{"id":13692,"date":"2015-05-22T13:23:40","date_gmt":"2015-05-22T16:23:40","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13692"},"modified":"2024-10-28T15:29:05","modified_gmt":"2024-10-28T18:29:05","slug":"economizar-agua-sim-descuidar-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-62\/economizar-agua-sim-descuidar-nao\/","title":{"rendered":"Economizar \u00e1gua sim, descuidar n\u00e3o!"},"content":{"rendered":"<p>DAMARIS GOMES MARANH\u00c3O\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>A CRISE DA \u00c1GUA CHEGA EM UM MOMENTO EM QUE OS CUIDADOS COM O BEM-ESTAR AINDA N\u00c3O EST\u00c3O SOLIDIFICADOS. COMO TODA CRISE, PODE SER UM RISCO \u00c0S PR\u00c1TICAS DE CUIDADO OU UMA BOA OPORTUNIDADE PARA FORTALEC\u00ca-LAS EM VEZ DE NEGLIGENCI\u00c1-LAS POR FALTA DE INFORMA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13693 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-2-300x106.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"106\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-2-300x106.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-2-1024x362.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-2-768x271.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-2-1080x380.png 1080w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-2.png 1426w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>E m plena crise h\u00eddrica na regi\u00e3o Sudeste,\u00a0 entre fim de 2014 e in\u00edcio de 2015, v\u00e1rios munic\u00edpios estabeleceram porcentuais de redu\u00e7\u00e3o de consumo de \u00e1gua pelas unidades educacionais, com cr\u00edticas pela m\u00eddia, pela forma como alguns gestores planejaram as a\u00e7\u00f5es para atingir a meta, sobretudo nas creches. Essa pol\u00eamica aponta para a necessidade de se<br \/>\nretomar alguns conceitos e informa\u00e7\u00f5es sobre o cuidado com as crian\u00e7as em contextos coletivos e educacionais.<\/p>\n<p>Elegemos os beb\u00eas ou as crian\u00e7as menores de dois anos porque essa faixa et\u00e1ria \u00e9, em alguns aspectos, mais vulner\u00e1vel e dependente de cuidados cotidianos como oferta de alimenta\u00e7\u00e3o, troca de fraldas, entre outros. Entretanto reconhecemos sua grande capacidade de adapta\u00e7\u00e3o ao meio humano, desde que nascem, mobilizando-nos para cuidar delas.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Doutora em Ci\u00eancia da Sa\u00fade, \u00e9 consultora da equipe de sa\u00fade do CEDUC \u2013 Gest\u00e3o e Terceiriza\u00e7\u00e3o de Creches nas Empresas; formadora do Instituto Avisa L\u00e1; professora do curso de enfermagem e resid\u00eancia multidisciplinar em neonatologia da Universidade de Santo Amaro (Unisa) e de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Forma\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Infantil do Instituto Superior de Educa\u00e7\u00e3o Vera Cruz, em S\u00e3o Paulo (SP).<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13694 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-1-300x99.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"99\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-1-300x99.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-1-1024x337.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-1-768x252.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-1.png 1427w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Beb\u00eas ou lactentes?