{"id":1582,"date":"2002-04-15T13:06:05","date_gmt":"2002-04-15T16:06:05","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=1582"},"modified":"2023-03-27T16:51:45","modified_gmt":"2023-03-27T19:51:45","slug":"apresentando-a-cultura-e-o-mundo-o-dia-a-dia-da-crianca-dos-2-aos-3-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/reflexoes-do-professor\/apresentando-a-cultura-e-o-mundo-o-dia-a-dia-da-crianca-dos-2-aos-3-anos\/","title":{"rendered":"Apresentando a cultura e o mundo &#8211; O dia-a-dia da crian\u00e7a dos 2 aos 3 anos"},"content":{"rendered":"<h5>O que trazemos nas pr\u00f3ximas p\u00e1ginas \u00e9 um registro interessante e emocionado de um trabalho comprometido com a necessidade de apresentar o mundo e a cultura para as crian\u00e7as pequenas. Nele se percebe como esses conhecimentos s\u00e3o alimentos poderosos para a intelig\u00eancia e a imagina\u00e7\u00e3o dos pequenos.Veja o que \u00e9 poss\u00edvel fazer com esta faixa et\u00e1ria nas delicadas palavras de uma professora<\/h5>\n<p><!--more--><\/p>\n<div id=\"attachment_1586\" style=\"width: 206px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1586\" class=\"size-full wp-image-1586\" title=\"reflexoes2\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/reflexoes2.jpg\" alt=\"\" width=\"196\" height=\"388\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/reflexoes2.jpg 196w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/reflexoes2-151x300.jpg 151w\" sizes=\"auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><p id=\"caption-attachment-1586\" class=\"wp-caption-text\">Desenho de Marina<\/p><\/div>\n<p>Escrever sobre um grupo de 2 anos \u00e9 poder compartilhar um pequeno peda\u00e7o de muitas conquistas e avan\u00e7os. Mas a maior fatia saboreamos n\u00f3s, professores, no decorrer de cada dia.<\/p>\n<p>Mesmo assim, espero conseguir descrever, pelo menos um pouco, alguns dos momentos, mostrando como, em um semestre, apresentei hist\u00f3rias, poesias, conhecimentos sobre a natureza, m\u00fasica e dan\u00e7a para crian\u00e7as t\u00e3o pequenas. O texto a seguir faz parte do relat\u00f3rio que enviei aos pais do grupo de 2 a 3 anos, da escola Logos, no segundo semestre de 2000.<br \/>\n<!--more--><br \/>\n<strong>Todo dia \u00e9 dia de hist\u00f3ria<\/strong><br \/>\nAs rodas de leitura na biblioteca, que acontecem desde o in\u00edcio do ano, est\u00e3o cada vez mais interessantes. No primeiro semestre eu exercia o papel de tradutora simult\u00e2nea. Quando Laura, nossa bibliotec\u00e1ria, n\u00e3o entendia o que uma crian\u00e7a dizia, ia logo pedindo para apertar a tecla SAP, que no caso era eu.<\/p>\n<p>Mas hoje n\u00e3o precisamos tanto desse recurso: contamos com um grupo mais falante dentro e fora da sala de aula. Agora, em nossas rodas de conversa de quinta-feira, dia em que vamos \u00e0 biblioteca, conversarmos sobre o nosso roteiro: falamos um pouco sobre o livro que levamos para casa na semana anterior e pensamos nos livros que vamos solicitar \u00e0 Laura.<\/p>\n<p>Na biblioteca as crian\u00e7as j\u00e1 falam com mais desenvoltura e selecionam melhor os livros que procuram nas prateleiras. Quase sempre pedem nossa opini\u00e3o, mas \u00e0s vezes est\u00e3o t\u00e3o decididas que n\u00e3o h\u00e1 quem consiga faz\u00ea-las mudar de id\u00e9ia.Aceitam as indica\u00e7\u00f5es da Laura na roda de leitura, mas depois elas pr\u00f3prias procuram o que desejam. Lembro-me de que Guilherme, um dia pediu um livro de pr\u00edncipe, mas Laura n\u00e3o conseguia encontrar nada que lhe agradasse.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o ele disse:<br \/>\n\u2013 Voc\u00ea tem o da espada que sai da terra?