{"id":13623,"date":"2015-02-15T19:04:30","date_gmt":"2015-02-15T21:04:30","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13623"},"modified":"2024-10-03T11:48:30","modified_gmt":"2024-10-03T14:48:30","slug":"observar-para-ver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-61\/observar-para-ver\/","title":{"rendered":"Observar para ver"},"content":{"rendered":"<p>RENATA MEIRELES \u00c9 UMA OBSERVADORA SENS\u00cdVEL E COMPETENTE DO UNIVERSO INFANTIL. CONHECER SUAS MOTIVA\u00c7\u00d5ES, BASES TE\u00d3RICAS E DESCOBERTAS VAI AUXILIAR OS PROFISSIONAIS DA EDUCA\u00c7\u00c3O A DESENVOLVER UM OLHAR DIFERENCIADO PARA O FAZER DAS CRIAN\u00c7AS<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Revista Avisa l\u00e1: Renata, conte-nos sobre seu trabalho. Qual o seu percurso at\u00e9 se tornar uma pesquisadora da inf\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-13624 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-11.jpg\" alt=\"\" width=\"294\" height=\"227\" \/><\/p>\n<p>Renata Meireles: Eu sempre quis trabalhar com inf\u00e2ncia, mas n\u00e3o sabia ao certo a \u00e1rea que iria trabalhar. Acabei fazendo muitos cursos fora da faculdade (Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica), com pessoas que j\u00e1 estavam fazendo pesquisa sobre a inf\u00e2ncia, como Adriana Friedmann\u00b9, e no Instituto Brincante\u00b2. Esses foram grandes incentivos pra mim, naquilo que eu queria e nem sabia que existia. Que era pesquisar, estar mais perto de quem s\u00e3o as crian\u00e7as e de como elas atuam no seu dia a dia sem ficar muito na teoria. Principalmente, estar com elas e aprender com elas sobre inf\u00e2ncia. Lydia Hort\u00e9lio\u00b3 e\u00a0Adelsin<sup>4<\/sup>, forneceram inspira\u00e7\u00f5es para come\u00e7ar essa pesquisa. Depois, muitos parceiros e mestres cruzaram meu caminho: Gabriela Romeu, Marcos Ferreira Santos, Sandra Eckschmidt, Soraia Chung Saura, entre tantos outros. Hoje em dia o pesquisador Gandhy Piorski \u00e9 uma grande influ\u00eancia no nosso olhar, um grande parceiro. Ele tem um estudo muito profundo sobre o imagin\u00e1rio infantil e a partir do olhar dele, ampliamos o nosso olhar, imensamente. O Gandhy \u00e9 uma grande influ\u00eancia no nosso trabalho.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Pesquisadora da educa\u00e7\u00e3o l\u00fadica, coordenadora do NEPSID (N\u00facleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismos, Inf\u00e2ncia e Desenvolvimento).<br \/>\n2 Instituto Brincante \u2013 Curso a Arte do Brincante para Educadores.<br \/>\n3 Etnomusic\u00f3loga e educadora, pesquisadora da cultura da inf\u00e2ncia.<br \/>\n4 Pesquisador da cultura da inf\u00e2ncia.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13625 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-11-300x187.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-11-300x187.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-11-436x272.jpg 436w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-11.jpg 769w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Eu achei que interessante seria ir in loco mesmo, n\u00e3o ficar s\u00f3 na pesquisa bibliogr\u00e1fica. Quando eu estava na faculdade cheguei a ler, inclusive, uma tese sobre bolinha de gude. Achei muito bacana, inclusive, o fato de existir algo assim, mas o que eu queria era saber como as crian\u00e7as jogam a bolinha de gude. N\u00e3o d\u00e1 para voc\u00ea jogar bolinha de gude lendo uma tese.<\/p>\n<p><strong>Que tipo de tese era, sobre a hist\u00f3ria do jogo?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, tinha a origem do jogo, mas era muito sobre as rela\u00e7\u00f5es sociais que se estabelecem. Contava perfeitamente como o jogo acontece, as regras, toda a din\u00e2mica, enfim, um trabalho minucioso do passo a passo do jogo. Mas \u00e9 outra coisa voc\u00ea estar no jogo e ler sobre ele. E n\u00e3o me alimentava s\u00f3 saber sobre o jogo, eu precisava estar nele, sentir. E ent\u00e3o, eu acho que isso foi o grande mote para mim, a necessidade de aprender com a crian\u00e7a. A partir do ponto de vista dela.