{"id":13780,"date":"2015-08-04T19:10:06","date_gmt":"2015-08-04T22:10:06","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13780"},"modified":"2024-10-28T15:33:48","modified_gmt":"2024-10-28T18:33:48","slug":"novidades-a-mesa-do-bebe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-63\/novidades-a-mesa-do-bebe\/","title":{"rendered":"Novidades \u00e0 mesa do beb\u00ea"},"content":{"rendered":"<p>ELIANA CHALMERS SISLA E ELZA CORSI\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>ALIMENTAR BEB\u00caS NO AMBIENTE COLETIVO DA EDUCA\u00c7\u00c3O INFANTIL DEVE SER VISTO COMO UM MOMENTO DE APRENDIZAGEM IMPORTANTE QUE REQUER DI\u00c1LOGO ENTRE AQUELES QUE CUIDAM<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13781 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1-229x300.png\" alt=\"\" width=\"229\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1-229x300.png 229w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1.png 558w\" sizes=\"auto, (max-width: 229px) 100vw, 229px\" \/><\/p>\n<p>Os pais das crian\u00e7as s\u00f3 querem saber se ela comeu, n\u00e3o querem saber o que aprendeu. Ouvi a reclama\u00e7\u00e3o de uma diretora de creche e ponderei com ela que \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o leg\u00edtima dos pais. Por esta raz\u00e3o \u00e9 que a alimenta\u00e7\u00e3o dos pequenos deve ser objeto de muita troca entre escola e fam\u00edlia. H\u00e1 quest\u00f5es culturais, afetivas e de aprendizagens cognitivas envolvidas, al\u00e9m da ingest\u00e3o de alimentos para viver.<\/p>\n<p>Por volta dos seis meses, conforme orienta\u00e7\u00e3o do pediatra, al\u00e9m do leite, a crian\u00e7a a ingerir alguns alimentos em forma de papinhas e, tamb\u00e9m, suco e frutas in natura para complementar sua alimenta\u00e7\u00e3o. Esta etapa importante na vida da crian\u00e7a representa muitas novidades e descobertas, que podem trazer tamb\u00e9m d\u00favidas e conflitos. Educadores e pais ter\u00e3o papel importante na rela\u00e7\u00e3o que a crian\u00e7a estabelecer\u00e1 com os alimentos e na maneira como alcan\u00e7ar\u00e1 autonomia para participar das refei\u00e7\u00f5es com os colegas, em torno de um ano.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Eliana Chalmers Sisla \u00e9 psic\u00f3loga e Elza Corsi \u00e9 nutricionista, ambas formadoras do Instituto Avisa L\u00e1 em Gest\u00e3o para os Cuidados, Sa\u00fade e Bem-Estar<\/h6>\n<p>Cada crian\u00e7a tem seu ritmo pr\u00f3prio, e, neste sentido, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fixar normas institucionais r\u00edgidas para as transi\u00e7\u00f5es alimentares. Entretanto, h\u00e1 algumas dicas que podem ajudar os profissionais da creche e os familiares a conduzirem esse processo, assim como alguns par\u00e2metros com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as na forma de alimentar as crian\u00e7as que levam em conta o desenvolvimento motor, as necessidades afetivas e os aspectos culturais envolvidos na alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13782 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/2-300x172.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"172\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/2-300x172.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/2-1024x589.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/2-768x441.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/2.png 1030w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Alimenta\u00e7\u00e3o e v\u00ednculos afetivos<\/strong><\/p>\n<p>O momento da alimenta\u00e7\u00e3o repleto de est\u00edmulos representa para o rec\u00e9m-nascido um dos ou a mamadeira, o colo, os cheiros, o calor da m\u00e3e ou de quem d\u00e1 a mamadeira, as vozes, os ru\u00eddos do entorno formam um dos mais importantes contextos para o desenvolvimento infantil. Assim, satisfa\u00e7\u00e3o e prazer, contato corporal, palavras afetivas ou, em muitos casos, atitudes negativas est\u00e3o intimamente relacionados com o ato de se alimentar e \u00e9 por meio dessas sucessivas experi\u00eancias cotidianas que a crian\u00e7a estabelecer\u00e1 um v\u00ednculo com quem dela cuida.<\/p>\n<p>Por esse motivo, nas unidades educativas, as refei\u00e7\u00f5es devem ser momentos privilegiados para a constru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos entre a educadora e a crian\u00e7a, representando momentos de alegria, de satisfa\u00e7\u00e3o e de encontro. Nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apressar as refei\u00e7\u00f5es ou ignorar as diferen\u00e7as dos tempos de cada uma. Afinal a crian\u00e7a est\u00e1 construindo uma refer\u00eancia interna de fome e de saciedade, bem como rela\u00e7\u00f5es com seu meio; entre eles, o v\u00ednculo com sua educadora. H\u00e1 que se conciliar os hor\u00e1rios institucionais com flexibilidade para atender \u00e0s necessidades singulares das crian\u00e7as.