{"id":15291,"date":"2017-05-14T20:28:31","date_gmt":"2017-05-14T23:28:31","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=15291"},"modified":"2024-10-28T16:12:06","modified_gmt":"2024-10-28T19:12:06","slug":"a-crianca-e-os-quatro-elementos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-70\/a-crianca-e-os-quatro-elementos\/","title":{"rendered":"A crian\u00e7a e os quatro elementos"},"content":{"rendered":"<p>Luc\u00edlia Helena Franzini\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>O olho inquisidor da crian\u00e7a, que precisa ver como \u00e9, que busca entender como s\u00e3o feitas as coisas, o que as transforma, essa avidez pela descoberta e a curiosidade que se traduzem em perguntas sem fim, levou nossa equipe a pensar e a organizar novas viv\u00eancias com os quatro elementos naturais \u2013 terra, fogo, \u00e1gua e ar<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15292 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/1-1-196x300.jpg\" alt=\"\" width=\"196\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/1-1-196x300.jpg 196w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/1-1.jpg 497w\" sizes=\"auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><\/p>\n<p>O projeto em quest\u00e3o teve a inten\u00e7\u00e3o de ampliar a experi\u00eancia da crian\u00e7a com a natureza consolidada nas brincadeiras e nos Cantos investigativos (experimentos ligados aos fen\u00f4menos e \u00e0s ci\u00eancias naturais), propondo a aproxima\u00e7\u00e3o com a Arte.<\/p>\n<p>Os elementos primordiais que constituem a vida, mat\u00e9rias que perpassam os sentidos, desbravam a imagina\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e alimentam as brincadeiras de quintal.<\/p>\n<p>Trazem tamb\u00e9m a curiosidade, a manipula\u00e7\u00e3o e a investiga\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias \u2013 olhar, agarrar, examinar, coletar, escavar, organizar, juntar, modelar, perceber formas e cores, peso, densidade, se \u00e9 dura ou mole, se quebra, como \u00e9 por dentro e por fora, enfim, descobrir a anatomia da natureza \u2013 \u00e9 esse o sonho arqueol\u00f3gico de brincar e descobrir\u00b2, que denotam a intimidade e o olhar atento das crian\u00e7as para com ela.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Coordenadora da Escola Gr\u00e3o de Ch\u00e3o, S\u00e3o Paulo (SP).<\/h6>\n<p>Desde a origem da escola, a conex\u00e3o \u2013 crian\u00e7a e natureza \u2013 sempre permeou os nossos princ\u00edpios, por isso a import\u00e2ncia de um quintal acolhedor onde as brincadeiras pudessem se desenvolver em meio a \u00e1rvores, animais e no ch\u00e3o de terra. Numa cidade t\u00e3o \u00e1rida como S\u00e3o Paulo, \u00e9 ineg\u00e1vel o valor de um espa\u00e7o cercado pela natureza, mesmo que ele seja pequeno. Desse modo, ao longo dos anos, foram in\u00fameras as contribui\u00e7\u00f5es que dele tivemos para a amplia\u00e7\u00e3o das brincadeiras e dos projetos. N\u00e3o por acaso, o nome, Gr\u00e3o de Ch\u00e3o, inspirado por um poema de Thiago de Mello, surge da ideia de integra\u00e7\u00e3o do homem com a natureza; da uni\u00e3o das partes para fazer-se o todo.<\/p>\n<p>O ambiente \u00e9 sem d\u00favida um facilitador das experi\u00eancias com os elementos da natureza e, na falta dele, propomos fazer a aproxima\u00e7\u00e3o com a natureza a partir de excurs\u00f5es a parques, e da cria\u00e7\u00e3o de acervo de materiais coletados pelas crian\u00e7as e fam\u00edlias, como pedras, cascas de madeira, argila expandida, folhas e flores secas, galhos, conchinhas, sementes e outros. No Gr\u00e3o, esses materiais s\u00e3o organizados em caixas ou potes transparentes, pr\u00f3ximos ao ch\u00e3o de terra e tanque de areia, e tamb\u00e9m no ateli\u00ea de artes.<\/p>\n<p>Nutrir o aparelho sensorial da crian\u00e7a das formas fundamentais, dos materiais primitivos, das subst\u00e2ncias que sustentam as coisas, \u00e9 almejar uma pedagogia de repercuss\u00f5es internas&#8230; Se criarmos porosidade sensorial, habilidade perceptiva (t\u00e1til, visual, olfativa, gustativa), as formas tocam do corpo \u00e0 alma. As formas naturais, ainda mais, pois s\u00e3o dadas ao corpo, do seu mesmo lastro bioqu\u00edmico. (PIORSKI, 2016, p.70).