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, em 1991, 1992, comecei pesquisando de uma forma bem caseira, s\u00f3 olhando e tentando aprender como aconteciam as brincadeiras. Comecei a registrar em fotos e em fita cassete, comecei a viajar tamb\u00e9m. Quando ia com os amigos em f\u00e9rias para algum s\u00edtio, eu estava mais interessada nos filhos do caseiro do que no churrasco dos amigos.<\/p>\n<p>Meu olhar era como um im\u00e3 para as crian\u00e7as. Eu era chamada por elas, pelo meu olhar. Eu sentia que meu corpo precisava aprender. Por exemplo, isso, a bolinha de gude, eu queria jogar, entrar na partida para valer. Ent\u00e3o, eu aprendia no corpo, registrava isso.<\/p>\n<p>Constru\u00ed assim um caminho, uma ponte entre as crian\u00e7as e as demais pessoas. Reproduzia o repert\u00f3rio que as crian\u00e7as estavam fazendo em oficinas no SESC, em escolas, em institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Fazia oficinas de brinquedos e brincadeiras, absolutamente pr\u00e1ticas. Claro que inclu\u00eda discuss\u00f5es e reflex\u00f5es.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13626 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-11-300x211.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"211\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-11-300x211.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-11.jpg 443w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Depois disso eu conheci o David Reeks e a gente criou junto o projeto Bira \u2013 Brincadeiras Infantis da Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Com a entrada do David na minha vida, o projeto ampliou, abriu uma outra porta, que foi a dos registros de filmes. Ele n\u00e3o era documentarista quando a gente se conheceu, mas se tornou com o projeto Bira. As cenas das crian\u00e7as brincando foram as primeiras coisas que ele filmou na vida. David saiu em viagem nesse projeto para aprender, e como tinha um olhar super bom, aprendeu fazendo. \u00c9 bonita essa hist\u00f3ria. E as crian\u00e7as foram dando todos os sinais e ele ia ouvindo e vendo. O David tem uma alma infantil muito bonita, ele conseguia se comunicar muito bem com a crian\u00e7a atrav\u00e9s da c\u00e2mera. Ele larga a c\u00e2mera no meio e come\u00e7a a brincar, ent\u00e3o, isso tamb\u00e9m criou v\u00ednculos, o que \u00e9 sempre necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>O que quer\u00edamos era criar v\u00ednculo com as crian\u00e7as. Assim nasceu o projeto Bira. Nasceu completamente aut\u00f4nomo, sem incentivo nenhum, foram investimentos pessoais.<\/p>\n<p><strong>E como foi?<\/strong><\/p>\n<p>Sa\u00edmos em 2001, David e eu, com mochila nas costas e c\u00e2mera na m\u00e3o. T\u00ednhamos apoio de ONGs e institui\u00e7\u00f5es de l\u00e1 que eu havia contatado daqui e que j\u00e1 trabalhavam com crian\u00e7as. E foram essas pessoas que incentivaram o nosso trabalho, que nos apresentaram \u00e0s comunidades. Eu fazia ofi cinas de brinquedos e brincadeiras para o pessoal que trabalhava para eles, para profissionais de Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, da rede p\u00fablica, das ONGs. Com idas e vindas, no total, deu quase um ano de Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Criamos de fato um olhar mais aprofundado sobre a inf\u00e2ncia de l\u00e1. Aprendemos o que \u00e9 estar com a crian\u00e7a e registrar as suas atividades. Era um interc\u00e2mbio de brinquedos e brincadeiras. Toda vez que aprend\u00edamos uma brincadeira, ensin\u00e1vamos outra.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>5 Giramundo e outros Brinquedos e Brincadeiras dos Meninos do Brasil, S\u00e3o Paulo: Terceiro Nome.<\/h6>\n<h6>6 Projeto de pesquisa, resgistro e difus\u00e3o da inf\u00e2ncia brasileira. www.territoriodobrincar.com.br<\/h6>\n<p><strong>Voc\u00ea continuou a pesquisa aqui em S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m?