{"id":15,"date":"1999-06-06T22:53:26","date_gmt":"1999-06-07T01:53:26","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=15"},"modified":"2023-03-27T10:18:13","modified_gmt":"2023-03-27T13:18:13","slug":"colo-um-cuidado-que-educa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/jeitos-de-cuidar\/colo-um-cuidado-que-educa\/","title":{"rendered":"Colo: um cuidado que educa"},"content":{"rendered":"<p>Ser seguro no colo, ser abra\u00e7ado e tocado s\u00e3o experi\u00eancias humanas essenciais. Os jeitos de segurar e tocar variam conforme as diferentes culturas. Hoje existe, na maioria das sociedades urbanas, todo um aparato de objetos e mobili\u00e1rio para conter os beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas, o que reduz em muitos casos as oportunidades de contato f\u00edsico com os pais e outros adultos.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<blockquote><p>Para cuidar \u00e9 preciso antes de tudo estar comprometido com o outro, com sua singularidade, ser solid\u00e1rio com suas necessidades, confiando em suas capacidades. Disso depende a constru\u00e7\u00e3o de um v\u00ednculo entre quem cuida e quem \u00e9 cuidado.<sup>1<\/sup><\/p><\/blockquote>\n<p>Em outros lugares do mundo, entretanto, existem crian\u00e7as que permanecem todo o tempo no colo das m\u00e3es, acompanhando-as at\u00e9 mesmo nos momentos de trabalho como acontece em v\u00e1rias tribos ind\u00edgenas e povos africanos.<\/p>\n<p>Na cultura balinesa, por exemplo, o colo e os toques massageadores s\u00e3o extremamente valorizados, ensinados de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o. Seja como for, o toque na inf\u00e2ncia \u00e9 um dos cuidados que ajuda a crian\u00e7a a se constituir como sujeito e a desenvolver mais confian\u00e7a nos seus parceiros sociais.<\/p>\n<p>Crian\u00e7as de diferentes idades precisam sentir-se fisicamente acolhidas pelo outro, seja numa situa\u00e7\u00e3o social nova, seja em momentos de maior desafio de suas compet\u00eancias, em ocasi\u00f5es de medo, inseguran\u00e7a ou mesmo de alegria ao experimentar algo diferente.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, carregar crian\u00e7as n\u00e3o &#8220;acostuma mal&#8221;. O colo confort\u00e1vel e seguro \u00e9 um cuidado fundamental e deve fazer parte do trabalho educativo sempre que necess\u00e1rio. Um bom colo para os beb\u00eas, proporciona n\u00e3o s\u00f3 um meio de transporte, mas conforto e prote\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de criar uma experi\u00eancia t\u00e1ctil e de intera\u00e7\u00e3o que contribui para a organiza\u00e7\u00e3o postural e a constru\u00e7\u00e3o da identidade.<\/p>\n<p>O jeito de segurar um beb\u00ea permite a ele se amoldar ao corpo de quem o acolhe e vice e versa; nesse gesto o adulto delimita um espa\u00e7o para que o beb\u00ea possa sentir seu corpo e o do outro, ajudando-o assim a constituir a consci\u00eancia corporal, base da constru\u00e7\u00e3o da identidade, segundo Wallon. Al\u00e9m disso ajuda a se organizar neurologicamente para que possa ent\u00e3o coordenar seus movimentos, seus olhos, sua aten\u00e7\u00e3o para interagir com a face de quem o segura.<\/p>\n<p>A possibilidade de observar e interagir com o mundo a partir de um &#8220;porto seguro&#8221;, deve encorajar uma condi\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma mais tarde. Quando est\u00e3o aprendendo a andar e frequentam uma institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, as crian\u00e7as precisam da presen\u00e7a do professor que, neste caso, torna-se um ponto de refer\u00eancia e seguran\u00e7a para onde poder\u00e3o retornar sempre que precisar.<\/p>\n<p>Da mesma forma, ao estranhar outra pessoa ou uma situa\u00e7\u00e3o nova de desconforto ou prazer, costumam procurar seguran\u00e7a, retornando temporariamente para a proximidade do professor. Assim buscam ter o apoio necess\u00e1rio para reorganizar suas emo\u00e7\u00f5es mais intensas. Mais tarde, quando caem e se machucam, brigam ou t\u00eam explos\u00f5es de raiva, podem precisar do acolhimento, nos bra\u00e7os do professor, para se acalmar.<\/p>\n<p>A necessidade de contato f\u00edsico n\u00e3o \u00e9 exclusividade da inf\u00e2ncia. Conforme crescemos vamos substituindo o &#8220;estar literalmente seguro no colo&#8221; pelo colo simb\u00f3lico: o abra\u00e7o, o toque de incentivo ou de tranquiliza\u00e7\u00e3o, o repouso no ombro daquele que confiamos, a seguran\u00e7a de um olhar de aprova\u00e7\u00e3o. Nesses gestos comumente reconhecemos sentimentos semelhantes ao que tivemos quando crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Essas experi\u00eancias, vividas e registradas ajudar\u00e3o a constituir nossos jeitos pr\u00f3prios de nos cuidar e cuidar dos outros.<br \/>\n(Damaris Gomes Maranh\u00e3o, Julho de 1999)<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Referencial Curricular Nacional para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil; vol.1, p\u00e1g. 75; MEC, 1998<\/p>\n<h4><strong>Para saber mais:<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li>Massagem e estimula\u00e7\u00e3o de beb\u00eas: relato de experi\u00eancia. Br\u00eatas, J. R. e Silva, M.das G. B., O mundo da sa\u00fade. Revista do Centro Universit\u00e1rio S\u00e3o Camilo, Ano 22, v.22, n.6 &#8211; nov\/dez, S\u00e3o Paulo,1998.<\/li>\n<li>O beb\u00ea e a coordena\u00e7\u00e3o motora, B\u00e9ziers, M. M. e Hunsinger, Yva Summus, S\u00e3o Paulo, 1994.<\/li>\n<li>O tocar. O significado humano da pele. Montagu, A Summus, S\u00e3o Paulo, 1988.<\/li>\n<li>Consci\u00eancia e individualiza\u00e7\u00e3o do corpo pr\u00f3prio. Wallon, H. A In. As origens do car\u00e1ter da crian\u00e7a. Nova Alexandria, S\u00e3o Paulo, 1995. P\u00e1g.165-216.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<h6><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O toque na inf\u00e2ncia \u00e9 um dos cuidados que ajuda a crian\u00e7a a se constituir como sujeito e a desenvolver mais confian\u00e7a nos seus parceiros sociais. O colo confort\u00e1vel e seguro \u00e9 um cuidado fundamental e deve fazer parte do trabalho educativo sempre que necess\u00e1rio. O colo \u00e9 uma experi\u00eancia humana essencial. 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