{"id":14155,"date":"2016-04-16T21:21:06","date_gmt":"2016-04-17T00:21:06","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=14155"},"modified":"2024-10-28T16:01:20","modified_gmt":"2024-10-28T19:01:20","slug":"o-lugar-da-ilustracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-66\/o-lugar-da-ilustracao\/","title":{"rendered":"O lugar da ilustra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Claudete Pereira de Assun\u00e7\u00e3o, Eva Tozato, Jussara Maria Moreschi de Souza, Maria da Gl\u00f3ria Galeb\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>Experi\u00eancias significativas vivenciadas pelos professores no processo de forma\u00e7\u00e3o resultam em um projeto de toda a rede sobre ilustra\u00e7\u00f5es de livros feitos pelas crian\u00e7as<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14156 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-2-250x300.png\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-2-250x300.png 250w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-2.png 676w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/p>\n<p>Para garantir o acesso aos bens culturais aos quais as crian\u00e7as t\u00eam direito, oportunizamos aos profissionais\u00b2 a forma\u00e7\u00e3o continuada intitulada \u201cMil e Uma Hist\u00f3rias: Uma Viagem pela Literatura Infantil\u201d, que propiciou reflex\u00f5es a respeito das experi\u00eancias com a linguagem escrita e visual \u2013 instrumentos b\u00e1sicos de express\u00e3o de ideias, sentimentos e imagina\u00e7\u00e3o \u2013, numa rela\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica entre linguagens. Nessa forma\u00e7\u00e3o, foi poss\u00edvel refletir acerca das orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas para os momentos de leitura com as crian\u00e7as, que envolvem a organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, do tempo e dos materiais, com vistas ao desenvolvimento do comportamento leitor.<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o como ponto de partida<\/strong><\/p>\n<p>Era uma vez&#8230; professores que, em um processo formativo, realizaram atividades hom\u00f3logas \u00e0s que s\u00e3o oferecidas \u00e0s crian\u00e7as, para, assim, construir conhecimento sobre a pr\u00e1tica e proporcionar experi\u00eancia de qualidade.<\/p>\n<p>Um mar de possibilidades&#8230; abria-se a cada encontro de forma\u00e7\u00e3o, quando havia o momento cultural, uma importante estrat\u00e9gia de amplia\u00e7\u00e3o est\u00e9tica: leitura de textos liter\u00e1rios, tais como narrativas, poesias, contos, entre outros. No decorrer dos encontros de forma\u00e7\u00e3o, os professores puderam ampliar seu repert\u00f3rio de literatura infantil, conhecendo variados t\u00edtulos.<\/p>\n<p>Enquanto isso, as crian\u00e7as&#8230; estavam tendo acesso a uma diversidade de hist\u00f3rias de boa qualidade, encaminhadas com encantamento e gosto pela leitura. E os profissionais foram sensibilizados quanto a import\u00e2ncia dos momentos di\u00e1rios de leitura frui\u00e7\u00e3o com e para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Os professores autores&#8230;, num exerc\u00edcio de escrita, lan\u00e7aram-se a produzir as pr\u00f3prias hist\u00f3rias a partir de seus repert\u00f3rios.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1Membros do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o Infantil da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Curitiba. Claudete \u00e9 pedagoga formadora e gerente da equipe de curr\u00edculo; Eva \u00e9 professora formadora graduada em Artes Visuais pela FAP; Jussara \u00e9 pedagoga formadora coordenadora de oralidade e leitura da equipe de curr\u00edculo e Gl\u00f3ria \u00e9 diretora do departamento.<br \/>\n2Tal forma\u00e7\u00e3o envolveu diretamente 70 profissionais e cerca de 210 crian\u00e7as das turmas de Pr\u00e9-Escola, de Centros Municipais de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (CMEIs), Centros de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (CEIs) Contratados e Escolas com Educa\u00e7\u00e3o Infantil da Rede Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Curitiba (PR).