{"id":13732,"date":"2015-05-22T14:57:42","date_gmt":"2015-05-22T17:57:42","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13732"},"modified":"2024-10-28T15:28:41","modified_gmt":"2024-10-28T18:28:41","slug":"la-si-faz-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-62\/la-si-faz-musica\/","title":{"rendered":"L\u00e1 Si Faz M\u00fasica"},"content":{"rendered":"<p>JAQUELINE RIBEIRO\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>A\u00c7\u00c3O DO PROFESSOR, QUANDO SUBSIDIADO PELA FORMA\u00c7\u00c3O, POTENCIALIZA O DESENVOLVIMENTO DA EXPRESS\u00c3O MUSICAL DAS CRIAN\u00c7AS NA EDUCA\u00c7\u00c3O INFANTIL<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13733 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-5-274x300.png\" alt=\"\" width=\"274\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-5-274x300.png 274w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-5.png 469w\" sizes=\"auto, (max-width: 274px) 100vw, 274px\" \/><\/p>\n<p><strong>Aprender m\u00fasica \u00e9 um trabalho integrado<\/strong><\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o musical tem sido pauta de grandes debates e discuss\u00f5es particularmente em decorr\u00eancia da lei no 11.769\/2008 que ampara sua obrigatoriedade na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. Uma das problem\u00e1ticas \u00e9 a presen\u00e7a da m\u00fasica desvinculada de uma pr\u00e1tica significativa para a crian\u00e7a, sem conte\u00fados e fins espec\u00edficos da \u00e1rea. Quando utilizada como recurso para disciplinar ou para a transi\u00e7\u00e3o de atividades n\u00e3o garante \u00e0s crian\u00e7as possibilidades de cria\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o dos sons e explora\u00e7\u00e3o de suas formas e qualidades expressivas. Tamb\u00e9m n\u00e3o revela aos educadores benef\u00edcios que a express\u00e3o musical propicia para o desenvolvimento infantil.<\/p>\n<p>\u00c9 comum observar a tens\u00e3o dos educadores com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es musicais da escola em datas comemorativas, como dia das m\u00e3es, festa junina, encerramento do ano letivo. Considerando que muitos desses professores alegam n\u00e3o possu\u00edrem conhecimentos e habilidades musicais, h\u00e1 escolas que contratam um profissional de m\u00fasica especificamente para preparar esses eventos. Ser\u00e1 que dessa forma est\u00e1 sendo realizado um trabalho efetivamente musical?<\/p>\n<p>Para a grande maioria das pessoas, incluindo os educadores e educadoras (especializados ou n\u00e3o), a m\u00fasica era (e \u00e9) entendida como \u201calgo pronto\u201d, cabendo a n\u00f3s a tarefa m\u00e1xima de interpret\u00e1-la. Ensinar m\u00fasica a partir desta \u00f3tica significa ensinar a reproduzir e interpretar m\u00fasicas, desconsiderando a possibilidade de experimentar, improvisar, inventar como ferramenta pedag\u00f3gica de fundamental import\u00e2ncia no processo de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento musical\u00b2.<\/p>\n<p>O Referencial Curricular Nacional para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil (RCNEI) aponta que, ao ouvir ou aprender uma can\u00e7\u00e3o, realizar jogos r\u00edtmicos, entre outras a\u00e7\u00f5es oferecidas pelo professor na escola, as crian\u00e7as despertam, estimulam e desenvolvem o gosto por atividades musicais e se expressam nas esferas afetiva, est\u00e9tica e cognitiva.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Pedagoga, p\u00f3s-graduada em Psicopedagogia, especialista em Educa\u00e7\u00e3o Infantil e educadora musical.<br \/>\n2 M\u00fasica na Educa\u00e7\u00e3o Infantil: Proposta para a forma\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a, de Teca Alencar de Britto. S\u00e3o Paulo: Peir\u00f3polis, 2003. p. 52.