<\/strong><\/p>\n<p>O campo das ci\u00eancias da sa\u00fade denomina a faixa et\u00e1ria menor de um ano como \u201clactentes\u201d por serem preferencialmente nutridos com leite materno. Quando o aleitamento materno \u00e9 descontinuado ou n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, o leite de outra esp\u00e9cie \u00e9 oferecido, na maioria das vezes, em recipientes que simulam o seio, como mamadeiras e bicos, que se tornam, pelo material, formato e continente rico em prote\u00edna, ambientes prop\u00edcios para crescimento microbiano, se n\u00e3o forem adequadamente higienizados. Entretanto a forma de aliment\u00e1-los ainda assim \u00e9 pr\u00f3xima do contato com o corpo da pessoa que oferece o leite, seja no peito ou na mamadeira, o que possibilita uma intera\u00e7\u00e3o importante para a constitui\u00e7\u00e3o do sujeito.<\/p>\n<p>Entre seis e doze meses de idade, os beb\u00eas est\u00e3o mais maduros do ponto de vista do desenvolvimento afetivo, neuropsicomotor, digestivo e imunol\u00f3gico, entre outros sistemas. \u00c9 um per\u00edodo de grandes transforma\u00e7\u00f5es, do qual fazem parte a habilidade de sentar-se, usar as m\u00e3os, a erup\u00e7\u00e3o dos primeiros dentes dec\u00edduos ou \u201cde leite\u201d. Nessa fase, o lactente come\u00e7a a experimentar outros alimentos, pr\u00f3prios de cada cultura, substituindo-se gradativamente as mama das por papas, sucos, pur\u00eas. Esse processo continua com a modifica\u00e7\u00e3o da consist\u00eancia dos alimentos, sua diversifica\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas corporais e uso de objetos, como a colher e o copo. Ao final do primeiro ano, espera-se que o beb\u00ea experimente e consuma a maioria dos alimentos preparados para as crian\u00e7as maiores e para os adultos em sua cultura.<\/p>\n<p>Essas habilidades s\u00e3o desenvolvidas, podendo variar conforme o hist\u00f3rico de alimenta\u00e7\u00e3o de cada crian\u00e7a na fam\u00edlia ou na creche. Ao longo do seu segundo ano de vida, ainda necessita de alimentos bem cozidos, picados, e de alguma ajuda do adulto para conseguir se alimentar com independ\u00eancia. \u00c9 nesse per\u00edodo que completar\u00e1 a erup\u00e7\u00e3o e o crescimento dos 20 dentes que constituem a denti\u00e7\u00e3o dec\u00eddua apenas aos 24 meses concomitante com o desenvolvimento de habilidades para manusear os talheres e de intera\u00e7\u00e3o com os colegas de mesa. \u00c0s vezes, prefere usar as m\u00e3os para pegar os alimentos e lev\u00e1-los \u00e0 boca, uma vez que esta \u00e9 a primeira ferramenta usada pelos humanos para faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Os especialistas em Educa\u00e7\u00e3o Infantil empregam o termo \u201cbeb\u00eas\u201d no lugar de \u201clactentes\u201d, mas nem sempre ficam claras as idades compreendidas neste termo gen\u00e9rico, embora seja mais simp\u00e1tico do que o termo t\u00e9cnico empregado pelos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13695 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-1-300x100.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-1-300x100.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-1-1024x340.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-1-768x255.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-1.png 1429w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Quando os beb\u00eas v\u00e3o para a creche?<\/strong><\/p>\n<p>Como a Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u00e9 um direito da crian\u00e7a de zero a cinco anos, 11 meses e 29 dias, esse ciclo inclui os \u201cbeb\u00eas\u201d desde o nascimento. Sem d\u00favida, ningu\u00e9m advoga que rec\u00e9m-nascidos frequentem creches, o que seria contraindicado pela sua necessidade de contato corporal e de aleitamento materno constante e pela sua vulnerabilidade no contexto coletivo, mas a lei abre essa possibilidade.