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13783 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/3-300x212.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"212\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/3-300x212.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/3.png 485w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>As refei\u00e7\u00f5es s\u00e3o tamb\u00e9m fonte de in\u00fameras aprendizagens ao longo dos tr\u00eas primeiros anos. Aprender a comer com a colher, se acostumar aos novos sabores dos alimentos, mastigar os alimentos s\u00f3lidos, pegar com a m\u00e3o, fazer uso do talher e do copo, sentar-se no cadeir\u00e3o e, depois, \u00e0 mesa com os colegas. As atitudes da educadora precisam contemplar e respeitar a individualidade de cada crian\u00e7a, sua forma particular de ser e de se expressar, por via da observa\u00e7\u00e3o atenta e da compreens\u00e3o inteligente e reflexiva das suas necessidades.<\/p>\n<p>Aprender a ler as manifesta\u00e7\u00f5es de sofrimento, de desconforto e de satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das compet\u00eancias da educadora de ber\u00e7\u00e1rio. Identificar as peculiaridades e a personalidade de cada crian\u00e7a, estar atenta ao choro, \u00e0 irrita\u00e7\u00e3o, fome e saciedade, sede, levantando hip\u00f3teses sobre as poss\u00edveis causas e atribuir sentido, reconhecer e validar esses sentimentos, \u00e9 tarefa complexa que precisa ser partilhada. O gestor da unidade, a colega de trabalho e os pais s\u00e3o bons aliados na busca das solu\u00e7\u00f5es de conforto para a crian\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Planejamento a partir da observa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Considerando que as situa\u00e7\u00f5es de cuidados com o beb\u00ea s\u00e3o momentos privilegiados para a constru\u00e7\u00e3o de um estreito relacionamento e estabelecimento de v\u00ednculo, \u00e9 necess\u00e1rio garantir dentro da rotina do coletivo que a crian\u00e7a seja alimentada individualmente e, depois, em pequenos grupos, durante o primeiro ano de vida.<\/p>\n<p>Isso significa um bom esfor\u00e7o de planejamento do servi\u00e7o da unidade. Entre as a\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel estabelecer uma escala de alimenta\u00e7\u00e3o, troca e sono, conforme o ritmo observado de cada crian\u00e7a do grupo. Algumas dormem antes de comer, outras precisam comer para depois dormir, algumas s\u00e3o mais \u00e1vidas, outras mais tolerantes, algumas se alimentam em casa ao acordar e ter\u00e3o fome mais cedo no almo\u00e7o; enfim todas essas vari\u00e1veis est\u00e3o presentes no cotidiano do ber\u00e7\u00e1rio e precisam ser objeto de reflex\u00e3o dos educadores do grupo, em conjunto com os gestores e, servirem de base para a tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Individualizar e flexibilizar as a\u00e7\u00f5es de cuidado, respeitando o ritmo de cada crian\u00e7a, contrariamente ao que se pratica em geral, em que os beb\u00eas precisam se adaptar \u00e0 rotina excessivamente coletiva, constitui-se um princ\u00edpio a ser observado e necessita compreens\u00e3o de toda a equipe envolvida. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso cuidar para que as crian\u00e7as muito pequenas n\u00e3o fiquem esperando as outras terminarem de comer. Assim que acabam devem ser encaminhadas para a troca, n\u00e3o se esquecendo de lavar as m\u00e3os da crian\u00e7a antes e depois de comerem.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13784 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/4-300x141.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"141\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/4-300x141.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/4-1024x482.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/4-768x361.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/4.png 1180w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Regra de ouro<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introduzir uma novidade de cada vez<\/strong><br \/>\nDessa forma, a educadora tem maiores possibilidades de avaliar os resultados e as manifesta\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s novidades e retroceder quando for o caso.