{"id":15303,"date":"2017-05-14T20:50:31","date_gmt":"2017-05-14T23:50:31","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=15303"},"modified":"2024-10-28T16:12:00","modified_gmt":"2024-10-28T19:12:00","slug":"uma-reflexao-sobre-passado-e-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-70\/uma-reflexao-sobre-passado-e-futuro\/","title":{"rendered":"Uma reflex\u00e3o sobre passado e futuro"},"content":{"rendered":"<p>Val\u00e9ria Gon\u00e7alves e Viviane Tom\u00e9\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>Crian\u00e7as pequenas, quando ouvidas em situa\u00e7\u00f5es adequadas, como um f\u00f3rum de discuss\u00e3o, s\u00e3o capazes de refletir sobre assuntos diversos e complexos como \u201cqual o futuro do mundo em que vivemos?\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15304 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/1-2-300x265.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/1-2-300x265.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/1-2.jpg 516w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Acreditamos que escutar a crian\u00e7a traga conforto para seus porqu\u00eas, orientam nossa busca por raz\u00f5es e nos d\u00e1 for\u00e7a<br \/>\npara encontrar respostas honestas e respons\u00e1veis. Partimos da pedagogia da escuta, que se encontra inserida na concep\u00e7\u00e3o na qual a escola\u00b2 se inspira e norteia suas rela\u00e7\u00f5es de aprendizagem, a abordagem Reggiana\u00b3 de Educa\u00e7\u00e3o. Assim, cada vez mais as crian\u00e7as pequenas nos revelam sua pot\u00eancia e percep\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos acontecimentos que marcam a trajet\u00f3ria do mundo e dos seres que o habitam. E a maneira como as crian\u00e7as veem o mundo \u00e9 sempre peculiar.<\/p>\n<p>Paramos para ouvir as crian\u00e7as do grupo do Infantil II (meninos e meninas de 5 e 6 anos) durante uma roda de conversa, na qual a proposta era ir \u00e0 busca de novos conhecimentos a partir de um trabalho j\u00e1 realizado por eles. Surpreenderam-nos com falas que revelam toda uma compreens\u00e3o cronol\u00f3gica de acontecimentos que marcam de forma significativa passado, presente e futuro. Futuro que, de maneira impl\u00edcita, preocupa-os quando comparado com o presente e o passado, mas que tamb\u00e9m pode ser diferente se cada ser humano contribuir com a\u00e7\u00f5es de respeito, responsabilidade e comprometimento com este MUNDO que pertence a todas as pessoas.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Val\u00e9ria \u00e9 coordenadora e Viviane \u00e9 professora do grupo de 5 e 6 anos da Escola Jardim dos Peque\u00f1itos \u2013 Il Sole, Santo Andr\u00e9 (SP).<br \/>\n2 Escola Jardim dos Peque\u00f1itos \u2013 Il Sole, Sandro Andr\u00e9 (SP).<br \/>\n3 Inspiradas no modelo das escolas de Reggio Emilia, Norte da It\u00e1lia, orientadas pela concep\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de Loriz Malaguzzi, que parte do pressuposto de que a crian\u00e7a tem cem linguagens.<\/h6>\n<p>Rever a documenta\u00e7\u00e3o do projeto Um dia existiu4, no qual as crian\u00e7as revisaram seus estudos sobre a \u00e9poca dos dinossauros e percorreram um caminho hist\u00f3rico, geol\u00f3gico e cient\u00edfico, reconhecendo os f\u00f3sseis como elementos de liga\u00e7\u00e3o do passado com o presente, proporcionou ao grupo relembrar o assunto e discutir sobre o processo de estudo do qual participaram. Isso fez surgir novas discuss\u00f5es que, com interven\u00e7\u00f5es e provoca\u00e7\u00f5es, foram aos poucos tomando consist\u00eancia e abrindo caminhos para novos estudos e pesquisas.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>4 Os projetos, na escola, podem nascer de uma proposta do professor ou de um grande interesse do grupo. Temos um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o para escutar e entender o que as crian\u00e7as pensam sobre o assunto, para que possamos formular boas perguntas ou mesmo provoca\u00e7\u00f5es por meio do ambiente f\u00edsico etc. Assim, trabalhamos com a projetualidade, sempre escutando as crian\u00e7as em suas diferentes formas de se expressar, ou seja, em suas cem linguagens.