{"id":14570,"date":"2017-02-08T13:44:02","date_gmt":"2017-02-08T15:44:02","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=14570"},"modified":"2024-10-28T16:09:30","modified_gmt":"2024-10-28T19:09:30","slug":"favorecendo-a-interacao-com-a-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-69\/favorecendo-a-interacao-com-a-natureza\/","title":{"rendered":"Favorecendo a intera\u00e7\u00e3o com a natureza"},"content":{"rendered":"<p>ANDR\u00c9IA ARAUJO LIMA\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>S\u00d3 COM UMA BOA PROPOSTA DE FORMA\u00c7\u00c3O FOI POSS\u00cdVEL CRIAR ESPA\u00c7OS PARA QUE AS CRIAN\u00c7AS INTERAGISSEM COM ELEMENTOS DA NATUREZA E PASSASSEM A USAR OS ESPA\u00c7OS EXTERNOS COM LIBERDADE<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14571 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/1-1-300x230.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/1-1-300x230.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/1-1.jpg 397w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Assim que entrei no Centro Municipal de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (CMEI), em fevereiro de 2014, busquei, em conversa com a<br \/>\ndiretora e no portf\u00f3lio da pedagoga\u00b2 anterior, conhecer um pouco mais sobre o que j\u00e1 havia acontecido na Unidade referente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o continuada. Logo identificamos a necessidade de aprofundar um pouco mais nossos conhecimentos sobre o brincar, especialmente nos momentos de integra\u00e7\u00e3o\u00b3, e, ao mesmo tempo, qualificar os planejamentos na \u00e1rea de rela\u00e7\u00f5es naturais<sup>4<\/sup>, j\u00e1 que no ano anterior havia sido apenas iniciado um processo formativo nesta \u00e1rea com algumas professoras.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Especialista em gest\u00e3o do trabalho pedag\u00f3gico e pedagoga do Centro Municipal de Educa\u00e7\u00e3o Infantil Porto Belo (CMEI), Curitiba (PR).<br \/>\n2 Em Curitiba (PR), as coordenadoras pedag\u00f3gicas s\u00e3o chamadas de pedagogas.<br \/>\n3 A Integra\u00e7\u00e3o \u00e9 um projeto institucional voltado ao brincar e \u00e0s intera\u00e7\u00f5es, que acontece tr\u00eas vezes por semana na Unidade, no per\u00edodo da manh\u00e3 ou da tarde, no qual as crian\u00e7as ocupam todos os espa\u00e7os do CMEI, interno e externo, e re\u00fanem-se com outras crian\u00e7as, de diferentes faixas et\u00e1rias, para brincar juntas.<br \/>\n4 O munic\u00edpio de Curitiba trabalha, atualmente, com \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o humana, entre elas as Rela\u00e7\u00f5es Naturais, entendendo-se que \u201cO contato com a natureza \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para as crian\u00e7as, e compreender as rela\u00e7\u00f5es sociais que se estabelecem nesse contexto favorece a elas a constru\u00e7\u00e3o de no\u00e7\u00f5es de reciprocidade sobre suas a\u00e7\u00f5es e consequ\u00eancias no meio\u201d (CURITIBA, 2012, p. 36).<\/h6>\n<p>Focamo-nos em duas grandes metas: a primeira, institucional, encontrar nos tempos e espa\u00e7os da Unidade territ\u00f3rios<sup>5 <\/sup>para brincar, incluindo nas propostas a intera\u00e7\u00e3o com elementos da natureza; e a segunda, espec\u00edfica para o ber\u00e7\u00e1rio II, escrever e desenvolver uma atividade permanente para brincar com os elementos da natureza.<\/p>\n<p>A escolha por desenvolver uma proposta espec\u00edfica para o ber\u00e7\u00e1rio II surgiu de outra necessidade: olhar com mais cuidado para o planejamento e desenvolvimento das propostas com os beb\u00eas. Al\u00e9m disso, pretendia \u201cproduzir\u201d um bom modelo de planejamento de atividade permanente para usar nas forma\u00e7\u00f5es com as demais equipes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14572 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/2-1-300x251.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"251\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/2-1-300x251.