{"id":14027,"date":"2016-02-28T18:29:45","date_gmt":"2016-02-28T21:29:45","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=14027"},"modified":"2024-10-28T15:58:39","modified_gmt":"2024-10-28T18:58:39","slug":"as-regras-do-jogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-65\/as-regras-do-jogo\/","title":{"rendered":"As regras do jogo"},"content":{"rendered":"<p>SILVANA AUGUSTO\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>LER PARA APRENDER A JOGAR. \u00c9 POSS\u00cdVEL APROVEITAR AS PR\u00c1TICAS SOCIAIS DE LEITURA PARA QUE AS CRIAN\u00c7AS, DESDE PEQUENAS, POSSAM SOLUCIONAR OS PROBLEMAS QUE LHES INTERESSAM<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14028 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1-10-177x300.png\" alt=\"\" width=\"177\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1-10-177x300.png 177w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1-10.png 462w\" sizes=\"auto, (max-width: 177px) 100vw, 177px\" \/><\/p>\n<p>Muitos jogos nos s\u00e3o ensinados pelos amigos. \u00c9 assim que aprendemos os mais tradicionais, cujas regras atravessam gera\u00e7\u00f5es e continuam presentes entre as crian\u00e7as. Mas h\u00e1 jogos, como os de tabuleiro, que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o divulgados e, por isso, necessitam de regras escritas. Ler as regras e compreend\u00ea-las j\u00e1 \u00e9 uma grande divers\u00e3o para quem joga. Eu me lembro das festas, das ocasi\u00f5es em que meu irm\u00e3o e eu t\u00ednhamos a sorte de ganhar um jogo. Era uma del\u00edcia abrir a caixa, rasgar os saquinhos para ver os pe\u00f5es, os dados e as roletas. Os primos e amigos maiores disputavam a caixa para ver quem ia ler a regra mais r\u00e1pido, pois a pressa de come\u00e7ar a partida era imensa. Sempre era divertido.<\/p>\n<p>Mas, na escola, notamos que as crian\u00e7as nem sempre vivem essa situa\u00e7\u00e3o. Em geral, quando chega um jogo novo, \u00e9 a professora quem ensina a jogar: ela l\u00ea, estuda o tabuleiro e depois ensina as crian\u00e7as. Muitas vezes as pe\u00e7as e o tabuleiro s\u00e3o guardados em outras embalagens mais duradouras, e a caixa original, aquela que era portadora das regras, \u00e9 descartada para ganhar espa\u00e7o no arm\u00e1rio, por exemplo. E com a caixa, vai junto a oportunidade que as crian\u00e7as poderiam ter para ler com os colegas, com a ajuda da professora, em uma situa\u00e7\u00e3o em que, de fato, ler tem um sentido para elas.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Docente do Instituto Superior de Educa\u00e7\u00e3o Vera Cruz, em S\u00e3o Paulo &#8211; (SP) e formadora do Instituto Avisa L\u00e0.<\/h6>\n<p>Pensando no contexto dessa pr\u00e1tica social de leitura, propusemos \u00e0s professoras da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Cajamar, S\u00e3o Paulo, um estudo sobre as possibilidades de trabalho com esse tipo de texto.<\/p>\n<p><strong>Refletindo sobre o que acontece quando jogamos<\/strong><\/p>\n<p>Para introduzir a reflex\u00e3o, propusemos um problema: lidar com a escrita como ela \u00e9 e reconhecer ali seus desafios. Organizamos subgrupos de professores e demos a eles um tabuleiro de mancala\u00b2 e uma regra para jogar. Cada grupo tinha um ou dois observadores encarregados de descrever todos os comportamentos percebidos ao longo da leitura das regras e tamb\u00e9m durante a partida do jogo. No in\u00edcio, ouv\u00edamos v\u00e1rias vozes fazendo leitura em voz alta, depois coment\u00e1rios, gargalhadas. E o jogo ainda nem havia come\u00e7ado! Durante a partida, mais tempo para boas risadas, torcida.