{"id":13812,"date":"2015-08-04T21:50:49","date_gmt":"2015-08-05T00:50:49","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13812"},"modified":"2024-10-28T15:33:15","modified_gmt":"2024-10-28T18:33:15","slug":"revisao-e-analise-de-texto-bem-escrito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-63\/revisao-e-analise-de-texto-bem-escrito\/","title":{"rendered":"Revis\u00e3o e an\u00e1lise de texto bem escrito"},"content":{"rendered":"<p>THA\u00cdS SINDICE FAZENDA COELHO\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>PARA APERFEI\u00c7OAR A ESCRITA NARRATIVA, ALUNOS REFLETEM SOBRE QUEST\u00d5ES DISCURSIVAS<\/p>\n<hr \/>\n<p>Temos na escola um projeto intitulado Agora \u00e9 nossa vez&#8230; Para ler, imaginar e contar hist\u00f3rias. Seu produto final \u00e9 um livro que re\u00fane as produ\u00e7\u00f5es coletivas de todas as turmas de 1\u00ba at\u00e9 o 5\u00ba ano. Essa colet\u00e2nea \u00e9 lan\u00e7ada desde 2009, e a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o teve destaque na Bienal do Livro de S\u00e3o Paulo, por isso podemos dizer que se trata de um projeto envolvente e que conta com a participa\u00e7\u00e3o dos alunos.<\/p>\n<p>Os alunos do 3\u00ba ano leem o livro Viagem ao centro da Terra, de J\u00falio Verne, o que desperta neles o interesse por Contos de Aventura e repertoria para a produ\u00e7\u00e3o coletiva. No entanto, percebemos que era preciso ampliar esse repert\u00f3rio com contos mais breves e bem escritos, que os ajudassem a observar as caracter\u00edsticas e os elementos deste g\u00eanero. Al\u00e9m disso, inserimos etapas envolvendo uma reescrita coletiva e reescrita individual.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Professora do Col\u00e9gio Metodista de S\u00e3o Bernardo do Campo (SP), aluna do curso de especializa\u00e7\u00e3o em Alfabetiza\u00e7\u00e3o no Instituto Superior de Educa\u00e7\u00e3o Vera Cruz, p\u00f3s-graduanda em Fundamentos de uma educa\u00e7\u00e3o para o pensar pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13813 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1-3-300x251.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"251\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1-3-300x251.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1-3.png 717w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Constatada essa necessidade, fizemos a sele\u00e7\u00e3o de algumas hist\u00f3rias do livro Grandes aventuras: 30 hist\u00f3rias reais de coragem e ousadia\u00b2\u00a0e, durante um trimestre, os alunos acompanharam a leitura que fi z em voz alta. Na medida em<br \/>\nque l\u00edamos as hist\u00f3rias, constru\u00edmos dois cartazes que ficaram fixados na parede da sala com descobertas e informa\u00e7\u00f5es que poderiam nos ajudar no momento de produ\u00e7\u00e3o: um com os t\u00edtulos das hist\u00f3rias e outro com as caracter\u00edsticas de um aventureiro.<\/p>\n<p>Depois da leitura, selecionei duas hist\u00f3rias que julguei mais adequadas para uma reescrita, tendo como crit\u00e9rios a forma como estavam escritas. Escolhi as que mais se assemelhavam \u00e0 estrutura de contos, j\u00e1 que algumas hist\u00f3rias desse livro parecem relatos, as mais curtas e aquelas em que o conflito principal caracterizasse o g\u00eanero aventura, de prefer\u00eancia um acontecimento rico em detalhes e express\u00f5es.