{"id":14120,"date":"2016-04-14T19:14:27","date_gmt":"2016-04-14T22:14:27","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=14120"},"modified":"2024-10-28T16:01:31","modified_gmt":"2024-10-28T19:01:31","slug":"as-bromelias-e-o-bercario-de-larvas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-66\/as-bromelias-e-o-bercario-de-larvas\/","title":{"rendered":"As brom\u00e9lias e o ber\u00e7\u00e1rio de larvas&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Damaris Gomes Maranh\u00e3o\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>A alarmante dissemina\u00e7\u00e3o de diferentes v\u00edrus transmitidos pelo mosquito AEDES aegypti leva a uma amplia\u00e7\u00e3o das fontes de informa\u00e7\u00e3o, mas nem sempre confi\u00e1veis. \u00e9 preciso ser criterioso ao pesquisar, divulgar e aplicar as informa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14121 alignleft\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-276x300.png\" alt=\"\" width=\"276\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-276x300.png 276w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1.png 623w\" sizes=\"auto, (max-width: 276px) 100vw, 276px\" \/><\/p>\n<p>Andando pela Rua Fradique Coutinho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Rua Teodoro Sampaio, na capital paulista, onde minha filha gestante de 22 semanas me aguardava para acompanh\u00e1-la durante o exame de ultrassom morfol\u00f3gico, avistei um estabelecimento comercial com um painel de madeira com lindas brom\u00e9lias. Em outros tempos, eu apenas teria admirado as flores, mas, agora, elas me parecem uma possibilidade amea\u00e7adora de se transformar em um ber\u00e7\u00e1rio de larvas de Aedes aegypti.<\/p>\n<p>Enquanto tento zelar pela vida humana em gesta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas da minha neta, mas de todas as outras, eu penso em como todos deveriam estar seriamente envolvidos na elimina\u00e7\u00e3o da possiblidade de a f\u00eamea do \u201cSr. Aedes\u201d procriar. Pode parecer um contrassenso, um atentado contra a vida de insetos voadores que deveriam estar procriando livremente na floresta. Mas esse n\u00e3o \u00e9 um mosquito qualquer.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1Doutora em Ci\u00eancias da Sa\u00fade, \u00e9 formadora no Instituto Avisa L\u00e1, professora do Curso de Enfermagem da Universidade de Santo Amaro e de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Forma\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Infantil do Instituto Superior de Educa\u00e7\u00e3o Vera Cruz, em S\u00e3o Paulo \u2013 SP, e consultora do MEC em Sa\u00fade e<br \/>\nBem-Estar para constru\u00e7\u00e3o das Bases Nacionais Curriculares.<\/h6>\n<p><strong>A volta do mosquito<\/strong><\/p>\n<p>A come\u00e7ar por seu nome, que se pronuncia A\u00e9des e em grego significa \u201codioso\u201d, \u201cdesagrad\u00e1vel\u201d, talvez por ter as pernas rajadas e, apesar de pequeno, ser o ve\u00edculo que dissemina v\u00e1rios v\u00edrus que antes viviam nas florestas. Entre cerca de 150 arbov\u00edrus conhecidos, ele transmite entre os humanos o v\u00edrus da nossa velha conhecida febre amarela, os tr\u00eas tipos de v\u00edrus que causam a dengue e, mais recentemente entre n\u00f3s, os que causam doen\u00e7as com nomes esquisitos \u2013 chikungunya e zika.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 muito esperto e vem aprimorando suas habilidades desde que saiu do Egito, dispersou-se pela costa leste da \u00c1frica, alcan\u00e7ou as Am\u00e9ricas, depois a \u00c1sia, h\u00e1 muitos e muitos anos. Mas ele n\u00e3o veio voando. \u00c9 prov\u00e1vel que tenha sido trazido nos por\u00f5es dos navios. Com muito esfor\u00e7o dos profissionais de Sa\u00fade P\u00fablica e m\u00e9todos desenvolvidos por Oswaldo Cruz no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o Brasil eliminou o Aedes em 1955, feito reconhecido pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Seu retorno \u00e9 explicado tanto por n\u00e3o ter sido eliminado em outros pa\u00edses, como por nosso relaxamento com os cuidados com o ambiente para evitar sua procria\u00e7\u00e3o. Aqui, na d\u00e9cada de 1960, voltou a encontrar condi\u00e7\u00f5es ideais para se reproduzir em todos os estados brasileiros.