<br \/>\nBingo! Descobrimos: tratava-se de A espada era lei, livro que n\u00e3o sairia de suas m\u00e3os por um bom per\u00edodo.<\/p>\n<p>Est\u00e3o cada vez mais apaixonados pelos livros e por suas hist\u00f3rias. Uma das primeiras coisas que fazem quando chegam \u00e0 biblioteca, \u00e9 apresentar o livro que levaram para casa aos colegas.<\/p>\n<p>Nos grupos maiores, essa atividade funciona como uma roda de indica\u00e7\u00e3o de leitura e, em nosso grupo, as crian\u00e7as recontam as hist\u00f3rias lidas em casa. Aos poucos o grupo vai se apropriando da linguagem desse portador textual:<\/p>\n<p>\u2013 Era uma vez uma Pocahontas, era uma vez um pai de uma Pocahontas \u2013 dizia Carolina ao folhear um livro.<br \/>\n\u2013 Era uma vez e acabou a hist\u00f3ria! \u2013 disse apressado Jo\u00e3o Campos.<br \/>\nComo est\u00e3o mais afiados no reconto, acabam transportando essa novidade para a sala de aula: quando termino a leitura de uma hist\u00f3ria, uma das crian\u00e7as j\u00e1 diz,\u201cagora \u00e9 minha vez\u201d, e come\u00e7a a contar. Ficam um bom tempo se deliciando com as hist\u00f3rias. Nunca se contentam com uma s\u00f3: esperam as que selecionei e depois fazem seus pedidos, chegando a ouvir \u00e0s vezes mais de tr\u00eas hist\u00f3rias.<\/p>\n<div id=\"attachment_1587\" style=\"width: 285px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1587\" class=\"size-full wp-image-1587\" title=\"avisala_10_reflexoes11\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_10_reflexoes11.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"205\" \/><p id=\"caption-attachment-1587\" class=\"wp-caption-text\">Desde os 2 anos as crian\u00e7as da escola Logos v\u00e3o \u00e0 biblioteca escolher<br \/>novos livros para levar para casa<\/p><\/div>\n<p>Um outro avan\u00e7o \u00e9 o cuidado com os livros. Desde o primeiro semestre, sempre que uma crian\u00e7a rasgava algum, consert\u00e1vamos em roda. Aos poucos o grupo foi tomando maior cuidado ao folhe\u00e1-los e hoje, quando encontram uma das p\u00e1ginas rasgadas, v\u00e3o logo perguntando quem foi e procurando durex para consertar. E quando, por acidente, uma delas rasga um dos livros, ela pr\u00f3pria fala:<br \/>\n\u2013 E agora! Vamo col\u00e1, Lucila!<\/p>\n<p><strong>Poesia \u00e9 para brincar<\/strong><br \/>\nNossa rotina j\u00e1 estava estruturada, e o grupo foi pedindo mais: experimentar ingredientes de uma nova receita, identificar seu nome no cart\u00e3o de chamada, contar os dias para a festa de algum colega, ajudar a marcar a rotina do dia etc. Al\u00e9m dessas atividades permanentes, desenvolvemos seq\u00fc\u00eancias de atividades que possibilitaram a amplia\u00e7\u00e3o do universo cultural do grupo e maior autonomia das crian\u00e7as. Um exemplo foi o trabalho com as poesias.<\/p>\n<p>Na verdade, essa seq\u00fc\u00eancia teve in\u00edcio j\u00e1 no finalzinho do primeiro semestre, quando come\u00e7amos a compartilhar os livros de poesias utilizados pelo grupo 2 e 3 da manh\u00e3.<\/p>\n<p>Meu interesse, e creio que o de toda professora que trabalha e aprende cada vez mais com as crian\u00e7as menores, era simplesmente possibilitar o contato com um outro texto al\u00e9m das hist\u00f3rias. Pretendia demonstrar-lhes meu pr\u00f3prio fasc\u00ednio pela poesia, para que tivessem prazer em ouvir, conhecer e usufruir desse g\u00eanero.<\/p>\n<p>Selecionei poesias de Vinicius de Moraes, Jos\u00e9 Paulo Paes, S\u00e9rgio Caparelli, Almir Correa e Paulo Leminski. Comecei lendo as poesias do livro Poemas para Brincar, de Jos\u00e9 Paulo Paes.