<\/p>\n<p>Por vota\u00e7\u00e3o dos alunos, ficou decidido que far\u00edamos a reescrita da hist\u00f3ria do Davy Croquet \u2013 Passagem perigosa \u2013 e antes de iniciarmos defini com os alunos o contexto da produ\u00e7\u00e3o: quem seria o leitor, onde circularia, se far\u00edamos o livro. Como primeiro passo para a reescrita, fizemos o planejamento da produ\u00e7\u00e3o, com os principais epis\u00f3dios da hist\u00f3ria. Nesse momento, ajudei os alunos a perceberem que havia um epis\u00f3dio importante para a compreens\u00e3o do leitor e que, no texto original, estava fora da hist\u00f3ria, aparecia num box lateral e situava o leitor trazendo o contexto. O planejamento foi feito coletivamente na lousa, eu sendo a escriba e os alunos fazendo o registro no caderno.<\/p>\n<p>Em outro dia, antes de iniciarmos a reescrita, retomei os objetivos da atividade e, com o planejamento em m\u00e3os, demos in\u00edcio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. Assumi o papel de escriba e fiz poucas interven\u00e7\u00f5es, buscando focar apenas nos epis\u00f3dios que precis\u00e1vamos garantir, deixando os alunos mais \u00e0 vontade para recontarem da melhor forma que conseguiam. Eles tamb\u00e9m deram as sugest\u00f5es de pontua\u00e7\u00e3o que marcam o discurso direto.<\/p>\n<p>Ao t\u00e9rmino da produ\u00e7\u00e3o, percebi que havia alunos incomodados com algumas partes da hist\u00f3ria, mas j\u00e1 estavam dispersos e ansiosos para conclu\u00ed-la. Perguntei ent\u00e3o quais problemas eles identificavam de maneira geral e que gostariam de melhorar no momento da revis\u00e3o. Identificaram a repeti\u00e7\u00e3o de palavras e o desfecho confuso.<\/p>\n<p><strong>Revis\u00e3o da primeira vers\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Li com calma o texto dos alunos e, com base nos problemas que eles haviam notado, grifei alguns trechos com repeti\u00e7\u00e3o de palavras. Propus que olhassem para nossa produ\u00e7\u00e3o e refletissem, tentando perceber quais eram os problemas que eu havia identificado. Expliquei que dever\u00edamos deixar a produ\u00e7\u00e3o melhor, que esta etapa os ajudaria na produ\u00e7\u00e3o individual e tamb\u00e9m na produ\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do livro Agora \u00e9 a nossa vez&#8230;<\/p>\n<p>Durante nossa conversa, alguns alunos mencionaram o problema de repeti\u00e7\u00e3o de palavras logo de in\u00edcio, enquanto outros dois opinaram que a hist\u00f3ria estava \u201cnormal\u201d, estava boa. A fim de problematizar mais a quest\u00e3o para que todos ficassem realmente incomodados, eu convidei o grupo a decidir se o texto estava bom ou se havia muitas repeti\u00e7\u00f5es. Assim, alguns alunos foram citando as repeti\u00e7\u00f5es, convencendo a todos de que era poss\u00edvel melhorar o texto. Na medida em que falavam, eu indicava no computador e, assim, iniciamos a revis\u00e3o de fato. Combinei que leria parte a parte e quem tivesse uma ideia para melhorar levantaria a m\u00e3o para que eu parasse e discut\u00edssemos a respeito do que estava sendo proposto. A cada momento surgia um tipo de observa\u00e7\u00e3o, por exemplo, a necessidade de substituir um pronome por um nome\u00b3.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>2 Richard Platt. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letrinhas, 2013.<\/h6>\n<p>Em v\u00e1rios momentos os alunos notavam que era poss\u00edvel retirar algumas palavras sem substitu\u00ed-las por outras ou substitu\u00ed-las por pontua\u00e7\u00f5es, e eu procurava problematizar voltando o olhar deles para o sentido e a compreens\u00e3o do leitor, afinal, ao produzir um texto, temos de nos colocar o tempo todo no lugar do leitor.