<\/p>\n<p>As ci\u00eancias e as Artes Visuais sempre tiveram profunda interlocu\u00e7\u00e3o na profus\u00e3o de experimentos e na inventividade presentes no trabalho do artista e do cientista. Com base nas experi\u00eancias com os quatro elementos (com materiais naturais e art\u00edsticos), ao final de um semestre de trabalho, constru\u00edmos com as crian\u00e7as uma \u201cInstala\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 ambiente cheio de formas, cores, odores e sensa\u00e7\u00f5es t\u00e1teis. O projeto abarcou toda a escola e seis professores se encarregaram de pensar coletivamente as viv\u00eancias expressivas e investigativas; o resultado foi bem diversificado, j\u00e1 que as experi\u00eancias tomaram rumos diferentes.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>2 Brinquedos do ch\u00e3o \u2013 a natureza, o imagin\u00e1rio e o brincar, de Gandhy Piorski. S\u00e3o Paulo: Peir\u00f3polis, 2016.<\/h6>\n<p><strong>Brincar de investigar com fogo<\/strong><\/p>\n<p>O fogo, que hipnotiza por sua beleza, produz cores e movimentos, aquece, queima e transforma os materiais, acalma o observador e agita quem se aproxima dele; \u00e9 o elemento que mais provoca sentimentos contradit\u00f3rios nas crian\u00e7as e nos educadores: medo, receio, admira\u00e7\u00e3o&#8230; N\u00e3o \u00e9 para menos, ele pode ser muito perigoso se a atividade n\u00e3o for muito bem planejada e organizada.<\/p>\n<p>Para mexer com o fogo \u00e9 preciso, inicialmente, aprender a respeit\u00e1-lo, por isso elegemos sempre esse elemento para pequenos rituais \u2013 homenagear, festejar ou agradecer algo. A fogueira \u00e9 preparada e as crian\u00e7as, sentadas em volta, em forma\u00e7\u00e3o de roda, aprendem a observ\u00e1-la, mantendo uma dist\u00e2ncia segura. O fogo entra tamb\u00e9m para o conforto do descanso di\u00e1rio, ao sabor de uma hist\u00f3ria e nas culin\u00e1rias, durante o preparo dos alimentos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15293 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-1-300x288.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-1-300x288.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/2-1.jpg 666w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o direta da crian\u00e7a com o fogo deve acontecer sempre em pequenos grupos com a presen\u00e7a constante de um adulto. Outras dicas s\u00e3o importantes \u2013 antes de come\u00e7ar a atividade, tirar casacos de n\u00e1ilon ou l\u00e3 e prender os cabelos, quando necess\u00e1rio. Para as crian\u00e7as que t\u00eam muito medo do fogo, em um primeiro momento, deix\u00e1-las observar os amigos no contato direto e n\u00e3o insistir. Ao final, n\u00e3o h\u00e1 quem resista ao encantamento de participar das transforma\u00e7\u00f5es causadas pelo aquecimento. Faz parte tamb\u00e9m \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o de encostar o dedinho no material aquecido e tudo isso \u00e9 muito saud\u00e1vel, muito importante para futuras experi\u00eancias. Assim, os conte\u00fados atitudinais foram bem explorados j\u00e1 que foi grande a aten\u00e7\u00e3o com os procedimentos que envolvem a seguran\u00e7a das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Em Roda de Conversa, as crian\u00e7as comentaram sobre situa\u00e7\u00f5es em que mexeram com o fogo em casa, como na hora de cozinhar ou de acender velas. Uma crian\u00e7a contou que botou fogo no jornal e, a partir desse exemplo, retomei que precisam de um adulto para realizar atividades com fogo.<\/p>\n<p>[&#8230;]<br \/>\nAlgumas crian\u00e7as ficaram hipnotizadas com o fogo, ainda assim fizeram tra\u00e7os e rabiscos com os palitos queimados. Outras demonstraram e falaram do medo. Com calma e com cuidado auxiliamos em aproxima\u00e7\u00f5es sucessivas at\u00e9 que encostassem o material no fogo. Os sorrisos de algumas delas demonstraram o valor da conquista. (Escrita avaliativa do professor Pedro Braga, que desenvolveu as Oficinas com Fogo)<\/p>\n<p>O trabalho com o fogo propiciou a percep\u00e7\u00e3o de texturas, formas, cores, odores, plasticidade e outras qualidades dos materiais (naturais e outros) e tamb\u00e9m a transforma\u00e7\u00e3o e a reinven\u00e7\u00e3o deles. Todas as atividades expressivas que tiveram o calor como disparador foram muito empolgantes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15294 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-1-300x151.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"151\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-1-300x151.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-1-768x386.