<\/h6>\n<p>Aprender m\u00fasica significa integrar experi\u00eancias que envolvem a viv\u00eancia, a percep\u00e7\u00e3o e a reflex\u00e3o, encaminhando-as para n\u00edveis cada vez mais elaborados\u00b3.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o musical faz diferen\u00e7a para as crian\u00e7as de zero a tr\u00eas anos? Ser\u00e1 que os beb\u00eas s\u00e3o capazes de realizar um trabalho musical? \u00c9 poss\u00edvel que o educador, mesmo tendo lacunas em sua forma\u00e7\u00e3o, desenvolva um trabalho com m\u00fasica?<\/p>\n<p>Desde muito cedo, a crian\u00e7a entra em contato com a cultura musical e inicia seu processo de musicaliza\u00e7\u00e3o de forma intuitiva. J\u00e1 na fase intrauterina, os beb\u00eas s\u00e3o estimulados com os sons provocados pelo corpo da m\u00e3e, como o sangue que flui nas veias, a respira\u00e7\u00e3o e a movimenta\u00e7\u00e3o dos intestinos, bem como com o timbre da voz materna que se torna inconfund\u00edvel.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13734 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-4-300x236.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-4-300x236.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-4.png 439w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>De acordo com Beatriz Senoi Ilari:<\/strong><\/p>\n<p><em>Aprender a apreciar a boa m\u00fasica, seja ela de qual g\u00eanero for, \u00e9 tamb\u00e9m desenvolver um senso est\u00e9tico-musical. E isso pode come\u00e7ar j\u00e1 na inf\u00e2ncia, uma vez que os beb\u00eas (e as crian\u00e7as) n\u00e3o est\u00e3o cognitivamente limitados a um certo tipo de m\u00fasica, sendo capazes de perceber, discriminar e at\u00e9 mesmo armazenar elementos musicais complexos na mem\u00f3ria de <\/em><em>longo p<\/em><em>razo<sup>4<\/sup><\/em><em>.<\/em><\/p>\n<p>Considerando essas indaga\u00e7\u00f5es, compartilho aqui uma experi\u00eancia realizada na rede p\u00fablica municipal de Jundia\u00ed, S\u00e3o Paulo, direcionada a educadores e crian\u00e7as do segmento zero a tr\u00eas anos. Trata-se de um projeto de forma\u00e7\u00e3o musical chamado L\u00e1 Si Faz\u00a0M\u00fasica<sup>5 <\/sup>elaborado por mim e pela professora e pianista Dulce Mara Jacomasso de Oliveira<sup>6 <\/sup>com o objetivo de implantar um trabalho musical de qualidade e transformar o cen\u00e1rio observado.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>3 Referenciais Curriculares Nacionais (RCN) \u2013 Volume 3 \u2013 Conhecimento de Mundo, M\u00fasica, p. 48.<br \/>\n4 Em busca da mente musical: ensaios sobre os processos cognitivos em m\u00fasica \u2013 da percep\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, de Beatriz Senoi Ilari. Curitiba: Editora UFPR, 2006, p. 296.<br \/>\n5 O projeto foi subsidiado pela Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio em 2011 e 2012, apresentado no XVIII Congresso Brasileiro de Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial para Educa\u00e7\u00e3o Pr\u00e9 escolar (OMEP) em 2011 e compartilhado em minha pesquisa de campo da P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Musical (Faculdade Cantareira \u2013 SP) sob orienta\u00e7\u00e3o da profa dra Enny Parejo. 6 Professora da Rede Municipal de Jundia\u00ed.<\/h6>\n<p><strong>Fazer m\u00fasica no espa\u00e7o da escola<\/strong><\/p>\n<p>A escolha do nome j\u00e1 era repleta de informa\u00e7\u00f5es e trazia um toque de sensibilidade. Algumas notas musicais: L\u00c1, SI e FA ao mesmo tempo que uma localidade era indicada: Onde se faz? No espa\u00e7o da escola! A inten\u00e7\u00e3o era trazer m\u00fasica de<br \/>\nforma qualitativa para o ambiente escolar.