{"id":1459,"date":"2002-01-15T17:18:59","date_gmt":"2002-01-15T19:18:59","guid":{"rendered":"http:\/\/avisala1.tempsite.ws\/portal\/?p=1459"},"modified":"2021-06-03T09:30:17","modified_gmt":"2021-06-03T12:30:17","slug":"conheca-santos-e-suas-criancas-a-producao-de-textos-na-educacao-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/assunto\/tempo-didadico\/conheca-santos-e-suas-criancas-a-producao-de-textos-na-educacao-infantil\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a Santos e suas crian\u00e7as &#8211; A produ\u00e7\u00e3o de textos na educa\u00e7\u00e3o infantil"},"content":{"rendered":"<h5>Tendo como cen\u00e1rio o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, passeios tur\u00edsticos, praias e outras belezas naturais, crian\u00e7as de diferentes idades conheceram mais sobre sua cidade. O objetivo era produzir um guia para turistas. Nesta mat\u00e9ria, voc\u00ea vai acompanhar a trajet\u00f3ria: o surgimento do texto oral nos ber\u00e7\u00e1rios, o nascimento de uma escrita oralizada aos 3 anos e a busca da linguagem que se escreve dos 4 anos em diante at\u00e9 chegar a uma escrita alfab\u00e9tica, aos 6 anos.<\/h5>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_santos1.jpg\" alt=\"\" title=\"avisala_09_santos1\" width=\"173\" height=\"446\" class=\"alignleft size-full wp-image-1469\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_santos1.jpg 173w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_santos1-116x300.jpg 116w\" sizes=\"auto, (max-width: 173px) 100vw, 173px\" \/><br \/>\nSabemos hoje que aprender a ler e a escrever faz parte de um longo processo ligado \u00e0 participa\u00e7\u00e3o em pr\u00e1ticas sociais de leitura e de escrita, desde muito cedo. Por isso, fizemos uma op\u00e7\u00e3o clara aqui na creche e na escola da Gota de Leite. Trabalhamos um semestre inteiro com a linguagem oral e escrita.<\/p>\n<p>Nosso objetivo did\u00e1tico era ampliar os contextos de comunica\u00e7\u00e3o e de letramento. Aprendemos muito com isso. Vimos, por exemplo, que no ber\u00e7\u00e1rio menor, onde as crian\u00e7as est\u00e3o aprendendo a falar e conversar, a professora tem o papel de mediar o processo de aquisi\u00e7\u00e3o de linguagem garantindo condi\u00e7\u00f5es para boas situa\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o, diversificando assuntos e interlocutores.<\/p>\n<p>Nessa faixa et\u00e1ria, nosso enfoque esteve na oralidade. J\u00e1 nas turmas do ber\u00e7\u00e1rio maior e do maternal, com crian\u00e7as entre 1 e 3 anos, encontramos a possibilidade de uma primeira produ\u00e7\u00e3o de texto, ainda que bastante oralizada: com apoio nas imagens, as crian\u00e7as fizeram relatos e legendas de fotos que elas ditaram \u00e0 professora \u2013 a escriba da turma. Essa pr\u00e1tica foi se intensificando com crian\u00e7as de outras idades, que passaram a produzir textos antes mesmo de saberem graf\u00e1-los de maneira convencional, atingindo n\u00edveis cada vez mais complexos e elaborados. Para ilustrar, selecionamos trechos dos portf\u00f3lios de todas as professoras, do ber\u00e7\u00e1rio ao maternal.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Passeios \u00e0 praia e comunica\u00e7\u00e3o nos ber\u00e7\u00e1rios<\/strong><br \/>\nMarinalva, Priscila e Severina, professoras do ber\u00e7\u00e1rio menor (1 a 2 anos) contam como se organizaram para estabelecer muitos momentos de comunica\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as: \u201cPedimos fotos, brinquedos e roupas de praia para os pais. Sent\u00e1vamos em c\u00edrculo com as crian\u00e7as e convers\u00e1vamos. Oferec\u00edamos as fotos, apont\u00e1vamos os objetos e denomin\u00e1vamos as cenas, questionando se j\u00e1 tinham ido \u00e0 praia etc.