{"id":14178,"date":"2016-04-18T20:11:39","date_gmt":"2016-04-18T23:11:39","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=14178"},"modified":"2024-10-28T16:01:09","modified_gmt":"2024-10-28T19:01:09","slug":"instalacoes-sonoras-entre-a-descoberta-e-o-encantamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-66\/instalacoes-sonoras-entre-a-descoberta-e-o-encantamento\/","title":{"rendered":"Instala\u00e7\u00f5es sonoras: entre a descoberta e o encantamento"},"content":{"rendered":"<p>Vera Lunardi Guilherme Romanelli\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o infantil \u00e9 um lugar de aprendizagens aberto \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que oferece oportunidades criativas na condu\u00e7\u00e3o de propostas educacionais e seus tempos e espa\u00e7os podem ser mais flex\u00edveis. isso tamb\u00e9m vale para propostas envolvendo a aprendizagem musical.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14179 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-4-300x229.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"229\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-4-300x229.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-4-768x587.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-4.png 829w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A necessidade de compreender como um som \u00e9 produzido provoca as crian\u00e7as desde a mais tenra idade. Delalande\u00b2 postula que todas as crian\u00e7as t\u00eam um fasc\u00ednio pelas fontes sonoras. Na mesma dire\u00e7\u00e3o, Bittencourt &amp; Lino\u00b3 criaram a ideia de \u201cbarulhar\u201d para falar dessa rela\u00e7\u00e3o que os pequenos estabelecem com o som. Para a aprendizagem musical, a curiosidade sobre os sons permite entender o princ\u00edpio ac\u00fastico das fontes sonoras, o que inclui os instrumentos musicais. Ou seja, a crian\u00e7a constr\u00f3i suas ideias para responder \u00e0 pergunta:<\/p>\n<p>\u201cComo o som \u00e9 feito?\u201d.<\/p>\n<p>Diversos educadores musicais<sup>4<\/sup> defendem a explora\u00e7\u00e3o do objeto sonoro enquanto uma inst\u00e2ncia privilegiada da Educa\u00e7\u00e3o Musical. Tamb\u00e9m defendem a autonomia da crian\u00e7a nas descobertas do fen\u00f4meno sonoro como relevante para o desenvolvimento musical, uma vez que a m\u00fasica \u00e9 \u201cArte de coordenar fen\u00f4menos ac\u00fasticos para produzir efeitos est\u00e9ticos\u201d<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p>Esse encantamento pelos diversos sons produzidos por diferentes materiais originou esta proposta da experi\u00eancia aqui relatada: as instala\u00e7\u00f5es sonoras.<\/p>\n<p>As inquieta\u00e7\u00f5es sobre a forma como as crian\u00e7as se apropriam dos modos de produzir sons surgiram ao longo do projeto \u201cM\u00fasico da fam\u00edlia ao vivo: um contexto de Educa\u00e7\u00e3o Musical\u201d, que ocorre desde 2011 em diversas unidades de Educa\u00e7\u00e3o Infantil da Rede Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Curitiba<sup>6<\/sup>. Nesse projeto, m\u00fasicos da comunidade que t\u00eam parentesco com as crian\u00e7as da unidade educacional s\u00e3o convidados a mostrar seus instrumentos musicais na sala de refer\u00eancia<sup>7<\/sup>.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1Vera \u00e9 Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Curitiba \u2013 Departamento de Educa\u00e7\u00e3o Infantil e Guilherme \u00e9 docente Universidade Federal do Paran\u00e1 \u2013 Departamento de Teoria e Pr\u00e1tica de Ensino \u2013 Setor de Educa\u00e7\u00e3o. 2La musique est un jeu d\u2019enfant, de Fran\u00e7ois Delalande. Paris: Buchet\/Chastel, 1984. 