<\/strong><\/p>\n<p>Quando terminou, o projeto virou disserta\u00e7\u00e3o de mestrado. Eu consegui, a\u00ed, ter um olhar com o afastamento necess\u00e1rio. Em campo \u00e9 muito dif\u00edcil para mim ter uma reflex\u00e3o mais profunda daquilo que estou vendo. Eu preciso sair do lugar. Pra mim funciona assim. Com o professor Marcos Ferreira Santos, que foi meu orientador de fato, consegui o mergulho que precisava para olhar as \u201c\u00c1guas Infantis da Amaz\u00f4nia\u201d, minha pesquisa de mestrado. A partir da\u00ed, escrevi o\u00a0Giramundo<sup>5<\/sup>, editamos alguns curtas sobre isso e ganhamos v\u00e1rios pr\u00eamios. Ent\u00e3o, percebemos que o que t\u00ednhamos na m\u00e3o n\u00e3o era s\u00f3 um sonho ou encantamento, mas algo que as pessoas estavam querendo saber.<\/p>\n<p><strong>Por que voc\u00ea acha que as pessoas estavam querendo falar disso? Por que o foco nas brincadeiras?<\/strong><\/p>\n<p>Pois \u00e9, a brincadeira era meio marginalizada. Aos poucos ela est\u00e1 ganhando um espa\u00e7o cada vez mais nobre. As pessoas est\u00e3o entendendo o respeito que \u00e9 preciso ter para com essa atividade. Tinha uma coisa do n\u00e3o s\u00e9rio. At\u00e9 mesmo minha fam\u00edlia me questionava quando eu ia fazer uma coisa s\u00e9ria, \u201cvoc\u00ea vai ficar brincando?\u201d.<\/p>\n<p><strong>Explique um pouco de onde nasceu e o que \u00e9 o Territ\u00f3rio do Brincar.<\/strong><\/p>\n<p>O Projeto Territ\u00f3rio do\u00a0Brincar<sup>6 <\/sup>nasceu por conta dos filhos. Quando eu e o David nos vimos com duas crian\u00e7as pequenas morando em S\u00e3o Paulo fazendo coisas que n\u00e3o est\u00e1vamos gostando. Pensamos em mudar para o interior, mas resolvemos ir para a estrada com eles mostrando o que sab\u00edamos fazer. Quando sa\u00edmos, o mais velho tinha quatro anos e o mais novo dois. Quando voltamos, eles tinham seis e quatro anos. Criamos o projeto para estar em fam\u00edlia, acompanhar de perto o crescimento dos nossos filhos, ao mesmo tempo que poder\u00edamos desenvolver um trabalho que gost\u00e1ssemos, conhecendo o potencial dele. A ideia foi ficar dois anos na estrada, percorrendo diferentes regi\u00f5es brasileiras, registrando as diferentes express\u00f5es das tantas inf\u00e2ncias que existem no nosso pa\u00eds. Criamos um roteiro com uma representatividade regional e cultural que pudesse se aproximar dessa diversidade que somos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13627 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-10-168x300.jpg\" alt=\"\" width=\"168\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-10-168x300.jpg 168w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-10.jpg 213w\" sizes=\"auto, (max-width: 168px) 100vw, 168px\" \/><\/p>\n<p>Desenhamos uma proposta de parceria com escolas e em seguida nasceu a possibilidade de fazer uma correaliza\u00e7\u00e3o com o Instituo\u00a0Alana<sup>7<\/sup>, que ampliou muito a dimens\u00e3o do projeto e fortaleceu ainda mais nossa proposta de pesquisa e difus\u00e3o da cultura da inf\u00e2ncia. Hoje somos uma equipe e agregamos esfor\u00e7os em diversas frentes de educa\u00e7\u00e3o e cultura. Estamos coproduzindo com a Maria Farinha Produtora (vinculada ao Instituto Alana) um filme de longa-metragem, s\u00e9ries para TV, site, enfim, ampliamos muito&#8230;<\/p>\n<p><strong>Conte um pouco mais sobre essa quest\u00e3o do olhar. N\u00f3s a consideramos como uma grande observadora das crian\u00e7as, da cultura da inf\u00e2ncia, como voc\u00ea aprendeu a observar?<\/strong><\/p>\n<p>Fiquei sempre muito focada em olhar o que existe de mais potente na inf\u00e2ncia, e a aprender a brincadeira brincando. As pessoas conseguem falar com muito mais tranquilidade sobre os problemas da inf\u00e2ncia do que sobre as potencialidades e o imagin\u00e1rio infantil. Achei que era pertinente apurar o olhar para o que h\u00e1 de belo.<\/p>\n<p>De um modo geral, ou\u00e7o muito dos adultos que as crian\u00e7as n\u00e3o brincam mais. E ao mesmo tempo, vejo as crian\u00e7as mostrando um repert\u00f3rio, uma disponibilidade intensa para o brincar. Seja no interior, numa comunidade quilombola, ou na cidade de S\u00e3o Paulo, onde for, a resposta \u00e9 \u201choje em dia as crian\u00e7as n\u00e3o brincam mais\u201d. E a\u00ed quando voc\u00ea v\u00ea, elas brincam, e muito. Eu acho que tem um lastro de olhar que se rompeu. O adulto focado nas ang\u00fastias do passado ou na ansiedade de um futuro que nunca vem, n\u00e3o consegue perceber a crian\u00e7a que est\u00e1 absolutamente no presente. H\u00e1 uma desconex\u00e3o que bloqueia o olhar para conseguir ver o que vem da crian\u00e7a hoje.