<\/p>\n<p><strong>Nenhuma colherada a mais<\/strong><br \/>\n\u00c9 sempre a crian\u00e7a quem deve decidir quanto necessita comer. Dessa forma aprender\u00e1 a regular suas necessidades biol\u00f3gicas de fome e saciedade.<\/p>\n<p><strong>Organiza\u00e7\u00e3o do local e o clima das refei\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Na sala dos grupos, no refeit\u00f3rio ou outro espa\u00e7o existente \u00e9 poss\u00edvel organizar um local espec\u00edfico, tranquilo, para alimentar as crian\u00e7as bem pequenas com mamadeiras e tamb\u00e9m para a introdu\u00e7\u00e3o das primeiras papinhas ainda no colo. \u00c9 preciso assegurar que a educadora esteja confortavelmente sentada com p\u00e9s e bra\u00e7os apoia dos e tudo ao alcance das m\u00e3os: o alimento ou a mamadeira, o babador, o pano de limpeza. Uma poltrona com bra\u00e7os e uma mesa de apoio s\u00e3o bastante \u00fateis e permitem \u00e0 educadora estar bem posicionada\u00b2.<\/p>\n<p>\u00c9 importante criar um clima de intimidade e evitar os est\u00edmulos ao redor, como som, luz, brinquedos, que podem distrair a aten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. Afinal, o foco \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que ali se estabelece. Enquanto isso, as outras crian\u00e7as exploram materiais e brincam com autonomia num espa\u00e7o seguro, ou dormem sob os cuidados de outra educadora.<\/p>\n<p><strong>O que a educadora precisa observar em cada crian\u00e7a e conversar com os familiares<\/strong><\/p>\n<p>\u2666 Como \u00e9 o ritmo biol\u00f3gico e a rotina da crian\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o ao sono, fome, sede e evacua\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2666 Que posturas a crian\u00e7a j\u00e1 conquistou: rolar, se arrastar, sentar (por si s\u00f3), engatinhar e andar.<br \/>\n\u2666 Qual \u00e9 seu n\u00edvel de toler\u00e2ncia para aguardar ser atendida na fome, sono e troca.<br \/>\n\u2666 Se os dentes j\u00e1 nasceram.<br \/>\n\u2666 Por quais alimentos demonstra predile\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2666 A temperatura dos alimentos preferidos. Aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o oferecer alimentos frios, nem quentes demais.<br \/>\n\u2666 Verificar se sente mais sede se comparada \u00e0s demais crian\u00e7as. Suar muito pode ser um indicador. \u00c9 necess\u00e1rio oferecer permanentemente \u00e1gua ou suco.<br \/>\n\u2666 Observar como demonstra estar saciada.<br \/>\n\u2666 O que gera recusa.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>2 Baseado no manual descritivo para aquisi\u00e7\u00e3o de mobili\u00e1rio \u2013 Implanta\u00e7\u00e3o da escola de Ensino Infantil \u2013 FNDE.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13786 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/6-300x266.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/6-300x266.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/6.png 571w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Beb\u00eas \u201cdonos da situa\u00e7\u00e3o\u201d ou os conflitos na hora de comer<\/strong><\/p>\n<p>O pediatra americano T. B. Brazelton demonstrou que a recusa em se alimentar est\u00e1 relacionada \u00e0 negativa, pelo adulto, da independ\u00eancia da crian\u00e7a para gerir por si pr\u00f3pria sua alimenta\u00e7\u00e3o. A partir dos sete meses com as novas conquistas motoras para se sentar e para pegar pequenos objetos (ou alimentos!) entre o polegar e o indicador (in\u00edcio do movimento de pin\u00e7a que estar\u00e1 completo em torno de um ano) toda uma imensa gama de possibilidade de explora\u00e7\u00e3o do mundo se abre para o beb\u00ea, entre elas poder pegar peda\u00e7os de comida e levar \u00e0 boca e aprender a manipular a colher. Segundo o pediatra, o beb\u00ea deseja ser o \u201cdono da situa\u00e7\u00e3o\u201d. Caso o adulto se oponha a essa leg\u00edtima necessidade de autonomia, os momentos de refei\u00e7\u00e3o podem se tornar foco de conflitos\u00b3.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio organizar o servi\u00e7o de maneira que uma mesma educadora \u2013 a de refer\u00eancia \u2013 receba a crian\u00e7a, alimente, troque e a coloque para dormir. \u00c9 essa mesma educadora que estabelecer\u00e1 um di\u00e1logo mais estreito com os familiares. Depois de alguns meses na creche, aos sete ou oito meses de idade, \u00e9 poss\u00edvel que outra educadora (da dupla) passe a partilhar os cuidados daquela crian\u00e7a ampliando, assim, o universo de rela\u00e7\u00f5es e a riqueza das intera\u00e7\u00f5es do ambiente coletivo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>3 Momentos decisivos do desenvolvimento infantil, de Berry Brazelton. Ed S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1994.