{"id":13917,"date":"2015-11-17T13:04:23","date_gmt":"2015-11-17T15:04:23","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13917"},"modified":"2024-10-28T15:56:55","modified_gmt":"2024-10-28T18:56:55","slug":"com-que-roupa-eu-vou-pra-chuva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-64\/com-que-roupa-eu-vou-pra-chuva\/","title":{"rendered":"Com que roupa eu vou pra chuva?"},"content":{"rendered":"<p>ADRIANA CRISTINA MILIORAN\u00c7A, ANDREA CRISTINA MILIORAN\u00c7A E TESSY ANNE DUARTE COSTA ROCHA\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>ESTE ARTIGO ABORDA V\u00c1RIAS QUEST\u00d5ES IMPORTANTES: COMO AS CRIAN\u00c7AS APRENDEM SOBRE UM FEN\u00d4MENO DA NATUREZA E SUAS RELA\u00c7\u00d5ES COM O AMBIENTE, SOBRE AS PR\u00c1TICAS SOCIAIS DE PROTE\u00c7\u00c3O DO CORPO, E SOBRE A POSSIBILIDADE DE BRINCAR NA CHUVA, DE UM MODO GERAL PROIBIDO NAS ESCOLAS<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13918 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1-2-300x252.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"252\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1-2-300x252.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/1-2.png 496w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Como ocorre em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, as crian\u00e7as conversavam sobre o tempo observado pela janela e registravam no calend\u00e1rio se havia sol ou chuva l\u00e1 fora. Pr\u00e1tica mec\u00e2nica que n\u00e3o traz nenhuma contribui\u00e7\u00e3o para uma aprendizagem efetiva. Al\u00e9m disso, brincavam na sala nos dias de chuva e permaneciam nesse espa\u00e7o por longos per\u00edodos, mesmo nos dias de sol.<\/p>\n<p>Em 2014, essa pr\u00e1tica come\u00e7ou a ser discutida e modificada quando, em um processo formativo\u00b2, com foco no trabalho com as Rela\u00e7\u00f5es Naturais, a equipe do Centro de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (CEI) foi desafiada a ir al\u00e9m, desenvolvendo uma proposta que superasse uma pr\u00e1tica automatizada e sem sentido para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Desse modo, os profissionais partiram de um diagn\u00f3stico dos saberes da turma de crian\u00e7as de quatro anos para propiciar aos pequenos momentos de investiga\u00e7\u00e3o, pesquisa e discuss\u00f5es sobre o tempo. A proposta instigou os alunos a pensarem sobre o tempo utilizando instrumentos convencionais e n\u00e3o convencionais para observar e analisar alguns elementos meteorol\u00f3gicos (vento, umidade e tempo), tendo por finalidade comunicar as verifica\u00e7\u00f5es sensoriais e meteorol\u00f3gicas, decidindo com o grupo a adequa\u00e7\u00e3o de suas vestimentas no decorrer do dia.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Adriana \u00e9 coordenadora, Andrea e Tessy s\u00e3o professoras do Centro de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (CEI) Cantinho Feliz da Irm\u00e3 Clementina \u2013 Curitiba (PR).<br \/>\n2 Realizado pela Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Curitiba (PR) e Instituto Avisa L\u00e1 (SP). Teve como formadora Luciana Hubner.<\/h6>\n<p>Em 2015, pensando na continuidade da proposta e em sua amplia\u00e7\u00e3o para a faixa et\u00e1ria de tr\u00eas anos, a pedagoga convidou a equipe de profissionais a elaborar planejamentos que fizessem sentido para crian\u00e7as dessa idade, pensando em algumas consignas: Quais saberes sobre o tempo s\u00e3o importantes para crian\u00e7as de tr\u00eas anos? Como os estudantes dessa idade t\u00eam se relacionado com o tempo em Curitiba? Como podemos auxili\u00e1-los a pensar sobre a adequa\u00e7\u00e3o da roupa e acess\u00f3rios em decorr\u00eancia do tempo?<\/p>\n<p><strong>As pistas das crian\u00e7as indicam um caminho a seguir&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Tem vento. Sempre que tem vento chove?<br \/>\n\u2013 O parque t\u00e1 molhado porque choveu.<br \/>\n\u2013 Mas o parque n\u00e3o t\u00e1 todo molhado, eu acho que n\u00e3o \u00e9 chuva.<br \/>\n\u2013 \u00c9 porque tem neblina que o parque t\u00e1 molhado!<br \/>\n\u2013 Quando eu vou pra praia tem neblina.<br \/>\n\u2013 Tem sol, mais t\u00e1 frio.