<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14157 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/2-2-173x300.png\" alt=\"\" width=\"173\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/2-2-173x300.png 173w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/2-2.png 422w\" sizes=\"auto, (max-width: 173px) 100vw, 173px\" \/><\/p>\n<p>Como parte desse processo formativo, percursos de amplia\u00e7\u00e3o de repert\u00f3rio liter\u00e1rio e imag\u00e9tico foram se estabelecendo com os profissionais e com as crian\u00e7as. No mar de hist\u00f3rias, os professores puderam observar alguns crit\u00e9rios para selecionar bons livros de literatura infantil, considerando a qualidade dos textos, da ilustra\u00e7\u00e3o e do projeto gr\u00e1fico.<\/p>\n<p><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o, uma experi\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Isso reverberou nas institui\u00e7\u00f5es educacionais:<\/p>\n<p>\u201cO passo inicial foi trabalhar a ess\u00eancia do livro, o livro como objeto de prazer, o livro como instrumento de conhecimento, o livro como hist\u00f3ria, o livro como um meio de comunica\u00e7\u00e3o, o livro que foi lan\u00e7ado \u00e0s crian\u00e7as ganhando vida e sendo apreciado com prazer\u201d, exp\u00f4s a professora Edin\u00e9ia Barbosa, do CMEI Vila Lorena, participante da forma\u00e7\u00e3o. Ela explicou que, por meio dessa atividade permanente de leitura liter\u00e1ria e do encantamento que esta possui, as crian\u00e7as passaram a compreender a fun\u00e7\u00e3o social do livro:<\/p>\n<p>\u201cNos momentos de leitura feita pelas crian\u00e7as, elas come\u00e7aram a se interessar em saber os nomes de autores e ilustradores, mostrando at\u00e9 suas fotos, caso estivessem no livro. Observamos o interesse delas ao perguntarem muitas vezes \u00e0 professora:<\/p>\n<p>Quem fez esse livro? ou Cad\u00ea a foto do autor?\u201d<\/p>\n<p>Quando pensamos em obra liter\u00e1ria ilustrada de qualidade, temos de ter em mente que texto e ilustra\u00e7\u00e3o s\u00e3o indissoci\u00e1veis. Ent\u00e3o surgem algumas quest\u00f5es:<\/p>\n<p>O que \u00e9 uma ilustra\u00e7\u00e3o?<br \/>\nPara que ela serve?<br \/>\nOnde a encontramos?<\/p>\n<p>S\u00e3o algumas perguntas que podem ser feitas ao pensar sobre o assunto. Ao observarmos uma crian\u00e7a contemplando a ilustra\u00e7\u00e3o de um livro de literatura infantil, \u00e9 necess\u00e1rio percebermos o quanto esta se torna importante, pois, na condi\u00e7\u00e3o de leitor n\u00e3o convencional, a ilustra\u00e7\u00e3o pode ampliar o texto escrito, tornando-se uma refer\u00eancia para a leitura pela crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Durante a forma\u00e7\u00e3o, foi feita uma retrospectiva sobre a hist\u00f3ria da ilustra\u00e7\u00e3o (ver BOX). A ilustra\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas amplia o texto, mas tamb\u00e9m o \u201cilumina\u201d, enfatiza algumas a\u00e7\u00f5es ou situa\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria, permite que o leitor embarque em um mundo de sonhos e imagina\u00e7\u00f5es que vai al\u00e9m do papel. As crian\u00e7as refletem bem isso, pois, nos momentos de reconto das hist\u00f3rias, criam outros enredos e n\u00e3o se prendem aos limites do texto ou da ilustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ilustra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um \u201ctexto\u201d, que tem como s\u00edmbolos as pr\u00f3prias imagens e os infinitos significados que cada leitor pode lhe atribuir, tanto reais quanto imagin\u00e1rios. Ela cont\u00e9m elementos visuais que podem ser lidos por pessoas do mundo todo e de todas as idades, pois permite uma leitura ampla, em que n\u00e3o h\u00e1 apenas uma interpreta\u00e7\u00e3o, cada umas delas fundamentada no repert\u00f3rio de cada um. Assim, quando uma crian\u00e7a tem em m\u00e3os um livro de literatura infantil, \u00e9 poss\u00edvel contemplar a narrativa muito al\u00e9m do texto escrito, pois ela embarca em uma viagem para um mundo imagin\u00e1rio repleto de experi\u00eancias e