<\/p>\n<p>As modifica\u00e7\u00f5es ambientais e a urbaniza\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica associada ao fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o, das trocas comerciais e das viagens entre os diversos pa\u00edses deste planeta t\u00eam ajudado o Aedes na sele\u00e7\u00e3o de habilidades para sobreviver nas cidades. Com isso, ele se reproduz em casas, estabelecimentos comerciais, escolas, calhas, lajes, ralos, canteiros de obra, parques, quintais, ca\u00e7ambas, locais com lixo e materiais abandonados, em qualquer lugar mais escuro que tenha um pouquinho de \u00e1gua parada e gente para alimentar com seu sangue a f\u00eamea.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14122 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/2-300x134.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"134\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/2-300x134.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/2.png 673w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>A busca por informa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Mas o que tem a ver a linda brom\u00e9lia com isso? A \u00faltima vez que prestei aten\u00e7\u00e3o em um vaso de brom\u00e9lias foi no jardim em frente ao sal\u00e3o de festas do condom\u00ednio onde minha filha reside. O fato de eu estar preocupada com a epidemia de microcefalia associada \u00e0 explos\u00e3o de casos de infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus zika no Nordeste tem agu\u00e7ado minha percep\u00e7\u00e3o. Ao v\u00ea-las, em vez de apenas admirar sua beleza, tive um pensamento de indigna\u00e7\u00e3o: Como, neste momento, deixaram essas plantas t\u00e3o belas expostas \u00e0 chuva, prontas para oferecer seu c\u00e1lice como um ber\u00e7\u00e1rio para as larvas de um mosquito que tem mobilizado o Pa\u00eds inteiro e at\u00e9 a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade?<\/p>\n<p>Mas, afinal, tenho embasamento para argumentar com o propriet\u00e1rio da loja para que retire do espa\u00e7o externo as brom\u00e9lias, como minha filha solicitou em seu condom\u00ednio? Para confirmar ou descartar essa ideia, tenho neste mesmo computador onde escrevo este texto uma possibilidade imensa de pesquisa, desde que eu saiba selecionar as informa\u00e7\u00f5es com fonte segura daquelas que apenas nos confundem. Afinal, como escreveu o sanitarista italiano Giovanni Berlinguer, promover a sa\u00fade \u00e9 ajudar as pessoas \u2013 e, no meu caso, os gestores p\u00fablicos, os professores, os familiares, os enfermeiros com os quais contribuo com a forma\u00e7\u00e3o \u2013 a refletir criticamente sobre todas as informa\u00e7\u00f5es a que temos acesso todos os dias e que \u00e0s vezes s\u00e3o conflitantes entre si\u00b2 .<\/p>\n<hr \/>\n<h6>2BERLINGUER, Giovanni. Quest\u00f5es de vida: \u00e9tica, ci\u00eancia e sa\u00fade. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 1996. p. 136<\/h6>\n<p>Come\u00e7o pelo caminho mais f\u00e1cil \u2013 pelo Google \u2013, embora nem sempre contendo informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis, e na primeira mat\u00e9ria que acesso sobre brom\u00e9lias encontro um debate de internautas sobre o que me interessa \u2013 afinal, elas constituem ou n\u00e3o um ber\u00e7\u00e1rio ideal para as larvas de Aedes? Em vez de transcrever o primeiro achado que me fez quase desistir de continuar meu texto a partir dessa perspectiva, convido-os a consultar a mat\u00e9ria publicada por uma jornalista no site do UOL em 11 de janeiro de 2013, no link: http:\/\/mulher.uol.com.br\/casa-e-decoracao\/noticias\/redacao\/2013\/01\/11\/ faceis-<br \/>\n-de-manter-bromelias-sao-lindas-e-nao-atraem-mosquito-da-dengue.htm. Assim tamb\u00e9m poder\u00e3o apreciar a beleza das brom\u00e9lias. Mas antes, um alerta: n\u00e3o leiam apenas o texto; continuem, vejam os coment\u00e1rios dos internautas, que realizam um debate sobre o que nos interessa.