{"id":13988,"date":"2016-02-26T11:52:40","date_gmt":"2016-02-26T14:52:40","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13988"},"modified":"2024-10-28T15:59:22","modified_gmt":"2024-10-28T18:59:22","slug":"livro-informativo-para-a-formacao-de-leitores-por-que-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-65\/livro-informativo-para-a-formacao-de-leitores-por-que-nao\/","title":{"rendered":"Livro informativo para a forma\u00e7\u00e3o de leitores: Por que n\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>EM NOVEMBRO, A REVISTA AVISA L\u00c1 ENTREVISTOU\u00b9 A PESQUISADORA ESPANHOLA ANA GARRAL\u00d3N SOBRE AS CARACTER\u00cdSTICAS DO LIVRO INFORMATIVO E SUA IMPORT\u00c2NCIA PARA A FORMA\u00c7\u00c3O DE LEITORES<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13989 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1-6-191x300.png\" alt=\"\" width=\"191\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1-6-191x300.png 191w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1-6.png 499w\" sizes=\"auto, (max-width: 191px) 100vw, 191px\" \/><\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 1980, Ana Garral\u00f3n\u00b2, por raz\u00f5es profissionais, come\u00e7ou a prestar aten\u00e7\u00e3o nesses livros, que at\u00e9 ent\u00e3o eram pouco valorizados em escolas e bibliotecas como instrumentos de forma\u00e7\u00e3o de leitores. Vistos como livros paradid\u00e1ticos, costumavam ser postos de lado quando o assunto era leitura.<\/p>\n<p>Ao analisar este g\u00eanero, Ana deparou-se com obras de muita qualidade e que convocavam seus leitores de modo distinto dos livros de literatura. Certa de que a forma\u00e7\u00e3o do leitor em tempos atuais \u00e9 uma tarefa complexa e de que o livro informativo poderia ampliar a compet\u00eancia leitora das crian\u00e7as, Ana Garral\u00f3n dedicou-se a estud\u00e1-los, refletindo sobre as rela\u00e7\u00f5es dos leitores com esses textos.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Com a colabora\u00e7\u00e3o de Ana Carolina Carvalho, Beatriz Gouveia e \u00c9rica de Faria.<br \/>\n2 Nasceu em Madri, Espanha. \u00c9 professora, pesquisadora, especialista em livros infantis e autora do livro Ler e saber: os livros informativos para crian\u00e7as. S\u00e3o Paulo: Pulo do Gato, 2015. Publica textos sobre literatura infantil e juvenil em seu blog: http:\/\/anatarambana.blogspot.com.br\/<\/h6>\n<p><strong>Como definir o que \u00e9 um livro informativo? O que ele necessariamente tem de ter?<\/strong><\/p>\n<p>Um livro informativo \u00e9 um livro que fala sobre fatos e dados reais. Portanto, a primeira defini\u00e7\u00e3o \u00e9 que seja um livro de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito dif\u00edcil dizer o que deve ter, necessariamente, um livro informativo. Existe tanta variedade nos informativos que \u00e9 dif\u00edcil inclu\u00ed-los em uma categoria \u00fanica. Existem livros narrativos; outros expositivos; alguns possuem fotografias, desenhos, diferentes tipos de ilustra\u00e7\u00f5es. Alguns t\u00eam abordagem enciclop\u00e9dica; outros evocam antigos livros de naturalistas, com \u00edndice e sem gloss\u00e1rio, com e sem bibliografia. Os projetos editoriais tamb\u00e9m variam amplamente.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea aponta em seu livro, a imagem \u00e9 um elemento poderoso em um livro informativo. O que caracteriza uma boa imagem em um livro informativo? Como a imagem potencializa a leitura do texto escrito?<\/strong><\/p>\n<p>Nos livros informativos, a imagem, na maioria das vezes, tamb\u00e9m \u00e9 lida. Cont\u00e9m informa\u00e7\u00e3o, fornece dados, reflete a realidade. H\u00e1 uma ideia equivocada de que as crian\u00e7as com pouco h\u00e1bito de leitura recorrem a essas obras pelas imagens. Ao olharmos de perto os livros informativos para as crian\u00e7as, observamos que imagens exigem um esfor\u00e7o para serem compreendidas. Pensemos numa \u00e1rvore geneal\u00f3gica, ou numa gravura antiga que se refere a um tema. As imagens, \u00e0s vezes, servem para recriar os processos que devem ser compreendidos.<\/p>\n<p>Muitas vezes, a imagem e o texto est\u00e3o relacionados. Voc\u00ea come\u00e7a olhando a imagem que logo desperta a curiosidade pela leitura do texto. O percurso de leitura \u00e9 mais livre, e os livros informativos promovem esse tipo de leitura entre esses dois c\u00f3digos.<\/p>\n<p><strong>No seu livro Ler e saber: os livros informativos para crian\u00e7as, voc\u00ea afirma que a familiaridade com o formato narrativo ajuda os leitores a desenvolverem expectativas para o g\u00eanero de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o. Poderia explicar um pouco mais como isso se d\u00e1? Qual a rela\u00e7\u00e3o entre ambos?