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/3-1.jpg 826w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O fogo produz fuligem e, com o aux\u00edlio de panelas velhas de metal, um grupo de crian\u00e7as de tr\u00eas e quatro anos utilizou a fuligem da parafina e desenhou com pincel umedecido ou com o dedo. A inspira\u00e7\u00e3o veio dos grafites produzidos por Alexandre Orion, que tem como marca pessoal o desenho que surge da \u201climpeza\u201d de t\u00faneis sujos pela polui\u00e7\u00e3o. A partir do fundo enegrecido, Orion usa panos para tirar a fuligem e criar figuras. O mesmo conceito foi usado com a \u00e1gua \u2013 as crian\u00e7as desenharam com ela sobre o ch\u00e3o empoeirado. Com isso, aprofundou-se tamb\u00e9m a ideia da arte ef\u00eamera, que com o tempo se desfaz. Houve tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o de fuligem a partir do giz de lousa e do carv\u00e3o amassado no pil\u00e3o, e as crian\u00e7as desenharam sobre as mesas sujas.<\/p>\n<p>Outro mote muito importante foram as experi\u00eancias com gizes de cera: pequenos ou ressecados, eles foram reciclados e transformados pelo fogo em novos instrumentos e suportes para riscar. A argila, elemento da terra, fez-se molde para conter os materiais quentes; a experi\u00eancia cresceu e testaram-se moldes de metal. Delicadas formas tamb\u00e9m surgiram da parafina colorida derretida pelas crian\u00e7as e remodeladas para a brincadeira de faz\u00ea-las boiar na \u00e1gua. Impressionante foi tamb\u00e9m o uso da vela para desenhar diretamente no papel.<\/p>\n<p>Muitas gostaram de por a ponta do dedo nas pequenas pocinhas de vela derretida que se formaram sobre o papel. Quando eu perguntei o que sentiam, responderam:<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 quentinho e gostoso!<br \/>\n(Escrita avaliativa da professora Sandra Syomara Oliveira Ara\u00fajo, que desenvolveu as Oficinas com Fogo).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15295 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/4-1-247x300.jpg\" alt=\"\" width=\"247\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/4-1-247x300.jpg 247w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/4-1.jpg 393w\" sizes=\"auto, (max-width: 247px) 100vw, 247px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u00c1gua \u2013 um oceano de emo\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A crian\u00e7a nos mostra com toda a sua gestualidade o prazer decorrente do contato com a \u00e1gua: nas constru\u00e7\u00f5es de encanamentos, nas modelagens de castelos de areia, nos banhos de\u00a0 esguicho, nas po\u00e7as encontradas ap\u00f3s a chuva ou nas pias onde as m\u00e3os s\u00e3o lavadas incansavelmente. Mergulhada no imagin\u00e1rio, a crian\u00e7a cria por\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas e diverte-se com a ideia de, com elas, dominar bruxas, fantasmas e outras criaturas. A \u00e1gua, como bem disse a poetisa<br \/>\nRoseana Murray\u00b3, \u00e9 um \u201coceano de emo\u00e7\u00f5es\u201d e por isso o bloco de atividades com ela foi muito agrad\u00e1vel para todos \u2013 adultos e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das brincadeiras, durante os momentos de explora\u00e7\u00e3o no ateli\u00ea ou no Canto Investigativo, as crian\u00e7as descobriram que a \u00e1gua, sozinha ou misturada a outros materiais, torna-se fluida ou densa, fria ou quente, rala ou espessa, transparente ou colorida, e ao evaporar segue seu caminho pelo ar.<\/p>\n<p><strong>As atividades com \u00e1gua tiveram tr\u00eas momentos: <\/strong><\/p>\n<p>L\u00fadico \u2013 confec\u00e7\u00e3o de \u00e1gua colorida e po\u00e7\u00f5es\u00a0cheias de gliter e purpurina.<\/p>\n<p>Expressivo \u2013 utiliza\u00e7\u00e3o de elementos naturais e materiais art\u00edsticos para transformar a \u00e1gua:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15296 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-1-300x173.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"173\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-1-300x173.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-1-768x443.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/5-1.jpg 969w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<hr \/>\n<h6>3 Poetisa e escritora de obras infantojuvenis brasileira, nascida no Rio de Janeiro em 1950.