\u201d<\/p>\n<p>Nos primeiros dias em que apresentamos as fotos, elas apenas olhavam os recortes e permaneciam quietas. Parecia que n\u00e3o se interessavam muito. Insistimos conversando, mostrando a praia, os brinquedos de praia, o mar, as crian\u00e7as brincando &#8230;e elas apenas nos olhavam e logo se dispersavam da roda.<\/p>\n<p>Ach\u00e1vamos que n\u00e3o estava sendo muito produtivo, talvez porque esper\u00e1vamos ansiosas demais por respostas imediatas. Ent\u00e3o refletimos e percebemos que, \u00e0 sua maneira, as crian\u00e7as estavam entrando em contato com uma realidade completamente nova e conhecendo novas palavras.<\/p>\n<p>Na semana seguinte, obtivemos mais respostas. Allan deu v\u00e1rios gritos e saltos de alegria.Tocava nas outras crian\u00e7as e apontava para as fotos. P\u00e2mela e Eduardo apontavam e falavam:\u201c\u00d3!\u201d J\u00e9ssica deitava e rolava em cima das imagens. Ent\u00e3o percebemos que elas estavam come\u00e7ando a se familiarizar com as fotos e o tipo de conversa, se entusiasmavam, gritavam e apontavam. Come\u00e7amos a ficar mais atentas ao tipo de resposta que podiam dar, como, por exemplo, o toque, os gritos, a forma como buscavam nossa aten\u00e7\u00e3o cada vez que percebiam algo diferente nas fotos. Logo n\u00e3o precis\u00e1vamos mais estimul\u00e1-las. Apenas coloc\u00e1vamos as fotos no ch\u00e3o e elas pr\u00f3prias pegavam o que queriam e vinham nos mostrar algum detalhe. Balbuciavam coisas que muitas vezes n\u00e3o compreend\u00edamos, mas que sab\u00edamos que estavam contando alguma coisa para n\u00f3s; J\u00e9ssica chegou a falar \u201caeia\u201d e P\u00e2mela, apontando o mar, falou &#8220;gua&#8221;.<div id=\"attachment_1470\" style=\"width: 170px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1470\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_santos4.jpg\" alt=\"\" title=\"avisala_09_santos4\" width=\"160\" height=\"112\" class=\"size-full wp-image-1470\" \/><p id=\"caption-attachment-1470\" class=\"wp-caption-text\">Com o tempo as crian\u00e7as passaram a demonstrar suas prefer\u00eancias ao selecionar as imagens que lhes eram oferecidas.<\/p><\/div><\/p>\n<p><strong>Da nomea\u00e7\u00e3o \u00e0s listas: primeiras produ\u00e7\u00f5es de texto <\/strong><br \/>\nAs professoras do ber\u00e7\u00e1rio maior, Luana, Neuza e Valdete, descobriram uma possibilidade de abordar um texto escrito com crian\u00e7as bem pequenas. Elas tinham a inten\u00e7\u00e3o de que elas se familiarizassem com a escrita por meio da atua\u00e7\u00e3o do adulto. \u201cCom essa faixa et\u00e1ria n\u00e3o foi poss\u00edvel produzir textos coletivos e sim pequenas listas. Fizemos da seguinte forma: organizamos uma roda de conversa e contamos que far\u00edamos uma lista de coisas que levar\u00edamos ao nosso passeio, para n\u00e3o nos esquecermos de nada.<\/p>\n<p>Uma educadora colocou uma folha no centro da roda e escreveu o que as crian\u00e7as falavam. Achamos isso importante, porque as crian\u00e7as pequenas imitam as pessoas, como, por exemplo, as educadoras, ao escrever um texto\u201d.