<\/strong><\/p>\n<p>A narrativa \u00e9 usada com frequ\u00eancia nos livros informativos. Embora associemos a palavra narrativa com literatura, desde sempre a hist\u00f3ria, a antropologia, a filosofia e outras \u201cci\u00eancias\u201d menos exatas utilizaram a narrativa, pois \u00e9 uma forma de contar o mundo de maneira agrad\u00e1vel aos leitores.<\/p>\n<p>Com temas mais abstratos, como as matem\u00e1ticas, tamb\u00e9m existem obras nas quais se narra uma hist\u00f3ria para contextualizar os conceitos que se quer explicar.<\/p>\n<p>O leitor deve saber em cada momento qual \u00e9 o pacto estabelecido com o livro: se detectar que a fic\u00e7\u00e3o se afasta da informa\u00e7\u00e3o, pensar\u00e1 que est\u00e1 diante de um livro de literatura. \u00c9 o que acontece com o romance hist\u00f3rico: o autor inventa o que ele n\u00e3o sabe. Isso nunca poderia acontecer com um livro de Hist\u00f3ria, em que se usa a narrativa e o escritor \u00e9 respeitoso com seus leitores, indicando-lhes o que n\u00e3o \u00e9 conhecido.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m aborda a quest\u00e3o da leitura est\u00e9tica (uma forma de experimentar diferentes emo\u00e7\u00f5es diante de um texto escrito) e da leitura eferente (quando o texto oferece informa\u00e7\u00f5es concretas), presentes na aproxima\u00e7\u00e3o do leitor com os textos. De que maneira elas se d\u00e3o na leitura do texto informativo?<\/strong><\/p>\n<p>Este conceito, que vem de Louise Rosenblatt\u00b3, destaca que \u00e9 o leitor quem confere sentido ao texto, a maneira de l\u00ea-lo (est\u00e9tica ou eferente) \u00e9 dada por suas motiva\u00e7\u00f5es e interesses, mais que pela intencionalidade do texto. Um livro informativo sobre futebol a um leitor lembrar\u00e1 fatos e datas (leitura eferente); para outro, ser\u00e1 levado a perguntar-se: O que o jogador sentiu quando marcou o gol da vit\u00f3ria? N\u00f3s, mediadores, devemos dar liberdade \u00e0s crian\u00e7as para que fa\u00e7am as pr\u00f3prias leituras e n\u00e3o devemos impor r\u00f3tulos aos livros.<\/p>\n<p>Por outro lado, existem muitos livros informativos que apelam para essas duas fun\u00e7\u00f5es. Por exemplo, um livro intitulado Construir ninhos, cavar buracos: como os insetos protegem seus filhotes \u00e9 atraente tanto no quesito informa\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m no de emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>3 Louise Rosenblatt (EUA, 1904 \u2013 2005). Professora da Universidade de Nova York e pesquisadora sobre o ensino da literatura. Em sua obra se destacam \u201cLiteratura como explora\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cO leitor, o texto e o poema \u2013 a teoria transacional sobre o trabalho da literatura\u201c.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13990 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/2-6-300x229.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"229\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/2-6-300x229.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/2-6-1024x782.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/2-6-768x587.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/2-6.png 1060w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Em geral, na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, articulamos os textos informativos aos projetos de estudo, pois \u00e9 quando o prop\u00f3sito leitor fica mais evidenciado. Isto \u00e9, em um contexto de estudo, recorremos aos textos informativos para procurar respostas, para saber mais; portanto as crian\u00e7as atribuem mais sentido \u00e0s leituras realizadas. Voc\u00ea tem outras experi\u00eancias de trabalho com os textos para compartilhar conosco?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma tend\u00eancia de se adotar os livros informativos para \u201cfazer a li\u00e7\u00e3o de casa\u201d ou apenas para estudo. Nada contra isso. Mas nos \u00faltimos anos existem cada vez mais livros \u201cdesescolarizados\u201d, ou que se desvinculam de um objetivo pedag\u00f3gico, que se afastam do curr\u00edculo escolar para proporcionar \u00e0s crian\u00e7as outras quest\u00f5es. A liberdade que tem um criador ao fazer seu livro o leva a experimentar temas, formatos, ideias e informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com as tarefas. O livro Antes do depois<sup>4<\/sup>, muito premiado, \u00e9 um livro de conceitos que buscam a transversalidade: aparece uma colmeia e o mel engarrafado; uma \u00e1rvore no ver\u00e3o e inverno; um balan\u00e7o de beb\u00ea e uma cadeira de balan\u00e7o como as que usam os av\u00f3s. As rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem s\u00e3o incr\u00edveis e muito sugestivas. Esse livro n\u00e3o \u201cserve\u201d para consultar informa\u00e7\u00f5es, mas evoca muitas ideias sobre a passagem do tempo, o uso das coisas etc.