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>7 Instituto que tem como miss\u00e3o honrar a crian\u00e7a. www.alana.org.br<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13628 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-10-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-10-300x225.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-10.jpg 453w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Focar no que h\u00e1 de belo e potente n\u00e3o significa que essas crian\u00e7as n\u00e3o vivam grandes problemas. Aqueles meninos e meninas s\u00e3o her\u00f3is para n\u00f3s, nos apresentam um brincar absolutamente rico e potente, essas mesmas crian\u00e7as sofrem quest\u00f5es complicadas no seu dia a dia. Se a gente contar voc\u00ea nem acredita.<\/p>\n<p>Mas preferimos apresentar o lado que d\u00e1 sentido para a pr\u00f3pria crian\u00e7a. N\u00e3o se trata de ingenuidade, mas de deixar que as crian\u00e7as nos guiem o olhar para as grandes transforma\u00e7\u00f5es, essas que partem de dentro para fora.<\/p>\n<p>O que gostar\u00edamos \u00e9 que, de algum modo, as pessoas confiassem mais na inf\u00e2ncia, e nos potenciais infantis. As crian\u00e7as j\u00e1 fazem isso.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea v\u00ea uma rela\u00e7\u00e3o entre essa vida dif\u00edcil e a brincadeira, brincar como necessidade de se manter s\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. A brincadeira \u00e9 o ar que a crian\u00e7a respira, sem isso ela fica sufocada. \u00c9 onde a crian\u00e7a \u00e9. A brincadeira \u00e9 o espa\u00e7o em que ela \u00e9 ela mesma, fora dali h\u00e1 muitas vezes quest\u00f5es bem dif\u00edceis para elas lidarem.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea falou desses grandes personagens e deve ter vivido muitas emo\u00e7\u00f5es nessas andan\u00e7as pelo Brasil. Poderia compartilhar conosco uma situa\u00e7\u00e3o que lhe impactou?<\/strong><\/p>\n<p>Cada crian\u00e7a toca em um lugar em mim. Um exemplo de emo\u00e7\u00e3o \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que tivemos com essas crian\u00e7as, por conta dos nossos filhos estarem tamb\u00e9m no projeto. No projeto Bira n\u00e3o t\u00ednhamos filhos, mas no Territ\u00f3rio do Brincar isso mudou muito. Cada lugar onde cheg\u00e1vamos, nossa casa passava a ser um lugar onde as crian\u00e7as queriam estar. Elas vinham continuar a brincadeira e ficar com os nossos filhos. As nossas casas eram centros culturais da inf\u00e2ncia. \u00c0s vezes eram 15, 20 crian\u00e7as, o dia inteiro. Eu percebia que alguns deles vinham viver uma fam\u00edlia, e isso \u00e9 muito emocionante para mim. Crian\u00e7as com quest\u00f5es bem complicadas em casa n\u00e3o sa\u00edam do nosso quintal. Teve um menino, por exemplo, que o pai e a m\u00e3e estavam presos, uma v\u00f3 que n\u00e3o d\u00e1 conta de cuidar, sem condi\u00e7\u00f5es. Ele viveu dentro da nossa casa e eu basicamente o criei durante os tr\u00eas meses que estive nessa comunidade. Voc\u00ea cria um v\u00ednculo enorme. Isso vai muito al\u00e9m do que \u00e9 previsto dentro de uma pesquisa do brincar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13629 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-6-300x273.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"273\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-6-300x273.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-6.jpg 515w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, havia uma troca, ele trazia a brincadeira?