<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00f5es de textos com apoio em imagens<\/strong><br \/>\nNa faixa et\u00e1ria seguinte, com a turma de 3 a 4 anos, observou-se um salto com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s listas produzidas anteriormente. O grupo de crian\u00e7as produzindo um texto simples, bastante oralizado, mas com destino escrito claro. As professoras Rosana e Adriana nos contam como chegaram a essa produ\u00e7\u00e3o, propondo a constru\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum de fotos do passeio:<\/p>\n<p>\u201cA produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum foi excelente: a forma\u00e7\u00e3o da roda para observarmos as fotos superou minhas expectativas. As crian\u00e7as viam e passavam as fotos para o colega ao lado at\u00e9 que todos tivessem visto. Entusiasmadas, foram ditando as legendas. A forma\u00e7\u00e3o dos primeiros textos nos surpreendeu, pois antes o grupo que s\u00f3 listava passou a descrever os acontecimentos registrados pelas fotos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_santos7.jpg\" alt=\"\" title=\"avisala_09_santos7\" width=\"117\" height=\"242\" class=\"alignright size-full wp-image-1473\" \/>Programamos escrever tudo em um s\u00f3 dia, mas n\u00e3o foi poss\u00edvel pois as crian\u00e7as passaram a comentar muito sobre cada foto, resultando em textos mais complexos. Preferimos demorar mais dias para que elas n\u00e3o ficassem cansadas, o que provavelmente iria dispersar o grupo. Percebemos que as imagens s\u00e3o um grande suporte para a escrita do texto.\u201d<\/p>\n<p><strong>O que as crian\u00e7as precisam saber antes de ditar um texto<\/strong><br \/>\nSantos tem muito mais do que praias. Al\u00e9m do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, h\u00e1 tamb\u00e9m museus, locais para passeios e um movimentado porto por onde passam navios de todo o mundo. Por isso as crian\u00e7as foram a esses lugares para depois escrever dicas e sugest\u00f5es de passeio para o Guia Tur\u00edstico de Santos.<\/p>\n<p>A turma de 4 e 5 anos visitou o Museu do Porto. Eliana, a professora do grupo, conta como organizou a produ\u00e7\u00e3o desse texto com as crian\u00e7as:<\/p>\n<p>\u201cAntes de ir ao Museu do Porto hav\u00edamos levantado uma lista do que as crian\u00e7as achavam que iam encontrar l\u00e1. Quando voltaram do passeio, com mais informa\u00e7\u00f5es, pedi que refizessem a lista. O Fernando falou das conchas que vimos e que n\u00e3o estavam naquela primeira lista. O Matheus logo lembrou da arma e de uns vidrinhos da cole\u00e7\u00e3o de areia da praia. Fomos modificando o primeiro texto, relembrando cada momento do nosso passeio. Li a hist\u00f3ria do Museu de Pesca.\u201d<\/p>\n<p>\u2013 Nossa! Como a baleia \u00e9 grande, n\u00e3o \u00e9? \u2013 perguntei. Como ser\u00e1 que ela foi parar l\u00e1?<\/p>\n<p>Gabriel disse que algu\u00e9m a trouxe do mar e a colocou l\u00e1. Fernando achava que algu\u00e9m havia levado apenas os ossos para montar l\u00e1. A Rafaela logo se lembrou do Pin\u00f3quio e do Gepeto, que \u00e9 devorado pela baleia. E a conversa continuou por algum tempo.<\/p>\n<p>Depois, sentamos em c\u00edrculo e, com uma cartolina dobrada no formato de um folder, iniciei a escrita. Perguntei se sabiam para que servia um folder. Fernando e Leonardo disseram que l\u00e1 havia coisas que pod\u00edamos visitar. Depois falei sobre o Porto de Santos, e as crian\u00e7as, quase gritando, disseram que queriam contar o que as pessoas poderiam encontrar l\u00e1. Por isso precis\u00e1vamos escrever de uma forma que todos pudessem compreender. Ningu\u00e9m queria come\u00e7ar, at\u00e9 que Fernando falou que o Museu do Porto \u00e9 perto de onde faz p\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 Faz p\u00e3o? E tem padaria l\u00e1 perto? Mas se eu disser que fica perto do lugar que faz p\u00e3o, voc\u00ea acha que as pessoas v\u00e3o encontrar? \u2013 insisti perguntando Tem tanto lugar que faz p\u00e3o na cidade!<\/p>\n<p>Ele me olhou, n\u00e3o desistiu de sua id\u00e9ia, mas achou melhor colocar tamb\u00e9m o endere\u00e7o do porto.