{"id":13741,"date":"2015-05-22T15:33:49","date_gmt":"2015-05-22T18:33:49","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13741"},"modified":"2024-10-28T15:28:33","modified_gmt":"2024-10-28T18:28:33","slug":"a-arte-fora-do-museu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-62\/a-arte-fora-do-museu\/","title":{"rendered":"A arte fora do museu"},"content":{"rendered":"<p>CAROLINA CORONATO BORTOLETTO\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>PROJETO SOBRE ARTE URBANA LEVA CRIAN\u00c7AS E FAMILIARES A INTERAGIREM COM O ESPA\u00c7O CRIATIVO DA CIDADE<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13742 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-6-300x242.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"242\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-6-300x242.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-6.png 478w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><em>C1: Picharam a parede do meu av\u00f4, ele teve <\/em><em>que mandar pintar tudo de novo!<\/em><br \/>\n<em>C2: Mas o que eles pintaram?<\/em><br \/>\n<em>C1: Uma coisa bem feia com um monte de <\/em><em>rabiscos e umas letras.<\/em><br \/>\n<em>C2: Nossa, que chato, podiam ter feito uma <\/em><em>pintura bonita, igual aquelas que eu j\u00e1 vi em <\/em><em>uns muros perto da minha casa.<\/em><\/p>\n<p>A partir dessa conversa espont\u00e2nea entre as crian\u00e7as sobre um acontecimento do fim de semana, nasceu o projeto Arte urbana<sup>2<\/sup> do T5D<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p>O projeto foi iniciado em agosto e teve como objetivo possibilitar aos pequenos:<\/p>\n<p>perceber a arte urbana como Arte;<\/p>\n<p>\u2666 perceber a arte urbana como Arte;<br \/>\n\u2666 refletir sobre as manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em espa\u00e7os n\u00e3o convencionais;<br \/>\n\u2666 aproximar-se do conceito de arte urbana;<br \/>\n\u2666 experimentar o car\u00e1ter po\u00e9tico e criativo da Arte;<br \/>\n\u2666 ampliar o repert\u00f3rio sobre artistas urbanos conhecidos;<br \/>\n\u2666 aprender novas t\u00e9cnicas art\u00edsticas espec\u00edficas da arte urbana.<\/p>\n<p>Entre os diversos caminhos que poderiam ser seguidos na tem\u00e1tica da arte urbana, escolhi o grafite como foco do estudo, por ser um tipo de arte bastante pr\u00f3xima \u00e0s crian\u00e7as no que diz respeito \u00e0 vivacidade e por despertar nelas enorme curiosidade e motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Professora da Escola Santi, na cidade de S\u00e3o Paulo, formada em Pedagogia em 2010 pela Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (FEUSP). Realiza com frequ\u00eancia cursos de forma\u00e7\u00e3o em Arte em galerias e museus; atualmente deu in\u00edcio ao curso de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o \u201cA Arte de Ensinar Arte: Express\u00f5es Singulares\u201d no Instituto Singularidades, em S\u00e3o Paulo (SP).<br \/>\n2 A Escola Santi trabalha com projetos e sequ\u00eancias did\u00e1ticas fi xas por s\u00e9rie. Neste caso, o projeto Arte urbana se deu a partir do interesse do grupo e, por isso, foi desenvolvido em 2014, mesmo n\u00e3o sendo um projeto permanente da s\u00e9rie.<br \/>\n3 Grupo de crian\u00e7as de cinco anos.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13743 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-5-300x221.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"221\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-5-300x221.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-5.png 578w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Grafite: grande canal de comunica\u00e7\u00e3o, sem conex\u00e3o com fibra \u00f3tica ou cabo el\u00e9trico, mas conectado diretamente com a cidade, com o p\u00fablico, com o aqui e agora. O grafite est\u00e1 na cidade, no espa\u00e7o p\u00fablico, n\u00e3o tem propriet\u00e1rio nem vigia. Na carona dos grafites h\u00e1 sempre os rabiscos aleat\u00f3rios, as mensagens de amor, as picha\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e os an\u00fancios publicit\u00e1rios. Os grafites criados nas cidades levaram o ocidente a presenciar p\u00fablica e anonimamente o questionamento de muitos de seus valores estabelecidos, entre eles o da ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os da cidade e o da apresenta\u00e7\u00e3o e valora\u00e7\u00e3o da<br \/>\narte. Se uma nova forma de pol\u00edtica emerge desse contexto com ela uma nova forma de comunica\u00e7\u00e3o e de arte.