{"id":15315,"date":"2017-05-14T21:06:24","date_gmt":"2017-05-15T00:06:24","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=15315"},"modified":"2024-10-28T16:11:54","modified_gmt":"2024-10-28T19:11:54","slug":"cenografia-do-conhecimento-nos-corredores-da-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-70\/cenografia-do-conhecimento-nos-corredores-da-escola\/","title":{"rendered":"Cenografia do conhecimento nos corredores da Escola"},"content":{"rendered":"<p>Ester broner\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>Os corredores de uma escola dizem muito sobre as concep\u00e7\u00f5es vigentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do potencial expressivo e os conhecimentos dos alunos. espa\u00e7os \u00e1ridos ou que s\u00f3 apresentam produ\u00e7\u00f5es dos adultos precisam ser transformados<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Coordenadora Geral do Ensino Fundamental I e coordenadora pedag\u00f3gica do 3o ano da Escola Castanheiras. Este artigo \u00e9 parte de sua tese de doutorado, intitulada Cenografia do conhecimento: a dimens\u00e3o est\u00e9tica da escola, defendida na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas (SP) em 2015.<\/h6>\n<p>A tarefa principal de um educador \u00e9 fazer com que o mundo seja interessante. Nada mais do que isso. A arte \u00e9 o que nos traz a carga sens\u00edvel do mundo. A arte \u00e9 o mundo como cor, como som, como textura, como rugosidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15316 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/1-3-269x300.jpg\" alt=\"\" width=\"269\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/1-3-269x300.jpg 269w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/1-3.jpg 429w\" sizes=\"auto, (max-width: 269px) 100vw, 269px\" \/><\/p>\n<p>Jorge Larrosa Bond\u00eda\u00b2<\/p>\n<p>A passagem da Educa\u00e7\u00e3o Infantil ao Ensino Fundamental \u00e9 uma via complexa e delicada para todos os que ali se encontram: crian\u00e7as, pais e educadores. No entanto, as concep\u00e7\u00f5es de inf\u00e2ncia, desenvolvimento e aprendizagem que afetam estes ciclos de forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o raro, se mant\u00eam isoladas em seus territ\u00f3rios e desdobramentos pedag\u00f3gicos. Ao contr\u00e1rio, o que se esperaria, em tempos de adapta\u00e7\u00e3o e de expectativa de acolhimento, seria a comunh\u00e3o dos saberes e conquistas que, a duras penas, vem\u00a0 ampliando a nossa vis\u00e3o sobre a escola, apresentando-a como um lugar de cultura, de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e de integra\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria desta pesquisa sobre os espa\u00e7os escolares aconteceu assim&#8230;<\/p>\n<p>Em Ouro Preto, ouvi uma frase de um jovem estudante, guia tur\u00edstico local, que enquanto me ensinava entusiasticamente a ler e interpretar os signos daquela maravilha de cidade mineira, um museu a c\u00e9u aberto, respondeu sem pestanejar a uma pergunta que lhe fiz, repentinamente, sobre como era sua escola, imaginando-a integrada aos sentidos daquela paisagem. Em poucas palavras disse-me algo assim:<\/p>\n<p>Ah, Dona, escola \u00e9 escola em qualquer lugar. Minha escola n\u00e3o tem a beleza que vemos aqui. N\u00e3o tem nada a ver com isso, n\u00e3o tem nada de bonito por l\u00e1.. Ela \u00e9 contempor\u00e2nea&#8230;<\/p>\n<p>Esta frase soou forte como se fosse uma premissa entoada em coro por nossos estudantes, apossando-se de minhas inquieta\u00e7\u00f5es e instigando-me a pesquisar formas de enfrent\u00e1-la. Escola \u00e9 escola em qualquer lugar?<\/p>\n<hr \/>\n<h6>2 Dispon\u00edvel em: www.revistaeducacao.com.br\/o-professor-ensaista\/.<\/h6>\n<p><strong>Escola, lugar de cultura<\/strong><\/p>\n<p>Foi assim que, produzindo um caminho de pesquisa, abordei a escola de Ensino Fundamental, segmento em que atuo como coordenadora, pela sua dimens\u00e3o est\u00e9tica, buscando manifesta\u00e7\u00f5es subjetivas em registros de aprendizagens dos alunos.