{"id":1511,"date":"2002-01-16T17:42:47","date_gmt":"2002-01-16T19:42:47","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=1511"},"modified":"2021-06-03T09:30:28","modified_gmt":"2021-06-03T12:30:28","slug":"belo-horizonte-tem-historia-para-contar-o-que-as-criancas-aprendem-ao-editar-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/belo-horizonte-tem-historia-para-contar-o-que-as-criancas-aprendem-ao-editar-livros\/","title":{"rendered":"Belo Horizonte tem historia para contar &#8211; O que as crian\u00e7as aprendem ao editar livros"},"content":{"rendered":"<h5>Muitos dos projetos realizados com as crian\u00e7as t\u00eam como finaliza\u00e7\u00e3o a montagem de um livro, quase sempre centrada na a\u00e7\u00e3o do professor. No entanto, essa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 mais complexa do que se costuma imaginar. Em BH, Minas Gerais, duas professoras mostram como as crian\u00e7as podem aprender a tomar decis\u00f5es e resolver problemas pr\u00f3prios da edi\u00e7\u00e3o de textos e imagens ao compartilharem um objetivo comum desde o in\u00edcio do projeto.<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1515\" title=\"avisala_09_bh1\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_bh1.jpg\" alt=\"\" width=\"548\" height=\"167\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_bh1.jpg 548w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_bh1-300x91.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 548px) 100vw, 548px\" \/><br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o de livros na escola tem se revelado uma pr\u00e1tica bastante freq\u00fcente. Essa proposta, em geral, parte dos professores durante a finaliza\u00e7\u00e3o dos projetos de estudo com a inten\u00e7\u00e3o de recuperar o processo vivido com as crian\u00e7as. Configuram-se, assim, como momentos de s\u00edntese avaliativa em que as crian\u00e7as organizam os conhecimentos adquiridos no decorrer do estudo e o professor, por sua vez, avalia seu pr\u00f3prio trabalho ao reconhecer os avan\u00e7os e as dificuldades de cada crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas, no entanto, temos refletido sobre outro aspecto: a produ\u00e7\u00e3o de um livro propriamente dito possibilita outras situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem. Para escrever um livro, \u00e9 preciso mais do que retomar o processo de aprendizagem ligado \u00e0 escrita: \u00e9 preciso planejar, fazer escolhas, tomar decis\u00f5es, resolver problemas em rela\u00e7\u00e3o ao texto, \u00e0 ilustra\u00e7\u00e3o e \u00e0s quest\u00f5es est\u00e9ticas referentes \u00e0 edi\u00e7\u00e3o final dos livros. Dessa forma, esse trabalho vai se configurando como um projeto que mobiliza crian\u00e7as e professores durante alguns meses.<\/p>\n<p>Como professoras, temos investigado a produ\u00e7\u00e3o de livros por crian\u00e7as, levantando uma quest\u00e3o: \u201cmas, afinal, o que as crian\u00e7as aprendem ao constru\u00edrem livros que exigem tantos cuidados, tantas revis\u00f5es antes de sua edi\u00e7\u00e3o final\u201d? Refletimos sobre essas aprendizagens nas experi\u00eancias que acompanhamos bem de perto: o trabalho de duas turmas de crian\u00e7as, de 8 e 9 anos, da Escola Bal\u00e3o Vermelho, em Belo Horizonte.<\/p>\n<p><strong>Conhecer a hist\u00f3ria para escrever<\/strong><br \/>\nNo ano de 1997, Belo Horizonte comemorava 100 anos e a Escola Bal\u00e3o Vermelho, 25. Essas comemora\u00e7\u00f5es nos mobilizaram a pensar em projetos de estudo que retratassem aspectos dessa cidade e\/ou dessa escola. Nos encontros por equipe sempre dedic\u00e1vamos um tempo para conversar sobre quais aspectos desejar\u00edamos abordar com as crian\u00e7as. O que nos despertou mais a aten\u00e7\u00e3o foi o aspecto arquitet\u00f4nico da cidade, compreendendo o espa\u00e7o como produto de transforma\u00e7\u00f5es decorrentes de influ\u00eancias pol\u00edticas, sociais,hist\u00f3ricas e culturais.