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15305 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-2-300x180.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-2-1024x615.jpg 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-2-768x461.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-2.jpg 1053w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 verdade, se n\u00e3o fossem os f\u00f3sseis a gente n\u00e3o ia saber o que existiu quando a gente n\u00e3o existia ainda. (Isabella, 6 anos e 3 meses)<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que um dia v\u00e3o existir f\u00f3sseis das coisas ue existem hoje, para as pessoas que n\u00e3o existem hoje saberem o que um dia existiu? (Professora)<\/p>\n<p>Pr\u00f4, eu tive uma ideia! A gente poderia estudar os macacos de nariz colorido e que est\u00e3o quase em extin\u00e7\u00e3o. (Arthur, 6 anos e 4 meses)<\/p>\n<p>O que \u00e9 extin\u00e7\u00e3o? Eu n\u00e3o sei o que \u00e9! (Giovanna, 5 anos e 5 meses)<\/p>\n<p>\u00c9 uma coisa que n\u00e3o existe mais. Tipo os animais, quer dizer, alguns animais. (Arthur, 6 anos e 4 meses)<\/p>\n<p>Eu sei que existiram animais e que hoje n\u00e3o existem mais. (Jo\u00e3o Vitor, 5 anos e 11 meses)<\/p>\n<p>A palavra EXTIN\u00c7\u00c3O gerou curiosidade, inc\u00f4modo, muitas ideias e serviu como um fio condutor que foi puxando, de maneira muito produtiva, os assuntos relacionados a ela, principalmente a maneira como enxergam o futuro. Neste caminho, v\u00e1rias rodas de conversas foram feitas, nas quais as crian\u00e7as, com o apoio de seus desenhos individuais e media\u00e7\u00e3o do professor, iam expondo suas ideias e refletindo sobre o assunto. Seus desenhos eram fortes e expressivos, alguns sem cores em contraste com o mundo verde e colorido em que viveram os dinossauros, outros utilizando s\u00edmbolos bastante representativos, como cifr\u00f5es, para representar a gan\u00e2ncia do homem.<\/p>\n<p>Para podermos entender melhor a maneira como as crian\u00e7as visualizam esse futuro, continuamos com a proposta realizada sobre o presente e o passado, na qual as crian\u00e7as representaram, por meio do desenho, o mundo em que viveram os dinossauros e o mundo em que vivemos. Desenharam em suportes circulares e de forma coletiva, de acordo com suas pesquisas, como era o mundo na \u00e9poca dos dinossauros, com uma natureza exuberante, e o mundo no qual vivem hoje, com ruas, carros, pr\u00e9dios altos etc. Dessa vez foi pedido que representassem como acham que ser\u00e1 o futuro. Oferecemos mais uma vez o suporte circular, para que, al\u00e9m dos desenhos anteriores, pudesse servir de comparativo.<\/p>\n<p>A gente n\u00e3o viveu no tempo dos dinossauros, mas a gente pode viver no futuro, e eu acho que n\u00e3o vai ter muitos animais e o rio vai ser muito sujo, muito mais do que \u00e9 hoje. (Arthur, 6 anos e 4 meses)<\/p>\n<p>\u00c9 verdade, as pessoas jogam muito lixo no rio. (Giovanna, 5 anos e 5 meses)<\/p>\n<p>Vai ter muitos carros que sujam o ar. (Arthur, 6 anos e 4 meses)<\/p>\n<p>As borboletas v\u00e3o ser tristes e n\u00e3o v\u00e3o ter cores. Elas v\u00e3o ser pretas. (Manuella, 6 anos e 4 meses)<\/p>\n<p>Vai ter muitas menininhas tristes. (Leticia, 5 anos e 11 meses)<\/p>\n<p>Eu acho que as pessoas v\u00e3o ser t\u00e3o tristes que n\u00e3o v\u00e3o ter rosto, v\u00e3o ser iguais aos zumbis. (Giovanna, 5 anos e 5 meses)<\/p>\n<p>Eu vou desenhar um navio batido. (Jo\u00e3o Vitor, 5 anos e 11 meses)<\/p>\n<p>Isso, Jo\u00e3o&#8230; esse navio \u00e9 daqueles que soltam \u00f3leo no mar, e quando esse \u00f3leo vai na pele dos animais do Oceano ele faz ruim para os bichinhos do mar. (Leonardo, 6 anos e 2 meses)<\/p>\n<p>Essa menininha est\u00e1 chorando porque ela gostava muito do mundo e ele est\u00e1 acabando. (Luise, 5 anos e 10 meses)<\/p>\n<p>Tadinha! (Jo\u00e3o Vitor, 5 anos e 11 meses)<\/p>\n<p>Em outro momento, retomamos o desenho para que pudessem explicar suas ideias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15306 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-2-300x190.