<\/p>\n<p>Terminado o tempo da partida, organizamos novamente a roda com todas as professoras presentes e passamos a conversar sobre o ocorrido. A viv\u00eancia do jogo foi t\u00e3o empolgante que, conclu\u00edda a partida, foi dif\u00edcil voltar \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o porque todo mundo queria falar, animadamente. As professoras aproveitaram a oportunidade para comentar a pr\u00f3pria pr\u00e1tica: muita gente joga s\u00f3 nas f\u00e9rias ou nos dias de chuva. Outros, pelo contr\u00e1rio, t\u00eam no jogo uma das mais divertidas oportunidades de conv\u00edvio familiar, quase uma tradi\u00e7\u00e3o que gera muitas hist\u00f3rias: h\u00e1 os que sempre ganham, o irm\u00e3o que joga o tabuleiro para cima quando est\u00e1 perdendo, o primo que \u201crouba\u201d no jogo. Uma professora do grupo, que<br \/>\n\u00e9 quase uma fan\u00e1tica por futebol, contava indignada que nunca entendeu como as pessoas dizem: tudo bem perder, o importante \u00e9 jogar.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>2Jogo antigo de origem \u00e1rabe. Veja BOX explicativo.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14031 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/4-10-219x300.png\" alt=\"\" width=\"219\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/4-10-219x300.png 219w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/4-10.png 540w\" sizes=\"auto, (max-width: 219px) 100vw, 219px\" \/><\/p>\n<p>\u2013 Isso \u00e9 tudo mentira, o importante \u00e9 ganhar, mesmo! A gente joga com a alma, o cora\u00e7\u00e3o pula, eu quero \u00e9 ganhar! Eu posso at\u00e9 perder, mas n\u00e3o fico feliz, n\u00e3o; quero jogar de novo para ganhar.<\/p>\n<p>E n\u00f3s, na roda, nos divert\u00edamos s\u00f3 de imaginar a torcida da professora no jogo de futebol de seus alunos, na ocasi\u00e3o do campeonato. Ela chega a perder a voz!<\/p>\n<p>Relatei o conflito que havia presenciado em um dos grupos que n\u00e3o conseguia jogar porque as pessoas n\u00e3o compreendiam a regra. Os integrantes me pediram ajuda e eu recusei. Ent\u00e3o perguntei:<\/p>\n<p>\u2013 Por que, afinal, eu pedi para que voc\u00eas lessem as regras? N\u00e3o seria mais f\u00e1cil se eu as ensinasse diretamente?<\/p>\n<p>Num impulso, a professora respondeu: porque voc\u00ea \u00e9 ruim! Outras professoras disseram:<\/p>\n<p>\u2013 Porque as crian\u00e7as n\u00e3o aprenderiam a regra.<\/p>\n<p>\u2013 Porque as crian\u00e7as precisam aprender a ler essas regras. Olha s\u00f3 a dificuldade que a gente teve! (E me lembrei dos manuais de eletr\u00f4nicos e outros textos desse tipo).<\/p>\n<p>\u2013 Ningu\u00e9m ensinou isso para a gente na escola.<\/p>\n<p>\u2013 Se isto n\u00e3o \u00e9 oferecido as crian\u00e7as n\u00e3o aprendem como \u00e9 que se l\u00ea um texto instrucional.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14032 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/5-7-300x300.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/5-7-300x300.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/5-7-150x150.png 150w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/5-7-500x500.png 500w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/5-7.png 726w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Depois dessa conversa inicial, chamei os observadores para me ajudar a explicitar para o grupo o que havia acontecido durante aquela partida. Procuramos organizar uma lista \u00fanica contendo tudo o que havia acontecido e que pode ser observado. Vimos que, diante de uma regra nova, o jogador:<\/p>\n<p>\u2666 procura algu\u00e9m que j\u00e1 sabe a regra para ensinar;<br \/>\n\u2666 desiste do jogo quando n\u00e3o entende a regra ou quando est\u00e1 perdendo;<br \/>\n\u2666 fica irritado quando n\u00e3o entende a regra porque demora para come\u00e7ar;<br \/>\n\u2666 l\u00ea todas as regras mais de uma vez;<br \/>\n\u2666 