<\/strong><\/p>\n<p>Nossa, claro, \u00e9 uma troca. Ele queria o tempo todo mostrar o que sabia fazer. As crian\u00e7as de um modo geral querem muito isso. Os adultos em geral dizem que elas n\u00e3o sabem nada e elas, ao contr\u00e1rio, dizem: \u201cEu sei, eu sei isso, eu sei aquilo\u201d. Elas est\u00e3o absolutamente \u00e1vidas para mostrar o que sabem, e sabem coisas incr\u00edveis. Esse menino que contei antes, por exemplo, \u00e9 um ex\u00edmio ca\u00e7ador. Ele desafia a coragem. Brinca com p\u00f3lvora, brinca com os enormes desafios da pipa, brinca com armadilhas para ca\u00e7ar. As crian\u00e7as buscam dentro delas o que precisam fazer. Elas sabem do que precisam. Existem algumas buscas em comum. Existe aquele que \u00e9 mais ca\u00e7ador, ou o que \u00e9 mais inventor, que gosta de inventar coisas, partindo do zero. Meninas que est\u00e3o vinculadas \u00e0s brincadeiras com mais pot\u00eancia ou delicadeza. Pot\u00eancia, por exemplo, ao pular el\u00e1stico, pular corda. Tem meninas que fazem maestrias nessas brincadeiras.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e0s vezes escolhe alguns temas para dar um zoom, como as casinhas e as comidinhas, h\u00e1 alguma raz\u00e3o especial para isso?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sou eu que escolho, s\u00e3o as coisas que me escolhem. Esse livro do cozinhando<sup>8<\/sup>, eu n\u00e3o planejei nada disso. Quando voltei depois de 21 meses na estrada com o Territ\u00f3rio do Brincar, surgiu a possibilidade de montar uma exposi\u00e7\u00e3o para a Mostra Ciranda de Filmes, que pudesse depois itinerar. Eu tive tr\u00eas meses para criar isso, ent\u00e3o, fui olhar o que eu tinha de imagens, fazer uma curadoria buscando temas. E um dos temas que veio forte foi o de brincar de casinhas. Ao separar as fotos fui tentando selecionar as etapas da brincadeira. Tudo que era montar a casinha, tudo que era cuidado, os beb\u00eas, o que arrumar dentro da casa e, depois, tudo o que era cozinhar. Nessa parte, eu me dei conta que inconscientemente eu fotografei in\u00fameros pratinhos das crian\u00e7as. J\u00e1 estava l\u00e1, fui registrando tudo porque meu olho estava absolutamente encantado com a beleza de cada pratinho. Mas isso n\u00e3o foi planejado, nem tive consci\u00eancia de que eu estava fazendo aquilo. Quando eu juntei tudo percebi que tinha in\u00fameros pratinhos e resolvi fazer essa brincadeira de criar uma pequena poesia como se fosse um menu de restaurante. Realmente, era uma brincadeira entre adultos e crian\u00e7as, um menu de restaurante com pratinhos de lama e flor. Isso foi acontecendo. V\u00e1rios foram os temas que eu percebia durante<br \/>\na viagem do Territ\u00f3rio do Brincar e que foram crescendo dentro de mim. Um tema enorme, por exemplo, \u00e9 esse dos meninos ca\u00e7adores. Quem s\u00e3o essas crian\u00e7as, o que \u00e9 ca\u00e7ar na inf\u00e2ncia?<\/p>\n<hr \/>\n<h6>8 Cozinhando no quintal \u2013 Renata Meirelles. S\u00e3o Paulo: Terceiro Nome, 2014.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13630 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/7-5-300x220.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/7-5-300x220.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/7-5.jpg 660w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Pensando nessas brincadeiras de casinha, de ca\u00e7ador, gostaria que falasse um pouco do jogo simb\u00f3lico e como v\u00ea isso na escola hoje.<\/strong><\/p>\n<p>Sempre gosto de contar a partir da minha experi\u00eancia. No Territ\u00f3rio do Brincar, seis escolas<sup>9 <\/sup>acompanhavam o projeto. T\u00ednhamos reuni\u00f5es mensais via skype para discutir o que eu estava vivendo nesses lugares, e eu sempre levantava um tema. Era uma forma\u00e7\u00e3o continuada durante esses dois anos de viagem. Depois do primeiro<br \/>\nano refletindo e discutindo como olhamos para o brincar, sugeri aos educadores que olhassem para dentro da escola. Nasceu uma pesquisa coletiva de estudo e registro sobre o brincar de casinha dentro e fora da escola. Eles dentro e a gente fora da escola. Ent\u00e3o, durante um ano, os educadores teriam que observar e registrar na escola as brincadeiras de casinha, e eu faria o mesmo pelo mundo afora. A \u00fanica exig\u00eancia que fiz era que fosse respeitada a espontaneidade das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>E a\u00ed, em alguns casos, ficamos muito tempo tentando chegar num acordo do que \u00e9 espont\u00e2neo. Alguns diziam \u201ca gente monta uma casinha e elas v\u00e3o l\u00e1 e se for brincar foi?