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/2-1.jpg 625w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Caminho de pesquisa e reflex\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Definidos os objetivos, parti ent\u00e3o para a busca de materiais que me ajudassem a conhecer um pouco mais da \u00e1rea de rela\u00e7\u00f5es naturais e de que maneira poderia sugerir articula\u00e7\u00f5es com as brincadeiras. Para este processo, foi muito importante minha participa\u00e7\u00e3o nos Encontros de\u00a0Forma\u00e7\u00e3o<sup>6<\/sup>, em que eram dadas orienta\u00e7\u00f5es e sugest\u00f5es de materiais para leitura, consultas e pesquisas.<\/p>\n<p>O referencial utilizado para definir a primeira vers\u00e3o do diagn\u00f3stico foi o curr\u00edculo para Educa\u00e7\u00e3o Infantil da cidade de S\u00e3o Paulo (SP), do qual destaquei as p\u00e1ginas 96 a\u00a0105<sup>7<\/sup>, que tratam das experi\u00eancias de explora\u00e7\u00e3o da natureza e da cultura. A partir dele elegi algumas perguntas que me ajudaram a fazer um diagn\u00f3stico sobre os (n\u00e3o)saberes das professoras do ber\u00e7\u00e1rio II. Utilizei essas perguntas durante a escrita do plano anual da turma, quando percebi a nossa dificuldade em pensar propostas para o trabalho com a natureza e os beb\u00eas.<\/p>\n<p><strong>1.<\/strong> Como as crian\u00e7as s\u00e3o incentivadas a explorar alimentos, objetos, cheiros, sabores?<br \/>\n<strong>2.<\/strong> Como as crian\u00e7as s\u00e3o incentivadas a ampliar experi\u00eancias visuais, olfativas, auditivas e gustativas?<br \/>\n<strong>3.<\/strong> Como as crian\u00e7as s\u00e3o incentivadas a reconhecer seu nome e seu grupo?<br \/>\n<strong>4.<\/strong> S\u00e3o observadas as prefer\u00eancias dos beb\u00eas?<br \/>\n<strong>5.<\/strong> Estas prefer\u00eancias s\u00e3o utilizadas para elabora\u00e7\u00e3o de novas propostas, reorganiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os?<br \/>\n<strong>6.<\/strong> Como est\u00e3o organizados os espa\u00e7os segundo as prefer\u00eancias dos beb\u00eas?<\/p>\n<p>Contudo, a defini\u00e7\u00e3o de um diagn\u00f3stico tinha como objetivo a elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Forma\u00e7\u00e3o; portanto, n\u00e3o poderia considerar apenas a equipe do ber\u00e7\u00e1rio, j\u00e1 que o plano deveria abranger todos os profissionais. Diante disso, recorremos ao texto Crian\u00e7as da natureza, de L\u00e9a Tiriba, para a elabora\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico da institui\u00e7\u00e3o. Com este material fiz a transposi\u00e7\u00e3o das ideias do texto ao contexto da Unidade e chegamos a uma segunda vers\u00e3o do diagn\u00f3stico.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>5 Os territ\u00f3rios para brincar, no CMEI Porto Belo, foram vistos como novos espa\u00e7os na Unidade, preferencialmente na \u00e1rea externa, que n\u00e3o eram explorados pelas crian\u00e7as, mas que apresentavam grande potencial de possibilidades para brincar.<br \/>\n6 Realizados pela Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Curitiba (PR) e pelo Instituto Avisa L\u00e1 (SP), cuja formadora era a professora Maria Virg\u00ednia Gastaldi.<br \/>\n7 Dispon\u00edvel em: http:\/\/portal.sme.prefeitura.sp.gov.br\/Portals\/1\/Files\/15111.pdf.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-14573\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/3-1-300x104.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"104\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/3-1-300x104.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/3-1-768x267.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/3-1.jpg 949w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Ensinar as crian\u00e7as a cuidar da terra<\/strong><\/p>\n<p>Observo com frequ\u00eancia materiais jogados pelo entorno do CMEI e que n\u00e3o s\u00e3o juntados por ningu\u00e9m. A equipe da limpeza rastela areia e brinquedos juntos. As pessoas passam como se aquele pl\u00e1stico processado fizesse parte da natureza. As crian\u00e7as utilizam muitos copos de pl\u00e1stico.