l\u00ea toda a regra uma vez, confere se todo mundo entendeu e s\u00f3 depois joga;<br \/>\n\u2666 l\u00ea toda a regra de uma vez, mas entende melhor depois da primeira jogada;<br \/>\n\u2666 associa a regra que est\u00e1 lendo a outras que j\u00e1 conhece, de jogos parecidos;<br \/>\n\u2666 manuseia o jogo, tenta jogar quando nota que \u00e9 um jogo j\u00e1 conhecido ou parecido com um que conhece bem, e s\u00f3 ent\u00e3o l\u00ea as regras para ver se tem algo diferente e passa a conversar sobre as estrat\u00e9gias;<br \/>\n\u2666 l\u00ea e joga ao mesmo tempo, passando pelas regras etapa por etapa;<br \/>\n\u2666 l\u00ea tudo de uma vez, depois volta e l\u00ea por partes;<br \/>\n<strong>\u2666\u00a0<\/strong>primeiro l\u00ea os escritos do tabuleiro, depois as regras;<br \/>\n\u2666 muda a regra do jogo depois de dominadas as regras originais;<br \/>\n\u2666 volta \u00e0s regras para esclarecer d\u00favidas quando precisa.<\/p>\n<p>Como o tempo era curto, focamos a discuss\u00e3o apenas nos comportamentos envolvidos nesse tipo de leitura, isto \u00e9, ler para seguir regras. E quem ensina isso \u00e0s crian\u00e7as? Por que ensinar a regra do jogo e n\u00e3o ler com as crian\u00e7as as regras impressas?<\/p>\n<hr \/>\n<h6>3 Ler e escrever na escola, de Delia Lerner. Porto Alegre: ArtMed, 2002. p.63.<\/h6>\n<p><strong>Comportamento leitor na pr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Quando ensinamos apenas a regra do jogo, garantimos que compreendam e se divirtam. Mas se, al\u00e9m disso, tamb\u00e9m discutimos a escrita das regras, criamos uma oportunidade para trabalhar importantes comportamentos leitores que, segundo Lerner, s\u00e3o conte\u00fados:<\/p>\n<p><em>O comportamento do leitor e do escritor s\u00e3o conte\u00fados \u2013 e n\u00e3o tarefas, como se poderia acreditar \u2013 porque s\u00e3o aspectos do que se espera que os alunos aprendam, porque se fazem presentes na sala de aula precisamente para que os alunos se apropriem deles e possam p\u00f4-los em a\u00e7\u00e3o no futuro, como praticantes da leitura e da escrita\u00b3.<\/em><\/p>\n<p>E se assim for, quanto mais expusermos as crian\u00e7as \u00e0s reais pr\u00e1ticas sociais de leitura e de escrita, n\u00e3o somente \u00e0s pr\u00e1ticas escolares, mais ampliamos as experi\u00eancias de observar e desenvolver comportamentos de leitores aut\u00f4nomos.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel aprender outros tantos conte\u00fados por meio do jogo, mas a prioridade \u2013 e condi\u00e7\u00e3o para todas as demais explora\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas \u2013 \u00e9, de fato, permitir que as crian\u00e7as vivam as pr\u00e1ticas culturais do jogo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14033 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/6-6-300x253.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/6-6-300x253.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/6-6-768x649.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/6-6.png 953w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A leitura das regras de um jogo cria, por ela mesma, \u00f3timas condi\u00e7\u00f5es para a leitura aut\u00f4noma das crian\u00e7as. A crian\u00e7a que est\u00e1 interessada em jogar, tamb\u00e9m buscar\u00e1 com mais interesse ler o que est\u00e1 escrito, como quem busca a chave para um segredo ou a senha para se divertir. Sabe que o que est\u00e1 escrito tem rela\u00e7\u00e3o com o que tem em m\u00e3os e a atividade que<br \/>\ndar\u00e1 in\u00edcio t\u00e3o logo tome posse das pe\u00e7as e combine com os colegas. Isso a coloca numa posi\u00e7\u00e3o privilegiada de uma leitora que tem prop\u00f3sitos reais e claros, e pode alcan\u00e7\u00e1-los. Al\u00e9m do mais, o jogo permite \u00e0 crian\u00e7a constituir certa familiaridade com a situa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que alguns elementos, como as pe\u00e7as e o pr\u00f3prio desenho do tabuleiro, possuem determinadas caracter\u00edsticas universais que podem se reapresentar em jogos diferentes, criando assim a condi\u00e7\u00e3o de a crian\u00e7a poder antecipar o que ser\u00e1 lido.