\u201d<\/p>\n<p><div id=\"attachment_1472\" style=\"width: 202px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1472\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_santos5.jpg\" alt=\"\" title=\"avisala_09_santos5\" width=\"192\" height=\"116\" class=\"size-full wp-image-1472\" \/><p id=\"caption-attachment-1472\" class=\"wp-caption-text\">No porto existem muitos tipos de navios que o turista pode conhecer fazendo uma visita<\/p><\/div><strong>\u00c9 preciso conhecer para escrever<\/strong><br \/>\nJana\u00edna, professora da turma de 4 a 5 anos, nos conta como as crian\u00e7as se mantiveram informadas durante o projeto:<\/p>\n<p>\u201cPara ditar um texto as crian\u00e7as precisam saber muitas coisas sobre o conte\u00fado. Por isso, as professoras precisam informar as crian\u00e7as, trazer o assunto para discutir com o grupo. Eu levava o jornal para a sala uma vez por semana, desmontava os cadernos e distribu\u00eda partes para que as crian\u00e7as pudessem ler sozinhas, mesmo que n\u00e3o convencionalmente. Depois recort\u00e1vamos not\u00edcias que nos interessavam e col\u00e1vamos no painel da sala. Um dia, a Ana Beatriz achou uma foto de navio e falou:<\/p>\n<p>\u2013 Olha o porto!<\/p>\n<p>Era uma folha do caderno Porto e Mar, do jornal Tribuna de Santos.Vanessa e Paloma, duas crian\u00e7as da turma, foram at\u00e9 o cartaz onde estava escrito um texto coletivo sobre o porto, olharam e voltaram ao jornal.<\/p>\n<p>\u2013 Aqui, \u00f3. Aqui que t\u00e1 escrito PORTO \u2013 mostrando o quanto conseguem<br \/>\nler sozinhas utilizando os recursos de um ambiente alfabetizador.<\/p>\n<p><strong>A fun\u00e7\u00e3o social dos textos e seus destinat\u00e1rios<\/strong><br \/>\nTendo resolvido a quest\u00e3o do conte\u00fado, as crian\u00e7as passaram a se preocupar com a forma: como escrever o que sabiam. \u00c9 preciso adquirir alguma experi\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de textos, conhecer modelos e pensar sobre eles, pois sabemos que a escrita n\u00e3o \u00e9 uma habilidade gen\u00e9rica: n\u00e3o se escreve uma carta da mesma forma como se escreve um texto para turista, ou um conto para jovens leitores, ou um bilhete para os pais. Andr\u00e9ia, professora da turma de 5 a 6 anos, nos conta mais sobre isso:<\/p>\n<p>\u201cNossa experi\u00eancia com textos foi iniciada com os relatos dos passeios. J\u00e1 hav\u00edamos escrito com as crian\u00e7as bilhetes para a coordena\u00e7\u00e3o, a fim de pedir provid\u00eancias para nossos passeios, para as m\u00e3es, informando-as sobre nossas sa\u00eddas, e tamb\u00e9m cartas: uma para o av\u00f4 da R\u00fabia, que mora no Rio Grande do Norte e n\u00e3o conhece Santos, e outras para crian\u00e7as de outras salas relatando nossos passeios pela cidade.<\/p>\n<p>Essa experi\u00eancia facilitou a produ\u00e7\u00e3o do texto dirigido a turistas, pois as crian\u00e7as j\u00e1 tinham alguns procedimentos, como, por exemplo, sabiam ditar ao professor, com calma, para que ele tivesse tempo de escrever tudo. Ent\u00e3o iniciamos uma conversa retomando nosso ponto de partida, mostrando novamente os guias e falando quais seriam os leitores desses textos. Sempre que eu falava em escrever, as crian\u00e7as partiam do tema: Museu de Pesca, Pinacoteca etc. Mas nunca se dirigiam ao suposto leitor. Ent\u00e3o eu dei novos exemplos, lendo trechos de guias tur\u00edsticos que levei para a sala. S\u00f3 assim Lucas conseguiu ditar:<\/p>\n<p>&#8211; Se voc\u00ea vier a Santos, v\u00e1 ao Museu de Pesca ver o esqueleto da baleia \u2013 disse uma outra crian\u00e7a.<br \/>\n&#8211; A gente foi ao museu &#8230; \u2013 respondeu a outra.