<\/p>\n<p>Por um lado, pode-se partir do pressuposto de que a licen\u00e7a maternidade para as m\u00e3es inseridas no mercado de trabalho tem dura\u00e7\u00e3o de 120 dias e de 180 dias para algumas categorias, embora ainda em minoria. Por outro, sabe-se que o direito \u00e0 creche do ponto de vista da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 condicionado ao trabalho materno, mas muitas m\u00e3es s\u00e3o adolescentes, estudantes, e nem sempre tem garantido o afastamento por esse per\u00edodo, e precisam continuar frequentando a escola.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 preciso partir do pressuposto de que as creches devem estar preparadas para atender, sobretudo no in\u00edcio do ano letivo, beb\u00eas com dois, tr\u00eas, quatro, cinco, seis meses ou mais, que requerem cuidados constantes, no sentido amplo do termo (psicof\u00edsicos e associados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><strong>Para que servem as m\u00e3os?<\/strong><\/p>\n<p>Considerando-se a diversidade de idades dos beb\u00eas que s\u00e3o matriculados nas creches, alguns ainda mamam no peito e outros, na mamadeira ou j\u00e1 tomam leite no copo. Em um semestre na mesma sala, \u00e9 poss\u00edvel haver beb\u00eas apenas com alimenta\u00e7\u00e3o l\u00e1ctea, interagindo com os que iniciam a alimenta\u00e7\u00e3o complementar aos quatro ou seis meses, concomitante com a adapta\u00e7\u00e3o ao novo ambiente. Ao serem alimentados pelos educadores, tamb\u00e9m aprendem a saborear novas texturas, sentir novos aromas e gostos, usar novos utens\u00edlios que manipulam com as m\u00e3os.<\/p>\n<p>Da mesma forma, os beb\u00eas usam as m\u00e3os para reconhecer o pr\u00f3prio corpo, brincar com os p\u00e9s, enfiar no nariz e depois tocar o rosto materno, de outra crian\u00e7a ou do professor da creche. Usam-nas tamb\u00e9m para manusear diferentes objetos, para apoiarem-se e se locomoverem no ambiente, seja rolando, se arrastando, engatinhando ou como apoio ao iniciar os primeiros passos.<\/p>\n<p>Simultaneamente, eles desenvolvem o pr\u00f3prio sistema imunol\u00f3gico, uma vez que a reserva de anticorpos fornecida pela m\u00e3e durante a gesta\u00e7\u00e3o, pela amamenta\u00e7\u00e3o e por meio do contato corporal, come\u00e7a a diminuir ap\u00f3s o sexto m\u00eas de vida. Elas come\u00e7am a fabricar os pr\u00f3prios anticorpos por meio do est\u00edmulo de vacinas especificas ou pelo contato gradativo com micr\u00f3bios que fazem parte do contexto familiar. Isto significa maior vulnerabilidade \u00e0s infec\u00e7\u00f5es adquiridas pelo contato com uma maior \u201ccarga viral\u201d ou microbiana, ou seja, elas podem lidar com doses compat\u00edveis com suas defesas em constru\u00e7\u00e3o, de acordo com os micr\u00f3bios a que estavam expostas na vida familiar, mas n\u00e3o com grande quantidade ou com determinados micr\u00f3bios e toxinas.<\/p>\n<p>Assim, dependendo de seu hist\u00f3rico de nascimento, aleitamento, imuniza\u00e7\u00e3o e contexto familiar e comunit\u00e1rio, elas podem reagir bem a esses primeiros desafios se defendendo, ou adoecerem de forma mais grave quando entram em contato pela primeira vez com uma carga de micr\u00f3bios \u201cdesconhecida\u201d do seu organismo ou meio.<\/p>\n<p>Por isso, elas podem adoecer mais nos primeiros seis meses de conviv\u00eancia na creche, com menor ou maior gravidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13696 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-1-300x99.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"99\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-1-300x99.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-1-1024x337.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-1-768x252.