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"190\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-2-300x190.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-2-1024x648.jpg 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-2-768x486.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-2.jpg 1205w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Agora eu entendo porque a pr\u00f4 fala para n\u00e3o gastar muito papel, porque o papel \u00e9 feito de \u00e1rvores, e se n\u00e3o existir \u00e1rvores as pessoas podem morrer. (Thiago, 5 anos e 11 meses)<\/p>\n<p>\u00c9 mesmo, Thiago. Se acabarem as \u00e1rvores, as pessoas e os animais podem morrer, porque as \u00e1rvores conduzem o ar, e se n\u00e3o tiver \u00e1rvore as pessoas podem morrer no futuro. (Arthur, 6 anos e 4 meses)<\/p>\n<p>As pessoas compram muitas coisas e n\u00e3o usam tudo o que compram e depois jogam as coisas no lixo. (Alice, 5 anos e 10 meses)<\/p>\n<p>Eu me preocupo com as \u00e1guas dos mares, porque tem navios, e muitos soltam \u00f3leo nas \u00e1guas e fazem mal para os bichos que moram l\u00e1. (Leonardo, 6 anos e 2 meses)<\/p>\n<p>Tem muitas pessoas que jogam coisas no rio. (Manuella, 6 anos e 4 meses)<\/p>\n<p>Vai ter muito lixo, as coisas v\u00e3o estar ruins porque vai acumular muito lixo. (Luise, 5 anos e 10 meses)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15307 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/4-2-300x159.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"159\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/4-2-300x159.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/4-2-1024x542.jpg 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/4-2-768x407.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/4-2-720x380.jpg 720w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/4-2.jpg 1428w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Tem muitas pessoas adultas que t\u00eam crian\u00e7as em fase de crescimento e os pais, \u00e0s vezes, precisam ser ca\u00e7adores, a\u00ed precisam matar os bichos para vender ou para dar aos filhos, a\u00ed isso tamb\u00e9m pode deixar eles em extin\u00e7\u00e3o. (Arthur, 6 anos e 4 meses)<\/p>\n<p>Mas voc\u00eas acham que s\u00f3 pelo fato de existirem ca\u00e7adores os animais podem entrar em extin\u00e7\u00e3o? (Professora)<\/p>\n<p>V\u00e3o existir muitos carros que v\u00e3o sujar o ar, e\u00a0 as pessoas v\u00e3o matar os passarinhos. (Vin\u00edcius, 6 anos e 1 m\u00eas)<\/p>\n<p>Eu acho, pr\u00f4, que um dia vai ter muitos carros, o ar vai ficar sujo e os homens v\u00e3o matar todos os passarinhos. (Isabella, 6 anos e 3 meses)<br \/>\n[&#8230;]<\/p>\n<p>Diante da possibilidade de um futuro triste discutido pelas crian\u00e7as, no qual o planeta ser\u00e1 destru\u00eddo pelas pr\u00f3prias pessoas, questionamos se \u00e9 o desejo de todos viverem nesse futuro visualizado e desenhado por eles.<\/p>\n<p>E a resposta veio mais uma vez por meio de desenho, no qual o grupo se empenhou para demonstrar a maneira como gostaria que o mundo fosse.<\/p>\n<p>O desenho na escola \u00e9 visto como uma forma de linguagem expressiva das crian\u00e7as desde muito pequenas. E assim interpretado, valorizado e legitimado como tal. Muito utilizados nos projetos como forma de registro, pesquisa, an\u00e1lise e s\u00edntese, os desenhos podem ser individuais ou coletivos, dependendo de como as crian\u00e7as se organizam ou da intencionalidade da proposta.