<\/p>\n<p>Todos puderam reconhecer quantas coisas est\u00e3o envolvidas quando as pessoas se juntam para jogar, quantas coisas precisam saber:<\/p>\n<p>\u2666 localizar, na caixa ou no interior dela, o texto que cont\u00e9m as regras do jogo;<br \/>\n\u2666 identificar pe\u00e7as ou outros elementos dos tabuleiros a partir de sua descri\u00e7\u00e3o;<br \/>\n\u2666 reconhecer, desde a sua diagrama\u00e7\u00e3o, as principais marcas desse texto, saber que ele est\u00e1 dividido em t\u00f3picos que auxiliam a localizar as informa\u00e7\u00f5es que dizem respeito ao n\u00famero de pe\u00e7as e de jogadores, o objetivo do jogo, al\u00e9m<br \/>\ndo passo a passo para jogar;<br \/>\n\u2666 construir uma significa\u00e7\u00e3o para a situa\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria que o jogo prop\u00f5e (luta, corrida, fuga ou prote\u00e7\u00e3o dos pe\u00f5es etc.);<br \/>\n\u2666 compreender o passo a passo e saber identificar as suas a\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos advers\u00e1rios;<br \/>\n\u2666 inferir poss\u00edveis estrat\u00e9gias a partir da compreens\u00e3o das jogadas.<\/p>\n<p>Faltou pensar em como descontextualizar. Como sair da esfera da discuss\u00e3o entre um grupo de professores em uma reuni\u00e3o pedag\u00f3gica e entrar na sala de aula, propondo algo semelhante \u00e0s crian\u00e7as?<\/p>\n<p>Ajudei-as a observar o que precisaria ser planejado. \u00c9 claro que a situa\u00e7\u00e3o que vivemos na pr\u00e1tica, ao longo do encontro de forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poderia ser transposta diretamente. A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era um bom modelo porque n\u00e3o houve tempo suficiente para que todo mundo jogasse o bastante, muitos grupos nem conseguiram concluir a partida. Al\u00e9m do mais, algumas regras estavam mal escritas. Fosse um momento com as crian\u00e7as, seria preciso investir mais criteriosamente na escolha das regras, caso se optasse por um jogo que n\u00e3o contivesse em sua embalagem as regras mais claras. Ficou bem evidente tamb\u00e9m que \u00e9 preciso se preparar para ler com as crian\u00e7as, estudar a regra antes de problematiz\u00e1-la com o grupo.<\/p>\n<p>O encontro foi bastante instigante. Tivemos, por fim, um tempo para discutir os planejamentos para as turmas de quatro a seis anos. \u00c9 claro que eu tive de sustentar alguns sil\u00eancios, manter-me calma para n\u00e3o roubar o tempo das pessoas porque n\u00e3o queria apenas que as propostas para as crian\u00e7as melhorassem, mas queria tamb\u00e9m que todo mundo tomasse consci\u00eancia do que faz uma proposta ser melhor e como cada professor pode criar a sua pr\u00f3pria atividade de jogo.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Mancala<\/strong> (do \u00e1rabe naqaala \u2013 &#8220;mover\u201d) \u00e9 na verdade a denomina\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de aproximadamente 200 jogos diferentes. Origin\u00e1rio da \u00c1frica, onde teria surgido por volta do ano 2000 antes de Cristo (para alguns o jogo tem mais de 7000 anos), \u00e9 jogado atualmente em in\u00fameros pa\u00edses africanos, mas j\u00e1 extrapolou as fronteiras deste continente.