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-1.png 1424w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Lavar as m\u00e3os \u00e9 prioridade<\/strong><\/p>\n<p>Para proteger as crian\u00e7as mais vulner\u00e1veis \u00e9 preciso um rigor maior na higiene dos utens\u00edlios, ambientes, durante os cuidados, do que aqueles adotados no contexto dom\u00e9stico. Os professores sabem que sempre h\u00e1 alguma crian\u00e7a febril, com ou sem coriza, dor de ouvido, falta de ar, erup\u00e7\u00f5es na pele, conjuntivite, ou dist\u00farbios gastrointestinais como estomatite, diarreia, v\u00f4mito. \u00c0s vezes s\u00e3o informados que uma crian\u00e7a do grupo foi internada com meningite viral; outra, com bronquiolite. As m\u00e3es se queixam que os filhos adoeceram mais depois que entraram na creche, e atribuem a ocorr\u00eancia \u00e0 qualidade do cuidado, o que nem sempre corresponde aos fatos.<\/p>\n<p>Nem todas as infec\u00e7\u00f5es com maior incid\u00eancia em crian\u00e7as de creches s\u00e3o imunoprevin\u00edveis. Um exemplo disso \u00e9 um enterov\u00edrus (Cocsakiee v\u00edrus) que pode causar diarreia, conjuntivite, estomatite, doen\u00e7a m\u00e3o-p\u00e9-boca, meningite viral. H\u00e1 registros de surtos em creches por este agente que \u00e9 veiculado pelas secre\u00e7\u00f5es orais, pelas fezes e m\u00e3os contaminadas.<\/p>\n<p>Estudos no campo da sa\u00fade evidenciam que o n\u00edvel de contamina\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os das crian\u00e7as \u00e9 semelhante ao n\u00edvel de contamina\u00e7\u00e3o dos adultos que cuidam e interagem com elas. H\u00e1 tamb\u00e9m estudos sobre contamina\u00e7\u00e3o de m\u00e3os, torneiras, pias, brinquedos, superf\u00edcies de mesas por Cistos de Gi\u00e1rdia Lamblia que s\u00f3 \u00e9 eliminado pela limpeza mec\u00e2nica e n\u00e3o qu\u00edmica, e que atinge crian\u00e7as maiores.<\/p>\n<p>O principal ve\u00edculo de transmiss\u00e3o das infec\u00e7\u00f5es em ambientes coletivos como as creches, conforme estudos nacionais e internacionais, s\u00e3o as m\u00e3os de crian\u00e7as e adultos, bem como os objetos tocados por elas, que se contaminam com secre\u00e7\u00f5es nasais, perdigotos, secre\u00e7\u00f5es da conjuntiva e fezes, sobretudo durante os cuidados cotidianos (limpar o nariz, trocar as fraldas, acalentar, transportar, servir e oferecer alimentos, que exigem um contato direto com os professores e familiares) e tamb\u00e9m durante as intera\u00e7\u00f5es e brincadeiras entre as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O principal ve\u00edculo de transmiss\u00e3o das infec\u00e7\u00f5es em ambientes coletivos como as creches, conforme estudos nacionais e internacionais, s\u00e3o as m\u00e3os de crian\u00e7as e adultos, bem como os objetos tocados por elas, que se contaminam com secre\u00e7\u00f5es nasais, perdigotos, secre\u00e7\u00f5es da conjuntiva e fezes, sobretudo durante os cuidados cotidianos (limpar o nariz, trocar as fraldas, acalentar, transportar, servir e oferecer alimentos, que exigem um contato direto com os professores e familiares) e tamb\u00e9m durante as intera\u00e7\u00f5es e brincadeiras entre as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Mesmo crian\u00e7as aparentemente saud\u00e1veis podem estar incubando e disseminando alguns v\u00edrus e bact\u00e9rias, ou eliminando ovos de parasitos, e a higiene com base em procedimentos testados \u00e9 o melhor m\u00e9todo de controle.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13697 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-1-300x101.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"101\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-1-300x101.