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio das demais dimens\u00f5es presentes na maior parte das declara\u00e7\u00f5es a respeito do curr\u00edculo, das did\u00e1ticas, sobre os sistemas de avalia\u00e7\u00e3o, poderia afirmar que a dimens\u00e3o est\u00e9tica \u00e9, de modo geral, pouco ou quase nada explorada neste segmento. N\u00e3o raro, termina por ser delegada apenas aos professores de arte, talvez porque se acredite que s\u00e3o eles, e somente eles, que teriam o talento ou o \u201cdom\u201d para explorar este conhecimento na escola, quando n\u00e3o, estritamente em suas aulas. Cren\u00e7a aparentemente inofensiva para o alcance dos objetivos numa escola com foco em excel\u00eancia em seus desempenhos acad\u00eamicos, por\u00e9m, fatalmente se tornar\u00e1 nociva por furtar aos demais educadores, e principalmente aos alunos e alunas, a oportunidade de mobilizar os sentidos, a percep\u00e7\u00e3o sens\u00edvel, a produ\u00e7\u00e3o subjetiva e criativa nos diferentes processos de aprendizagem.<\/p>\n<p>Ter acompanhado o desenvolvimento de crian\u00e7as em algumas escolas de ponta de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, nos primeiros tempos de minha forma\u00e7\u00e3o como educadora, despertou-me logo a alegria e a curiosidade de observ\u00e1-las explorando, interpretando e comunicando as suas percep\u00e7\u00f5es e ideias sobre as coisas do mundo. \u00c0 medida que as experi\u00eancias vividas pelas crian\u00e7as aconteciam e amadureciam, as formas de comunicar os fen\u00f4menos com os quais interagiam ganhavam expressividade. Os cantos das salas guarnecidos de fantasias, adere\u00e7os e utens\u00edlios sempre convidando ao exerc\u00edcio do jogo simb\u00f3lico; l\u00e1pis, pinc\u00e9is, tintas e argilas chamando \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e \u00e0 capacidade expressiva; a generosa oferta liter\u00e1ria expandindo a imagina\u00e7\u00e3o e as formas de ler e de dizer do mundo. Aos poucos, todo este conjunto de experi\u00eancias ia modificando o espa\u00e7o, deixando rastros, registros, criando conex\u00f5es e afetando as nossas intera\u00e7\u00f5es no ambiente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15317 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-3-300x97.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"97\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-3-300x97.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-3-768x248.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-3.jpg 867w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Vivi boas experi\u00eancias na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, ao longo dos anos\u00b3, que demonstraram que pode haver uma constru\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o qualificado pelas oportunidades de explora\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as, organizado de forma acolhedora e<br \/>\nestimulante, identificado pelas produ\u00e7\u00f5es e registros dos pequenos. Isso ganhou um lugar de import\u00e2ncia na reflex\u00e3o entre os educadores deste segmento. Esta \u00e9 certamente uma conquista que marca o reconhecimento de uma cultura da inf\u00e2ncia e que se manifesta em signos pr\u00f3prios e genu\u00ednos. Mesmo que n\u00e3o se possa generalizar, sempre vale dizer que no \u00e2mbito das reflex\u00f5es sobre a expressividade desta cultura, na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, o registro realizado pelas crian\u00e7as, nos processos de desenvolvimento das linguagens \u2013 desenhos, pinturas, modelagens, escritas e outras constru\u00e7\u00f5es l\u00fadicas \u2013, foi sendo reconhecido como principal manifesta\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica deste universo