<\/p>\n<p>Um autor de nome De Voogt [&#8230;] afirma que o jogo teria duas vertentes: uma asi\u00e1tica, mais simples e jogado principalmente por mulheres e crian\u00e7as; e a vertente africana, com regras mais complexas e variadas, jogada principalmente por homens.<br \/>\n[&#8230;]<\/p>\n<p>Trata-se de um jogo com profundas ra\u00edzes filos\u00f3ficas. \u00c9 jogado, habitualmente, com pequenas pedras ou com sementes. A movimenta\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as tem um sentido de &#8220;se-meadura&#8221; e &#8220;colheita&#8221;. Cada jogador \u00e9 obrigado a recolher sementes (que neste momento n\u00e3o pertencem a nenhum dos jogadores), e com elas seme\u00e1-las suas casas do tabuleiro, mas tamb\u00e9m as casas do advers\u00e1rio. Seguindo as regras, em dado momento o jogador faz a &#8220;colheita&#8221; de sementes, que passam a ser suas. Ganha quem mais sementes tiver no final do jogo. \u00c9 um jogo em que n\u00e3o h\u00e1 sorte envolvida, mas exclusivamente racioc\u00ednio l\u00f3gico e matem\u00e1tico.<\/p>\n<p>Geralmente \u00e9 disputado por duas pessoas, mas existem variantes para at\u00e9 seis pessoas. [S\u00e3o algumas caracter\u00edsticas comuns:]<br \/>\n[&#8230;]<\/p>\n<p>\u2666 Antes de come\u00e7ar o jogo, o mesmo n\u00famero de sementes \u00e9 distribu\u00eddo em cada uma das cavidades do tabuleiro;<br \/>\n\u2666 Os jogadores se alternam para jogar, distribuindo as sementes da cavidade escolhida, uma a uma, no sentido anti-hor\u00e1rio, nas cavidades subsequentes;<br \/>\n\u2666 Sempre h\u00e1 captura de sementes, sendo a forma de captura diferente, dependendo do jogo em quest\u00e3o;<br \/>\n\u2666 A partida termina quando restam muito poucas sementes para o jogo continuar ou quando resta apenas uma semente em cada lado;<br \/>\n\u2666 Ganha quem tem o maior n\u00famero de sementes;<br \/>\n\u2666 As estrat\u00e9gias do jogo envolvem movimentos calculados, que exigem muita concentra\u00e7\u00e3o, antecipa\u00e7\u00e3o e esfor\u00e7o intelectual;<br \/>\n[&#8230;]<\/p>\n<h6>Fonte: Jogos Antigos, em http:\/\/www.jogos.antigos.nom.br\/mancala.asp<\/h6>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14034 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/7-5-203x300.png\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/7-5-203x300.png 203w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/7-5.png 516w\" sizes=\"auto, (max-width: 203px) 100vw, 203px\" \/><\/p>\n<p><strong>Refletindo sobre o que acontece quando as crian\u00e7as jogam<\/strong><\/p>\n<p>Depois do encontro de forma\u00e7\u00e3o, as professoras foram convidadas a jogar com as crian\u00e7as, incluindo nessa proposta o momento de ler as regras com elas. Um m\u00eas depois, elas trouxeram relatos do que havia ocorrido. Para iniciar, ouvimos a excelente orienta\u00e7\u00e3o de uma das professoras: antes de ler as regras do jogo, ela abriu o tabuleiro, mostrou todas as pe\u00e7as e as crian\u00e7as tiveram um tempo de olhar a caixa do jogo, os pe\u00f5es, dados, cartinhas&#8230; tudo isso, mediado pela conversa, ajudou o grupo de crian\u00e7as a anteciparem algumas informa\u00e7\u00f5es que de fato se confirmaram na leitura da regra do jogo de percurso.<\/p>\n<p>Mas muitas de suas colegas professoras tiveram dificuldade de ler para as crian\u00e7as e quiseram retomar o assunto. Estavam num ponto em que j\u00e1 sabiam da import\u00e2ncia de ler as regras com o grupo e tamb\u00e9m j\u00e1 tinham vontade de fazer assim, desse novo modo. Mas ainda lhes faltava construir para elas mesmas algumas orienta\u00e7\u00f5es e, principalmente, ter mais clareza sobre o tipo de texto que poderiam oferecer. Elas disseram que em algumas situa\u00e7\u00f5es a extens\u00e3o do texto a ser lido parecia aborrecer um pouco as crian\u00e7as que, justamente por n\u00e3o terem pr\u00e1tica desse tipo de