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-1-1024x345.png 1024w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-1-768x259.png 768w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-1.png 1426w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 dados que evidenciam, em creches que atendem crian\u00e7as de diversas classes sociais e condi\u00e7\u00f5es de vida, que durante determinadas \u00e9pocas do ano ocorrem surtos\u00b2 de diarreia, v\u00f4mito, estomatite, conjuntivite, doen\u00e7a m\u00e3o-p\u00e9-boca, bronquiolite, meningite, com predomin\u00e2ncia viral. Uma das principais medidas de controle \u00e9 a lavagem de m\u00e3os, limpeza de superf\u00edcies e de brinquedos. Esses procedimentos de higiene devem ser orientados por protocolos-padr\u00e3o, que devem ser seguidos pelos professores, gestores, equipes de limpeza e de preparo e oferta de alimentos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da higiene, \u00e9 fundamental a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica, notifica\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o do aumento dos casos no per\u00edodo com consequentes medidas de controle pelos servi\u00e7os de sa\u00fade, como imuniza\u00e7\u00e3o de bloqueio, dependendo do agravo, aprimoramento dos procedimentos de cuidados, entre outros.<\/p>\n<p>Entretanto, como formadora de profissionais de Educa\u00e7\u00e3o Infantil e de Sa\u00fade, percebo que ainda existe muita dificuldade relativa \u00e0 ades\u00e3o a esses procedimentos, talvez por falta de condi\u00e7\u00f5es ambientais, materiais, raz\u00e3o adulto-crian\u00e7a inadequada, associada a uma cultura institucional que ainda dissocia cuidado e Educa\u00e7\u00e3o Infantil.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>2 Entendemos surto como dois casos na semana com correla\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica ou aumento da incid\u00eancia mediana do agravo naquele contexto, de acordo com an\u00e1lise baseada em estudos de incid\u00eancia de anos anteriores.<\/h6>\n<p><strong>Higiene e pouca \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>Embora a ind\u00fastria qu\u00edmica e farmac\u00eautica e os pr\u00f3prios servi\u00e7os de sa\u00fade indiquem o \u00e1lcool a 70% para complementar ou, em algumas situa\u00e7\u00f5es, substituir a lavagem de m\u00e3os quando for imposs\u00edvel lav\u00e1-las (em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia como suporte b\u00e1sico de vida na rua, nos prontos-socorros, em campanhas de vacinas, nos cuidados prestados em ambul\u00e2ncias, ou outras situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter acesso imediato a uma torneira e \u00e1gua corrente), h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es no seu uso pelas crian\u00e7as. Sabe-se que crian\u00e7as menores de dois anos n\u00e3o deveriam ter as m\u00e3os higienizadas com \u00e1lcool gel, pelo fato de lev\u00e1-las aos olhos, \u00e0 boca, e tamb\u00e9m pelas caracter\u00edsticas da pr\u00f3pria pele em desenvolvimento, al\u00e9m de absorverem pela inala\u00e7\u00e3o o produto que pode ser t\u00f3xico para seu organismo ainda imaturo.<\/p>\n<p>Mesmo os profissionais, ao usarem \u00e1lcool gel para friccionar as m\u00e3os com frequ\u00eancia, perceber\u00e3o que \u00e9 necess\u00e1rio lav\u00e1-las depois de algum tempo, uma vez que elas ficam impregnadas com uma pel\u00edcula. As recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o claras: \u00e1lcool gel ajuda, mas n\u00e3o substitui a lavagem de m\u00e3os para controle de infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma forma de economizar \u00e1gua \u00e9 a t\u00e9cnica empregada para lavar as m\u00e3os, que podem ser esfregadas com pouco sabonete l\u00edquido, em toda a sua extens\u00e3o, tr\u00eas vezes cada parte, at\u00e9 o pulso e os dedos, e depois enxagu\u00e1-las rapidamente, de prefer\u00eancia em torneiras programadas para fechar automaticamente ou por meio de pedal. As crian\u00e7as podem aprender a faz\u00ea-lo com a media\u00e7\u00e3o do professor, que precisar\u00e1 lavar as m\u00e3os dos beb\u00eas no momento da troca de fralda e antes das refei\u00e7\u00f5es. Dessa forma, eles reduzem o que \u00e9 classificado como microbiota transit\u00f3ria, ou seja, aquela adquirida durante o contato com outras pessoas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13698 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-300x268.