{"id":13607,"date":"2015-02-15T18:37:29","date_gmt":"2015-02-15T20:37:29","guid":{"rendered":"https:\/\/avisala.org.br\/?p=13607"},"modified":"2024-10-03T11:48:41","modified_gmt":"2024-10-03T14:48:41","slug":"o-que-aprendemos-com-os-indios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avisala.org.br\/index.php\/conteudo-por-edicoes\/revista-avisa-la-61\/o-que-aprendemos-com-os-indios\/","title":{"rendered":"O que aprendemos com os \u00edndios"},"content":{"rendered":"<p>LUC\u00cdLIA HELENA FRANZINI\u00b9<\/p>\n<hr \/>\n<p>A VALORIZA\u00c7\u00c3O DA CULTURA ART\u00cdSTICA IND\u00cdGENA, A EXPERIMENTA\u00c7\u00c3O E A EXPLORA\u00c7\u00c3O DE MATERIAIS NATURAIS ENSEJAM UMA RELA\u00c7\u00c3O RESPEITOSA COM A DIVERSIDADE E O MEIO AMBIENTE.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13608 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-10-300x197.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-10-300x197.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/1-10.jpg 497w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O desejo da equipe de professores\u00b2 foi aprofundar a rela\u00e7\u00e3o com a natureza e observar a diversidade cultural, modo pelo qual nos aproximamos, todos os anos, da arte e de mais conhecimentos ind\u00edgenas de alguns povos do Brasil. O encontro com o mundo, pela arte, estimula a qualidade do sentimento e a capacidade de conectar experi\u00eancias distantes entre si, no tempo e no espa\u00e7o; dessa uni\u00e3o, produzem-se novos pensamentos.<\/p>\n<p>A proposta da escola integra o brincar e a arte e \u00e9 muito valorizada na comunidade, que participa e contribui nos processos de aprendizagem. O resgate de eventos, festas e manifesta\u00e7\u00f5es com raiz na cultura do Brasil, bem como a diversidade e a multiplicidade, constroem ambiente rico e favor\u00e1vel para a integra\u00e7\u00e3o e a boa rela\u00e7\u00e3o entre fam\u00edlias e escola. A varia\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das qualidades da vida e \u00e9 com respeito que tratamos os temas ligados \u00e0s diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>Ter como princ\u00edpio curricular a sele\u00e7\u00e3o de po\u00e9ticas com valor est\u00e9tico e \u00e9tico \u00e9 o que nos leva \u00e0 arte ind\u00edgena. Na pesquisa sobre diferentes povos, as m\u00faltiplas possibilidades expressivas ind\u00edgenas, nas diversas linguagens art\u00edsticas, s\u00e3o admir\u00e1veis e surpreendentes; tanto em lendas, m\u00fasicas e dan\u00e7as, quanto em pinturas corporais, grafismos, cer\u00e2micas, m\u00e1scaras, jogos e outras manifesta\u00e7\u00f5es dessa cultura \u2013 que \u00e9 nossa tamb\u00e9m.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 Diretora e coordenadora pedag\u00f3gica da Escola Gr\u00e3o de Ch\u00e3o. Trabalha com forma\u00e7\u00e3o de professores em Arte.<br \/>\n2 Foram autores dessa experi\u00eancia, os professores: Jo\u00e3o Aly Cec\u00edlio e Julia de Andrade Henrique dos Santos.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13609 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-10-214x300.jpg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-10-214x300.jpg 214w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/2-10.jpg 342w\" sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o contato dos \u00edndios com os rios, a terra, as florestas e os animais; o modo como preparam alimentos; constroem ocas e armas; praticam os jogos; constituem as rela\u00e7\u00f5es familiares s\u00e3o tamb\u00e9m elementos trazidos para a escola ajudando a criar um ambiente imaginativo para as crian\u00e7as. Isso as faz pensar tamb\u00e9m sobre si mesmas, como vivem, como se alimentam, como crescem, como realizam atividades, entre outras reflex\u00f5es. H\u00e1, portanto, forte influ\u00eancia dessa cultura no desenvolvimento e na aprendizagem da crian\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Buscando maior proximidade<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, \u00e9 comemorado o dia do \u00edndio em abril e, embora a escola n\u00e3o trabalhe com datas comemorativas, aproveitamos a agenda cultural da cidade de S\u00e3o Paulo para aprofundar a tem\u00e1tica. S\u00e3o in\u00fameros os eventos e exposi\u00e7\u00f5es que marcam a chegada dos \u00edndios de v\u00e1rias partes do Brasil \u00e0 nossa cidade. A ida \u00e0 Toca da Raposa, na zona rural, pr\u00f3ximo \u00e0 