e se apresenta, como for\u00e7a maior para supera\u00e7\u00e3o do consumo de imagens estereotipadas e massificadas, como os personagens da Disney, por exemplo, ou mesmo das releituras, c\u00f3pias das reprodu\u00e7\u00f5es de obras de artistas, tema recorrente nas forma\u00e7\u00f5es. Ao contr\u00e1rio, as marcas dos pequenos pesquisadores do mundo, \u00e0 medida que ganham terreno, parecem refazer o gesto e o gosto primordial do Homem, de comunicar expressivamente suas experi\u00eancias, atravessado por uma manifesta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>3 Trabalhei por anos no Jardim Experimental Escola Caracol, Itaim Bibi (SP), como professora; no Col\u00e9gio Peretz como coordenadora de Educa\u00e7\u00e3o Infantil e em projetos da rede p\u00fablica, como as creches do munic\u00edpio paulista S\u00e3o Caetano do Sul.<\/h6>\n<p>Por outro lado, ao entrar no Ensino Funda &#8211; mental, o que se revelou em seus espa\u00e7os, trouxe de volta a voz do jovem estudante de Minas Gerais, instigando-me a observar e estranhar a aridez de seus ambientes, os vazios de seus corredores, tantas vezes sombrios, e aquela sensa\u00e7\u00e3o de desconformidade est\u00e9tica, ou mesmo de abandono que parece resistir na arquitetura de nossas representa\u00e7\u00f5es desta institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como dois fluxos de vida poderiam correr assim paralelos, insens\u00edveis um ao outro? Por que, neste segmento, Ensino Fundamental, a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento n\u00e3o conquistou a espontaneidade e expressividade est\u00e9tica e, consequentemente, visibilidade na cultura institucional tal como havia se mostrado na Educa\u00e7\u00e3o infantil?<\/p>\n<p>Teria a aquisi\u00e7\u00e3o de mais idade a condi\u00e7\u00e3o de fazer do aluno um ser menos afeito aos encantos, aos impactos e \u00e0s impress\u00f5es sobre a vida, tornando o belo, o sens\u00edvel, o inusitado das emo\u00e7\u00f5es, desnecess\u00e1rios num mundo de competi\u00e7\u00f5es para o alcance de notas e \u00edndices de desempenho?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15318 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-3-300x171.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"171\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-3-300x171.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-3-1024x583.jpg 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-3-768x437.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-3.jpg 1091w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Estes estranhamentos se desdobraram em reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es de uma coordenadora pedag\u00f3gica, dentro da escola de Ensino Fundamental, e ganharam tamb\u00e9m contornos de uma pesquisa acad\u00eamica sobre os seus corredores. Escolhi deter-me neste espa\u00e7o aparentemente ins\u00f3lito, como se ocupasse uma terceira margem, um lugar suspenso do tempo e do espa\u00e7o do que \u00e9 convencionalmente institu\u00eddo como lugar de aprender, a sala de aula por exemplo, para poder observar e sentir, o que aprendemos e apreendemos na est\u00e9tica desses corredores, ainda que de forma inconsciente?<\/p>\n<p><strong>Ser afetado pelos corredores<\/strong><\/p>\n<p>Refletir sobre a est\u00e9tica dos corredores da escola exigiu-me antes um estudo da Est\u00e9tica, um ramo da Filosofia que investiga o belo, o mundo sens\u00edvel, mundo das percep\u00e7\u00f5es, dos julgamentos e das emo\u00e7\u00f5es produzidas pelos fen\u00f4menos est\u00e9ticos. Tomei tamb\u00e9m emprestado da Arte as reflex\u00f5es produzidas em seus campos, em especial da museologia, assimilando questionamentos e conceitos para serem experimentados como instrumental de forma\u00e7\u00e3o e trabalho pedag\u00f3gico na escola. Curadoria, cenografia, p\u00fablico, exposi\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia est\u00e9tica, est\u00e9tica da recep\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, forma e conte\u00fado s\u00e3o alguns dos conceitos que emprestei do universo da Arte e trouxe-os \u00e0s nossas forma\u00e7\u00f5es, explorando com os professores e coordenadores formas de ocupa\u00e7\u00e3o dos corredores com as produ\u00e7\u00f5es dos<br \/>\nalunos, n\u00e3o como objetos de decora\u00e7\u00e3o, mas visando, especialmente, \u00e0 partilha e \u00e0 qualidade na produ\u00e7\u00e3o, recep\u00e7\u00e3o e repercuss\u00e3o de conhecimento em toda a comunidade escolar.<\/p>\n<p>Interessava-me observar e sentir em que medida uma curadoria dos processos de aprendizagem, expondo cuidadosamente as produ\u00e7\u00f5es nos corredores, tornariam vis\u00edvel, uma esp\u00e9cie de cenografia do conhecimento, o que, de certa forma, entrevia como poesia da aprendizagem, afetando, no sentido mesmo de \u201cafeto\u201d, toda a comunidade que a frequentava.<\/p>\n<p>Esta rela\u00e7\u00e3o entre experi\u00eancia est\u00e9tica e experi\u00eancia de aprendizagem se afirma na perspectiva de artistas, arte-educadores, curadores e fil\u00f3sofos. Na escola de Ensino Fundamental, por\u00e9m, esta reflex\u00e3o ainda parece subestimada. Para Eisner, professor da Universidade de Stanford, Estados Unidos da Am\u00e9rica, devemos prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s experi\u00eancias sens\u00edveis da arte pois elas nos ensinam sobre o ato de aprender. Segundo ele:<\/p>\n<p>o sentido de vitalidade e a explos\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es que sentimos quando comovidos por uma das artes pode, tamb\u00e9m, ser assegurada nas ideias que exploramos com os estudantes, nos desafios que encontramos em fazer investiga\u00e7\u00f5es cr\u00edticas e no apetite de aprender que estimulamos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15319 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/4-3-300x168.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/4-3-300x168.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/4-3.jpg 657w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Entendo a escola como um lugar de narrativas liter\u00e1rias, filos\u00f3ficas, pol\u00edticas, cient\u00edficas, \u00e9ticas ou culturais. Narrativas m\u00faltiplas de sentidos, orientadas por teorias educacionais que, por sua vez, tamb\u00e9m s\u00e3o narrativas explicando como aprender e ensinar acontece em cada lugar, em cada escola, em cada crian\u00e7a e assim se apresentam de muitas formas: em imagens fotogr\u00e1ficas, desenhos, pinturas, escritas, sonoridades e performances inclusive. S\u00e3o como s\u00ednteses ou recortes dos processos de aprendizagem que, atravessados por uma vis\u00e3o est\u00e9tica, oferecem-se, em exposi\u00e7\u00e3o, com fins de instigar o olhar, o di\u00e1logo, os pensamentos, outras possibilidades de leitura e aprendizagem sobre o mundo.<\/p>\n<p>O que chamei de cenografia do conhecimento incide luz sobre estas narrativas elaboradas por alunos, alunas e professores, no processo de desenvolvimento de diferentes linguagens.<\/p>\n<p>Conhecer o instrumental metodol\u00f3gico de uma curadoria e aplic\u00e1-lo \u00e0 cultura escolar e suas produ\u00e7\u00f5es, mobiliza nossa disposi\u00e7\u00e3o para pensar e integrar ao planejamento a possibilidade de expor os trabalhos dos alunos, considerando as linguagens e suas especificidades, as necessidades de suportes adequados, ambienta\u00e7\u00e3o, luz, sonoridades, cores, texturas, textos de apresenta\u00e7\u00e3o, modos de media\u00e7\u00e3o e especialmente, de di\u00e1logo com o p\u00fablico. Esses modelos v\u00e3o sendo discutidos e elaborados com as crian\u00e7as, refletindo sobre como melhor sensibilizar o p\u00fablico para as narrativas em exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aos poucos, \u00e0 medida que as exposi\u00e7\u00f5es v\u00e3o ocupando os espa\u00e7os, vamos percebendo os efeitos desta partilha do conhecimento, nesse caso, situada fora dos cadernos, dos livros did\u00e1ticos e das salas de aula, mas nos corredores de escola, como se fora a pele de outro educador.