3Proibido n\u00e3o tocar: uma instala\u00e7\u00e3o sonora na escola de educa\u00e7\u00e3o infantil, de Ariane Bittencourt e Dulcimarta lino. In: SIMP\u00d3SIO LUSO-BRASILEIRO EM ESTUDOS DA CRIAN\u00c7A, 2., 2014, Porto Alegre. Anais. Porto Alegre: UFRGS, 2014.<\/h6>\n<p>Dentre as v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es do projeto, est\u00e1 a explora\u00e7\u00e3o de objetos sonoros relacionados ao princ\u00edpio ac\u00fastico do instrumento. Por exemplo, no caso de receber a visita de um trombonista, pai de uma das crian\u00e7as, todos tentar\u00e3o soprar dentro de peda\u00e7os de cano de PVC ou gargalos de garrafa PET para experimentar o\u00a0\u201cbuzz<sup>8<\/sup>\u201d que caracteriza a forma de produzir som nos instrumentos aer\u00f3fonos da fam\u00edlia dos metais.<\/p>\n<p>Tais experi\u00eancias do princ\u00edpio ac\u00fastico de instrumentos musicais, assim como o contato com a m\u00fasica ao vivo, ampliam os saberes musicais das crian\u00e7as e tamb\u00e9m dos professores<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>4 Entre eles: Murray Schafer; Jonh Paynter; Gertrud Meyer-Denkmann, apresentados em Pedagogias em educa\u00e7\u00e3o musical, de Teresa Mateiro e Beatriz Ilari (Org.). Curitiba: Ibpex, 2011. 5ENCICLOP\u00c9DIA Barsa. Rio de Janeiro: Encyclopaedia Britannica, 1994. p. 219.<br \/>\n5 ENCICLOP\u00c9DIA Barsa. Rio de Janeiro: Encyclopaedia Britannica, 1994. p. 219.<br \/>\n6 Caderno de orienta\u00e7\u00f5es para implementa\u00e7\u00e3o do projeto \u201cM\u00fasico da fam\u00edlia ao vivo: um contexto de Educa\u00e7\u00e3o Musical\u201d, Vera Lima e Guilherme Romanelli. Curitiba: IARTEM, Confer\u00eancia Regional, Caderno de resumos. 2012.<br \/>\n7 O termo \u201csala de refer\u00eancia\u201d diz respeito ao ambiente com o qual a crian\u00e7a se identifica referencialmente dentre os diversos espa\u00e7os da Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Sua ado\u00e7\u00e3o supera o sentido de \u201csala de aula\u201d (inadequado para as particularidades da Educa\u00e7\u00e3o Infantil) e consta nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil (MEC, 2010).<br \/>\n8 O \u201cbuzz\u201d, tamb\u00e9m chamado \u201cabelhinha\u201d, \u00e9 a onomatopeia que nomeia a forma de produzir sons em determinados instrumentos musicais aer\u00f3fonos (trompete, berrante, trombone, vuvuzela e tuba, entre outros). Trata-se de comprimir os l\u00e1bios e soprar, a\u00e7\u00e3o que j\u00e1 \u00e9 muito conhecida pelos beb\u00eas quando fazem suas primeiras experi\u00eancias vocais.<br \/>\n9 A intera\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as e delas com adultos, por meio da manipula\u00e7\u00e3o de materiais, alinha-se \u00e0s Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil, da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Bras\u00edlia: SEB\/MEC, 2009.<\/h6>\n<p><strong>Construindo instala\u00e7\u00f5es sonoras<\/strong><\/p>\n<p>As instala\u00e7\u00f5es sonoras como proposta de manipula\u00e7\u00e3o do som s\u00e3o uma maneira l\u00fadica, brincante e interativa que se abre para descobertas e aprendizagens musicais variadas, descortinando a inf\u00e2ncia na mais pura ess\u00eancia da sedu\u00e7\u00e3o pelo encantamento sonoro. A crian\u00e7a protagoniza a cena a seu modo e a seu tempo, que \u00e9 bem diferente do tempo do adulto.<\/p>\n<p>Para esse processo, \u00e9 importante considerar duas inst\u00e2ncias de autonomia: o professor e as crian\u00e7as. No caso do professor, a autonomia se manifesta por sua autoria profissional, pela liberdade de pesquisa e escolha dos materiais sonoros e pela disposi\u00e7\u00e3o destes no espa\u00e7o escolhido. Para validar a experi\u00eancia da crian\u00e7a, \u00e9 imprescind\u00edvel observar e garantir a qualidade do som de cada objeto utilizado, compondo um mosaico de diversidade t\u00edmbrica. Dessa forma, o som \u00e9 o principal elemento a ser pesquisado na escolha dos materiais, priorizando a qualidade sonora, ou seja, os materiais devem soar!