capital, \u00e9 uma das viv\u00eancias mais marcantes para as crian\u00e7as da escola. L\u00e1, elas participam de um emocionante encontro com \u00edndios Kuikuru, popula\u00e7\u00e3o do Alto Xingu, que se instalam por meses no s\u00edtio. A proposta \u00e9 passar o dia com eles e preparar comida, cantar, dan\u00e7ar e jogar. Como num ritual de passagem, \u00e9 preciso ter 5 ou 6 anos para participar da experi\u00eancia e, por isso, na escola, h\u00e1 grande expectativa das crian\u00e7as pequenas de crescer e ir tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>No contexto geral do Pa\u00eds, h\u00e1, em geral, aproxima\u00e7\u00f5es equivocadas e\/ou de aligeiradas da cultura ind\u00edgena com a educa\u00e7\u00e3o, por isso a import\u00e2ncia dessa experi\u00eancia, que acontece todos os anos. Durante dois meses, debru\u00e7amo-nos sobre a cultura desse povo tendo um foco al\u00e9m da arte, tamb\u00e9m na integra\u00e7\u00e3o com a natureza. Apesar de reconhecermos que as rela\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas s\u00e3o geradoras de muitos conflitos em aldeias e reservas ind\u00edgenas, passamos \u00e0 margem dessa problem\u00e1tica, por considerarmos n\u00e3o ser conte\u00fado da Educa\u00e7\u00e3o Infantil. O reconhecimento e a identifica\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com as situa\u00e7\u00f5es vistas ou vividas por elas enriquecem o significado das experi\u00eancias e, disso, pode nascer um novo censo de cidadania e de participa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e prazerosa da realidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13610 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-10-210x300.jpg\" alt=\"\" width=\"210\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-10-210x300.jpg 210w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/3-10.jpg 340w\" sizes=\"auto, (max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><\/p>\n<p><strong>Passo a passo do projeto<\/strong><\/p>\n<p>No projeto em quest\u00e3o participaram crian\u00e7as entre 1 e 6 anos, ora em agrupamentos menores, com faixas et\u00e1rias aproximadas (ex.: G1 e G2, G3 e G4, G5 e G6), ora em grupos maiores, com faixas et\u00e1rias distintas, na concep\u00e7\u00e3o de interidades. O projeto envolveu todas as crian\u00e7as da escola, 80 que estudavam no per\u00edodo da manh\u00e3 e 70 que estudavam \u00e0 tarde, al\u00e9m de 12 professores, 13 auxiliares de professores, tr\u00eas coordenadoras, que s\u00e3o tamb\u00e9m diretoras, e 11 funcion\u00e1rios operacionais.<\/p>\n<p>A dura\u00e7\u00e3o foi de dois meses, com oficinas di\u00e1rias, em que foram desenvolvidas quatro linguagens art\u00edsticas e os jogos. Dada a extens\u00e3o do projeto, que gerou v\u00e1rias viv\u00eancias, produ\u00e7\u00f5es, imagens e registros, optei por fazer um recorte e relatar a experi\u00eancia do grupo de crian\u00e7as de 5 e 6 anos, do per\u00edodo da manh\u00e3, sobretudo na interlocu\u00e7\u00e3o das artes visuais com as linguagens corporais\u00b3.<\/p>\n<p>Na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, o \u00e2mbito de interlocu\u00e7\u00e3o com a arte \u00e9 basicamente procedimental. A teoria apoia-se na experi\u00eancia e, portanto, o fazer tem muita import\u00e2ncia e gera conhecimento. Com essa ideia, os professores de nossa escola iniciaram seus trabalhos com a cultura ind\u00edgena, com oficinas integradas de artes visuais, teatro, dan\u00e7a, m\u00fasica e jogos.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>3 Jo\u00e3o Aly Cec\u00edlio, pedagogo e m\u00fasico de forma\u00e7\u00e3o, e Julia de Andrade Henrique dos Santos, artista-docente, planejaram, organizaram e estruturaram as ofi cinas. Tiveram o apoio de: Carolina de Souza, professora e psic\u00f3loga de forma\u00e7\u00e3o, e Pedro Jos\u00e9 Pinto Braga, auxiliar de professor e estudante de Psicologia. Houve ainda a participa\u00e7\u00e3o de Maria Cec\u00edlia Franzini, coordenadora de m\u00fasica e de linguagens corporais, soci\u00f3loga de forma\u00e7\u00e3o. Eu, Luc\u00edlia Helena Franzini, tamb\u00e9m participei da a\u00e7\u00e3o como coordenadora de artes visuais, arte-educadora e pedagoga de forma\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13611 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-9-300x235.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-9-300x235.