<br \/>\n\u2013 Pra medir a temperatura, a gente usa um term\u00f4metro, eu vi no Doc. (Discovery Kids)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13919 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/2-2-300x175.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"175\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/2-2-300x175.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/2-2-1024x598.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/2-2-768x449.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/2-2.png 1326w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Essas reflex\u00f5es mobilizaram a equipe a entender que as crian\u00e7as permaneciam confinadas durante os longos per\u00edodos de chuva e frio, embora reconhecessem a import\u00e2ncia de propiciar experi\u00eancias de explora\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os externos com elementos da natureza. Tais experi\u00eancias ficavam reduzidas aos dias com tempo mais ameno e seco. Diante disso, come\u00e7aram a organizar momentos significativos, em que os pequenos pudessem adequar vestimentas para brincar, mesmo em dias chuvosos, como nos dias em que os espa\u00e7os ficam molhados ou com barro.<\/p>\n<p>Com a experi\u00eancia de 2014, aprendemos que o levantamento de conhecimento pr\u00e9vio seria o primeiro passo dessa intensa experi\u00eancia, pois sab\u00edamos que, com base nas hip\u00f3teses das crian\u00e7as sobre o uso dos espa\u00e7os externos, poder\u00edamos planejar pr\u00e1ticas que para elas fizessem sentido e ampliasse seus conhecimentos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13920 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-2-289x300.png\" alt=\"\" width=\"289\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-2-289x300.png 289w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/3-2.png 605w\" sizes=\"auto, (max-width: 289px) 100vw, 289px\" \/><\/p>\n<p><strong>Ampliando saberes<\/strong><\/p>\n<p>As crian\u00e7as foram convidadas a explorar o espa\u00e7o externo, ap\u00f3s um dia chuvoso, em um momento que a chuva tinha cessado. Nessa ocasi\u00e3o, elas n\u00e3o receberam nenhuma consigna e n\u00e3o utilizaram acess\u00f3rios e vestimentas que seriam necess\u00e1rias para essa explora\u00e7\u00e3o. Quando l\u00e1 chegaram se interessaram momentaneamente em andar por toda a quadra molhada, por\u00e9m um grupo pequeno ficou um tempo maior pisando em algumas po\u00e7as de \u00e1gua. O restante da turma foi para o parque e precisamos conter seu entusiasmo, embora percebessem que o parque estava molhado acreditavam que poderiam brincar no local. Instigamos as crian\u00e7as a pensar, chamando aten\u00e7\u00e3o para o fato de estarem com sapatos inadequados para a situa\u00e7\u00e3o. Nesse momento, Nicole, que espontaneamente havia trocado na sala seu t\u00eanis por uma galocha, rapidamente disse:<\/p>\n<p>\u2013 T\u00f4 de bota, meu p\u00e9 t\u00e1 protegido!<br \/>\nMaria Eduarda tamb\u00e9m se colocou:<br \/>\n\u2013 Eu t\u00f4 de crocs! \u00c9 f\u00e1cil de limpar!<\/p>\n<p>Com isso, todas elas iniciaram uma investiga\u00e7\u00e3o sobre os sapatos que estavam usando. Maria Eduarda e Nicole logo foram para o parque, direto para os escorregadores. Nicole primeiramente observou e, em seguida, falou:<\/p>\n<p>\u2013 T\u00e1 todo molhado. Vou descer mesmo assim!<\/p>\n<p>A professora avisou que ela iria se molhar e n\u00e3o tinha outra roupa.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os pequenos que estavam na cal\u00e7ada verificaram que alguns deles cal\u00e7avam t\u00eanis de couro e, portanto, poderiam ir ao parque. Houve uma discuss\u00e3o no grupo, pois mesmo quem estava sem os sapatos adequados queria ir ao parque. Nesse di\u00e1logo, o pr\u00f3prio grupo decidiu que as crian\u00e7as com sapatos de couro tamb\u00e9m poderiam brincar.<\/p>\n<p>Em seguida, na sala de refer\u00eancia, v\u00e1rias hip\u00f3teses foram levantadas:<\/p>\n<p>\u2013 O parque j\u00e1 secou. O sol secou! (Nicole)<br \/>\n\u2013 N\u00e3o tem sol. Foi o vento! (Miguel)<br \/>\n\u2013 (&#8230;)<br \/>\n\u2013 Eu n\u00e3o fui no parque! (Alice)<br \/>\n\u2013 Meu t\u00eanis \u00e9 de couro, n\u00e3o molha f\u00e1cil.