<\/p>\n<p>No segundo semestre levei para a roda o livro Poemas Malandrinhos, de Almir Correa, e li para o grupo a poesia que hoje \u00e9 uma de suas prediletas, a que conta o que acontece com uma sandalinha cor \u2013 de &#8211; rosa que pisou no coc\u00f4.<\/p>\n<div id=\"attachment_1588\" style=\"width: 217px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1588\" class=\"size-full wp-image-1588 \" title=\"avisala_10_reflexoes12\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_10_reflexoes12.jpg\" alt=\"\" width=\"207\" height=\"471\" \/><p id=\"caption-attachment-1588\" class=\"wp-caption-text\">Depois do lanche, na volta do parque, na hora da sa\u00edda, sempre h\u00e1 tempo para apreciar um bom livro. A Escola organiza cantinho de leitura em todas as salas desde muito cedo<\/p><\/div>\n<p>A primeira leitura foi coberta de risos, pois esse \u00e9 um dos assuntos de grande interesse para os pequenos. Aos poucos ia acrescentando novos cartazes ao nosso varal de poesias, e, quando os levava \u00e0 roda, o grupo j\u00e1 ia se antecipando e recitando a seu modo cada poesia.<\/p>\n<p>Mais interessante do que saber de cor, ou um n\u00famero enorme de poemas,<br \/>\nera a possibilidade de brincar com as palavras, de dan\u00e7ar ao som do tic-tac do rel\u00f3gio do poema, ou de muitas vezes imitar a professora engrossando a voz ou colocando a m\u00e3o na cintura.<\/p>\n<p>Fomos gravando alguns momentos de nossos recitais, e ouv\u00edamos em outras situa\u00e7\u00f5es de roda. As crian\u00e7as faziam um esfor\u00e7o para recitar todo o poema, ou narrar algo que a poesia ou o nome do autor evocava.<\/p>\n<p>A leitura de poesias pelo professor \u00e9 muito importante: as crian\u00e7as atuam como ouvintes, numa escuta que nunca \u00e9 passiva, pois enquanto escutam dialogam internamente com quem l\u00ea, al\u00e9m de perceberem como funcionam os textos convencionais.<\/p>\n<p><strong>Natureza a gente v\u00ea de perto <\/strong><br \/>\nTemos curtido bastante a companhia das duas mais novas integrantes da sala: nossas tartarugas macho e f\u00eamea. Afinal, n\u00e3o conseguimos chegar a um veredicto sobre o nome delas. O m\u00e1ximo que conseguimos, no dia em que chegamos da loja de bichos, foi um \u201cnome\u201d provis\u00f3rio. Quando perguntei como poder\u00edamos cham\u00e1-las, Maria respondeu:<br \/>\n\u2013 Tartaruga, vem aqui.<\/p>\n<p>Eu tinha uma enorme preocupa\u00e7\u00e3o em abordar o assunto fazendo perguntas que levassem o grupo a pensar, pois n\u00e3o tinha respostas prontas para elas.<\/p>\n<p>Isso possibilitou \u00e0s crian\u00e7as a descoberta de fontes de informa\u00e7\u00f5es. Na sala t\u00ednhamos livros e recursos visuais separados numa caixa em que guard\u00e1vamos todos os materiais sobre as tartarugas.<\/p>\n<p>Durante um per\u00edodo, nossas rodas sobre o assunto perderam a vivacidade. Fui percebendo que, com crian\u00e7as pequenas, o professor planeja perguntas mas acaba ele mesmo tendo que respond\u00ea-las. Mas o exerc\u00edcio de perguntar, aguardar poss\u00edveis respostas e depois informar \u00e9 importante, porque funciona como um referencial para os pequenos.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos um aqu\u00e1rio para as tartarugas, do qual nos aproxim\u00e1vamos apenas na hora de aliment\u00e1-las. Descobri que ele poderia ter outros usos, como fonte direta de pesquisa. Ent\u00e3o comecei a carreg\u00e1-lo para as rodas de conversa, ou a rode\u00e1-lo com as crian\u00e7as, quando queria conversar sobre as tartarugas.