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/4-9.jpg 437w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Desenvolvimento da experi\u00eancia: <\/strong><br \/>\n<strong>Fase 1: Levantamento do conhecimento pr\u00e9vio<\/strong><\/p>\n<p>A imagina\u00e7\u00e3o inspira profundamente as crian\u00e7as e \u00e9 fonte importante para os primeiros desenhos. Nessa fase, a proposta de desenho foi que as crian\u00e7as desenhassem o que quisessem tendo os \u00edndios como tem\u00e1tica. Al\u00e9m da imagina\u00e7\u00e3o, algumas crian\u00e7as desenharam inspiradas em suas recorda\u00e7\u00f5es de \u00edndios que conheceram em viagens pelo Brasil, junto aos pais, ou por meio das viv\u00eancias de que participaram, na escola, em anos anteriores.<\/p>\n<p><strong>Fase 2: Aproxima\u00e7\u00e3o com a cultura ind\u00edgena<\/strong><\/p>\n<p>A proposta de desenho foi enriquecida com a inser\u00e7\u00e3o de livros que apresentavam o grafismo e outros aspectos da cultura ind\u00edgena. Quase todo o material apresentado foi dos \u00edndios Kalapala, do Alto Xingu. Os alunos foram convidados a pensar em formas de grafar a partir do uso da simetria e da geometriza\u00e7\u00e3o, com diferentes instrumentos e suportes. No trabalho de ateli\u00ea, livros com boas imagens foram deixados num canto da sala, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as que quisessem procurar refer\u00eancias para os desenhos. O acesso aos livros foi livre; enquanto algumas crian\u00e7as os desconsideraram, outras se encantaram com as figuras encontradas. As oficinas de artes visuais tiveram tamb\u00e9m momentos coletivos de aprecia\u00e7\u00e3o de imagens com o uso de retroprojetor. Ora a aprecia\u00e7\u00e3o aconteceu antes, ora depois da<br \/>\nprodu\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, e isso dependeu do objetivo do professor em rela\u00e7\u00e3o a esse aspecto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-13612\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-9-251x300.jpg\" alt=\"\" width=\"251\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-9-251x300.jpg 251w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/5-9.jpg 517w\" sizes=\"auto, (max-width: 251px) 100vw, 251px\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-13613\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-5-252x300.jpg\" alt=\"\" width=\"252\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-5-252x300.jpg 252w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/6-5.jpg 520w\" sizes=\"auto, (max-width: 252px) 100vw, 252px\" \/><\/p>\n<p><strong>Viv\u00eancias corporais<\/strong><\/p>\n<p>As propostas corporais inclu\u00edram brincadeiras e jogos ind\u00edgenas; pesquisa e cria\u00e7\u00e3o de movimentos e pegadas de animais. Promovemos v\u00e1rios exerc\u00edcios de sensibiliza\u00e7\u00e3o com elementos naturais no contato com o corpo. Nessa fase, percebemos que v\u00e1rias crian\u00e7as desenharam motivadas pela participa\u00e7\u00e3o nas viv\u00eancias e de outras oportunidades, tais como o conhecimento de dan\u00e7as, lendas e m\u00fasicas ind\u00edgenas. A concomit\u00e2ncia das oficinas de Arte, quando tratam da mesma tem\u00e1tica, colabora com o aprendizado das crian\u00e7as. Isso nos faz refletir que desenhar \u00e9 tamb\u00e9m relacionar os elementos pl\u00e1sticos e simb\u00f3licos \u00e0s experi\u00eancias corporais, musicais ou liter\u00e1rias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13614 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/7-4-300x186.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"186\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/7-4-300x186.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/7-4-436x272.jpg 436w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/7-4.jpg 764w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Museu do \u00edndio: uma contribui\u00e7\u00e3o dos pais<\/strong><\/p>\n<p>Nas primeiras semanas da experi\u00eancia, os pais foram convocados a trazer objetos ind\u00edgenas que tinham em casa para a montagem de um museu. Os objetos trazidos mostraram para n\u00f3s, professores, o quanto as fam\u00edlias de nossa comunidade apreciam a arte ind\u00edgena. Todos os anos organizamos o que chamamos de museu, feito com os in\u00fameros objetos que chegam: artefatos de rituais, armas, brinquedos; adere\u00e7os como colares, cocares, brincos, vestimentas, m\u00e1scaras; instrumentos, fotos, livros, pinturas, esculturas, cestarias, redes, apetrechos de cozinha e outros. A montagem do museu \u00e9 feita por professores, coordenadoras e crian\u00e7as maiores. \u00c9 inestim\u00e1vel a contribui\u00e7\u00e3o desse museu para todas as oficinas de arte, sobretudo a de artes visuais, durante o desenvolvimento da experi\u00eancia. O museu tem car\u00e1ter interativo, e as crian\u00e7as exercitam com ele formas de se relacionar com objetos cuidadosa e respeitosamente. Ao final da experi\u00eancia, os pais s\u00e3o convidados a visitar o museu com os filhos.