leitura, queriam logo partir para a brincadeira, demonstrando pouca paci\u00eancia em ouvir. Talvez porque n\u00e3o tivessem ainda o prop\u00f3sito da leitura claramente colocado para elas mesmas. Lembramos a experi\u00eancia da colega que iniciou o relato do dia, contando como deu tempo \u00e0s crian\u00e7as para antes explorarem as pe\u00e7as. Esse momento \u00e9 importante porque, como vimos, \u00e9 essa explora\u00e7\u00e3o que vai permitir \u00e0s crian\u00e7as reconhecerem as semelhan\u00e7as entre jogos, se tiverem alguma experi\u00eancia, e elaborarem as perguntas que querem responder: Por que tem tantos pe\u00f5es? Por que o dado \u00e9 colorido e n\u00e3o tem bolinhas? O que faz com as cartas? E para que serve a roleta? Onde \u00e9 a partida e a chegada? Quem ganha? E como faz para ganhar?<\/p>\n<p>Mas al\u00e9m dessa experi\u00eancia inicial que contextualiza a leitura, tamb\u00e9m foi preciso refletir sobre a imprecis\u00e3o que n\u00e3o raramente as regras de jogos trazem, infelizmente. Da\u00ed a necessidade de os professores conhecerem bem os materiais que oferecem em sala de aula. Para explorar ainda mais as qualidades do texto instrucional, propusemos um novo momento de jogo. Nada melhor do que enfrentar o problema como ele \u00e9 para, em seguida, pensar em como ensin\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Em subgrupos, ofereci um tabuleiro e pe\u00e7as de um novo jogo, Chung\u00a0Toi<sup>4<\/sup>, e propus um material de apoio com duas vers\u00f5es das regras. Como as partidas s\u00e3o r\u00e1pidas, deixei um tempo para que todo mundo se divertisse, jogasse, aproveitasse um pouco da brincadeira. Depois discutimos as diferentes regras e a maneira como os grupos se apropriaram delas. Alguns preferiram usar a regra mais curta porque acharam que era mais f\u00e1cil. Logo perceberam que o tamanho n\u00e3o \u00e9 um bom indicador \u2013 desfazendo um preconceito que todas tinham ao planejar uma leitura para as crian\u00e7as \u2013 e tiveram de partir para a regra mais longa. A maioria das pessoas preferiu a primeira vers\u00e3o da regra, mas as professoras n\u00e3o tinham consci\u00eancia do motivo. Precisei orientar a leitura: Onde est\u00e1 escrito quem ganha o jogo nas regras 1 e 2? Uma no come\u00e7o e outra no fim: isso faz diferen\u00e7a para quem l\u00ea? Onde est\u00e1 escrito como come\u00e7a o jogo? Como sabemos disso? Aos poucos fomos penetrando no texto, na sua estrutura e organiza\u00e7\u00e3o e compreendendo como \u00e9 que n\u00f3s, leitores, orientamos nosso pensamento por essas palavras. E foi justamente esse exerc\u00edcio que nos ajudou a planejar a leitura daquela regra para as crian\u00e7as.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Chung Toi<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um jogo coreano que se assemelha ao jogo da velha, com a diferen\u00e7a de que as pe\u00e7as, depois de postas no tabuleiro, ainda podem ser movidas. O jogo \u00e9 composto de um quadriculado de 9 espa\u00e7os e 6 pe\u00e7as, 3 de cada cor, com inscri\u00e7\u00f5es de setas indicando para lados opostos. O objetivo do jogo \u00e9 colocar as tr\u00eas pe\u00e7as numa linha reta, como no jogo da velha, em qualquer dire\u00e7\u00e3o: na horizontal, vertical ou diagonal. O jogo se divide em duas fases. Na primeira, os jogadores colocam suas pe\u00e7as no tabuleiro, cada um na sua vez, tentando alinhar tr\u00eas de suas pe\u00e7as e, ao mesmo tempo, impedindo o advers\u00e1rio de faz\u00ea-lo, evitando que, assim, ganhe o jogo. Mas se ningu\u00e9m ganhar e der \u201cvelha\u201d, como na regra tradicional, ent\u00e3o os jogadores d\u00e3o in\u00edcio \u00e0 segunda fase do jogo. Cada jogador move suas pe\u00e7as pelo tabuleiro, alternadamente, seguindo a dire\u00e7\u00e3o indicada nas setas das pe\u00e7as. \u00c9 permitido saltar quaisquer outras pe\u00e7as e mudar sua orienta\u00e7\u00e3o, desde que na sua vez de jogar. Estrategicamente um jogador pode decidir, por exemplo, apenas mudar a orienta\u00e7\u00e3o de sua pe\u00e7a ou passar a vez ao advers\u00e1rio. Ganha o jogo aquele que primeiro conseguir alinhar suas pe\u00e7as.