<\/p>\n<p><strong>Dizer n\u00e3o ao consumismo e ao desperd\u00edcio<\/strong><\/p>\n<p>Ainda impera o pl\u00e1stico como mat\u00e9ria-prima principal para os objetos que utilizamos com as crian\u00e7as. Ao pensar num canto de atividade diversificada j\u00e1 imaginamos o brinquedo que queremos comprar. Compramos mais do que o necess\u00e1rio porque poucas vezes consideramos a possibilidade de consertar brinquedos e livros.<\/p>\n<p><strong>Desemparedar as crian\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>Nos dias quentes que tivemos no in\u00edcio deste ano, n\u00e3o houve nenhuma atividade envolvendo elementos como \u00e1gua, areia, terra, barro&#8230;<\/p>\n<p>O quadro mostra apenas um pequeno recorte do diagn\u00f3stico que ficou bastante grande e, por isso, precisei reorganizar as ideias, fazendo escolhas e elegendo prioridades. Ent\u00e3o defini eixos para o trabalho com a natureza: consumismo, materialidades, tempo de experi\u00eancia e o planejamento permeando todos os eixos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-14574\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/4-1-300x120.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"120\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/4-1-300x120.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/4-1.jpg 472w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Em seguida, para compartilhar o diagn\u00f3stico com toda a equipe do CMEI, pensei em boas perguntas para provoc\u00e1-las a pensar sobre as possibilidades de aprimoramento do nosso trabalho, como mostra um trecho do diagn\u00f3stico a seguir.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14575 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/5-1-209x300.jpg\" alt=\"\" width=\"209\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/5-1-209x300.jpg 209w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/5-1.jpg 440w\" sizes=\"auto, (max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n<p>O pl\u00e1stico \u00e9 a mat\u00e9ria prima principal dos objetos que oferecemos para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Problematiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Que outras materialidades podemos oferecer para as crian\u00e7as al\u00e9m do pl\u00e1stico? Que propostas podemos desenvolver para que as crian\u00e7as explorem outros tipos de materiais? Que interven\u00e7\u00f5es podemos fazer nos espa\u00e7os do CMEI e nos cantos de atividades diversificadas para que apare\u00e7am outras materialidades?<\/p>\n<p><strong>Primeiras a\u00e7\u00f5es realizadas ou em andamento<\/strong><\/p>\n<p>Adquirir brinquedos em madeira e tecido. Incluir objetos nos cantos de atividades diversificadas de madeira, tecido, alum\u00ednio, papel, papel\u00e3o, barro.<\/p>\n<p><strong>Outras possibilidades<\/strong><\/p>\n<p>Desenvolver propostas para que as crian\u00e7as tenham contato com areia, terra, pedras, folhas, argila, barro, \u00e1gua&#8230; Pesquisar com crian\u00e7as e familiares as brincadeiras fora do CMEI, as profiss\u00f5es e passatempos dos pais e familiares que possam vir a ser um canto na sala.<\/p>\n<p>Estas perguntas acompanharam os momentos de perman\u00eancia durante todo o ano, sempre que par\u00e1vamos para pensar sobre o planejamento de uma proposta envolvendo natureza, e nos demais encaminhamentos do CMEI.<\/p>\n<p>Assim, finalmente chegamos \u00e0 terceira e \u00faltima vers\u00e3o do diagn\u00f3stico, e pudemos ent\u00e3o definir objetivos, metas de mudan\u00e7a, estrat\u00e9gias formativas e indicadores de avalia\u00e7\u00e3o para o plano de forma\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>PLANO DE FORMA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Interagir com a natureza por meio das brincadeiras<br \/>\nObjetivo geral: encontrar nos tempos e espa\u00e7os da Unidade territ\u00f3rios para brincar, incluindo nos espa\u00e7os e nas propostas elementos da natureza.