<\/p>\n<p><strong>Antes<\/strong><\/p>\n<p>Ele precisava ir para a casa do cunhado pegar um barril de p\u00f3lvora. S\u00f3 que para isso ele precisava atravessar um rio que estava quase transbordando e muito gelado se ele entrasse no rio ele iria morrer congelado. A mulher de Davy insistiu para que ele n\u00e3o fosse: \u2013 Se voc\u00ea for e n\u00e3o voltar, n\u00f3s vamos morrer de fome do mesmo jeito. As mulheres n\u00e3o podiam ca\u00e7ar e Davy ia levar todas as armas de ca\u00e7a, mas ele ignorou ela e foi atravessar o rio at\u00e9 a casa do cunhado.<\/p>\n<p><strong>Professora: <\/strong>O M. est\u00e1 tentando tirar \u201co rio\u201d para n\u00e3o repetir muito&#8230; o perigo era o qu\u00ea? Qual era o perigo?<\/p>\n<p><strong>Alunos: <\/strong>Era a correnteza&#8230; Era o mar!<\/p>\n<p><strong>P:<\/strong> Sim, parecia um mar&#8230;<br \/>\n<strong>L:<\/strong> Ali no ele podia por um e.<br \/>\n<strong>P: <\/strong>Sim&#8230; mas temos de evitar o e tamb\u00e9m, n\u00e3o temos?! Os alunos estavam bem envolvidos e discutiam bastante entre si sobre quais palavras usar e refletiam sobre o significado que a palavra poderia teria nesse contexto. Ent\u00e3o expus e esclareci ao grupo qual era a sugest\u00e3o de um dos alunos:<br \/>\n<strong>P:<\/strong> Era um risco&#8230; Mateus est\u00e1 sugerindo que aqui, em vez de iria (como era um risco) devemos colocar poderia. Vamos ver como fica&#8230; mas aqui em e muito gelado se entrasse poderia morrer congelado n\u00e3o est\u00e1 esquisito? Parece que est\u00e1 faltando algo.<br \/>\n<strong>M:<\/strong> e se entrasse&#8230;<br \/>\n<strong>J:<\/strong> S\u00f3 gelado?<br \/>\n<strong>R.<\/strong> e outras: V\u00edrgula! Coloca uma v\u00edrgula no gelado.<br \/>\n<strong>L:<\/strong> Pr\u00f4, pode tirar esse ele&#8230; vai ficar A mulher de Davy insistiu para que n\u00e3o fosse. Enquanto eu digitava, os alunos sugeriram a troca de a mulher por sua mulher, mas na sequ\u00eancia os alunos come\u00e7aram uma grande discuss\u00e3o em torno de as mulheres n\u00e3o podiam ca\u00e7ar. Essa informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava na hist\u00f3ria original, e muitos estavam incomodados com isso, ficaram inclusive bastante exaltados e come\u00e7aram a discutir direitos das mulheres! Ent\u00e3o fiz uma coloca\u00e7\u00e3o para que voltassem ao assunto e \u00e0 revis\u00e3o:<br \/>\n<strong>P:<\/strong> A quest\u00e3o \u00e9 a seguinte: as mulheres podem ca\u00e7ar se quiserem, mas estamos falando de uma \u00e9poca de 1800 em que se passa essa hist\u00f3ria, e que realmente as mulheres n\u00e3o tinham a fun\u00e7\u00e3o de sair para ca\u00e7ar. Diferente de hoje em dia. O que temos que pensar \u00e9 assim: essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para nossa hist\u00f3ria ou n\u00e3o&#8230; se ela se encaixa na hist\u00f3ria ou n\u00e3o.<br \/>\n<strong>M:<\/strong>Meu&#8230; 1800! Estamos em 2015. Mudou coisa pra caramba!<br \/>\n<strong>P:<\/strong> Ent\u00e3o querem completar essa informa\u00e7\u00e3o no texto, que era nessa \u00e9poca?<br \/>\n<strong>G:<\/strong> \u00c9&#8230; coloca nessa \u00e9poca&#8230;, porque sen\u00e3o ia ficar estranho.<\/p>\n<p><strong>Depois<\/strong><\/p>\n<p>Ele precisava ir para a casa do cunhado pegar um barril de p\u00f3lvora. S\u00f3 que para isso teria que atravessar um rio que estava quase transbordando e muito gelado, se entrasse poderia morrer congelado.<br \/>\nSua mulher insistiu para que Davy n\u00e3o fosse: \u2013 Se voc\u00ea for e n\u00e3o voltar, n\u00f3s vamos morrer de fome do mesmo jeito. Nessa \u00e9poca as mulheres n\u00e3o podiam ca\u00e7ar, mas Davy ignorou sua esposa e foi atravessar o rio at\u00e9 a casa do cunhado dele.