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o! \u00c9 para quem n\u00e3o conhece a cidade \u2013 e completa \u2013 Venha conhecer o Museu de Pesca.<\/p>\n<p>Ao ditar o grupo passou a respeitar as regras de linguagem, como o uso dos g\u00eaneros feminino, masculino, singular e plural, e ainda ditaram no presente e no futuro, pois as pessoas vir\u00e3o a Santos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_santos6.jpg\" alt=\"\" title=\"avisala_09_santos6\" width=\"159\" height=\"206\" class=\"alignleft size-full wp-image-1478\" \/>Nossas rodas foram bastante significativas e participativas, com discuss\u00f5es entre as crian\u00e7as; elas puderam opinar, modificar, acrescentar id\u00e9ias e outros termos aos nossos textos. Foi um trabalho dif\u00edcil, mas ao mesmo tempo foi muito estimulante perceber que as crian\u00e7as sabiam que n\u00e3o podemos escrever do mesmo jeito textos que s\u00e3o diferentes, pois cada um tem um destinat\u00e1rio.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pude perceber que desde que comecei a escrever em papel craft<br \/>\nem roda, aumentou o interesse das crian\u00e7as pela escrita e pela identifica\u00e7\u00e3o das letras. Elas falaram:\u2018essa \u00e9 do meu nome!\u2019<br \/>\n\u2018essa \u00e9 a letra A\u2019,sempre me perguntando o que estava escrito aqui ou ali.<\/p>\n<p><strong>Ouvir, conhecer para depois escrever <\/strong><br \/>\nOutro grupo de 5 a 6 anos procurou hist\u00f3rias de pescadores para ilustrar o guia; e descobriram, ao longo da pesquisa, que Santos n\u00e3o tem mais pescadores. Com a amplia\u00e7\u00e3o do porto os homens conseguiram trabalho como estivadores e abandonaram a pescaria, heran\u00e7a ind\u00edgena. Hoje, para conhecer um pescador da praia, \u00e9 preciso procurar muito, como fizeram as crian\u00e7as. As professoras Simone e Indira nos contam como:<\/p>\n<p>\u201cV\u00e1rios pais se envolveram e trouxeram algumas hist\u00f3rias. A que mais marcou foi a de Sebasti\u00e3o, trazida por Jo\u00e3o Gabriel. Sentamos todos em roda e fiz a leitura da mesma para as crian\u00e7as. Conversamos e discutimos esse texto para compor nosso guia. O texto ditado pela turma era muito rico em mensagens, trazia a import\u00e2ncia da amizade entre as pessoas. Enquanto escrevia, as crian\u00e7as iam comparando as letras que apareciam com as dos pr\u00f3prios nomes. Uns at\u00e9 arriscavam a falar qual seria a pr\u00f3xima letra a ser escrita.<\/p>\n<p>Temos o costume de escrever o texto como ele deve ser, ou seja, com par\u00e1grafos, letras mai\u00fasculas, etc., por isso levantamos a d\u00favida de existir a letra mai\u00fascula. Os alunos falaram assim:<br \/>\n\u2013 Olha, uma letra grande!<br \/>\n\u2013 Por que voc\u00ea fez uma letra grande?<\/p>\n<p>Falamos que se chama mai\u00fascula e \u00e9 usada em nomes, in\u00edcio de texto e par\u00e1grafo. Colocamos como exemplo o nome dos personagens e os par\u00e1grafos que \u00edamos escrevendo. Ao fim do texto escrito, cada crian\u00e7a assinou o seu nome na parte inferior da folha que continha a hist\u00f3ria. O que nos chamou a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que uma crian\u00e7a da turma, \u00cdsis, absorveu absolutamente o que aprendeu, pois sua assinatura come\u00e7ou com a letra I mai\u00fascula. Os colegas comentaram sobre a letra mai\u00fascula em seu nome.