<\/p>\n<p>ECOLOGIA AMBIENTAL (rela\u00e7\u00f5es de cada um com a natureza); ECOLOGIA SOCIAL (rela\u00e7\u00e3o de cada um com o outro) X MATERIALIDADES<\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico:<\/strong> o pl\u00e1stico \u00e9 a mat\u00e9ria-prima principal dos objetos que oferecemos para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Objetivos de aprendizagem:<\/strong> reconhecer em outros tipos de materiais possibilidades de experi\u00eancias diversificadas pelas crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Metas:<\/strong> incluir nas situa\u00e7\u00f5es de brincadeiras e em propostas dirigidas, objetos de diversos materiais, al\u00e9m do pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>Planejar situa\u00e7\u00f5es em que as crian\u00e7as tenham contato com diversas materialidades.<br \/>\nDisponibilizar materiais de largo alcance de origem natural.<br \/>\nFazer interven\u00e7\u00f5es nos espa\u00e7os interno e externo, com elementos naturais.<\/p>\n<p><strong>Cronograma:<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-14577\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/7-1-300x228.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"228\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/7-1-300x228.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/7-1-768x583.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/7-1.jpg 885w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<hr \/>\n<h6>8 Guia elaborado pelo Instituto Avisa L\u00e1 no in\u00edcio do Programa Kidsmart no Brasil, dispon\u00edvel no site www.avisala.org.br.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14578 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/8-1-300x126.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"126\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/8-1-300x126.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/8-1-768x322.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/8-1-960x405.jpg 960w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/8-1.jpg 966w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Este \u00e9 apenas um recorte do plano de forma\u00e7\u00e3o constru\u00eddo a muitas m\u00e3os. At\u00e9 chegar aqui, necessitei de in\u00fameras idas e vindas aos encontros de forma\u00e7\u00e3o e com a equipe de pedagogas do N\u00facleo Regional de Educa\u00e7\u00e3o da\u00a0CIC<sup>9<\/sup>, que me acompanharam durante todo o processo de constru\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico e do plano de forma\u00e7\u00e3o, ajudando-me a identificar os conte\u00fados formativos priorit\u00e1rios para a Unidade. Depois disso, compartilhei com a equipe de professoras do CMEI a proposta de forma\u00e7\u00e3o, e ao recolher seus depoimentos, pois foram convidadas a se colocar sobre as reflex\u00f5es e ideias que apresentamos, tive certeza de que est\u00e1vamos no caminho certo para desemparedar os pequenos e reconect\u00e1-los com a natureza. Esses depoimentos foram fundamentais para o direcionamento das minhas a\u00e7\u00f5es como pedagoga, pois, dessa forma, pude articular os desejos das profissionais aos desejos e \u00e0s necessidades das crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Depoimentos das professoras<\/strong><\/p>\n<p>Percebemos tamb\u00e9m que os espa\u00e7os externos s\u00e3o ricos de possibilidades na amplia\u00e7\u00e3o de conhecimentos que as crian\u00e7as t\u00eam sobre si e sobre o meio, e que a sala de refer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico lugar de aprendizagem. As interven\u00e7\u00f5es realizadas nos espa\u00e7os da Unidade t\u00eam contribu\u00eddo significativamente para o desenvolvimento de novas propostas com as crian\u00e7as. (Professoras Ana Lucia Soares de Andrade Bittencourt e Celina Aparecida Wieczorek da Silva)<\/p>\n<p>O nosso CMEI tem um espa\u00e7o que possibilita essa autonomia para a escolha de parceiros e espa\u00e7os para brincar, possui diversos espa\u00e7os pouco explorados em nossos planejamentos e que s\u00e3o muito ricos em elementos naturais. Mas para que isso mude temos que quebrar algumas barreiras e trabalhar em equipe (&#8230;) percebemos que existe uma resist\u00eancia por parte dos adultos com rela\u00e7\u00e3o ao \u201cse sujar\u201d, o que facilmente acontece quando brincamos em contato com a natureza. As interven\u00e7\u00f5es realizadas nos espa\u00e7os do CMEI possibilitaram a intera\u00e7\u00e3o e o planejamento de atividades que promovem o contato com a natureza, o que contribuiu muito para o planejamento de diversas propostas que antes n\u00e3o eram poss\u00edveis.