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14180 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/2-4-300x149.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"149\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/2-4-300x149.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/2-4-1024x507.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/2-4-768x381.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/2-4-960x480.png 960w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/2-4.png 1364w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Para as crian\u00e7as, a autonomia se traduz no protagonismo infantil, ou seja, na liberdade de conduzir suas experi\u00eancias e descobertas sonoras. Isso n\u00e3o significa uma a\u00e7\u00e3o improvisada, j\u00e1 que \u00e9 papel do adulto planejar a condi\u00e7\u00e3o did\u00e1tica da proposta, escolhendo espa\u00e7os e materiais e organizando os tempos. Uma das formas de garantir a autonomia das crian\u00e7as e ao mesmo tempo privilegiar a aprendizagem \u00e9 manter o olhar atento nas rela\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as com a instala\u00e7\u00e3o sonora.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas principais instala\u00e7\u00f5es sonoras que podem ser criadas no espa\u00e7o da Educa\u00e7\u00e3o Infantil: a fixa e a m\u00f3vel. No caso da fixa, deve-se escolher um espa\u00e7o da unidade educacional que possa ser ressignificado pela instala\u00e7\u00e3o. O ideal \u00e9 um local que seja pouco explorado pelas crian\u00e7as, permitindo que elas descubram novas formas de se apropriar daquele espa\u00e7o. A priori, a instala\u00e7\u00e3o fixa fica fora das salas de refer\u00eancia, sendo importante atentar para alguns detalhes, como a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s intemp\u00e9ries.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o m\u00f3vel, por sua vez, \u00e9 constru\u00edda por meio de estruturas leves sobre as quais s\u00e3o pendurados e\/ou parafusados diversos objetos sonoros. A vantagem desse tipo de instala\u00e7\u00e3o \u00e9 sua versatilidade, uma vez que pode ser deslocado para os mais variados espa\u00e7os da Educa\u00e7\u00e3o Infantil.<\/p>\n<p><strong>Olhar t\u00e9cnico sobre espa\u00e7o e materiais<\/strong><\/p>\n<p>Para escolher um local adequado para as instala\u00e7\u00f5es sonoras, \u00e9 interessante circular pela unidade fotografando os espa\u00e7os a partir de \u00e2ngulos variados e elaborando pequenos esbo\u00e7os (croquis), sempre imaginando a disposi\u00e7\u00e3o dos objetos e sua manipula\u00e7\u00e3o pelas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A sele\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os deve ser conduzida por um olhar sens\u00edvel aos modos como a crian\u00e7a faz suas descobertas, levando em conta detalhes como o tamanho, a movimenta\u00e7\u00e3o e as formas de explora\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Assim, devem-se levar em considera\u00e7\u00e3o a altura dos objetos em rela\u00e7\u00e3o ao ch\u00e3o, a ergonomia das crian\u00e7as e, por fim, a seguran\u00e7a do conjunto. \u00c9 importante salientar que, nesse momento, \u00e9 muito relevante ouvir as ideias das crian\u00e7as, tornando-as coautoras de um projeto de Instala\u00e7\u00e3o Sonora.