{"id":14383,"date":"2022-10-18T11:28:14","date_gmt":"2022-10-18T14:28:14","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=14383"},"modified":"2022-10-18T12:53:19","modified_gmt":"2022-10-18T15:53:19","slug":"o-avisa-la-indica-de-outubro-ja-esta-disponivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/noticias\/o-avisa-la-indica-de-outubro-ja-esta-disponivel\/","title":{"rendered":"O Avisa L\u00e1 Indica de outubro j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel!"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=reel8z3bCJ4\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14384 alignleft\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Captura-de-tela-2022-10-18-111637-300x158.png\" alt=\"\" width=\"273\" height=\"144\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Captura-de-tela-2022-10-18-111637-300x158.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Captura-de-tela-2022-10-18-111637.png 669w\" sizes=\"auto, (max-width: 273px) 100vw, 273px\" \/><\/a>Este m\u00eas n\u00e3o ser\u00e1 apenas um, mas dois livros indicados por nossa formadora, Ana Carolina Carvalho. Livros que v\u00e3o muito al\u00e9m de\u00a0 &#8220;aprender a contar&#8221;. Confiram!<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=reel8z3bCJ4\">Clique aqui para acessar o v\u00eddeo<\/a> e leia abaixo o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Livros para aprender a contar?\u00a0 <\/strong><em style=\"font-size: revert; color: initial;\">Um gorila<\/em><span style=\"font-size: revert; color: initial;\"> e <\/span><em style=\"font-size: revert; color: initial;\">Todas as pessoas contam<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Ana Carolina Carvalho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14385 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Captura-de-tela-2022-10-18-110911-300x199.png\" alt=\"\" width=\"229\" height=\"152\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Captura-de-tela-2022-10-18-110911-300x199.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Captura-de-tela-2022-10-18-110911-272x182.png 272w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Captura-de-tela-2022-10-18-110911.png 476w\" sizes=\"auto, (max-width: 229px) 100vw, 229px\" \/><\/p>\n<p>Lembro-me de estar em uma reuni\u00e3o com educadores quando surgiu um assunto sobre o novo livro do autor e ilustrador Anthony Browne publicado no Brasil. Havia um tom de indigna\u00e7\u00e3o ao se constatar que ele havia escrito e ilustrado um livro \u201cpara aprender a contar\u201d, talvez rendendo-se \u00e0s demandas do mercado editorial da literatura voltada \u00e0s inf\u00e2ncias. O estranhamento certamente havia se dado devido \u00e0 experi\u00eancia que aqueles educadores tinham com esse tipo de publica\u00e7\u00e3o. \u00a0Em geral, livros que ensinam a contar s\u00e3o carregados de estere\u00f3tipos. Sugiro fazer uma busca pela internet para compreender a que me refiro: livros com desenhos \u201cinfantilizados\u201d, sem nenhum tra\u00e7o de originalidade e que buscam apenas informar n\u00fameros e representa\u00e7\u00f5es de quantidades \u00e0s crian\u00e7as, n\u00e3o raro trazendo a cada p\u00e1gina, \u201ccole\u00e7\u00f5es\u201d de animais e objetos id\u00eanticos entre si. Livros assim oferecem leituras est\u00e9reis: nada acontece com o leitor. E para que mesmo precisamos de livros para aprender a contar, se temos na vida, em nosso cotidiano, muitas situa\u00e7\u00f5es em que precisamos atentar \u00e0s quantidades, com sentido e significado?<\/p>\n<p>Anthony Browne, artista reconhecido, autor publicado em diversos pa\u00edses precisaria de fato fazer um livro desses? Penso que essa era a indigna\u00e7\u00e3o do grupo e s\u00f3 fazia sentido existir at\u00e9 o momento em que cada um daqueles educadores colocasse suas m\u00e3os (e olhos e sentidos) no livro <em>Um gorila, para aprender a contar.<\/em> Evidentemente n\u00e3o s\u00f3 Browne n\u00e3o precisava fazer mais um t\u00edtulo que ensinasse a contar, como de fato n\u00e3o o fez.