<\/p>\n<p>Na verdade, o projeto de constru\u00e7\u00e3o de Belo Horizonte foi cuidadosamente planejado durante quatro anos; mas sabemos que nesses 100 anos muitas transforma\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas ocorreram. Quisemos levar este tema para a sala aproveitando, inclusive, a oportunidade de falar com o arquiteto Fl\u00e1vio Casalarde, que estava envolvido em projetos do centen\u00e1rio da cidade e era pai de uma das crian\u00e7as e ex-aluno da escola.<\/p>\n<p>Num per\u00edodo de tr\u00eas meses, n\u00f3s e as crian\u00e7as passamos a conhecer BH por meio de sua arquitetura. Quer\u00edamos saber em que per\u00edodo hist\u00f3rico o pr\u00e9dio da nossa escola, t\u00e3o cheio de curvas e cores, passou a fazer parte da hist\u00f3ria da cidade. Apreciamos livros e textos sobre a cidade, visitamos v\u00e1rios pr\u00e9dios e pontos tur\u00edsticos, como o conjunto arquitet\u00f4nico da Pampulha, pra\u00e7as constru\u00eddas em diferentes \u00e9pocas, a fim de relacionar as formas com a \u00e9poca de constru\u00e7\u00e3o. <!--more--><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1516\" title=\"avisala_09_bh3\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_bh3.jpg\" alt=\"\" width=\"197\" height=\"112\" \/>Tamb\u00e9m assistimos a uma confer\u00eancia de Fl\u00e1vio Casalarde: ele foi cuidadosamente construindo a hist\u00f3ria arquitet\u00f4nica da cidade em diferentes \u00e9pocas relacionando-a com o momento pol\u00edtico do pa\u00eds, com as influ\u00eancias europ\u00e9ias e com as necessidades reais de cada \u00e9poca. Isso tudo numa linguagem acess\u00edvel \u00e0s crian\u00e7as sem perder o grau de profundidade.<\/p>\n<p>De volta \u00e0 escola, fizemos propostas para que as crian\u00e7as reconstru\u00edssem as informa\u00e7\u00f5es dadas por Fl\u00e1vio, consultando suas anota\u00e7\u00f5es pessoais e acessando seus registros de mem\u00f3ria. Tamb\u00e9m propusemos desenhos de observa\u00e7\u00e3o e de mem\u00f3ria dos lugares visitados pelo grupo ou de locais significativos para cada um. As crian\u00e7as guardavam suas produ\u00e7\u00f5es e, durante as aulas de artes, reserv\u00e1vamos um tempo para a aprecia\u00e7\u00e3o pelo grupo.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o material individual foi crescendo, passamos a discutir sobre a organiza\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados num livro, tecendo id\u00e9ias para um projeto.<\/p>\n<p><strong>A escolha do formato editorial<\/strong><br \/>\nDiante de algumas id\u00e9ias trazidas por n\u00f3s, as crian\u00e7as ficaram seduzidas pela constru\u00e7\u00e3o de um livro-arte. Foi assim que nasceu o livro BH minha cidade, minha casa, t\u00edtulo escolhido pelas crian\u00e7as depois de muitos ensaios.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, nossas rodas tiveram como eixo as seguintes perguntas: Mas o que \u00e9 um livro-arte? Um livro \u00e9 um objeto de arte? Para que ele serve? Ser\u00e1 que podemos construir um livro s\u00f3 de imagens ou s\u00f3 de textos? Ser\u00e1 que um livro que n\u00e3o tem textos, s\u00f3 desenhos, \u00e9 um livro? E o seu tamanho? Podemos variar? E o seu formato? Podemos abri-lo e fech\u00e1-lo de v\u00e1rios jeitos? Como utilizar nossas produ\u00e7\u00f5es? Como transform\u00e1-las num livro?<\/p>\n<p>Essas quest\u00f5es colocavam para o grupo a discuss\u00e3o sobre concep\u00e7\u00e3o de livro como objeto de arte. Para avan\u00e7armos nessas quest\u00f5es, usamos como refer\u00eancia um cat\u00e1logo de artistas americanos que trabalham o livro como objeto de arte. Nesse cat\u00e1logo, Judith Hoffberg, bibliotec\u00e1ria, cr\u00edtica de arte, curadora de muitas exposi\u00e7\u00f5es de livros de artistas, considera que \u201ca intimidade de um livro seduz o artista a criar o trabalho do mesmo modo que seduz o observador\/leitor a interagir com essa intimidade que lhe \u00e9 acess\u00edvel. Assim a experi\u00eancia de ver um livro de artista \u00e9 uma experi\u00eancia interativa\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-1519\" title=\"avisala_09_bh2\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_bh2.jpg\" alt=\"\" width=\"237\" height=\"178\" \/>Depois