<\/p>\n<p><strong>Busca e produ\u00e7\u00e3o de fontes de informa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nNa \u00e9poca em que o projeto foi desenvolvido em nossa institui\u00e7\u00e3o, as crian\u00e7as da turma de 6 anos ainda n\u00e3o eram todas alfab\u00e9ticas. No entanto, sabiam muito a respeito da linguagem que se escreve. Isso pode ser notado no trabalho desenvolvido pela professora Daniela:<\/p>\n<p><div id=\"attachment_1471\" style=\"width: 217px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1471\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/avisala_09_santios2.jpg\" alt=\"\" title=\"avisala_09_santios2\" width=\"207\" height=\"154\" class=\"size-full wp-image-1471\" \/><p id=\"caption-attachment-1471\" class=\"wp-caption-text\">O dia n\u00e3o estava t\u00e3o ensolarado, mas deu para aproveitar a areia fresquinha, fazer bolos e castelos com os baldinhos novos.<\/p><\/div><br \/>\n\u201cNosso grupo escolheu estudar o Aqu\u00e1rio Municipal, o Museu de Pesca, o Museu do Mar, o NUPEC (N\u00facleo de Pesquisa e Estudo em Chondrichthyes, uma esp\u00e9cie marinha de Santos) e a pr\u00f3pria praia. As crian\u00e7as teriam a oportunidade de desenhar esp\u00e9cies mar\u00edtimas, escrever os nomes de pr\u00f3prio punho e um texto coletivo, que seria baseado em nossas pesquisas. Para que estas fossem constantes e come\u00e7assem a fazer parte do nosso dia-a-dia, montei com as crian\u00e7as o CANTINHO DA PESQUISA, com tudo o que \u00edamos juntando sobre o assunto, incluindo as pastas com materiais que elas trouxeram de casa. Com isso, puderam observar, explorar e tamb\u00e9m socializar suas opini\u00f5es e o que mais sabiam sobre o assunto. Em pouco tempo, o Cantinho passou a ser muito freq\u00fcentado por elas.<\/p>\n<p>Com o interesse das crian\u00e7as, come\u00e7ou a se concretizar a produ\u00e7\u00e3o do<br \/>\nLIVRO DAS ESP\u00c9CIES MAR\u00cdTIMAS, que seria montado com as fichas que<br \/>\nelas escreviam e desenhavam. A visita ao Aqu\u00e1rio Municipal foi de grande valia para a organiza\u00e7\u00e3o do livro: l\u00e1 as crian\u00e7as puderam observar as esp\u00e9cies e confrontar, por meio das legendas, as informa\u00e7\u00f5es previamente pesquisadas.<\/p>\n<p>A pesquisa passou a fazer parte da nossa rotina. Numa roda, lia com elas no m\u00ednimo informa\u00e7\u00f5es de duas fontes &#8211; um livro e uma revista ou uma p\u00e1gina de internet e um folder, e assim por diante. Depois, elas ditavam um texto e eu escrevia o que falavam e lia para conferir. Ao t\u00e9rmino, cada crian\u00e7a recebia uma folha com um quadro para desenhar e copiar sua p\u00e1gina.\u201d<\/p>\n<p><strong>Revis\u00e3o de texto: mais um desafio para as crian\u00e7as<\/strong><br \/>\n\u201cNo \u00faltimo texto, o informativo sobre o Museu de Pesca, aproveitamos para utilizar com as crian\u00e7as dois novos procedimentos: a corre\u00e7\u00e3o e digita\u00e7\u00e3o do texto. O t\u00edtulo seria \u201cMuseu de Pesca\u201d, e nele deveria conter o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para quem n\u00e3o conhece, n\u00e3o sabe como chegar e nem mesmo onde fica o museu. Ent\u00e3o, as crian\u00e7as ditaram o texto que eu sabia que podia ser melhorado.<\/p>\n<p>No dia seguinte sentamos novamente em roda, levei o texto escrito no dia anterior e uma nova folha para passar a limpo a vers\u00e3o final. Fui lendo com as crian\u00e7as frase por frase e questionando sobre a melhor forma de escrever. Algumas frases foram retiradas, outras alteradas e algumas palavras acrescentadas pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as com a media\u00e7\u00e3o da professora. Depois fomos para a sala de digita\u00e7\u00e3o onde elas me ditaram o texto. Por fim relemos juntas, imprimi e xerocamos um para cada crian\u00e7a.