<\/p>\n<p>Considerando que se tratava de um universo de aproximadamente 4 mil alunos e que para as crian\u00e7as de zero a tr\u00eas anos a quest\u00e3o do v\u00ednculo \u00e9 crucial em qualquer atividade proposta, optamos por valorizar a a\u00e7\u00e3o do educador que est\u00e1 em contato direto com as crian\u00e7as, sob nossa orienta\u00e7\u00e3o e parceria. Essa escolha tamb\u00e9m estava amparada na resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CEB no 7, de 14 de dezembro de 2010, que traz o professor de refer\u00eancia como uma das possibilidades de profissional para lecionar m\u00fasica.<\/p>\n<p>O projeto teve como foco sensibilizar e orientar os educadores sobre o fazer e a aprecia\u00e7\u00e3o musical no espa\u00e7o escolar para o desenvolvimento da express\u00e3o, do equil\u00edbrio, da autoestima, do autoconhecimento e da integra\u00e7\u00e3o social das crian\u00e7as e de todos os envolvidos nesse ambiente. A proposta teve como base metodol\u00f3gica os RCNEIs, os estudos de Teca Alencar de Brito, Beatriz Senoi Ilari e pr\u00e1ticas de especialistas musicais como Josette\u00a0Feres<sup>7 <\/sup>e Enny Parejo<sup>8<\/sup>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13735 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-4-300x228.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"228\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-4-300x228.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-4.png 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Diagn\u00f3stico e planejamento<\/strong><\/p>\n<p>Ao mapearmos as 60 unidades educativas, percebemos que havia tr\u00eas pontos principais nos quais as a\u00e7\u00f5es do projeto deveriam incidir:<\/p>\n<p>\u2666 Equipar e organizar as escolas: a maioria das unidades n\u00e3o possu\u00edam instrumentos musicais de qualidade, tampouco se atentavam para a confec\u00e7\u00e3o de materiais sonoros selecionando materiais adequados para a explora\u00e7\u00e3o da escuta. Sensibilizar e formar os educadores para o trabalho musical: no repert\u00f3rio deles prevaleciam can\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas, muitas vezes impr\u00f3prias para o universo infantil e, em sua maioria, sentiam-se incapazes de cantar e desenvolver pr\u00e1ticas musicais.<br \/>\n\u2666 Esclarecer o papel da m\u00fasica na escola: v\u00e1rias creches da rede n\u00e3o eram espa\u00e7os cantantes.<br \/>\n\u2666 O trabalho musical, com algumas exce\u00e7\u00f5es, era reduzido a ouvir uma sequ\u00eancia de m\u00fasicas colocadas em momentos de rodas de m\u00fasica. Os cantos eram acompanhados de gestos e movimentos que, pela repeti\u00e7\u00e3o, tornavam-se mec\u00e2nicos e estereotipados.<\/p>\n<p>Definiram-se assim os passos metodol\u00f3gicos: equipar as escolas com instrumentos musicais de qualidade; realizar forma\u00e7\u00f5es bimestrais com os educadores; visitar escolas que desenvolvessem algum trabalho musical ou assistir aos seus v\u00eddeos; acompanhar e propor novas a\u00e7\u00f5es diante dos resultados dos educadores e das crian\u00e7as atendidas.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>7 Refer\u00eancia na Educa\u00e7\u00e3o Musical para beb\u00eas, fundadora da Escola de M\u00fasica de Jundia\u00ed, membro da International Society of Music Education, Austr\u00e1lia.<br \/>\n8 Ministra cursos e forma\u00e7\u00f5es sobre Musicaliza\u00e7\u00e3o infantil. \u00c9 fundadora do Atelier Musical Enny Parejo.<br \/>\n9 RCNEIs \u2013 MEC, 1998. Volume 3 \u2013 Conhecimento de Mundo, M\u00fasica &#8211; p.47.