<\/p>\n<p><strong>Alguns livros informativos s\u00e3o bastante complexos para os alunos. Como ajud\u00e1-los a compreend\u00ea-los? Quais dicas voc\u00ea daria a um professor sobre a media\u00e7\u00e3o de leitura com esse tipo de texto?<\/strong><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, sugeriria aos professores que eles mesmos encontrem algum prazer em ler esses livros: muitos deles s\u00e3o atraentes e interessantes. Nas oficinas que realizo com professores e mediadores de leitura, costumamos trabalhar com os livros e sempre h\u00e1 muita surpresa, porque, em geral, acreditamos que os livros informativos s\u00e3o sempre sobre as ci\u00eancias exatas, como a f\u00edsica e a qu\u00edmica, ou ent\u00e3o sobre a natureza. No entanto, quando lemos muitos desses livros, observamos que h\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que s\u00e3o biografias; livros de viagens, de hist\u00f3ria; sobre a antropologia, a arte. Estes costumam ser mais interessantes para os adultos.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, existe um tipo de livro muito formal em sua concep\u00e7\u00e3o: complexo, com muita informa\u00e7\u00e3o, \u00edndices, gloss\u00e1rios etc. \u00c9 importante identificar qual \u00e9 a proposta de leitura do livro (se nos permite recuperar a informa\u00e7\u00e3o ou se exige uma leitura cont\u00ednua) e ajudar as crian\u00e7as a reconhecerem a sua finalidade.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m \u00e9 importante salientar que, \u00e0s vezes, n\u00f3s subestimamos as crian\u00e7as! O que observo \u00e9 que se elas est\u00e3o interessadas em um tema, elas v\u00e3o ler tudo sobre ele. Todos n\u00f3s conhecemos crian\u00e7as que s\u00e3o apaixonadas pelos dinossauros, por exemplo, e elas sabem todos os nomes e assuntos que iria custar-nos lembrar.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>4T\u00edtulo original: Antes Despu\u00e9s, de Anne-Margot Ramstein, Matthias Aregui, Teresa Tellechea Mora. Ediciones SM (Madrid &#8211; Espanha).<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13991 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-6-300x185.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"185\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-6-300x185.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-6-1024x632.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-6-768x474.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-6.png 1123w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao fato de as <\/strong><strong>crian\u00e7as acessarem, com mais frequ\u00eancia, os <\/strong><strong>textos informativos publicados em sites do <\/strong><strong>que em livros? Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as do <\/strong><strong>ponto de vista da forma\u00e7\u00e3o de um leitor?<\/strong><\/p>\n<p>O livro, ainda hoje, \u00e9 pensado para crian\u00e7as, concebido para elas, feito com amor e com rigor. O que \u00e9 interessante em um livro informativo \u00e9 a sua capacidade para gerar perguntas (ao inv\u00e9s de simplesmente responder, que \u00e9 o que fazem os livros did\u00e1ticos). Alimentar a curiosidade natural e acompanh\u00e1-las no processo de cria\u00e7\u00e3o de conhecimento. N\u00f3s todos sabemos que a internet n\u00e3o tem perguntas. E que, de acordo com a nossa pergunta, as respostas variam consideravelmente. Parece-me importante dar \u00e0s crian\u00e7as a oportunidade de inserir-se no mundo por meio dos livros, porque elas v\u00e3o encontrar muito mais do que procuram. Os leitores tamb\u00e9m t\u00eam mais confian\u00e7a em um livro que foi cuidadosamente escrito e editado do que na internet, cujas fontes de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o menos confi\u00e1veis. No entanto, \u00e9 sempre bom lembrar que ler \u00e9 ler, n\u00e3o importa onde ou como. Eu n\u00e3o gosto de opor livro \u00e0 internet porque s\u00e3o dois lugares maravilhosos para encontrar informa\u00e7\u00e3o e se sentir parte deste mundo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13992 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/4-6-300x265.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/4-6-300x265.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/4-6-768x679.