completa de sua nova personalidade, como mostra o exemplo da Claudia e da Juliana:<\/p>\n<p>NO MESMO TEMPO SHAO LEE SE VIU DENTO DE UM PAL\u00c1CIO QUE ERA SEU VIU QUE ESTAVA COM UMA ROUPA DE UMA COROA DE OURO E MUITOS COSTUREIROS FAZENDOS MUITAS ROUPAS BONITAS PARA ELEL MAIS N\u00c3O FICOU FELIZ POR MUITO TEMPO UM DIA NOM DOS SEOS PASEIOS ESTAVA NUMA LITEIRA O SOL SE DEPARAVA NA COROA DE SHAO LEE SEMPRE QUE ELE IA PASIAR NA RUA O SOL BRILHAVA EM SUA COROUA E ELE FICAVA MUITO IRITADO: \u2013 G\u00caNIO EU QUERO SER SOL<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi poss\u00edvel, durante a reescrita de cada trecho, acompanhar o uso freq\u00fcente que as duplas faziam de express\u00f5es que, sem d\u00favida nenhuma, caracterizam um bom texto liter\u00e1rio. A qualidade de um trecho do texto de B\u00e1rbara e Gabriel Silveira confirmam isso:<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1678\" title=\"avisala_10_quebrador8\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador8.jpg\" alt=\"\" width=\"255\" height=\"89\" \/><\/p>\n<p><strong>Quando e como faz sentido aprender pontua\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nFui procurando pontuar e socializar descobertas que algumas duplas fizeram, a partir da observa\u00e7\u00e3o do texto fonte, sobre o uso de &#8220;dois pontos&#8221; e &#8220;travess\u00e3o&#8221; indicando a fala de personagens.<\/p>\n<p>\u2013 \u201cOlha, aqui no livro sempre que o g\u00eanio e o Shao Lee v\u00e3o falar tem esses dois pontinhos e esse tracinho&#8230;\u201d \u2013 disse Beatriz.<\/p>\n<p>Depois de sua descoberta, as produ\u00e7\u00f5es escritas passaram a trazer essa pontua\u00e7\u00e3o, como no exemplo de Patr\u00edcia e Gabriel Ghion:<\/p>\n<p>EQUANTO MAIS OSHAOLE RECLAMAVA QUEOGENIO APARESEU O GENIO DISEASIM:<br \/>\n\u2013 O QUE VOCE QUER<br \/>\nEU QUERO CER UM SOL, O GENIO EXCLAMOU:<br \/>\n\u2013 CEU DESEJO \u00c9 UMA ORDEI<\/p>\n<p>Acabei informando tamb\u00e9m sobre o uso dos pontos de exclama\u00e7\u00e3o e interroga\u00e7\u00e3o, a partir da an\u00e1lise de um trecho do texto fonte, pois, a exemplo de Andr\u00e9 Parise e L\u00e9o, as crian\u00e7as se apropriaram do uso de palavras como \u201cexclamou\u201d e \u201cperguntou\u201d:<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1679\" title=\"avisala_10_quebrador9\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador9.jpg\" alt=\"\" width=\"172\" height=\"70\" \/><\/p>\n<p><strong>A investiga\u00e7\u00e3o de novos recursos discursivos<\/strong><br \/>\nUm outro aspecto bastante discutido na explora\u00e7\u00e3o desse conto diz respeito \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o de alguns trechos. Fiquei surpresa com a liga\u00e7\u00e3o que as crian\u00e7as conseguiram estabelecer entre o recurso da repeti\u00e7\u00e3o e o efeito que se quer causar no leitor:<\/p>\n<p>\u2013 Eu acho que o g\u00eanio aparece e responde sempre do mesmo jeito pra gente saber que ele est\u00e1 aparecendo muito \u2013 disse Claudia.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 pra gente que est\u00e1 lendo saber que o g\u00eanio sempre faz a mesma coisa!<br \/>\n\u2013 corrigiu Camila.<br \/>\n\u2013 E que o Shao Lee nunca fica satisfeito \u2013 completou Lucas.<br \/>\n\u2013 \u00c9 pra gente que est\u00e1 lendo ir se cansando de ouvir, igual como o g\u00eanio estava se cansando de receber tantos pedidos! \u2013 disse Luiz Gustavo, indo ainda mais longe.<\/p>\n<p>Um bom exemplo de que as crian\u00e7as compreenderam muito bem que uma reescrita n\u00e3o \u00e9 uma c\u00f3pia foi observar que cada uma encontrou uma maneira diferente de repetir alguma passagem ou de utilizar uma mesma palavra, escrevendo-a mais de uma vez, a cada pedido do g\u00eanio, como fizeram Henrique e Lu\u00eds Felipe:<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1680\" title=\"avisala_10_quebrador10\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador10.jpg\" alt=\"\" width=\"274\" height=\"140\" \/><\/p>\n<p><strong>Aprender a revisar textos<\/strong><br \/>\nDepois que as crian\u00e7as conclu\u00edram suas hist\u00f3rias, iniciamos um processo de revis\u00e3o dos textos, considerando aspectos de coer\u00eancia, pontua\u00e7\u00e3o e ortografia. Um dos recursos utilizados para a revis\u00e3o foi oferecer j\u00e1 digitados os textos corrigidos por elas anteriormente, acompanhados de bilhetes que apontavam \u00e0s duplas o que precisaria ser alterado:<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1681\" title=\"avisala_10_quebrador11\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador11.jpg\" alt=\"\" width=\"410\" height=\"287\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador11.jpg 410w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador11-300x210.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><br \/>\nPara revisar algumas quest\u00f5es ortogr\u00e1ficas, xeroquei hist\u00f3rias escritas pelas crian\u00e7as e coloquei-as em transpar\u00eancia, utilizando o retroprojetor para uma an\u00e1lise coletiva. Assim, elas foram relendo e alterando algumas palavras.