<\/h6>\n<p><strong>A escolha dos instrumentos e materiais<\/strong><\/p>\n<p>Todas as unidades atendidas pelo L\u00e1 Si Faz M\u00fasica receberam os instrumentos musicais que selecionamos em quantidade sufi ciente para a explora\u00e7\u00e3o de todos os alunos do grupo. Uma das grandes dificuldades nos momentos de m\u00fasica era o fato de s\u00f3 existir um exemplar de cada instrumento nos kits de bandinhas, em geral, de baixa qualidade sonora. Essas bandinhas utilizam instrumentos \u2013 pandeirinhos, tamborzinhos, pauzinhos etc. \u2013 muitas vezes confeccionados com material inadequado e, consequentemente, com qualidade sonora deficiente. Isso refor\u00e7a o aspecto mec\u00e2nico e a imita\u00e7\u00e3o, deixando pouco espa\u00e7o para as atividades de cria\u00e7\u00e3o ou para as quest\u00f5es ligadas \u00e0 percep\u00e7\u00e3o e ao conhecimento das possibilidades e qualidades expressivas dos sons<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<p>Bem se sabe que as crian\u00e7as s\u00e3o atra\u00eddas pelos instrumentos ou por qualquer outro material que esteja nas m\u00e3os do colega. Ao utilizar instrumentos diferentes simultaneamente, v\u00e1rios timbres entram em jogo, mas tamb\u00e9m pode aumentar a dispers\u00e3o do grupo e dificultar a explora\u00e7\u00e3o e a percep\u00e7\u00e3o do som de cada um. Mesmo tendo o mesmo instrumento, as crian\u00e7as t\u00eam a sensa\u00e7\u00e3o de que o do outro toca mais. Aos poucos perceber\u00e3o que a diferen\u00e7a est\u00e1 na forma de tocar. Portanto, a proposta do projeto era a de que fossem, em determinado momento, oferecidos os mesmos instrumentos a todos os alunos, o que n\u00e3o impedia, posteriormente ou em outras propostas, que fossem explorados timbres diferentes simultaneamente.<\/p>\n<p>Selecionamos tamb\u00e9m materiais que dessem suporte aos educadores, como livros e\u00a0CDs<sup>10<\/sup>.<\/p>\n<p>Optamos por entregar gradativamente, pois o diferencial estaria na explora\u00e7\u00e3o realizada em forma\u00e7\u00e3o com o enfoque qualitativo do uso das can\u00e7\u00f5es e propostas de atividades. A ansiedade dos educadores por conhecer e ensinar maior n\u00famero de m\u00fasicas precisaria dar espa\u00e7o ao conhecer e ensinar m\u00fasicas de maneiras e enfoques variados, explorando a sonoridade e as possibilidades de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao t\u00e9rmino dos dois anos, todas as escolas receberam uma caixa especial com o comp\u00eandio das forma\u00e7\u00f5es realizadas, materiais adicionais para explora\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m puderam agrupar todos os CDs e os livros j\u00e1 utilizados no processo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>10 CD L\u00e1 Si Faz M\u00fasica, com m\u00fasicas de dom\u00ednio popular; CD Beb\u00ea, m\u00fasica e movimento, de Josette Feres; CD e livro Canteiro \u2013 m\u00fasicas para brincar, de Margareth Darezzo; CD e livro Dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a; CD e livro Coralito, de Thelma Chan; CD Cl\u00e1ssicos para crian\u00e7as com sons de natureza, de Alex Guerra; entre outros.<\/h6>\n<p><strong>Praticar m\u00fasica para ensinar<\/strong><\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o continuada constitui o grande diferencial para a reflex\u00e3o e mudan\u00e7as na pr\u00e1tica do educador, justamente porque nela incide a oportunidade da tomada de consci\u00eancia sobre as dificuldades e o desafio de elaborar formas para enfrent\u00e1-las e resolv\u00ea-las.<\/p>\n<p>Estruturamos um trabalho de forma\u00e7\u00e3o para os educadores a fim de atender 700 profissionais da educa\u00e7\u00e3o, abrangendo professores, agentes de desenvolvimento infantil e coordenadores pedag\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Inicialmente o trabalho residiu na sensibiliza\u00e7\u00e3o dos educadores sobre a import\u00e2ncia da m\u00fasica na escola e tamb\u00e9m em promover viv\u00eancias musicais e resgate de momentos da inf\u00e2ncia desses profissionais. Como seria poss\u00edvel realizar um trabalho musical com os alunos se os educadores se sentiam incapazes e despreparados para tal e, o mais preocupante, n\u00e3o percebiam benef\u00edcios da m\u00fasica em si mesmos?