de apreciar os diferentes trabalhos dos artistas americanos, as crian\u00e7as planejaram seus livros, imprimindo-lhes as suas mem\u00f3rias sobre a cidade: esbo\u00e7aram diferentes formatos, selecionaram desenhos, criaram outros, inclu\u00edram fotografias, experimentaram v\u00e1rios materiais de diferentes texturas, trocaram produ\u00e7\u00f5es com os colegas e fizeram a op\u00e7\u00e3o de construir o livro individualmente, em dupla e at\u00e9 mesmo em pequenos grupos. Esses livros que se desenrolam, desdobram e revelam faces m\u00faltiplas da cidade e das crian\u00e7as se encontram \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o na biblioteca da escola.<\/p>\n<p><strong>Um foco na produ\u00e7\u00e3o de textos<\/strong><br \/>\nNo ano seguinte, a turma de 9 anos dedicou-se \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de um livro<br \/>\nrelacionado \u00e0 seq\u00fc\u00eancia de estudos sobre aspectos da cultura negra no Brasil. Trata-se de um projeto de um ano: no primeiro semestre as crian\u00e7as trabalharam para a constru\u00e7\u00e3o textual, e no segundo, a ilustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de muitas conversas e estudos sobre o tema, as crian\u00e7as foram construindo o seu pr\u00f3prio di\u00e1rio: da \u00c1frica ao Brasil. Para definir a publica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi preciso apreciar alguns exemplares que poderiam inspirar as crian\u00e7as. Neste caso, foi o livro Il\u00ea Ai\u00ea um di\u00e1rio imagin\u00e1rio, de Francisco Marqu\u00eas, que ajudou a turma a definir um roteiro para esta escrita. Entretanto foi necess\u00e1rio tamb\u00e9m recorrer aos textos estudados e anota\u00e7\u00f5es pessoais para buscarem mais dados que retratassem melhor a \u00e9poca.<\/p>\n<p>Na fase de produ\u00e7\u00e3o do rascunho ocorreram muitas situa\u00e7\u00f5es de revis\u00e3o: ora coletivamente \u2013 para chamar a aten\u00e7\u00e3o de aspectos relacionados \u00e0 coer\u00eancia textual, em que as crian\u00e7as eram convidadas a assumir a tarefa de cr\u00edticas \u2013, ora em duplas para a revis\u00e3o da ortografia, pontua\u00e7\u00e3o e outros aspectos formais da escrita. Algumas vezes as corre\u00e7\u00f5es eram feitas individual e espontaneamente. Outras vezes, precis\u00e1vamos direcionar o olhar para atender a quest\u00f5es particulares.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1520\" title=\"avisala_09_bh6\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_bh6.jpg\" alt=\"\" width=\"131\" height=\"210\" \/><\/p>\n<p><strong>Um olhar para o trabalho com artes<\/strong><br \/>\nPara ilustrar a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o, as crian\u00e7as passaram a pesquisar e apreciar obras de artistas que retratavam elementos da cultura africana no Brasil. Prepararam seus rascunhos experimentando formas, cores, texturas e diferentes materiais. Nessa fase, foi necess\u00e1rio trabalhar lado a lado com a produ\u00e7\u00e3o escrita para retirar elementos do texto essenciais na composi\u00e7\u00e3o das vinhetas de cada p\u00e1gina do di\u00e1rio.<\/p>\n<p>Com passagens obrigat\u00f3rias pelos navios negreiros, mercados de escravos, canaviais, cidades, fazendas e quilombos, as crian\u00e7as foram narrando sonhos, tristezas, lembran\u00e7as, lutas e esperan\u00e7as dos negros daquele tempo. Como resultado, di\u00e1rios imagin\u00e1rios e ao mesmo tempo verdadeiros. Imagin\u00e1rio porque as crian\u00e7as se reportaram aos s\u00e9culos de escravid\u00e3o negra no Brasil para contar epis\u00f3dios importantes dessa hist\u00f3ria, assumindo o papel do personagem principal: um africano ou uma africana que fora obrigado a abandonar a sua Terra-M\u00e3e para trabalhar como escravo no Brasil. Verdadeiro porque fruto do estudo da hist\u00f3ria que deixou marcas profundas na forma\u00e7\u00e3o do povo brasileiro e nos ajuda a entender como ainda hoje s\u00e3o cometidos tantos abusos de discrimina\u00e7\u00e3o racial no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Concluindo: o que se aprende<\/strong><br \/>\nPercebemos que as crian\u00e7as se tornam mais exigentes quando sabem que est\u00e3o desenhando ou escrevendo para um livro. N\u00e3o vale qualquer desenho, qualquer palavra, qualquer l\u00e1pis. \u00c9 preciso pensar cuidadosamente em cada detalhe.