<\/h6>\n<p>confec\u00e7\u00e3o de tintas naturais para encontrar novas cores e texturas; pesquisa com guache, nanquim e anilina para produ\u00e7\u00e3o de tintas aguadas; pinturas escorridas com o manuseio de borrifadores e conta-gotas; desenho com \u00e1gua no ch\u00e3o e no papel; esculturas de gelo com flores secas.<\/p>\n<p>Investigativo: observa\u00e7\u00e3o da chuva e das po\u00e7as provocadas no ch\u00e3o de terra; sensibiliza\u00e7\u00e3o com as diversas temperaturas da \u00e1gua; experi\u00eancias de evaporar a \u00e1gua, fazer gelo e descongelar.<\/p>\n<p>Nos cantos de explora\u00e7\u00e3o de materiais, todos aproveitaram bastante a proposta das \u00e1guas (pintura com anilina aguada) e do fogo (desenho com giz de cera derretido na chama da vela). No primeiro dia, estava chovendo e esta caracter\u00edstica do tempo apareceu nos desenho e nos borr\u00f5es provocados pelo contato da \u00e1gua da chuva com a caneta preta. (Escrita avaliativa da professora Luciana Nunes Alves, que desenvolveu as Oficinas de Fogo e \u00c1gua)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15297 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/6-1-210x300.jpg\" alt=\"\" width=\"210\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/6-1-210x300.jpg 210w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/6-1.jpg 488w\" sizes=\"auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><\/p>\n<p>Durante as investiga\u00e7\u00f5es das tintas aguadas, perguntamos se seria poss\u00edvel pintar com o sopro \u2013 as crian\u00e7as descobriram que sim. Propusemos ent\u00e3o misturar sab\u00e3o na aguada e perceberam que, ao soprar, a tinta n\u00e3o escorria \u2013 criava lindas esculturas coloridas, bolhas que se avolumavam e subiam antes de estourar e se fixar no papel. O ar movimenta a \u00e1gua e tamb\u00e9m materiais leves como os pap\u00e9is, por isso o bloco do ar foi quase todo dedicado a produzir brinquedos.<\/p>\n<p>Ao brincar com o ar, a crian\u00e7a contempla o mundo, percebe a leveza e se encanta com o poder desse elemento t\u00e3o misterioso e envolvente. Exploramos materiais leves e transl\u00facidos (pl\u00e1sticos, celofanes) e pap\u00e9is (seda, crepom) para criar brinquedos prontos, movimentos e hist\u00f3rias pelo AR. Surgiram bonecos, bichos, fadas, pipas e o que mais puderam inventar! Os brinquedos do ar ampliam a vis\u00e3o da crian\u00e7a, pois os materiais utilizados para cri\u00e1-los necessitam do AR para ganhar movimento, vida!<\/p>\n<p>(Depoimento da professora Silvia Bogik Haddad)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15298 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/7-1-300x145.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"145\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/7-1-300x145.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/7-1-768x372.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/7-1.jpg 843w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Os amigos da terra<\/strong><\/p>\n<p>A terra \u00e9 o ch\u00e3o, o abrigo das sementes, das plantas, dos animais e das pessoas. Do solo v\u00eam os alimentos, os pigmentos, o barro bruto e os elementos naturais que podem ser coletados. A pesquisa no quintal da escola, segundo D\u00e9bora Francci (educadora da escola), \u201cs\u00f3 faz o nosso trabalho crescer e ser belo\u201d, porque ao aproximarmos a crian\u00e7a da natureza favorecemos o despertar dos seus sentidos e da sua imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a terra as crian\u00e7as foram incentivadas a plantar, a colher e a colocar a m\u00e3o na massa: transform\u00e1-la em tinta, em barro, mistur\u00e1-la com argila, com areia e outros materiais.<\/p>\n<p>O preparo da terra foi muito interessante para as crian\u00e7as. Durante a conversa inicial, logo elas identificaram que era terra e que tinha vindo do Quintal. Sugeri que amassassem com as m\u00e3os, usando muita for\u00e7a para deix\u00e1-la em peda\u00e7os bem pequenos e que tamb\u00e9m podiam sentir o cheiro. Cada uma se serviu de uma por\u00e7\u00e3o de terra e come\u00e7aram a socar com os bast\u00f5es. Peneiraram, colocaram \u00e1gua e cola, e, por \u00faltimo, indicamos que poderiam escolher os suportes para pintar. Enquanto a atividade acontecia, procurei dar maior \u00eanfase no uso da \u00e1gua para conseguir produzir tinta de terra.