<\/p>\n<p>Os encontros eram planejados de acordo com as necessidades observadas, mesclando momentos para a forma\u00e7\u00e3o do adulto e orienta\u00e7\u00f5es para o trabalho com as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Para a forma\u00e7\u00e3o dos adultos, exerc\u00edcios que envolviam respira\u00e7\u00e3o diafragm\u00e1tica, aquecimento vocal, relaxamento e principalmente no exerc\u00edcio da escuta de composi\u00e7\u00f5es diversas que eram contextualizadas pelas formadoras. Al\u00e9m de ampliar o acesso a estilos diversos, pouco difundidos nas m\u00eddias, a inten\u00e7\u00e3o era que as sensa\u00e7\u00f5es fossem verbalizadas e, assim, gradativamente, percebido o quanto a m\u00fasica poderia exercer influ\u00eancias quando permitido e criado o clima para isso.<\/p>\n<p>O dia a dia na escola com as crian\u00e7as \u00e9 bastante agitado e se o educador n\u00e3o ponderar seu volume de voz e o ritmo em que executa as in\u00fameras atividades, certamente caminhar\u00e1 para o estresse e levar\u00e1 consigo todos os alunos. No in\u00edcio do projeto, os momentos de forma\u00e7\u00e3o do La Si Faz M\u00fasica come\u00e7aram a ser apreciados pelos educadores ao menos pelo fato de que havia um momento de parada para relaxar e sentir a m\u00fasica. Posteriormente, surgiram novos encantamentos.<\/p>\n<p>Pensando no trabalho com as crian\u00e7as, as forma\u00e7\u00f5es contavam com fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, seguida de sugest\u00f5es de repert\u00f3rio, bem como de possibilidades de explora\u00e7\u00f5es junto os pequenos.<\/p>\n<p><strong>Cotidiano para introduzir a m\u00fasica<\/strong><\/p>\n<p>Para que o trabalho se efetivasse realmente na unidade escolar, propusemos o Momento musical, nome dado ao instante em que o projeto L\u00e1 Si Faz M\u00fasica aconteceria na escola, com frequ\u00eancia semanal de duas vezes e indica\u00e7\u00e3o de dura\u00e7\u00e3o aproximada para cada grupo de alunos: ber\u00e7\u00e1rio (B1), dez minutos; crian\u00e7as de um ano (G1), quinze minutos; crian\u00e7as de dois anos (G2), vinte minutos; e crian\u00e7as de tr\u00eas anos (G3), trinta minutos. Essa dura\u00e7\u00e3o era apenas um norteador, mas que deveria ser flex\u00edvel e se ajustar ao tempo de produtividade do grupo. O bom senso do educador e o respeito \u00e0 crian\u00e7a eram premissas fundamentais.<\/p>\n<p>A estrutura do Momento musical contava com as seguintes etapas:<\/p>\n<p>\u2666 Acolhida \u2013 \u00eanfase aos aspectos afetivos;<br \/>\n\u2666 Desenvolvimento \u2013 espa\u00e7o para a explora\u00e7\u00e3o das fontes sonoras, incluindo a voz, os sons do corpo e dos instrumentos musicais;<br \/>\n\u2666 Relaxamento \u2013 privilegiava a aprecia\u00e7\u00e3o musical.<\/p>\n<p>Por meio das atividades planejadas na etapa desenvolvimento, estimulou-se fundamentalmente a explora\u00e7\u00e3o das fontes sonoras e o movimento. Entende-se como fonte sonora todo e qualquer material produtor ou propagador de sons, produzidos pela voz, pelo corpo humano, por objetos do cotidiano, por brinquedos ou por instrumentos musicais. Ao estimular o canto, dava-se \u00eanfase ao aspecto psicolingu\u00edstico. Josette Feres (1998) ressalta que, ao realizarem barulhos com a boca, imitando caminh\u00e3o, estalando a l\u00edngua ou ent\u00e3o apertando as bochechas, as crian\u00e7as exercitam os m\u00fasculos da face, que s\u00e3o utilizados