<\/p>\n<h6>Celia Maria Antonacci Ramos, doutora em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo<\/h6>\n<p>Em uma roda de conversa, apreciamos algumas imagens de diferentes manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas presentes na cidade (picha\u00e7\u00f5es, grafite, entre outras). A escolha das imagens teve como crit\u00e9rio trazer manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas com aspectos diversos para que, assim, fosse contemplado esse car\u00e1ter de pluralidade da arte urbana. No momento de levantamento dos conhecimentos pr\u00e9vios do grupo sobre o assunto, fui surpreendida pela profundidade de reflex\u00f5es que surgiram em torno do tema tratado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13744 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-5-300x231.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"231\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-5-300x231.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-5.png 706w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><em>P: Algu\u00e9m j\u00e1 viu isso em algum lugar na cidade? (imagem de picha\u00e7\u00e3o em um muro)<\/em><br \/>\n<em>C1: Eu j\u00e1 vi muito! \u00c9 uma picha\u00e7\u00e3o! \u00c9 quando uma pessoa pega uma tinta spray e faz um desenho na parede dos outros. Eu j\u00e1 vi isso em v\u00e1rios lugares.<\/em><br \/>\n<em>C2: Quando eu tava indo pro meu clube, eu passei l\u00e1 e a\u00ed tinha um monte de pol\u00edcia em volta de um peda\u00e7o de parede branca, porque tinha quatro mo\u00e7os pichando a parede de uma mans\u00e3o enorme. A\u00ed a pol\u00edcia prendeu eles, porque n\u00e3o pode fazer isso em uma mans\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>P: Por que ser\u00e1 que a pol\u00edcia estava presente em mais de um entre os casos que voc\u00eas est\u00e3o contando?\u00a0<\/em><br \/>\n<em>C3: Eu sei! \u00c9 porque \u00e9 feio pintar na parede dos outros, tem que pedir.<\/em><br \/>\n<em>C4: \u00c9, se a pessoa for contratada pra ir pintar a parede, a\u00ed pode. Se ela n\u00e3o for, a\u00ed tem que obedecer a lei.<\/em><br \/>\n<em>C1: Tipo o Nivaldo, ele foi contratado pelo meu pai, a\u00ed ele pode pintar na parede.<\/em><br \/>\n<em>P: E se essa parede n\u00e3o for de uma pessoa espec\u00edfica e sim da cidade?<\/em><br \/>\n<em>C4: A\u00ed tudo bem, porque a cidade n\u00e3o tem dono.<\/em><\/p>\n<p>Nessa conversa inicial foi poss\u00edvel perceber o quanto as crian\u00e7as j\u00e1 estavam refletindo e estabelecendo complexas rela\u00e7\u00f5es sobre temas importantes como o uso do espa\u00e7o p\u00fablico, o pertencimento das pessoas \u00e0 cidade e o car\u00e1ter transgressor da arte urbana ao se referirem sobre o proibido e o autorizado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13745 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-5-262x300.png\" alt=\"\" width=\"262\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-5-262x300.png 262w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-5.png 628w\" sizes=\"auto, (max-width: 262px) 100vw, 262px\" \/><\/p>\n<p><strong>Percebendo a cidade<\/strong><\/p>\n<p>Dando continuidade ao estudo, as crian\u00e7as receberam um desafio como li\u00e7\u00e3o de casa: realizar um registro fotogr\u00e1fico de uma arte urbana que encontrassem no pr\u00f3prio trajeto durante uma semana. Ap\u00f3s esse prazo, os registros foram compartilhados em classe, comparando-os e justificando escolhas. O envolvimento do grupo possibilitou \u00e0s crian\u00e7as observarem atentamente as caracter\u00edsticas dos locais por onde passavam todos os dias, percebendo o seu bairro e a cidade com um novo olhar.