<br \/>\n(Escrita avaliativa da professora Sandra Syomara Oliveira Ara\u00fajo, que desenvolveu as Oficinas com Fogo)<\/p>\n<p>Com as sementes, galhos, flores, folhas, peda\u00e7os de argila, carv\u00e3o e pedras, sugerimos in\u00fameras combina\u00e7\u00f5es para colagens e carimbos; e tamb\u00e9m para organiz\u00e1-los no espa\u00e7o (desenho do espa\u00e7o l\u00fadico), poss\u00edveis com os materiais com propriedades tridimensionais. Restos de madeira foram transformados em carv\u00e3o ou queimados para servirem de suporte para desenhos e pinturas. Sementes e folhas foram trituradas e surgiram sach\u00eas, que possibilitaram a amplia\u00e7\u00e3o dos sentidos olfativos. Muito especial foi o trabalho com a argila:<\/p>\n<p>O contato com a argila \u00e9 sempre prazeroso para as crian\u00e7as, que se apropriam do material com naturalidade e muita criatividade. Elas a usaram de diferentes formas: modelagem livre, modelagem com uso de instrumentos, desenho no papel, na parede ou ch\u00e3o (na forma de bast\u00e3o ou massa) ou pintura (na forma de barbotina). A grande surpresa foi a proposta de assemblagem na parede: com a argila bem umedecida, ela serviu para desenhar na parede de azulejo e criar volume, com o uso, inclusive, de outros materiais naturais que foram fixados a ela, como galhos, folhas e flores\u201d.<br \/>\n(Depoimento da professora D\u00e9bora Francci)<\/p>\n<p>Quando resolvemos trabalhar com os quatro elementos primordiais, n\u00e3o poder\u00edamos deixar de pensar na preserva\u00e7\u00e3o deles. A abordagem se fez pela arte ind\u00edgena, incluindo as lendas, e tamb\u00e9m por artistas como Frans Krajcberg, que usa os restos das queimadas para construir sua obra, transformando a arte em manifesto para defender o ambiente.<\/p>\n<p>A turma apreciou muito a ideia do artista de proteger a natureza e denunciar a destrui\u00e7\u00e3o com a arte. Esse conceito foi levado muito a s\u00e9rio! Foi interessante ver as caras pensativas ao descobrir que a arte fala e faz as pessoas pensarem em coisas importantes. (Escrita avaliativa da professora D\u00e9bora Francci, que desenvolveu as Oficinas da Terra)<\/p>\n<p>Ao final, em nossa instala\u00e7\u00e3o, uma grande \u00e1rvore, s\u00edmbolo da natureza, foi constru\u00edda para abrigar os amigos da terra, os guardi\u00f5es do nosso Quintal \u2013 as crian\u00e7as do Gr\u00e3o. Pensamentos e sentimentos se materializaram na Instala\u00e7\u00e3o e pudemos compartilhar o que foi vivido com os visitantes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15299 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/8-1-300x210.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/8-1-300x210.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/8-1.jpg 330w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>O Homem e os quatro elementos<\/strong><\/p>\n<p>Poema de Roseana Murray que gerou o nome da Instala\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A terra \u00e9 o ch\u00e3o<br \/>\nOnde se planta a semente<br \/>\nE se cravam os p\u00e9s<br \/>\nFeito bandeira<br \/>\nNo fogo tudo come\u00e7a e termina<br \/>\nTransmuta\u00e7\u00e3o<br \/>\nOs pensamentos s\u00e3o o ar<br \/>\nQue nada aprisiona<br \/>\nNenhuma barreira<br \/>\nSentimentos s\u00e3o \u00e1gua<br \/>\nOceano de emo\u00e7\u00f5es<br \/>\nFazendo e refazendo o mundo<br \/>\nEquilibrar dentro do corpo<br \/>\nE da alma<br \/>\nOs quatro elementos<br \/>\nEssa tarefa do dia a dia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luc\u00edlia Helena Franzini\u00b9 O olho inquisidor da crian\u00e7a, que precisa ver como \u00e9, que busca entender como s\u00e3o feitas as coisas, o que as transforma, essa avidez pela descoberta e a curiosidade que se traduzem em perguntas sem fim, levou nossa equipe a pensar e a organizar novas viv\u00eancias com os quatro elementos naturais \u2013 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":17166,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1530],"tags":[],"class_list":{"0":"post-15291","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-70","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15291"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15291\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17170,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15291\/revisions\/17170"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17166"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}