<\/p>\n<p>Com a defini\u00e7\u00e3o de um local (ou diversos deles), a pesquisa sobre materiais sonoros \u00e9 o pr\u00f3ximo passo. Para que sejam parte da instala\u00e7\u00e3o sonora, \u00e9 preciso avaliar a possibilidade das experi\u00eancias ac\u00fasticas de cada um deles, contemplando, de prefer\u00eancia, cada uma das grandes categorias de instrumentos musicais: cord\u00f3fonos, aer\u00f3fonos, membran\u00f3fonos e\u00a0Idi\u00f3fonos<sup>10<\/sup>. Outro aspecto interessante na escolha dos objetos da instala\u00e7\u00e3o \u00e9 incluir materiais diferentes, artificiais e naturais (metais, madeiras, sementes, cer\u00e2micas, pl\u00e1sticos, peda\u00e7os de bambu etc.), formas variadas (placas, tubos, cordas, gradeados etc.), emiss\u00f5es sonoras distintas (uns mais fortes, outros mais fracos) e manipula\u00e7\u00f5es diversas (percutidos, raspados, soprados e sacudidos).<\/p>\n<hr \/>\n<h6>10 Classificados por Hornbostel &amp; Sachs em 1914 de acordo com seu principio ac\u00fastico: corda vibrante (viol\u00e3o, berimbau, violino e piano), membrana ou pele que vibra (tambores), condu\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de ar dentro de um objeto (flauta, acordeom, gaita de boca e apito) ou o pr\u00f3prio corpo do instrumento vibra e caracteriza o princ\u00edpio ac\u00fastico (tri\u00e2ngulo, xilofone, pratos e clavas). Fonte: Atlas de M\u00fasica, de Michels Ulrich. Madrid: Alianza, 1996. 2 v.<\/h6>\n<p>Destaca-se que a \u00eanfase principal deve recair na possibilidade de produzir algum tipo de som com os diversos objetos da instala\u00e7\u00e3o. Nesse ponto, \u00e9 importante garantir que os materiais possam vibrar da melhor forma poss\u00edvel. Como exemplo, n\u00e3o se deve parafusar demais uma placa de metal, mas deix\u00e1-la solta para que possa vibrar quando percutida. O mesmo ocorre com objetos pendurados, que devem ter espa\u00e7o para se movimentar e vibrar quando percutidos ou raspados.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14181 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/3-4-300x227.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"227\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/3-4-300x227.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/3-4.png 504w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Explora\u00e7\u00e3o e descobertas<\/strong><\/p>\n<p>A partir da escolha dos espa\u00e7os e da sele\u00e7\u00e3o de materiais, os profissionais partem para a constru\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es. Se poss\u00edvel, de acordo com a idade das crian\u00e7as, \u00e9 muito importante inclu\u00ed-las como protagonistas dessa constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra forma muito rica de integra\u00e7\u00e3o \u00e9 envolver as fam\u00edlias nesse projeto. Em diversas experi\u00eancias que realizamos, a constru\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es sonoras mobilizou intensamente as fam\u00edlias, que prontamente se colocaram dispon\u00edveis e participantes nas cria\u00e7\u00f5es de objetos sonoros e integraram a pr\u00f3pria instala\u00e7\u00e3o. O depoimento a seguir ilustra esse envolvimento:<\/p>\n<p><em>\u201cConstru\u00edmos juntos os atabaques para a instala\u00e7\u00e3o sonora da casa de batuques. Experimentei diversos materiais para a confec\u00e7\u00e3o dos instrumentos, como c\u00e2mara de pneu e lona de caminh\u00e3o, mas o som n\u00e3o foi o esperado; quando pesquisei junto com as professoras do CMEI sobre qual material seria melhor, a ideia da fita adesiva larga me surpreendeu, pois a qualidade do som ac\u00fastico ficou igual ao som original do instrumento. Fazer os instrumentos para as crian\u00e7as brincarem me trouxe grande alegria e satisfa\u00e7\u00e3o, pois pude explorar junto com meus filhos e percebi a emo\u00e7\u00e3o e o encantamento deles\u201d.<\/em><\/p>\n<h6>Amazonas de Quadros Lima Junior, pai de Emanuelle\/Turma do Pr\u00e9 e Arthur\/Turma do MII, do CMEI Tia Eva.