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a socializa\u00e7\u00e3o dos registros, as crian\u00e7as foram apresentadas a um site colaborativo muito interessante chamado Arte fora do museu, o qual mapeia a arte urbana em algumas cidades. Nele \u00e9 poss\u00edvel cadastrar registros fotogr\u00e1ficos de grafites encontrados nas cidades cadastradas feitos por qualquer pessoa, com informa\u00e7\u00f5es sobre o local, os artistas e a obra registrada. As fam\u00edlias e as crian\u00e7as foram convidadas a cadastrar os registros feitos e, dessa maneira, contribuir para esse processo de mapeamento da arte na cidade. O envolvimento foi geral.<\/p>\n<p>Houve um feliz acaso nesse momento, quando uma das fam\u00edlias disse que conhecia a pessoa respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do site e que ela se disp\u00f4s a enviar um breve relato dos motivos que o levaram a desenvolver esse projeto. As crian\u00e7as ficaram encantadas com a not\u00edcia e em poder conhecer mais sobre tal experi\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>A cidade como suporte para os artistas<\/strong><\/p>\n<p>Dando sequ\u00eancia ao projeto, puderam apreciar e conhecer o trabalho de alguns importantes grafiteiros da atualidade como Eduardo Kobra, Nina, Nunca, Cr\u00e2nio, OSGEMEOS e Banksy. A cada aprecia\u00e7\u00e3o de obras as crian\u00e7as iam sendo apresentadas a diversas t\u00e9cnicas de arte urbana: a fun\u00e7\u00e3o do desenho como planejamento, o tra\u00e7ado com fitas delimitando o espa\u00e7o entre as cores, o uso do est\u00eancil e a pintura com tinta spray. Dessa maneira, puderam se aprofundar nas caracter\u00edsticas do trabalho de cada artista estudado, estabelecendo assim rela\u00e7\u00f5es entre eles.<\/p>\n<p>Esse aprofundamento se deu principalmente na experimenta\u00e7\u00e3o pelas crian\u00e7as do uso dessas t\u00e9cnicas e da cria\u00e7\u00e3o de obras pr\u00f3prias. A cada aprecia\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o sobre a obra dos artistas, diferentes propostas e materiais foram oferecidos e vivenciados pelo grupo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13751 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/10-1-111x300.png\" alt=\"\" width=\"111\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/10-1-111x300.png 111w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/10-1.png 306w\" sizes=\"auto, (max-width: 111px) 100vw, 111px\" \/><\/p>\n<p>As propostas pr\u00e1ticas foram recebidas pelas crian\u00e7as com muito interesse e empolga\u00e7\u00e3o. Elas puderam, por essas viv\u00eancias, se colocar no lugar do artista estudado ao aprenderem sobre suas t\u00e9cnicas e caracter\u00edsticas de produ\u00e7\u00e3o. O processo possibilitou tamb\u00e9m aos pequenos o estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es entre os artistas ao compararem suas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as. As crian\u00e7as, nesse momento, passaram a declarar suas prefer\u00eancias quanto aos artistas e, ao apreciarem uma obra, j\u00e1 sabiam dizer quem a havia produzido, isso porque j\u00e1 conheciam as principais caracter\u00edsticas que marcavam os v\u00e1rios trabalhos.<\/p>\n<p><strong>Eduardo Kobra: as linhas e cores no grafite<\/strong><\/p>\n<p>O paulistano Eduardo Kobra (1976- ), come\u00e7ou os primeiros trabalhos em 1987, com a segunda gera\u00e7\u00e3o do grafite, sob a influ\u00eancia do hip-hop. Inquieto e curioso, logo se aprimoraram os tra\u00e7os e, assim, criando sua forma de express\u00e3o. Suas cria\u00e7\u00f5es s\u00e3o ricas em detalhes, que mesclam realidade e certo transformismo grafiteiro. \u201cProcuro no projeto Muro das mem\u00f3rias mostrar imagens hist\u00f3ricas com uma leitura contempor\u00e2nea\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Embora nunca tenha tido contato pessoal, um de seus principais mestres atuais \u00e9 o estadunidense Eric Grohe, artista pl\u00e1stico que faz da sua arte um meio de transforma\u00e7\u00e3o. S\u00e3o murais que confundem os olhos de quem os observa, reduzindo a nada a diferen\u00e7a entre escultura e pintura.<\/p>\n<p>Kobra desenvolve obras que misturam o tra\u00e7o do grafite rico em sombra, luz e brilho. O resultado s\u00e3o murais tridimensionais que permitem ao p\u00fablico interagir com a obra. A ideia \u00e9 estabelecer uma compara\u00e7\u00e3o entre o ar rom\u00e2ntico e o clima de nostalgia com a constante agita\u00e7\u00e3o de hoje. Al\u00e9m de in\u00fameros trabalhos em S\u00e3o Paulo e em cidades do interior, Kobra produziu murais em Bras\u00edlia, Rio de Janeiro, Bel\u00e9m do Par\u00e1 e Minas Gerais.