constru\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas advindas do pr\u00f3prio repert\u00f3rio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14158 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/3-2-257x300.png\" alt=\"\" width=\"257\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/3-2-257x300.png 257w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/3-2.png 532w\" sizes=\"auto, (max-width: 257px) 100vw, 257px\" \/><\/p>\n<p><strong>Das iluminuras \u00e0 impress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O surgimento das ilustra\u00e7\u00f5es consideradas documentais \u2013 que tinham o objetivo de registrar acontecimentos da \u00e9poca \u2013 deu-se com os povos da Antiguidade. Os eg\u00edpcios come\u00e7aram ilustrando as paredes das tumbas e dos papiros, acontecimentos importantes tais como a constru\u00e7\u00e3o dos monumentos no Antigo Egito. S\u00e3o tamb\u00e9m desse per\u00edodo os primeiros pergaminhos ilustrados.<\/p>\n<p>Nas civiliza\u00e7\u00f5es grega e romana, \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o descritiva e objetiva da ilustra\u00e7\u00e3o que prevalece, consolidando-se nas \u00e1reas das ci\u00eancias, como na topografia, medicina e arquitetura.<\/p>\n<p>No per\u00edodo da Idade M\u00e9dia, a ilustra\u00e7\u00e3o aparece a servi\u00e7o da religi\u00e3o, assumindo uma nova fun\u00e7\u00e3o: a de levar os ideais da Igreja a grande parte da popula\u00e7\u00e3o analfabeta. Um exemplo desse per\u00edodo \u00e9 a B\u00edblia Pauperum, reproduzida atrav\u00e9s da xilogravura. Com o passar do tempo e a necessidade de aumento da produ\u00e7\u00e3o e da reprodu\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie de ilustra\u00e7\u00f5es, elas passam a ser feitas por meio da gravura (xilogravuras, litogravuras, gravura em metal), at\u00e9 o surgimento das t\u00e9cnicas de ilustra\u00e7\u00e3o mais modernas com o uso dos recursos tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<h6>(Fonte: FREITAS, Neli Klix, ZIMMERMANN, Anelise. A ilustra\u00e7\u00e3o de livros infantis \u2013 uma retrospectiva. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.ceart.udesc.br\/revista_dapesquisa\/volume2\/numero2\/humanas\/Neli%20-%20Anelise.pdf<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14159 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/4-2-300x138.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"138\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/4-2-300x138.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/4-2-1024x472.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/4-2-768x354.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/4-2.png 1058w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Professores ilustradores<\/strong><\/p>\n<p>Com o intuito de instrumentalizar os professores para a pr\u00e1tica com as crian\u00e7as, na forma\u00e7\u00e3o \u201cMil e Uma Hist\u00f3rias\u201d, eles foram repertoriados a partir da apresenta\u00e7\u00e3o do que s\u00e3o ilustra\u00e7\u00f5es, seus usos e possibilidades desde o seu surgimento.<\/p>\n<p>Dessa forma, ap\u00f3s conhecerem um pouco sobre a hist\u00f3ria da ilustra\u00e7\u00e3o e perceberem suas in\u00fameras possibilidades, como na cultura popular, nas hist\u00f3rias em quadrinhos, nos selos, an\u00fancios, ilustra\u00e7\u00e3o de moda, c\u00e9dulas monet\u00e1rias, revistas infantis, livros t\u00e9cnicos, manuais diversos, entre outras, os professores passaram a olhar para a ilustra\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da literatura infantil.<\/p>\n<p>No olhar atento \u00e0 qualidade, \u00e0 quantidade e \u00e0 fun\u00e7\u00e3o das imagens dos livros de literatura infantil, os professores foram envolvidos em questionamentos indispens\u00e1veis para esse momento, como a reflex\u00e3o sobre a produ\u00e7\u00e3o das imagens estar ou n\u00e3o vinculada \u00e0s especificidades da linguagem visual. Segundo a artista pl\u00e1stica, ilustradora e autora Kveta Pacovsk\u00e1\u00b3:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14160 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/5-1-300x226.