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15308 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-2-300x223.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"223\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-2-300x223.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-2-768x572.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-2.jpg 796w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>O mundo que queremos&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Precisa ter um ar limpinho pra respirar, animais felizes morando junto dos homens e tamb\u00e9m na mata, passarinhos coloridos voando. As \u00e1guas dos rios precisam ser limpinhas tamb\u00e9m,\u00a0 vai ter muitos peixinhos l\u00e1. As pessoas precisam andar de bicicleta para n\u00e3o sujar o ar. Vai ter muitas \u00e1rvores e flores. Tudo vai ser colorido e lindo. (Texto coletivo do Infantil 2 AT \u2013 crian\u00e7as de 5 e 6 anos)<\/p>\n<p>Para que as crian\u00e7as pudessem aprofundar as reflex\u00f5es acerca do tema Passado\u2013Futuro, tivemos encontros com os alunos do 4o e 6o anos que discutiram com as crian\u00e7as menores sobre as mudan\u00e7as que foram acontecendo ao longo dos anos e o que podemos fazer para que o futuro n\u00e3o seja t\u00e3o ruim como as crian\u00e7as relataram em seus desenhos.<\/p>\n<p>Nesses encontros, os pequenos expuseram sua preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro e os grandes explicaram como a Terra se formou ao longo dos bilh\u00f5es de anos at\u00e9 chegar aos dias de hoje, e da\u00ed a necessidade de preservar o que demorou tanto tempo para se formar. Num segundo momento, discutiram ideias sobre uma cidade ideal, com meios de transporte coletivos eficientes, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e lazer acess\u00edvel a toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-15309\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/6-2-232x300.jpg\" alt=\"\" width=\"232\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/6-2-232x300.jpg 232w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/6-2.jpg 607w\" sizes=\"auto, (max-width: 232px) 100vw, 232px\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-15310\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/7-2-228x300.jpg\" alt=\"\" width=\"228\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/7-2-228x300.jpg 228w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/7-2.jpg 604w\" sizes=\"auto, (max-width: 228px) 100vw, 228px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15311 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/8-2-300x242.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"242\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/8-2-300x242.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/8-2.jpg 718w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>A pedagogia da escuta: a perspectiva da escuta em Reggio Emilia (Trecho)<\/strong><\/p>\n<p>Carla Rinaldi<\/p>\n<p>Uma das primeiras perguntas que fazemos como educadores \u00e9: \u201cComo podemos ajudar as crian\u00e7as a encontrarem significado no que fazem, no que encontram e no que vivenciam? E como podemos fazer isso para n\u00f3s mesmos? Na busca por significado devemos perguntar: Por qu\u00ea? Como? O qu\u00ea? Essas s\u00e3o as tr\u00eas perguntas-chaves que as crian\u00e7as constantemente questionam, tanto dentro como fora da escola.<\/p>\n<p>\u00c9 uma busca dif\u00edcil, especialmente para as crian\u00e7as que t\u00eam tantos pontos de vista e refer\u00eancia em suas vidas: a fam\u00edlia, a televis\u00e3o, a escola e os locais que frequentam. Ainda assim, n\u00e3o podemos viver sem significado, porque isso deixaria nossas vidas sem identidade, esperan\u00e7a ou no\u00e7\u00e3o de futuro. As crian\u00e7as sabem disso, elas t\u00eam o desejo e habilidade de procurar pelo significado da vida e de si mesmas assim que nascem. (&#8230;)<\/p>\n<p>Um \u2018contexto de escuta\u2019 \u00e9 criado quando os indiv\u00edduos sentem-se legitimados para representar suas teorias e oferecer sua interpreta\u00e7\u00e3o de uma quest\u00e3o espec\u00edfica. Enriquecemos nosso conhecimento e nossa subjetividade escutando os outros e abrindo a eles quando aprendemos com o grupo. Quando as crian\u00e7as trabalham juntas, cada uma desenvolve o seu pr\u00f3prio processo aprendendo com o processo dos outros.