<\/p>\n<p>Ao ler com aten\u00e7\u00e3o os coment\u00e1rios dos internautas, pode-se recorrer aos argumentos de um deles, identificado como Phil PHP, que at\u00e9 nos fornece uma refer\u00eancia cient\u00edfica de que h\u00e1 diferen\u00e7as nos modos de vida e procria\u00e7\u00e3o do Aedes nos ambientes das florestas e nos urbanos. E esse \u00e9 o pulo do gato. Voltemos a uma reflex\u00e3o mais conceitual \u2013 v\u00e1rios autores afirmam que o processo sa\u00fade\/doen\u00e7a \u00e9 determinado socialmente, mas, afinal, o que significa isso na vida cotidiana? Significa que o processo sa\u00fade\/doen\u00e7a \u00e9 fruto n\u00e3o apenas da biologia, no caso os v\u00edrus da dengue, chikungunya e zica, mas<br \/>\ntamb\u00e9m da intera\u00e7\u00e3o deles com aspectos relativos aos modos como os humanos organizam sua vida, interferem na natureza, modificam os outros seres vivos. Cito na \u00edntegra o argumento do internauta \u00e0 jornalista que escreveu a mat\u00e9ria e afirmou no seu t\u00edtulo que as brom\u00e9lias n\u00e3o constituem criadouros de larvas, referindo-se a um estudo realizado no Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro, pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz \u2013 Fiocruz.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que haja uma diferen\u00e7a muito grande em um local como o jardim Bot\u00e2nico, onde, devido a sua preserva\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma maior quantidade de larvas e outros organismos capazes de competir com as larvas do Aedes, e as \u00e1reas antr\u00f3picas (ocupadas pelo homem), onde poucas esp\u00e9cies s\u00e3o capazes de se ambientar e obter sucesso reprodutivo, se estabelecendo nesses locais.<\/p>\n<p>O Aedes aegypti, em ambiente silvestre, \u00e9 suprido pela competi\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo de outra esp\u00e9cie de Aedes, chamada albopictus, mas o mesmo n\u00e3o ocorre em ambientes antr\u00f3picos\u201d<br \/>\n(Phil PHP, 2013).<\/p>\n<p>Se continuarem a ler, ver\u00e3o que os internautas criticam a mat\u00e9ria afirmando que a negativa enf\u00e1tica do t\u00edtulo foi inadequada, porque o tema \u00e9 de interesse da Sa\u00fade P\u00fablica. E lembramos que isso ocorreu h\u00e1 tr\u00eas anos, quando ainda n\u00e3o cogit\u00e1vamos a silenciosa trag\u00e9dia que atinge hoje v\u00e1rias fam\u00edlias no Nordeste.<\/p>\n<p>O mesmo internauta continua fundamentando seu ponto de vista, com base em outra refer\u00eancia cient\u00edfica:<\/p>\n<p>\u201cSegundo o Tratado de Entomologia M\u00e9dica, escrito pela maior autoridade brasileira, sen\u00e3o mundial no assunto, Prof. Dr. Oswaldo Forattini, da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP, bem como informa\u00e7\u00f5es contidas no Livro dos pesquisadores Rotraut Consoli e Ricardo Louren\u00e7o de Oliveira, do Instituto Oswaldo Cruz, intitulado: \u201cPrincipais Mosquitos de Import\u00e2ncia Sanit\u00e1ria no Brasil\u201d, consta a seguinte informa\u00e7\u00e3o: \u201cTanto no Brasil, quanto em outros pa\u00edses americanos, o Aedes Aegypti tem sido surpreendido criando-se em recipientes naturais como brom\u00e9lias usadas com fim ornamental\u201d (p\u00e1g. 116 do livro citado), bem como outras esp\u00e9cies de mosquitos transmissores de doen\u00e7as, como o g\u00eanero Anopheles, respons\u00e1vel pela transmiss\u00e3o da mal\u00e1ria\u201d (Phil PHP, 2013).<\/p>\n<p>Esse debate pode n\u00e3o ter sido lido por quem rapidamente apenas prestou aten\u00e7\u00e3o no t\u00edtulo ou no discurso que negava que as brom\u00e9lias fossem um local de reprodu\u00e7\u00e3o do Aedes. Esse caso \u00e9 um exemplo de como precisamos ser criteriosos ao pesquisar e divulgar informa\u00e7\u00f5es, sobretudo como educadores, seja no campo da Sa\u00fade, seja no da Pedagogia. Afinal, nosso papel n\u00e3o \u00e9 transmitir qualquer informa\u00e7\u00e3o, que pode ser superficial, tempor\u00e1ria, dependendo da perspectiva, do m\u00e9todo e dos resultados das pesquisas, e at\u00e9 mesmo com a evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Um exemplo de evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3prio Aedes, que se tem adaptado aos meios urbanos com alta densidade populacional, sobretudo nas periferias com moradias que s\u00e3o habitadas por v\u00e1rias pessoas. Nessas condi\u00e7\u00f5es, ele realiza voos mais curtos e consegue picar e infectar v\u00e1rias pessoas de uma mesma fam\u00edlia ou grupo. A evolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ocorre com os v\u00edrus, que, quando em grande quantidade pelas