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>3 Constru\u00edmos um protocolo registrando todas essas passagens e os di\u00e1logos na \u00edntegra, por\u00e9m aqui reproduzimos apenas alguns momentos para ilustrar esse relato.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13814 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/2-3-300x141.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"141\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/2-3-300x141.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/2-3-1024x480.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/2-3-768x360.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/2-3.png 1278w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Em outras situa\u00e7\u00f5es, instiguei os alunos a encontrarem sin\u00f4nimos para evitar as repeti\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Antes<\/strong><\/p>\n<p>Davy precisava de um barco para atravessar o rio, mas n\u00e3o tinha e tinha que atravessar o rio e enfrentar as correntezas e o frio. Ele observou uma \u00e1rvore numa ilhota e cortou o galho maior e colocou no meio do tronco e se pendurou no galho para n\u00e3o cair no rio e foi atravessando at\u00e9 ele sentir uma tora e se equilibrou nela com os p\u00e9s.<\/p>\n<p><strong>L:<\/strong> Nossa&#8230; pelo amor de Deus! Tinha e tinha!<br \/>\n<strong>P:<\/strong> Qual palavra podemos colocar aqui&#8230; qual \u00e9 sin\u00f4nimo de tinha?<br \/>\n<strong>V:<\/strong> Deixa esse primeiro tinha e tira outro.<br \/>\n<strong>L:<\/strong> P\u00f5e uma v\u00edrgula.<br \/>\n<strong>Outros:<\/strong> Tira essa parte atravessar o rio.<br \/>\n<strong>M:<\/strong> e precisava.<br \/>\n<strong>P:<\/strong> Mas vai ficar precisava de novo&#8230; algu\u00e9m lembra de alguma palavra para colocar no lugar de precisava, para n\u00e3o repetir?<br \/>\n<strong>A:<\/strong> Teria!<br \/>\n<strong>S:<\/strong> Tem que colocar Davy no lugar de ele observou.<br \/>\n<strong>P:<\/strong> Mas o que vai acontecer se eu colocar outro Davy aqui?<br \/>\n<strong>L:<\/strong> 1, 2, 3, 4, 5&#8230; muito Davy!<br \/>\n<strong>P:<\/strong> Muitas vezes, n\u00f3s podemos usar palavras que falam da pessoa sem dizer o nome dela. Por exemplo, na Chapeuzinho n\u00f3s usamos a menina&#8230; para o lobo podemos usar feroz&#8230;nesse caso do Davy o que ele \u00e9? O que podemos falar sobre ele?<br \/>\n<strong>M:<\/strong> Aventureiro!<br \/>\n<strong>V:<\/strong> Corajoso!<br \/>\n<strong>P:<\/strong> Agora, Vit\u00f3ria, \u00e9 aquela parte dos es que voc\u00ea estava incomodada&#8230; Como podemos melhorar? Esse \u00e9 o nosso foco de hoje&#8230; melhorar essas palavras repetidas!<br \/>\n<strong>G:<\/strong> Coloca assim: observou uma \u00e1rvore numa ilhota cortou o galho maior colocou no meio do tronco e pendurou-se.<br \/>\n<strong>P:<\/strong> Certo&#8230; tiro esse e cortou&#8230; mas o que coloco aqui? Uma v\u00edrgula? Ponto?<br \/>\n<strong>G:<\/strong> V\u00edrgula!<\/p>\n<p><strong>Depois<\/strong><\/p>\n<p>Davy precisava de um barco para chegar do outro lado da margem, mas n\u00e3o tinha, teria que enfrentar as correntezas e o frio.<\/p>\n<p>O corajoso aventureiro observou uma \u00e1rvore numa ilhota, cortou o galho maior, colocou-o no meio do tronco para se pendurar e n\u00e3o cair no rio e foi atravessando at\u00e9 sentir uma tora e equilibrou-se nela com os p\u00e9s. Davy caiu na \u00e1gua, mas j\u00e1 estava perto da margem. Nadou, e nadou at\u00e9 terra firme, finalmente chegou na casa do cunhado e conseguiu o barril de p\u00f3lvora.