\u201d. Eu falei \u201cn\u00e3o, n\u00e3o monta nada, n\u00e3o \u00e9 para sugerir nada, simplesmente assim: se brincar brincou, se n\u00e3o brincar n\u00e3o brincou\u201d. Caso crian\u00e7a nenhuma procure essa brincadeira ent\u00e3o OK. Se ningu\u00e9m for brincar disso, tudo bem. A proposta era apontar o fen\u00f4meno da brincadeira de casinha e como ela nascia, onde era feita, quando acontecia, enfim, dizer do espont\u00e2neo do brincar de casinha, nada al\u00e9m. A gente ficou um ano fazendo isso. No come\u00e7o foi um pouco o exerc\u00edcio de olhar o que acontece de espont\u00e2neo dentro da escola. E as brincadeiras simb\u00f3licas, como quer que aconte\u00e7am, t\u00eam o espont\u00e2neo na sua ess\u00eancia. Liberdade na ess\u00eancia. Se voc\u00ea, educador, est\u00e1 em um ambiente e n\u00e3o est\u00e1 conseguindo entender de onde parte esse espont\u00e2neo, ent\u00e3o tenta-se olhar onde est\u00e1 o espont\u00e2neo dentro da escola. A ess\u00eancia da liberdade e qual \u00e9 a for\u00e7a disso.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>9 As seis escolas foram: Escola Viverde (Bragan\u00e7a Paulista &#8211; SP), Col\u00e9gio Sidarta (Cotia &#8211; SP), Escola Vera Cruz (S\u00e3o Paulo &#8211; SP), Col\u00e9gio Oswald Andrade (S\u00e3o Paulo &#8211; SP), CEI Alana (S\u00e3o Paulo &#8211; SP), Escola Casa Amarela (Florian\u00f3polis &#8211; SC).<\/h6>\n<p><strong>Qual o papel do professor nisso? Ele tem alguma participa\u00e7\u00e3o nessa brincadeira?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, o educador deve dar um passo para tr\u00e1s nesse sentido. Dissemos que se ele montar a casinha, j\u00e1 est\u00e1 fazendo um convite que parte dele. Queremos o contr\u00e1rio, ver o desejo mais livre da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Qual seria, ent\u00e3o, o papel do educador nesse sentido, daquilo que \u00e9 o mais espont\u00e2neo? Ele deve estar presente, mas \u00e9 uma presen\u00e7a de bastidores; o que precisa \u00e9 abrir o espa\u00e7o e acreditar na crian\u00e7a e no brincar. Eu acredito essencialmente nisso, o educador precisa de fato acreditar mais ainda no potencial do brincar. Isso significa acreditar no potencial da vida. A brincadeira \u00e9 o impulso mais genu\u00edno da vida.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que estamos confiando nisso? Essas rela\u00e7\u00f5es precisam estar impl\u00edcitas dentro da escola, porque fora dela, as crian\u00e7as j\u00e1 praticam isso.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acha que o professor n\u00e3o tem ent\u00e3o que montar um cen\u00e1rio, preparar a brincadeira? Em forma\u00e7\u00f5es sobre o brincar \u00e0s vezes incentivamos isso&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Tem que sentir qual o objetivo de cada proposta. O nosso era falar do que parte de mais genu\u00edno da crian\u00e7a. O que o Territ\u00f3rio do Brincar faz \u00e9 olhar o fen\u00f4meno, como ele \u00e9, o que est\u00e1 acontecendo e nisso faz muito sentido a gente convidar o educador a olhar o que est\u00e1 acontecendo. Mas isso \u00e9 o objetivo desse projeto com esse olhar.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso dar tempo para a crian\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p>Claro, falamos muito sobre o tempo. Se a gente est\u00e1 falando que a crian\u00e7a \u00e9 do presente, vive o aqui e agora, ela precisa desse espa\u00e7o de tempo para lidar com seus recursos. Elaborar o que ela tem dispon\u00edvel. Para essa quest\u00e3o de oferecer materiais, \u00e9 preciso ver o que elas t\u00eam de recursos dispon\u00edveis. Como esses materiais s\u00e3o? J\u00e1 induzem alguma coisa? S\u00e3o mais livres, mais abertos?<\/p>\n<p>A crian\u00e7a pode criar muito mais com aquilo ou s\u00e3o j\u00e1 brinquedos com respostas dadas?<\/p>\n<p><strong>Acha que conseguiram mudar o olhar do professor?