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que as reescritas foram \u201ccorrigidas\u201d e \u201cmelhoradas\u201d a partir das possibilidades do grupo e, por isso, ainda h\u00e1 algumas escritas ortograficamente incorretas. Mas acredito que, j\u00e1 que esse produto final representa toda a evolu\u00e7\u00e3o conquistada em termos de escrita, \u00e9 importante respeitar o que p\u00f4de ser revisto at\u00e9 o final do grupo 6, o que n\u00e3o \u00e9 pouca coisa!<\/p>\n<p><strong>Um fechamento com final muito feliz<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s todas as revis\u00f5es as crian\u00e7as confeccionaram a capa do livro e ilustraram seus contos: o resultado p\u00f4de ser apreciado no dia da formatura da turma que estava passando para a primeira s\u00e9rie do ensino fundamental. Elas estavam sabendo tantas coisas!<\/p>\n<div id=\"attachment_1682\" style=\"width: 599px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1682\" class=\"size-full wp-image-1682\" title=\"avisala_10_quebrador5\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador5.jpg\" alt=\"\" width=\"589\" height=\"539\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador5.jpg 589w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador5-300x274.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 589px) 100vw, 589px\" \/><p id=\"caption-attachment-1682\" class=\"wp-caption-text\">Professoras Denise e Elizabete e seus alunos do grupo 6 de 2001<\/p><\/div>\n<p>Todas as reescritas ficaram encantadoras! Esta foi, sem d\u00favida nenhuma, uma excelente oportunidade que as crian\u00e7as tiveram de perceber, j\u00e1 nas primeiras produ\u00e7\u00f5es de texto de suas vidas, que por tr\u00e1s das linhas de qualquer texto bem escrito h\u00e1 muitas entrelinhas: vers\u00f5es diferentes, rascunhos, palavras substitu\u00eddas, omitidas, acrescentadas, interrup\u00e7\u00f5es para se olhar para o vazio na procura de uma palavra mais bonita, deslocamentos do autor, colocando-se no lugar do leitor para pensar se vai entender ou n\u00e3o o que se procura dizer, pedidos para que o outro leia e nos diga o que achou, se algo pode ou deve ser melhorado etc.<\/p>\n<p>Enfim, saber desde cedo que a escrita \u00e9 sempre um processo que precisa contar com a disponibilidade e com o compromisso de escrever, ler, reescrever, para melhorar o pr\u00f3prio texto e ficar satisfeito com sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o. Isso far\u00e1, com certeza, com que essas crian\u00e7as tenham maiores chances de serem verdadeiros usu\u00e1rios da escrita, aqueles que encaram o papel em branco como um convite para a cria\u00e7\u00e3o, vendo-o como uma grande aventura e n\u00e3o como um espa\u00e7o que amedronta e paralisa.<\/p>\n<p>(Denise Milan Tonello, Professora da escola Nossa Senhora do Morumbi &#8211; Mopyat\u00e3)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup> \u201cO Quebrador de Pedras\u201d, in Novas Hist\u00f3rias Antigas &#8211; Rosane Pamplona &amp; Dino Bernardi Junior &#8211; Brinque Book Editora de Livros Ltda<\/p>\n<h4>Bibliografia<\/h4>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li>Aprender a escrever, ensinar a escrever. Magda Becker Soares, do livro A Magia da Linguagem. Org. Edwiges Zaccur. DP&amp;A Ed.Tel.: (21) 233-2518<\/li>\n<li>O quebrador de pedras. Cole\u00e7\u00e3o Novas Hist\u00f3rias Antigas. Rosane Pamplona &amp; Dino Bernardi Junior. Ed. Brinque Book.Tel.: (11) 3742-8142<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-1683\" title=\"avisala_10_quebrador12\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador12.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"325\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador12.jpg 230w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/avisala_10_quebrador12-212x300.jpg 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/p>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reescrita do conto oriental &#8220;O Quebrador de Pedras&#8221; surpreende e encanta, pois as crian\u00e7as aprendem muito sobre o que envolve a escrita e a produ\u00e7\u00e3o de texto. Por Denise Milan Tonello<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":3182,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[371,34],"tags":[1103,470,149,258,21,471,145,472,428,469],"class_list":{"0":"post-1669","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-10","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2002","10":"tag-6-anos","11":"tag-contos","12":"tag-denise-milan-tonello","13":"tag-escrita","14":"tag-imaginacao","15":"tag-linguagem","16":"tag-o-quebrador-de-pedras","17":"tag-producao-de-textos","18":"tag-reescrever-historias","20":"post-with-thumbnail","21":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1669","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1669"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1669\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3182"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1669"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1669"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1669"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}