<\/p>\n<p>O muralista e artista pl\u00e1stico iniciou em 14 de janeiro de 2013 uma grande pintura na parede lateral do edif\u00edcio Ragi, na Pra\u00e7a Oswaldo Cruz (n\u00famero 124), no in\u00edcio da Avenida Paulista, na cidade de S\u00e3o Paulo, em homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012). A obra tem 52 m de altura por 16 m de largura e nela aparecem a Pampulha, em Belo Horizonte (MG); o Edif\u00edcio Copan, em S\u00e3o Paulo (SP); o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba (PR) e o Pal\u00e1cio do Planalto, em Bras\u00edlia. Todos os dias, Kobra chegava ao local \u00e0s 7h30 e trabalhava at\u00e9 \u00e0s 20h, ao lado de outros quatro artistas do Studio Kobra. A obra foi conclu\u00edda em 24 de janeiro de 2014 e entregue no anivers\u00e1rio da cidade, dia 25.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13746 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-5-256x300.png\" alt=\"\" width=\"256\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-5-256x300.png 256w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-5.png 444w\" sizes=\"auto, (max-width: 256px) 100vw, 256px\" \/><\/p>\n<p><strong>Banksy: o uso e a produ\u00e7\u00e3o do est\u00eancil<\/strong><\/p>\n<p>Grafitter, pintor, ativista pol\u00edtico e diretor de cinema brit\u00e2nico, \u00e9 conhecido mundialmente por espalhar obras de arte irreverentes nas ruas, que modificaram concep\u00e7\u00f5es, incitaram \u00e0 reflex\u00e3o e alteraram a forma como os graffitis s\u00e3o vistos hoje. O artista d\u00e1 cor \u00e0s ruas com graffitis de diferentes estilos, instala\u00e7\u00f5es, stickers e outros g\u00eaneros de projetos art\u00edsticos, que t\u00eam o prop\u00f3sito de elaborar duras e sarc\u00e1sticas cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica, \u00e0 sociedade em geral e \u00e0 guerra do mundo contempor\u00e2neo. Apesar do seu trabalho ter come\u00e7ado em Bristol, no interior da Inglaterra, as suas obras difundem-se pelos muros de todo o mundo: da Europa aos Estados Unidos da Am\u00e9rica, de Londres a Nova Iorque, de Los Angeles a Israel. Este fato, aliado ao anonimato do artista, faz com que a sua descri\u00e7\u00e3o seja a sua pr\u00f3pria localiza\u00e7\u00e3o: \u201cDe Banksy [1974- ], importa menos a pessoalidade; sua descri\u00e7\u00e3o \u00e9 sua localiza\u00e7\u00e3o; ele \u00e9 sua localidade.\u201d (Jos\u00e9 Schneedorf)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13748 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/7-2-122x300.png\" alt=\"\" width=\"122\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/7-2-122x300.png 122w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/7-2.png 322w\" sizes=\"auto, (max-width: 122px) 100vw, 122px\" \/><\/p>\n<p><strong>Nunca e OSGEMEOS: o desenho como interfer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Nunca \u00e9 um artista brasileiro grafiteiro que usa uma t\u00e9cnica de grafite para criar imagens que confrontam o Brasil urbano moderno com o seu passado. Voc\u00ea deve estar se perguntando o motivo que levou Francisco a adotar o nome art\u00edstico Nunca. Ele explica que o lema de qualquer artista \u00e9 dizer nunca \u00e0s limita\u00e7\u00f5es culturais e mentais. \u00c9 com esse pensamento que o artista j\u00e1 \u00e9 um sucesso em toda a Europa e no Brasil. Com uma caracter\u00edstica de desenho improvisado, sem muitos c\u00e1lculos e propor\u00e7\u00f5es, Nunca tem obras expostas em v\u00e1rias galerias e em ruas europeias.<\/p>\n<p>OSGEMEOS (1974- ), Gustavo e Ot\u00e1vio Pandolfo, sempre trabalharam juntos. Quando crian\u00e7as, nas ruas do tradicional bairro do Cambuci (SP), desenvolveram um modo distinto de brincar e de se comunicar por meio da arte. Com o apoio da fam\u00edlia, e a chegada da cultura hip-hop no Brasil nos anos 1980, OSGEMEOS encontraram uma conex\u00e3o direta com seu universo m\u00e1gico e din\u00e2mico e um modo de se comunicar com o p\u00fablico. Exploravam com dedica\u00e7\u00e3o e cuidado as diversas t\u00e9cnicas de pintura, desenho e escultura, e tinham as ruas como o lugar de estudo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13747 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-3-300x243.