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o final ficou assim:<\/p>\n<blockquote><p>O Museu de Pesca fica em Santos, perto da ponta da praia. L\u00e1 \u00e9 muito legal, tem ossos de baleias, tubar\u00f5es, raias, peixeagulha, polvo no formol, tartarugas-marinhas, siri, pedras marcadas com peixes, lobo-marinho, tubar\u00e3o-martelo, pinguim e outras esp\u00e9cies empalhadas. L\u00e1 tem muita coisa interessante, tem at\u00e9 uma lojinha. Se voc\u00ea quiser ir ao museu tem que pagar uma taxa e n\u00e3o pode mexer em nada. L\u00e1 dentro vai ter um navio, a partir do dia 9 de junho.<\/p><\/blockquote>\n<p>Avalio que os objetivos foram atingidos: as crian\u00e7as souberam ditar o texto, sabiam para que serviria. O mais importante \u00e9 que aprenderam que h\u00e1 uma forma mais clara de se escrever um texto. Al\u00e9m disso, elas puderam:<\/p>\n<ul>\n<li>conhecer o uso social da escrita;<\/li>\n<li>ler e buscar informa\u00e7\u00f5es nos folders, guias, revistas, jornais e livros, apoiando-se nas imagens e marcas do texto;<\/li>\n<li>desenvolver algumas estrat\u00e9gias para ler nomes das esp\u00e9cies mar\u00edtimas;<\/li>\n<li>conhecer algumas esp\u00e9cies;<\/li>\n<li>tirar informa\u00e7\u00f5es de variadas fontes de pesquisa;<\/li>\n<li>ler e escrever um pequeno grupo de palavras est\u00e1veis.<\/li>\n<\/ul>\n<p>As crian\u00e7as reagiram sempre de forma participativa e motivada, umas mais euf\u00f3ricas e entusiasmadas, outras, mais t\u00edmidas, iam devagarinho dando suas opini\u00f5es e id\u00e9ias. Essa proposta foi extremamente importante para o avan\u00e7o da classe. Este foi um projeto que envolveu toda a institui\u00e7\u00e3o e que contou com produ\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as de diferentes idades, fruto de projetos did\u00e1ticos desenvolvidos por suas professoras. Se voc\u00ea, leitor, quiser conhecer Santos, procure o guia no site www.avisala.org.br<br \/>\nE bom passeio!<\/p>\n<p>(Cynthia, Carla Luizato &#8211;\u00a0 Coordenadoras do trabalho pedag\u00f3gico de 0 a 3 e de 4 a 6, na creche e na escola da Gota de Leite)<\/p>\n<p>(Equipe da Gota de Leite &#8211; grupo \u00e9 composto por vinte e duas professoras)<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/santos.jpg\" alt=\"\" title=\"santos\" width=\"200\" height=\"404\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1479\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/santos.jpg 200w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/santos-148x300.jpg 148w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/p>\n<h4>Enciclop\u00e9dia como recurso para escrita<\/h4>\n<p>A enciclop\u00e9dia foi nossa grande aliada na sala, contam Deusa e Micheline, professoras do grupo de 3 a 4 anos. Apresentamos pela primeira vez na roda e, por n\u00e3o ter \u00edndice, mostramos p\u00e1gina por p\u00e1gina. Mostramos onde est\u00e1 escrito o nome da enciclop\u00e9dia: CONHECER. O tamanho do livro impressionou as crian\u00e7as, e quando abrimos na p\u00e1gina dos tubar\u00f5es, elas se surpreenderam mais ainda por ver que existem tantas esp\u00e9cies diferentes. Essa leitura<br \/>\npermitiu a elas comparar o tubar\u00e3o que vimos no aqu\u00e1rio e os outros, dos livros. Puderam perceber que n\u00e3o s\u00e3o todos iguais.<\/p>\n<h4>Multiplica\u00e7\u00e3o do Projeto<\/h4>\n<p>Inspirando-se na experi\u00eancia do projeto da Gota de Leite, a professora Rosiris Duarte, da Escola do Boqueir\u00e3o, em Santos, desenvolveu um interessante trabalho com a turma de primeira s\u00e9rie, com crian\u00e7as de 7 e 8 anos. \u201cDepois de muita discuss\u00e3o sobre o que faria parte do guia, decidimos conhecer um pouco mais sobre os lugares selecionados.