condi\u00e7\u00f5es ideais de reprodu\u00e7\u00e3o em determinada popula\u00e7\u00e3o, podem modificar-se, mudar sua forma de afetar o organismo humano e causar novos sinais e sintomas at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos dos m\u00e9dicos e pesquisadores do campo da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u00c9 o que parece estar ocorrendo neste momento, com o aumento de casos de malforma\u00e7\u00e3o que causa calcifica\u00e7\u00f5es no c\u00e9rebro do feto, destr\u00f3i neur\u00f4nios e, por isso, impede o crescimento adequado do enc\u00e9falo \u2013 da\u00ed o nome \u201cmicrocefalia\u201d. A infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus zika em adultos tamb\u00e9m tem sido associada ao aumento de casos de uma neuropatia rara, a S\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9\u00b3.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>3A s\u00edndrome de Guillain-Barr\u00e9 \u00e9 uma inflama\u00e7\u00e3o aguda dos nervos que se manifesta por paralisia, regride ou se torna cr\u00f4nica, e pode afetar pessoas de qualquer idade, sobretudo os adultos mais velhos.<br \/>\n4SAUD, J. I.; NAKANO, O.; PEDRONI, K. K. L. Efeito do hipoclorito de s\u00f3dio sobre larvas do mosquito Aedes aegypti (Diptera: Culicidae). In: SIMP\u00d3SIO INTERNACIONAL DE INICIA\u00c7\u00c3O CIENT\u00cdFICA DA UNIVERSIDADE DE S\u00c3O PAULO \u2013 SIICUSP, 10, 2002, Piracicaba. Resumos&#8230; Piracicaba: SIICUSP, 2002. p. 46.<\/h6>\n<p><strong>E as brom\u00e9lias?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o precisamos deixar de apreci\u00e1-las, mas \u00e9 preciso cuidado com sua manuten\u00e7\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o, conforme recomenda\u00e7\u00e3o de trabalho publicado em Congresso de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da Universidade S\u00e3o Paulo, em Piracicaba: \u201cA utiliza\u00e7\u00e3o, duas vezes por semana, de \u00e1gua tratada com cloro (40 gotas de \u00e1gua sanit\u00e1ria a 2,5% para cada litro) para regar brom\u00e9lias, tem sido recomendada como forma de evitar a prolifera\u00e7\u00e3o do A\u00e9des Aegypti. Em condi\u00e7\u00f5es experimentais, a utiliza\u00e7\u00e3o de cloro parece ser \u00fatil, por\u00e9m \u00e9 desej\u00e1vel que sejam realizadas pesquisas adicionais que demonstrem (ou n\u00e3o) com absoluta seguran\u00e7a a efetividade do emprego rotineiro da \u00e1gua sanit\u00e1ria com este\u00a0prop\u00f3sito\u201d<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p>Mas o desafio e nossa responsabilidade como educadores s\u00e3o ainda maiores. A brom\u00e9lia \u00e9 apenas uma flor que costuma ser cultivada em bairros privilegiados, onde h\u00e1 abastecimento de \u00e1gua, rede de esgoto, limpeza p\u00fablica, com habita\u00e7\u00f5es e melhores condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia, com amplo acesso a educa\u00e7\u00e3o e bens culturais. Talvez, se tiverem escolha, as f\u00eameas do Aedes prefiram proliferar nas brom\u00e9lias em lugar de depositar os ovos em um pneu descartado ou largado no canto de um quintal da periferia ou no parque de uma escola de Educa\u00e7\u00e3o Infantil.<\/p>\n<p>O maior problema, como se pode evidenciar no mapa da distribui\u00e7\u00e3o dos casos de dengue na cidade de S\u00e3o Paulo, est\u00e1 na periferia, onde talvez nem se cultivem brom\u00e9lias. Ou em cidades do Nordeste, particularmente no estado de Pernambuco, onde pela primeira vez se associou a infec\u00e7\u00e3o humana pelo v\u00edrus zika a um aumento do nascimento de crian\u00e7as com microcefalia, com graves consequ\u00eancias pessoais e sociais.<\/p>\n<p>Mas o que fazer quando, como educadores, sabemos que a maioria das fam\u00edlias da periferia n\u00e3o tem \u00e1gua pot\u00e1vel abundante, dependendo de armazenamento em caixas-d\u2019\u00e1gua colocadas nas lajes sem prote\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o tem acesso a rede de esgoto e sistemas eficientes de recolhimento de lixo e de material descart\u00e1vel que todos produzem em grande quantidade na cidade? Como cidad\u00e3os e profissionais, devemos exigir e apoiar pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam o direito \u00e0 sa\u00fade por meio de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, que come\u00e7am com o acesso a saneamento b\u00e1sico, habita\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, em conson\u00e2ncia com o recomendado pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco).<\/p>\n<p>Em curto prazo, todos devem se comprometer com a causa, fazer um bom diagn\u00f3stico de suas casas, do local de trabalho, das ruas pr\u00f3ximas, para detectar poss\u00edveis ber\u00e7\u00e1rios para ovos e larvas. Os profissionais da Educa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es pessoais, devem tomar medidas nas escolas para prevenir criadouros, divulgar orienta\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de preven\u00e7\u00e3o aprovadas pelas autoridades, como coloca\u00e7\u00e3o de telas nas janelas e uso de mosquiteiros e repelentes, conversar com as fam\u00edlias das crian\u00e7as com as quais compartilhamos a educa\u00e7\u00e3o, para que cuidem dos ambientes do lar, da comunidade, das escolas, do trabalho, evitando que a f\u00eamea bote seus ovos em potenciais ber\u00e7\u00e1rios de larvas, proliferando sua esp\u00e9cie que est\u00e1 amea\u00e7ando a nossa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14123 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/3-300x254.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/3-300x254.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/3.png 769w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>As informa\u00e7\u00f5es para as crian\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>E as crian\u00e7as pequenas de tr\u00eas, quatro e cinco anos que frequentam a Educa\u00e7\u00e3o Infantil? Elas s\u00e3o competentes e atentas \u00e0s conversas de familiares e professores, \u00e0s not\u00edcias veiculadas na televis\u00e3o ou aos relatos de colegas sobre algum parente ou irm\u00e3o doente. Elas sabem pela experi\u00eancia que a picada de um pernilongo comum pode resultar em coceiras, incomodar o sono. como os insetos voam e se reproduzem por meio das larvas, independentemente de eles serem ou n\u00e3o ve\u00edculos de doen\u00e7as. \u00c9 preciso ouvi-las, responder diretamente \u00e0s suas perguntas, sem \u201cdar aula\u201d de Biologia ou fisiologia da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Da mesma forma, nunca se deve recorrer a recursos ineficazes e estereotipados como teatros de fantoche ou imagens com o mosquito para pintar ou preencher. Isso seria contr\u00e1rio a dois princ\u00edpios b\u00e1sicos na Educa\u00e7\u00e3o Infantil: um que se refere ao modo como a crian\u00e7a menor de cinco anos pensa e expressa suas ideias e emo\u00e7\u00f5es por meio das diversas linguagens, e outro que diz respeito ao modo como aprendem a cuidar de si, dos outros e do ambiente. Elas aprendem a cuidar de si vivenciando, observando, imitando, participando dos cuidados recebidos dos familiares e professores desde beb\u00eas. \u00c0 medida que desenvolvem habilidades e conhecimentos sobre si, sobre os outros e sobre a cultura, elas tamb\u00e9m,<br \/>\npela media\u00e7\u00e3o dos professores, aprendem a cuidar do pr\u00f3prio corpo, do corpo do outro e do ambiente. Podem aprender a selecionar e jogar o lixo em local adequado, a guardar os brinquedos limpos e em local abrigado, a se proteger de picadas de insetos com roupas apropriadas, telas nas janelas, mosquiteiros sobre camas e redes, e at\u00e9 mesmo a ter cuidado com a aplica\u00e7\u00e3o da lo\u00e7\u00e3o repelente prescrita pelo m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Comecei este texto com uma reflex\u00e3o sobre as brom\u00e9lias serem um dos locais potenciais de reprodu\u00e7\u00e3o das larvas do mosquito Aedes, um vetor de v\u00e1rios v\u00edrus, dentre os quais o que tem amea\u00e7ado o crescimento e o desenvolvimento das crian\u00e7as desde a gesta\u00e7\u00e3o. Para finalizar, convoco todos a fazer sua parte como cidad\u00e3os e educadores na promo\u00e7\u00e3o de um mundo mais saud\u00e1vel.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14124 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/4-224x300.png\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/4-224x300.png 224w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/4.png 545w\" sizes=\"auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><\/p>\n<p><strong>Tarefa de todos n\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>\u2666 Informar, sensibilizar, esclarecer as d\u00favidas dos familiares com base em fontes id\u00f4neas.