<\/p>\n<p>Envolvi as crian\u00e7as na lavagem do aqu\u00e1rio e na troca de \u00e1gua. Em outros momentos, propunha compara\u00e7\u00f5es entre os h\u00e1bitos das nossas tartarugas e os da Bolota, a tartaruga terrestre do grupo 3. Fomos descobrindo algumas caracter\u00edsticas comuns e outras bem distintas, como observou Leonardo:<\/p>\n<p>\u2013 Essa tartaruga \u00e9 marrom e essa \u00e9 verde.<\/p>\n<div id=\"attachment_1589\" style=\"width: 328px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1589\" class=\"size-full wp-image-1589\" title=\"avisala_10_reflexoes13\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_10_reflexoes13.jpg\" alt=\"\" width=\"318\" height=\"206\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_10_reflexoes13.jpg 318w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_10_reflexoes13-300x194.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><p id=\"caption-attachment-1589\" class=\"wp-caption-text\">Uma visita \u00e0 loja de aqu\u00e1rios<\/p><\/div>\n<p>O contato com as tartarugas \u2013 proporcionado por meio de atividades que envolveram observa\u00e7\u00f5es, troca de id\u00e9ias entre as crian\u00e7as, atividades de cuidado com nossa ajuda \u2013 possibilitou a elas aprenderem algumas no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas necess\u00e1rias \u00e0 seguran\u00e7a desses animais, como n\u00e3o bater no vidro, n\u00e3o colocar danoninho do lanche l\u00e1 dentro nem apert\u00e1-las quando estiv\u00e9ssemos com elas nas m\u00e3os, coisas que aconteceram algumas vezes. Al\u00e9m de lavar as m\u00e3os depois do contato com elas.<\/p>\n<p><strong>M\u00fasica e dan\u00e7a desde cedo<\/strong><br \/>\nA seq\u00fc\u00eancia de atividades a partir das produ\u00e7\u00f5es musicais de Capiba, compositor pernambucano considerado o eterno mestre do frevo, partiu de um desejo meu de resgatar ra\u00edzes e compartilhar com um grupo de crian\u00e7as de 2 e 3 anos, fascinado por m\u00fasica, essa importante produ\u00e7\u00e3o da cultura nordestina.<\/p>\n<p>Com certeza, se Capiba ainda estivesse vivo, se sentiria muito honrado em ver crian\u00e7as t\u00e3o pequenas encantadas com sua hist\u00f3ria ou a dan\u00e7ar ao som de seus frevos. Lembro-me ainda da primeira vez que apresentei uma de suas m\u00fasicas; Guilherme assim que viu a foto do autor comentou, entre gargalhadas:<\/p>\n<p>\u2013 Que engra\u00e7ado! Parece um velhinho, igual o vov\u00f4.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ouvir a can\u00e7\u00e3o, propus ao grupo um pequeno baile em que nos divertimos muito. As rodas seguintes foram se tornando sin\u00f4nimo de dan\u00e7a:<br \/>\n\u2013 Vamo dan\u00e7\u00e1, vamo dan\u00e7\u00e1! \u2013 propunha Carol assim que o som era ligado.<\/p>\n<p>Sempre que trazia algo novo sobre Capiba, o grupo relembrava algo que eu tinha dito sobre ele numa roda anterior:<\/p>\n<p>\u2013 O Capiba morreu bem velhinho? \u2013 Maria perguntava.<br \/>\n\u2013 O Capiba mora l\u00e1 longe, em Pernambuco \u2013 dizia L\u00e9o.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, propositadamente, ligava o som e n\u00e3o dizia nada. Ent\u00e3o, Jo\u00e3o Campos me perguntava:<br \/>\n\u2013 Essa \u00e9 do Capiba, n\u00e3o \u00e9 Lu ?<br \/>\n\u2013 \u00c9 do Capiba! \u2013 afirmava Jo\u00e3o Pedro, conhecedor do assunto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1590\" title=\"avisala_10_reflexoes14\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_10_reflexoes14.jpg\" alt=\"\" width=\"459\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_10_reflexoes14.jpg 459w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_10_reflexoes14-300x130.