<\/p>\n<p>As cem linguagens da crian\u00e7a: a experi\u00eancia de Reggio \u2013 Emilia em transforma\u00e7\u00e3o (Volume 2), de Carolyn Edwards, Lella Gandini e George Forman (organizadores). Porto Alegre: Penso, 2016, p. 235.<\/p>\n<p>Desse di\u00e1logo entre \u201cgrandes e pequenos\u201d, em colegiado, os professores e coordenadores decidiram reuni-los em um f\u00f3rum de discuss\u00e3o para dar voz e envolv\u00ea-los na proposta de a\u00e7\u00f5es e atitudes para um futuro melhor, tendo a consci\u00eancia de que o futuro \u00e9 responsabilidade de todos e come\u00e7a a cada instante. Assim aconteceu o \u201cF\u00f3rum de Educa\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u2013 reflex\u00e3o sobre passado e futuro por crian\u00e7as de 5 anos \u2013 caminhos poss\u00edveis para um mundo melhor\u201d.<\/p>\n<p>A conversa teve uma intencionalidade maior no tema e um compartilhamento de ideias num trabalho conjunto entre pequenos e grandes. Num primeiro momento, por meio dos desenhos projetados na parede, os pequenos foram contando seus pensamentos aos grandes e aos professores envolvidos. Estes \u00faltimos (professores de \u00c9tica, Ci\u00eancias e Geografia) foram perguntando e provocando a discuss\u00e3o no grupo. Todos estiveram atentos \u00e0s provoca\u00e7\u00f5es, participaram ouvindo, discutindo e gerando novas indaga\u00e7\u00f5es. Num segundo momento, dividiram-se para escrever e desenhar a proposta poss\u00edvel sobre o tema.<\/p>\n<p>Essas propostas foram apresentadas para todos com utiliza\u00e7\u00e3o do microfone, o que ocorreu de maneira muito natural. Havia crian\u00e7as que, diante do microfone, \u00e0s vezes perdiam o foco ou ficavam t\u00edmidas; outras, ajudadas pelos adultos e colegas maiores, foram explanando as ideias antes discutidas nos pequenos grupos, e outros, mais seguros e extrovertidos, colocaram-se de forma natural. O que observamos desse momento foi uma grande cooperatividade e intera\u00e7\u00e3o entre idades diferentes, engajamento no tema e sentimento de pertencimento.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica de discuss\u00f5es coletivas na escola faz parte do cotidiano da institui\u00e7\u00e3o, que acredita que a aprendizagem se d\u00e1 por meio de uma rela\u00e7\u00e3o de escuta, respeito \u00e0s individualidades e potencializa\u00e7\u00e3o do coletivo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Val\u00e9ria Gon\u00e7alves e Viviane Tom\u00e9\u00b9 Crian\u00e7as pequenas, quando ouvidas em situa\u00e7\u00f5es adequadas, como um f\u00f3rum de discuss\u00e3o, s\u00e3o capazes de refletir sobre assuntos diversos e complexos como \u201cqual o futuro do mundo em que vivemos?\u201d Acreditamos que escutar a crian\u00e7a traga conforto para seus porqu\u00eas, orientam nossa busca por raz\u00f5es e nos d\u00e1 for\u00e7a para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":17166,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1530],"tags":[],"class_list":{"0":"post-15303","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-70","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15303"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15303\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17169,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15303\/revisions\/17169"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17166"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}