<br \/>\n\u2666 Cuidar e proteger as crian\u00e7as, as gestantes, os idosos, as pessoas com doen\u00e7as de base que s\u00e3o mais\u00a0vulner\u00e1veis a infec\u00e7\u00f5es pelos arbov\u00edrus.<br \/>\n\u2666 Aplicar na pele das crian\u00e7as os repelentes prescritos pelo m\u00e9dico pediatra, seguindo rigorosamente as recomenda\u00e7\u00f5es da receita, que consideram a idade, a efic\u00e1cia, o potencial de toxicidade, a frequ\u00eancia e poss\u00edveis riscos e rea\u00e7\u00f5es. Cuidados especiais devem ser tomados com menores de dois anos, que t\u00eam pele mais porosa e levam as m\u00e3os \u00e0 boca e aos olhos.<br \/>\n\u2666 Manter todos os ambientes limpos, secos, sem ac\u00famulo de materiais ou objetos que se tornem abrigo ou criadouro de larvas ou resist\u00eancia dos ovos colocados pelas f\u00eameas.<br \/>\n\u2666 Inspecionar floreiras, hortas, sol\u00e1rios, parques, lonas que cobrem tanques de areia, ambientes externos para brincadeiras, locais de guarda de pneus, balan\u00e7os, tanques, eliminando e evitando criadouros.<br \/>\n\u2666 Mediar a participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as no processo de aprendizagem do cuidado de si, dos colegas, do ambiente, incluindo sempre a lavagem das m\u00e3os.<br \/>\n\u2666 Ser um bom modelo para as crian\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o aos cuidados pessoais e com o ambiente.<br \/>\n\u2666 Responder \u00e0s perguntas das crian\u00e7as sobre esse fen\u00f4meno biol\u00f3gico e social.<br \/>\n\u2666 Sensibilizar, conversar e desenvolver atividades com as fam\u00edlias para ajud\u00e1-las a identificar potenciais ambientes para reprodu\u00e7\u00e3o de mosquitos Aedes e a evitar picadas com o uso de telas, mosquiteiros, roupas.<br \/>\n\u2666 Nunca usar inseticidas ou repelentes ambientais sem se certificar do risco de toxicidade, sobretudo aos menores de dois anos.<br \/>\n\u2666 Estabelecer parceria com os profissionais da Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade pr\u00f3xima da unidade de Educa\u00e7\u00e3o Infantil e informar potenciais riscos no bairro e suspeita de casos de pessoas com dengue, zika ou chikungunya, ou outras doen\u00e7as, como conjuntivite, febre e exantemas, que tenham tido aumento da ocorr\u00eancia esperada entre crian\u00e7as ou familiares.<br \/>\n\u2666 Registrar e acompanhar o estado de sa\u00fade das crian\u00e7as.<br \/>\n\u2666 Conhecer e seguir todas as precau\u00e7\u00f5es padronizadas recomendadas para o cuidado de crian\u00e7as em ambientes coletivos.<br \/>\n\u2666 Garantir a individualidade de copos, escovas de dente, talheres, len\u00e7\u00f3is.<br \/>\n\u2666 Lavar diariamente os brinquedos que os beb\u00eas manuseiam e levam \u00e0 boca, para remover saliva e outras secre\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Damaris Gomes Maranh\u00e3o\u00b9 A alarmante dissemina\u00e7\u00e3o de diferentes v\u00edrus transmitidos pelo mosquito AEDES aegypti leva a uma amplia\u00e7\u00e3o das fontes de informa\u00e7\u00e3o, mas nem sempre confi\u00e1veis. \u00e9 preciso ser criterioso ao pesquisar, divulgar e aplicar as informa\u00e7\u00f5es Andando pela Rua Fradique Coutinho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Rua Teodoro Sampaio, na capital paulista, onde minha filha gestante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":17139,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1526],"tags":[],"class_list":{"0":"post-14120","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-66","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14120","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14120"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14120\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17145,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14120\/revisions\/17145"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14120"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14120"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14120"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}