<\/p>\n<p><strong>Fase 3: Aproxima\u00e7\u00e3o com a natureza<\/strong><\/p>\n<p>As crian\u00e7as foram a um parque pr\u00f3ximo \u00e0 escola para coleta de materiais naturais e sensibiliza\u00e7\u00e3o no contato com a natureza. L\u00e1 apreciaram as \u00e1rvores e foram motivadas a sentir a natureza. Recolheram restos, como: galhos, folhas, sementes, pedras, flores e outros, e levaram para o ateli\u00ea. Mais uma vez os pais foram convocados a nos ajudar na coleta desses elementos da natureza. Juntos, abastecemos nosso ateli\u00ea para o desenvolvimento da experi\u00eancia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13615 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8-3-300x256.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8-3-300x256.jpg 300w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/8-3.jpg 479w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><strong>Fase 4: Confec\u00e7\u00e3o de tintas<\/strong><\/p>\n<p>A proposta dessa fase foi extrair o pigmento vermelho do urucum e fazer tinta com o uso de v\u00e1rios tipos de aglutinantes: colas, \u00e1gua e \u00f3leos. O urucum \u00e9 muito usado pelos \u00edndios para pintura corporal e de objetos, e podemos encontrar a semente com muita facilidade, mesmo na regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo. Investigar a extra\u00e7\u00e3o criou a necessidade de as crian\u00e7as intu\u00edrem, imaginarem e encontrarem solu\u00e7\u00f5es diferentes para os diferentes materiais. Instigar a crian\u00e7a a compreender o que ainda n\u00e3o alcan\u00e7ou cria possibilidades construtivas e expressivas. As primeiras experi\u00eancias n\u00e3o deram certo; mesmo assim as crian\u00e7as descobriram um jeito eficiente: passaram as sementes na peneira em vez de usar o pil\u00e3o, como fazem com o carv\u00e3o. Feita a tinta, nossos pesquisadores tiveram os rostos pintados pelos professores e, depois, criaram as pr\u00f3prias pinturas corporais. A tinta tamb\u00e9m foi usada para pinturas em diversos tipos de suporte.<\/p>\n<p><strong>Fase 5: Modelagem e constru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Proposta 1:<\/strong> modelagem livre em argila e planifica\u00e7\u00e3o de uma casa de pau a pique, com argila e palitos.<br \/>\n<strong>Proposta 2:<\/strong> constru\u00e7\u00e3o de uma parede de pau a pique.<br \/>\nPara construir a moradia (oca), o \u00edndio brasileiro usa a trama de taquaras e troncos de \u00e1rvore e a cobertura de folhas de palmeiras e palha. Esse formato \u00e9 antigo nas habita\u00e7\u00f5es brasileiras, sobretudo entre os que vivem em regi\u00f5es rurais. Al\u00e9m da trama, leva massa de barro misturado com detritos naturais: folhas, pedras, sementes, galhos e palha. As crian\u00e7as fizeram uma maquete com argila e palitos de uma casa de pau a pique. Depois, no quintal da escola, serraram bambus e paus, tramaram com barbantes e amassaram o barro. Prepararam a massa para preencher os espa\u00e7os da trama e constru\u00edram uma parede mui to s\u00f3lida. Viraram construtores e ficaram mui to alegres com o resultado dessa fase do projeto. As crian\u00e7as pequenas participaram, em v\u00e1rios momentos, e com prazer compartilharam a experi\u00eancia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13616 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/9-1-262x300.jpg\" alt=\"\" width=\"262\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/9-1-262x300.jpg 262w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/9-1.jpg 401w\" sizes=\"auto, (max-width: 262px) 100vw, 262px\" \/><\/p>\n<p><strong>Fase 6: Encontro das crian\u00e7as com os \u00edndios<\/strong><\/p>\n<p>Kuikurus, popula\u00e7\u00e3o do Alto Xingu, no s\u00edtio da Toca da Raposa. Esses \u00edndios migram todos os anos para as proximidades de S\u00e3o Paulo, e vivem durante dois meses nesse s\u00edtio onde recebem visitantes, sobretudo estudantes. L\u00e1, dan\u00e7am, cantam, fazem comida, contam hist\u00f3rias e vendem objetos que produzem. Alguns n\u00e3o falam o portugu\u00eas e, nesse tempo de conv\u00edvio, procuram manter a estrutura da fam\u00edlia, com v\u00e1rias mulheres e crian\u00e7as no grupo. Essa \u00e9 a parte da experi\u00eancia mais esperada pelas crian\u00e7as e \u00e9 com muito entusiasmo que a vivenciam, especialmente por representar o fechamento de tudo que aprenderam e vivenciaram durante o projeto de cultura ind\u00edgena.