<br \/>\n(Professoras Adriana Proceke Melo Ortega Vieira e Hellen de Souza Ramos)<\/p>\n<hr \/>\n<h6>9 O Munic\u00edpio de Curitiba descentraliza alguns servi\u00e7os da prefeitura para as Ruas da Cidadania, onde fica, entre outros servi\u00e7os, o N\u00facleo Regional de Educa\u00e7\u00e3o (NRE). L\u00e1, grupos de pedagogos e demais profissionais atuam no sentido de dar suporte e apoio necess\u00e1rios ao desenvolvimento do trabalho realizado nas unidades educacionais. O NRE-CIC fica na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), onde se localiza o CMEI Porto Belo.<\/h6>\n<p><strong>Depoimento das professoras ap\u00f3s um ano de forma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em tempos de pouca natureza e muita tecnologia, nossa forma\u00e7\u00e3o nos fez refletir sobre nossa inf\u00e2ncia de p\u00e9s na terra, roupa suja e muito aprendizado, aprendizado esse que quer\u00edamos proporcionar aos nossos pequenos. A tem\u00e1tica do \u201cdesemparedar\u201d nos fez pensar mais a respeito das atividades que envolvem a natureza e de que forma pod\u00edamos fazer esses momentos se tornarem permanentes e naturais para as crian\u00e7as. (Professora Larissa Ma\u00edsa Marfil Aguiar)<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o fez com que perd\u00eassemos alguns medos, como a utiliza\u00e7\u00e3o do barranco, que antes n\u00e3o utiliz\u00e1vamos com medo de as crian\u00e7as se machucarem. E as crian\u00e7as adoraram quando come\u00e7aram a brincar no barranco, o que provocou questionamentos nas crian\u00e7as que hoje est\u00e3o no Ensino Fundamental, mas que tiveram parte de sua inf\u00e2ncia vivida no CMEI: \u201dPor que quando eu estava a\u00ed n\u00e3o podia brincar no barranco? (Professora Ariane Rodrigues De Souza)<\/p>\n<p>O que vemos hoje \u00e9 que as fam\u00edlias prendem seus filhos em casa e d\u00e3o pouca import\u00e2ncia a essa rela\u00e7\u00e3o com o que \u00e9 vivo. E \u00e9 exatamente nesse ponto que nos deparamos. No in\u00edcio, as crian\u00e7as tinham medo at\u00e9 mesmo de pisar na grama descal\u00e7as, medo de bichos e dos pequenos insetos, mas n\u00f3s insistimos e a natureza se encarregou de acolher nossos pequenos olhares curiosos, que aos poucos foram enxergando um mundo que vai al\u00e9m das paredes das salas de refer\u00eancia. Passaram a sentir o vento no rosto, observar pequenos insetos, usar gravetos, pedras, pinhas, cascalhos entre outros materiais para a cria\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias brincadeiras. (Professora Hellen de Souza Ramos)<\/p>\n<p><strong>Descobertas no Espa\u00e7o Externo<\/strong><\/p>\n<p>Nath\u00e1lia, durante o desenvolvimento de uma proposta da atividade permanente, \u201cbrincadeiras e explora\u00e7\u00f5es na natureza\u201d, descobriu muito mais do que apenas a terra. Ao chegar ao gramado sentiu as diferen\u00e7as topogr\u00e1ficas do ch\u00e3o sobre o qual caminhava. De repente, de cal\u00e7ada plana passou a subir o morro, o que exigiu dela reestabelecer o equil\u00edbrio do seu corpo, quase caindo para traz. Abrir os bra\u00e7os foi a maneira de, como num malabarismo, permanecer em p\u00e9. Diante da dificuldade, n\u00e3o se intimidou, agachou-se e, como j\u00e1 tinha dom\u00ednio do engatinhar, passou a subir e descer pelo barranco engatinhando.<\/p>\n<p>Ao chegar \u00e0 caixa de terra encontrou elementos como pinhas, pedras e gravetos, cuidadosamente organizados pelas professoras, deixando o ambiente convidativo para a explora\u00e7\u00e3o e para o brincar. Como sabia que naquele espa\u00e7o podia brincar, logo pegou a pinha e descobriu que ela espetava os dedos. Mas n\u00e3o chorou. Tomou cuidado para n\u00e3o apert\u00e1-la novamente, segurando-a na ponta dos dedos. Mas sentir com as m\u00e3os n\u00e3o foi sufi ciente e, por isso, experimentou com a boca tamb\u00e9m. Olhou, observou, experimentou e se cansou. Foi para o graveto, com o qual cutucava e riscava a terra. A marca deixada pelo graveto chamava-lhe aten\u00e7\u00e3o e, por isso, repetiu v\u00e1rias vezes o movimento, parecendo estar sempre com um olhar interrogativo, como se estivesse se perguntando \u201ccomo isso aconteceu?