<\/p>\n<p><strong>An\u00e1lise de um texto bem escrito<\/strong><\/p>\n<p>Ainda que o texto coletivo estivesse melhor quando comparado \u00e0 primeira vers\u00e3o, havia um problema importante a ser resolvido: o texto n\u00e3o continha elementos nem linguagem adequada ao g\u00eanero aventura. Para que os alunos pudessem perceber tais caracter\u00edsticas, propus a an\u00e1lise do texto original, retomando nossos objetivos e contexto de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Analisamos tamb\u00e9m os cartazes que elaboramos para relembrar algumas coisas que fomos descobrindo, e assim amplia-los.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13815 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/3-3-148x300.png\" alt=\"\" width=\"148\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/3-3-148x300.png 148w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/3-3.png 329w\" sizes=\"auto, (max-width: 148px) 100vw, 148px\" \/><\/p>\n<p><strong>P:<\/strong> Digam quais caracter\u00edsticas uma hist\u00f3ria tem de ter para ser considerada aventura.<br \/>\nAs crian\u00e7as foram falando e a professora anotando na lousa: Emo\u00e7\u00e3o, a\u00e7\u00e3o, perigo, suspense, tens\u00e3o, desafio.<br \/>\n<strong>P:<\/strong> Muito bem! Legal! Concordo com voc\u00eas! Ent\u00e3o hoje n\u00f3s vamos nos debru\u00e7ar sobre o texto original da Passagem perigosa, e, em dupla, voc\u00eas v\u00e3o buscar por express\u00f5es ou palavras que d\u00e3o essa sensa\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00e3o, perigo, a\u00e7\u00e3o&#8230; ou suspense, tens\u00e3o&#8230; Pode ser que voc\u00eas encontrem uma passagem que d\u00ea essa impress\u00e3o quando l\u00ea, ou uma palavra apenas. Discutam com seu colega e v\u00e3o grifando. Depois vamos compartilhar o que voc\u00eas encontraram, t\u00e1?<br \/>\nLeonardo e Gabriel conversavam entre si:<br \/>\n<strong>L:<\/strong> Abateu oito ursos. Hum&#8230; abateu \u00e9 tipo matou ou morreu&#8230; Voc\u00ea acha que abateu a gente tem que grifar como a\u00e7\u00e3o, ou n\u00e3o?<br \/>\n<strong>G:<\/strong> \u00c9, eu acho que \u00e9 uma boa.<br \/>\n<strong>L<\/strong>: No come\u00e7o do inverno abateu oito ursos.<br \/>\n<strong>G:<\/strong> E muitos animais, grifa tamb\u00e9m.<br \/>\nMilena e Rafaela estavam lendo juntas em voz alta sem grifar nada. Professora se aproxima e acompanha a leitura.<br \/>\n<strong>P:<\/strong> Rafa, l\u00ea de novo essa parte&#8230;<br \/>\n<strong>R:<\/strong> Afundando os p\u00e9s na neve, praticamente se arrastou at\u00e9 o rio&#8230;<br \/>\n<strong>P:<\/strong> O que voc\u00eas imaginam quando leem essa parte? Que sensa\u00e7\u00e3o que d\u00e1?<br \/>\n<strong>R:<\/strong> (fazendo careta) Ah&#8230; frio.<br \/>\n<strong>M:<\/strong> Uma sensa\u00e7\u00e3o de perigo.<br \/>\n<strong>P:<\/strong> De frio&#8230; de perigo! D\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, que est\u00e1 dif\u00edcil dele passar&#8230; por qu\u00ea? Que parte, que palavras ele usou que deu essa sensa\u00e7\u00e3o em voc\u00eas? Elas leem de novo em voz alta.<br \/>\n<strong>R:<\/strong> Ah, se arrastando e no frio! Acho que seria&#8230; parece que a gente se gelasse!<br \/>\n<strong>P:<\/strong> Ent\u00e3o vamos grifar essa parte que voc\u00eas tiveram essa sensa\u00e7\u00e3o de frio. Na nossa hist\u00f3ria n\u00f3s nem contamos desse caminho dele at\u00e9 o rio&#8230; n\u00f3s dissemos logo que ele chegou no rio. Voc\u00eas acham que contar essa parte desse jeito que o autor fez faz diferen\u00e7a?