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>4Jogo coreano. Veja Box.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-14035 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/8-2-300x184.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"184\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/8-2-300x184.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/8-2-768x471.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/8-2.png 1012w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Gastamos menos tempo do que hav\u00edamos previsto n\u00e3o s\u00f3 porque o jogo \u00e9 mais r\u00e1pido mas, provavelmente, porque as professoras tinham conhecimentos anteriores, j\u00e1 haviam tentado ler para as crian\u00e7as e, portanto, estavam ligadas ao encontro de outra maneira e me ajudaram muito com as excelentes perguntas e os relatos de pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Ao final, conseguimos listar as novas aprendizagens:<\/p>\n<p>\u2666 nem sempre o texto mais curto \u00e9 o mais objetivo;<br \/>\n\u2666 ent\u00e3o, para escolher a regra para a crian\u00e7a, \u00e9 preciso ler por inteiro e avaliar sua qualidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s informa\u00e7\u00f5es que ele supre para compreender o jogo;<br \/>\n\u2666 uma boa regra \u00e9 objetiva, mas traz muitos detalhes que ajudam a orientar as a\u00e7\u00f5es dos jogadores; por isso, ao ler para as crian\u00e7as, \u00e9 preciso explicitar esses detalhes, verificando se todo mundo entendeu e, eventualmente, lendo uma segunda vez para confirmar a compreens\u00e3o;<br \/>\n\u2666 \u00e9 preciso localizar logo, desde o princ\u00edpio da leitura, qual \u00e9 o objetivo do jogo, ou seja, o que \u00e9 necess\u00e1rio para ser o vencedor; por isso, essa deve ser a primeira parte que consta no texto da regra, logo ap\u00f3s a descri\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as;<br \/>\n\u2666 o texto \u00e9 segmentado para facilitar a leitura ponto a ponto: h\u00e1 um segmento s\u00f3 com a descri\u00e7\u00e3o do tabuleiro e das pe\u00e7as, outro com o objetivo do jogo; s\u00f3 ent\u00e3o vem a lista dos passos para jogar. Se a regra \u00e9 escrita dessa maneira, o professor<br \/>\npode ler aos peda\u00e7os com as crian\u00e7as, parando a cada segmento para conversar, olhar o tabuleiro e as pe\u00e7as, verificar se todo mundo compreendeu;<br \/>\n\u2666 as regras s\u00e3o escritas passo a passo porque convida a uma leitura mais usual desse tipo de texto: lemos um peda\u00e7o e seguimos a instru\u00e7\u00e3o, lemos mais um peda\u00e7o e seguimos a pr\u00f3xima instru\u00e7\u00e3o e assim por diante. E \u00e9 dessa maneira que o professor pode mediar a leitura para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Essa problematiza\u00e7\u00e3o ajudou o grupo a responder \u00e0s quest\u00f5es das professoras que tiveram muita dificuldade de ler uma regra que continha um texto t\u00e3o grande para as crian\u00e7as. Nessa reflex\u00e3o, elas puderam saber que \u00e9 preciso escolher o texto, fazer uma media\u00e7\u00e3o tal que explicite certo modo de ser leitor.