<\/h6>\n<p>Uma vez prontas, as instala\u00e7\u00f5es se tornam palco de descobertas sonoras que passam a ser musicalmente significativas, j\u00e1 que cada som \u00e9 intencionalmente realizado pela crian\u00e7a, seguindo suas inten\u00e7\u00f5es. Ao explor\u00e1-las, as crian\u00e7as livremente escolhem seus pares, seus espa\u00e7os e materiais e, brincando, constroem suas narrativas sonoras<sup>11<\/sup>. Com certa familiaridade com os materiais, tocam sons fortes, fracos, r\u00e1pidos, lentos e, pela e na repeti\u00e7\u00e3o, criam estruturas mel\u00f3dicas e r\u00edtmicas, ao brincarem com a materialidade dos instrumentos e objetos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14182 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/4-4-295x300.png\" alt=\"\" width=\"295\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/4-4-295x300.png 295w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/4-4.png 505w\" sizes=\"auto, (max-width: 295px) 100vw, 295px\" \/><\/p>\n<p><strong>Relato de observa\u00e7\u00e3o da visita a uma unidade de Educa\u00e7\u00e3o Infantil<\/strong><\/p>\n<h5>Dia 18 de agosto de 2015<\/h5>\n<p>\u201cAssim que as crian\u00e7as do Maternal III chegaram diante da instala\u00e7\u00e3o, o Murilo come\u00e7ou a percutir o tambor maior sem parar (cuja pele foi feita com saco de ra\u00e7\u00e3o de cachorro). Durante sua experi\u00eancia, colocou a m\u00e3o dentro do tambor enquanto tocava, provavelmente sentindo a vibra\u00e7\u00e3o da pele e interferindo em sua tens\u00e3o. Logo, a Nat\u00e1lia tamb\u00e9m se posicionou ao lado do Murilo e come\u00e7ou a percutir cada um dos quatro outros tambores de tamanhos diferentes. Ap\u00f3s sete minutos, Murilo continuou a percutir, desta vez explorando tr\u00eas tambores diferentes, indo de um som mais grave<br \/>\nao mais agudo (di\u00e2metro maior ao menor). Mais alguns minutos, sem conversarem entre si, as duas crian\u00e7as trocaram de tambores, criando varia\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas que inclu\u00edam a combina\u00e7\u00e3o de batidas, alturas e timbres diferentes. O jogo r\u00edtmico logo passou a um jogo de perguntas e respostas, caracterizando um di\u00e1logo musical. Essa experi\u00eancia toda durou cerca de vinte minutos, durante os quais os pequenos percussionistas estavam completamente envolvidos com a experi\u00eancia.\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<h6>11HOYELOS CABANELLAScitado em \u201cProibido n\u00e3o tocar: uma instala\u00e7\u00e3o sonora na escola de educa\u00e7\u00e3o infantil\u201d, de Ariane Bittencourt e Dulcimarta Lino. II SIMP\u00d3SIO LUSO-BRASILEIRO EM ESTUDOS DA CRIAN\u00c7A. Porto Alegre: UFRGS, 2014<br \/>\n12A m\u00fasica que soa na escola: estudo etnogr\u00e1fico nas s\u00e9ries iniciais do ensino fundamental, de Guilherme Romanelli. Curitiba: UFPR, Tese (Doutorado em Educa\u00e7\u00e3o), 2009.<\/h6>\n<p>Na instala\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia da descoberta de diferentes sonoridades d\u00e1 o tom para explora\u00e7\u00f5es e produ\u00e7\u00f5es individuais e coletivas de sons, enquanto o professor, como mediador, interage com as crian\u00e7as se preciso for. Este deve, durante esse processo, agir ativamente como observador e como \u201cdisponibilizador\u201d do acesso \u00e0 instala\u00e7\u00e3o, permitindo que as crian\u00e7as produzam sons n\u00e3o ao acaso, mas com intencionalidade.<\/p>\n<p>Nas experi\u00eancias, destacam-se diversas configura\u00e7\u00f5es na explora\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o sonora. Algumas crian\u00e7as interagem individualmente com os materiais em situa\u00e7\u00f5es que, por vezes, s\u00e3o um longo e cuidadoso processo de descoberta. Em outros momentos, essa explora\u00e7\u00e3o ocorre na intera\u00e7\u00e3o com os pares, sejam eles outras crian\u00e7as ou mesmo adultos (professores ou pais). Neste \u00faltimo caso, \u00e9 comum verificar a ocorr\u00eancia de \u201cdi\u00e1logos musicais\u201d utilizando-se de sons variados<sup>12<\/sup>.