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"243\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-3-300x243.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-3.png 453w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Grafite do 9\u00ba ano: trocando experi\u00eancias&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Na Escola Santi, os alunos do 9\u00ba ano realizam com a professora de Artes o planejamento e a produ\u00e7\u00e3o de um grafite em uma parede da escola, tendo como objetivo deixar uma marca, como um ritual de passagem, j\u00e1 que esta \u00e9 a \u00faltima s\u00e9rie da escola.<\/p>\n<p>Pensando em integrar esse trabalho ao estudo realizado pelas crian\u00e7as do T5, promovemos uma conversa entre os alunos para que pudessem compartilhar suas experi\u00eancias e esclarecer algumas d\u00favidas sobre o processo de produ\u00e7\u00e3o da obra no pared\u00e3o. Os pequenos ficaram muito animados em conhecer o trabalho feito pelos grandes, puderam apreciar os quadros com fotos dos grafites feitos pelas turmas dos anos anteriores e tamb\u00e9m acompanhar um pouco do processo de produ\u00e7\u00e3o do mural. Foi um momento muito especial de troca e aprendizagem.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>4 Ricardo Tatoo nasceu em S\u00e3o Paulo, \u00e9 formado em desenho industrial e p\u00f3s-graduado em dire\u00e7\u00e3o de arte, mas est\u00e1 no cen\u00e1rio do graffiti desde a d\u00e9cada de 1980. O artista j\u00e1 trabalhou com Maur\u00edcio Villa\u00e7a, um dos pioneiros do stencil-graffi ti no Brasil. Por acreditar que a revolu\u00e7\u00e3o decorre da educa\u00e7\u00e3o, ele procura direcionar a sua arte para o contexto social. Tatoo encabe\u00e7a o Coletivo Raiz e Antena, espa\u00e7o dedicado tamb\u00e9m \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de projetos sociais volunt\u00e1rios, como o Arte Ataque Ofi cina, voltado para a cria\u00e7\u00e3o, stencil e graffi ti, cujos conceitos de \u00e9tica, cidadania e educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o propagados por meio da arte urbana. 5 Trata-se de um Museu de graffi ti criado a partir de um incidente com grafi teiros em 2011, por iniciativa de Binho Ribeiro e Chivitz. Conta com apoio da Secretaria de Estado de Cultura de S\u00e3o Paulo, do Pa\u00e7o das Artes e do Metr\u00f4. A cada edi\u00e7\u00e3o, s\u00e3o escolhidos artistas para pintar as 77 pilastras da esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 Santana. O resultado \u00e9 uma verdadeira exposi\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto de graffi ti. Fonte: http:\/\/spcultural.org\/listing\/maau-museu-aberto-de-arte-urbana\/<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13749 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8-2-300x224.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8-2-300x224.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8-2.png 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Pintura mural: deixando marcas<\/strong><\/p>\n<p>Tendo em vista o car\u00e1ter transformador, cr\u00edtico, criativo e vivo da Arte, era imprescind\u00edvel que o estudo realizado pelas crian\u00e7as contemplasse um momento de viv\u00eancia e pr\u00e1tica significativa. Foi quando outro feliz acaso aconteceu: a m\u00e3e de uma das crian\u00e7as nos indicou um grafiteiro que realiza um trabalho social com o grafite em comunidades de periferia e escolas p\u00fablicas. Esse foi um dia inesquec\u00edvel para as crian\u00e7as, pois puderam colocar de fato \u201cas m\u00e3os na massa\u201d e nada mais justo, nesse momento, do que tamb\u00e9m deixarem a sua marca na Escola que tanto gostam. Puderam pintar com o grafiteiro\u00a0Tatto<sup>4 <\/sup>uma das paredes da escola, utilizando est\u00eanceis e tinta guache, por conta da toxidade da tinta spray. Sem d\u00favida, esse momento foi aguardado ansiosamente desde o in\u00edcio do projeto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13750 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/9-2-300x234.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"234\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/9-2-300x234.