\u201d. Por ali brincou algum tempo, descobrindo texturas, gostos, marcas, dor, equil\u00edbrio&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-14579\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/9-300x86.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"86\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/9-300x86.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/9-768x219.jpg 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/9.jpg 873w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Direito ao barranco<\/strong><\/p>\n<p>Hoje temos um trabalho consolidado na Unidade. Se antes as crian\u00e7as n\u00e3o tinham acesso aos espa\u00e7os verdes e permaneciam por muito tempo dentro das salas de refer\u00eancia, agora observamos in\u00fameras brincadeiras que ora s\u00e3o criadas e organizadas pelas professoras, ora inventadas pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as, dando prioridade para o espa\u00e7o externo. O barranco, por exemplo, era um espa\u00e7o inabitado pelos pequenos. Fazia parte do \u00fanico espa\u00e7o verde que temos na Unidade e que hoje, ocupado pelas crian\u00e7as, permite a movimenta\u00e7\u00e3o do corpo, a cria\u00e7\u00e3o de brincadeiras e a inven\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias a partir delas.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as da turma do pr\u00e9 I deste ano (2016), que t\u00eam tido muitas experi\u00eancias de brincadeiras nesse espa\u00e7o desde 2015, em discuss\u00f5es sobre lendas com as professoras da equipe de perman\u00eancia, criaram a lenda do CMEI Porto Belo, na qual o barranco \u00e9 protagonista.<\/p>\n<hr \/>\n<p>A lenda do CMEI Porto Belo<br \/>\nDiz a lenda que quem escorrega no barranco com papel\u00e3o fica mais inteligente porque, embaixo dele, vive um reino de formigas muito espertas.<br \/>\nAutores: crian\u00e7as do Pr\u00e9 I\/2016<\/p>\n<hr \/>\n<p>Sujar o corpo e as roupas, bem como dar banho em todas as crian\u00e7as ap\u00f3s alguma atividade com terra, barro ou areia, organizar espa\u00e7os com elementos naturais que convidam a brincar e aprender, incluir nos planejamentos o contato, a brincadeira e a investiga\u00e7\u00e3o dos elementos que comp\u00f5em a natureza n\u00e3o nos incomoda mais, n\u00e3o nos faz perder tempo, ao contr\u00e1rio, nos faz ganhar e aproveitar um tempo precioso com as crian\u00e7as, pois vemos nessas brincadeiras, nesse contato estreito e direto com o ar livre, barro, \u00e1gua, argila, areia, flores, folhas, gravetos, pedras, misturas etc. a alegria, a satisfa\u00e7\u00e3o e as descobertas realizadas pelas crian\u00e7as nos diferentes espa\u00e7os, com os diferentes materiais que oferecemos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANDR\u00c9IA ARAUJO LIMA\u00b9 S\u00d3 COM UMA BOA PROPOSTA DE FORMA\u00c7\u00c3O FOI POSS\u00cdVEL CRIAR ESPA\u00c7OS PARA QUE AS CRIAN\u00c7AS INTERAGISSEM COM ELEMENTOS DA NATUREZA E PASSASSEM A USAR OS ESPA\u00c7OS EXTERNOS COM LIBERDADE Assim que entrei no Centro Municipal de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (CMEI), em fevereiro de 2014, busquei, em conversa com a diretora e no portf\u00f3lio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":17159,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1529],"tags":[],"class_list":{"0":"post-14570","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-69","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14570"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14570\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17163,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14570\/revisions\/17163"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}