no processo da fala. Era percept\u00edvel o quanto os beb\u00eas apreciavam as m\u00fasicas cantadas pelos educadores, particularmente quando eram sem acompanhamento musical e gradativamente passavam a reproduzir os desenhos mel\u00f3dicos das can\u00e7\u00f5es de forma peculiar. Progressivamente a crian\u00e7a ret\u00e9m os desenhos mel\u00f3dicos das can\u00e7\u00f5es e passa a cantar com maior dom\u00ednio mel\u00f3dico. Inicialmente n\u00e3o h\u00e1 controle preciso de afina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13736 alignleft\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-4-237x300.png\" alt=\"\" width=\"237\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-4-237x300.png 237w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-4.png 321w\" sizes=\"auto, (max-width: 237px) 100vw, 237px\" \/><\/p>\n<p>Com a explora\u00e7\u00e3o dos sons do corpo e dos instrumentos musicais, as crian\u00e7as tinham a oportunidade de explorar as sonoridades de forma qualitativa. A preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o residia em saber nomear as notas executadas em um instrumento, mas em perceber as varia\u00e7\u00f5es de altura, a intensidade do som produzido, a dura\u00e7\u00e3o com que as executava. Tamb\u00e9m n\u00e3o era prop\u00f3sito que as crian\u00e7as de zero a tr\u00eas anos reproduzissem ou imitassem estruturas sonoras conhecidas, pois a inten\u00e7\u00e3o era que fosse criada sua pr\u00f3pria m\u00fasica por meio da experimenta\u00e7\u00e3o e da repeti\u00e7\u00e3o de movimentos.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel dissociar m\u00fasica do movimento. Por volta dos tr\u00eas anos fica muito mais vis\u00edvel a integra\u00e7\u00e3o entre gesto, som e movimento na express\u00e3o musical, favorecedores do desenvolvimento motor e r\u00edtmico.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o musical implica tanto gesto como movimento porque o som \u00e9 tamb\u00e9m gesto e movimento vibrat\u00f3rio, e o corpo traduz em movimento os diferentes sons que percebe. Os movimentos de flex\u00e3o, balanceio, tor\u00e7\u00e3o, estiramento etc. e os movimentos de locomo\u00e7\u00e3o, como andar, saltar, correr, saltitar, galopar etc., estabelecem rela\u00e7\u00f5es diretas com os diferentes gestos sonoros<sup>11<\/sup>.<\/p>\n<p>Nesses momentos, as crian\u00e7as se expressavam corporalmente e, partindo de seus movimentos naturais, internalizavam o ritmo e as demais propriedades do som ludicamente.<\/p>\n<p>No <em>relaxamento<\/em>, os educadores foram desafiados a exercitar a aprecia\u00e7\u00e3o musical e, para isso, a escuta era fundamental. Como resultado, os alunos passaram a prestar mais aten\u00e7\u00e3o a detalhes da m\u00fasica, percebendo e diferenciando o timbre dos instrumentos em grava\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m ampliaram o per\u00edodo de concentra\u00e7\u00e3o, uma vez que eram instigados a silenciar para escutar. Essa atitude repercutiu no comportamento do grupo para as demais atividades do cotidiano escolar e, gradativamente, trouxe melhores resultados para as etapas anteriores do <em>Momento <\/em><em>musical<\/em>.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>11 RCNEIs MEC, 1998. Volume 3 &#8211; Conhecimento de Mundo, M\u00fasica, p.61.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13737 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-4-300x258.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-4-300x258.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-4.png 596w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Escutar \u00e9 perceber e entender os sons por meio do sentido da audi\u00e7\u00e3o, detalhando e tomando consci\u00eancia do fato sonoro. Mais do que ouvir (um processo puramente fisiol\u00f3gico), escutar implica detalhar, tomar consci\u00eancia do fato sonoro<sup>12<\/sup>.