<\/p>\n<p>A cada semana o projeto ficava mais interessante e pod\u00edamos observar o quanto o tema tinha sido bem escolhido para essa faixa et\u00e1ria. O prazer de novos desafios incentivou as crian\u00e7as para a pr\u00f3xima etapa: visitar os lugares selecionados.<\/p>\n<p>Dividimos a sala em pequenos grupos para anotar algumas curiosidades que eles tinham sobre o local. Conversei antecipadamente com os monitores dos museus e demais locais tur\u00edsticos, explicando o projeto e o tipo de visita\u00e7\u00e3o.A escola foi sempre bem recebida. As pessoas ficavam encantadas com as perguntas das crian\u00e7as e com o jeito cr\u00edtico e observador.<\/p>\n<p>A etapa seguinte foi montar os textos sobre os lugares visitados. Em trio, as crian\u00e7as foram elaborando suas escritas e anotando tudo: muitas vezes nem dava tempo de escrever, devido ao volume de informa\u00e7\u00f5es que elas queriam colocar. Conversamos sobre o que seria realmente importante informar sobre o lugar. Os textos melhoraram, e as crian\u00e7as puderam perceber que \u00e9 poss\u00edvel escrever o mesmo conte\u00fado de uma forma melhor. <\/p>\n<p>Depois fizemos uma classifica\u00e7\u00e3o sobre o lugar, decidindo se era bom, \u00f3timo ou imperd\u00edvel. Resolvemos tamb\u00e9m colocar um mapa da cidade, pois as crian\u00e7as adoraram os mapas que conheceram nos guias. Elas decidiram dividir segundo os bairros de nossa cidade, o que facilitou a localiza\u00e7\u00e3o dos turistas. O projeto terminou com um bel\u00edssimo guia tur\u00edstico e a certeza de que as crian\u00e7as puderam conhecer mais sobre a cidade de Santos, sua hist\u00f3ria e beleza.\u201d<\/p>\n<p><strong>Escola do Boqueir\u00e3o:<\/strong> Rua Dom Lara, 82 CEP 11045 160 Boqueir\u00e3o, Santos \u2013 S\u00e3o Paulo. Tel: (13) 222-7584<\/p>\n<p><strong>Bibliografia:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Guias tur\u00edsticos de v\u00e1rias cidades.<\/li>\n<li>Material distribu\u00eddo pela Secretaria de Turismo de Santos (p\u00f4steres, cartazes, mapas, folhetos etc.)<\/li>\n<li>Al\u00e9m da alfabetiza\u00e7\u00e3o. Ana Teberosky. Ed. \u00c1tica<\/li>\n<li>Aprender a escrever.Ana Teberosky. Ed. \u00c1tica.Tel.: (11) 3346-3000<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Ficha t\u00e9cnica:<\/h4>\n<p>Projeto Conhe\u00e7a Santos com as crian\u00e7as. Iniciativa: Instituto Credicard. Desenvolvimento Instituto Avisa-l\u00e1 e Gota de Leite.<br \/>\nEquipe: \u00c1ureo Rodrigues Filho, Marlene Remi\u00e3o, Silvana Augusto, professoras e coordenadoras pedag\u00f3gicas da Gota de Leite.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tendo como cen\u00e1rio o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, passeios tur\u00edsticos, praias e outras belezas naturais, crian\u00e7as de diferentes idades conheceram mais sobre sua cidade. O objetivo era produzir um guia para turistas. Por Cynthia, Carla Luizato e equipe da Gota de Leite<\/p>\n","protected":false},"author":52,"featured_media":1460,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[327,34],"tags":[1103,1325,412,417,411,413,107,418,414,150,416,223,415,222],"class_list":{"0":"post-1459","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisala-09","8":"category-tempo-didadico","9":"tag-revista-avisa-la-2002","10":"tag-alfabetizacao","11":"tag-carla-luizato","12":"tag-credicard","13":"tag-cynthia","14":"tag-gota-de-leite","15":"tag-guia","16":"tag-instituto","17":"tag-linguagem-escrita","18":"tag-linguagem-oral","19":"tag-porto","20":"tag-praia","21":"tag-projeot","22":"tag-santos","24":"post-with-thumbnail","25":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1459"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1459\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}