<\/h6>\n<p><strong>Condutas individualizadas<\/strong><\/p>\n<p>Individualizar as condutas significa observar atentamente o desenvolvimento do beb\u00ea buscando identificar os sinais de que chegou a hora de introduzir mudan\u00e7as. O quadro Indicadores de mudan\u00e7as pode ajudar o profissional em suas decis\u00f5es e orientar os familiares.<\/p>\n<p>Cada nova conduta deve ser avaliada criteriosamente, n\u00e3o esquecendo que as transi\u00e7\u00f5es significam novas aprendizagens e que, para isso, \u00e9 necess\u00e1rio tempo. Uma papinha recusada n\u00e3o significa que a crian\u00e7a n\u00e3o goste do alimento, ela precisa de tempo para se acostumar ao novo sabor.<\/p>\n<p>Com todas essas vari\u00e1veis em jogo \u00e9 poss\u00edvel planejar as mudan\u00e7as na rotina dos ber\u00e7\u00e1rios. Assim como o desenvolvimento da crian\u00e7a pequena anda de \u201cvento em popa\u201d, a rotina se adapta \u00e0s novas necessidades em estreita liga\u00e7\u00e3o com os afazeres da cozinha. Merendeiras ou lactaristas t\u00eam um papel fundamental e precisam igualmente conhecer muito bem esses processos, respeitando as demandas da educadora, cuidando do sabor dos alimentos servidos e da textura, colaborando para disponibilizar os utens\u00edlios \u00e0 m\u00e3o dos educadores (garfo para amassar, colher para a crian\u00e7a), velando pela temperatura adequada e cozimento, guardando um prato para depois, se necess\u00e1rio. Flexibilidade e di\u00e1logo s\u00e3o palavras de ordem!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13787 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/7-300x241.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"241\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/7-300x241.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/7-768x617.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/7.png 890w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Parceria com os pais<\/strong><\/p>\n<p>Cercada de sentimentos, constru\u00eddos desde o nascimento, a alimenta\u00e7\u00e3o do beb\u00ea tem muitos significados para as fam\u00edlias e, em especial, para as m\u00e3es. Ouvir os familiares buscando identificar os afetos envolvidos na alimenta\u00e7\u00e3o contribui decisivamente para a constru\u00e7\u00e3o dessa parceria de confian\u00e7a. Portanto, educadora e fam\u00edlia precisam de tempo para conversar, conviver, atuar juntos, por exemplo, na refei\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ou na troca, para conhecer os h\u00e1bitos e o jeito dos pais ao lidarem com o beb\u00ea. Convidar os familiares a participar da vida do ber\u00e7\u00e1rio em alguns momentos \u00e9 um bom caminho para construir essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tomemos como exemplo o a\u00e7\u00facar habitualmente colocado na mamadeira. Sabe-se que \u00e9 papel da escola e da fam\u00edlia construir um paladar infantil com pouco ou nenhum a\u00e7\u00facar. Entretanto, na cultura brasileira, \u00e9 muito comum oferecer mamadeiras e sucos excessivamente a\u00e7ucarados. A\u00e7\u00facar e afeto est\u00e3o estreitamente relacionados em nossas representa\u00e7\u00f5es (oferecemos bombons a quem gostarmos, n\u00e3o \u00e9?). A redu\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar pela escola precisa ser combinada com os pais, informando as consequ\u00eancias desse h\u00e1bito no aumento da obesidade, mas para alguns pais isso pode ter o significado de castigo ou puni\u00e7\u00e3o, \u201cdar d\u00f3\u201d. Como fazer? Primeiro aceitar a mamadeira do jeito que \u00e9 preparada em casa. Depois informar sobre a import\u00e2ncia de construir h\u00e1bitos alimentares saud\u00e1veis e, ent\u00e3o, combinar que o a\u00e7\u00facar ser\u00e1 reduzido gradativamente (meia colher por semana) e conforme aceita\u00e7\u00e3o pela crian\u00e7a, de forma a que ela se acostume ao novo paladar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13788 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/8-300x293.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"293\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/8-300x293.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/8.png 671w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Os novos h\u00e1bitos e formas de alimenta\u00e7\u00e3o ser\u00e3o introduzidos pelo educador sempre ap\u00f3s informar as raz\u00f5es e combinar<br \/>\nas mudan\u00e7as com os familiares, buscando identificar os significados e sentimentos envolvidos, considerando a opini\u00e3o<br \/>\ndeles e compartilhando os avan\u00e7os, orientando para que as condutas sejam introduzidas em casa tamb\u00e9m, buscando a<br \/>\ncolabora\u00e7\u00e3o daqueles que cuidam na observa\u00e7\u00e3o das rea\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as, pois rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas podem advir da introdu\u00e7\u00e3o de alguns alimentos e precisam ser identificadas.