<\/strong><\/p>\n<p>Fizemos um filme, atualmente sendo finalizado, que conta esse processo. Vi educadores querendo sair de um lugar de respostas prontas, de cumprir um curr\u00edculo e seus conte\u00fados. O educador est\u00e1 muito cansado do que vem de fora. N\u00e3o foi dif\u00edcil, as pessoas estavam querendo, n\u00e3o houve resist\u00eancia para esse processo de escuta da crian\u00e7a. Quando fui levar o projeto para as escolas, que subsidiaram essa parceria, deixei claro que era uma parceria sem resposta definida;\u00a0a gente estava criando um jeito de olhar junto e esse era o desafio. Eu sabia que algumas escolas gostam de propostas mais concretas e isso n\u00e3o existia, havia ali uma necessidade de flexibilidade para o novo, para o inesperado, para o aberto. \u201cOlha, n\u00e3o \u00e9 uma coisa fechada, n\u00e3o temos ideia do que isso pode gerar\u201d. A gente tem uma estrutura de trabalho, mas aonde isso vai nos levar n\u00e3o temos a menor ideia. Foi super bacana a confian\u00e7a dessas escolas. Vi abertura para romper com o pr\u00e9-determinado, conseguir ouvir o outro da forma como ele \u00e9, e querer trazer para dentro dos muros a vida que existe l\u00e1 fora.<\/p>\n<p><strong>Fale mais sobre a quest\u00e3o do olhar. Como se desenvolve essa compet\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Eu estou precisando refletir como poder dizer isso melhor. As pessoas est\u00e3o me perguntando como se aprende isso: \u201cvoc\u00ea me ensina a olhar?\u201d. Minha sugest\u00e3o \u00e9 estar aberto e n\u00e3o trazer suas interfer\u00eancias, pr\u00e9-conceitos, respostas. N\u00e3o ter respostas, n\u00e3o ter expectativas, ansiedades. O que vem tem que ser respeitado, acreditado. E poder, tamb\u00e9m, assumir o que existe e o que acontece dentro do mundo da simplicidade. Coisas aparentemente muito simples. A \u00e1rvore, por exemplo. Crian\u00e7a tem um chamariz por \u00e1rvore absolutamente incr\u00edvel. Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o? \u00c9 de simplicidade. Ela est\u00e1 sempre muito perto da \u00e1rvore. Usa como sombra, usa os galhos para constru\u00e7\u00f5es, para fazer algum brinquedo, como suporte das casinhas, \u00e9 um espa\u00e7o de grandes desafios, de grandes aventuras, \u00e9 um acolhimento. A \u00e1rvore est\u00e1 l\u00e1 quieta, mas muito presente, acolhedora, sabe da import\u00e2ncia da sombra para o brincar acontecer.<\/p>\n<p>O ch\u00e3o e como a crian\u00e7a se relaciona com ele. Era preciso fazer um tratado da rela\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com o ch\u00e3o. As investiga\u00e7\u00f5es que existem no ch\u00e3o, a necessidade de cavar, de encontrar mist\u00e9rios debaixo da terra, achar coisas, as rela\u00e7\u00f5es que estabelecem com as pedras. As pedras t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o viva com a crian\u00e7a. Elas estabelecem uma rela\u00e7\u00e3o vigorosa com o imagin\u00e1rio da crian\u00e7a, que sai quebrando pedras, jogando pedras, encontrando pedras preciosas, tesouros guardados com tanto afinco. Adoram achar as pedras preciosas. \u00c9 olhar o simples e acreditar nele. Se a gente, por exemplo, confiasse na import\u00e2ncia dessa rela\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com o ch\u00e3o, n\u00e3o ter\u00edamos escolas com tanto concreto. Olhe o ch\u00e3o das escolas para ver o que acontece, isso diz tanto. O fato de n\u00e3o ter \u00e1rvore, j\u00e1 diz tanto sobre a escola.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que a gente de fato sabe o que \u00e9 a crian\u00e7a? Ser\u00e1 que a gente conhece esse fen\u00f4meno que \u00e9 inf\u00e2ncia? E a gente est\u00e1 respeitando isso dentro da escola? Estamos propondo olhar para os gestos mais genu\u00ednos das crian\u00e7as, e tentando escutar o que dizem esses gestos? N\u00e3o \u00e9 uma teoria e muito menos um m\u00e9todo, \u00e9 um processo apurado de escuta.