<\/p>\n<p><strong>Fase 7: Exposi\u00e7\u00e3o de arte<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13618 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/11-189x300.jpg\" alt=\"\" width=\"189\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/11-189x300.jpg 189w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/11.jpg 349w\" sizes=\"auto, (max-width: 189px) 100vw, 189px\" \/><\/p>\n<p>Proposta: constru\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o coletiva: floresta, com canoas e um rio. A exposi\u00e7\u00e3o de arte, evento anual da escola, promove o compartilhamento dos processos vividos pelos alunos e suas produ\u00e7\u00f5es, em conjunto: crian\u00e7as, equipe da escola, pais e convidados. Os grupos criaram a instala\u00e7\u00e3o, a floresta, para apreciar e brincar. Abrigamos nas paredes da instala\u00e7\u00e3o alguns desenhos e pinturas feitas nas oficinas de arte. Houve tamb\u00e9m espa\u00e7o para fotos, que mostravam os processos nas linguagens art\u00edsticas: artes visuais, m\u00fasica e corporais. Durante a experi\u00eancia, cada grupo escolheu uma \u00e1rvore da escola para cuidar e pesquisar. Ao final, presentearam-nas com produ\u00e7\u00f5es e, delicadamente, decoraram-nas para a exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Adentrar a cultura ind\u00edgena n\u00e3o \u00e9 experi\u00eancia f\u00e1cil para educadores sens\u00edveis aos problemas dos \u00edndios. O receio de ratificar estere\u00f3tipos \u00e9 muito presente em nossas discuss\u00f5es e, a cada ano, novas formas de abordagens s\u00e3o organizadas e pensadas para evitar isso. Ficamos atentos \u00e0s descobertas e aos estudos das comunidades ind\u00edgenas do Brasil, bem como sobre not\u00edcias e novos materiais art\u00edsticos que podem aprofundar as reflex\u00f5es e contribuir com nosso acervo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-13617 alignright\" src=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/10-1-215x300.jpg\" alt=\"\" width=\"215\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/10-1-215x300.jpg 215w, https:\/\/avisala.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/10-1.jpg 440w\" sizes=\"auto, (max-width: 215px) 100vw, 215px\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 mais de dez anos debru\u00e7amo-nos nessa tem\u00e1tica, e a aproxima\u00e7\u00e3o com a natureza est\u00e1, a cada ano, mais contemplada nos planos e nas a\u00e7\u00f5es dos professores. \u00c9 desejo de todos da equipe o consumo consciente e \u00e9tico dos bens naturais, bem como a contempla\u00e7\u00e3o e o respeito \u00e0 natureza. \u00c9 sempre muito motivador trabalhar com essa perspectiva na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, j\u00e1 que crian\u00e7as pequenas parecem ter sentimentos mais facilmente conectados com o meio e o universo. Por isso, a experi\u00eancia \u00e9 permanente em nossa escola. Os in\u00fameros registros e planos de aulas s\u00e3o cuidadosamente guardados e tornam-se fontes preciosas para a pesquisa dos profissionais que atuam na escola. Essas fontes s\u00e3o suportes para a\u00e7\u00f5es, ora repetidas, ora adaptadas ou mesmo inovada.<\/p>\n<p>No papel de coordenadora posso perceber fortes tra\u00e7os autorais dos professores, aspecto bem valorizado na escola. Neste texto, deixei de lado as experi\u00eancias musicais, as brincadeiras simb\u00f3licas e a culin\u00e1ria, n\u00e3o por serem menos significativas, mas para estabelecer um foco no relato dessa rica viv\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LUC\u00cdLIA HELENA FRANZINI\u00b9 A VALORIZA\u00c7\u00c3O DA CULTURA ART\u00cdSTICA IND\u00cdGENA, A EXPERIMENTA\u00c7\u00c3O E A EXPLORA\u00c7\u00c3O DE MATERIAIS NATURAIS ENSEJAM UMA RELA\u00c7\u00c3O RESPEITOSA COM A DIVERSIDADE E O MEIO AMBIENTE. 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