<\/p>\n<p>Normalmente as crian\u00e7as menos exigentes ou as que n\u00e3o se satisfazem com a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o recebem tanto a nossa ajuda quanto a dos colegas. Observamos que, ao mesmo tempo em que se sentem amparadas, tamb\u00e9m se esfor\u00e7am para mostrar uma boa performance. At\u00e9 mesmo as mais exigentes e perfeccionistas \u2013 que tamb\u00e9m necessitam de ajuda para flexibilizar suas emo\u00e7\u00f5es. Aprendem a lidar com suas frustra\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, os exerc\u00edcios de planejar, selecionar e escolher, que s\u00e3o essenciais na produ\u00e7\u00e3o de livros, colocam as crian\u00e7as diante de situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem que exigem antecipa\u00e7\u00f5es e tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Aprender a preparar rascunhos, tanto dos textos quanto dos desenhos, revisar a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o e a dos colegas, resolver problemas de espa\u00e7o considerando texto eilustra\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns dos exemplos. \u00c9 preciso remendar, rabiscar, experimentar, fazer de novo e at\u00e9 mesmo aprender a lidar com o erro e incorpor\u00e1-lo no seu trabalho.<\/p>\n<p>Tudo isso sem perder de vista a import\u00e2ncia do coletivo para a conquista da autonomia e da responsabilidade. Aprender a trabalhar em grupo, sentar-se em roda para refletir sobre a produ\u00e7\u00e3o e planejar novos encaminhamentos s\u00e3o exerc\u00edcios presentes o tempo todo, exigindo do grupo n\u00edveis cada vez mais complexos de organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que n\u00e3o \u201ccriamos do nada\u201d, o processo precisa ser alimentado. Pesquisar, conhecer e apreciar obras de diferentes autores e artistas deve ser um trabalho constante.<\/p>\n<p>O olhar atento sobre o acervo liter\u00e1rio e sobre as produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas dispon\u00edveis a todos n\u00f3s deve estar contemplado na escola, pois s\u00f3 assim temos a oportunidade de resgatar aspectos da cultura essenciais \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de nossas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Depois de vivenciar essas duas experi\u00eancias de trabalho, podemos concluir que a produ\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as s\u00e3o \u201clivros de sonho\u201d, que representam di\u00e1rios de impress\u00f5es altamente pessoais, tornando p\u00fablica a experi\u00eancia particular de cada uma.<\/p>\n<p>Os livros possibilitam nosso v\u00ednculo com o passado, com a mem\u00f3ria, com o que j\u00e1 foi revelado. Permitem uma deliciosa intera\u00e7\u00e3o entre autores e leitores que se desenrola no tempo.<\/p>\n<p>Gostar\u00edamos de agradecer \u00e0 Escola Bal\u00e3o Vermelho pela oportunidade deste trabalho, aos colegas de ciclo que compartilharam dessa experi\u00eancia e aos alunos, dos anos de 1997 e 1998, que constru\u00edram seus livros com tanta dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>(Claudia Rocha de Paula e Rosvita Kolb Bernardes, Professoras do primeiro ciclo do ensino fundamental &#8211; turmas de 8 e 9 anos &#8211; da Escola Bal\u00e3o Vermelho)<\/p>\n<div id=\"attachment_1517\" style=\"width: 373px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1517\" class=\"size-full wp-image-1517 \" title=\"avisala_09_bh4\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_bh4.jpg\" alt=\"\" width=\"363\" height=\"545\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_bh4.jpg 363w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_bh4-199x300.jpg 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 363px) 100vw, 363px\" \/><p id=\"caption-attachment-1517\" class=\"wp-caption-text\">O