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 459px) 100vw, 459px\" \/>Aos poucos, fomos alargando as possibilidades, e passamos a falar sobre o lugar em que Capiba nasceu, das dan\u00e7as que as pessoas costumam dan\u00e7ar l\u00e1, das pessoas que cantavam suas m\u00fasicas. Como faz\u00edamos bailes freq\u00fcentes, come\u00e7amos a pensar em algo que pudesse permear essas brincadeiras. Ent\u00e3o, come\u00e7amos a confeccionar roupas para brincar.<\/p>\n<p>Primeiro a roupa de Maracatu, ou Macalatu, como dizia Clara. Com a colabora\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio e Helena, pais de Maria, as crian\u00e7as puderam se deliciar com uma sess\u00e3o de slides sobre o Maracatu, ao som do CD Espet\u00e1culos Populares de Pernambuco.<\/p>\n<p>Puderam tamb\u00e9m vivenciar uma roda de cantigas com Izabel, av\u00f3 do Jo\u00e3o Pedro e Tereza, m\u00e3e de Guilherme. \u00c9 uma del\u00edcia ouvi-los num pequeno pot-pourri de can\u00e7\u00f5es, v\u00ea-los falar de Capiba como se fala de um amigo \u00edntimo, ou falando de produ\u00e7\u00f5es culturais com a mesma naturalidade com que falam dos desenhos que assistem diariamente na televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Acredito que, \u00e0 medida que possibilitamos conhecimentos relativos \u00e0 cultura, as crian\u00e7as v\u00e3o tendo oportunidade de construir e reconstruir no\u00e7\u00f5es que favorecem mudan\u00e7as no seu modo de compreender o mundo, e podem faz\u00ea-lo de uma maneira prazerosa.<\/p>\n<p>Espero ter conseguido relatar um pouco do que vivenciei junto a esse grupo no decorrer de um semestre. Muitas coisas deixei passar desapercebidas no corre-corre dos dias, outras infelizmente s\u00f3 meus olhos puderam captar e as levarei para sempre na mem\u00f3ria. Lembran\u00e7as de um grupo maravilhoso, que cresceu e me ensinou muito, principalmente a olhar para uma mesma coisa como se fosse sempre a primeira vez.<\/p>\n<p>(Lucila Silva de Almeida)<\/p>\n<div id=\"attachment_1591\" style=\"width: 319px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1591\" class=\"size-full wp-image-1591\" title=\"reflexoes1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/reflexoes1.jpg\" alt=\"\" width=\"309\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/reflexoes1.jpg 309w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/reflexoes1-217x300.jpg 217w\" sizes=\"auto, (max-width: 309px) 100vw, 309px\" \/><p id=\"caption-attachment-1591\" class=\"wp-caption-text\">O faz-de-conta \u00e9 bastante alimentado na rotina da Escola Logos<\/p><\/div>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta mat\u00e9ria, a professora Lucila Silva de Almeida conta sobre v\u00e1rias atividades com crian\u00e7as bem pequenas numa escola de S\u00e3o Paulo. Desde o trabalho, com poesias, dan\u00e7as, faz-de-conta, at\u00e9 a intera\u00e7\u00e3o com duas tartarugas. Por Lucila Silva de Almeida<\/p>\n","protected":false},"author":62,"featured_media":3182,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,371],"tags":[1103,255,456,439,455,453,92,454],"class_list":{"0":"post-1582","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-reflexoes-do-professor","8":"category-revista-avisala-10","9":"tag-revista-avisa-la-2002","10":"tag-atividades","11":"tag-criancas-pequenas","12":"tag-danca","13":"tag-faz-de-conta","14":"tag-lucila-silva-de-almeida","15":"tag-poesia","16":"tag-tartarugas","18":"post-with-thumbnail","19":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/62"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1582"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1582\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3182"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}