<br \/>\n(Miguel)<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlias sensibilizadas pela alegria das crian\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio da proposta uma grande preocupa\u00e7\u00e3o foi com a rea\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, pois h\u00e1 uma cultura para os curitibanos de que os dias frios s\u00e3o para ficar dentro de um espa\u00e7o, bem agasalhados e protegidos. As fam\u00edlias foram convidadas a vir ao CEI e, pelo acesso \u00e0s mem\u00f3rias de suas inf\u00e2ncias, estabeleceram rela\u00e7\u00f5es com a inf\u00e2ncia dos seus filhos. Para nossa surpresa houve uma grande sensibiliza\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o dessa proposta inusitada. A alegria das crian\u00e7as dessa primeira turma participante contagiou outras fam\u00edlias, que come\u00e7aram a nos questionar sobre o fato de os seus filhos n\u00e3o estarem vivenciando as possibilidades ofertadas. Com isso, uma nova cultura de utiliza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os externos, independente das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, est\u00e1 sendo constru\u00edda no CEI Cantinho Feliz da Irm\u00e3 Clementina \u2013 Curitiba (PR)<\/p>\n<p><strong>Aqui como l\u00e1, tamb\u00e9m chove&#8230;.<\/strong><\/p>\n<p>Os professores tamb\u00e9m valorizam o que \u00e9 especial sobre os espa\u00e7os que cercam suas escolas, considerando-os como extens\u00f5es do espa\u00e7o da sala de aula. Parte de seu curr\u00edculo envolve levar as crian\u00e7as para que explorem as vizinhan\u00e7as e os marcos da cidade. Um exemplo da extens\u00e3o da escola \u00e9 um projeto levado avante por muitos meses pela escola Villetta, durante o qual as crian\u00e7as sa\u00edram para explorar o modo como a cidade transforma-se durante os per\u00edodos de chuvas. Esse projeto levou as crian\u00e7as e os professores a explorarem juntos primeiro a realidade da cidade sem chuva, tirando fotografias em locais tanto conhecidos quanto menos familiares, formando hip\u00f3teses sobre como a chuva poderia mud\u00e1-los. Uma vez que naquele ano em particular, depois de iniciado o projeto, a chuva levou v\u00e1rias semanas para vir, as crian\u00e7as tiveram muito tempo para preparar as ferramentas e o equipamento que consideravam \u00fateis para observarem, coletarem, medirem, fotografarem e registrarem tudo sobre a chuva. Nesse meio-tempo, as expectativas das crian\u00e7as cresciam imensamente. Todos os dias os professores e as crian\u00e7as iam at\u00e9 o terra\u00e7o da escola para observar esperan\u00e7osamente o c\u00e9u, ganhando muito conhecimento acerca de forma\u00e7\u00f5es de nuvens e dire\u00e7\u00e3o do vento. Quando uma boa chuvarada finalmente chegou, a experi\u00eancia foi febril e exultante. As crian\u00e7as perceberam como as pessoas mudavam o ritmo e a postura ao caminhar, como os reflexos brilhantes e os esguichos das po\u00e7as mudavam as ruas, como a somatiza\u00e7\u00e3o das gotas diferia, ao cair no pavimento, no cap\u00f4 dos autom\u00f3vis ou nas folhas das \u00e1rvores. Ent\u00e3o, ap\u00f3s experienciarem a primeira chuva e ap\u00f3s o procedimento costumeiro em Reggio Emilia, engajaram-se em representar muitos de seus aspectos. Isso, por sua vez, levou a quest\u00f5es adicionais, a hip\u00f3teses e a explora\u00e7\u00f5es que a professora e a atelierista documentaram fartamente. Toda a explora\u00e7\u00e3o foi eventualmente registrada em \u201cA Cidade e a Chuva\u201d, segmento da exposi\u00e7\u00e3o As Cem Linguagens da Crian\u00e7a, e serve para contar-nos sobre as muitas maneiras como o espa\u00e7o familiar da cidade pode tornar-se palco e o tema de atividades e de explora\u00e7\u00f5es construtivas (Departamento de Educa\u00e7\u00e3o, Cidade de Reggio Emilia, 1987).<\/p>\n<h6>EDWARDS, C.; GANDINI, L.;FORMAN, G. As cem linguagens da crian\u00e7a: a abordagem de Reggio Emilia na educa\u00e7\u00e3o da primeira inf\u00e2ncia. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas Sul Ltda., 1999.