<\/p>\n<p><strong>Onde buscar materiais para trabalhar com as crian\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>O ideal \u00e9 que os jogos estejam sempre dispon\u00edveis na sala e preservados em suas embalagens originais, pois elas, como portadores de textos, d\u00e3o informa\u00e7\u00f5es sobre onde encontrar as informa\u00e7\u00f5es. Mas nem sempre isso \u00e9 poss\u00edvel. Muitas vezes, \u00e9 o professor quem pesquisa e confecciona os tabuleiros para introduzir a pr\u00e1tica de jogos em seu grupo. Outras vezes, ele prop\u00f5e uma pesquisa e convida as crian\u00e7as a confeccionarem, envolvendo-as em um projeto coletivo cheio de bons problemas para resolver, de leitura, de escrita, de desenho, de contar e controlar quantidades&#8230; muitas coisas para aprender!<\/p>\n<p>Podemos sugerir algumas fontes para alimentar essas pesquisas. O livro Os dez melhores jogos de todos os tempos, de Angels Navarro, com tradu\u00e7\u00e3o de Adriana Klisys, da editora Panda Books, \u00e9 um excelente material para usar coletivamente. Embora seja organizado como livro, suas p\u00e1ginas feitas de papel\u00e3o grosso tamb\u00e9m s\u00e3o suporte-caixa para dez jogos que podem ser explorados ao mesmo tempo. Trata-se de uma colet\u00e2nea com os cl\u00e1ssicos do tabuleiro. Todos cont\u00eam informa\u00e7\u00f5es que contextualizam sua origem e as regras. Al\u00e9m de belas ilustra\u00e7\u00f5es que enriquecem a experi\u00eancia est\u00e9tica das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Adriana Klisys tamb\u00e9m disponibiliza em seu site, Caleidosc\u00f3pio, algumas regras de jogos de trilhas tradicionais que podem ser pesquisados e confeccionados com as crian\u00e7as. Os textos das regras de alguns dos mais antigos jogos de trilhas est\u00e3o dispon\u00edveis para download no site da Caleidosc\u00f3pio: http:\/\/www.caleido.com.br\/ uploads\/2\/2\/8\/0\/2280950\/cardapio_jogos.pdf<\/p>\n<p>O site Jogos Antigos (http:\/\/www.jogos.antigos.nom.br\/) \u00e9 um dos mais completos. Nele se pode encontrar a hist\u00f3ria dos jogos, sua origem, fam\u00edlias de tabuleiros e varia\u00e7\u00f5es de regras. Mas n\u00e3o h\u00e1 modelos para imprimir. J\u00e1 no site Ludomania \u00e9 poss\u00edvel imprimir n\u00e3o s\u00f3 as regras como tamb\u00e9m v\u00e1rios tabuleiros para jogar com as crian\u00e7as. Vale lembrar que a pesquisa na internet tamb\u00e9m pode ser explorada como mais uma oportunidade para a crian\u00e7a conhecer as pr\u00e1ticas de leitura na sua cultura. Na frente da tela do computador, al\u00e9m do acesso ao texto das regras, as crian\u00e7as tamb\u00e9m podem experimentar esse modo de ser leitor que envolve navegar no ambiente digital: entrar no site, procurar a aba que deseja, escolher o que quer imprimir e o que vai salvar etc.<\/p>\n<p>Para viver essa experi\u00eancia com as crian\u00e7as, acesse http:\/\/www.ludomania.com.br\/wp\/?cat=9. Bom trabalho!<\/p>\n<hr \/>\n<p>Jogos criados pelas professoras de Cajamar. A proposta feita ao grupo, no encontro de forma\u00e7\u00e3o, consistia em criar um jogo, a partir do material oferecido, e escrever as regras de modo a possibilitar que outros grupos pudessem compreender e jogar autonomamente, sem pedir explica\u00e7\u00f5es aos autores. O desafio de produzir as regras, tendo clareza de seus destinat\u00e1rios, levou o grupo a refletir sobre a qualidade que esse texto precisa ter, levando em conta a pr\u00f3pria experi\u00eancia como leitores de regras.<\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SILVANA AUGUSTO\u00b9 LER PARA APRENDER A JOGAR. \u00c9 POSS\u00cdVEL APROVEITAR AS PR\u00c1TICAS SOCIAIS DE LEITURA PARA QUE AS CRIAN\u00c7AS, DESDE PEQUENAS, POSSAM SOLUCIONAR OS PROBLEMAS QUE LHES INTERESSAM Muitos jogos nos s\u00e3o ensinados pelos amigos. \u00c9 assim que aprendemos os mais tradicionais, cujas regras atravessam gera\u00e7\u00f5es e continuam presentes entre as crian\u00e7as. 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