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-300x268.png 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6.png 513w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Higiene bucal<\/strong><\/p>\n<p>Pesquisas realizadas em algumas cidades brasileiras evidenciam que apenas 30% dos jovens de 18 anos t\u00eam todos os dentes \u00edntegros, o que significa que 70% desses mesmos jovens os perderam ou tiveram de restaur\u00e1-los, devido a pr\u00e1ticas inadequadas de higiene aprendidas na inf\u00e2ncia, alimenta\u00e7\u00e3o rica em carboidratos (farin\u00e1ceos, amidos, a\u00e7\u00facares) e falta de acesso a dentista.<\/p>\n<p>Os cuidados com a boca e os dentes devem se iniciar na primeira denti\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, mas no contexto coletivo espera-se que pelo menos seja ensinado e praticado para constituir um h\u00e1bito para todo o ciclo vital, ap\u00f3s a principal refei\u00e7\u00e3o e antes do repouso. As fam\u00edlias podem ser informadas e sensibilizadas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 import\u00e2ncia de evitar o consumo excessivo de refrigerantes e alimentos com muito a\u00e7\u00facar, e ajud\u00e1-las a realizar a higiene da boca e dos dentes antes de dormir, \u00e0 noite. Ao dormirem, a produ\u00e7\u00e3o de saliva diminui, o que propicia o crescimento das bact\u00e9rias que causam as c\u00e1ries.<\/p>\n<p>Ensinar as crian\u00e7as demonstrando como enxaguar a boca ap\u00f3s escovar os dentes utilizando um copo com \u00e1gua, ao inv\u00e9s de deixar a torneira aberta, promove um h\u00e1bito de forma sustent\u00e1vel. Ensin\u00e1-las que precisam usar apenas uma quantidade m\u00ednima de creme dental (equivalente a um gr\u00e3o de arroz). O importante \u00e9 a escova\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica delicada e correta que remove a placa de bact\u00e9rias que cresce nos dentes e na l\u00edngua, respons\u00e1vel pelo mau h\u00e1lito, al\u00e9m de corroerem o esmalte.<\/p>\n<p><strong>Higiene do ambiente<\/strong><\/p>\n<p>Em uma das recomenda\u00e7\u00f5es descritas pela imprensa relativas a higiene do ambiente, atribu\u00edda \u00e0 fala de profissionais de educa\u00e7\u00e3o, l\u00ea-se: \u201cvarrer antes de lavar\u201d.<\/p>\n<p>As salas das crian\u00e7as nas creches, ambientes de troca e refeit\u00f3rios n\u00e3o devem ser varridos, devido \u00e0 aspers\u00e3o de poeira que cont\u00e9m restos de pele, cabelos, \u00e1caros, que acaba por deslocar-se para as superf\u00edcies, contaminando mesas, ber\u00e7os e brinquedos. As superf\u00edcies e os pisos devem ser limpos com pano seco, e, depois, pelo m\u00e9todo \u00famido, o que n\u00e3o significa usar a mesma \u00e1gua do balde contaminada pelo pano que retirou a primeira sujeira. Independente de se ter ou n\u00e3o racionamento de \u00e1gua, desaconselha-se jogar \u00e1gua com mangueira ou balde tanto pela especificidade da t\u00e9cnica mais adequada para esses ambientes como pela manuten\u00e7\u00e3o dos pisos vin\u00edlicos e seguran\u00e7a das crian\u00e7as e dos adultos. \u00c9<br \/>\nposs\u00edvel realizar uma limpeza de alto n\u00edvel e economizar \u00e1gua, mas para isso \u00e9 preciso providenciar mops\u00b3 espec\u00edficos para cada ambiente, alguns pr\u00f3prios para