livro, ricamente ilustrado, foi escrito pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as<\/p><\/div>\n<h4>A revis\u00e3o de textos na produ\u00e7\u00e3o de livros<\/h4>\n<p>Revis\u00e3o de texto ou corre\u00e7\u00e3o de erros? Como resolver os textos mal &#8211; escritos produzidos pelas crian\u00e7as? Eles podem ser publicados como est\u00e3o? E ainda, como ajudar a crian\u00e7a a escrever melhor? Estas s\u00e3o algumas das quest\u00f5es que t\u00eam preocupado os professores que trabalham a partir da produ\u00e7\u00e3o de livros pelas crian\u00e7as. Veja como a equipe do PROFA (Programa de Forma\u00e7\u00e3o de Professores Alfabetizadores , Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, SEF, 2001) pensa essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEm primeiro lugar \u00e9 preciso que o professor defina com clareza seus objetivos. O que conhecemos e estamos habituados a encontrar na escola \u00e9 a pr\u00e1tica de marcar no texto do aluno o que o professor acha que est\u00e1 errado. A id\u00e9ia \u00e9 que, vendo seus erros corrigidos, o aluno n\u00e3o os repita. Esta pr\u00e1tica traz embutidas duas hip\u00f3teses:<\/p>\n<ol>\n<li>\u00a0a primeira \u00e9 que um texto pode ser trabalhado apenas de um ponto de vista, do que est\u00e1 certo ou errado. (O que pode valer para a ortografia, por exemplo, do ponto de vista discursivo n\u00e3o funciona.)<\/li>\n<li>a segunda tem a ver com a concep\u00e7\u00e3o de aprendizagem e com o modelo de ensino. Numa \u00f3tica empirista bastaria ao professor apontar os erros mostrando o certo. Caberia ent\u00e3o ao aluno memorizar, isto \u00e9, fixar o certo para n\u00e3o repetir o erro<sup>1<\/sup><\/li>\n<\/ol>\n<p><sup>1<\/sup> Os PCNs, (Par\u00e2metros Curriculares Nacionais. Brasil. Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Fundamental, 1999) tamb\u00e9m assumem essa concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica:<\/h4>\n<p>Este trabalho foi desenvolvido pelas professoras Cl\u00e1udia Rocha de Paula (2o ciclo) e Rosvita Kolb Bernardes (Artes) com crian\u00e7as de 8 e 9 anos da escola Bal\u00e3o Vermelho em Belo Horizonte. Tamb\u00e9m participaram do projeto os professores Aline Pieri, Jos\u00e9 Olavo Malta e M\u00e9rcia Maldonado.<\/p>\n<ul>\n<li>Escola Bal\u00e3o Vermelho. Rua Mangabeiras, 800, Belo Horizonte, MG Tel: (31) 281-7799 Fax: (31) 223-4545 e-mail: balaoesc@net.em.com.br Obs: os livros das crian\u00e7as n\u00e3o foram produzidos para venda, mas podem ser vistos na biblioteca da escola.<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Para saber Mais<\/h4>\n<ul>\n<li>Il\u00ea ai\u00ea um di\u00e1rio imagin\u00e1rio. Francisco Marqu\u00eas. Ed. Formato. Tel: (31) 3413-1720.<\/li>\n<li>A Hist\u00f3ria dos Escravos. Isabel Lustosa. Hist\u00f3rias da Preta. Heloisa Pires Lima.Ambos da Ed. Cia. das Letrinhas.Tel: (11) 3846-0801<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em BH, Minas Gerais, duas professoras mostram como as crian\u00e7as podem aprender a tomar decis\u00f5es e resolver problemas pr\u00f3prios da edi\u00e7\u00e3o de textos e imagens ao compartilharem um objetivo comum desde o in\u00edcio do projeto. Por: Claudia Rocha de Paula e Rosvita Kolb Bernardes<\/p>\n","protected":false},"author":54,"featured_media":1343,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[327,34],"tags":[1103,426,424,276,270,428,179,425,427],"class_list":{"0":"post-1511","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-09","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2002","10":"tag-belo-horizonte","11":"tag-claudia-rocha-de-paula","12":"tag-criancas","13":"tag-livros","14":"tag-producao-de-textos","15":"tag-projeto","16":"tag-rosvita-kolb-bernardes","17":"tag-tomas-decisoes","19":"post-with-thumbnail","20":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/54"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1511"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1511\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1343"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}