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso tamb\u00e9m considerar que todo esse trabalho musical favoreceu o desenvolvimento cognitivo. Em todos os momentos, a mem\u00f3ria era ativada para entoar can\u00e7\u00f5es, para identificar timbres, e o racioc\u00ednio era desenvolvido para criar possibilidades de express\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Resultados e avan\u00e7os<\/strong><\/p>\n<p>O projeto atingiu grandes propor\u00e7\u00f5es, envolvendo n\u00e3o apenas educadores e crian\u00e7as de zero a tr\u00eas anos, mas tamb\u00e9m a comunidade escolar e professores de outros grupos com idades maiores.<\/p>\n<p>V\u00e1rias iniciativas foram tomadas com base nas forma\u00e7\u00f5es: algumas unidades confeccionaram caderno com as can\u00e7\u00f5es do L\u00e1 Si Faz M\u00fasica para que a fam\u00edlia soubesse qual m\u00fasica a crian\u00e7a estava aprendendo naquele m\u00eas; uma escola gravou CDs com as can\u00e7\u00f5es preferidas dos alunos para incentivar a amplia\u00e7\u00e3o de repert\u00f3rio dos pais; outras ainda, e, nesse caso, foram v\u00e1rias, fizeram eventos para compartilhar com os pais como era o Momento musical e os convidavam para executar essas can\u00e7\u00f5es junto aos seus filhos.<\/p>\n<p>V\u00e1rios coordenadores pedag\u00f3gicos presentes em forma\u00e7\u00e3o se encantaram com a proposta e assumiram o papel de multiplicadores dentro de sua unidade escolar, contemplando tamb\u00e9m os alunos de quatro e cinco anos, e solicitaram que, no pr\u00f3ximo ano, o projeto tamb\u00e9m formasse educadores desses grupos de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Em seus relatos os professores socializaram as rea\u00e7\u00f5es e as mudan\u00e7as de comportamento observadas com a pr\u00e1tica do Momento musical. A afetividade estimulada na acolhida promoveu aproxima\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7a e adultos, e at\u00e9 mesmo entre os alunos. Favoreceram-se o fortalecimento de v\u00ednculo e o desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Observou-se que, de maneira significativa, houve redu\u00e7\u00e3o da agressividade dos alunos, de mordidas etc., como tamb\u00e9m propiciou a integra\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as com necessidades especiais que, em outras atividades, recusavam-se a participar.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>12 M\u00fasica na Educa\u00e7\u00e3o Infantil: Proposta para a forma\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a, de Teca Alencar de Britto. S\u00e3o Paulo: Peir\u00f3polis,<br \/>\n2003. p. 187. 13 Em: O c\u00e9rebro musical. Revista Presen\u00e7a Pedag\u00f3gica, Belo Horizonte, v. 16, n. 95, p. 19-25, set.\/out. 2010.<\/h6>\n<p><strong>Como bem define Elvira Souza Lima<sup>13<\/sup>:<\/strong><\/p>\n<p><em>M\u00fasica nos conecta a n\u00f3s mesmos e nos conecta aos outros. Por meio de m\u00fasica um conjunto de pessoas estranhas entre si acaba formando um grupo, uma comunidade movida por uma motiva\u00e7\u00e3o e um prazer comuns.<\/em><\/p>\n<p>Construiu-se um novo olhar sobre o fazer e a aprecia\u00e7\u00e3o musical nas unidades de Educa\u00e7\u00e3o Infantil do munic\u00edpio de Jundia\u00ed, ressaltando a import\u00e2ncia da escuta, do cantar e da explora\u00e7\u00e3o de diferentes fontes sonoras. Isso ficou vis\u00edvel nas apresenta\u00e7\u00f5es de fim de ano. As crian\u00e7as n\u00e3o estavam ali apenas para agradar os adultos que as assistiam, mas sim para mostrar o trabalho que haviam feito ao longo do ano. Era um processo de aprendizagem que estava em evid\u00eancia e n\u00e3o algo preparado especificamente para o momento.