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/4-6.png 778w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cN\u00e3o conhe\u00e7o emo\u00e7\u00e3o maior que a de descobrir\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Resenha do livro Ler e saber: os livros informativos para crian\u00e7as, de Ana Garral\u00f3n. S\u00e3o Paulo: Pulo do Gato, 2015.<br \/>\nAna Carolina Carvalho *<\/p>\n<p>A frase dita pelo Pr\u00eamio Nobel de Medicina Severo Ochoa, citada por Ana Garral\u00f3n, tem estreita rela\u00e7\u00e3o com a leitura de livros informativos, com a inf\u00e2ncia e sua propens\u00e3o \u00e0 curiosidade frente ao mundo. As crian\u00e7as querem muito saber como o mundo \u00e9, como as coisas funcionam, o que elas s\u00e3o, como se organizam. O livro Ler e saber, de Ana Garral\u00f3n, coloca o livro informativo neste lugar do objeto que vai responder a uma vontade de saber mais sobre o mundo, e que vai provocar outras perguntas e novos conhecimentos, que pode colocar a crian\u00e7a como um leitor potente, que questiona e que busca saciar a sua curiosidade frente a um determinado tema.<\/p>\n<p>Tudo isto j\u00e1 seria justificativa suficiente para garantir a import\u00e2ncia e o trabalho com livros informativos. Mas Ana sabe que nada \u00e9 t\u00e3o simples assim. Somos cheios de ideias preconcebidas a respeito do que seja o livro informativo. E tamb\u00e9m cheios de d\u00favidas quanto a esse tipo de texto. Por que ler livros informativos? As crian\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o estudam na escola por meio de livros did\u00e1ticos? Por que ler livros informativos se j\u00e1 h\u00e1 uma profus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es na internet, dispon\u00edveis a todos? Por que ler livros informativos se j\u00e1 existem tantos livros de fic\u00e7\u00e3o no mercado? Mas, afinal, do que trata ou pode tratar o livro informativo? S\u00e3o apenas aqueles livros de Ci\u00eancias ou as enciclop\u00e9dias? Como saber se um livro informativo \u00e9 bom?<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o algumas das reflex\u00f5es trazidas por Ana Garral\u00f3n. Fruto de questionamentos, d\u00favidas e reflex\u00f5es constru\u00eddos conjuntamente com professores, mediadores de leitura e bibliotec\u00e1rios, s\u00e3o perguntas vivas e que poderiam ter sido feitas por qualquer um de n\u00f3s. S\u00e3o perguntas reais, entranhadas na pr\u00e1tica de quem lida com livros e crian\u00e7as, e por isso mesmo, t\u00e3o essenciais.<\/p>\n<p>Partindo da ideia de que a forma\u00e7\u00e3o de leitores \u00e9 uma tarefa complexa e que sup\u00f5e o conhecimento de formas diversas de textos produzidos em nossa cultura e que cada texto convoca o leitor de um modo particular, mas que tamb\u00e9m podem se cruzar, a autora vai esmiu\u00e7ar as caracter\u00edsticas do livro informativo, abordando aspectos essenciais: desde os crit\u00e9rios de escolha desse tipo de obra, as suas principais caracter\u00edsticas, os seus diferentes formatos, a import\u00e2ncia da leitura das imagens como fonte de conhecimento, a autoria do texto informativo, por que alguns livros deram muito certo como textos informativos, e at\u00e9 mesmo, dicas de media\u00e7\u00e3o de leitura: como apresentar a obra, sobre o que conversar depois da leitura, a import\u00e2ncia de se oferecer o livro inteiro \u00e0 crian\u00e7a e a import\u00e2ncia da escolha pelo leitor, entre outras.<\/p>\n<p>Uma obra que nos ajuda ampliar nossas refer\u00eancias acerca do livro informativo, que nos ajuda a l\u00ea-lo e a ter vontade de apresent\u00e1-los \u00e0s crian\u00e7as.<\/p>\n<p>*Formadora do Instituto Avisa L\u00e1 e escritora<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EM NOVEMBRO, A REVISTA AVISA L\u00c1 ENTREVISTOU\u00b9 A PESQUISADORA ESPANHOLA ANA GARRAL\u00d3N SOBRE AS CARACTER\u00cdSTICAS DO LIVRO INFORMATIVO E SUA IMPORT\u00c2NCIA PARA A FORMA\u00c7\u00c3O DE LEITORES No final da d\u00e9cada de 1980, Ana Garral\u00f3n\u00b2, por raz\u00f5es profissionais, come\u00e7ou a prestar aten\u00e7\u00e3o nesses livros, que at\u00e9 ent\u00e3o eram pouco valorizados em escolas e bibliotecas como instrumentos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":17132,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1525],"tags":[],"class_list":{"0":"post-13988","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-65","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13988"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13988\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17138,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13988\/revisions\/17138"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17132"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}