retirada do p\u00f3, outros para esfregar, e os que s\u00e3o usados para remover restos de alimentos do refeit\u00f3rio. Para limpar, basta detergente neutro dilu\u00eddo, evitando-se o excesso de espuma, o que reduz o consumo de \u00e1gua. Os mops, quando suficientes, podem ser lavados posteriormente na m\u00e1quina de lavar, economizando-se tempo, m\u00e3o de obra, \u00e1gua e sab\u00e3o. Sec\u00e1-los ao sol evita mant\u00ea-los \u00famidos no rodo ou na \u00e1rea de servi\u00e7o, evitando assim a prolifera\u00e7\u00e3o de germes nesses ambientes. S\u00e3o pr\u00e1ticas culturais de muitas donas de casa, que \u00e0s vezes v\u00e3o trabalhar na limpeza da creche e as repetem, pois n\u00e3o s\u00e3o treinadas nem supervisionadas do ponto de vista t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>Outra pr\u00e1tica cultural \u00e9 a mistura de solu\u00e7\u00e3o clorada com sab\u00e3o, expondo o trabalhador e as crian\u00e7as aos vapores irritantes para as vias respirat\u00f3rias. Deve-se evitar o emprego de desinfetantes com vapores e res\u00edduos irritantes ou t\u00f3xicos para as crian\u00e7as e trabalhadores da equipe. Os produtos usados de forma inconsequente, muitas vezes por influ\u00eancia de propagandas, retornam aos c\u00f3rregos e riachos, cujas \u00e1guas abastecem as represas que fornecem \u00e1gua para o consumo humano e para a sobreviv\u00eancia de todas as esp\u00e9cies. Para que a limpeza do ambiente seja realizada de forma adequada e sustent\u00e1vel, \u00e9 preciso investir na forma\u00e7\u00e3o das equipes de limpeza.<\/p>\n<p><strong>Gest\u00e3o de cuidado com responsabilidade<\/strong><\/p>\n<p>Considerando o exposto, as recomenda\u00e7\u00f5es veiculadas na imprensa derivadas de prov\u00e1veis falas de gestores ou de autoridades que planejaram reduzir cuidados com as crian\u00e7as, com os profissionais ou com o ambiente, podem ser um \u201ctiro no p\u00e9 da Educa\u00e7\u00e3o Infantil\u201d. Isso porque, muitas vezes, elas acabam desconsiderando as especificidades dos ambientes para lactentes e crian\u00e7as que ainda usam fralda e n\u00e3o compreendem os riscos de determinados contatos com secre\u00e7\u00f5es. Orienta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas e sem fundamento t\u00e9cnico podem agravar o problema da falta de \u00e1gua no lugar de economiz\u00e1-la, al\u00e9m de comprometer a qualidade do cuidado com as crian\u00e7as, luta que os formadores e especialistas v\u00eam empreendendo com muito esfor\u00e7o. Se aumentar a demanda de crian\u00e7as e familiares ao servi\u00e7o de sa\u00fade devido a surtos de diarreia, conjuntivite e infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias, como tamb\u00e9m outras mais frequentes em ambientes coletivos como creches, que se espalham posteriormente na comunidade, aumenta-se o consumo de \u00e1gua, al\u00e9m de colocar em risco a vida e o bem-estar das crian\u00e7as, de professores e familiares.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>3 Utens\u00edlios de limpeza industrializados diversificados que s\u00e3o utilizados para limpezas especializadas. Encontrados em formatos variados, semelhantes a esfreg\u00f5es, rodos, vassouras, esponjas com cabos etc., geralmente feitos de algod\u00e3o ou microfibra, pela facilidade de sua limpeza e de acesso aos cantos dif\u00edceis do ambiente. Alguns mops v\u00eam equipados com baldes e acess\u00f3rios de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mais diversas necessidades.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DAMARIS GOMES MARANH\u00c3O\u00b9 A CRISE DA \u00c1GUA CHEGA EM UM MOMENTO EM QUE OS CUIDADOS COM O BEM-ESTAR AINDA N\u00c3O EST\u00c3O SOLIDIFICADOS. 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