<\/p>\n<p>O que as crian\u00e7as experienciam em contato com a natureza, n\u00e3o acontece de uma outra forma. Se houver, dentro das escolas, por exemplo, um tanque de areia, isso \u00e9 um o\u00e1sis, sabe? Um lugar no qual brincam silenciosamente. Para mim, o sil\u00eancio, a introspec\u00e7\u00e3o, a intimidade, criam espa\u00e7os internos fundamentais para todos n\u00f3s. Crian\u00e7a sem acesso ao isolamento, ao aquietar-se, \u00e0 possibilidade de criar e tentar sozinha, fica mais desconectada de si mesma. Dentro de todas as coisas poss\u00edveis de um tanque de areia, o sil\u00eancio para mim \u00e9 uma das coisas fundamentais. Eles podem brincar quietos ali dentro. Estabelecem rela\u00e7\u00f5es muito profundas. Cavar, preencher espa\u00e7o, relacionar-se com mist\u00e9rios, esconder objetos, a m\u00e3o, o ir e vir do mist\u00e9rio. T\u00e3o necess\u00e1rio, principalmente para os pequenos, os menorzinhos.<\/p>\n<p><strong>Pois \u00e9, e ainda enfrentamos muita resist\u00eancia de algumas escolas e creches em manter um tanque de areia por causa da sujeira, de bichos&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Se acreditassem e respeitassem essas coisas, certamente achariam formas para n\u00e3o ter bichos, sujeira&#8230; Se priorizassem, achariam solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O que a gente pode fazer dentro dos pequenos espa\u00e7os? Voc\u00ea falou da natureza, mas dentro do espa\u00e7o urbano existem, sim, escolas sem nenhuma \u00e1rvore, que n\u00e3o t\u00eam um metro quadrado de terra. Como podemos reconstruir esse espa\u00e7o nesses limites e qual o papel das escolas?<\/strong><\/p>\n<p>Sabe quando voc\u00ea est\u00e1 na periferia observando os espa\u00e7os e pensa \u201cessa pessoa veio da ro\u00e7a\u201d? Sabe essa pessoa que consegue plantar um p\u00e9 de milho num pequeno furo que tem, sei l\u00e1, ali da casa dela? \u00c9 esse grito: \u201ceu preciso disso\u201d, \u201cisso \u00e9 prioridade\u201d. Nas creches existem muitas pessoas que compreendem isso, talvez s\u00f3 n\u00e3o confiem nisso como uma quest\u00e3o. S\u00e3o pessoas que muito mais do que eu, sabem plantar, sabem a import\u00e2ncia de tudo isso, porque viveram a experi\u00eancia que ainda permanece dentro delas. Ent\u00e3o \u00e9 um pouco essa rela\u00e7\u00e3o de \u201colha, traga isso\u201d. De v\u00e1rias pequenas formas, mas que de alguma forma seja feito: tragam \u00e1gua, areia, terra e pedra. Toquinhos de madeira, gravetos, cestos com folhas, sementes, coisas com as quais as crian\u00e7as possam acessar tudo isso. Tanque de areia pode ser uma caixa de areia, um pouco de \u00e1gua (embora estejamos vivendo um momento dif\u00edcil). Uma vez eu trabalhei numa creche e me dei conta de que as crian\u00e7as n\u00e3o tinham experi\u00eancia de corpo submerso, porque elas n\u00e3o tinham acesso \u00e0 banheira, \u00e0 piscina, rio ou mar. Ent\u00e3o, eram crian\u00e7as que nunca tinham tido o corpo submerso na \u00e1gua. E as crian\u00e7as precisam desse tipo de alimento para o seu imagin\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RENATA MEIRELES \u00c9 UMA OBSERVADORA SENS\u00cdVEL E COMPETENTE DO UNIVERSO INFANTIL. CONHECER SUAS MOTIVA\u00c7\u00d5ES, BASES TE\u00d3RICAS E DESCOBERTAS VAI AUXILIAR OS PROFISSIONAIS DA EDUCA\u00c7\u00c3O A DESENVOLVER UM OLHAR DIFERENCIADO PARA O FAZER DAS CRIAN\u00c7AS Revista Avisa l\u00e1: Renata, conte-nos sobre seu trabalho. Qual o seu percurso at\u00e9 se tornar uma pesquisadora da inf\u00e2ncia? Renata Meireles: [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":227,"featured_media":17034,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1521],"tags":[],"class_list":{"0":"post-13623","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","6":"hentry","7":"category-revista-avisa-la-61","9":"post-with-thumbnail","10":"post-with-thumbnail-large"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/227"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13623"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13623\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17036,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13623\/revisions\/17036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17034"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}