<\/p>\n<p>Neste entendimento, mais uma vez poder\u00edamos reagir \u00e0s palavras do menino guia de Ouro Preto \u2013 como poderiam ser as escolas, as mesmas em qualquer lugar? Quantas representa\u00e7\u00f5es de escola s\u00e3o poss\u00edveis? Como poder\u00edamos reduzir essa diversidade de processos a uma mesma ag\u00eancia social de reprodu\u00e7\u00e3o de narrativas reapresentadas em todo o territ\u00f3rio nacional apenas pelo enquadre dos livros did\u00e1ticos ou das avalia\u00e7\u00f5es externas?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15320 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-3-300x88.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"88\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-3-300x88.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-3-1024x301.jpg 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-3-768x226.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-3-1080x321.jpg 1080w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-3.jpg 1093w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Espa\u00e7os que expressam a todos<\/strong><\/p>\n<p>O desejo de verter essas experi\u00eancias mais afeitas ao universo da Arte e da Est\u00e9tica para a escola de Ensino Fundamental onde hoje trabalho, mobilizou o repensar de suas fun\u00e7\u00f5es e identidades por todos n\u00f3s. O p\u00fablico, afetado pelo projeto de exposi\u00e7\u00f5es, composto de alunos e alunas, pais e funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o, tem produzido diferentes leituras e novas narrativas ao se referirem \u00e0 presen\u00e7a dos trabalhos nos corredores. Conferem \u00e0 partilha um car\u00e1ter de for\u00e7a da escola, de bem maior, de bem-estar, e manifestam sentidos de pertencimento. Alunos de uma s\u00e9rie acabam conhecendo projetos de outras. Muitos participam de murais interativos. Hip\u00f3teses de alfabetiza\u00e7\u00e3o avan\u00e7am na curiosidade pela leitura do que est\u00e1 exposto. Funcion\u00e1rios fotografam os murais com seus celulares para mostrarem aos seus familiares. H\u00e1 visitas que podem ser guiadas pelos alunos que produziram a exposi\u00e7\u00e3o. Os pais entram uma vez por semana para apreciar novas exposi\u00e7\u00f5es. Valorizam-se o andar devagar e a aprecia\u00e7\u00e3o dos trabalhos.<\/p>\n<p>Abrimo-nos enfim \u00e0 comunidade para discutir a fun\u00e7\u00e3o social e cultural da escola. Para romper o paradigma que a reduz \u00e0s suas salas de aula, aos cadernos e provas, \u00e0s carteiras im\u00f3veis e enfileiradas, \u00e0s lousas fartas de conte\u00fados acumulados e prescritos em suas grades, aos seus muros e paredes que a apartam da cultura, da vida das pessoas e da vida da cidade. Mobiliza\u00e7\u00f5es que j\u00e1 s\u00e3o parte fundamental de um projeto que poderia ser configurado como est\u00e9tico pol\u00edtico-pedag\u00f3gico, reafirmando a escola como lugar de conhecimento e de cultura para toda a comunidade, abrindo nossos corredores para visita\u00e7\u00e3o e para que se tornem, tamb\u00e9m, a cada dia, lugares de aprender.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ester broner\u00b9 Os corredores de uma escola dizem muito sobre as concep\u00e7\u00f5es vigentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do potencial expressivo e os conhecimentos dos alunos. espa\u00e7os \u00e1ridos ou que s\u00f3 apresentam produ\u00e7\u00f5es dos adultos precisam ser transformados 1 Coordenadora Geral do Ensino Fundamental I e coordenadora pedag\u00f3gica do 3o ano da Escola Castanheiras. 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