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"226\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/5-1-300x226.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/5-1-768x580.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/5-1.png 970w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>\u201cAs imagens de um livro infantil s\u00e3o as primeiras galerias que as crian\u00e7as visitam\u201d. Dessa forma, \u00e9 relevante que o professor, enquanto mediador, reflita sobre as escolhas e o valor art\u00edstico das ilustra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para compreender o valor da ilustra\u00e7\u00e3o numa perspectiva de linguagem visual, \u00e9 de extrema relev\u00e2ncia discutir e refletir sobre os estere\u00f3tipos. Assim, a forma\u00e7\u00e3o propiciou que os professores lessem os textos e analisassem as imagens que os livros continham, buscando observar se tais imagens n\u00e3o estavam padronizadas, acarretando empobrecimento para o repert\u00f3rio do leitor.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram trabalhadas situa\u00e7\u00f5es que proporcionam a amplia\u00e7\u00e3o das possibilidades no que diz respeito ao desenho autoral, criativo e livre de formas estereotipadas pelas crian\u00e7as, valorizando a produ\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica infantil em sua ess\u00eancia. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio considerar o percurso gr\u00e1fico de cada uma das crian\u00e7as e ter no professor o propositor de desafios para que elas possam avan\u00e7ar no pr\u00f3prio percurso desenhista. A arte como linguagem da crian\u00e7a pode se desenvolver ou n\u00e3o, a depender das intera\u00e7\u00f5es que a ela forem oportunizadas.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>3Nascida em 1928 na cidade tcheca de Praga, criou um conceito pr\u00f3prio de livros para crian\u00e7as, cuidando e intervindo em todas as facetas da obra: papel, desenho, formato, tipografia, facas, recortes. Veja entrevista em: http:\/\/www.revistaemilia.com.br\/mostra. php?id=282<\/h6>\n<p>Considerando a homologia dos processos, os professores tiveram acesso a diversos riscantes (grafite, carv\u00e3o, l\u00e1pis de cor, l\u00e1pis aquarel\u00e1vel, caneta hidrogr\u00e1fica, l\u00e1pis dermatogr\u00e1fico<sup>4<\/sup>, pastel oleoso e seco, tinta guache, acr\u00edlica, nanquim e aquarela). Tamb\u00e9m foi dada a eles a possibilidade de criar a partir de objetos ou massa de modelar tridimensionais, gravuras, colagens, bem como de usar recursos tecnol\u00f3gicos (fotografando, escaneando e fazendo interven\u00e7\u00f5es na imagem).<\/p>\n<p>E os professores autores&#8230; passaram ent\u00e3o para a elabora\u00e7\u00e3o de suas ilustra\u00e7\u00f5es, considerando o enredo da hist\u00f3ria, suas prefer\u00eancias e necessidades. Uma experi\u00eancia pr\u00e1tica que lhes possibilitou vivenciar a produ\u00e7\u00e3o de um livro.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>4L\u00e1pis composto basicamente por pigmentos e cera envolta em madeira ou em uma esp\u00e9cie de papel com cord\u00e3o, que serve para apont\u00e1-lo sem precisar de apontador, bastando para isso ir puxando esse cord\u00e3o. Tamb\u00e9m conhecido como l\u00e1pis vitrogr\u00e1fico, pode ser utilizado para marcar vidro, al\u00e9m de outras superf\u00edcies extremamente lisas.<\/h6>\n<p><strong>Mais sobre ilustra\u00e7\u00e3o Revista Avisa l\u00e1<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o: o di\u00e1logo entre texto e imagem. Revista n\u00ba 20. Sustan\u00e7a.<\/strong><br \/>\nPequenos textos e entrevista revelam a ilustra\u00e7\u00e3o. Elemento importante na composi\u00e7\u00e3o de um livro, ela n\u00e3o s\u00f3 enfeita, narra ou traduz um texto, mas dialoga com ele. (Alunos fazem ilustra\u00e7\u00e3o a partir de leituras, pesquisa, observa\u00e7\u00e3o e acesso a diferentes tipos de ilustra\u00e7\u00e3o \/ Os primeiros livros ilustrados no Brasil \/ O di\u00e1logo do leitor com a ilustra\u00e7\u00e3o\/ A \u00f3tica de um ilustrador \u2013 Luis Camargo\/Ilustra\u00e7\u00e3o de contos de fadas.)