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-13921\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/4-2-300x75.png\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"140\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/4-2-300x75.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/4-2-768x193.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/4-2.png 945w\" sizes=\"auto, (max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/p>\n<p>Essa primeira experi\u00eancia repertoriou a conversa entre as crian\u00e7as e, assim, outras hip\u00f3teses foram levantadas: uso da capa de chuva, guarda-chuva, luvas, touca, casacos com gorro, diferen\u00e7as entre materiais e suas utiliza\u00e7\u00f5es. Observou-se que elas possuem muitos saberes sobre vestimentas e acess\u00f3rios e seus usos, mas n\u00e3o possuem autonomia para decidir quais s\u00e3o os mais adequados ao tempo. Percebemos tamb\u00e9m que essa proposta \u00e9 muito relevante para o desconfinamento das crian\u00e7as. Para sua continuidade, vimos a necessidade de aquisi\u00e7\u00e3o de materiais para as experimenta\u00e7\u00f5es e de conversa com as fam\u00edlias sobre as propostas que ser\u00e3o desenvolvidas.<\/p>\n<p>Com base nisso, elas come\u00e7aram a sair para brincar na chuva, assim como ap\u00f3s a chuva. Nossa inten\u00e7\u00e3o foi que sa\u00edssem primeiro em um dia chuvoso e, depois, pudessem sair em qualquer tempo. A frequ\u00eancia da pr\u00e1tica nos diferentes espa\u00e7os (quadra, parque, pomar, horta, tanque de areia e bosque) \u00e9 que est\u00e1 propiciando repert\u00f3rio para que possam realizar compara\u00e7\u00f5es sobre os espa\u00e7os, suas caracter\u00edsticas e a adequa\u00e7\u00e3o de vestimentas e acess\u00f3rios de acordo com o clima.<\/p>\n<p><strong>O qu\u00ea e como ensinar Ci\u00eancias na Educa\u00e7\u00e3o Infantil<\/strong><\/p>\n<p>Ensinar Ci\u00eancias Naturais implica poder articular o modo como pensamos a Ci\u00eancia com os processos de ensino e aprendizagem. As crian\u00e7as pequenas t\u00eam mentes curiosas, constantemente buscam respostas para fatos e situa\u00e7\u00f5es observadas. Est\u00e3o imersas em um ambiente social natural e, portanto, interessadas em dar um significado ao mundo em que vivem. Atividades de explora\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os, do ambiente e as investiga\u00e7\u00f5es sobre diferentes temas da natureza e da cultura s\u00e3o imprescind\u00edveis para que os pequenos sejam educados para a curiosidade.<\/p>\n<p>Oferecer situa\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o controladas e guiadas pelo professor \u00e9 uma boa forma para o desenvolvimento de novas aprendizagens e aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos sobre o mundo.<\/p>\n<p>O maior desafio para o ensino de Ci\u00eancias \u00e9 superar a simples transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, a mera manipula\u00e7\u00e3o de instrumentos e a observa\u00e7\u00e3o contemplativa. O estudo das ci\u00eancias compreende a capacidade de argumenta\u00e7\u00e3o. Capacidade que permite expor e defender ideias com base em problemas vinculados a conte\u00fados como sa\u00fade, meio ambiente, entre outros. Assim, desde muito pequenas, as crian\u00e7as podem desenvolver capacidades de an\u00e1lise, reflex\u00e3o, compreendendo os efeitos da interven\u00e7\u00e3o humana, a conserva\u00e7\u00e3o do ambiente, a qualidade de vida.<\/p>\n<p>Para aprender Ci\u00eancias Naturais n\u00e3o basta somente fazer experimenta\u00e7\u00f5es e\/ou explora\u00e7\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio que cada um possa reelaborar suas ideias, assumindo um papel intelectualmente ativo. Assim, as investiga\u00e7\u00f5es propostas e organizadas pelo professor devem visar \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de problemas e desafios que surjam do encontro entre os interesses das crian\u00e7as e os objetivos do trabalho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13922 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/5-1-300x130.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"130\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/5-1-300x130.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/5-1-1024x443.