\u00a0Essas experi\u00eancias se d\u00e3o em contextos diferentes e, por isso, resultam em percursos diversos. O que deve ser comum a todas as propostas s\u00e3o os registros minuciosos das pr\u00e1ticas de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o sonora. Esses registros fazem parte do olhar cuidadoso dos professores e devem ser densos e incluir fotografias, filmagens e textos, a fim de promover reflex\u00f5es sobre toda a experi\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Finalmente&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Entendemos que essas instala\u00e7\u00f5es s\u00e3o contextos de aprendizagem musical das crian\u00e7as por meio da experimenta\u00e7\u00e3o sonora e da intera\u00e7\u00e3o musical com outros em a\u00e7\u00f5es que respeitam sua autonomia de descobertas. Destacamos tamb\u00e9m que os professores da Educa\u00e7\u00e3o Infantil sugerem propostas criativas no planejamento e constru\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es sonoras, na otimiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os e na descoberta de muitas formas de fazer som.<\/p>\n<p>Se compositores consagrados dedicaram muito esfor\u00e7o para produzir suas instala\u00e7\u00f5es sonoras, como \u00e9 o caso de Murray Schafer (ver box) em suas \u201cesculturas sonoras\u201d, podemos concluir que tais experi\u00eancias superam uma no\u00e7\u00e3o reducionista de passatempo e proporcionam dimens\u00f5es de ampla aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>Raymond Murray Schafer<\/strong><\/p>\n<p>Nascido em 1933 no Canad\u00e1, Murray Schafer \u00e9 um compositor que come\u00e7ou a se aproximar da Educa\u00e7\u00e3o Musical a partir de suas inquieta\u00e7\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o que estabelecemos com o mundo sonoro \u00e0 nossa volta. Sempre inquieto por novas formas de se relacionar com a m\u00fasica, passou um tempo na Alemanha, onde teve contato com novas est\u00e9ticas musicais. O conceito de paisagem sonora \u00e9 uma de suas contribui\u00e7\u00f5es mais difundidas e fornece refer\u00eancias importantes para desenvolver uma escuta mais atenta e engajada. Schafer veio ao Brasil diversas vezes e suas principais obras traduzidas para o portugu\u00eas s\u00e3o O ouvido pensante (S\u00e3o Paulo: Unesp, 1991) e A afina\u00e7\u00e3o do mundo (S\u00e3o Paulo: Unesp, 2001).<\/p>\n<p><strong>O ouvido pensante<\/strong><\/p>\n<p>O livro \u00e9 uma colet\u00e2nea de diversos artigos de Schafer e cont\u00e9m exemplos pr\u00e1ticos de atividades que realizou com jovens alunos de M\u00fasica, por meio de provoca\u00e7\u00f5es que induzem \u00e0 reflex\u00e3o sobre os sons do mundo em que vivemos. O autor detalha os fundamentos de seu conceito de paisagem sonora promovendo inquieta\u00e7\u00f5es a partir de experi\u00eancias que chama \u201climpeza de ouvidos\u201d, exerc\u00edcios de sensibiliza\u00e7\u00e3o da escuta.<\/p>\n<h6>Fonte: SCHAFER, Murray. O ouvido pensante. S\u00e3o Paulo: Unesp, 1991. p. 346.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vera Lunardi Guilherme Romanelli\u00b9 A educa\u00e7\u00e3o infantil \u00e9 um lugar de aprendizagens aberto \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que oferece oportunidades criativas na condu\u00e7\u00e3o de propostas educacionais e seus tempos e espa\u00e7os podem ser mais flex\u00edveis. isso tamb\u00e9m vale para propostas envolvendo a aprendizagem musical. 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