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre esse livro e todos os outros que costumamos ver aos montes no mercado? <em>Um gorila <\/em>n\u00e3o ensina apenas a contar: brinca com o t\u00edtulo que existe \u00e0s pencas por a\u00ed para, no fundo, ensinar a ver, a observar com aten\u00e7\u00e3o e perscrutar diferen\u00e7as entre os seres, reconhecendo que somos t\u00e3o familiares ao mesmo tempo em que t\u00e3o singulares. A cada p\u00e1gina, n\u00e3o encontramos apenas primatas \u2013 <em>um gorila, dois orangotangos, tr\u00eas chimpanz\u00e9s, quatro mandris, cinco babu\u00ednos seis gib\u00f5es, sete macacos-aranhas, oito macacos japoneses, nove macacos colobus ou dez l\u00eamures<\/em> \u2013 mas cada um desses seres, com seu olhar \u00fanico, sua express\u00e3o, seu jeito de estar no mundo. Sentimos coisas diferentes ao olhar para cada bicho t\u00e3o bem desenhado \u2013 fruto do trabalho detalhista e do tra\u00e7ado realista de Browne, que iniciou sua carreira como desenhista num hospital.<\/p>\n<p>Ao lermos esse bel\u00edssimo livro do premiado autor brit\u00e2nico, nos damos conta de que a express\u00e3o \u201ccontar\u201d expande os sentidos. H\u00e1 uma hist\u00f3ria no olhar de cada personagem retratada e, dessa maneira, ao contar, contamos tamb\u00e9m as vidas (ou seria contamos tamb\u00e9m sobre as vidas?): nenhum bicho substitui o outro e todos t\u00eam caminhos \u00fanicos. N\u00e3o \u00e9 um bonito jeito de unir a qualidade \u00e0s quantidades?<\/p>\n<p>Ao final, Browne ainda nos surpreende ao revelar outros primatas, abrindo espa\u00e7o para que as crian\u00e7as possam identificar-se ou demorar-se um pouco mais naquilo que distingue especialmente outros grupos de primatas. Nesse ponto, os detalhes de cada figura retratada ficam ainda mais comoventes.<\/p>\n<p>Outro t\u00edtulo que nos surpreende \u00e9 <em>Todas as pessoas contam<\/em>, da autora norueguesa Kristin Roskifte. Neste livro, a cada p\u00e1gina nos deparamos com uma quantidade diferente de pessoas (de 0, 1, 2, 3&#8230; at\u00e9 mil e depois sete bilh\u00f5es e oitocentas milh\u00f5es) acompanhadas de seus anseios, sonhos, medos, alegrias&#8230; Destinos. Cada pessoa conta de muitas maneiras: porque faz parte do c\u00f4mputo geral da popula\u00e7\u00e3o mundial, porque sabe contar e porque conta em sua singularidade, naquilo que s\u00f3 ela \u00e9 e pode ser, no seu jeito \u00fanico de estar no mundo.<\/p>\n<p>Ambos os livros s\u00e3o tocantes. Ambos fazem jus ao que a literatura representa: todos os destinos cabem ali, in\u00fameros caminhos, incont\u00e1veis formas de existir. S\u00e3o tamb\u00e9m comoventes porque suas narrativas descortinam vidas, condensam hist\u00f3rias singulares e, nesse sentido, subvertem o pr\u00f3prio g\u00eanero dos livros informativos para aprender a contar, virando hist\u00f3ria, aproximando-se da estrutura do conto.<\/p>\n<p>No caso do livro da norueguesa Roskifte eu s\u00f3 teria uma observa\u00e7\u00e3o a fazer. Ao final, ela oferece ao leitor uma esp\u00e9cie de legenda indicando qual seria cada pessoa retratada e narrada ao longo do livro. Um exemplo? Na p\u00e1gina em que s\u00e3o seis as pessoas representadas, tudo o que o texto nos conta \u00e9: \u201c<em>Seis pessoas num elevador. Uma delas est\u00e1 com medo de se sentir exclu\u00edda. Duas delas se sentem solit\u00e1rias\u201d.<\/em> Compondo essa delicada narrativa, que tanto nos fala a respeito da experi\u00eancia do que \u00e9 existir nos dias de hoje, a ilustra\u00e7\u00e3o apresenta ambiguidades: h\u00e1 uma pessoa com express\u00e3o mais entristecida; h\u00e1 quem que esteja absorvido, curvado e olhando o celular; quem est\u00e1 de costas para o leitor; quem olha para baixo; quem parece estar indiferente mirando para frente. Como saber o que cada um sente? H\u00e1 quem tenha aprendido a disfar\u00e7ar? H\u00e1 quem seja mais expl\u00edcito? Do meu ponto de vista, deixar esse trabalho para o leitor ou, ainda melhor, para que leitores conversem entre si deixaria a leitura muito mais interessante.<\/p>\n<p>A despeito desse detalhe final (que tamb\u00e9m pode ser ignorado), vale muito a leitura. Ali\u00e1s, as leituras. N\u00e3o apenas para aprender a contar, mas para se ter experi\u00eancias po\u00e9ticas e liter\u00e1rias com o livro informativo e para que se possa refletir sobre o que significa habitar esse misterioso planeta e ser mais um, em meio a toda diversidade de exist\u00eancias poss\u00edveis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este m\u00eas n\u00e3o ser\u00e1 apenas um, mas dois livros indicados por nossa formadora, Ana Carolina Carvalho. Livros que v\u00e3o muito al\u00e9m de\u00a0 &#8220;aprender a contar&#8221;. Confiram! Clique aqui para acessar o v\u00eddeo e leia abaixo o texto. 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