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/5-1-768x333.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/5-1.png 1420w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Isso refor\u00e7a a import\u00e2ncia em se trabalhar e organizar situa\u00e7\u00f5es de qualidade que estimulem os pequenos, desde muito cedo, a perguntar; instiguem a descoberta; estimulem o pensamento criativo, a investiga\u00e7\u00e3o e a capacidade para pensarem e expressarem suas ideias. A Ci\u00eancia \u00e9 um modo de entender a realidade. O que caracteriza a Ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um resultado, mas o processo que se percorreu para encontr\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Um aspecto importante da pr\u00e1tica cient\u00edfica \u00e9 fazer perguntas. Perguntas que obriguem a pensar, alargar o \u00e2mbito da experi\u00eancia normal, n\u00e3o deixando de considerar que se queremos desenvolver nas crian\u00e7as a capacidade de pensar por si pr\u00f3prias, n\u00f3s, adultos, temos de aprender a esperar.<\/p>\n<p>Ensinar e aprender Ci\u00eancias t\u00eam se mostrado necess\u00e1rio e ferramenta fundamental para ajudar a investigar, compreender e manter-se curiosas pelos fen\u00f4menos naturais, sociais e culturais que vivenciam diariamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Luciana Hubner<br \/>\nFormadora do Instituto Avisa L\u00e1<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13923 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/6-300x177.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"177\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/6-300x177.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/6-1024x604.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/6-768x453.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/6.png 1123w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Aprendizagens na experi\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Os registros realizados pela professora e crian\u00e7as antes, durante e depois das experi\u00eancias mostram que as curiosidades e hip\u00f3teses apresentadas s\u00e3o elementos para reflex\u00e3o-a\u00e7\u00e3o-reflex\u00e3o, em que a professora pode nortear suas a\u00e7\u00f5es ao intervir e provoc\u00e1-las, colocando-as a pensar sobre as mudan\u00e7as do tempo e suas implica\u00e7\u00f5es na vida cotidiana.<\/p>\n<p>Enquanto brincavam na chuva, observamos que estavam encantadas em vivenciar essa experi\u00eancia inusitada. Ocorreram diversas experimenta\u00e7\u00f5es, por\u00e9m o interesse em descer nos escorregadores e pular nas po\u00e7as de \u00e1gua que se formavam foi a prefer\u00eancia do grupo. Brincavam, riam, conversavam e inventaram um jogo competindo para ver quem dava o maior pulo. Entre as inquieta\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as, discutiram o que deveriam utilizar se a chuva \u201cestivesse maior\u201d e conclu\u00edram que usariam capas, galochas e guarda-chuvas. Por\u00e9m, se a chuva fosse \u201cmenorzinha\u201d, n\u00e3o precisariam do guarda-chuva, pois a<br \/>\ncapa seria prote\u00e7\u00e3o sufi ciente para que pudessem sentar no ch\u00e3o e descer no escorregador quando estes estivessem molhados.<\/p>\n<p>Nesse contexto, elas realizam investiga\u00e7\u00f5es sobre tamanho das po\u00e7as, cor da \u00e1gua antes e depois de brincar nelas, observam a \u00e1gua ou o gelo acumulado nas plantas, constroem autonomia para tirar e colocar roupas e acess\u00f3rios, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es com a temperatura e umidade, fazem compara\u00e7\u00f5es entre suas vestimentas bem como a dos adultos que est\u00e3o no mesmo espa\u00e7o, e aprendem a cuidar dos materiais, assim como lav\u00e1-los e organiz\u00e1-los, respeitando o meio em que vivem, ou seja, cuidam de si, do outro e do entorno.