<br \/>\n<strong>M:<\/strong> Ah faz&#8230; porque d\u00e1 mais sensa\u00e7\u00e3o de frio e dif\u00edcil&#8230;<\/p>\n<p>Depois disso, em dupla, buscaram express\u00f5es ou palavras que dessem a impress\u00e3o de emo\u00e7\u00e3o e aventura.<\/p>\n<p>Foram muitas as descobertas que completaram o cartaz que poderia nos ajudar no momento da revis\u00e3o final e da produ\u00e7\u00e3o individual.<\/p>\n<p><strong>Express\u00f5es e palavras<\/strong><\/p>\n<p>\u2666 Implorou<br \/>\n\u2666 Afundou os p\u00e9s<br \/>\n\u2666 Se arrastou<br \/>\n\u2666 Torrente agitada<br \/>\n\u2666 Respirou fundo<br \/>\n\u2666 Impacto<br \/>\n\u2666 Ansioso<br \/>\n\u2666 Dif\u00edcil travessia<br \/>\n\u2666 Frio terr\u00edvel<br \/>\n\u2666 Se descuidou<br \/>\n\u2666 Forquilha<br \/>\n\u2666 No entanto<br \/>\n\u2666 Minutos que pareciam intermin\u00e1veis<br \/>\n\u2666 Com cuidado<br \/>\n\u2666 Submerso<br \/>\n\u2666 Fatalmente morreria<br \/>\n\u2666 Apalpou<br \/>\n\u2666 Miraculosamente<br \/>\n\u2666 Manter o equil\u00edbrio<br \/>\n\u2666 Respira\u00e7\u00e3o suspensa<br \/>\n\u2666 Cerrando os dentes<\/p>\n<p>Os alunos tinham o cartaz com as express\u00f5es fixado na lousa e foram dando sugest\u00f5es no texto coletivo, que estava dispon\u00edvel no tel\u00e3o. Fui acrescentando as sugest\u00f5es e intermediando as reflex\u00f5es, com o foco nos elementos caracter\u00edsticos do g\u00eanero aventura e, novamente, colocando-os no lugar do leitor, nas sensa\u00e7\u00f5es que gostar\u00edamos de provocar. Foram muitas as express\u00f5es e elementos caracter\u00edsticos do g\u00eanero aventura que os alunos inseriram na produ\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o individual<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse trabalho intenso de produ\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o coletiva, os alunos produziram suas pr\u00f3prias reescritas individualmente durante dois dias. Tinham em m\u00e3os o caderno com o planejamento que havia sido feito coletivamente, bem como os cartazes expostos no mural da sala.<\/p>\n<p>Num primeiro momento estavam em cadeiras organizadas individualmente e, no segundo dia, em dupla, de modo que puderam discutir e relembrar a hist\u00f3ria em parceria. Fiz isso porque notei que os alunos queriam discutir e conversar sobre a hist\u00f3ria. Diante do texto conclu\u00eddo, busquei alternativas para ajudar os alunos a escreverem melhor. Primeiramente sugeri que trocassem suas produ\u00e7\u00f5es com outros colegas e que fixassem bilhetes com sugest\u00f5es de revis\u00e3o. Foi um momento muito rico e interessante, pois os alunos fizeram anota\u00e7\u00f5es com autonomia e, de fato, escreveram sugest\u00f5es e dicas pertinentes. Por outro lado, tamb\u00e9m leram os recados com aten\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois, procurei fazer uma an\u00e1lise dos problemas que havia e fiz observa\u00e7\u00f5es e sugest\u00f5es em post it e devolvi as produ\u00e7\u00f5es dos alunos com todas as sugest\u00f5es. Os alunos, ent\u00e3o, passaram a hist\u00f3ria a limpo, concluindo o processo de revis\u00e3o do texto.<\/p>\n<p><strong>Reflex\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>O meu objetivo com esse trabalho era levar os alunos a refletirem sobre quest\u00f5es discursivas do texto e ajud\u00e1-los a escrever melhor, a serem mais competentes nessa habilidade, e que eles pudessem desenvolver um olhar mais cr\u00edtico com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas pr\u00f3prias produ\u00e7\u00f5es. Busquei fazer com que encarassem o texto \u201cmal escrito\u201d como um objeto sobre o qual poderiam pensar, e queria que os alunos percebessem que revisar \u00e9 parte do saber escrever.