<\/p>\n<p><strong>Passe livre no Ber\u00e7\u00e1rio 1<\/strong><\/p>\n<p>Simone da Silva Alves, Joelma Guimar\u00e3es e Natcha Priscila\u00a0Loreiro<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>O tempo \u00e9 a principal mat\u00e9ria-prima do trabalho na escola. Ele \u00e9 o possibilitador ou impossibilitador das rela\u00e7\u00f5es, das descobertas e das experi\u00eancias das crian\u00e7as e dos adultos. Com essa ideia foi pensado o \u201cpasse livre\u201d das turmas de ber\u00e7\u00e1rios 1 (crian\u00e7as de zero a um ano) nos refeit\u00f3rios das escolas infantis de Esteio (RS). Pr\u00e1tica que possibilita \u00e0s crian\u00e7as das turmas dos ber\u00e7\u00e1rios realizarem as refei\u00e7\u00f5es de acordo com o tempo de cada uma, rompendo com a necessidade de todas se alimentarem ao mesmo tempo. Nesse contexto, os profissionais dos ber\u00e7\u00e1rios podem levar as crian\u00e7as, em pequenos grupos, ao refeit\u00f3rio durante todo o per\u00edodo destinado \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o \u2013 cerca de duas horas. Um movimento de cuidado integrado \u00e0 pedagogia cotidiana da escola, considerando que as crian\u00e7as s\u00e3o sujeitos de direitos e precisam ser respeitadas em sua individualidade e no seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>A escuta da polifonia de vozes dos profissionais que trabalham com os beb\u00eas nos levou a refletir sobre o tempo destinado \u00e0s refei\u00e7\u00f5es. Nos momentos das visitas t\u00e9cnicas nutricionais\/pedag\u00f3gicas conseguimos tamb\u00e9m observar que havia choro, sono e impossibilidade de promover a descoberta do sabor dos alimentos. Ou seja, come\u00e7amos a perceber que os beb\u00eas n\u00e3o queriam s\u00f3 comida. Alimentar somente o corpo n\u00e3o bastava, era preciso mais do que isso. Era preciso compreender que os momentos de alimenta\u00e7\u00e3o deveriam ser momentos de prazer, de intera\u00e7\u00f5es, de descobertas e, para isso, havia a necessidade de reorganizar o tempo de se alimentar, apresentando de forma lenta e gradual diferentes grupos alimentares, sem rigidez de hor\u00e1rios, respeitando a vontade da crian\u00e7a. Foi necess\u00e1rio transcender a pr\u00e1tica de uma corrida de obst\u00e1culos, de cumprir tarefas rotineiras, repetitivas e estressantes. Possibilitar que as crian\u00e7as fossem alimentadas, no sentido amplo do termo, entendendo a alimenta\u00e7\u00e3o como uma pr\u00e1tica que envolve percep\u00e7\u00e3o, rela\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o reduzindo o ato a simples a\u00e7\u00e3o de levar o alimento \u00e0 boca. Em busca de um tempo agrad\u00e1vel, tranquilo, em que as crian\u00e7as pudessem se alimentar com qualidade, n\u00e3o sendo vencidas pelo cansa\u00e7o ou pelo sono, resultados de uma maratona desenfreada para que se ganhe tempo. Um ganhar, aqui entendido, como sin\u00f4nimo de se fazer muito em um curto per\u00edodo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>4 Simone da Silva Alves \u00e9 nutricionista especialista em sa\u00fade da fam\u00edlia e comunidade, Joelma Guimar\u00e3es \u00e9 mestre em Educa\u00e7\u00e3o e Natcha Priscila Loreiro \u00e9 pedagoga.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ELIANA CHALMERS SISLA E ELZA CORSI\u00b9 ALIMENTAR BEB\u00caS NO AMBIENTE COLETIVO DA EDUCA\u00c7\u00c3O INFANTIL DEVE SER VISTO COMO UM MOMENTO DE APRENDIZAGEM IMPORTANTE QUE REQUER DI\u00c1LOGO ENTRE AQUELES QUE CUIDAM Os pais das crian\u00e7as s\u00f3 querem saber se ela comeu, n\u00e3o querem saber o que aprendeu. Ouvi a reclama\u00e7\u00e3o de uma diretora de creche e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":17116,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1523],"tags":[],"class_list":{"0":"post-13780","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-63","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13780","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13780"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13780\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17122,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13780\/revisions\/17122"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13780"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}