<\/p>\n<p>Os registros das professoras por meio de v\u00eddeos e imagens s\u00e3o utilizados como apoio \u00e0 mem\u00f3ria das crian\u00e7as, para que se reportem aos momentos vivenciados, e, assim, possam, com suas produ\u00e7\u00f5es, significar as experimenta\u00e7\u00f5es e revelar descobertas e interesses. Nessa proposta, uma interface com a linguagem visual est\u00e1 sendo constru\u00edda, e as crian\u00e7as, ao utilizarem diariamente suas viv\u00eancias como tem\u00e1tica para seus desenhos, avan\u00e7am em seu percurso gr\u00e1fico, percebendo que podem atribuir mais detalhes \u00e0s suas cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para valorizar as aprendizagens, um \u00e1lbum da turma vem sendo elaborado pela professora com a participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, com o intuito de registrar as mem\u00f3rias do grupo, deixando suas marcas por meio de desenhos e falas. Outra pr\u00e1tica que integra o \u00e1lbum s\u00e3o as fotografias. Iniciamos com fotos tiradas pelas professoras, e agora as crian\u00e7as passam a fazer esse registro no momento de explora\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os. O acervo das imagens que ser\u00e3o impressas tem por curadoria toda a turma.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13924 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/7-270x300.png\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/7-270x300.png 270w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/7.png 513w\" sizes=\"auto, (max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/p>\n<p>Pensar a organiza\u00e7\u00e3o das rotinas no espa\u00e7o de Educa\u00e7\u00e3o Infantil\u00b3 \u00e9 aprender a transcender o cotidiano, estabelecendo uma nova cultura de acordo com o tempo local. E do ponto de vista das crian\u00e7as, a pensar em como \u00e9 viver em Curitiba.<\/p>\n<p>Nossa maior conquista \u00e9 que as crian\u00e7as ter\u00e3o uma aprendizagem essencial que marcar\u00e1 sua mem\u00f3ria de inf\u00e2ncia: saber o qu\u00e3o maravilhoso \u00e9 brincar nos dias de chuva e que na escola as intera\u00e7\u00f5es e brincadeiras acontecem independentes das condi\u00e7\u00f5es do tempo.<\/p>\n<p><strong>Campo de experi\u00eancias: espa\u00e7os, tempos, quantidades, rela\u00e7\u00f5es e transforma\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>As crian\u00e7as s\u00e3o curiosas e procuram compreender o ambiente em que vivem. Suas caracter\u00edsticas, suas qualidades, os usos e a proced\u00eancia de diferentes elementos com os quais entram em contato, explicado, \u201co como\u201d e \u201co porqu\u00ea\u201d das coisas, dos fen\u00f4menos da natureza e dos fatos da sociedade. Para tanto, em suas pr\u00e1ticas cotidianas, elas aprendem a observar, a medir, a quantificar, a estabelecer compara\u00e7\u00f5es, a criar explica\u00e7\u00f5es e registros, criando uma rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente, com a sustentabilidade do planeta, com os conhecimentos tradicionais e locais, al\u00e9m do patrim\u00f4nio cientifico,<br \/>\nambiental e tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Base Nacional Comum Curricular \u2013 Educa\u00e7\u00e3o Infantil, 2015. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. (Para consulta p\u00fablica)<\/p>\n<hr \/>\n<h6>3 Segundo a fala de Maria Virginia Gastaldi na forma\u00e7\u00e3o realizada na Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Curitiba (PR).<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ADRIANA CRISTINA MILIORAN\u00c7A, ANDREA CRISTINA MILIORAN\u00c7A E TESSY ANNE DUARTE COSTA ROCHA\u00b9 ESTE ARTIGO ABORDA V\u00c1RIAS QUEST\u00d5ES IMPORTANTES: COMO AS CRIAN\u00c7AS APRENDEM SOBRE UM FEN\u00d4MENO DA NATUREZA E SUAS RELA\u00c7\u00d5ES COM O AMBIENTE, SOBRE AS PR\u00c1TICAS SOCIAIS DE PROTE\u00c7\u00c3O DO CORPO, E SOBRE A POSSIBILIDADE DE BRINCAR NA CHUVA, DE UM MODO GERAL PROIBIDO NAS [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":17124,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[],"class_list":{"0":"post-13917","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-64","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13917"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13917\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17128,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13917\/revisions\/17128"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17124"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}