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Dos livros de aventura para o mar de verdade<\/strong><\/p>\n<p>O c\u00e9lebre navegador brasileiro Amyr Klink diz em seu livro Linha-d\u2019\u00e1gua: entre estaleiros e homens do mar, que: \u201cDescobri o mar, o oceano e o dom de navegar no s\u00f3t\u00e3o, em livros.\u201d Entre os muitos livros de aventura que leu cita o Le Grand Hiver, de Sally Ponce; Endurance &#8211; A lend\u00e1ria expedi\u00e7\u00e3o de Schackleton \u00e0 Ant\u00e1rtida; de Caroline Alexander, Shackleton James e Margery Fisher; A pior viagem do mundo, de Apsley Cherry-Garrard; The South Pole, de Roald Amundsen, e muitos mais. Ler sobre essas magn\u00edficas e corajosas viagens em dire\u00e7\u00e3o ao gelo e perigos do p\u00f3lo sul, al\u00e9m de sua intimidade com suas canoinhas, dispararam\u00a0em Amyr o desejo de partir ele mesmo em busca de um sonho.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13817 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/5-2-146x300.png\" alt=\"\" width=\"146\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/5-2-146x300.png 146w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/5-2.png 183w\" sizes=\"auto, (max-width: 146px) 100vw, 146px\" \/><\/p>\n<p>Planejei momentos de produ\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o coletiva, pois acredito que os procedimentos que os alunos utilizam dependem, em grande parte, da experi\u00eancia que eles t\u00eam em situa\u00e7\u00f5es de an\u00e1lise coletiva, sob orienta\u00e7\u00e3o, \u00e9 claro, do professor. Preocupei-me, no entanto, em mediar as discuss\u00f5es e reflex\u00f5es, sem dar respostas prontas nem focar simplesmente em erros ortogr\u00e1ficos. Queria que, de fato, os pr\u00f3prios alunos, como produtores do texto, fizessem os ajustes que estivessem ao alcance deles, e que a revis\u00e3o do texto fosse feita por eles.<\/p>\n<p>Com a primeira produ\u00e7\u00e3o coletiva em m\u00e3os, eu procurei identificar e analisar quais eram os problemas que o texto apresentava e planejei as atividades que vieram em seguida com base nessa reflex\u00e3o. Entendo que essa organiza\u00e7\u00e3o foi fundamental para os acertos posteriores. Eu pude antecipar algumas interven\u00e7\u00f5es, pois sabia qual era o foco das revis\u00f5es e das an\u00e1lises; eu tinha tra\u00e7ado alguns objetivos bem pontuais que, para mim, estavam claros. Basicamente eram: evitar as repeti\u00e7\u00f5es e inserir elementos que caracterizassem o g\u00eanero aventura. Tamb\u00e9m tinha em mente que era preciso orientar a reflex\u00e3o dos alunos para as m\u00faltiplas possibilidades que certamente apareceriam, e que os alunos eram perfeitamente capazes de dar maior coes\u00e3o ao texto.<\/p>\n<p>Minha inten\u00e7\u00e3o agora \u00e9 trabalhar quest\u00f5es de pontua\u00e7\u00e3o, sabendo que esse procedimento \u00e9 parte da atividade de textualiza\u00e7\u00e3o, mas isso \u00e9 outra hist\u00f3ria!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>THA\u00cdS SINDICE FAZENDA COELHO\u00b9 PARA APERFEI\u00c7OAR A ESCRITA NARRATIVA, ALUNOS REFLETEM SOBRE QUEST\u00d5ES DISCURSIVAS Temos na escola um projeto intitulado Agora \u00e9 nossa vez&#8230; Para ler, imaginar e contar hist\u00f3rias. Seu produto final \u00e9 um livro que re\u00fane as produ\u00e7\u00f5es coletivas de todas as turmas de 1\u00ba at\u00e9 o 5\u00ba ano. 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