<\/p>\n<p><strong>Ilustradores de primeira, de Renata Frauendorf. Revista n\u00ba 29. Sustan\u00e7a.<\/strong><br \/>\nProduzir um livro com as crian\u00e7as para que seja incorporado \u00e0 biblioteca da escola n\u00e3o \u00e9 uma grande novidade, mas a elabora\u00e7\u00e3o de ilustra\u00e7\u00f5es primorosas ainda \u00e9 pouco comum. Veja como as crian\u00e7as do Centro de Conviv\u00eancia Infantil Adolfo Lutz, na cidade de S\u00e3o Paulo, conciliaram de forma competente a proposta de escrever e desenhar.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 no almanaque?, de Karina Cabral. Revista n\u00ba 29.<\/strong><br \/>\nCrian\u00e7as de Osasco-SP avan\u00e7am na leitura e na escrita ao participar do Projeto Almanaque. T\u00e3o rica e colorida quanto o produto final foi a aventura de produzi-lo: juntas, as crian\u00e7as puderam pesquisar, ditar, escrever, revisar, ilustrar e editar a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Tudo igual, tudo diferente. Revista n\u00ba 25.<\/strong><br \/>\nAs turmas do Pr\u00e9 1 (crian\u00e7as de 5 anos) participaram da produ\u00e7\u00e3o de um calend\u00e1rio. Engajaram-se em sua confec\u00e7\u00e3o desde a organiza\u00e7\u00e3o dos dias da semana no papel, at\u00e9 a escolha dos temas, frases e imagens, al\u00e9m da cuidadosa produ\u00e7\u00e3o dos desenhos, brinquedos e\/ou modelagens que serviram de ilustra\u00e7\u00e3o para cada m\u00eas.<\/p>\n<p><strong>A arte da gravura na madeira, de Adriana Klisys. Revista n\u00ba 22.<\/strong><br \/>\nA xilogravura, uma arte antiga que possibilitou as primeiras reprodu\u00e7\u00f5es de imagens e textos, tem muitos seguidores em diferentes regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-14162\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/7-1-234x300.png\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/7-1-234x300.png 234w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/7-1.png 646w\" sizes=\"auto, (max-width: 234px) 100vw, 234px\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-14163\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/8-234x300.png\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/8-234x300.png 234w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/8.png 646w\" sizes=\"auto, (max-width: 234px) 100vw, 234px\" \/><\/p>\n<p><strong>Crian\u00e7as produzem livros<\/strong><\/p>\n<p>Nas institui\u00e7\u00f5es educativas em que esses professores atuavam, houve um movimento extremamente enriquecedor tanto para eles, quanto para as crian\u00e7as, pois, a partir de estudos, discuss\u00f5es, oficinas e muita reflex\u00e3o, o encaminhamento com a leitura liter\u00e1ria ganhou um novo olhar: al\u00e9m da leitura e aprecia\u00e7\u00e3o dos livros, professores e crian\u00e7as passaram a ser autores. A professora Neuza Maia Kukul, do CMEI Vila Lindoia (Curitiba), conta-nos que, quando iniciou a proposta com as crian\u00e7as, explicou a elas que tinha um desafio a lhes sugerir: o de se tornarem autoras e ilustradoras de um livro de hist\u00f3rias. Disse-lhes, ent\u00e3o, que, para tanto, seria a escriba, ou seja, escreveria as hist\u00f3rias narradas pelas crian\u00e7as:<\/p>\n<p>\u201cFoi um alvoro\u00e7o s\u00f3! As crian\u00e7as ficaram muito empolgadas e imediatamente compraram a ideia. Elas quiseram come\u00e7ar de imediato; ent\u00e3o combinaram como seria e m\u00e3os \u00e0 obra!\u201d. A professora explica que come\u00e7aram decidindo quais seriam os personagens e a tem\u00e1tica da hist\u00f3ria. Isso definido, passaram \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do texto. \u201cAs crian\u00e7as ficavam muito euf\u00f3ricas nos momentos de cria\u00e7\u00e3o, pois tinham muito a dizer sobre o que conheciam\u201d, conta Neusa. Defendiam suas ideias com propriedade, sendo necess\u00e1rio que a professora mediasse em alguns momentos para que todas fossem ouvidas em seus argumentos. Ent\u00e3o, a turma definia, coletivamente, como ficaria aquela parte do texto. Conclu\u00eddo aquele trecho da hist\u00f3ria, a professora fazia a leitura para a turma, e as crian\u00e7as aplaudiam, demonstrando