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/9-2.png 454w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Museu a c\u00e9u aberto<\/strong><\/p>\n<p>O projeto n\u00e3o estaria completo se n\u00e3o houvesse a possibilidade de apreciar presencialmente a cidade e sua Arte. Por isso, as crian\u00e7as fizeram um estudo de campo, isto \u00e9, uma visita ao Museu Aberto de Arte Urbana\u00a0(MAAU-SP)<sup>5<\/sup>, o primeiro<br \/>\nmuseu a c\u00e9u aberto da cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Na visita, os pequenos depararam-se com grafites feitos por v\u00e1rios artistas, incluindo alguns dos quais hav\u00edamos estudado. O encontro com as obras possibilitou o reconhecimento de caracter\u00edsticas e de t\u00e9cnicas estudadas, compara\u00e7\u00f5es entre os trabalhos apreciados e, o mais importante, a conex\u00e3o com a cidade.<\/p>\n<p><strong>Compartilhando aprendizagens<\/strong><\/p>\n<p>Quando pens\u00e1vamos que o projeto estava chegando ao fim, eis que a professora das crian\u00e7as de quatro anos me procurou para dizer que, h\u00e1 dias, seus alunos estavam curiosos sobre aquela parede que, da noite para o dia, havia sido pintada pr\u00f3ximo ao brinqued\u00e3o do parque. Levei a inquietude deles para o meu grupo que prontamente se disp\u00f4s a apresentar o estudo para os menores, ajudando-os a compreender o que havia acontecido ali, bem como compartilhando algumas aprendizagens.<\/p>\n<p>Muito animados, come\u00e7amos a preparar a apresenta\u00e7\u00e3o e coletivamente escolhemos algumas etapas do estudo que precisavam ser aprofundadas. Realizamos tamb\u00e9m uma vota\u00e7\u00e3o para escolher as crian\u00e7as que iriam representar o grupo no momento adequado. Chegada a hora da apresenta\u00e7\u00e3o, fiquei extremamente orgulhosa e surpresa porque as crian\u00e7as demonstraram muita seguran\u00e7a e tranquilidade ao falarem sobre o estudo. Os pequenos puderam esclarecer d\u00favidas e curiosidades. Sem d\u00favida, foi um espa\u00e7o importante de troca de saberes.<\/p>\n<p><strong>Etapas<\/strong><\/p>\n<p>\u2666 Escolha coletiva de temas do projeto que seriam apresentados<br \/>\n\u2666 Escolha das crian\u00e7as que fariam a apresenta\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u2666 Prepara\u00e7\u00e3o das falas<br \/>\n\u2666 Tempo para tirar d\u00favidas ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Chegando ao fim&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>O projeto Arte urbana foi muito gratificante e surpreendente, especialmente pelos felizes acasos, pela dedica\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e pelo grande envolvimento das fam\u00edlias. Em nossa \u00faltima reuni\u00e3o de pais, muitas foram as devolutivas positivas que recebi sobre o trabalho desenvolvido e, com frequ\u00eancia, as crian\u00e7as diziam: Quando eu crescer quero pintar as paredes!<\/p>\n<p>Pensando em uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para o sucesso desse projeto, remeto-me ao seu in\u00edcio e fim, que est\u00e3o, n\u00e3o por acaso, conectados. O projeto, que come\u00e7ou com base na escuta atenta dos dizeres das crian\u00e7as, retornou ao seu princ\u00edpio, com o compartilhamento das experi\u00eancias vividas e orgulhosamente contadas pelas crian\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CAROLINA CORONATO BORTOLETTO\u00b9 PROJETO SOBRE ARTE URBANA LEVA CRIAN\u00c7AS E FAMILIARES A INTERAGIREM COM O ESPA\u00c7O CRIATIVO DA CIDADE C1: Picharam a parede do meu av\u00f4, ele teve que mandar pintar tudo de novo! C2: Mas o que eles pintaram? C1: Uma coisa bem feia com um monte de rabiscos e umas letras. C2: Nossa, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":17109,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1522],"tags":[],"class_list":{"0":"post-13741","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-62","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13741"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13741\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17110,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13741\/revisions\/17110"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17109"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}