<\/p>\n<p>O repert\u00f3rio dos alunos deixou de ter como base apenas can\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas (principalmente funk e sertanejo), mas, ao menos na escola, eram cantadas m\u00fasicas de dom\u00ednio popular selecionadas pelo projeto ou pela a\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea do educador, com letras adequadas ao universo infantil. Os pais tamb\u00e9m foram envolvidos nessa mudan\u00e7a e, ao perceberem que as crian\u00e7as estavam cantando mais, recorreram \u00e0 escola para corresponderem aos pedidos dos filhos no ambiente familiar.<\/p>\n<p><strong>Contribui\u00e7\u00f5es aos educadores<\/strong><\/p>\n<p>Nos encontros, registramos as rea\u00e7\u00f5es de cada grupo de alunos e relacionamos avan\u00e7os e dificuldades apontados na oralidade dos educadores. Tamb\u00e9m era poss\u00edvel, nesse mesmo momento, perceber ansiedades, inseguran\u00e7as ou seguran\u00e7as do educador diante da proposta. Ap\u00f3s a escuta atenta eram valorizadas as a\u00e7\u00f5es realizadas e propostas sugest\u00f5es pontuais para vencer a dificuldade apresentada, lan\u00e7ando novos desafios. O que dava certo em uma turma nem sempre funcionava na outra. Al\u00e9m disso, h\u00e1 as diferen\u00e7as caracter\u00edsticas de cada idade. As a\u00e7\u00f5es com crian\u00e7as de ber\u00e7\u00e1rios n\u00e3o poderiam ser as mesmas para crian\u00e7as do G3, que tinham tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Por meio dessas conversas era poss\u00edvel perceber que, al\u00e9m de quest\u00f5es da \u00e1rea musical, fundamentalmente se faziam presentes quest\u00f5es pedag\u00f3gicas. Como coordenadoras\/formadoras, al\u00e9m de orienta\u00e7\u00f5es referentes ao conte\u00fado musical, compartilh\u00e1vamos a experi\u00eancia de sala de aula e, assim, reflet\u00edamos sobre as concep\u00e7\u00f5es de ensino e de inf\u00e2ncia dos educadores. Constitu\u00eda-se naquele espa\u00e7o um grande laborat\u00f3rio com experi\u00eancias tamb\u00e9m dos educadores, baseadas nas mais diferentes realidades compreendidas no munic\u00edpio, que eram refletidas e somadas \u00e0 pr\u00e1tica de cada participante.<\/p>\n<p>Foram solicitados diversos registros individuais para que se tornasse poss\u00edvel o acompanhamento do trabalho em cada unidade escolar e, organizados os dados, visualiz\u00e1ssemos os avan\u00e7os e progressos no aspecto musical de cada professor envolvido. Vale ressaltar que algumas unidades j\u00e1 desenvolviam projetos de m\u00fasica; portanto o L\u00e1 Si Faz M\u00fasica, nesses casos, complementou e estabeleceu di\u00e1logos com a pr\u00e1tica vigente da equipe.<\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a de cantar, a vergonha de se expor diante dos colegas de trabalho ou da pr\u00f3pria crian\u00e7a aos poucos foram minimizadas, dando espa\u00e7o \u00e0 autoconfian\u00e7a. Um misto de desafio e de encantamento se instaurava diante das respostas das crian\u00e7as e do pr\u00f3prio adulto ao perceberem que poderiam fazer um trabalho diferente com m\u00fasica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JAQUELINE RIBEIRO\u00b9 A\u00c7\u00c3O DO PROFESSOR, QUANDO SUBSIDIADO PELA FORMA\u00c7\u00c3O, POTENCIALIZA O DESENVOLVIMENTO DA EXPRESS\u00c3O MUSICAL DAS CRIAN\u00c7AS NA EDUCA\u00c7\u00c3O INFANTIL Aprender m\u00fasica \u00e9 um trabalho integrado A educa\u00e7\u00e3o musical tem sido pauta de grandes debates e discuss\u00f5es particularmente em decorr\u00eancia da lei no 11.769\/2008 que ampara sua obrigatoriedade na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. 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