muita satisfa\u00e7\u00e3o pelo que haviam criado. Num constante ir e vir, a professora fazia a revis\u00e3o do texto com as crian\u00e7as. E assim foi at\u00e9 o livro ficar pronto, para depois partirem para as ilustra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E como ilustrar? As crian\u00e7as do CMEI Vila Lindoia conversaram muito entre si e com a professora, o que rendeu v\u00e1rias discuss\u00f5es e argumenta\u00e7\u00f5es, e novamente se lan\u00e7aram a um desafio: ilustrar utilizando massinha. N\u00e3o foi nada f\u00e1cil decidir como ficariam os personagens, quem faria o qu\u00ea, mas, com muita tranquilidade e sempre ouvindo o que as crian\u00e7as tinham a dizer, conseguiram chegar a alguns consensos: fariam cena a cena, teriam de se dividir em pequenos grupos e os personagens ficariam iguais em todas as cenas.<\/p>\n<p>E o t\u00edtulo? Ahh! Este ficou por \u00faltimo, passando tamb\u00e9m por um processo de decis\u00e3o da turma. E foi intitulado: \u201cA Patrulha Salvadora\u201d.<\/p>\n<p>Outros livros ilustrados vieram. Ap\u00f3s um trabalho de amplia\u00e7\u00e3o de repert\u00f3rio com tem\u00e1ticas escolhidas pelas crian\u00e7as, elas constru\u00edram suas hist\u00f3rias e imergiram nas ilustra\u00e7\u00f5es. Com uma gama de possibilidades de riscantes oferecida \u00e0s crian\u00e7as, os desenhos foram aparecendo e dando vida aos textos, no livro \u201cUma Conven\u00e7\u00e3o Monstruosa\u201d, por exemplo, com diferentes monstros, seres fant\u00e1sticos, zumbis e vampiros sa\u00eddos da imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E todo esse grande percurso de constru\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias pelas crian\u00e7as e professores deu in\u00edcio a uma importante a\u00e7\u00e3o: Crian\u00e7as de Curitiba criando livros. Tal proposta traduz o protagonismo infantil e a produ\u00e7\u00e3o de cultura pela crian\u00e7a. Nas rodas de leitura que acontecem diariamente, \u00e9 muito comum as crian\u00e7as pegarem o livro criado por elas e conversarem sobre ele: \u201cFoi eu que falei isso\u201d ou, ao verem a ilustra\u00e7\u00e3o, \u201cFoi eu que fiz\u201d, mostrando muita satisfa\u00e7\u00e3o pelo produto final.<\/p>\n<p><strong>Valorizando os autores-ilustradores<\/strong><\/p>\n<p>O produto final teve um acabamento cuidadoso, foi impresso colorido e ao final foram apresentados os autores. Cada escola optou, de acordo com suas possibilidades, por uma apresenta\u00e7\u00e3o diferente: Pequenas fotos individuais de cada crian\u00e7a com uma breve apresenta\u00e7\u00e3o assim como uma foto de toda a turma para deixar registrado esse processo t\u00e3o especial.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-14164\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/9-300x273.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"273\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/9-300x273.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/9-768x700.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/9.png 814w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claudete Pereira de Assun\u00e7\u00e3o, Eva Tozato, Jussara Maria Moreschi de Souza, Maria da Gl\u00f3ria Galeb\u00b9 Experi\u00eancias significativas vivenciadas pelos professores no processo de forma\u00e7\u00e3o resultam em um projeto de toda a rede sobre ilustra\u00e7\u00f5es de livros feitos pelas crian\u00e7as Para garantir o acesso aos bens culturais aos quais as crian\u00e7as t\u00eam direito, oportunizamos aos profissionais\u00b2 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":17139,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1526],"tags":[],"class_list":{"0":"post-14155","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-66","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14155","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14155"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14155\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17143,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14155\/revisions\/17143"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}